Pular para o conteúdo principal

A lista negra do PMDB

Helena Chagas

JB

As negociações do segundo escalão continuam, mas o Palácio do Planalto já avisou ao PMDB que alguns dos nomes indicados na lista do partido não vão emplacar. Por exemplo: o ex-prefeito Luiz Paulo Conde, uma indicação da bancada do Rio, dificilmente será nomeado para a presidência de Furnas, assim como o ex-governador Moreira Franco também não deverá comandar a BR Distribuidora. O ex-senador Luiz Otávio, ligado à bancada do Senado, e o ex-deputado José Priante, sobrinho do deputado Jader Barbalho e indicado para o Ibama, também não deverão ser nomeados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conversou diretamente com os peemedebistas sobre os nomes vetados, mas fez chegar à cúpula do partido o recado de que o governo aceita negociar outros nomes, de preferência de perfil mais técnico, para esses cargos.

O PMDB, por sua vez, resolveu endurecer o jogo nos bastidores. Ontem o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves, recusou-se mais uma vez a abrir mão da presidência da CPI do Apagão Aéreo na Casa para seu partido. E não aceitou também ficar com a relatoria. A bancada peemedebista sabe que a presidência é o posto mais importante de uma CPI no começo dos trabalhos, já que cabe a seu titular submeter os requerimentos a votos, marcar sessões, marcar depoimentos, etc. Com esse poder nas mãos, o partido terá mais condições de pressionar o Planalto por suas nomeações. A indicação do próprio Henrique Alves para a direção do DNOCS, por exemplo, já foi aceita.

O nome de Conde esbarrou em três obstáculos. Primeiro, a resistência do Planalto em aceitar uma indicação da bancada que até ontem era comandada pelo ex-governador Anthony Garotinho para um cargo estratégico como a presidência de Furnas. Segundo, a desaprovação da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que trabalha para indicar um técnico. Por último, o velho desentendimento interno do PMDB. A bancada do partido no Senado - leia-se José Sarney e Renan Calheiros -, que apadrinhou a permanência de Silas Rondeau nas Minas e Energia, acha que deve indicar também todos os cargos de segundo escalão subordinados à pasta, como é o caso de Furnas. Os senadores estariam com um outro nome no bolso do colete - e ninguém se surpreenderá se esse nome for do agrado de Dilma.

Além dos nomes que constam da lista "oficial" de indicações, entregue pela cúpula do PMDB ao ministro Walfrido dos Mares Guia semana passada, os peemedebistas estão atirando em todas as direções. Ex-senadores como Amir Lando e Ney Suassuna, agora sem mandato, têm sido vistos com frequência no Senado e em reuniões do partido defendendo suas indicações. O ex-embaixador do Brasil em Portugal, Paes de Andrade, por sua vez, está sendo indicado para uma das vice-presidências do Banco do Brasil. Mas não está sendo fácil. Quase todos esses cargos já estão ocupados, sobretudo por petistas. E o Planalto está apostando na "lei da inércia política", segundo a qual é muito mais complicado desalojar alguém para fazer nova nomeação do que preencher um cargo vago em início de governo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AI 5 digital tucano é depenado

O projeto do AI 5 digital, de autoria do ex-senador e atualmente deputado federal tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG), foi drásticamente reduzido há pouco menos de quatro artigos da proposta original em tramitação na Câmara sobre crimes cibernéticos. A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, foi aprovada nesta quarta-feira (23) , mas sem a maior parte do seu conteúdo original. O relator, deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), defensor do substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 84/99, mudou de posição e defendeu a rejeição de 17 artigos da proposta reduzindo-o a 4 artigos.

O relator afirmou que a mudança foi necessária para viabilizar a aprovação da proposta. “A parte retirada precisa de aperfeiçoamentos, tanto para garantir que a liberdade na internet continue sendo ampla, quanto para ampliar os níveis de segurança dos cidadãos em uma norma que seja duradora e não fique obsoleta no curto prazo”, sustentou.

De acordo com Azeredo, os dispositivos retirados poderão …

Marconi Perillo e a desembargadora Beatriz Figueiredo Franco

Ag. Senado




















Certos apadrinhamentos políticos têm que ser defininitivamente desterrados da prática política republicana brasileira.

A justiça eleitoral do país tem nas mãos um caso em que a cassação e perda dos direitos políticos do senador e ex-governador por dois mandatos de Goiás Marconi Perillo é a punição exemplar a altura que o mau político merece após a revelação do escandaloso envolvimento com a desembargadora Beatriz Figueiredo, sua indicada ao desembargo no Tribunal de Justiça daquele estado.

Igualmente, a desembargadora tem que responder e ser for provado sua participação, punida exemplarmente. Um caso típico que deve ser analisado pelo Conselho Nacional de Justiça, caso a alta corte goiana faça corpo mole, como o fez a paraense no caso da juíza que se enrolou no caso da menor presa com homens numa cela pelo período de quase um mês.
Perillo e Franco foram pilhados em gravações autorizadas pela justiça as quais a revista Época teve acesso a trechos prá lá de comprometedores.

Num pr…

Porque Jânio Quadros condecorou Che Guevara

FUNDO DO BAÚ Blog do Chico Dias

A história vai do jeito que me foi contada por um ex-deputado do grupo janista. Que, por sua vez, a ouviu do ex-ministro Saulo Ramos, seu amigo, num momento de descontração e reminiscências.

Jânio acabava de assumir a Presidência da República e almoçava no Alvorada com José Aparecido, Carlos Castelo Branco e Saulo Ramos, seus assessores mais próximos. No meio do almoço seu ajudante-de-ordens veio lhe dizer que havia um importante telefonema dos Estados Unidos. O presidente vai até seu gabinete, demora alguns minutos e volta com uma expressão mais enigmática do que a de sempre. Diante da curiosidade indisfarçável dos três assessores, resolve abrir o jogo:

-Era o presidente Kenedy e queria me pedir um favor. Acho que vou atendê-lo.
O telefonema foi resumido assim. Kenedy explicou a Jânio que estava tentando aprovar no Congresso americano um projeto chamado Aliança Para o Progresso, mas que estava encontrando uma resistência muito grande.

Por isso pedia ao pres…