Sempre muito educado e defendendo sua posição. Quaresma respondeu-me ontem, um e-mail, em resposta a um cartão de Natal por mim enviado.
Diz Antonio Quaresma:
Muito bem.
Na tréplica. Enviei-lhe a seguinte carta:
Prezado Antonio Quaresma,
2009 foi um ano em que começamos a construir um relacionamento de amizade virtual e chegou o momento para refletirmos sobre nossas vidas, caminhos a seguir e reformulação de projetos e execuções de nossos planos de vida.
O momento é propício, uma vez que o clima natalino propicia o necessário chamamento para essa reflexão.
Sei de tua discordância conosco em relação à questão da emancipação do Estado do Carajás do Pará.
Acredite, nossa amizade é maior do que isso. Até mesmo porque, as pessoas estão acima de projetos pessoais.
Mas, permita-me, temos razões robustas para seguir em frente nessa tese.
Tão logo chegue as minhas mãos o Estudo de viabilidade econômica que encomendamos à Fundação Getúlio Vargas, você terá o privilégio de analisá-lo. Este é o marco legal que prova a nossa boa fé, para com nossos irmãos paraenses.
Note que sou paraense, minha família ajudou a construir o Sul do Pará; fui educado em Belém do Pará, mas, não é mais possível aceitarmos os desmandos do Palácio dos Despachos, ano após ano, seja que governo ou legenda partidária for.
Quase nada termos em troca de nossa contribuição na construção desse Estado.
Aliás, temos sim: migalhas!
Desde já, desculpe-me pela impertinência no assunto. Apenas para você ter uma idéia. Acordo, no meu longo dia de 12 horas de trabalho, quando chego em casa; nos finais de semana e feriados; num passeio com a família, não consigo me desligar da possibilidade da criação do Carajás.
Assim como eu, o deputado Giovanni Queiroz, o qual sou assessor de Comunicação Social, procede.
Não conseguimos vislumbrar no horizonte próximo, uma saída para os graves problemas que afligem 1,6 milhões de pessoas na área do futuro estado.
A representação política paraense, infelizmente não tem a força necessária junto ao Governo Federal de reverter o evidente e perigoso quadro de estagnação e retrocesso ao qual se encontra.
De que adianta a riqueza da Serra dos Carajás e demais províncias minerais adjacentes se só a Vale ganha com isso?
O quê, você morador de Belém, ganha com a geração de energia da Usina Hidrelétrica de Tucuruí.
Por quê a população paraense, aceita ser extorquida ao pagar, para abastecer o seu veículo - caro - flex, o litro do álcool combustível dos mais caros do Brasil!
Como posso aceitar passivamente, que o conjunto da representação política da Amazônia ter 63 deputados federais e São Paulo, 73!
Posso escrever aqui, um livro sobre os graves problemas enfrentados pelo produtor rural do Sul do Pará.
Note que, por deliberada distorção da mídia, coadunada e a serviço dos interesses escusos de setores da elite empresarial paraense, o sem terra assentado, não tem mais essa condição: ele é e deve ser tratado como produtor rural. A substância da agricultura familiar.
Meu pai, é um dos maiores especialistas em agricultura familiar e extensão rural. Ele defende investimentos proporcionais à políticas de preço mínimo e da produção levada a cabo por esse estratégico setor econômico e, prega: sem altos investimentos em assistência tecnológica e razoável logística, jamais alcançaremos uma reforma agrária decente.
Quaresma, você sabe em que situação se encontra a Emater no Pará?
Posso te responder, mesmo envergonhado: é sinônimo de decadência, desvalorização do quadro e sucateamento.
Em vários municípios do Sul do Pará, as delegacias de polícia, viaturas que a servem e combustível para fazê-las rodar são pagos com a coleta de comerciantes, empresários e contribuições da parca verba das prefeituras que se dão o luxo de fazê-lo.
As estradas fazem a alegria de grupos de assaltantes especializados.
Há pelo menos 5 anos não sei o que é uma operação desarmamento na região. Uma das mais violentas do país, como você deve saber.
As escolas públicas, estão caindo aos pedaços e em prédios alugados em sua maioria. Alugados!
Educação em tempo integral é a mesma coisa que ganhar na megasena.
Os tais hospitais regionais, não passam de prédios suntuosos, cuja terceirização do serviço é igual aquela piada do samba do inesquecível Moreira da Silva: Se segura malandro!
Não há médicos. Não há enfermeiros. Não há medicamentos. Os pagamentos atrasados aos terceirizados é constante e fonte de permanente tensão com ameaças de greves e paralisações.
Não vamos longe, caro Quaresma.
Belém está se acabando.
Há décadas a municipalidade faliu!
E tudo continua bem.
- Belém, Belém!!
Como diz a música.
Meu ouvido está desafinado.
Mas, continuarei seguindo minhas convicções. Remando contra a maré, e tenho a esperança, que um dia, todos nós, possamos reler essas frases, e dizer:
- É. Eu tinha razão.
Um bom Natal. Saúde. Dinheiro no bolso. Paz e que os teus te papariquem adoidado.
E que 2010 seja magnífico pra ti.
São meus votos.
Val-André Mutran
