Lula, Roger Agnelli, o ferro e os minerodólares

Da Coluna de Cláudio Humberto

Tendo o ex-presidente Lula como patrono e inspirador, Roger Agnelli (ex-Vale) e o banqueiro André Esteves estão unidos em uma empresa, a mineradora B&A, criada em julho, que já mobilizou mais de R$ 1,04 bilhão para investir em negócios na África. A dupla estaria negociando uma “assessoria” ao governo da Guiné-Conacri, no oeste africano, sobre a mina de Simandou, maior reserva inexplorada de minério de ferro do mundo.
Já tem donos  – Na presidência de Agnelli, a Vale tornou-se sócia do grupo israelense BSG Resources nos direitos de exploração da mina de Simandou.
Briga judicial – Os israelenses da BSG suspeitam que a empresa de Agnelli e Esteves quer passar a perna neles e na Vale, e irão processá-los na Justiça.
Convite aceito – O ex-presidente apeou Roger Agnelli da Vale, mas depois o convidaria a “trabalhar no Instituto Lula”. Agora estão juntos no “projeto África”.
Olho grande – A mina de Simandou tem 5,7 bilhões de toneladas métricas de minério de ferro. Carajás, a maior do mundo, tem 7,3 bilhões de toneladas. (Coluna de Cláudio Humberto)

Debate com os candidatos à Prefeitura de Marabá promovido pela Rede RBA de Comunicação



Para quem, por algum motivo, não assistiu o debate da RBA com os candidatos à Prefeitura de Marabá. Eis o vídeo, para você, eleitor indeciso, tomar a sua própria decisão.

Licenciamento para a obra do Pedral do Lourenço


Os coordenadores da Bancada do Estado do Pará, Senador Fernando Flexa Ribeiro e Deputado Beto Faro, encaminho a Vossas Excelências, convite para a reunião da Bancada do Estado do Pará com o senhor Volney Zanardi Presidente do IBAMA.

Pauta: Licenciamento ambiental para a obra de derrocamento do Pedral do Lourenço da Hidrovia do Tocantins.
Data: 04/09/2012- terça-feira Hora: 11h.
Local: Sede do IBAMA na sala do Presidente.

Conferência Internacional de Confinadores - Interconf 2012


















Interconf 2012
Produção de carne:
Processos desencadeiam processos.

A quinta edição da Interconf, considerada já como a melhor conferência de pecuaristas inovará no tema apresentado aos seus participantes.
A Interconf 2012 terá como tema Processos que desencadeiam Processos. Isto é, todos os processos realizados pelos produtores de gado “dentro da porteira” para produzir gado de corte da mais alta eficiência e qualidade, processos ligados a pastagem, reprodução, manejo, nutrição, melhoramento genético e diversos outros, quando completos na forma de animais prontos para abate, geram diversos outros processos, estes realizados pela indústria frigorífica, responsável por “desmontar” o boi e transformá-lo no produto carne e pelo varejo responsável por distribuir a carne aos consumidores.
O boi jamais vai chegar ao consumidor final se não passar pela indústria e, esta por sua vez, não tem razão de ser sem o boi. A relação entre os produtores e frigoríficos fica de certa forma prejudicada pela fragilidade e interdependência existente.
Os processos do produtor e dos frigoríficos, assim como a relação produtor/frigorífico serão o foco principal da Interconf 2012 que terá os seguintes painéis de discussão:
Painel 1: O setor frigorífico e produtivo no Brasil e no mundo
• Maiores produtores de bois no mundo hoje e no futuro. Custos de produção e potenciais produtivos. Onde estão os concorrentes? Regiões produtivas dos Brasil e suas características. Como atuar para elevar sua competitividade?
• Principais indústrias do mundo, onde e como atuam. Quais suas linhas de produtos? Quem tem o controle delas? Qual o horizonte futuro delas? Principais empresas brasileiras. Quem as controla? Quais seus mercados?
Painel 2: O mercado consumidor de carne no Brasil e no mundo
• Características desejadas na carne pelo mercado mundial
• Características desejadas na carne pelo mercado brasileiro.
• Programas de qualidade de carne
Painel 3: Relações Produtor/Frigorífico
• Tipificação de carcaça e relação produtor/frigorífico neste contexto
• O que a indústria precisa do produtor
• O que o produtor precisa da indústria
Mesa Redonda final: discussão entre Produtor, Frigorífico e Varejo da carne
Nesta edição da Interconf, o Dia de Campo levará os congressistas ao Confinamento da JBS em Nazário (GO), para conhecer os processos utilizados pela maior empresa em processamento de proteína animal do mundo.
A Interconf 2012 deve reunir aproximadamente 1.500 profissionais e permitirá a troca de ideias entre representantes de destaque do setor e os principais pecuaristas de vanguarda do Brasil.
Realização & Promoção
Organizadora oficial da Interconf, a Associação Nacional dos Confirnadores tem por objetivo valorizar cada vez mais a atividade de confinamento de bovinos no Brasil, buscando melhoria tanto no custo para os produtores quanto na qualidade das relações com consumidores e outros mercados. Criada há 5 anos, a Assocon tem se tornado a principal referência quando o assunto é debater a atividade de confinamento. Para isso, agrupa parceiros e confinadores de todo o país, a fim de viabilizar negócios, buscar novas técnicas e trabalhar por uma maior representatividade junto a órgãos públicos e privados. A Assocon mantém uma agenda de cursos e eventos para capacitar cada vez mais os interessados e praticantes de confinamento no Brasil. Conheça mais da Assocon no portal www.assocon.com.br
O Canal Rural faz parte da principal plataforma de comunicação do agronegócio no Brasil, e é a TV segmentada mais assistida pelos tomadores de decisão do setor, segundo pesquisa Ipsos Marplan (2010). Lançada em novembro de 1996, a emissora tem cobertura nacional, sendo reconhecida como o veículo que melhor representa o segmento (pesquisa Vox Populi). O Canal Rural, que pertence ao Grupo RBS, leva informação e entretenimento aos milhões de produtores espalhados pelo país, e aos “produtores de milhões” que garantem ao setor uma participação no PIB brasileiro de aproximadamente 25%. Sua programação oferece 18 horas diárias de jornalismo, entretenimento e shopping rural, e pode ser assistida pelos canais 135 da NET, 105 da SKY, 112 da Claro TV (antiga Via Embratel), pelas operadoras NEO TV, pela parabólica (banda C) ou em tempo real pela Internet, no site ruralbr.com.br/canalrural.

Joshua Redman e Rumpilezz na Bahia, São Paulo e Belo Horizonte


Uma noite de fusão entre o jazz e a música brasileira – com essência afro-baiana – foi reservada pela Série TCA 2012-Ano XVII, com o encontro inédito entre o virtuoso saxofonista norte-americano Joshua Redman e a Orkestra Rumpilezz, uma das maiores inovações da música instrumental na Bahia dos últimos tempos, sob o comando do maestro e compositor Letieres Leite.


Esse projeto único é fruto de uma residência artística conjunta realizada durante uma semana na Bahia. Depois da grande estreia no Teatro Castro Alves, o concerto será apresentado no Recôncavo Jazz Festival, em Cachoeira, BA (dia23/08); SESC Pompeia, SP (25 e 26/08) e na Praça da Liberdade, Belo Horizonte, na Festa da Música (dia 28/08).

Católicos consternados com a notícia da morte do Bispo Emérito da Diocese de Marabá



Nota de Falecimento da Comissão Pastoral da Terra da Diocese de Marabá

Faleceu hoje, por volta do meio dia, o bispo emérito da Diocese de Marabá, DOM JOSÉ FORALOSSO. Desde o dia 05 de junho do ano corrente, que Dom José se encontrava internado, no Hospital Regional de Marabá, em estado de co
ma, em consequência de um AVC e de um traumatismo craniano que sofreu em consequência da queda que teve no momento do derrame cerebral. Ele celebrava uma missa quando foi acometido pelo avc.Dom José era italiano e tinha 74 anos. Em razão da fragilidade de sua saúde, requereu ao Vaticano sua aposentadoria da Diocese um ano antes do prazo determinado. Pretendia cuidar melhor de sua saúde, o que foi entendido pelo Papa e antecedido seu afastamento antes de completar os 75 anos, data em que os bispos adquirem o direito de se Dom José assumiu como bispo de Marabá em 26 de fevereiro de 2000. Uma de suas características nos 12 anos como bispo, Opçõesfoi o respeito aos diferentes pensamentos e segmentos religiosos existentes na diocese. Não impôs sua maneira de pensar e nem perseguiu os que tinham posições e pensamentos diferentes dos A Comissão Pastoral da Terra da Diocese de Marabá lamenta a morte do bispo Dom José e presta solidariedade aos seus familiares e a todos e todas que fazem parte do rebanho do qual ele era

Marabá, 22 de agosto
Equipe da CPT da Diocese de Marabá.

Ministro dos Transportes detalha cronograma de obras prioritárias para o norte do país

Foto: Marisa Romão

Ministro dos Transportes detalha obra para o Centro-Norte


Parlamentares da Bancada do Pará, representantes do governo estadual, foram recebidos nesta tarde pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos e sua equipe.

Foi detalhado às autoridade o cronograma de doze projetos de obras de infaraestrutura para os Estados do Pará, Tocantins e Maranhão, conforme resumiu a jornalista Marisa Romão. Confira a lista com comentários deste blogguer:

1-Sinalização Náutica (Foz de Marabá);
2- Derrocagem do Pedral do Lourenço (imprescindível para a continuação do Projeto ALPA/ALINE [Plant, da mineradora Vale);
3-Projeto Eclusa de Tucuruí (faltam adequações para sua viabilidade);
4- Projeto Eclusa HUE de Marabá (evitar um possível apagão no Sistema Elétrico Nacional);
5-Projeto Terminal Intermodal de Marabá (alternativa de escoamento da produção no Centro-Norte);
6- Ccnclusão da Eclusa do Lajeado (evitar um possível apagão no Sistema Elétrico Nacional e viabilizar uma política de redução de tarifas para equalizar o custo do consumidor residencial e industrial);
7- EVTEA Tocantins;
8- Dragagem e Manutenção;
9- Projeto Derrocagem (Trecho Marabá/Imperatriz);
10- Projeto Eclusa UHE - Serra Quebrada;
11- Projeto Eclusa de Estreito e
12- Projeto Básico p/ Sinalização Náutica (Trecho Marabá- Lajeado).

Sérgio Passos garantiu que sua pasta em parceria com a Vale, promoverão, em Brasilia, um Workshop, no dia 28 de setembro, com o objetivo de discutir com os parlamentares paraenses, o projeto definitivo da "Derrocagem do Pedral do Lourenço", prioridade zero do governo federal, mineradora e motivo de grande apreensão do setor empresarial e lideranças sociais do Sul do Pará.

Comentário do blog: Na semana passada, na mais nobre Sala do Corredor das Comissões da Câmara dos Deputados, teve início a estratégia política da oposição, leia-se: PSDB de Minas e do Pará, para pressionar o governo federal numa questão de interesse nacional: a atual legislação do setor mineral, a partir dos critérios do cálculo do Cfem,

Os governadores dos dois Estados, bem que tentaram mas acabaram cabisbaixos, ao convocar as respectivas Bancadas no Congresso Nacional para defender mudanças na atual legislação que regulamenta a mineração no país e testemunhar uma reunião esvaziada.

Na velocidade de um Super-Herói – Marcando presença relâmpago à reunião. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), farejou um grande "mico". A Sala estava vazia.

De olho na sucessão presidencial em 2014. O senador mineiro foi mais rápido que um Super-Herói em cartaz em Salas de "Cinema 3D". A velocidade foi digna de registro da nova edição do Livro dos Recordes.

Algumas rápidas palavras. Só isso! Nada mais.

Aécio não ficou no lugar nem meia hora. Alegou outro compromisso inadiável e "vazou".

Confira os detalhes na reportagem do Valor e tire as suas conclusões.

Julgamento do Mensalão no STF




















Após essa imagem é necessário escrever algo sobre o julgamento?

Agricultura discute cadeia produtiva de bovinocultura de corte

Agência Câmara de Notícias

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural realiza hoje audiência pública sobre a cadeia produtiva de bovinocultura de corte. De acordo com o deputado Homero Pereira (PSD-MT), que solicitou a audiência, o objetivo do encontro é “debater democraticamente e de uma maneira transparente os gargalos e os pontos de conflitos” da cadeia para que se encontre um ponto de equilíbrio.

Foram convidados para participar da audiência:
- a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, senadora Kátia Abreu (PSD-TO);
- o chefe do Departamento de Agroindústria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Jaldir Freire Lima;
- o gerente do Departamento de Acompanhamento e Gestão da Carteira do BNDES, André Gustavo Teixeira Mendes;
- o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Vinícius Marques de Carvalho;
- o presidente da Associação Brasileira de Supermercados, Sussumo Honda;
-o presidente do Grupo JBS S.A. – Friboi, Wesley Mendonça;
- o presidente da Frente Nacional da Pecuária, Francisco Maia;
- o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos, Péricles Salazar; e
-o presidente do Frigorífico Marfrig Indústria, Comércio e Alimentos S/A, Marcos Antônio Molina.

A audiência pública será realizada às 14h30 no Plenário 6.

Adiada votação de destaques da MP que altera o novo Código Florestal - Agência Câmara de Notícias

Adiada votação de destaques da MP que altera o novo Código Florestal 

A comissão mista que analisa a Medida Provisória 571/12, que complementa o novo Código Florestal (Lei 12.651/12), cancelou reunião que faria nesta tarde para iniciar a votação dos destaques ao texto do relator, senador Luiz Henrique (PMDB-SC). Ao todo, foram apresentados 343 destaques.

Íntegra da proposta:

Vencedora de licitação aguarda prazo regulamentar para iniciar obras de recuperação da BR-155




















Val-Andr
é Mutran (Brasília) - A empresa Guizardi JR Construtora e Incorporadora Ltda. foi a vencedora da concorrência pública no 43/2012 da Superintendência do Pará/Amapá do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para a recuperação da BR-155 no trecho entre Redenção e Marabá. Após a abertura dos envelopes em que outras 19 empresas concorriam, a construtora venceu com o menor preço no valor de R$ 54.292.926,44, para os três lotes em disputa.

O deputado federal Giovanni Queiroz (PDT-PA) manteve contato com o novo superintendente do Dnit, David Wilkerson que aguarda o prazo regulamentar de possíveis recursos para autorizarmos início das obras.

Toda a extensão da BR-155 encontra-se em péssimo estado de conservação. Segundo pesquisa anual da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) que faz um levantamento sobre o estado das rodovias federal em todo o país, listou o trecho da BR-155 de Eldorado dos Carajás a Rio Maria, no Sul do Pará, como o segundo pior trecho rodoviário do Brasil.

Quadro de preços



Senador Demóstenes Torres é cassado com 56 x 19 votos


A amizade do senador Demóstenes Torres (sem partido-G0) com o contraventor Carlinhos Cachoeira custou-lhe o mandato.

O político acaba de ser  cassado em sessão no Senado desta quarta-feira, por 56 votos a 19, com cinco abstenções, por envolvimento .

Comissão especial vota projeto do marco civil da internet

Substitutivo ao projeto do governo torna mais explícitos os direitos do internauta; relator também buscou reforçar o princípio da neutralidade da rede.

A comissão especial criada para analisar o projeto de lei do marco civil da internet (PL 2126/11) se reúne hoje para votar o substitutivo do relator, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), que torna mais explícitos os direitos do internauta já estabelecidos na proposta original do governo. A reunião será realizada às 14h30, no Plenário 8.


A proposta é uma espécie de Constituição da internet, com princípios que devem nortear o uso da rede no Brasil; direitos dos usuários; obrigações dos provedores do serviço; e responsabilidades do Poder Público.
O PL 2126/11 tramita em conjunto com outros 37 projetos. Porém, o relator optou por tomar como base, em seu substitutivo, a proposta do governo. “Este texto resultou de um amplo processo de debates e consultas públicas no Ministério da Justiça”, destaca.

Molon deixou os crimes cibernéticos de fora do parecer.

A principal alteração feita no projeto original foi a inclusão de medidas claras para proteger os dados pessoais do internauta. Além disso, segundo o relator, a garantia da liberdade de expressão foi ampliada em seu texto, na medida em que os sites passarão a ter de fornecer informações sobre conteúdos que foram removidos e as razões para a remoção.

O relator deixou de fora da proposta a regulamentação dos crimes cibernéticos e de questões relacionadas ao direito autoral na internet. A inclusão da proteção do direito autoral no texto foi demandada por algumas entidades de artistas e empresas de entretenimento durante os debates. “Esses são tópicos mais específicos e devem ser discutidos pelo Legislativo, mas demandam um debate focado”, explicou Molon.

Proteção dos dados pessoais

Na ausência, no Brasil, de uma lei específica de proteção de dados pessoais, Molon optou por inserir no marco civil da internet algumas regras para o tratamento desses dados. Conforme o substitutivo, o usuário tem o direito a informações claras e completas sobre os dados pessoais que serão guardados pelos sites e serviços; a finalidade dessa guarda; a forma com que esses dados serão utilizados; e as condições de sua eventual comunicação a terceiros. Além disso, o internauta deverá ter o controle sobre suas informações, podendo solicitar a exclusão definitiva de seus dados dos registros dos sites ou serviços, caso entenda conveniente.

Substitutivo ao marco civil torna mais explícitos direitos do internauta

Mantendo o texto original, o substitutivo estabelece que o provedor de serviços terá a obrigação de guardar apenas os registros de conexão do usuário (data, hora e duração da conexão e endereço IP do terminal) e de acesso a aplicações (data e hora em que um determinado site ou serviço foi acessado) pelo prazo de um ano, em ambiente controlado e de segurança. A autoridade policial ou administrativa poderá requerer cautelarmente a guarda desses dados por prazo superior ao previsto. O acesso a esses dados será fornecido pelo provedor apenas mediante ordem judicial.
 
De acordo com o substitutivo, o provedor somente poderá fornecer a terceiros os registros de conexão do usuário e os registros de acesso a aplicações de internet mediante “consentimento expresso e por iniciativa do usuário”. O texto original dizia apenas “consentimento”.

Responsabilidade por conteúdos

O relator manteve a previsão original de não responsabilização do provedor de internet por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros. O provedor de conteúdo somente poderá ser responsabilizado civilmente em caso de descumprimento de ordem judicial específica de retirada de conteúdo considerado infrator.

Porém, o substitutivo explicita que há também a possibilidade de o provedor de conteúdos remover voluntariamente conteúdos que julgar indevidos, de acordo com termos de uso ou por solicitação de terceiros. No entanto, os provedores poderão responder na Justiça por abuso de direito ou má-fé decorrente da supressão de conteúdo.

No caso de remoção de conteúdos, o provedor deverá informar o usuário que publicou o conteúdo dos motivos da remoção. Além disso, quando solicitado pelo usuário, o provedor de aplicações fará constar, no lugar do conteúdo tornado indisponível, a motivação que deu fundamento à retirada. Porém, nos casos em que a divulgação da retirada possa gerar destruição de provas, atrapalhando o trabalho da Justiça em casos sensíveis e alertando criminosos da existência de investigações, o juiz poderá restringir o repasse dessa informação pelo provedor.

Íntegra da proposta:
    PL-2126/2011
Reportagem – Lara Haje
Edição - Natalia Doederlein

O impeachment de Fernando Lugo, na visão do jornalista Chiqui Avalos


A GUARÂNIA DO ENGANO
Por Chiqui Avalos (*)
Como num verso célebre de meu inesquecível amigo Vinicius de Moraes, “de repente, não mais que de repente”, alguns governos latino-americanos redescobrem o velho e sofrido Paraguay e resolvem salvar uma democracia que teria sido ferida de morte com a queda de seu presidente. Começa aí um engano, uma sucessão de enganos, mentiras e desilusões, em proporção e intensidade que bem serve a que se companha uma melodiosa guarânia, mas de gosto extremamente duvidoso.
Sucedem-se fatos bizarros na vida das nações em pleno século XXI. Uma leva de chanceleres, saídos da espetaculosa e improdutiva Rio+20, desembarca de outra leva de imponentes jatos oficiais no início da madrugada de um incomum inverno, e - quem sabe estimulados pela baixa temperatura  - se comportam com a mesma frieza com que a “Tríplice Aliança” dizimou centenas de milhares de guaranis numa guerra que arrasou a mais desenvolvida potência industrial da América Latina.
Surpresos? Pois, sim, não é para menos. Éramos ricos, muito ricos, industrializados, avançados, educados, cultos, europeizados, amantes das artes, dos livros, das óperas, do desenvolvimento. Nossos antepassados brilharam na Sorbonne e assinaram tratados acadêmicos, descobertas científicas ou apurados ensaios literários. A menção de nossa origem não provocava o deboche ou ironia tão costumeiros nos dias tristes de hoje, mas profundas admiração e curiosidade dos que acompanhavam nossa trajetória como Nação vencedora. Não ficamos célebres como contrabandistas ou traficantes, mas como povo empreendedor e progressista. A organização de nossa sociedade, a intensa vida cultura, o progresso econômico irrefreável, a bela arquitetura de nossas cidades, nossos museus e livrarias, a invulgar formação cultural de nossa elite, a dignidade com que viviam nossos irmãos mais pobres (sem miséria ou fome) impressionavam e merecem o registro histórico.  A rainha Vitória, que não destinou ao resto do mundo a mesma sabedoria com que governou e marcaria para sempre a história do Reino Unido, armou três mercenários e eles dizimaram a potência que, com sua farta e boa produção e espírito desbravador, tomava o mercado da antiga potência colonial aqui, do lado de baixo do Equador. Brasil, Argentina e Uruguay, como soldados da Confederação, nos arrasaram. Nossos campos foram adubados pelos corpos de nossos irmãos em decomposição, decapitados à ponta de sabre e com requintes de sadismo. O Conde D’Eu, marido de quem libertaria os negros da escravidão e entraria para a história do Brasil, comandava pessoal e airosamente o massacre. Os historiadores, essa gente bisbilhoteira e necessária, registraram seu apurado esmero e indisfarçável prazer. O nefasto delegado Sérgio Fleury teve um precursor com quase um século de antecedência...
Nossas cidades terminaram por ser habitadas por populações majoritariamente compostas de mulheres e crianças. Poucos homens restaram do genocídio perpetrado. Pedro II, que marcaria a história do Brasil por sua honradez, comportou-se de forma impressionante nessa obscura página da história do Brasil, mas inversamente conhecidíssima na história de meu país: não moveu uma palha ou disse palavra acerca do sadismo de seu genro criminoso. Documentos por mim revirados no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, mostram a assinatura do velho Imperador autorizando a compra de barcos, chatas, cavalos e tudo o que fosse necessário para uma caçada de vida ou morte (mais de morte, certamente) à Lopez. Não bastava derrotar o déspota esclarecido, o republicano que os humilhava, o que havia desafiado todos os impérios, o da Inglaterra, o do Brasil, o da Espanha... Era preciso assinar seu epitáfio e esculpir sua lápide. E assim foi feito.
Derrotados, nunca mais fomos os mesmos. Passamos a ser conhecidos por uma República já bicentenária, mas atrasada em comparação aos vizinhos. Enfrentamos uma guerra cruel com a Bolívia na primeira metade do século passado. Roubaram-nos importante faixa territorial do Chaco, região paradoxalmente inóspita e riquíssima. Ganhamos a guerra. Nossos soldados mostraram a valentia e patriotismo que brasileiros, uruguaios e argentinos bem conheceram mais de meio século antes. Nossa incipiente aviação militar e seus jovens pilotos assombraram os experts norte-americanos pela refinada técnica e o sucesso de suas ações contra o agressor. Mas numa história prenhe de ironias, vencemos a guerra e... jamais recuperamos as terras! Os bolivianos, que jamais olham nos olhos nem das pessoas nem da história, certamente se rejubilam em sua “andina soledad”, e como os argentinos depois da inexplicável Guerra das Malvinas, sabem-se “vice-campeones”...
Mal saímos da Guerra do Chaco e experimentamos a mesma e usual crônica tão comum a rigorosamente todos os outros países latino-americanos. Golpes e contra-golpes, instantes de democracia e hibernações em ditaduras ferrenhas. Presidentes  se sucederam despachando no belíssimo Palácio de Lopez e vivendo na vetusta mansão de Mburuvicha Roga (“A casa do grande chefe”, em guarani). Uns razoáveis, outros deploráveis. Nenhum deles, entretanto, recuperou a glória perdida dos anos de riqueza, opulência e fartura. Um herói da Guerra do Chaco tornou-se ditador e nos oprimiu por mais de três décadas. Homem duro, mas de hábitos espartanos e por demais interessante, o multifacético Alfredo Stroessner não recusou o papel menor de tirano, mas construiu com o Brasil a estupenda hidrelétrica de Itaipu, a maior obra de engenharia de seu tempo, salvando o Brasil de previsível hecatombe energética. Foi parceiro e amigo de todos os presidentes do Brasil de JK a Sarney. Com os militares pós-64 deu-se às mil maravilhas, mas foi de suas mãos que o exilado João Goulart recebeu o passaporte com que viajaria para tratar sua saúde com cardiologistas franceses. Deposto, o velho ditador morreu no exílio, no Brasil. Nós que o combatíamos (nasci em Buenos Aires, onde meu pai, empresário de sucesso mas adversário da ditadura, curtia seu exílio) jamais soubemos de ação qualquer, uma que fosse, do Brasil em seus governos democráticos contra a ditadura do general que lhes deu Itaipu.
Depois de duas décadas da derrubada de Stroessner, nos aparece Fernando Lugo. Sua história é peculiar. Era bispo de San Pedro, simpaticão e esquerdista, pregava aos sem-terra e parecia não incomodar ninguém, nem aos fazendeiros da área. Pelos idos de 2007 o então presidente Nicanor Duarte Frutos, um jovem jornalista eleito pelos colorados, resolve seguir o péssimo exemplo de Menem, Fujimori e Fernando Henrique, e deixa clara sua vontade de mudar a Constituição e permanecer no presidência, através do instituto inexistente da reeleição. Seu governo era mais que sofrível e – descupem-nos a imodéstia latreada em nossa história – nós, os paraguaios, não somos dados ao desfrute de mudar nossa Carta Magna ao sabor da vontade de presidente algum.
O país se levantou contra a aventura e ele, o bispo bonachão, justamente por não ser político e garantir que não alimentava qualquer ambição de poder, é escolhido para ser o orador de um grande ato público, com dezenas de milhares de pessoas no centro de Assunção. Pastoral, envolvente, preciso, o Bispo de San Pedro cativou a multidão, deu conta do recado e  catalisou a imensa indignação da cidadania. A aventura continuísta de Nicanor não foi bem-sucedida, mas, com a sutileza de um príncipe da Igreja nos intricados concílios que antecedem a fumacinha branca no Vaticano, nos aparece um candidato forte à presidência da República: ‘habemus candidatum’! A batina vestia mais que um pastor, escondia um homem frio, ambicioso, ingrato e profundamente amoral.
Seu primeiro problema foi com a Santa Madre Igreja. O Santa Sé, certamente por saber algo que nós não sabíamos, vetou sua disposição política. Não, de jeito algum, ele jamais poderia ser candidato. A igreja católica combateu a ditadura do general Stroessner com imensa coragem e ação firme, mas não queria ocupar a presidência do país. “Roma coluta, causa finita” (“Roma falou, questão decidida”). Mas não para Lugo, que deixou seu bispado, despiu a batina e virou às costas a quem lhe educou e lhe acolheu no seu seio. Poucos e corajosos colegas Bispos e padres o apoiaram abertamente. Na última sexta-feira, depois de três anos sem vê-lo ou serem por ele procurados, esses mesmos amigos e apoiadores foram até a residência presidencial pedir – em vão – que Lugo renunciasse à presidência do Paraguay para que se evitasse derramamento de sangue. O homem seduzido pelo poder disse não com frieza, levantando-se e despachando aqueles inoportunos portadores da palavra divina.
Candidato sem partido, entretanto com as simpatias da clara maioria do eleitorado. Filiou-se, pois, a um partido e o escolhido foi o centenário e respeitável PLRA, dos liberais, há mais de 60 anos fora do poder e com a respeitável bagagem de uma corajosa oposição à ditadura stroessnista. Como um Jânio Quadros, Lugo filiou-se ao Partido Liberal Radical Autêntico e usou sua bandeira, sua história e sua estrutura capilarizada em toda a sociedade paraguaia. E depois deu-lhe um adeus de mão fechada, frio e indiferente.
Eleito, desfez-se de todos os companheiros de jornada. Um a um. Stalin não apagou tantos nas fotos oficiais do Kremlin como o ex-bispo o fez. Mas demitiu os mais qualificados, por sinal. Restaram-lhe os cupinchas, os facilitadores de negócios e de festinhas íntimas, os “operadores” e alguns incautos esquerdistas para colorir com as tintas de um risível ‘socialismo guarani’ o governo de um homem que chegou como o Messias e terminaria como um Judas Escariotes.
Lugo poderia emprestar seu nome e sua trajetória de vida política (e pessoal, também) ao mestre Borges e tornar-se uma das impressionantes personagens da “História Universal da Infâmia”. Um infame, não mais que isso! Mal foi eleito e empossado, sucedem-se escândalos e se revela seu procedimento moral. Filhos impensados para um supostamente casto Bispo. Vários. Todos jamais reconhecidos ou amparados, gerados com mulheres as mais pobres e sem instrução alguma, do meio rural, humilhadas depois de usadas, uma delas com apenas 16 anos quando da gravidez. Se traíra a sua Igreja, por qual razão não nos trairia? E traiu.
Não passou um mês sequer durante seus três anos de governo sem que viajasse a um país qualquer. Com razão ou sem nenhuma, tanto fazia, e lá se ia ele, o alegre viajante para conferências esvaziadas ou cerimônias de posse de mandatários sem importância ou relevo para o Paraguay. As pompas do poder o abduziram como a nenhum déspota de república bananeira do Caribe. Os comboios de limusines com batedores estridentes, as festas e beija-mãos, os eternos e maviosos cortesãos do poder, as belas mulheres, as mesas fartas, os hotéis cinco estrelas, a riqueza, a opulência, os “negócios”. O despojado ex-bispo tornou-se grande estancieiro, senhor de terras, plantações e gado. O presidente que tomou posse calçando prosaicas sandálias como símbolo de humildade, revelou-se um homem vaidoso e fetichista. Como que a vestir a mentira em que ele próprio se tornou, passou a envergar elegantes e bem-cortadas túnicas encomendadas à alfaiates da celebérrima e caríssima Savile Row, templo londrino da moda masculina. No detalhe, o estelionato (mais um): colarinhos eclesiásticos. Afeiçoou-se a lindas e jovens, digamos, “modelos”, que floriram sua vida e a imensa banheira Jacuzzi que mandou instalar na austera e velha residência presidencial. Muitas delas o precediam mundo afora, esperando-o em hotéis fantásticos e palácios, nas vilegiaturas internacionais. Viajavam com documentos oficiais. Kaddafi auspiciava passaportes diplomáticos a terroristas, Lugo a prostitutas.
Sua afeição pelos jatinhos e jatões chegou às raias do fetiche: passou boa parte de seu peculiar mandato a bordo deles. Fretados à empresas de táxi aéreo de outros países, mandados pelos amigões Hugo Chávez e Lula, outros emprestados sabe-se lá por uns tais e misteriosos amigos. Chocou-se com o brasileiro Jorge Samek, fundador do PT e competente gestor, que na presidência brasileira da Itaipu resolveu vetar capricho juvenil do ex-bispo e delirante presidente: a poderosa binacional compraria um jato para seu uso. Um Gulfstream estaria de bom tamanho, quem sabe um Falcon, ou até um brasileiríssimo Legacy, mas ele precisava ardentemente de um jato para chamar de seu. Depois mandou que o comandante da Força Aérea negociasse um Fokker 100, adaptado com suíte e ducha. Nada feito, o raio de ação seria pequeno e ele precisava ganhar o mundo. Por fim, nos estertores de seu governo, entabulava a compra de um Challenger, usado mas chique, de um cartola do futebol paraguaio. O preço, como sempre, mais um escândalo da Era Lugo: pelo menos o dobro de um modelo novo, saído de fábrica...
Obras viárias? Imagine. De infraestrutura? Nenhuma. Modernização do país? Nem pensou nisso. Crescimento econômico? Sim, mas por obra de uma agricultura forte, de empresários jovens e ambiciosos, de uma indústria florescente e de um ministro da economia, Dionísio Borda, que destoou da regra geral do governo Lugo: competente e austero, imune às vontades do presidente e distante da escória que o cercava. A cada novo dia, no parlamento, nas redações, nos sindicatos, nos foros empresariais, nos encontros de amigos, um novo comentário, uma nova história de mais uma negociata dos assessores e companheiros de Lugo. Proporcionalmente, nem na ditadura de Stroessner (mais de três décadas), se roubou tanto quanto no governo pseudo-esquerdista de Fernando Lugo (menos de três anos).  Já com Lugo deposto, seu secretário mais forte, Miguel Lopez Perito, telefonou à diretoria da Itaipu solicitando a bagatela de US$ 300 mil para organizar uma manifestação em defesa do governo. Queria ao vivo e a cores, "na mala", por fora, não contabilizado, no "caixa 2". Que tal? Fato tornado público por um diretor da binacional e revelador do modus-operandi da verdadeira quadrilha que comandava o país.
Seu processo de “Juízo Político” – algo como um processo de impeachment – está previsto na Constituição do Paraguay, e não foi uma travessura histórica de meia dúzia de líderes políticos ou parlamentares revidando as descortesias de Lugo para com os partidos, os empresários, os paraguayos todos. Que tipo de presidente era esse que teve 73 deputados votando por sua queda contra apenas 1 solitário voto? Que espécie de chefe da Nação era esse que teve 39 votos contrários no Senado contra apenas 4 de senadores fiéis ao seu desgoverno? Não teve tempo, apenas duas horas para defender-se, dizem. Ora, a Constituição não determina tempo, apenas assegura-lhe o direito de defesa, exercido através de competentíssimos advogados, que fizeram exposições brilhantes na defesa do indefensável. Um deles, Dr. Adolfo Ferreiro, admitiu claramente que o processo era legal. De outro, Dr. Emilio Camacho, em imponente ironia da história, os magistrados da Suprema Corte extraíram em um de seus celebrados livros aqueles ensinamentos necessários e a devida jurisprudência para rechaçar chicana jurídica do já ex-presidente contra o processo legal, constitucional e moral que o defenestrou. C’est la vie, Monsieur Lugo!
Em Curuguaty, num despejo de terras ocupadas pelos "carperos" (os sem-terra daquí), dezenas de mortes de ambos os lados. Lugo e seu ministro do interior, o belicoso senador Carlos Filizzola, foram avisados de que havia uma emboscada pronta para as forças militares. Com a empáfia e a absoluta irresponsabilidade que os caracterizou do primeiro ao último dia, e fiel aos amigos que manejam o MST daquí e infernizam a vida de nossos produtores rurais (entre os quais os 350 mil brasileiros que aquí plantam, colhem e vivem, nossos irmãos "brasiguayos"), ambos ordenaram a ação que se tornou uma tragédia na história de nosso país. Poderia citar, também, o EPP (Exército do Povo Paraguaio), guerrilha formada por terroristas intimamente ligados a Lugo em seus tempos no bispado de San Pedro. Jamais as forças de segurança puderam fazer nada contra eles. Mapeados, identificados, monitorados e livres! Lugo se manteve fiel aos bandidos pelos quais mostra clara e pública afeição. Como o respeitado Belaúnde Terry, no Perú, que permitiu com seu "democratismo" o crescimento do terror representado pelo Sendero Luminoso de Abimael Guzmán, o nada respeitável Lugo é o pai e a mãe do EPP.
Fernando Lugo foi um acidente em nossa história. Necessário, mas sofrido. Seus defeitos superaram suas virtudes. Aqueles eram muitos, essas muito poucas. Nós que nele votamos, sequiosos de um Estadista, nos deparamos com um sibarita. Seu legado é de decepção e fracasso. Não choraram por ele dentro de nossas fronteiras, e os que o defendem foram delas o fazem muito mais pensando no que lhes pode ocorrer do que por solidariedade ao desfrutável governante e desprezível homúnculo que cai.
O fim de seu governo dói mais a um já dolorido Chávez do que a nós. A Senhora Kirchner, radical na condenação que nos impõe, se esquece de nossa parceria na importante e gigantesca usina hidrelétrica de Yaciretá, e amplia sua lucrativa viuvez acolhendo em seu seio choroso o decaído amigo. Solidária? Nem tanto, apenas oportunista e sabendo que se abriu o precedente para que os parlamentos expulsem os incapazes. Na Bolívia o sentimento popular em relação ao sectário e também bolivariano Evo Morales não é diferente do sentimento dos paraguayos por Lugo no outono de sua aventura presidencial. É pior. O relógio da história irá tocar as badaladas do fim de uma aventura mais que improdutiva: raivosa, racista e liberticida.
Não compreendemos a posição do Brasil. Ou não queremos compreender, tanto é o bem que lhe queremos. Nos arrasou como sicário da Rainha Vitória e nós lhe perdoamos e juntos construímos o colosso de Itaipu. O tratamos bem e ele defende a continuidade de uma das piores fases de nossa história, em nome do quê? Nega-nos o direito à autodeterminação, mas se esquece do papelão ridículo que fez em defesa de um cretino como Zelaya, um corrupto ligado a grupos somozistas de extermínio e que era tão esquerdista como Stroessner e democrático quanto Pinochet.
Foi deplorável o papel do inexpressivo chanceler Patriota (que não se perca pelo nome), saracoteando pelas ruas de Assunção em desabalada carreira, indo aos partidos Liberal e Colorado pressionar em favor de um presidente que caia. Adentrando o Parlamento ao lado do chanceler de Hugo Chávez, o Sr. Maduro, para ameaçar em benefício de um presidente que o país rejeitava. Indo ao vice-presidente Federico Franco ameaçar-lhe, com imensa desfaçatez, desconhecendo seu papel constitucional e o fato de que ninguém renunciaria a nada apenas por uma ameaça calhorda da Unasul (que não é nada) e outra ameaça não menos calhorda do Mercosul (que não é nada mais que uma ficção). O Barão do Rio Branco arrancou seus bigodes cofiados no túmulo profanado pelo Itamaraty de hoje.  
O que quer o governo Dilma? Passar pelo mesmo vexame de Lula na paupérrima Honduras? Se afirmativo, já fica sabendo que passará. Nós temos imensa disposição de continuar uma parceria que se revelou positiva e decente para ambos os países. Mas não sentimos ou temos pela austera presidente o mesmo terror-medo-pânico que lhe devotam seus auxiliares e ministros. Cara feia não faz história, apenas corrói biografias. Dilma chamou seu embaixador em Assunção e Cristina fez o mesmo. As radicais matronas só não sabiam que: o embaixador brasileiro é um ausente total, vivendo mais tempo em Pindorama do que por aqui. O Embaixador Eduardo Santos é tido no Paraguay como alguém que acredita que as três melhores coisas em nosso país são ar condicionado e passagem de volta. Recorda o ex-embaixador Orlando Carbonar, que foi pego de surpresa em fevereiro de 1989 pelo movimento que derrubou o general Stroessner. Até meus filhos, crianças na época, sabiam que o golpe se avizinhava e que estouraria a qualquer momento, menos o embaixador brasileiro, que descansava no carnaval de Curitiba, sua cidade natal. Voltou às pressas, num jatinho da FAB, para embarcar Stroessner rumo ao Brasil. E a Argentina... Bem, a Argentina não tem embaixador no Paraguay faz alguns meses... Ocupadíssima, Dona Cristina não nomeou seu substituto. País de necrófilos (amam Gardel, Che, Evita e Maradona, dentre outros defuntos), chamou um embaixador que não existe, um diplomata fantasma, até a Casa Rosada para consultas.
O Paraguay fez o que tinha que fazer. Seguirá adiante, como seguem adiante as Nações, testadas e curtidas pelas crises que retemperam a cidadania e reforçam a nacionalidade. O religioso que não honrou seus votos de castidade e pobreza e traiu sua igreja, foi por ela rejeitado. O presidente que não honrou nossos votos e nos traiu, foi por nós deposto. Deposto por incapaz, por mentiroso, por ineficiente, por desonesto. Mas, principalmente, por que traiu as esperanças de um país e um povo que precisaram dele e nele confiaram. E, por isso, Lugo não voltará.
(*) Chiqui Avalos é conhecido escritor e jornalista paraguaio. Combateu a ditadura de Stroessner e apoiou a candidatura de Fernando Lugo. É o editor de "Prensa Confidencial", influente boletim digital editado no Paraguai.