Comissão do Trabalho aprova escola técnica em Marabá

Trabalho aprova escolas técnicas em sete estados e no DF

Ag. Câmara

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou, em 28 de março, o Projeto de Lei 7268/06, do Poder Executivo, que cria as escolas técnicas federais do Acre, do Amapá, do Mato Grosso do Sul e de Canoas (RS); e as escolas agrotécnicas de Brasília, de Marabá (PA), de Nova Andradina (MS) e de São Raimundo das Mangabeiras (MA). A proposta também modifica o nome da Escola Técnica Federal de Porto Velho, que passará a se chamar Escola Técnica Federal de Rondônia. As entidades serão autarquias vinculadas ao Ministério da Educação.


Para garantir o funcionamento dessas escolas, o projeto cria 450 cargos de professor nos ensinos fundamental e médio; 360 cargos de técnicos-administrativos em educação de nível intermediário e 225 de nível superior; além de 100 cargos de direção e de 135 funções gratificadas.

O relator, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), recomendou a aprovação do projeto. "A matéria corresponde ao esforço governamental no sentido de priorizar a educação. Apesar do relevante papel desempenhado pelos estados e municípios nessa área, não há dúvida de que a União também pode e deve atuar com desenvoltura no âmbito do ensino de nível médio, em especial no profissionalizante", afirmou.

O relator argumenta que as emendas que foram rejeitadas "não acrescentam à discussão da matéria argumentos suficientes para justificar a implantação das escolas que pretendem incluir no projeto". Além disso, segundo o parlamentar, exigem aumento de despesa, o que poderia levar à inconstitucionalidade na Comissão de Constituição e Justiça.

Outra alteração proposta pelo relator foi a mudança da denominação da escola técnica que deve ser instalada no Distrito Federal. O nome passa de Escola Agrotécnica Federal de Brasília para Escola Técnica Federal de Brasília. "A modificação faz parte da intenção do governo federal de instalar uma escola técnica em cada cidade pólo do País. Se fosse mantida a redação original, Brasília passaria a ser a única capital a não contar com uma Escola Técnica Federal".

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado agora pelas comissões de Educação e Cultura; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Estado ameaça fechar pólo siderúrgico de Marabá

Para deixar bem claro quem manda, o Governo do Pará acaba de dar um presente de grego à Marabá, com direito a Comando da PM e tudo, na véspera de seus 94 anos de emancipação político administrativa ao ameaça fechar todas as siderúrgicas de Marabá.

Dez empresas que produzem ferro gusa, em Marabá, estão ameaçadas de fechamendo pelo governo do Estado, outras duas ainda nem inauguraram.

O governo paraense alega que as empresas não têm como comprovar a origem da biomassa utilizada na produção de carvão vegetal que abastece seus alto-fornos. A irregualridade, segundo nota do governo, foi constatada na vistoria técnica realizada em 17 siderúrgicas, no período de 19 a 28 de março.

O resultado da operação foi divulgado nesta quarta-feira, 4, em entrevista coletiva, no município de Marabá, a 450 km de Belém. Participaram da coletiva os secretários da Fazenda, José Raimundo Nonato; do Meio Ambiente, Valmir Ortega; e da Indústria e Comércio, Maurílio Monteiro; o Chefe do Estado Maior da PM, Coronel Osmar; e o comandante da PM de Marabá, Coronel Cruz.

A vistoria técnica nas guseiras constatou que o número de empregos gerados pelo setor, e que foi informado aos técnicos do governo estadual, são conflitantes com os dados da Secretaria de Indústria e Comércio. "Foram solicitados das empresas novos documentos, vamos analisá-los e, a partir dos dados coletados nas vistorias e das informações complementares, serão elaborados laudos técnicos que embasarão decisões sobre eventuais sanções no que se refere à concessão de incentivos", disse o secretário Maurílio Monteiro.

A origem do carvão vegetal, matéria prima da indústria siderúrgica, também foi alvo da vistoria técnica. Segundo dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, o setor não dispõe de reserva florestal para suprir a produção de carvão, o que contraria a lei ambiental. "Nós estamos revendo o licenciamento ambiental das indústrias. O que queremos é que haja oferta de carvão legal. Isso garante o trabalho das guseiras e respeito ao meio ambiente", declarou Valmir Ortega.

A ameaça é o que os técnicos do Ministério do Meio Ambiente, do setor de fiscalização do Ibama chamam de "freio de arrumação". O popular "ou vai, ou racha".

Giovanni convida deputados para conhecer o Carajás






















Deputado Federal Giovanni Queiroz parabeniza o aniversário de 94 anos de Marabá na Tribuna da Câmara dos Deputados.

Considere como lido pronunciamento sobre a cidade de Marabá, que faz 94 anos amanhã.

Não podemos deixar de homenagear os jovens, homens e mulheres, que lá vivem, mas não nos podemos esquecer dos pioneiros, que adentraram por aquela mata com o objetivo de construir suas vidas e verdadeiramente integrar a Amazônia ao Brasil.

Aproveito para convidar meus pares para conhecer Marabá, a cidade mais importante do sul-sudeste paraense, a quarta maior do Estado, com mais de 200 mil habitantes. Queremos transformar aquele que é o maior pólo mineral do mundo, por que não, no maior parque industrial do mundo? Depende dos Srs. Parlamentares, empresários e industriais nos ajudarem a construir e integrar aquela região ao mapa do Brasil.

A geopolítica da Amazônia precisa ser revista. Temos proposta que tramita na Casa que solicita autorização plebiscitária para criar o Estado de Carajás. O Pará tem 1,248 milhão quilômetros quadrados — 70 vezes maior que Sergipe e 40 vezes maior que Alagoas — é quase um continente.

Sr. Presidente, convido V.Exa. e todos os Deputados para conhecer Marabá e, quem sabe, nos ajudar a construir mais um pouco do Brasil.

Muito obrigado.

(PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO GABINETE)
O SR. GIOVANNI QUEIROZ (Bloco/PDT-PA. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o meu pronunciamento é uma homenagem que faço aos 94 anos do Município de Marabá.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como não teremos sessão no dia de amanhã, não poderia de deixar de registrar na Tribuna desta Casa o transcurso comemorativo de 94 anos de emancipação político-administrativa do Município de Marabá, a mais importante cidade do Sul do Pará.

De viva voz, gostaria de parabenizar o bravo povo marabaense, na pessoa do Prefeito Sebastião Miranda Filho, e seu Vice-Prefeito, o jovem e dinâmico empresário Ítalo Ipojucan, companheiro de lutas do nosso glorioso PDT.

Marabá começou a ser povoada em 1894, quando chegou à região o Coronel Carlos Leitão e fundou uma colônia agrícola próximo ao Rio Tocantins. Em 1898 seus habitantes construíram um Barracão Comercial que chamaram de Marabá.

Emancipada em 1913, Marabá passou por vários ciclos que sustentam sua economia até os dias de hoje. Começa com o ciclo da borracha, depois torna-se o maior exportador de castanha-do-pará do mundo até chegar ao ciclo mineral.

O desenvolvimento acelerado sempre se identificou com aquela rica região. Hoje, como principal pólo Siderúrgico do norte-nordeste brasileiro, Marabá tem a responsabilidade de dirigir com inexcedível espírito público, os desígnios e anseios populares que resultam em melhor qualidade de vida, emprego e renda.

Seu desafio maior será ser capaz de fazer da matéria bruta do minério de ferro e outros explorados na Província Mineral de Carajás o produto com maior valor agregado. A instalação de aciarias, montadoras, fábricas de autopeças se faz necessário, com a devida escala para que haja competitividade desses produtos no mercado globalizado.

Minha homenagem traduz a admiração e o respeito de que são merecedores todo os marabaenses que, com a riqueza do trabalho, da inteligência e a vontade obstinada de vencer, oferecem-nos quotidianamente o testemunho emocionante, a par desse inegável sucesso, e busca da cidadania plena a que todos os povos têm direito.

Recebam, pois, todos os marabaenses os parabéns desta Câmara dos Deputados, pelo dia em que lhes prestamos as homenagens de que são merecedores.

Muito obrigado.

Deputados homenageiam 94 anos de Marabá

Deputado Federal Wandenkolk Gonçalves (PSDB-PA)
Hoje é um dia muito importante para todos nós, paraenses, em especial para o povo do Município de Marabá, em que Marabá completa 94 anos de emancipação política e administrativa.

Marabá é referência não só no Estado do Pará, mas também em todo o Brasil, como um município pujante na sua economia, que tem uma característica toda especial na sua cultura e no seu dinamismo.

O nosso município abriga gente de todos os rincões do País. Aliás, poder-se-ia dizer que Marabá é a síntese do Brasil. Paranaenses, gaúchos, capixabas, nordestinos, mineiros, paulistas, goianos foram para nossa terra nos ajudar a crescer e a desenvolver nosso município.

Marabá sofreu uma enorme explosão demográfica. Foram criados vários bairros, aumentando, significativamente, sua população, tais como, Cidade Nova, São Félix, Nova Marabá e Marabá Pioneira, que se integraram aos outros bairros, como Morada Nova, Santa Rosa, Amapá e Cabelo Seco. Enfim, há tantos outros bairros pujantes, como o Novo Horizonte e Liberdade, que fazem de Marabá uma referência não apenas para o Pará, mas também para todo o Brasil.

Falo da Marabá das belezas naturais, da Marabá da Praia do Tucunaré, da Marabá do Rio Tocantins, da Marabá do Rio Itacaiúnas, da Marabá do saudoso Pirucaba, da Marabá da base econômica que começa a contribuir significativamente para a balança comercial do País, da Marabá do distrito industrial, da Marabá da verticalização mineral, da Marabá dos commodities minerais, da Marabá do ferrogusa, da Marabá dos minérios, enfim, da Marabá que passou vários ciclos contribuindo com esta Nação: ciclo da borracha, da castanha, da madeira, do ouro, dos diamantes.

Tudo isso faz de Marabá um município importante e significativo no contexto da Nação.
Mas Marabá, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, precisa ter, por parte do Poder Público, quer seja estadual, quer seja federal, uma contribuição e o reconhecimento da importância que tem no contexto desse desenvolvimento. É preciso que se olhe com bastante atenção as dificuldades de se implantarem projetos em áreas distantes da Capital brasileira e as diversidades regionais.

Marabá precisa, para o seu desenvolvimento, de projetos infra-estruturais, que alavanquem a cultura. Temos o Festival da Canção Marabaense, a Feira da Indústria e do Comércio, o Maraluar, que é uma beleza, um ícone dentro do projeto cultural do País, mas Marabá precisa, principalmente, de uma atenção para a educação. Sras. e Srs. Deputados, viemos à tribuna pedir a V.Exas., que representam vários Estados do País, que nos ajudem a aprovar um projeto,que seria um verdadeiro presente para aquela gente, para o nosso Estado e para a Nação: a criação da Universidade Federal do Carajás.

Sabemos, Deputado Paulo Piau, que o seu Estado, por exemplo, tem mais de 10 universidades, exatamente 12. Não mudaremos a situação de um povo, não mudaremos um projeto político, um projeto econômico, um projeto social se não estivermos fincados em um projeto educacional.

Marabá, que já contribuiu tanto e continua contribuindo com a Nação, precisa desse reconhecimento, para que possa cognominar-se Marabá, a cidade universitária do Norte do País. Marabá precisa, enfim, que se dê atenção à verticalização mineral e precisa de profissionais nessa área, como também, na área do agronegócio, uma pujança grande, na área da cultura, da educação, até para a formação de professores, na área das Ciências Exatas, da matemática, da química, da física, para justamente vir ao encontro do que prega o FUNDEB, para que possamos alavancar a cultura através da educação.

Portanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, volto mais uma vez a pedir encarecidamente a cada uma das senhoras, a cada um dos senhores, que nos ajudem em um espaço de tempo bem curto, em urgência urgentíssima, a criar a Universidade Federal do Carajás. Estamos fincando ali a futura ponte, a futura pedra do Estado do Carajás, tendo Marabá como Capital. Não tenho dúvida alguma de que o povo haverá de reconhecer essa possibilidade política concreta de desenvolvimento do País.

Sempre repito que nós no Pará temos uma maneira de contribuir com o desenvolvimento do País, é desenvolvendo nosso próprio Estado. Só se desenvolve um Estado desenvolvendo seus municípios.Peço a V.Exa., Sr. Presidente, que insira nos Anais da Casa um documento trazido pela Secretaria de Cultura de Marabá que tem, no seu bojo, o Hino de Marabá. Precisamos realmente fazer-lhe referência, para mostrar que nós, da Amazônia, não somos problemas, somos soluções para o País.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

Senador Mozarildo é o relator da criação do Carajás no Senado



O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) foi designado pelo presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, do Senado Federal, senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), como relator do PDS 00052/2007, de autoria do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) que autoriza a criação do Estado do Carajás

Porta-voz diplomata

Diplomata da missão do Brasil na ONU é o novo porta-voz da Presidência

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Antônio Cruz/ABr

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, no Palácio do Planalto, anuciou o novo porta-voz da Presidência da República, o diplomata Marcelo Baumbach, que substitui André Singer

Brasília - O diplomata Marcelo Baumbach, 40 anos, é o novo porta-voz da Presidência da República. Ele substitui André Singer, que solicitou saída do governo. O novo porta-voz foi anunciado na manhã de hoje (4) pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, no Palácio do Planalto.


Em uma breve declaração, o novo porta-voz disse que a tarefa será árdua, mas trabalhará com todo profissionalismo.


"Eu tenho a plena confiança que com colaboração de todos vocês [jornalistas] nós vamos poder desenvolver um bom trabalho e obter aquele que é o nosso objetivo, que é levar ao povo brasileiro uma informação fidedigna, informação de qualidade sobre aquilo que o governo está fazendo", afirmou Baumbach.


Nascido em Porto Alegre, Baumbach é formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 1990, ingressou no Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, e começou a carreira de diplomata na Divisão das Nações Unidas do Itamaraty, em 1992. Três anos depois assumiu posto na Delegação Permanente do Brasil nas Nações Unidas, em Genebra.


Participou ainda da Delegação Permanente do Brasil na Associação Latino-Americana de Integração, em Montevidéu, no Uruguai. Desde 2004, integra a Missão Permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Fez parte da equipe brasileira no Conselho de Segurança da organização de 2004 a 2005.

Vejam o custo da gasolina

Circulando pela Internet achei essa pérola.

Beleza de país!

Composição do preço gasolina (reais):
» Gasolina ("A") 800ml (pura, vendida pela Petrobrás) = R$ 0,80
» Álcool Anidro 200 ml (20% misturado à gasolina) = R$ 0,24
TOTAL = R$ 1,04 / Litro
Acrescente:
» CIDE - PIS/COFINS (Imposto Federal) = R$ 0,44
» ICMS (Imposto Estadual) = R$ 0,64
TOTAL DE IMPOSTOS (104% do Preço Bruto) = R$ 1,08

Até aqui: CUSTO + IMPOSTOS = R$ 2,12
Falta ainda:
» LUCRO DA DISTRIBUIDORA (Média por Litro) = R$ 0,08
» FRETE (Média por Litro) = R$ 0,02
» LUCRO DO POSTO (Média por Litro) = R$ 0,25

Finalizando:
Valor do litro na bomba, COM IMPOSTOS = R$ 2,47
Valor do litro na bomba, SEM IMPOSTOS = R$ 1,39

Portanto, se você consome 200 litros de gasolina por mês, o bolo fica dividido assim:
» O dono do carro (otário 01) gasta R$ 494,00
» O dono do posto (otário 02) lucra R$ 50,00
» O dono do caminhão (otário 03) transporta por R$ 4,00
» A PETROBRÁS (ao menos trabalham...) lucra R$ 16,00
» O GOVERNO (nem um pouco otário...) fica com: R$ 216,00

Deveríamos comemorar a "auto-suficiência" em roubo também. Nós produzimos em casa nossos próprios corruptos...

BRASIL: UM PAÍS DE TOLOS!!!

Ineficiência logística causa prejuízo de R$ 3 bilhões por ano

Custo Brasil

Os números foram apresentados durante o Fórum de Logística, em mesa-redonda coordenada pelo presidente da Federação das Empresas de Transportes do Espírito Santo, Luiz Wagner Chieppe.

A região que abrange os Estados do Espírito Santo, Goiás e Minas Gerais perde aproximadamente R$ 3 bilhões por ano em função da ineficiência logística causada pela falta de infra-estrutura. De acordo com o presidente da Federação das Empresas de Transportes do Espírito Santo (Fetransportes), Luiz Wagner Chieppe, esta informação é um dos resultados de um estudo realizado em parceria pela Companhia Vale do Rio Doce e pelos Governos dos três Estados. O dado foi revelado na manhã de hoje, durante debate coordenado por Chieppe, no Segundo Fórum Empresarial de Logística e Infra-Estrutura, que está sendo realizado no Centro de Convenções de Vitória, desde a manhã de hoje, e terminará amanhã.

Chieppe, também coordenador do Conselho de Logística da ONG Espírito Santo em Ação, destacou a importância do Eixo Logístico Centro-Leste para o desenvolvimento dos três Estados que o complexo abrange. Na sua avaliação, a adoção de medidas que promovam adequações às rodovias, às ferrovias e aos portos tornará a região muito competitiva nacional e internacionalmente.

“Para isso, está havendo a união entre os governos dos três Estados, que já assumiram compromisso público neste sentido, bem como das bancadas federais e das Federações de Transportes, da Agricultura e da Indústria, além de empresários dos três Estados”, afirmou. O presidente da Fetransportes ressaltou a contribuição das vocações de cada Estado neste processo: prestação de serviços de comércio exterior (ES), siderurgia (MG) e agronegócio (GO).

Portos

Em relação à questão portuária do Estado, Chieppe enfatizou que o Espírito Santo já é muito competitivo com a estrutura atual, apesar da escassez de investimento público nesta modalidade de transporte. “A atual administração estadual e o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pelo Governo Federal criaram grande expectativa de aplicação de recursos para melhorar esta infra-estrutura”, afirmou.

Chieppe disse considerar essencial o planejamento de um porto adequado para a movimentação de contêineres no Estado. Ele também frisou a necessidade da realização de obras para atenderem às demandas de transporte relacionadas à produção de grãos do Cerrado e aos negócios do setor de petróleo.

Rodovias


O presidente da Fetransportes revelou expectativa quanto ao plano de investimentos para os próximos anos anunciado pelo Governo para as rodovias estaduais, e destacou também a urgência das obras de duplicação das BRs 101 e 262. “Este traçado está superado”, afirmou, enfatizando a necessidade de o Estado interiorizar seu desenvolvimento.

Na análise de Chieppe, a infra-estrutura logística é um fator decisivo para o crescimento de um País. “A realidade mundial nos mostra que só estão se desenvolvendo as nações que investem nesta área”, afirmou. Gestores do passado nos deixaram uma conta muito alta para pagar: problemas e falta de planejamento. Por isso, hoje precisamos realizar o presente e planejar o futuro ao mesmo tempo”.

A Cultura, o IBGE e o MinC

Publicado no jornal Correio Braziliense, o artigo intitulado "A Cultura, o IBGE e o MinC", denuncia os projetos de mediocrização da cultura brasileira que o MinC vem implantando com base em pesquisa do IBGE (que eu qualifico de estelionato estatístico).


A Cultura, o IBGE e o MinC

* Jorge Antunes (maestro, compositor, professor titular da UnB)

Quando o IBGE inventou nova metodologia para cálculo do PIB, lembrei-me do diferencial delta da Proconsult, que dava a derrota a Brizola nas eleições para governador do Rio em 1982. Presenciamos, recentemente, a abertura do espetáculo do crescimento brasileiro: da noite para o dia pulamos um ponto acima na classificação mundial da economia.

Já há algum tempo o IBGE vem aplicando passes de mágica em seus cálculos. O Ministério da Cultura tem feito uso de dados esdrúxulos do IBGE para implementação de sua política cultural nefasta. A análise das políticas culturais do MinC torna evidente seu objetivo: ampliação dos mercados com vistas à auto-sustentabilidade da prática cultural, para que o Estado abandone de vez o cumprimento ao preceito constitucional de apoio à Cultura.

Só podem ser auto-sustentáveis as práticas culturais de massa em que a cadeia produtiva se sucede num infindável círculo vicioso de exploração capitalista, com o império da mediocridade. A ignorância e a ingenuidade atraem o capital estrangeiro. É isso que interessa ao governo Lula.
Assim, é preciso que se extingam as orquestras sinfônicas, que não se combata o turismo sexual, que se acabem as temporadas de ópera e que se precarize o ensino superior gratuito.

Essa opção política é danosa para a diversificada cultura brasileira, porque os eventos artísticos de pequeno público são exatamente aqueles cujas inovacões estéticas são os alicerces da arte do futuro. A história mostra que obras de arte de pequeno público, feitas por artistas inovadores, tornaram-se rentáveis algumas décadas depois. A Villa-Lobos não bastaria o talento: foi preciso o apoio do governo estadonovista para que, hoje, sua obra pudesse vir a ser a que mais arrecada direitos autorais para o Brasil.

Para abalizar sua política, o MinC impõe nova palavra de ordem nos círculos de artistas: a economia da cultura. Na medida em que são escassos os grupos de artistas organizados, o Minc organiza-os, induzindo e apoiando a montagem de feiras, fóruns e câmaras setoriais onde, impositivamente, o tema é discutido.

Para vender seu peixe, o MinC se apoia em dados do IBGE dizendo que a cultura é o quarto item de consumo das famílias brasileiras e que as atividades culturais já movimentam 7,9% da receita líquida do país.

Quem se debruça nos documentos do IBGE e, em especial, no Sistema de Informações de Indicadores Culturais, se dá conta da grande farsa procosultiana que vem sendo montada para que, definitivamente, se mediocrize a cultura brasileira.

Segundo a mencionada pesquisa do IBGE "as famílias brasileiras gastam em média com cultura R$ 115,50 por mês, dos quais R$ 50,97 com telefonia, seguida pela aquisição de eletrodomésticos ligados à área cultural (R$ 17,25) e atividades de cultura, lazer e festas (R$ 13,82)".

O grande estelionato estatístico se revela ao estudarmos a metodologia do IBGE no trato do fenômeno cultural. As atividades econômicas direta e indiretamente relacionadas à cultura deveriam ser aquelas ligadas aos costumes, ao lazer e às artes. Assim, os itens deveriam estar ligados ao livro, ao rádio, ao vestuário, à televisão, ao teatro, à música, às artes visuais, ao espetáculo, às bibliotecas, aos arquivos, aos museus, ao patrimônio histórico, etc.

Os quadros do IBGE bem esclarecem as razões de tão surpreendentes conclusões. O telefone está lá presente, como item decisivo da economia da cultura. Só agora compreendo porque é difícil implantar-se a proibição de telefones celulares nos presídios. Isso certamente prejudicaria a economia da cultura.

Nas tabelas do IBGE existem outros itens estranhos, relacionados como atividades do setor cultural: computadores, telefones, artefatos para caça, reparação e aluguel de veículos automotores, pesquisa de ciências físicas e supervisão de joalheria.

Para a pesquisa de orçamentos familiares, o IBGE considerou itens também
curiosíssimos: datilografia, casamento, aluguel de cadeira de praia, curso de primeiros socorros, cópia xerox, taxa de instalação de interfone e curso de mecânica em refrigeração.

Estranhei a ausência de um item importante para a economia da cultura: a fabricação de vidro para janelas de automóveis. Somos inúmeros os cidadãos brasileiros que usamos a janela de vidro do carro para nos protegermos dos ataques sonoro-culturais de motoristas. Eu, pelo menos, aciono imediatamente o vidro de meu carro quando, ao lado, outro carro toca um som funkiano em último volume.

Politizou e saiu

RUTH VILELA DEIXA SECRETARIA DE INSPEÇÃO DO TRABALHO

O GLOBO - 04/04/2007

Criadora da lista suja de exploradores de trabalho escravo, é contra indicações políticas no ministério

Evandro Éboli

BRASÍLIA. Responsável pela criação do Grupo de Fiscalização Móvel e pela lista suja com nomes de empresas e fazendeiros exploradores de trabalho escravo, a auditora fiscal Ruth Vilela pediu demissão do cargo de secretáriade Inspeção do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho. Ela saiu porcausa da nomeação do presidente do PDT, Carlos Lupi, para o ministério.

Insegura em relação à gestão de Lupi e preocupada com a declaração dele de que vai preencher os cargos com indicações políticas, Ruth decidiu deixar asecretaria. Com ela saem seus dois principais assessores: Edgar Brandão, chefe da Divisão de Apoio à Fiscalização Móvel), e Marcelo Gonçalvez.

Servidora do quadro permanente do ministério, no qual entrou por concurso, Ruth voltará para Minas Gerais. Ela ocupou a secretaria pela primeira vez no governo Fernando Henrique, mas deixou o cargo na segunda gestão do ex-presidente por não concordar com a política do ministério. Voltou no primeiro mandato do presidente Lula, quando ele anunciou o Plano Nacional de Erradicação do trabalho escravo, em 2003. Na ocasião, Ruth foi citada e elogiada por Lula. Ontem, ela não quis comentar sua saída.

Em 2005, o governo brasileiro foi citado como exemplo positivo no documento "Uma aliança global contra o trabalho escravo", da Organização Internacionaldo Trabalho (OIT). Entre os países que se destacaram na publicação, Lula foi o único presidente citado. O número de trabalhadores libertados saltou de 6mil, nos oito anos de governo Fernando Henrique, para 23 mil, até o iníciodeste ano.

A coordenadora nacional do Combate ao trabalho escravo da OIT no Brasil, Patricia Audi, elogiou o trabalho de Ruth: - Foi a precursora do grupo móvel e, sob sua gestão na secretaria, o Brasil
alcançou reconhecimento internacional no combate ao trabalho escravo.

A partir do cadastro da lista suja, divulgado a cada seis meses, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) fez descobriu que 70% dessas terras eram ocupadas irregularmente. Fazendeiros foram condenados e, em alguns casos, obrigados a pagar indenização.

O governo não obteve apoio do Congresso à proposta que destina à reforma agrária terras onde há trabalho escravo.

Nota do Blog: Essa senhora quer politizar de maneira irresponsável essa questão. O tempo dirá.
É de interesse dos empresários sérios do setor a erradicação, o mais breve possível do chamado trabalho escravo. Aliás, essa definição não existe na Constituição, é apenas um recurso de marketing para combater uma prática trabalhista absolutamente inaceitável.
A quem cabe definir o que é trabalho escravo é o Congresso Nacional e ele não o fez, simplesmente porque não existe esse ente jurídico.

Novos números da safra brasileira 2006/2007

Conab divulga novos números da safra
Daqui a pouco, às 11h00, sai o resultado atualizado do sétimo levantamento da safra de grãos 2006/07 que será anunciado pelo presidente da Conab, Jacinto Ferreira. A coletiva à imprensa será no edifício-sede da Companhia, aqui em Brasília.

Para atualizar os números da pesquisa, cerca de 70 técnicos estiveram em campo no período de 19 a 23 de março. Eles entrevistaram agricultores, representantes de cooperativas rurais e de órgãos públicos e privados das principais regiões produtoras. A safra atual está estimada em 127,7 milhões/t.

Ajude a eleger o Cristo Redentor


O Cristo Redentor, magnífica estátua que embeleza o Rio de Janeiro, é uma das opções (única brasileira) que o internauta tem disponível para votar nas novas 7 Maravilhas do Mundo.

Para você ajudar a votar no "Cristo Redentor" clique aqui.

Comitê do Orçamento

Foto: Divulgação





















Designado pelo Líder do Bloco do PDT na Câmara dos Deputados, Deputado Miro Teixeira. O Deputado Giovanni Queiroz (foto acima) deve compor o Comitê de Avaliação da Receita do Orçamento Geral da União.

Queiroz é um dos maiores especialista na matéria no Congresso Nacional.

Projeções

Em 2009, estudos do Ministério da Agricultura prevêem que o Porto de Itaqui, em São Luis do Maranhão embarcará 5,6 milhões de toneladas de grãos.

O Governo investirá no PAC R$ 100 milhões naquele Porto.

A iniciativa privada já procurou o Governo Federal e, através de uma PPP, quer construir o Terminal de Grãos no Itaqui.

Amanhã, fiquem atentos, será divulgado pela Conab a nova previsão da safra deste ano. Adianto que em vez de 130 milhões de toneladas, a safra poderá atingir a cifra de 134 milhões de toneladas.

Em 2015, o Brasil produzirá, ainda segundo projeções do Ministério da Agricultura e Abastecimento, algo como 200 milhões de toneladas, sendo que 70 milhões de toneladas serão exportados.

No ano passado foram exportados 26 milhões de toneladas.

Temos 220 milhões de hectares de pastagens e outros cultivos. Se não derrubarmos nenhuma árvore e, em vez disso, investirmos pesado em tecnologia, produziremos 500 milhões de toneladas de grãos em uma década e meia.

O que falta? Vocês podem me responder?

Voltando aos grandes termas nacionais: Dinâmica espacial e rede urbana na Amazônia

Voltaremos a abordar os grandes temas nacionais neste espaço.

Selecionei o artigo "Dinâmica Espacial e Rede Urbana na Amazônia", de Cláudio Antônio G. Egler, professor de Departamento de Geografia da UFRJ. É também Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia e pesquisador do CNPq.
Trata-se e um artigo de peso, esclarecedor, informativo, técnico e que resulta aos que tiverem o cuidado de lê-lo, uma radiografia da expansão - em seus diversos matizes - do Centro em direção ao Norte. Imperdível.


Dinâmica espacial e rede urbana na Amazônia

A pavimentação da BR-163 deve ser vista quanto aos seus efeitos na reestruturação da rede urbana regional, na medida em que abre possibilidades de expansão da área de influência de Cuiabá, cujos fluxos de polarização tenderão a se intensificar em direção ao norte ...
A emergência de Cuiabá enquanto centro regional é parte do fortalecimento do papel do eixo
Brasília-Goiânia sobre a rede urbana nacional, projetando sua área de influência sobre o Centro-Oeste e o Norte, disputando diretamente com Belém e Manaus.

Claudio Antonio G. Egler

Dinâmica espacial e rede urbana na Amazônia

Apresentação

A recente concessão da licença prévia pelo IBAMA para as obras de pavimentação da Rodovia BR-163 manifesta uma nova posição do Governo Federal quanto às obras de infraestrutura na Amazônia, onde são explícitos os objetivos de promover o desenvolvimento regional, procurando controlar antecipadamente seus efeitos sobre o meio-ambiente. As obras de pavimentação estão orçadas em R$ 1,1 bilhão e serão realizadas ao longo de 873 quilômetros de extensão: da divisa MT/PA até Rurópolis/PA, perfazendo 784 quilômetros e da divisa MT/PA até Guaratã/MT, com aproximadamente 56 quilômetros; inclui também um trecho da rodovia BR 230/PA, entre o entroncamento da BR 163/PA e o município de Miritituba/PA.

A orientação adotada pelo Ministério da Integração Nacional é coerente com as propostas atuais de avaliação ambiental estratégica, instrumento de planificação adotado pela União Européia, que procura integrar políticas, programas e planos de desenvolvimento. Assim, as obras de pavimentação da Cuiabá-Santarém devem ser consideradas no contexto da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), do Plano Amazônia Sustentável (PAS) e do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável para a Área de Influência da Rodovia BR-163, que envolveu não apenas distintos ministérios, mas também é fruto de diversas audiências públicas com agentes públicos e privados, com vistas a inverter a tendência histórica de que a pavimentação de uma rodovia implantada na Amazônia seja responsável pela aceleração do desmatamento em seu entorno.

As cidades sempre desempenharam um papel importante no desenvolvimento regional, seja como núcleos de acumulação e beneficiamento do excedente agrícola, seja como centros de distribuição de bens e serviços para sua área de influência. Em suma, para a geografia regional são as cidades, através de suas ligações, que formam a armadura da região, que conferem coesão espacial como uma estrutura em rede. Recentemente, um novo aspecto vem sendo destacado quanto ao papel das cidades no desenvolvimento regional, o de "lócus" institucional, isto é, como o ambiente onde se desenvolvem os chamados ‘recursos intangíveis’, tais como capacidade inovativa, a crescente complexidade e sofisticação do trabalho, que forma o potencial social de uma comunidade, e as regras que garantem a confiança entre os agentes e as condições de negociação pactuada, chamadas genericamente de capital social. São esses elementos institucionais que respondem por boa parte da riqueza das nações e das regiões.

A Amazônia no Contexto Nacional

Em 2003, a Amazônia Legal representava 12,1 % da população e correspondia a 7,24 % do PIB nacional. Com um produto per capita de R$ 5.187,85, bastante inferior ao valor médio do Brasil (R$ 8.694,47), embora a economia regional tendesse a revelar um crescimento (80,6%) superior à média nacional (59,8%) entre 1999 e 2003, tanto devido à expansão da fronteira de recursos, como é o caso de Roraima (205,3), como ao adensamento em áreas consolidadas, como é o exemplo de Tocantins (198,9).
Para visualizar melhor os mapas clique em cima da figura.
A tabela 1 mostra que as disparidades nacionais de renda se reproduzem em escala regional, com uma variação bastante pronunciada no PIB per capita entre a porção maranhense (R$ 2.541,61), cujas características são típicas do Nordeste, até o Amazonas (R$ 9.100,31), cujos valores expressam os efeitos da concentração industrial na cidade de Manaus, em conseqüência da renúncia fiscal em sua Zona Franca.


A dinâmica espacial da Amazônia sintetiza tempos e espaços diferenciados e apresenta uma nova forma de mani- festação da questão regional no Brasil. Como apresentado no Plano Amazônia Sustentável, que ressalta a alteração do "padrão secular fundamentado na circulação fluvial e polarizado por Belém", cuja orientação foi modificada radicalmente a partir das "rodovias abertas a partir dos anos cinqüenta, atraindo o povoamento para a terra firme, abrindo grandes clareiras na floresta."

O padrão linear original vem sendo redesenhado por novos eixos de transporte e infra-estrutura ao longo dos quais se concentram os investimentos públicos e privados, os migrantes e os núcleos urbanos, gerando forte pressão sobre o meio ambiente em termos de desmatamentos, queimadas e conflitos fundiários, em faixas de cerca de 100 km de cada margem das estradas.

O adensamento da rede viária e urbana no leste do Pará, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Rondônia, no Arco do Povoamento Adensado, rompe o padrão linear ao longo da borda da floresta. Nesse território está concentrada a parcela mais expressiva da economia regional, à exceção de Belém e seu entorno e da Zona Franca de Manaus. Também concentra o maior número de focos de calor e vasta extensão de terras abandonadas. As novas frentes de expansão são pontas de lança que a partir do grande arco estendem o povoamento em direção ao interior da floresta. Sob o influxo da nova circulação, do mercado de terras e do uso extensivo da terra, a Amazônia se urbanizou, transferindo problemas sociais e ambientais para o meio urbano.

Os problemas urbanos expressam conflitos que tem origem na profunda clivagem nos níveis de renda existentes no território nacional. De um lado, migrantes originários do Rio Grande do Sul ou do Paraná, que adquirem terras para cultivos de soja, milho e arroz e conformam o novo empresariado regional; de outro, trabalhadores rurais provenientes do Nordeste, principalmente do Maranhão, com baixa qualificação profissional, recebem salários irrisórios e temporários para desentocar as terras destinadas aos cultivos com elevados níveis de tecnificação.

A extrema mobilidade da população pobre alimenta o círculo vicioso do desflorestamento, cujos principais vetores são a extração madeireira e a pecuária extensiva. Como mostra o Plano BR-163 Sustentável (pp. 28-29), a exploração florestal é uma atividade realizada de forma predatória e com baixos coeficientes técnicos, em grande parte controlada por capitais mercantis situados nos principais núcleos urbanos conectados à rede rodoviária que demanda ao Sudeste, o maior mercado consumidor mundial de madeiras tropicais. A ineficácia dos mecanismos de controle e o consumo de madeira sem certificação de origem pela indústria da construção civil são estímulos fortes ao corte indiscriminado e a resistência à adoção do manejo sustentável das florestas nativas.

A expansão acelerada da pecuária bovina foi a grande responsável pela abertura de novas terras para uso agropecuário na Amazônia. O Brasil, além de dispor de um grande mercado interno para carnes e derivados, aumentou rapidamente sua participação no mercado mundial, conquistando a liderança no setor. Entretanto, na medida em que conquista posições no competitivo mercado mundial de proteína animal, o Brasil expõe suas fragilidades internas, pois é o único país do mundo que dispõe em seu território de três áreas diferenciadas quanto ao controle da febre aftosa. Vastas extensões da Amazônia e do Nordeste estão incluídas em áreas sujeitas à aftosa, o Centro-Oeste, o Sudeste e boa parte do Sul são consideradas áreas livres da febre com vacinação obrigatória e o Estado de Santa Catarina é declarado como livre da febre sem vacinação.

Até recentemente, a criação de gado era considerada pelos proprietários de terra como um negócio de baixo risco e alta liquidez, além de demandar pouca mão de obra e parcos investimentos, exceto aqueles ligados à formação das pastagens. Hoje, no entanto, a situação está se modificando em função da necessidade de certificação de qualidade dos produtos destinados ao mercado externo, com o agravante de que a disseminação de zoonoses não respeita nem os limites políticos, nem as dimensões do plantel. Assim, um foco de febre aftosa em um pequeno estabelecimento na borda da floresta pode comprometer a produção do rebanho de todo o entorno.

O Estado do Pará é hoje uma síntese dos dilemas vividos pela pecuária bovina brasileira no que diz respeito à contradição entre as exigências de qualidade sanitária do rebanho e os baixos custos das pastagens abertas nas áreas recém desmatadas na Amazônia. Com o quarto plantel nacional, cerca de 20 milhões de cabeças, uma capacidade de processamento anual de cerca de 2 milhões de carcaças em 22 frigoríficos, sendo o quinto Estado que mais abate no Brasil, os produtores paraenses devem se contentar em atender apenas os mercados do Norte e Nordeste, tendo em vista as barreiras sanitárias que impedem a saída de boi em pé e carne com osso para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, onde estão os principais mercados consumidores do produto. Esse mecanismo faz com que a diferença no valor alcançado pela arroba de carne no vizinho Estado de Tocantins, livre de aftosa com vacinação, possa alcançar até o dobro do praticado no Estado do Pará.

A produção de grãos transformou-se em um dos principais vetores de expansão da agricultura brasileira no período recente. A tecnificação dos tratos culturais, com a utilização de sementes melhoradas, aplicação maciça de produtos químicos e mecanização das diversas fases do cultivo foi responsável por importantes ganhos nos rendimentos agrícolas, o que aparentemente permitiria inferir um arrefecimento na voracidade por novas terras, que foi a marca registrada da agropecuária no Brasil desde o final do século XIX. Entretanto, os indicadores da produção agrícola revelam um comportamento bastante diferenciado entre a soja, que se transformou no carro-chefe da agricultura brasileira, e o milho e o arroz, que a seguem na composição do produto do setor.
Os dados da tabela 2 mostram clara claramente que, entre 1995/96 e 2004, houve um expressivo ganho na rentabilidade da produção de milho e arroz, o que explica o aumento da quantidade produzida bem acima da expansão da área colhida. O mesmo não se deu com a soja, que aumentou vigorosamente sua produção graças a uma não menos voraz incorporação de novas terras. A rigidez no coeficiente técnico do cultivo da soja pode ser avaliada pela manutenção praticamente inalterada do rendimento por hectare no período considerado.

A expansão acelerada da área cultivada com soja incidiu diretamente sobre a Amazônia Legal, que hoje responde por cerca de um terço da produção nacional do grão, fortemente concentrada no Estado de Mato Grosso.Conforme aponta o Plano BR-163 Sustentável (pp. 16-17): "a marca dos anos noventa foi a expansão do agronegócio no Cerrado, com destaque para a soja, com grandes grupos econômicos explorando em grande escala esta leguminosa.
A implantação dos projetos agropecuários, a expansão do processo de colonização e a recente expansão da soja geraram uma nova configuração territorial que o Estado está consolidando. Rondonópolis, Sinop, Cáceres, Barra do Garças, Alta Floresta e Tangará da Serra tornaram-se cidades de segunda grandeza, comandadas pela capital Cuiabá, que rapidamente vai-se tornando uma metrópole regional."
Dados recentes sobre a dinâmica do cultivo da soja na Amazônia Legal (Tabela 3) mostram que a expansão da área colhida, embora ainda fortemente concentrada em Mato Grosso, que detém cerca de um quarto da superfície brasileira cultivada com a leguminosa, tende a avançar em outras unidades federativas da Amazônia Legal, espraiando-se a partir do Norte de Mato Grosso em direção aos estados do Pará, Tocantins e Rondônia, e já marcando presença em Roraima, com indicadores de crescimento bastante acelerados, embora com ainda restrita participação no conjunto da produção nacional.
Dinâmica da Estrutura Produtiva Regional

O PAS (pp. 29-33) aponta para a existência na Amazônia de dois principais sistemas de produção agropecuária bem diferenciados: patronal-monocultural e familiar-policultural. Estes sistemas de base agrária se diferenciam nas formas de tratamento do capital natural, na intensidade do uso de capital humano e social e nas proporções de uso do capital físico e do trabalho. O primeiro sistema está associado à gran- de propriedade, ao trabalho assalariado de baixa qualificação e à produção sucessiva, ao longo do tempo, de madeira e gado, muitas vezes seguida de abandono.

A atividade patronal-monocultural expande-se rapidamente. Os baixos preços das matas e as receitas provenientes da venda da madeira delas extraída reduzem o capital inicial necessário à implantação de novos pastos, permitindo rentabilidade atraente. Com o crescimento das áreas desmatadas, avança a plantação de grãos, sobretudo soja e milho. A trajetória de utilização da terra inicia-se com a madeira, prossegue com o gado e termina com pastos degradados ou com a soja. Segundo o PAS, p.29, "tanto no caso do gado, pelo extenso uso da terra, quanto dos grãos, pela utilização intensa de capital mecânico e químico, é baixa a capacidade de agregar renda diretamente e de criar capital humano, por qualificação do trabalhador, ou capital social, por indução à sua organização."

Um outro sistema de produção de base agrária articula a pequena propriedade, o trabalho familiar e a produção diversificada. A produção familiar-policultural na região Norte configura um amplo espectro de sistemas de produção.

A base familiar dessas estruturas, que procuram atender a critérios reprodutivos de segurança alimentar e diferenciação social, lhes propicia grande diversidade, tanto no plano interno aos estabelecimentos, quanto no plano das mesorregiões. Sua evolução tem seguido trajetórias distintas nas diversas regiões. Um esforço de intensificação e diversificação dos sistemas, aos quais foram se agregando diversas culturas permanentes, iniciou-se nos anos oitenta, quando a produção familiar passou a incorporar a pimenta-do-reino e a laranja no Nordeste Paraense, o cacau no Sudoeste Paraense e o café no Leste Rondoniense. Nos anos noventa, essa tendência se fortaleceu por duas trajetórias, uma que internaliza novas culturas exóticas como o maracujá, o coco, a acerola e o abacaxi, e outra que se baseia no adensamento e manejo de ocorrências naturais e em plantio de produtos nativos como o açaí e o cupuaçu. O Nordeste Paraense é importante palco dessa evolução, sendo hoje produtor destacado no cenário nacional de produtos como a pimenta-doreino, o açaí, o maracujá, a acerola e a laranja.
Ao longo da BR-163 novos centros urbanos estão se consolidando, principalmente a partir da área de maior concentração do cultivo de grãos no Estado de Mato Grosso, que corresponde aos municípios polarizados por Sorriso e Sinop, avançando até Guarantã do Norte, já nos limites com o Estado do Pará. Essa zona de transição, conhecida regionalmente como Portal da Amazônia, é palco hoje de conflitos ambientais e agrários que tendem a acentuar-se em médio prazo, considerando a valorização das terras em função da pavimentação da rodovia.
A pecuária extensiva, dominante no Portal da Amazônia, é também um vetor de conflito, pois o sul do Pará ainda é considerado como área contaminada com febre aftosa, podendo comprometer a sanidade do rebanho do estado vizinho. Pecuaristas mato-grossenses estão comprando terras no sul do Pará e procurando estabelecer mecanismos próprios de controle para garantir a qualidade do plantel, inclusive com rastreamento informatizado do rebanho.

A presença de garimpos e da extração predatória de madeiras é também um fator de tensão principalmente na Terra do Meio, uma área de cerca de 8,3 milhões de hectares entre os rios Xingu e Tapajós, no sul do Pará. A recente criação da Estação Ecológica da Terra do Meio é uma tenta tiva de garantir sua preservação, porém a confluência da BR-163 com a BR-230 (Transamazônica) em Itaituba (PA), porto fluvial no rio Tapajós, certamente sofrerá transformações com a pavimentação, apontando no sentido da consolidação dessa cidade como centro regional importante no sul do Pará.

A questão se resume em que a Área de Influência da BR-163 está sendo o cenário onde os dois sistemas produtivos estão entrando em contato direto. É o encontro da Amazônia das Águas com a Amazônia das Terras Firmes. Entretanto, não será no meio rural que esse embate se dará e sim através da dinâmica espacial da rede urbana regional, a figura 1 é bastante ilustrativa desse movimento de peças no intricado tabuleiro de xadrez da Amazônia Legal.

A pavimentação da BR-163 deve ser vista quanto aos seus efeitos na reestruturação da rede urbana regional, na medida em que abre possibilidades de expansão da área de influência de Cuiabá, cujos fluxos de polarização tenderão a se intensificar em direção ao norte, confirmando uma tendência que já foi apontada em diversos estudos anteriores. A emergência de Cuiabá enquanto centro regional é parte do fortalecimento do papel do eixo Brasília-Goiânia sobre a rede urbana nacional, projetando sua área de influência sobre o Centro-Oeste e o Norte, disputando diretamente com Belém e Manaus.

À guisa de conclusão

A Política Nacional de Desenvolvimento Regional é o instrumento principal para gerir o território em busca de maior eqüidade na distribuição dos frutos do desenvolvimento. A resposta aos desafios da gestão democrática do território na Amazônia Legal pode ser inspirada em que: "De certa forma, as políticas urbanas buscam responder igualmente a este campo de preocupações, articulando respostas desde a perspectiva da provisão dos serviços públicos essenciais e da acessibilidade das populações à sua oferta. Por outro lado, a desigual rede de cidades que organiza os sistemas urbanos regionais do Brasil é um dos mais evidentes sinais das enormes desigualdades regionais do país.

Política Urbana e Política Regional explícitas e valorizadas são indispensáveis num país que se quer menos desigual. Desta forma, os espaços não incorporados a contento pela dinâmica capitalista justificam a intervenção do Estado, que objetiva a redução das desigualdades socioeconômicas por meio de criação das condições necessárias ao desenvolvimento das atividades econômicas, inserção digna da população no mercado de trabalho, implantação de infra-estrutura e dos serviços básicos de saúde, educação, dentre outros. O fundamento da Política reside na oportunidade de que se articulem iniciativas de cunho territorial tendo em vista ampliar os níveis de coesão e integração das estruturas socioeconômicas espacialmente distribuídas". (PNDR pp.13 e 14).

Referências
Brasil, Ministério da Integração Nacional. Política Nacional de Desenvolvimento
Regional – PNDR. Brasília, agosto de 2005.
Brasil, Ministério da Integração Nacional, Ministério do Meio Ambiente.
Plano Amazônia Sustentável – PAS. Brasília, maio de 2006.
Brasil, Grupo de Trabalho Interministerial. Plano de Desenvolvimento
Regional Sustentável para a Área de Influência da Rodovia BR-163. 2ª.
Etapa de consultas à Sociedade. Brasília, março de 2005.

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