A última obra que compõe o conjunto arquitetônico de prédios do Eixo Monumental em Brasília era o da Biblioteca Nacional.
Inaugurada há um ano, a Biblioteca não tem um livro sequer.
Moradores e turistas procuraram o espaço para conhecê-lo, inclusive o poster. Deu com as portas fechadas.
Um morador da Asa Norte, Ezio Flavio Bazzo, não soube como explicar à visitante amiga o mico.
Não era uma visitante qualquer. A amiga de Bazzo ouviu do cicerone que se tratava de uma biblioteca sem livros, sem leitores e que há mais de um ano estava fechada aguardando o término das reflexões de seus gestores? Estudiosa da história do livro e íntima de bibliotecas do porte da Widener, de Harvard, com 90km de prateleiras e 15 milhões de livros, ela explodiu numa gargalhada. Depois, com a indignação de uma bibliólatra, assegurou ao seu interlocutor que manter uma biblioteca vazia e fechada num país ainda semi-alfabetizado não é crime muito diferente do que se cometeu contra a Biblioteca de Alexandria.
Biblioteca sem livros
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