Uma carta em defesa do Carajás

Antonio Quaresma é leitor do blog dos mais entusiasmados contra a emancipação do Sul e Sudeste do Pará.

Sempre muito educado e defendendo sua posição. Quaresma respondeu-me ontem, um e-mail, em resposta a um cartão de Natal por mim enviado.

Diz Antonio Quaresma:

Caro Val,
Ufa, e como esperamos boas notícias neste País, embora não tenha mais esperança. Como servo do Senhor do Universo, ainda há sempre um resquício de expectativa em dias melhores, mas com esse PT longe do Planalto e dos Palácios de Governos Estaduais.
Um abençoado Natal e um 2010 repleto de saúde, paz e realizações.
Que Deus te abençoe!
Antonio Quaresma
Belém-PA

Muito bem.

Na tréplica. Enviei-lhe a seguinte carta:

Prezado Antonio Quaresma,

2009 foi um ano em que começamos a construir um relacionamento de amizade virtual e chegou o momento para refletirmos sobre nossas vidas, caminhos a seguir e reformulação de projetos e execuções de nossos planos de vida.

O momento é propício, uma vez que o clima natalino propicia o necessário chamamento para essa reflexão.

Sei de tua discordância conosco em relação à questão da emancipação do Estado do Carajás do Pará.

Acredite, nossa amizade é maior do que isso. Até mesmo porque, as pessoas estão acima de projetos pessoais.

Mas, permita-me, temos razões robustas para seguir em frente nessa tese.

Tão logo chegue as minhas mãos o Estudo de viabilidade econômica que encomendamos à Fundação Getúlio Vargas, você terá o privilégio de analisá-lo. Este é o marco legal que prova a nossa boa fé, para com nossos irmãos paraenses.

Note que sou paraense, minha família ajudou a construir o Sul do Pará; fui educado em Belém do Pará, mas, não é mais possível aceitarmos os desmandos do Palácio dos Despachos, ano após ano, seja que governo ou legenda partidária for.

Quase nada termos em troca de nossa contribuição na construção desse Estado.

Aliás, temos sim: migalhas!

Desde já, desculpe-me pela impertinência no assunto. Apenas para você ter uma idéia. Acordo, no meu longo dia de 12 horas de trabalho, quando chego em casa; nos finais de semana e feriados; num passeio com a família, não consigo me desligar da possibilidade da criação do Carajás.

Assim como eu, o deputado Giovanni Queiroz, o qual sou assessor de Comunicação Social, procede.

Não conseguimos vislumbrar no horizonte próximo, uma saída para os graves problemas que afligem 1,6 milhões de pessoas na área do futuro estado.

A representação política paraense, infelizmente não tem a força necessária junto ao Governo Federal de reverter o evidente e perigoso quadro de estagnação e retrocesso ao qual se encontra.

De que adianta a riqueza da Serra dos Carajás e demais províncias minerais adjacentes se só a Vale ganha com isso?

O quê, você morador de Belém, ganha com a geração de energia da Usina Hidrelétrica de Tucuruí.

Por quê a população paraense, aceita ser extorquida ao pagar, para abastecer o seu veículo - caro - flex, o litro do álcool combustível dos mais caros do Brasil!

Como posso aceitar passivamente, que o conjunto da representação política da Amazônia ter 63 deputados federais e São Paulo, 73!

Posso escrever aqui, um livro sobre os graves problemas enfrentados pelo produtor rural do Sul do Pará.

Note que, por deliberada distorção da mídia, coadunada e a serviço dos interesses escusos de setores da elite empresarial paraense, o sem terra assentado, não tem mais essa condição: ele é e deve ser tratado como produtor rural. A substância da agricultura familiar.

Meu pai, é um dos maiores especialistas em agricultura familiar e extensão rural. Ele defende investimentos proporcionais à políticas de preço mínimo e da produção levada a cabo por esse estratégico setor econômico e, prega: sem altos investimentos em assistência tecnológica e razoável logística, jamais alcançaremos uma reforma agrária decente.

Quaresma, você sabe em que situação se encontra a Emater no Pará?

Posso te responder, mesmo envergonhado: é sinônimo de decadência, desvalorização do quadro e sucateamento.

Em vários municípios do Sul do Pará, as delegacias de polícia, viaturas que a servem e combustível para fazê-las rodar são pagos com a coleta de comerciantes, empresários e contribuições da parca verba das prefeituras que se dão o luxo de fazê-lo.

As estradas fazem a alegria de grupos de assaltantes especializados.

Há pelo menos 5 anos não sei o que é uma operação desarmamento na região. Uma das mais violentas do país, como você deve saber.

As escolas públicas, estão caindo aos pedaços e em prédios alugados em sua maioria. Alugados!

Educação em tempo integral é a mesma coisa que ganhar na megasena.

Os tais hospitais regionais, não passam de prédios suntuosos, cuja terceirização do serviço é igual aquela piada do samba do inesquecível Moreira da Silva: Se segura malandro!
Não há médicos. Não há enfermeiros. Não há medicamentos. Os pagamentos atrasados aos terceirizados é constante e fonte de permanente tensão com ameaças de greves e paralisações.

Não vamos longe, caro Quaresma.

Belém está se acabando.

Há décadas a municipalidade faliu!

E tudo continua bem.

- Belém, Belém!!

Como diz a música.

Meu ouvido está desafinado.

Mas, continuarei seguindo minhas convicções. Remando contra a maré, e tenho a esperança, que um dia, todos nós, possamos reler essas frases, e dizer:

- É. Eu tinha razão.

Um bom Natal. Saúde. Dinheiro no bolso. Paz e que os teus te papariquem adoidado.

E que 2010 seja magnífico pra ti.

São meus votos.

Val-André Mutran

6 comentários:

Anônimo disse...

Eu quando vejo um deputado assim empenhado em sua luta, sinto tristeza em ver deputados e senadores paulistas que não fazem nada para os paulistas.
Eu como paulistano, expresso o meu total apoio para que o Deputado, o Val e o povo de Carajas e Tocantis tenham seus objetivos realizados, pois entendo que, é de suma importância para o país e a população que vive lá, a formação desses 2 Estados.
Meus parabens pelas suas lutas.

William Guimarães disse...

Val-André,

Mesmo não conhecendo os interlocutores da conversa pessoalmente (nem você e nem seu amigo Quaresma), não posso deixar de fazer um pequeno comentário: Concordo com a clareza de suas palavras e com 99% do que você expressou de forma tão direta. Porém, um ponto citado, o qual refere-se à EMATER, não posso comungar com você...
Não concordo porque sou funcionário da mesma e participo, desde o final do Governo Jatene, de um processo re revitalização da Empresa. Foi realizado concurso público, no ano de 2004 e desde então a Emater vem estruturando cada vez mais seus escritórios locais (ESLOCs) e os aproximando cada vez mais do pequeno e mádio agricultor. Atualmente, se não me falhe a memória, a Emater está presente em mais de 130 municípios paraenses, sendo o órgão estadual de maior capilaridade atualmente no Pará.estrutura, carros, computadores, GPs e outros apetrechos necessários ao trabalho de extensionista...
Agora, é claro, ainda há muitas coisas a serem arrumadas, porém o caminho atualmente parece cada vez mais "limpo" e mais fácil de ser percorrido... O trabalho do extensionista é difícil, duro e insalubre, mas ainda assim, muito prazeroso.
Era isso que queria dizer...
Boas Festas e que sua casa seja inundada de amor divino e que o ano chegue trazendo boas novas.
Abraços fraternos.

William Guimarães.

Val-André Mutran disse...

Anônimo paulista das 11:12. Você é um nacionalista.
Ajude-nos nessa batalha.
Esclareça seus amigos sobre esse projeto.
Desde já. Muito obrigado pelo apoio.

Val-André Mutran disse...

Querido William, sei perfeitamente de teu empenho para esta que é, na minha opinião, uma das mais inportentes causas a serem defendidas em nosso país.
Em primeiro lugar, gostaria de te esclarecer que não é intenção de minha parte desvalorizar os feitos anteriores no resgate da Emater.
Pelo contrário.
Com a crítica pontual abordada, chamo a atenção para as mazelas que envolvem a questão e você bem sabe do que falo.
Em segundo lugar, vale ressaltar que a Câmara dos Deputados aprovou na o Projeto de Lei nº 5.665/2009 que “Institui a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e na Reforma Agrária – PNATER, criando o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária – PRONATER, estabelencendo em Lei, outras providênciasao assunto”.

Os deputados federais Lira Maia (DEM-PA), Giovanni Queiroz (PDT-PA) e Wandenkolk Gonçalves (PSDB-PA), foram três guerreiros incansáveis na luta e articulação para a aprovação da matéria.
Lira Maia, lembre-se, conduziu – na condição de Líder do Democratas – uma ampla discussão no âmbito da Comissão de Agricultura que resultou na elaboração de um substitutivo que veio a atender a ATER e principalmente valorizar as EMATER’S em todo o País. Também tiveram destaque participações neste debate o Deputado Wandenkolk Gonçalves (PSDB/PA), como já citei e o Relator da matéria, Deputado Geraldo Simões (PT/BA).

Segundo Lira Maia, quem conhece a história da assistência técnica sabe que o sistema já existe há mais de 60 anos no País por meio do Sistema ABCAR e depois por meio do sistema EMBRATER. Em 1990, o Governo Collor cometeu um dos maiores equívocos do País em detrimento do pequeno agricultor brasileiro extinguindo a EMBRATER. De 1990 para cá o sistema nacional ficou sem coordenação e as EMATER’S em cada Estado sobreviveram a sua maneira dependendo do Governador.

Em nosso caso. O caso do Estado do Pará, o ex-govenador Hildegardo Nunes, presidindo da Secretaria de Estado de Agricultura, realizou brilhante trabalho no primeiro governo Almir Gabriel, ao realizar um completo levantamento das necessidades do fortalecimento da EMATER no estado.

Em seu plano de trabalho, Nunes planificou a estratégia do setor para os próximos dez anos.

Simão Jatene, que considero a maior fraude eleitoral da história recente do Pará, apenas seguiu, em parte, o sólido caminho, hoje poste em pedras, de governador pescador.

Voltando aos detalhes, o deputado Lira Maia, destacou que o sistema responsável pela assistência técnica que propagna o atendimento preferencial à agricultura familiar, tem sido capenga nos últimos tempos, sobrevivendo graças à ação direta dos Estados e dos profissionais que o compõe este importante setor.

"Como extensionista que sou", disse ele na véspera da aprovação do projeto supra citado, "sinto-me atendido em todos os aspectos e tenho certeza de que o trabalho que faço hoje nesta Casa é um trabalho de defesa nacional da assistência técnica e extensão rural. Meu compromisso com a ATER se confunde com minha vida, sou nascido no Interior de Santarém/PA, oriundo do setor produtivo, portanto, nosso trabalho foi fundamental para a valorização do Sistema ATER, da estrutura de todas as EMATERES e, principalmente para garantir ao pequeno produtor todos os meios necessários para valorizar a agricultura familiar. Essa lei resgata a coordenação nacional do Sistema ATER. Essa vitória é nossa!", concluiu o deputado.
Compartilho contigo, portanto, a importância que dou à matéria.
Feliz Natal e excelente 2010 para ti.

decio berto disse...

Prezados Senhores

Conheço muito bem luto do Deputado Giovani em pro da criação do novo estado do Carajss isso já deveria ter acontecido essa e uma região rica e pobre ao mesmo tempo, vamos fazer uma corrente forte para a criação do estado do Carajas pois o Brasil vai sair ganhando com isso e o povo muito mais, mais uma vez os meus respeitosos parabens a um politico que tem um ideal e consegue chegar a os objetivos de trazer ao povo que o elegeu a resposta de uma luta seria e responsavel.

Décio Berto

salmon de paiva disse...

O problema do Pará e do Brasil é apenas 1: corrupção que começa com o Luís Inácio e desce até à acessoria do vereador do menor município. Todos querem tacar a mão no dinheiro do país. todos querem comer suntuosamente e passear e gastar o que é do povo. Mais um estado com talvez menos de 1.000.000 de habitantes é outra porta para a corrupçao. É mais um governador com suas secretarias, seu vice, mais deputados estaduais, federais e senadores com suas acessorias sem fim, todos ganhando verbas polpudas, aposentando-se como príncipes além de não resistirem a oportunidade de meter a mão no dinheiro público. E nós, nós o povo? A cada dia pagamos mais e recebemos menos. Na nossa democracia os executivos (presidente, governador e prefeito) mandam mais do que reis. Imagine se o rei da Espanha quisesse fazer o que faz o Luís Inácio ou o Arruda. Ele não tem, nem de perto as mordomias do metalúrgico presidente. Mandar, os reis europeus não se atrevem. Quem manda é o parlamento. Temos um rei leigo e semi analfabeto, partidário do que há de pior na política do mundo ( Chaves, Fidel, Ahmadinejad, Batisti e outros)que não sabe do que se passa no Pará. Verbas são votadas e diluídas no caminho sem nunca chegar ao povo. Ficam sempre nas mãos dos "nobres" que de nobreza nada têm. Criar um estado resolve no papel, mas a conta para o resto do país pagar será alta. É preciso sim honestidade. Criação de Leis que deixem o judiciário rápido. Um legislativo que se ocupe em legislar em vez de ficar fazendo discurso enaltecendo um artista, político, escritor e outros que faleceram ou que estão em alta. É deprimente assistir a TV câmara ou a TV senado e ficar ali vendo parlamentares tratar de assuntos que nada interessam ao povo. É preciso mandar esses vag. trabalhar. É preciso que os deputados e senadores ensinem o povo a exigir deles e do poder executivo. Sei que meu comentário não será publicado, mas é isso aí o que eu queria dizer. Se a gente for pensar nos termos dos defensores da criação do Estado do Carajás, teríamos de criar, talvez, mais de uma centena de estados neste nosso querido Brasil!