Por quê o FMI? O país precisa de seus recursos aqui

Não é hora de ser bonzinho

Por Alon Feuerwerker, editor do Correio Braziliense

Orgulhe-se do seu prestígio, presidente Lula, mas se o dinheiro está sobrando invista-o aqui mesmo no Brasil

A reunião do G20 em Londres teve um resultado prático. Os países parecem ter concordado em fazer uma caixinha para reforçar o Fundo Monetário Internacional (FMI), e assim capacitá-lo a intervir nas nações mais sujeitas à bancarrota. No mais, o convescote londrino produziu as costumeiras declarações de intenção. Na vida real, por outro lado, os Estados Unidos rechaçaram a ideia de entregar o comando de sua economia a um hipotético órgão de governança global. E pouquíssimo foi feito de concreto contra o protecionismo.

Olhe-se o retrato oficial do encontro e observar-se-á um plantel de líderes impopulares, ou em grave risco de impopularidade. As notáveis exceções talvez sejam Barack Obama e Luiz Inácio Lula da Silva. O americano é 100% inocente, não tem qualquer culpa no desastre econômico-financeiro global. Aliás, elegeu-se derrotando os que provocaram o tsunami. Já os demais, de um jeito ou de outro, andaram surfando na “exuberância irracional”, um termo que leva mais de uma década mas que só agora parece ter adquirido o completo significado.

Então, todos precisam dar a impressão de que estão fazendo algo. A coisa não anda fácil para ninguém. O anfitrião do conclave dos salvadores do planeta, o premiê trabalhista Gordon Brown, até ganhou certo fôlego na virada do ano, ao sair na frente e defender a intervenção estatal nos bancos. Mas o tempo passou e ele voltou a cair nas pesquisas. Está, como é seu hábito desde que substituiu Tony Blair, comendo poeira atrás dos conservadores.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, também desce a ladeira. Os levantamentos de opinião pública mostram que engorda a cada dia o já amplamente majoritário contingente que desaprova o governo dele. Os franceses, assim como os britânicos, pedem mais ação e menos conversa fiada. O problema é não haver dinheiro suficiente. Por quê? Porque a bonança pré-crise se devia em boa parte a uma riqueza fictícia, parida pelos (e para os) gênios do mercado financeiro. Aquele mundo não volta mais. E não é fácil para ninguém aceitar a ideia de estar mais pobre. E de que só será possível sair da situação com trabalho, muito trabalho.

Mas voltemos a Londres. Parece que agora os brasileiros vamos enfiar a mão no bolso para ajudar o FMI. Não há dúvida de que no plano simbólico é uma vitória e tanto para Luiz Inácio Lula da Silva. Um país que vivia de pires na mão a cada crise hoje é chamado a ajudar a enfrentar a tempestade financeira. Parabéns, presidente Lula. Dito isso, talvez seja o caso de questionar se, para além do orgulho e da satisfação pelo prestígio, haverá algum motivo adicional que nos leve a apertar ainda mais o cinto e ajudar a pagar a conta de uma crise criada pelos outros.

O Brasil não quebrou, é verdade, mas nossos números pedem cuidado. A curva das receitas públicas segue para baixo, enquanto a das despesas está, numa visão benigna, engessada. A balança comercial mal e mal se mantém num patamar medíocre, graças principalmente à queda das importações. Não que elas estejam sendo substituídas por produto nacional. É que a economia está atolada. Pior ainda, somos um país que não imprime moeda forte (por razões óbvias), nem se arrisca a fazer mais dívida (por falta de vontade política dos nossos governantes).

Quem deve pagar a conta da crise? Quem deve socorrer as nações falimentares, que acreditaram no “Fim da História” e abriram enlouquecidamente suas economias? Ora, quem imprime moeda forte e está disposto a se endividar. Você sabe de quem estou falando. Orgulhe-se do seu prestígio, presidente Lula, mas se o dinheiro está sobrando invista-o aqui mesmo no Brasil. E deixe que os Estados Unidos e a Europa, mais precisamente a Alemanha, absorvam o custo de suas aventuras imperiais das duas últimas décadas. Não foram eles que prometeram o paraíso da “globalização” ao Leste Europeu? Então que se virem para dar um jeito na situação.

Não é hora de ser bonzinho. Nenhuma potência, das dignas do nome, está sendo.

7 comentários:

Aldo disse...

Eu tenho uma sugestão:Poque o presidente não procura saber a situação dos hospitais públicos do Brasil. Se ele quiser eu apresento a Prefeita de Fortaleza, e talvez ela explique o porque da prefeitura ter dinheiro para promover shouws com grandes nomes da MPB,e deixar o povo sem atendimento médico.Eu acho que primeiro cuidemos de nós.

luca75 disse...

Seu Lula que não se cuide não ,esta querendo aparecer ,sua euforia poderá custar caro ,quem nunca comeu mingau ,quando come se lambuza.CUIDADO LULA.

Anônimo disse...

Esse é o cara. Eu amo esse cara. É o político mais popular da terra. “Maktub”!

Pronto! Depois dessa maktubada ninguém mais segura o nosso sindicalista-presidente, ultimamente avesso a “brancos de olhos azuis”. Ele se extasiou ao ponto de declarar abertas as caixas da sua inesgotável bondade e emprestar dinheiro ao FMI. Dinheiro, aliás, que anda sobrando lá para as bandas de Brasília (vide os mais recentes espetáculos em cartaz nos diversos teatros oficiais). Mesmo assim, ufa! Finalmente, alguma luz sobre a utilidade e o destino do Fundo Soberano. O presidente deve estar ainda a dormitar na sua inabalável crença nas marolinhas do último oktoberfest. A mãe do PAI (não, do PAC) agradece sensibilizada.

Por falar em marolas, quem está sem entender nada são os mineiros. Afinal, passaram-se já alguns meses desde que as marolinhas começaram a "marelar" aqui e ali e se pode ver que, embora suaves, carregam estranhos poderes, pois que até nas Gerais, os montanheses estão cismados e espantados com o metereológico fenômeno jamais visto por estas bandas.

Roliveira disse...

Ora, veja como o nosso Presidente chega a ser hilariante: diz que não tem dinheiro para evitar a escorcha quem vem praticando ao longo dos anos contra os benefícios dos aposentados e pensionistas, mas tem para emprestar ao FMI!!!!!!. Merece uma autorga do mandatário mais deslumbrado do planeta. Pergenta-se então: tem capacidade de governar um País aquele acometido de estados emocionais incontroláveis?

Anônimo disse...

Temos aqui tantos problemas, saúde, educação, habitação... E os APOSENTADOS E PENSIONISTAS que vivem há décadas em CRISE, e o governo não se preocupa em solucionar o problema???
FMI não presidente, o povo brasileiro tem fome e sede de incentivos e justiça social.
Passou da hora, faz tempos...

Anônimo disse...

Esse tal de LULA é um Vaidoso.... Êle quer é aparecer. Enquanto no Brasil fata tudu: edecação, saúde, condiçõs dignas para os trabalhadores, aposentados e pensionistas, ele posa todo enfatuado ao lado da rainha da Inglaterra e "puxa o saco" do Obama.
Ass. Um ANÔNIMO

Anônimo disse...

Pois então: depois de todos esses deslumbramentos do mais alto mandatário da Naçao, dando a entender ao mundo que o Brasil é um país que hoje vive nababescamente, esqueceram apenas de acrescentar que é a melhor maneira de não cumprir com os acordos firmados com os servidores públicos, afinal, somos nós os causadores dos "rombos" nos cofres desse país!!!