Brasil precisa de outros ciclos eleitorais para plena utilização da internet em campanhas políticas

Entrevista - Ben Self - Marqueteiro de Barack Obama

Mentor da articulação online que revolucionou a campanha política nos EUA acredita que a internet não terá papel tão decisivo no Brasil

Repetir uma “onda de votos — como a que aconteceu nos Estados Unidos durante a campanha de Barack Obama rumo à Casa Branca — não é tarefa fácil. Nem mesmo para o estrategista Ben Self, responsável pela campanha virtual do atual presidente americano. Um dos quatro jovens fundadores da Blue State, criada nas eleições de 2003 do democrata Howard Dean, está no Brasil a fim de provar que para ganhar uma eleição é preciso mexer com as pessoas. “Qualquer sucesso online está em construir relações autênticas e profundas com as pessoas, pedindo então que elas façam coisas para o candidato ou organizações”, disse, em entrevista ao Correio. O jovem marqueteiro — que preferiu não falar sobre política e a participação na campanha da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, à Presidência do Brasil em 2010 — defende que o poder da internet ainda não foi totalmente explorado.

Ainda assim, não dispensa a televisão: “Reduzir as necessidades de outras mídias não é o ponto central implícito no uso das novas tecnologias”.
O potencial da internet ainda não está esgotado e vamos observar grandes avanços nos próximos ciclos eleitorais”

O fundamento de qualquer sucesso online está em construir relações autênticas e profundas com as pessoas, pedindo que elas façam coisas para o candidato ou organizações, que se sintam importantes, decisivas”


Qual a principal diferença entre as campanhas políticas no Brasil e nos EUA?

Há um grande interesse internacional em saber como foi o uso das novas mídias nas eleições presidenciais de 2008 nos Estados Unidos. A Blue State Digital trabalhou em sete ou oito países desde que foi criada. Temos a exata noção de que o que funciona em um país nem sempre pode ser aplicado em outro sem as devidas adaptações. Geralmente, trabalhamos com parceiros locais que nos ajudam a aplicar nossas estratégias em diversas situações políticas e econômicas. Entretanto, acreditamos que o princípio para o que fazemos — construir relações honestas, abertas e bidirecionais de comunicação — é a natureza humana e aplicamos em qualquer situação.

Durante a campanha de Obama, a internet foi a ferramenta mais importante. No Brasil, menos de 45 milhões de pessoas têm acesso ao computador. Você acredita que ainda assim a internet poderá ser o principal canal de divulgação nas eleições de 2010?

Ao mesmo tempo em que a internet foi incrivelmente importante em 2008 nas eleições dos Estados Unidos, ela era, no fim das contas, só um mecanismo de organizar voluntários, arrecadar dinheiro e disseminar mensagens. Não acho que elimine outros canais de comunicação — como a televisão.

O encontro em São Paulo está discutindo outras mídias, como celulares. Qual dessas ferramentas você considera que deverá ser a mídia do futuro em campanhas políticas?

O potencial da internet ainda não está esgotado e vamos observar grandes avanços nos próximos ciclos eleitorais.

A campanha de Obama fez dinheiro usando a internet. Você acredita que isso poderá acontecer no Brasil?

Com certeza, mas talvez não em 2010. Nos EUA, temos uma longa tradição de captação de recursos, que levou vários ciclos eleitorais para se consolidar.

Acredito que o Brasil perceberá alguns ganhos em 2010, inclusive na arrecadação online. Mas é provável que leve anos para que se construa um sistema de captação online mais consistente no Brasil.

No Brasil, a televisão é a principal ferramenta de divulgação dos candidatos. Nos EUA, a internet parece ter superado a TV. Você acredita que isso pode acontecer aqui?

Não acho justo dizer que a internet se sobrepôs à televisão. A TV ainda é extremamente usada por lá. E reduzir as necessidades de outras mídias não é exatamente o foco. Nós recomendamos, inclusive, não diminuir nenhuma outra atividade, como a compra de anúncios na televisão. Ao contrário, sugerimos que a internet seja um outro método de espalhar a mensagem, recrutar voluntários e ativar aqueles que possam ajudar a ganhar as eleições.

Jovens costumam não se interessar por política. A internet pode atrair esse grupo?


Não considero que os jovens não gostem de política. Conheço vários, inclusive eu, que gostam. Só acho que eles preferem ser envolvidos. Não topam uma postura de convencimento passivo.

Pessoas de todo o mundo queriam participar e trabalhar na campanha de Obama. Como a internet ajudou nisso? Qual a importância desses voluntários?

O fundamento de qualquer sucesso online está em construir relações autênticas e profundas com as pessoas, pedindo que elas façam coisas para o candidato ou organizações, que se sintam importantes, envolvidas, decisivas.

Foi por meio desses relacionamentos que a campanha de Obama conseguiu o sucesso de organizar milhares de voluntários. E isso repercutiu em milhões de votos.

Fonte: Correio Braziliense.

2 comentários:

Anônimo disse...

a partir do momento que a internet seja gratuitaou paga pelos candidatos , ainda poderemos nos sujeitar as propagandas veinculadas, caso contrario, não pagp internetnem TV a cabo para assistir propaganda eleitoral, já chega o horarioimposto na TV aberta
o assinante tem que ter o direito de escolher o que quer ver

Val-André Mutran disse...

A coisa já funciona assim anônimo.