Níquel a todo o vapor

Vale e BHP poderão adiar início de operação de minas de níquel


Gazeta Mercantil
27/3/2007

A Companhia Vale do Rio Doce e a BHP Billiton, que estão construindo duas das maiores minas mundiais de níquel, poderão perder o prazo para o início de suas operações, o que geraria um aumento nos preços da commodity, que subiram e alcançaram seu recorde este mês.
A produção do projeto Goro da Vale, localizado em Nova Caledônia (arquipélago localizado entre Fiji e a Austrália), marcada para ter início no final de 2008 ou início de 2009, pode ser adiada "significativamente", disse Peter Arden, analista da Intersuisse. Arden é um dos quatro administradores de fundos e analistas que prevêem atrasos em Goro e em Ravensthorpe, projeto da BHP localizado no Estado da Austrália Ocidental.
A escassez de trabalhadores e o aumento dos custos adiaram o andamento de novos projetos, contribuindo para elevar os preços à vista do níquel para seu recorde no último dia 19 de março, à medida que a demanda pelo metal, utilizado na fabricação de aço inoxidável, dispara na China. Com poucas perspectivas da entrada em funcionamento de grandes minas este ano, os preços da commodity poderão dobrar durante este primeiro semestre, segundo o Citigroup Inc.
"As minas de Ravensthorpe e Goro passam por aumentos de custos enormes e há muito motivo para acreditar que elas sofrerão adiamentos", disse Alan Heap, diretor de análise mundial de commodities do Citigroup, que fez seus comentários durante a Terceira Conferência de Níquel da Nova Caledônia, que se inicia hoje em Noumea, capital do arquipélago.
Estoques
Os estoques de níquel monitorados pela Bolsa de Metais de Londres (LME, pelas iniciais em inglês) despencaram 85% nos últimos 12 meses, passando a um nível equivalente a menos de dois dias de consumo mundial. A China, país que é o maior produtor mundial de aço inoxidável, provavelmente aumentará sua produção em 37 % este ano, para 7,35 milhões de toneladas, disse em 21 de março a empresa de pesquisa em metais Roger Agnelli, principal executivo da Vale, visitou Goro este mês, e a empresa "está estudando várias melhorias no desempenho ambiental e em outras áreas fundamentais para garantir um projeto sustentável e rentável", disse Steve Mitchell, porta-voz da empresa, em 6 de março passado. Ele recusou-se a fazer comentários adicionais na semana passada. A BHP Billiton já concluiu mais de 80% das obras em Ravensthorpe, contra os 78% do final de dezembro passado, disse ontem em Noumea Ian Clark, vice-presidente do setor de desenvolvimento de negócios da divisão Nickel West da empresa. As importações do metal por parte da China, o maior consumidor mundial de níquel, aumentaram 86% emfevereiro passado em relação ao mesmo mês do ano passado, disse o departamento alfandegário do país no último dia 22 de março. O níquel para entrega à vista na LME recuou US$ 3.325, ou 6,9 %, para US$ 44.800 a tonelada (US$ 20,30 a libra-peso) em Londres na última sexta-feira, 23 de março. O metal subiu 32 % este ano.
Cobre
Chip Goodyear, principal executivo da BHP Billiton disse que os preços do cobre, do níquel e de outros metais permanecerão altos por várias décadas com o crescimento da demanda por parte da China e da Índia. "Estou entusiasmado a respeito do que testemunharemos durante as próximas décadas, à medida que 2,5 bilhões de pessoas da China e da Índia e de outros países em desenvolvimento entrarem na economia mundial", disse ontem Goodyear em entrevista concedida em Santiago, no Chile. "Será que a China e a Índia serão as próximas razões para um aumento dos preços das commodities por várias décadas? Nós temos certeza de que sim."
Os preços dos metais subiram e alcançaram seus recordes nos últimos três anos.
kicker: As minas de Goro e Ravensthorpe passam por aumentos de custos e há motivo para acreditar em adiamentos, diz o Citigroup

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