A crise no Senado virou metástase da impunidade

Radiografia do desmando

Ricardo Brito - Marcelo Rocha (CB)

Congresso

Primeira-Secretaria do Senado espera relatório do novo diretor da gráfica para devolver ao setor os servidores desviados de função. É a promessa de Heráclito Fortes

Como em outros setores do Senado, há distorções na gráfica e vamos tentar saná-las” Heráclito Fortes, primeiro-secretário do Senado


A política do sempre cabe mais um implantada no Senado pelo ex-diretor-geral Agaciel Maia está com os dias contados. Pelo menos essa é a promessa da direção atual da Casa. O primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), espera receber até o fim da semana que vem do novo diretor da gráfica, Florian Madruga, uma radiografia sobre o setor para definir estratégias. Uma das medidas em estudo é devolver ao setor os funcionários desviados de função e reduzir os turnos de trabalho — atualmente, são quatro ao longo do dia e da noite. Heráclito, porém, enfrentará resistências internas.

A primeira vem dos servidores originalmente vinculados ao setor. São funcionários com até 35 anos de Casa e que, habituados ao ritmo dos cargos que hoje ocupam, são resistentes a retomar tarefas na área responsável pelas publicações do Senado. Outro problema para o primeiro-secretário é o prazo de vencimento do contrato com a empresa Steel Serviços Auxiliares Ltda., que vence somente em 2010. Ainda assim, o senador mantém o discurso otimista.
“Como em outros setores do Senado, há distorções na gráfica e vamos tentar saná-las”, disse o parlamentar, escalado pelo presidente José Sarney (PMDB-AP) para conduzir as mudanças administrativas para tornar a Casa menos onerosa.

Com aval de Sarney, Heráclito trocou o comando da gráfica. Nomeou como diretor o servidor Florian Madruga, responsável pela condução das licitações que substituíram as empresas Conservo e Ipanema, prestadoras de serviço investigadas pela Polícia Federal na Operação Mão de Obra. Florian também coordenou a auditoria nos 34 contratos mantidos pela Casa com as terceirizadas. A troca de comando no setor só ocorreu após a queda de Agaciel Maia da Diretoria-Geral.

Máquina
O presidente do Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal (Sindilegis), Magno Mello, também é otimista quanto aos ajustes que o Senado pretende implementar para enxugar a máquina. Ele, porém, salientou que é preciso reestruturar a carreira de servidores para facilitar, por exemplo, a volta dos gráficos ao departamento original. “A gente precisa fazer uma reestruturação de cargos e salários e, ao mesmo tempo, reduzir o número de funções comissionadas”, ponderou.

Segundo a avaliação da entidade, esse ajuste poderia até mesmo reduzir o tamanho da folha de pagamento. A previsão que o Senado faz para a área de Recursos Humanos em 2009 é de R$ 2,4 bilhões — algo em torno de 80% do orçamento total da instituição.

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