Governistas apostam no recesso para dicipar escândalos no senado

Correio Braziliense


Aliados de Sarney e do Planalto definem como estratégia dissipar a crise com saída de cena dos personagens principais até o início de agosto

Com as férias de julho dos parlamentares, Sarney sairá de cena: esperança é que a crise perca o fôlego até o mês de agosto


O comando político aliado a Luiz Inácio Lula da Silva e a José Sarney trabalha há dois dias uma série de ações que têm como objetivo principal tentar apagar o incêndio da crise sem a queda do presidente do Senado do cargo. A principal delas, anunciada ontem, foi o afastamento do ex-diretor do Senado, Agaciel Maia, por 90 dias. Embora tenha sido divulgada oficialmente como iniciativa do próprio Agaciel com a entrega inclusive de uma carta dele ao primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), essa saída de cena foi negociada desde a terça-feira à tarde, quando os líderes cobraram a demissão de Agaciel “a bem do serviço público”. Como Agaciel não admite sair execrado, afinal trabalhou pelos senadores, ficou acertado o afastamento temporário.

O período coincide com o prazo que Heráclito — o escudeiro de Sarney na crise — deu para a interinidade do novo diretor-geral, Haroldo Tajra, e da nova diretora de Recursos Humanos, Dóris Marise Peixoto. E é o prazo que os próprios comandantes do Senado decidiram se dar para ver se a crise perde fôlego, período em que Sarney deve aproveitar para sair de cena, até porque, a partir de 17 de julho, o Senado estará em recesso e só volta em agosto — ou seja, não haverá plenário para pronunciamentos como o de Pedro Simon, que pediu ontem que o presidente da Casa se afaste do cargo. Sarney não quer sair e nem a cúpula do PMDB quer que ele saia.

Na série de telefonemas que deu e recebeu, Sarney se referiu à série de denuncias divulgadas nos últimos quatro meses como um caso político e não de moralidade ou falta de ética. Ele inclusive divulgou uma nota para falar da informação de que seu neto, José Adriano Cordeiro, aparece com um dos intermediadores de empréstimos consignados no Senado. No texto, Sarney cita a denúncia como “uma campanha midiática” para atingi-lo, “na qual não exclui a posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula”. Em ouras palavras, resumiu tudo a uma briga por poder entre governo e oposição. E é assim que ele vê o pano de fundo de tudo o que está aparecendo na mídia.
Se depender daqueles com quem tem conversado, Sarney não verá a crise de outra maneira. Isso porque, embora poucos apareçam no plenário para defendê-lo de peito aberto, o peemedebista conta nos bastidores com o apoio da maioria do PMDB, do PTB, do Democratas, e do próprio PT. E ainda tem alguns votos no PSDB. E para completar, o governo não deseja entregar o cargo para a oposição. O presidente Lula, com quem Sarney falou ontem, voltou a defender o senador, embora de forma menos contundente do que há alguns dias, quando ele disse que o peemedebista não era uma pessoa comum. “Ali no Senado todo mundo tem maioridade, todo mundo sabe o que acontece, todo mundo toma a decisão e resolve. Sarney tem que sair? Veja, o Sarney foi eleito. Os senadores elegeram ele, o Sarney tem um compromisso de fazer apuração e ele me disse que está fazendo isso. Só espero que haja apuração, só isso.”

O número
90 Dias é o prazo de afastamento de Agaciel Maia do Senado

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