Sintonia fina

Dia pesado aqui em Brasília.

― Estou tão cansado que após um revigorante banho e um ótimo jantar, venho ao blog para fazer o que mais gosto: ler e escrever. No meio, pensar. Dividir esse pensamento e voltar a palpitar.

Não é uma boa estratégia, visto que a excitante tarefa de escrever e desenvolver um raciocínio, coloca abaixo a minha intenção de dormir cedo.

Passa das 01:34. No descarrego de uma semana de fortes emoções, findo-a com muita alegria e realização.

Nosso partido teve um crescimento extraordinário no Pará e o deputado ao qual assessoro está muito feliz por um lado, mas, muito triste, assim como eu, após os lamentáveis fatos que se deram após a consagração do resultado das urnas.

Houve em meu querido Pará, barbaridades de toda a natureza que revelam o quanto e tanto trabalho o conjunto de nossa sociedade tem por desafio diante de si.

Jogadas de efeito de derrotados. Incitação à violência de modo descabido e criminoso. Manipulação de autoridades contaminando outras autoridades. Abusos de autoridade. A mão pesada sobre inocentes desarmados... Tudo às vésperas da nossa maior alegria que é o Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

Convido os insones e muito cansados como eu me encontro agora para compartilhar o pensamento de um jornalista, que cada vez mais admiro.

Num texto delicioso, a provocação inteligente, mexe com o "imexível". Seu autor aborda um viés caro à natureza humana: quando, nós, meros mortais, poderemos alcançar em vida, a condição do que ele chama de “inxingavel”, adjetivo que naturalmente não existe, mas bem que poderia existir e que meu amigo acaba de inventar. Vamos ao texto.

Posso garantir que estou “inxingavel”

* Por Seu Pedro

Não se assustem, pois depois que o ministro Magri acrescentou nos dicionários o “imexivel”, aquele que disse que cachorro é gente, espero que ninguém mexa em minha nova palavra, pois ela tem a sua razão de ser. Explico; Não me importa que algum abusado me chame de feio, barrigudo o que estou deixando de ser, ou ainda insinuarem que sou corno, pois tenho certeza absoluta que não sou. Alguém que queira mexer comigo de alguma outra maneira eu ouço, analiso e não respondo. Assim como não me movo a revidar. Além de “inxingavel” também estou “imexivel”.

Mas outro dia me senti gravemente ofendido, não porque a referência também me atingia, mas porque foi uma afronta a todos os idosos que ouviram um locutor intempestivo falar sobre a idade de um candidato oposto ao que ele defendia, alegando que velho tem que descansar, e outros pejorativos. Senti-me ofendido naquele momento, não só por mim, mas por tantos idosos que ao ouvirem a tais tagarelices podem perder um pouco de auto-estima. Eu, por mim, só não me chamem de Ateu, pois minha confiança em Deus faz com que tudo que digam de mim, se não for verdade, se entregue na bacia das almas. Se forem verdades serão verdades, e por que então me sentiria ofendido pelas verdades que de mim disserem?

De tempos para cá, quando larguei de pensar infantil reflito duas ou três vezes antes de ofender alguém, principalmente via microfones de rádios, pois estes não são como as páginas de jornal impresso que oferecem a liberdade de revisão. Até porque por tabela posso ofendendo a algum terceiro. Se o fizer foi proposital, tal como o ex-presidente Jânio Quadros afirmava; "Filo por que quilo!" E ai minhas palavras pesarão arrobas e não quilos de cesta básica de político, cujos quilos pesam novecentos gramas. O meu ego se orgulha disto, comigo é oito ou oitenta, mas prefiro ficar nos oito. Tenho medo de ofender, embora que já fui induzido a erros, como recentemente, mas em tempo de consertá-los. Errar é humano, desumano é não se arrepender.

O cidadão se torna “inxingavel” quando se vê superior a alguma boca-louca, quando aceita e faz criticas fundamentadas, quando tem capacidade de absorver um perdão para o crítico. O mundo seria melhor se as pessoas antes de falar parassem para pensar, mas infelizmente só entramos na oficina para retificar nossas vidas após termos percorrido muitas estradas esburacadas e desvios que não nos levam a lugar nenhum. Também depois da lataria amassada é que o homem vê que as rugas do tempo, em suas faces, é uma espécie de escrita onde Deus através da natureza esculpiu nelas as nossas iras, irritações e desejos de vingança. O tempo adverte para olhar o presente com otimismo e alegria. Só assim estaremos preparados para o momento mais certo da vida. A morte!

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* Seu Pedro é o jornalista Pedro Diedrichs, editor do jornal Vanguarda, de Guanambi – Bahia, que aos 61 anos a completar em dezembro, entende que é imune às ofensas cotidianas. Ainda se olha diariamente ao espelho para ver se suas rugas aumentaram, se em sua face Deus esculpiu mais uma advertência!

2 comentários:

Frederico Guerreiro disse...

Taí. Já eu não me sentiria ofendido se me chamassem de ateu.
Abraço, Val!

Val-André Mutran disse...

A liberdade religiosa é garantida pela Constituição brasileira.

A opção religiosa é cada um e acho isso maravilhoso e tem que ser efetivamente respeitado.

Me dá nojo Fred o que vejo nesses programas evangélicos a incitação à violência e ao preconceito contra outras denominações patrocindada por certo "pastores".

Até chutar a imagem da padroeira do Brasil já protagonizaram.

Um ótimo Círio prá vocês amigo Fred, sendo ou não ateu.