ACM x ALDIR BLANC

Que político não gosta de críticas à sua pessoa todo mundo está careca de saber. Está claro que pela ausência de auto-crítica, salvo raras exceções, quase nunca praticada, óbvio que para não demonstrar ao distinto público qualquer traço de fraqueza. Por esses dias a coisa está preta por aqui.
Vejamos um rápido resumo:
1. O advogado Eri Varella (candidato a dep. federal-DF), fiel escudeiro de Joaquim Roriz (candidato ao senado-DF), apesar de autorizar publicamente a divulgação de uma fita de 1'54'' onde num rápido papo com o chefe chama o deputado José Arruda (líder nas pesquisas para o governo do DF) de vagabundo, safado e por aí vai, deve ter ficado passado ao ver o chefe entrar na Justiça com pedido para proibir a divulgação da degravação da fita e seu áudio. Noblat publicou e foi censurado pela primeira vez após três anos de blog. O Blog do Sena, no entanto, já divulgou onde está o material para que todos possam conferir a "quisumba" (aqui).
2. O senador José Sarney, que caminha para a imortalidade no cargo via Amapá, bem distante de seu Maranhão, processa judicialmente todos que ousarem contrariá-lo ou criticá-lo, mas, a bomba da semana é a matéria abaixo. Leiam e parem de rir se conseguirem:

Senador se irrita com críticas e chama compositor de canalha


Contrariado com artigo publicado no Jornal do Brasil no qual é acusado de envergonhar a Bahia e o Brasil, Antônio Carlos Magalhães pode processar Aldir Blanc

Veja na íntegra a resposta do compositor não publicada no JB.

Maurício Thuswohl - Carta Maior

RIO DE JANEIRO - A hora não parece muito propícia para artistas consagrados falarem de política no Brasil. Há poucos dias, o músico mineiro Wagner Tiso e o ator paulista Paulo Betti viram declarações suas (não muito felizes, é verdade) acerca da prática política nacional repercutirem de forma exagerada nos principais jornais do país e suscitarem uma patrulha ideológica que não se via desde Regina "eu tenho medo" Duarte. Outra vítima de suas próprias opiniões - e do furor que elas podem causar nos setores mais à direita da sociedade - é o genial compositor carioca Aldir Blanc que, após destilar seu humor crítico para cima do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) num dos artigos que escreve periodicamente para o Jornal do Brasil, virou alvo da ira do baiano e agora corre o risco de ser processado.

O artigo que tirou Antônio Carlos Magalhães do sério e o fez chamar Aldir Blanc de "canalha" numa carta enviada à redação do JB foi publicado no dia 11 de agosto, sob o título "Salada Salobra". Nele, depois de descer sem piedade a lenha em meio mundo – num leque que vai de Luiz Inácio Lula da Silva a Geraldo Alckmin e passa por Rosinha Matheus, Anthony Garotinho, Jader Barbalho, Cláudio Lembo e Newton Cardoso – o compositor elege o senador como o "destaque da semana" e o define como "o esclero-sênior ACM, um político que envergonha há décadas a Bahia e o Brasil, mentindo, fraudando, aliado com o que o crime social apronta de pior".

Aldir prossegue, em seu estilo marcante: "Segundo o senador, o péssimo desempenho de Lula no Jornal Nacional provocou, em retaliação, o seqüestro de uma equipe de jornalistas. ACM entende do riscado. Suas armas políticas sempre foram a intimidação, a ameaça, a chantagem disfarçada de negociação, além da truculência coronelista e de uma vocação para a farsa que faz do escolado Fidel uma criança de colo. É, estou me referindo ao mesmo ACM que acolheu a cabeça e as lágrimas da guerreira senadora Heloísa Helena, a Joana D`Arc da caatinga", escreveu o articulista, antes da conclusão fulminante: "Com gente assim, enriquecida de tanto sanguessugar, por quê Marcola se regeneraria?".

As palavras de Aldir chegaram ao conhecimento de ACM que, segundo um assessor que trabalha no Senado, ficou muito irritado e ofendido com a “homenagem”. A chateação foi tanta que o senador teria escrito de próprio punho uma carta ao JB momentos depois de ler o artigo publicado no jornal carioca. A carta escrita pelo senador foi publicada na edição do dia 18 de agosto do JB. No trecho mais eloqüente, ACM diz: "Transmito minha indignação com os ataques que recebi do colunista Aldir Blanc. Só posso entender tratar-se de um agente do lulismo que, infiltrado nesse tradicional jornal, me ataca desta forma gratuita. Registro meu protesto contra esse canalha. Não tenho tempo a perder com gente deste tipo".

Procurado pela Carta Maior, o senador Antônio Carlos Magalhães não quis se pronunciar. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, ele disse que não pensa mais no assunto nem pretende mover qualquer processo contra Aldir Blanc. Um outro assessor de ACM, no entanto, garante que o chefe ainda está magoado e não abandonou por completo a idéia de processar o compositor e colunista. Além da carta enviada à redação do JB, ACM teria se queixado diretamente com o dono do jornal, o empresário Nélson Tanure. Essa pressão teria impedido que o JB publicasse um segundo artigo, no qual Aldir faz a tréplica ao senador depois de ter sido chamado de canalha (reprodução completa do artigo no fim da matéria).

Tranqüilo, Aldir, por sua vez, garante: "Não houve nenhuma censura". Ele afirma que o segundo artigo acabou não saindo por decisão própria, para não alimentar a briga. No entanto, entalado na garganta com o adjetivo de canalha vindo de ACM, Aldir fez questão de enviar por correio eletrônico o artigo não-publicado para a apreciação de alguns amigos: "Quero que ele seja lido pelo maior número possível de pessoas que gostam de mim", disse. Como são incontáveis os fãs que gostam muito do autor de O Bêbado e a Equilibrista e Mestre-Sala dos Mares, entre tantas outras, a Carta Maior decidiu reproduzir na íntegra o artigo-resposta de Aldir Blanc a Antônio Carlos Magalhães que não saiu no JB:


“Bolô-fedex

Leva, meu samba, meu mensageiro, esse recado...

O Sena-Sênior ACM, vulgo Malvadeza, me acusou de ser "um elemento lulista infiltrado" no JB. E concluiu seu arrazoado (?) me chamando de canalha.
Senadô-Skindô, por mais que eu viva nenhum elogio me trará orgulho maior do que ser chamado de canalha por V. Excrescência. Quem lê minha coluna sabe que o pau canta à direita, à esquerda e, claro, no centro, com igual prodigalidade. Espero que a grande famiglia pefelista já tenha providenciado junta médica competente para lubrificar os parafusos do Cacicão. A julgar pelas suas mais recentes declarações, as encrencagens, desculpem, engrenagens, estão precisando de uma lubrificada urgente: ginkgo biloba, piracetan, talvez um viagrinha... O senador, craque em prestidigitação, mais uma vez misturou as bolas: combatividade é muito diferente de baba paranóica escorrendo gravata parlamentável abaixo.
A ojeriza é mútua. Estou farto de maquiavelhos de fraldão deitando regras. Toda essa mixórdia envolvendo valeriodutos, mensaleiros, sanguessugas e saúvas, começa com políticos da sua estirpe. O mecanismo é manjado. Se as denúncias favorecerem meu partido, palmas, vamos apurar. Agora, se a canoa virar, o denunciante passa a bandido e fim de papo, vai ser preciso buscar a propina em outro guichê. A máscara-de-pau que descrevo acima é suprapartidária. Os que não a exibem são as exceções que confirmam as regras vigentes. Quando as regras rompem os diques e escorrem periferia abaixo, não há Lembo Pétala-Macia que evite derramamento de sangue - na maioria dos casos, inocente. Mas o meu negócio não é discurso, é galhofa. Já que falei em bolas misturadas... Dizem que um velho político pefelista, preocupado com as más performances nos palanques, procurou um médico, antigo cupincha de castelo e carteado.
- Tô com um problema, num sabe? Bem na... plataforma de lançamento.
- Hein?
- Pois é. Gases. Uma coisa impressionante. Além das explosões e dos odores, tem hora que chego a levitar. Uma assessora já foi arremessada contra meu contador de caixa 2. Estão hospitalizados. Isso não pode continuar.
O amigo explicou que aquela não era a especialidade dele, mas que pensaria no assunto, conversaria com colegas renomados, faria até pesquisa na internet.
No comício seguinte, o esculápio apareceu com um vidro misterioso, sem rótulo, e entregou ao político:
- É pra...
Mas o tumulto, o puxa-saquismo, os vivas, a euforia bem remunerada impediram a necessária e urgente troca de informações. Cerca de meia hora depois, o SSJE (Secretário para Superfaturamento Junto a Empreiteiras) agarrou o ilustre médico pelo paletó.
- Corre que o Chefe tá pegando fogo nas... nas partes baixas.
- O quê?!?
O socorrista encontrou o parlamentável feito um bebê, sem calças, com uma brutal reação alérgica na proa da região pélvica.
- Mas... Eu mandei você beber a poção e você esfregou nos...
- No calor da luta política, eu confundi peido público com pêlo púbico.

Aldir Blanc”

2 comentários:

Flanar disse...

Excelente este post e muito apropriado para este sábado de sol em Belém.
Não sei como o ACM "resistiu" em chamar as "forças armadas" para combater o Blanc.
Abs

Val-André Mutran disse...

A linha deu ocupada!