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Ação contra a carne brasileira é política




Luciano Pires

AGRONEGÓCIO

Carne para exportação: irlandeses e escoceses tentam retirar produto brasileiro da Europa

Diante de mais um gesto protecionista dos países ricos, o governo brasileiro reagiu ontem duramente contra o Comitê de Agricultura do Parlamento Europeu que, na segunda-feira, propôs o embargo total e imediato da carne produzida no Brasil. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, descartou qualquer restrição aos cortes exportados à União Européia e garantiu que a indústria nacional não terá prejuízos. Segundo Stephanes, o país cumpre todas as exigências internacionais.

Influenciados por produtores irlandeses e também da Escócia, os parlamentares questionaram os níveis de segurança do rebanho brasileiro, especialmente no que se refere às condições de o país rastrear os animais e controlar focos de febre aftosa. Um relatório extra-oficial chegou a ser apresentado. “É uma ação política. Não sabemos quando e se houve visita desta missão”, afirmou Reinhold Stephanes. De acordo com o ministro, a visita estrangeira — se ocorreu — foi clandestina e não pode ser considerada isenta.

O Brasil é dono do maior rebanho comercial do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças de gado. Em 2006, foram exportados US$ 2,2 bilhões para a União Européia, principal importador. A carne nacional é consumida em mais de 150 países. A Comissão Européia, instância executiva da UE, não endossou as suspeitas levantadas pelos parlamentares. Uma missão técnica virá ao Brasil no fim do ano em um procedimento de rotina.

A comissão acompanha de perto ações brasileiras de fortalecimento ao combate das principais doenças que atacam bois. Além disso, cobra melhorias na legislação que trata de febre aftosa, exige maior rigor no controle da movimentação de animais entre áreas com e sem a manifestação da doença, e cobra uma certificação internacional à prova de falsificações, além de análises laboratoriais confiáveis.

O Brasil, conforme o Ministério da Agricultura, está muito próximo de concluir todas as modificações. A implantação do Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e de Bubalinos (SISBOV) é uma das ações prioritárias. O sistema monitora toda a cadeia produtiva da carne bovina e está em reformulação. Atualmente, há 5 milhões de cabeças de gado cadastradas. A previsão é alcançar 50 milhões até dezembro. “Temos a melhor carne do mundo. Não acho correto levantarem questões que não existem. Eles (importadores) querem que sejamos eficientes e, com certeza, seremos”, afirmou o ministro Stephanes.

Cana
Preocupado com o avanço da cana-de-açúcar sobre pastagens e áreas de grãos, o Ministério da Agricultura está elaborando um mapa com uma série restrições ao cultivo da planta em regiões consideradas sensíveis. A decisão do governo é impedir que as usinas de etanol se instalem na Amazônia e no Pantanal. “Esse mapa estará pronto dentro de um ano”, disse o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

As empresas do setor sucroalcooleiro e os próprios empresários também terão de respeitar regras socioambientais se quiserem continuar atuando. Por pressão internacional, o Brasil decidiu criar um selo de qualidade que vai abranger desde a lavoura até a industrialização e comercialização do álcool combustível. As empresas já constituídas terão de se adaptar às novas normas. Com isso, o governo pretende eliminar práticas condenáveis como a exploração de mão-de-obra barata e o desrespeito ao meio ambiente. “É uma decisão de governo, não apenas do Ministério da Agricultura”, reforçou Stephanes.

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