Artigo: Coringa ambientalista

* Por Armando Soares

“Força e Direito não são sinônimos. Encontram-se, na verdade, freqüentemente em posições antagônicas e irreconciliáveis. Existe a Lei de Deus, da qual emanam as leis eqüitivas feitas pelo homem, e pela qual devem os seres humanos viver, a fim de que não pereçam em meio à opressão, aos caos e ao desespero. Divorciado da Lei eterna e imutável de Deus – estabelecida mesmo antes da criação dos astros – o poder do homem é daninho, pouco importando o nobre palavreado com que seja revestido e não interessando, também, a motivação invocada par a justificar o seu emprego. Os homens de boa vontade, cônscios da Lei prescrita por Deus,oporse-ão aos governos que dependam exclusivamente do capricho de outros homens e – caso desejem sobreviver como um país – destruirão o governo que tente fazer justiça pela força ou por intermédio de juízes venais.”

Cícero

Dos diversos inimigos que o nosso herói Batman já enfrentou, um dos piores foi o “Coringa”, astuto, inteligente, maldoso, cruel, cínico, pois para cada crime que praticava, ria da desgraça de suas vítimas. O nosso ministro do meio ambiente tem todas as características do “Coringa”, pois ri cinicamente a cada momento que produz instrumentos que fragilizam os produtores de alimentos e os conduzem para a “morte”, a falência de suas células produtivas.

Este é o Brasil que estamos vivenciando, um país em que só tem valor e destaque o político cínico mal intencionado e simpático à políticas que sacrificam quem produz alimentos e matérias-prima, quem trabalha honestamente e quer o bem do Brasil.

Diante desse cenário caótico, político-indecente, menor, cabe levantar a voz e gritar com voz forte que há hora para tudo, hora do retiro, hora do mercado, hora de contemplar, hora de participar, hora da paz, hora de amar, hora de se abster de amor, hora da guerra, hora para se viver e hora de se morrer. A grande e valorosa população de produtores precisa com urgência saber, neste momento crucial de sua vida, qual é a sua hora. O que não mais admissível é receber apelidos difamatórios do ministro “coringa” e ficar de braços cruzados, inertes e sem nenhuma reação que evite um mal maior.

O pai de Cícero, quando este era ainda adolescente, transmitiu conselhos importantes para servir para o resto de sua vida. Aconselhava o pai: “O homem é uma criatura dotada de razão e raciocínio, desde que cultive tais atributos. Cuidado, Marco com o homem fanático e entusiasmado ao extremo, pois que ele perdeu a razão e o raciocínio. Não seja invejoso, Marco! Seja temperado. Cultive a contemplação. Seja reverente ante a sabedoria e as tradições acumuladas através dos séculos. O verdadeiro homem não se confunde com a turbulenta multidão da praça do mercado, que ora está aclamando e ora denunciando. No homem da rua nunca se pode confiar. Porém, cuidado também com o homem das colunatas, que não pode receber mais crédito do que seu camarada das ruas. O homem das colunatas julga que o ser humano não passa de uma idéia; esquece-se de que é também animal, possuindo instinto e paixões inerentes à espécie a que pertence. Nada deve ser levado ao excesso. Nada de errado com a cultura do físico, desde que esteja sempre um passo à retaguarda do cultivo da inteligência e desde que o corpo sempre obedeça à vontade. A Grécia, todavia, ficou qual uma mulher que enfrenta um espelho ou como um homem que exibe os músculos.

Esse conselho e sabedoria deveriam servir para o nosso colorido ministro “coringa”, se fosse um homem sensato, como também serve para os nossos produtores que deveriam deixar de se admirar no espelho, reconhecer sua fragilidade diante dos inimigos que enfrenta e partir para a luta.

A República brasileira tem transparente sintoma de decadência moral, ética e de patriotismo. O atual governo admira a própria imagem refletida nos olhos dos pobres indefesos conquistados a custa do dinheiro da sociedade que trabalha e produz, e pior, está enamorado do poder que possui a custa da inércia de uma sociedade apática e medrosa.

Equilíbrio observava o pai de Cícero. “Esta é a lei da natureza. Que se precavenha o homem que a violar. Arrebentar-se-á de encontro ao chão. Tanto o pedante quanto o homem comum são fatores de desequilíbrio da balança: o primeiro não possui corpo e o segundo alma não tem”.

Homens iníquos aparecem em todas as gerações e a todo o momento. É dever das pessoas de bem, de quem trabalha e produz para o bem do Brasil, torná-los impotentes. Quando detectarmos alguém que procura o poder porque despreza seus semelhantes, quem trabalha e produz honestamente, é nosso dever destruí-lo. Quando nos depararmos com alguém que almeje o poder, mas que no intimamente vise a servidão do que chama “as massas”, o “povão”, por ele bajuladas apenas enquanto lhe sejam úteis como trampolim, temos o dever de desmascará-lo. Assim ensina o pai de Cícero, lição que serve para o brasileiro que se respeite e que não aceite governantes e políticos que vem destruindo a democracia, a moral, a ética e que se serve do governo para praticar atos desonestos e contrários aos interesses brasileiros.

* Armando Soares é economista e industrial.

2 comentários:

William Guimarães disse...

Concordo em gênero, núro e grau...
A gente aqui no Sudeste do pará tá bem servido de ministro...
Compartilho da opinião e tenho outra a crescentar: http://afinalquemdevedecidirnossavida.blogspot.com/2009/06/o-bobo-da-corte.html#comments
Acho que é por aí...

Val-André Mutran disse...

Sua sugestão de leitura e complementar William Guimarães.
Obrigado pela visita ao blog.