O Sarney que falta a Sarney

* Alon Feuerwerker

A luta feroz pela sobrevivência acaba impedindo Sarney de fazer o papel de arquiteto e engenheiro da construção da saída para si próprio.
O mandato de José Sarney (PMDB-AP) presidente do Senado parece fadado a terminar do mesmo jeito que acabou vinte anos atrás o mandato de José Sarney presidente da República: melancolicamente. É possível que ele tenha sobrevida no cargo? É. Afinal, Sarney tem com ele a força política de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o presidente do Senado perdeu a autoridade política sobre os pares. Uns querem simplesmente vê-lo pelas costas, enquanto outros calculam o ônus político da operação de blindagem. E todos o culpam, nos bastidores, pela situação ter chegado aonde chegou: ao descontrole geral. Todos esperam também que o veterano político absorva sozinho as ondas de choque do escândalo.
As crises no Congresso seguem um manual. Eclodem, desenvolvem-se e morrem. Até aí, nada de mais. Só que os processos não são espontâneos. Há sempre uma condução, uma costura, até para decidir que cabeças sacrificar e quando. E sempre de olho no termômetro da opinião pública. “Fulano de Tal se aguenta no cargo? Bem, vai depender do que trarão os jornais e as revistas no fim de semana.” A política é um teatro, especialmente a congressual. Se o distinto público pudesse assistir às conversas reservadas de suas excelências, ficaria assombrado com a cordialidade, a objetividade e a tranquilidade no trato mútuo dos inimigos públicos na esfera íntima. Afinal, o show precisa sempre continuar.
Qual é o problema agora? É que no Senado não há sinal de ter sobrado alguém com liderança suficiente para tomar as providências de praxe. Esse personagem pode até aparecer, pois a política tem horror ao vácuo. Mas, por enquanto, nada. Senadores que assumiram como suplentes de licenciados têm tanta legitimidade quanto os demais. Porém, quando só resta ao presidente do Senado uma guarnição de suplentes para defendê-lo no plenário, eis mais um sintoma de como é grave a doença.
A luta feroz pela sobrevivência acaba impedindo Sarney de fazer o papel de arquiteto e engenheiro da construção da saída para si próprio. Infelizmente, não apareceu até agora um José Sarney para ajudar José Sarney. E quem olha para o plenário não fica muito esperançoso de que apareça logo.
Os casos em desenvolvimento já teriam sido suficientes para derrubar qualquer outro. Tecnicamente, as acusações são bem mais graves do que as enfrentadas por Renan Calheiros (PMDB-AL) em 2007. Aliás, só a existência de atos oficiais que não foram divulgados já mereceria processo de quebra de decoro. Talvez uma criança de cinco anos acredite que o ex-diretor-geral tinha essa amplitude de movimentos sem que nenhum senador soubesse. Ou sem que a Mesa soubesse. Ou sem que o primeiro-secretário soubesse. Ou sem que o presidente da Casa soubesse.
Como está difícil de colar, enfraquece-se a interpretação/solução apresentada por Luiz Inácio Lula da Silva, para quem tudo se resolverá quando forem apontados os responsáveis administrativos pelos desmandos, quando os erros forem corrigidos e quando o distinto público se convencer de que o Senado vai trilhar um bom caminho na gestão. Mas para que o público se convença, ou pelo menos se disponha a virar a página, é preciso que a Casa mostre vontade política. Coisa incompatível com o atual “não é comigo”. Enquanto os senadores, especialmente Sarney, acreditarem que podem escapar desta sem grandes sacrifícios, serão reféns do autoengano.
Geddel e Lobão
O presidente da República se movimenta para consolidar a aliança com o PMDB. A nova iniciativa é integrar na coordenação política de governo os ministros Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e Edison Lobão (Minas e Energia). Eles participariam da reunião palaciana do que antigamente se chamava “núcleo duro”.
É uma reivindicação antiga do comando peemedebista, e que o Palácio do Planalto agora está disposto a atender. Tudo para reforçar a fidelidade do peemedebismo pró-Dilma Rousseff.

* Alon Feuerwerker é jornalista.

8 comentários:

Anônimo disse...

Pelo que notamos V.Excia Jose Sarney faz parte daqueles que esta se lixando para a opinião publica, unindo-se ao Sr. que não sabe de nada, não houve nada e não ve nada. Com pesar que sentimos V.Excia desonrar o povo brasileiro, se que existe honra no meio político?

Anônimo disse...

Que bom que o Brasil, tem a oportunidade de conhecer REALMENTE quem são os SARNEY$$$$$,a velha raposa conseguiu atrasar o Maranhão em muitos anos,a raposinha nova tomou o governo atual no "Tapetão" e o LUla vem falar de "Tapetão" (deve está aprendendo com sarney) como disse a revista veja há alguns anos atrás:"Eles pensavam que o Brasil era o Maranhão".

Anônimo disse...

Queria entender o porque de tanto medo do Pr. Lula de enfrentar o Sarnei. Porque será em?
Acho que não é só a perda da posição, para a oposição no congresso, tenho minhas dúvidas e os leitores destas colunas será que não é o momento para uma boa reflexão a respeito desse assunto?

Anônimo disse...

Afinal quem escolhe o presidente desse país que está nessa bagunça? O eleitor ou os "companheiros"? Está mais do que na hora do eleitor mostrar que essas coligações/conchavos/acordos(cargos/dinheiros)não interessam. QUEM MANDA É O ELEITOR... OU NÃO?

SERLOS-SERCAR disse...

PARA O BEM DO SENADO JOSÉ SARNEY DEVE SE LICENCIAR

Creio que, para que seja evitada a CPI da Petrobrás, bem como para receber o efusivo apoio do PMDB nas próximas eleições para Presidente da República, o LULA e seus comparsas no Governo, querem que seja mantido o Senador José Sarney, porque este ainda consegue reprimir os pedidos da Oposição para a instalação de uma CPI na Petrobrás.

Entendo que Senador José Sarney deva ser retirado da sua função de Presidente do Senado, custe o que custar, pois esse homem viciou-se e todos os caminhos que percorreu e o estão acusando de falcatruas. Dizem muitos que já roubou muito e seus atos são espúrios à Nação.

Entendo que Sarney deva ser retirado da função de Presidente do Senado porque, conforme está divulgado em jornais e revistas utilizou-se de artifícios para se eleger Senador por um Estado no qual nem possui residência fixa e o conseguiu porque existem facilidades tais como a exigência de menor quantidade de votos.

Agarrar-se a feitos do passado não crendenciam José Sarney a exonerar-se de sua culpabilidade e agarrar-se a episódios do passado que só dificultam sua permanência, pois o Plano Cruzado foi um Fracasso e a inflação de sua época como Presidente da Nação foi ABOMINÁVEL.

O Senado está desmoralizado e não merece mais o nosso crédito e será preciso renová-lo com homens e mulheres mais jovens e qualificados, que tenham mais estudo e conhecimento. Que sejam inteligentes e tenham vontade, garra e honestidade.

É preciso renovar o Senado assim como se renovam as empresas privadas, pois nenhuma instituição vive ou viverá de seu passado quando o presente requer ações, interações e decisões saudáveis. Tradição não é mais PASSAPORTE para ninguém permancer em seu trono, seja este qual for, mais ou menos importante, e todos são substituíveis para uma melhor qualificação e aprimoramento de uma sociedade social-econômica modernas e convincentes. De acordo com a que o Brasil merece.


Sérgio Carlos Bizarro Monteiro
Malito: scbm.monteiro@hotmail.com

Anônimo disse...

GOSTARIA IMENSAMENTE DE AINDA ESTAR NO PLANO TERRESTRE QUANDO ESSES "REPRESENTANTES DO POVO" COMEÇAREM A PAGAR PRO SUAS ARBITRARIEDADES E DESUMANIDADES, POIS É SÓ O Q ELS SABEM FAZER.

luemili disse...

Lamentável os exemplos que assistimos de políticos tão populares como José Sarney.
O que mais nos incomoda, é a posição do Governo, que deveria ser de cobrar posturas éticas na Câmara e Senado assim como no Planalto!
Quem acompanha a história política deste país deve lembrar quantas vezes a esquerda gritou contra a corrupção,nepotismo etc...
E agora procura com panos quentes abafar escandalos tão vergonhosos como os que assistimos nos últimos anos.Plagiando a musica..."Que país é este???"

jose nogueira da cunha disse...

O episódio assistido por todos nós brasileiros, ultimamente,nos bastidores do senado,nada mais é que,impunidade absoluta dos três poderes da república;Não há que se acusar sarney, collor lula,ou capitenga nenhum,são todos iguaisinhos, farinha do mesmo saco,mudam os nomes,apenas...;
O Brasil,precisa difinir com urgência,quais os caminhos que deverão ser traçados por seus dignos e abnegados,patriotas filhos,nascidos neste território, no direito,ao respeito de suas inexplicáveis covardes atitudes!...