Arruda desiste de privatizar o BRB

NEGÓCIOS

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, disse ontem à noite, ao Correio, que desistiu de vender o Banco de Brasília (BRB). “Ao assumir o governo, encontrei o BRB com muitos escândalos, mas com a ajuda de uma diretoria profissional e com a participação de funcionários do banco, consegui, graças a Deus, dar um novo momento à instituição”, lembrou.

“Nesse período foi possível fazer com que o banco, que no passado tinha dado R$ 37 milhões de lucro, neste governo fechasse o ano com mais de R$ 100 milhões. Com esse novo banco, que tem sido canal de incentivo a pequenas e médias empresas, não há mais razão para privatização. O BRB não será mais vendido”, afirmou o governador.

O Governo do Distrito Federal (GDF) tem sinalizado que pretende transformar o BRB em um banco de desenvolvimento do Centro-Oeste. Em 30 de março, na residência oficial de Águas Claras, Arruda e representantes de cinco estados, inclusive Aécio Neves, governador de Minas Gerais, decidiram se unir. Eles pretendem discutir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a estruturação da Superintendência de Desenvolvimento Sustentável do Centro-Oeste (Sudeco). Nesse contexto, o BRB pode ser uma peça importante.

A intenção do GDF, há alguns meses, era vender o BRB para o Banco do Brasil, que havia demonstrado, nos bastidores, a intenção de desembolsar algo em torno de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão para fechar o negócio. A intenção dos administradores de Brasília, entretanto, era faturar aproximadamente R$ 1,5 bilhão, aproveitando a onda de compras que vem sendo feita pela instituição federal. Um dos pontos fortes do BRB é a folha de pagamento de cerca de 180 mil servidores. A ideia inicial do GDF era leiloar o BRB, em um processo que teria a participação de bancos privados, como Bradesco e Itaú. Mas, nesse caso, haveria resistência dos funcionários, que temeriam demissões em massa. A negociação com o BB já não enfrentava tal problemas, pois haveria garantia de empregos durante meses ou anos. Entretanto, a recuperação do BRB deu um novo rumo à instituição, que não será mais privatizada.

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O Banco do Brasil era o primeiro da fila para comprar a rede do BRB.

2 comentários:

Alan Lemos disse...

É engraçado como alguns governos querem andar na contramão daquilo que aponta para a geração do lucro público, da maior possibilidade de geração de emprego e renda diretamente e do poder de direcionar fundos para empreendimentos que interessem ao respectivo território.

Vender um meio estatal é deixar o Estado mais fraco em uma de suas áreas de operação: a economia - mãe dos interesses humanos. Não só em países "pobres", mas também em países ricos, o Estado é necessário para "puxar" a economia em setores onde a iniciativa privada não tem iniciativa - ou não é eficiente o suficiente. Vide Era Vargas.

Na minha opinião deveríamos quebrar essa passividade de imaginar que o Estado é apenas um escritório para cobrar impostos e bater o martelo sobre licitações, mas sim aquele investor que aceita menos percentuais de lucro em nome do desenvolvimento econômico.

Val-André Mutran disse...

Não tem graça nenhuma Alan.
O que se faz premente são acertos.
Dane-se a gente.