Usimar busca saída para cumprir decisão judicial

A beira da falência iminente a guseira Usimar busca recursos para o inevitável fechamento de suas operações industriais de produção de ferro gusa no Distrito Industrial de Marabá.

A indústria pertence ao portfólio empresarial do suplente de senador do PSDB Demétrius Ribeiro.

O empreendimento financiado pelo Basa caminha para o encerramento de suas operações caso não consiga uma injeção considerável de capital. As parcelas a serem pagas ao banco acumulam-se e os juros começam a inviabilizar sua continuidade.

Em razão da crise financeira internacional, Ribeiro está de mãos atadas. A atividade de produção da matéria-prima para a produção de aço atingiu as menores cotações internacionais; resta ao seu controlador buscar um sócio para evitar a falência e definitivo abafamento dos altos fornos da siderúrgica em Marabá.

Ribeiro é uma figura polêmica. Principal financiador de campanhas políticas de candidatos de sua preferência; após uma série de pesadas multas aplicadas pelas autoridades ambientais municipal, estadual e federal, assiste seu negócio naufragar.

Unilateralmente, abandonou à própria sorte o comando do PSDB no Município de Marabá sem maiores explicações, ficando isolado sob o ponto de vista político.

Empresa terá de plantar floresta para reparar dano no PA

A Justiça Federal do sudeste do Pará condenou hoje a Usina Siderúrgica de Marabá (Usimar) a plantar uma floresta de 7,5 mil hectares, como forma de compensar dano em área equivalente na região, e decretou a indisponibilidade dos bens da companhia em R$ 18,6 milhões para garantir o cumprimento da medida. Na sentença, o juiz Carlos Henrique Borlido Haddad obriga a siderúrgica a "criar e implantar nova área florestal, com espécies nativas, em local sem cobertura florestal remanescente", com o caráter de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Os advogados da Usimar anunciaram que vão recorrer da decisão ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região assim que a empresa for notificada.
O processo teve origem em fiscalização feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que autuou a Usimar por comprar matéria-prima de origem ilícita para produção de ferro-gusa. Agora, com a decisão de Haddad, a empresa deve ficar restrita aos créditos licenciados de carvão vegetal. Caso a Usimar insista em utilizar carvão vegetal de origem ilícita, proveniente da queima de madeira derrubada de outras florestas da região, terá de pagar multa de R$ 50 mil cada vez que fizer isso. A siderúrgica também terá de apresentar ao juiz, no prazo de 90 dias, um projeto de reposição do passivo ambiental para constituir a reserva de patrimônio natural. Haddad estabeleceu multa diária de R$ 10 mil por atraso na apresentação do projeto.
No período de 2002 a 2007, segundo o Ibama, a siderúrgica produziu 694 mil toneladas de ferro-gusa, o que demandaria o consumo de 1,5 milhão de metros cúbicos de carvão. Entretanto, a usina apresentou um consumo declarado de 641 mil metros cúbicos, de modo a apresentar déficit de 883 mil metros. Para o Ibama, levando em conta que o metro cúbico de carvão tem preço de mercado de R$ 120, o valor da recomposição florestal que a Usimar terá de fazer para cumprir a decisão da Justiça Federal ficaria em R$ 105 milhões.
De acordo com Haddad, a Usimar não ofereceu justificativa plausível no processo para esclarecer de onde provinha o carvão empregado na produção de ferro-gusa. "Se não é possível aferir a exata origem da madeira, é perfeitamente admissível concluir que o produto florestal possui caráter clandestino", diz o juiz.
Ele observa que, não bastasse a ausência de documentos, a prova oral contra a Usimar demonstrou ser prática frequente da siderúrgica a adoção de conduta irregular na obtenção de insumos. Muitas podem ter sido as fontes de onde se extraiu a madeira, desde terras particulares desmatadas sem autorização do órgão ambiental, passando por áreas de preservação ambiental e unidades de conservação e culminando em terras indígenas exploradas predatória e ilegalmente. O juiz não descarta a possibilidade de que o carvão vegetal tenha sido obtido em outras localidades do País, além do Pará.

4 comentários:

Anônimo disse...

Apesar de plausível e correta (sob o ponto de vista técnico e jurídico) a decisão do juiz Haddad parece carecer de fortes mecanismos fiscalizadores para não correr o risco de virar "pizza", pois está bem claro que a sentença em questão está sendo imputada a um perigoso bandido.
Sob o manto de cordeiro (menino pobre do interior do Maranhão que tornou-se guseiro dando um "show" de dedicação ao trabalho honesto), ultimamente o tal Demétrius Ribeiro tem se revelado um lobo cruel. Muitos são os exemplos, porém a postura de calote no pagamento das recisões trabalhistas que o sujeito impôs às centenas de ex funcionários da falida Usimar é emblemático e precisa ser também urgentemente investigado pela Justiça Federal - UM ABSURDO!
Tomara que esse tipo de marginal seja exemplarmente punido, sendo, ao final de um completo processo de falência, após o qual, defenestrado da pseudo-posição de "homem de bem", possa ser conduzido ao lugar compatível com o que de fato é: a cadeia.

Val-André Mutran disse...

A situação do empresário não é exemplo de gestão para ninguém anônimo.

Anônimo disse...

Val,
Incrível é a reação do empresariado marabaense.
Nos corredores da ACIM, maioria absoluta chega a comemorar o final melancólico do sujeito. Putz, isso é que eu chamo de rejeição!

Anônimo disse...

Mesmo protagonizando essa melancólica realidade, o "senador suplente" (termo com o qual demétrius se auto-intitula), não desce do pedestal. Em sua retransmissora de tv, também em visível situação falimentar, o sujeito agora parte para uma campanha de ataque à Maurino Magalhaes, numa já frustrada (e ridícula) tentativa de obter, na "marra" o patrocínio da prefeitura. comenta-se que alí é proibido falar bem de Maurino e qualquer um que desobedecer vai pra rua.