Operação Satiagraha – venda irregular de terras

Antigos castanhais na região sul do Pará formaram grandes propriedades rurais sob a condição do regime de comodato aos beneficiários. As áreas não poderiam ser negociadas sem a anuência do Estado. É essa a encrenca que o Instituto de Terras do Pará (Iterpa) iniciou, por ordem da governadora Ana Júlia Carepa (PT): um levantamento para identificar o real montante de terras adquiridas no sul do Estado pela Agropecuária Santa Bárbara, pertencente ao grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, investigado na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. A empresa seria proprietária de 15 fazendas na região em 510 mil hectares, além de 450 mil cabeças de gado. O objetivo é verificar a suspeita de que as terras seriam públicas.

O procurador-geral do Estado, José Ibrahim Rocha, disse que, se ficar comprovado que as terras eram públicas e não poderiam ser vendidas, elas serão retomadas. "O Estado está agindo assim, em parceria com a União Federal, em Altamira, onde havia grilagem de terra", resumiu Rocha.

O pecuarista Benedito Mutran Filho, que vendeu por R$ 85 milhões a fazenda Cedro, de 9 mil hectares, para a Agropecuária Santa Bárbara, será chamado ao Iterpa para explicar porque fez negócio com o banqueiro se não era proprietário do imóvel e tinha do Estado apenas a permissão para explorá-lo em regime de comodato. Mutran Filho não foi encontrado pela reportagem para explicar a transação. (Com agência Estado)

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