Oposição bem que tentou, mas não afetou a auto-estima brasileira

foto: revista Hitória (Ken)

A quinta economia do mundo?

Kenneth Maxwell é professor do Departamento de História e diretor do Programa de Estudos Brasileiros do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Harvard. Um dos mais importantes brasilianistas da atualidade. Em sua coluna semanal da Folha de S Paulo, em 24/12/2009, o historiador britânico fez um insuspeito balanço da década que se finda. “Um bom momento para refletir sobre o que ocorreu e o que pode vir a ocorrer, especialmente para o Brasil”, avalia Maxwell.

Recorda o professor que ao final de 1999 as perspectivas (para o mundo ocidental) pareciam otimistas: O fim da Guerra Fria. O colapso da União Soviética. A internet triunfando sobre as últimas fronteiras. Os EUA, o protagonista da História.

Em março de 2000, porém, uma surpresa: a explosão da bolha da internet destrói trilhões de dólares em patrimônio. Em setembro de 2001, outra explosão: as torres gêmeas do World Trade Center. Era a evidência do surgimento de um novo mundo ainda mais vulnerável. Os Estados Unidos a patrocinar mais duas guerras, com envolvimento de mais de 200 mil soldados.

Nesse cenário, “a última década presenciou mudanças importantes na distribuição de poder e riqueza”, diz o brasilianista. A China hoje responde por 4 das 25 maiores empresas mundiais. Era nenhuma uma década atrás. O Brasil responde por uma, Petrobras em nono lugar. Hoje estão fora 17 das 25 empresas que formavam o ranking em 1999.

“O Brasil encerra a década bem posicionado para o futuro. A recessão mundial demorou mais a começar e acabou mais rápido no Brasil do que em outros países. Uma gestão prudente da política fiscal, nascida de amargas experiências passadas, (...) O Brasil continua a desenvolver novas parcerias no comércio mundial. O país sustenta uma economia vibrante e uma classe média em expansão. Na véspera do Natal de 2009, os brasileiros deveriam comemorar o fato de que tenham avançado tanto e de que um futuro promissor esteja ao seu alcance”, completou Kenneth Maxwell.

Sua análise é menos entusiasmada que a do ex-presidente Sarney, para quem: “2010 fecha um ciclo para o Brasil, dos 120 anos da República, governado por um operário que encerra a década escolhido o "Homem do Ano" pelos grandes jornais do mundo, pela sua atividade internacional, por ter o Brasil mudado de patamar, ser credor do FMI, com reservas de mais de US$ 200 bilhões, estabilidade interna, diminuição da pobreza e do desemprego, distribuição de renda, além de protagonismo na discussão e na solução dos grandes temas mundiais” (Folha de S Paulo, 1º de janeiro de 2010).

Na última segunda-feira (04/01), o deputado Ricardo Berzoini, também na Folha, lembrou que não somente a expressiva maioria da população brasileira como também da comunidade internacional reconhecem a competência brasileira na superação dos reflexos da crise que abalou o mundo e ainda ronda muitas nações. “Fechando 2009 com a criação de 1,4 milhão de empregos e a adoção de medidas que possibilitaram o Brasil retomar a trilha do crescimento sustentável”.

Diante de incontestes avanços, soa um tanto ultrapassada a postura oposicionista, repercutida e ampliada por conhecidos setores da mídia nacional, que propõe uma atitude de baixa auto-estima. Vã tentativa de revigorar nosso velho complexo de vira-latas. A disseminação de mitos macaqueados pela falta de apuração da imprensa e aceitos pela leitura acrítica e apressada. É como desfilam pelos jornalões os “gastos” do governo, o “deficit” da Previdência, os juros e a carga tributária “mais altos do mundo”.

Preferível discutir, como propõem Kenneth Maxwell e, hoje (8/01/2009), a agencia Reuters* – sempre a imprensa estrangeira superando a nossa –, um rascunho de proposta para colocar o Brasil na posição de quinta economia do mundo. Estamos prontos para isso.

(*) O Boletim do H S Liberal, que é médico e intelectual do PC do B, ocupando alto cargo no Diretório Nacional, vale a pena ser conhecido (linkado).

3 comentários:

celso disse...

A opinião vinda de fora, é sempre suspeita. Quem sabe a quentura da panela, e a colher que está dentro. O cara está mais deslumbrado pelo Poder, que esqueceu os Compromissos com a sua Pátria, aos de dentro deve ele a prioridade da atenção. Exportar matéria prima não ajuda nada, e os MALANDROS lá de fora, ficam dando palpite infeliz, para ENEBRIAR ainda mais o EGO do Cara. Oposição só existe por falta de transparência, ou quando quem está no Poder se deixa envolver com o famoso neologismo trazido à Mídia pelo então Oponente Lider Sindical....."MARACUTAIA". Nada nos Três Poderes pode ficar por conta do "ATO SECRETO", conte tudo e não esconda nada. O Povo quer Saber!

Anônimo disse...

5ª economia do mundo???
No militarismo diziam que eramos a
8ª???
Enquanto o mundo crescia o Brasil ficava olhando! Pois tanto no militarismo como na falsa democracia, a minoria continua sendo previlegiada e o povão vive das migalhas, sem saúde, sem segurança, sem educação, sem moradia, sem empregos, sendo enganados por políticos, futebol e novelas e pagando altos impostos.

Anônimo disse...

Infelizmente Maxwuell tem uma visão bastante superficial e romântica sobre a realidade brasileira. Na verdade a classe média está aumentando sim, mas pela simples razão de estar se aproximando da classe pobre. Tanto é verdade que a quantidade de estabelecimentos que vendem produtos populares(de segunda escolha, etc.) aumentaram de forma significativa nas grande capitais e as lojas que atendem à classe média encolheram. Outro aspecto é que o governo tem, de forma descarada, mantido impostos altos sem a devida contrapartida - quem mais paga impostos no Brasil é a classe média. O governo tem feito distribuição de bolsas-tudo com dinheiro alheio(quem paga/garante esses valores é a classe média). Está sendo promovido um genocídio de aposentados, com o intuito de transferir recursos para empresas, empresários(incentivos fiscais) e formação do superávit primário do governo federal.Lula não quer nem ouvir falar e não tem peito para resolver a "grande" festa promovida pelas renúncias previdenciárias. A educação, saúde, segurança estão fora dos planos do governo(investimentos ínfimos), ou melhor, só entram no período eleitoral. O PAC é "um canto de sereia" basta ver os honestos relatórios do TCU. O atual governo tem enganado muito bem, com discursos, os desavisados e ignorantes. Quem está atento sabe que os "esqueletos" irão surgir. Se Dilma ganhar após o governo dela, do contrário, se assumir um candidato ficha limpa, sairão todos do armário, aí, o povão que aguente e pague tudo - NÃO É POUCO!