Aposentados querem mais avanços

Reajuste não alivia pressão

Previdência social

Mesmo com a previsão de aumento nos benefícios, aposentados descartam intenção do governo de engavetar outros projetos de interesse da categoria
O aposentado José Carlos Vieira, 54 anos, já participou de diversas manifestações cobrando o reajuste de benefícios previdenciários. Junto a outros 600 aposentados, o ex-funcionário da Casa da Moeda interrompeu, há três meses, uma sessão da Câmara dos Deputados para pressionar os parlamentares a votar projetos de interesse da categoria. “Temos que fazer protestos quando deveríamos estar descansando”, lamenta Vieira. E nem o reajuste que vem sendo negociado com o governo Lula, previsto para entrar em vigor em janeiro de 2010, deve aliviar a pressão exercida por Vieira e seus companheiros. A intenção, agora, é manter o debate sobre propostas em tramitação no Congresso.

Amanhã, o governo tem encontro marcado com centrais sindicais e representantes de aposentados e pensionistas para definir o percentual do reajuste que vai beneficiar cerca de 8 milhões de brasileiros. No entanto, o governo espera que a categoria abra mão de quatro propostas — três projetos de lei e um veto presidencial — que ainda aguardam decisão dos parlamentares (veja quadro). “O governo quer colocar na mesa todos os projetos. Nós não aceitamos incluir na negociação o PL 4.434/08. Esse pode ficar para discussão em 2011”, afirma Antônio Santo Graff, diretor da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Copab).

Graff se refere à proposta que recompõe as perdas de benefícios dos aposentados e trata do índice de correção previdenciária. O texto precisa ser aprovado pelas comissões de Finanças e Tributação e Constituição e Justiça, ambas da Câmara dos Deputados, antes de seguir para sanção presidencial. Diante do desgaste que o tema pode gerar durante as disputas eleitorais, a intenção é adiar o debate para o mandato do próximo presidente da República.

Piso
Em pelo menos um ponto as partes concordam: será o primeiro reajuste real, desde a Constituição de 1988, dado a aposentados e pensionistas que recebem acima do piso salarial — daí o desejo da categoria em manter o debate aceso. “O governo federal considera que existem condições objetivas para conceder algum tipo de ganho real também para os benefícios superiores ao salário mínimo”, afirmou, ontem, a Secretaria-Geral da Presidência, por meio de nota. Mas isso não quer dizer que as negociações de amanhã serão tranquilas.

“Numa rodada, as coisas podem sair em paz ou com alguns arranhões”, pondera José Carlos Vieira. Aposentado desde 1996, ele acredita que o debate não se encerra durante essas negociações. “Estamos conseguindo ser vistos pelo governo”, avalia.

O número
8 milhões de aposentados que serão beneficiados com o reajuste

4 comentários:

Geraldo de Azevedo disse...

Isso é se quando chegar perto do reajuste
não resolverem vetar e baixar o percentual
para menos de 5%, quantas vezes já fizeram
isso? Ninguém merece!!!

Val-André Mutran disse...

Mais uma vez não fará diferença para quem está acostumado a quebrar acordos Geraldo.
Mas, há um preço à pagar neste caso.

Geraldo de Azevedo disse...

Porque o Governo sempre arrocha os aposentados?
eu ganhava 5 salários mas por conta deste
arrocho só ganho 3 agora...
Poucos aposentados irão votar na próxima eleição.

Val-André Mutran disse...

Só tem uma explicação Geraldo.
Os donatários do poder acham que os aposentados, são... Aposentados.
E eles, os donatários, acham que, com seus atos hoje, não serão aposentados um dia.
É isso.