CPI da Petrobrás: Planalto refem do PMDB

A aliança entre PT-PMDB rende frutos e dores de cabeça. Água e vinho. Amor e ódio.

Planalto tenta conter PMDB

Da Equipe do Correio Braziliense

Governo quer colocar peemedebistas afinados com o palácio e assim controlar a CPI da Petrobras. Paulo Bernardo diz que PSDB pretende privatizar a empresa

A CPI é nova, mas o jogo é antigo. O Palácio do Planalto começou ontem a trabalhar para garantir o controle das ações do PMDB na CPI da Petrobras no Senado. O governo não engoliu a falta de empenho peemedebista nas articulações para impedir a abertura da investigação na semana passada. Agora, teme que o partido não jogue a seu favor durante os trabalhos. A preocupação não é à toa. O PMDB atrapalhou a vida palaciana nas recentes CPIs dos Bingos e dos Correios. Além disso, será o fiel da balança da comissão de inquérito. Terá, com o bloco formado com o PP, três das 11 vagas titulares.

O partido pode decidir qualquer votação contra ou a favor dos interesses do governo, como abertura de sigilos e convocação de depoentes. Isso porque os demais partidos aliados do Palácio indicarão cinco integrantes, e a oposição, com DEM e PSDB, outros três. Se o PMDB votar com tucanos e democratas, o governo perde. Uma reunião hoje tentará selar a fidelidade peemedebista. Participam dela os líderes no Senado do PMDB, Renan Calheiros (AL); do PTB, Gim Argello (DF); do PT, Aloizio Mercadante (SP), e do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), além do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.
O encontro também servirá para definir a estratégia e a possibilidade de entregar à oposição a presidência ou a relatoria da CPI. Mesmo que Renan garanta, no discurso, fidelidade, o governo sabe dos riscos que corre. Os peemedebistas não esqueceram, por exemplo, as declarações de Mercadante de que foi “espúria” a aliança entre PMDB e DEM que elegeu Fernando Collor (PTB-AL) presidente da Comissão de Infraestrutura contra a petista Ideli Salvatti (SC). “Agora, querem adivinhar o que vamos fazer na CPI”, ironiza um integrante do PMDB. É notória também a insatisfação da legenda com as demissões de afilhados políticos na Infraero.

Hoje, os favoritos para assumir as vagas pelo PMDB na CPI são Almeida Lima (SE), Gilvan Borges (AP) e Romero Jucá. Ontem, Mercadante se negava a traçar cenários. Disse que hoje definirá os integrantes petistas na CPI. Ele mesmo deve ocupar uma das vagas. “O que interessa é que sejam escolhidos os melhores quadros”, diz. O petista adota ainda o discurso de que é preciso aprofundar os debates sobre pré-sal e royalties. “A Petrobras não pode se transformar num palanque eleitoreiro.”

O PSDB reivindica uma das vagas de comando da CPI. Usa como o argumento ter sido o autor do requerimento de criação dela, por meio do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Como os partidos da base do governo têm maioria na comissão, somente um acordo político garantirá a divisão dos cargos de comando com a oposição. O líder do DEM na Casa, José Agripino Maia (RN), informou que não terá problemas em ficar apenas com uma das vagas titulares e deixar os tucanos com duas. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) deve ser o representante democrata.

Otimismo
O governo avalia que, se o PMDB for controlado, a CPI da Petrobras não atingirá politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República. Para justificar o discurso otimista, auxiliares do presidente lembram que as CPIs dos Cartões Corporativos e do Apagão Aéreo no Senado, tuteladas pela maioria aliada, não renderam frutos à oposição. Ressaltam ainda que o DEM e parte da bancada do PSDB não queriam a instalação da comissão. Isso seria um sinal de falta de disposição para repetir o acirramento que caracterizou a CPI dos Bingos ou “do Fim do Mundo”.

Além de tentar manter os peemedebistas sob rédea curta, o Planalto pressionará os oposicionistas a fim de deixá-los nas cordas. Seguindo orientações de Lula, ministros e parlamentares acusarão os tucanos de agir de forma irresponsável e antipatriótica ao colocar sob suspeita os procedimentos adotados pela Petrobras, que responde pela maioria dos investimentos públicos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e será protagonista na exploração das reservas de petróleo descobertas na camada do pré-sal. Com a iniciativa, esperam jogar a opinião pública contra os tucanos.

Ontem, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, iniciou outra frente de contra-ataque. Ele insinuou que, com a CPI, o PSDB trabalha para privatizar a Petrobras. A declaração reproduz uma estratégia adotada com sucesso na eleição presidencial de 2006. Na ocasião, Lula acusou os tucanos, durante a campanha de segundo turno, de cogitar a venda da empresa para a iniciativa privada. O adversário Geraldo Alckmin não reagiu. “O que o PSDB gostaria mesmo é de privatizar a Petrobras, e eles não conseguiram fazer isso no governo Fernando Henrique”, afirmou o ministro. “Provavelmente, vão querer desmoralizar a Petrobras para fazer isso no futuro, mas tenho certeza de que não vão conseguir”, acrescentou.

2 comentários:

Anônimo disse...

Do que o governo tem tanto medo?
Tudo leva a crer que, como sempre, o jogo é político e muito se tem a esconder. Pobre Brasil!!! O governo é um erro que nos custa caro!!!

Trainspotting disse...

Boa sorte Brasileiros.....
Boa Sorte Mundo.....

PMDB = Halliburton ou Halliburton = PMDB?

Me sinto constrangido e gostaria de não acreditar que o "O pretróleo nunca foi nosso"

Uma empresa estrangeira, responsável pela guarda das informações da Petrobrás é a principal suspeita no roubo das informações relativas ao mega-poço de petróleo (Tupi) descoberto pela Petrobras, veiculado na grande mídia em 14 de fevereiro de 2008 tem seu maior expoente no sr. Dick Cheney.
A empresa é a Halliburton, aquela do 11 de setembro
http://www.youtube.com/watch?v=IX-yNj5LAtk

“Ter me fixado na inteligência, que dizia que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, aquilo foi o maior erro da minha presidência. Eu não previ que ia ter que fazer uma guerra e não disse ao eleitor ‘vote em mim porque eu saberei enfrentá-la’. Eu peço desculpas pela crise econômica que está ocorrendo”, afirmou. Bush pontou ainda que a presidência dele ajudou Obama a vence a eleição. “O eleitor repudiou os republicanos”, lamentou ele no texto publicado pelo Huffington Post.

....E agora uma CPI para avaliar o que?....
Teremos uma CPI para descobrir as relações da Halliburton com a Pretrobrás?
Teremos uma CPI para descobrir a relação da familia Bush com a família real Brasileira?

Descontado uma pitada de inveja da minha parte ou da oposição ao estabiliximenti....

Boa sorte Petrobrás!
Boa sorte Mundo!