
Brasília - Governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, e vice-presidente da República, José Alencar, durante abertura do 1º Simpósio Amazônia e Desenvolvimento Nacional Foto: José Cruz/ABr

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| Milícias tinham fuzis M-16, Ruger e FAL, pistolas automáticas e doze escopetas |
Duas operações no estado do Pará resultaram na prisão de 130 pessoas e na apreensão de um verdadeiro arsenal de guerra. Na Operação Constelação, realizada na cidade de Cumaru do Norte, no Sul do Pará, a Polícia Federal apreendeu várias armas em poder de uma milícia que fazia a proteção da fazenda Estrela de Maceió, invadida por sem-terra. Com os milicianos foram aprendidos um fuzil M-16 e um Ruger – ambos de fabricação americana – um fuzil FAL, de uso exclusivo do Exército; quatro pistolas automáticas e doze escopetas. Juntamente com o arsenal, foi apreendida farta munição.
Além do armamento, os policiais encontraram no interior da fazenda uniformes camuflados, capuzes, rádios transmissores e um aparelho de comunicação por satélite. Duas pessoas foram presas em flagrante acusadas de atuar na milícia.
Nos últimos anos, a fazenda sofreu várias invasões organizadas por movimentos de sem-terra da região. Segundo a Polícia Federal, os proprietários, Fernando Lyra de Carvalho e Jefferson de Lima Araújo Filho, mantinham o grupo armado que tinha como função expulsar os invasores. Os empresários alagoanos serão investigados e poderão responder pelos crimes de formação de quadrilha, porte ilegal de armas e contrabando, já que parte do armamento é de fabricação estrangeira e comercializado por traficantes de armas.
A polícia investigará, ainda, se a milícia vendia serviços de proteção para outros fazendeiros da região. O sul do Pará vive uma onda de invasões de terras e o grupo é suspeito de fazer patrulhas nas fazendas que estavam na mira de sem-terras e de outros grupos armados, especializados em invadir propriedades e depois cobrar pedágio para liberá-las. Duas pessoas foram presas, mas acredita-se que pelo menos vinte trabalhavam na milícia.
Bandos - Em outra ação, cerca 130 pessoas foram presas nesta segunda-feira em uma operação realizada pela Polícia Civil e Militar do Pará. Os detidos faziam parte de bandos armados que tomavam de assalto fazendas na região de Redenção, no Sul do estado, e cobravam dos fazendeiros para desocupar as áreas. Juntamente com eles foram apreendidas mais de 40 armas – incluindo arsenal de uso exclusivo das forças policiais –, além de farta munição. A chamada Operação Paz no Campo, contou com 350 homens e envolveu quarenta veículos e dois helicópteros.
A ação policial se concentrou na fazenda Forkilha, que foi invadida em setembro passado pelos integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP). Há duas semanas, VEJA publicou a reportagem Faroeste no Pará, que revelou os métodos usados pelos integrantes da LCP para arregimentar invasores e ameaçar os fazendeiros. E a origem do movimento, que foi criado a partir de organizações ligadas à remanescentes do grupo terrorista peruano Sendero Luminoso.
Na operação iniciada ontem, os policiais apreenderam ainda documentos que comprovam que a LCP fez um cadastro de invasores nas cidades da região – a maioria donos de casas nas cidades – e que eram cobradas mensalidades para que os interessados em terras pudessem permanecer na invasão, conforme revelado pela reportagem de VEJA.
Em nota, o governo paraense afirmou que a operação não tem data prevista para terminar e que os policiais só deixarão a área depois que os 22 mandados de prisão forem cumpridos. "O governo não vai tolerar tentativas de poder paralelo que desrespeitem o estado de direito, a tranqüilidade democrática", diz a nota distribuída pela assessoria de imprensa do governo do Pará.
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| A caboquice da vez e a falta de educação |
João Carlos Pereira
Cada tempo tem a caboquice que merece. Ou, com alguma generosidade, pode até não merecer, mas tem, o que vem a ser quase a mesma coisa. Nos anos 80, a moda eram aqueles relógios com pulseira de plástico e mostrador digital, que apitavam a cada hora. Ibrahin Sued tinha horror àqueles monstrengos de R$ 1,99, que viraram febre, neste país metido a besta. Numa terra cheia de 'rolex', com certificado de garantia ou com selo de legítima falsificação, um relógio ordinário não deveria ser páreo para suas excelências ou assemelhados. Pior que foi. Nunca o Brasil esteve tão caboclo como naquele tempo, em que os relógios quebravam a tranqüilidade das apresentações teatrais (era tanto apito quase ao mesmo tempo...) ou de qualquer lugar onde houvesse mais de cinco pessoas com relógio no pulso. Graças a Deus esse tempo acabou. E quando todo mundo achava que a paz havia voltado aos ambientes coletivos, eis que aparece o celular que, agora, passou a ter toques histéricos. A caboquice está de volta e trouxe com ela a falta de educação.
Os toques histéricos, alucinados, destrambelhados e tremendamente inconvenientes chegaram com as novas tecnologias. É possível baixar do computador os toques mais absurdos. Os piores são os que trazem músicas estridentes, que invadem qualquer ambiente, em altíssimo volume, eliminando a mínima possibilidade de paz. Quando um celular desses toca, tenho a sensação de que um ser totalmente descontrolado, tomado por uma fúria animalesca, enfiou o pé na porta e começou a berrar impropérios, colando uma frase na outra, desrespeitando quem quer que esteja presente com sua voz esganiçada. O dono do aparelho, satisfeito (só pode ser satisfeito) com a súbita notoriedade, ainda demora a atender a ligação, o que faz aumentar a sensação de que o barulho dessa aparelhagem de bolso não vai terminar jamais.
Esses toques medonhos são páreo-duro para uns que, no lugar da música, trazem algum mentecapto berrando repetidas vezes para que o telefone seja atendido. Ou, então, o telefone toca e uma criatura avisa que vai irritar o dono do aparelho. Talvez o recado de que isso iria acontecer tenha sido dado há algum tempo e ninguém pôde perceber, justamente por causa do barulho. Quando começaram a ser instalados nos carros potentes alto-falantes, desses que fazem a praia do Atalaia virar ante-sala do inferno, ficou no ar um sinal de alerta: boa coisa não estava para vir. Olha aí o que chegou...
Não sei mais o que falta ser inventado para aperrear uma pessoa como eu, que gosta do silêncio e despreza tanta tecnologia. Minha mulher tenta me explicar que isso é mais um modismo e que vai passar. Imagino que tenha razão, mas fico imaginando quanto tempo ainda terei que esperar para que os toques de celular, ou qualquer outra coisa que venha a aparecer em seu lugar, retornem ao equilíbrio. É sonho, eu sei, porque o mundo pegou o caminho sem volta da agonia, do estresse, da pressa e não tem interesse em retornar.
Tenho consciência de que é difícil viver sem celular, mas há pessoas que não querem nem saber desse aparelhinho. O Caetano Veloso é um. Acho que a gente passava muito bem sem ele, mas já que está aí, - e para ficar - paciência. O jeito vai ser conviver com a perturbação até o fim. Mas suportar os toques sinistros é pedir muito da vida, que poderia ser mais simples e mais silenciosa. O problema é que a gente descobre mil maneiras de enrolar a existência e depois fica reclamando. O ser humano é mesmo muito complicado. E com celular barulhento fica pior.
| “Caboquice” não é coisa de caboclo! |
Poucas vezes apanhei tanto, via e-mail, como, na semana passada, quando escrevi sobre a nova caboquice, temperada com falta de educação, que são os absurdos toques de celular. Me senti um Diogo Mainardi. Só faltou aparecer quem me ameaçasse com processo por haver ousado 'atacar' a etnia cabocla. Procurei explicar a quem me escreveu, reclamando por haver 'falado mal' dos caboclos amazônicos, o sentido da palavra 'caboquice'. Como ninguém voltou a brigar (houve até gente muito educada, que escreveu, agradecendo a explicação), imagino que tenham encerrado o assunto. Mas não posso deixar uma questão no ar, presa apenas pelo fio da intolerância e da incompreensão, que pode romper-se e espalhar ao vento palavras que não disse e idéias que não tenho.Quando escrevi 'caboquice', não liguei o sentido de uma palavra que não existe no dicionário - a não ser no Papa-Chibé, do querido comendador Raymundo Mario Sobral - ao termo 'caboclo'. Caboclo é filho de índio com branco ou, então, apenas índio de pele cor de bronze. Pode ser, também, o caipira, o roceiro ou o sertanejo bronzeado. Os garimpeiros sabem que o seixo tinto por óxido de ferro é chamado de caboclo. A palavra surgiu no Tupi Guarani e sua origem é caá + boc. Quando alguém quer falar algo a respeito, em respeito ou em defesa dos caboclos está usando caboclismos. Nunca caboquices.
Se tivesse existido, por menor que fosse, o propósito de dizer que caboquices são gestos dos caboclos, teria construído a ponte certa e escrito 'caboclices' e não caboquices. Portanto, nada a ver uma coisa com outra. Nossos caboclos não cometem coboquices, pelo único motivo de que são apenas caboclos, gente simples e natural, pessoas boas e espontâneas, criaturas que vivem sua vida e só se preocupam com os outros, quando o assunto é solidariedade. Caboclos são amigos, corretos, decentes e, sobretudo, autênticos. São desconfiados porque sabem que gente 'civilizada' não é de todo confiável. É sempre bom ter um pezinho atrás, com quem é chegado a uma caboquice. Caboquice significa breguice em último grau. Insinuar-se, oferecer-se, lançar mil indiretas para ser convidado para alguma festa de bacanas é caboquice das grandes. Exagerar no vestir, no portar-se e na maneira de falar (geralmente alto) é caboquice braba. Pessoas espaçosas, que gostam de aparentar o que não são e de exibir grandeza (podendo ou não) cometem caboquice da pior espécie. Caboclo de verdade não faz isso. Madame que compra bolsa 'falsificashion', em vez de ficar na sua, quietinha, sai por aí, com caras e bocas, jurando que adquiriu em Roma, ou, na pior das hipóteses, na Daslu, pode reivindicar o título de destaque da caboquice. Caboquice mesmo é a distinta dizer que adquiriu roupa, sapato, óculos e bolsa em Nova Iorque, doce paraíso das falsificações, certa de que ninguém conhece os endereços da pirataria. Logo aqui em Belém.... Nossos caboclos e nossas caboclas jamais fariam esse ridículo papel. São caboclos de verdade.
Espero, de coração, ter mostrado a diferença entre ser gente e ser projeto mal acabado de socialite. Caboclo possui, intrinsicamente, a grandeza da simplicidade e da verdade. Coboquices, que nada têm tem a ver com os gestos de nossa gente mais brasileira, são rascunhos grosseiros de quem não cultiva vida própria e quer, a qualquer custo, ser aquilo que a folhinha não marca, se achando, ainda por cima, o máximo. É o famoso 30 de fevereiro. Nossos caboclos autênticos estão muito além das caboquices urbanas.
Que Deus os conserve assim e nos livre das caboquices.
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O blogger ilustra as conexões motivado pelo que representa os fatos.
Represa em minh'alma o esforço da tentativa de entender o que se passa.
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