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Mostrando postagens com o rótulo Fronteira Brasileira

Missão 2 ― ataque surpresa

Cinco inimigos estão numa praia, às margens do Rio Oiapoque. O território é estratégico e ideal para instalar, na copa de palmeiras, antenas para captar conversas estratégicas. A ordem é chegar atirando. Enquanto um grupo ataca os inimigos, outro sobe nas árvores para colocar os equipamentos. A missão dura cerca de 10 minutos, tempo suficiente para dois barcos com cerca de oito militares em cada um chegarem à praia e surpreenderem os inimigos, que respodem atirando. Por cinco minutos, o barulho dos fuzis, com balas de festim, é ensurdecedor. Depois, só se ouvem as orientações do tenente Rafael Oliveira. “Recolham os corpos!”, ordena. Na hora do ataque, muitos conseguiram fugir e se embrenhar na selva. Mais tiros. Um militar já está no topo da palmeira. Usando uma corda presa aos pés, subiu com agilidade, carregando uma antena. Basta ajustar a freqüência para monitorar o inimigo. (CB)

Missão 1 ― Resgate na selva

No entardecer, homens do Exército em Marabá (PA) saem para resgatar um soldado em território inimigo. Antes de subirem em barcos para descer o Rio Tocantins, as orientações são apresentadas. De pronto, o soldado responde qual seria o próprio papel no plano. Precisa silenciar as sentinelas para os companheiros agirem. “Como o senhor vai fazer?”, indaga o comandante. “Vou degolar o inimigo e cravar uma faca no coração dele”, responde o soldado. O grupo percorre um trecho do Rio Amazonas, desembarca num igarapé e caminha dentro da água, no escuro, sem fazer barulho. Rastejando, um soldado surpreende o sentinela com uma faca. Outros aparecem camuflados e atiram sem hesitar. Os tiros alertam os seqüestradores, que acabam mortos por uma rajada de tiros. Bombas que provocam surdez e cegueira provisória são lançadas no cativeiro. Um médico verifica as condições do refém. (CB)

Tropa de Elite ― jovens prontos para a guerra

Soldados brasileiros recebem treinamento em táticas de guerrilha e sobrevivência na selva para defender o território nacional de um possível ataque. Simulações de combate fazem parte da rotina

Marabá (PA) e Clevelândia do Norte (AP) — Mesmo diante do que classificam de “ameaças não-iminentes” de conflitos armados com os vizinhos sul-americanos, as Forças Armadas brasileiras têm apostado em treinamentos de táticas de guerrilha e na proteção da floresta amazônica para derrotar um inimigo mais forte. A maioria dos soldados que atuam na Amazônia são da região, adaptados ao clima e à selva. “São homens com uma capacidade física peculiar e mestres da arte da selva. Nós (comandantes) colaboramos com os conhecimentos táticos”, observa o comandante do 34º Batalhão de Infantaria e Selva, em Macapá (AP), tenente-coronel Henrique Batista. O efetivo do Exército na Amazônia reúne 25 mil homens, em seis estados, responsáveis por monitorar 42% do território brasileiro.

Antes da operação boina, que cond…

Guiana ― do outro lado, promessas de uma vida melhor

Fabienne Mathurin-Brouard, prefeita de Saint Georges de R’Oiapoque, cidade na Guiana Francesa próxima a Oiapoque, elenca outros problemas causados pelos brasileiros. Ela diz compreender a atração que os vizinhos sentem pelos euros e pelas oportunidades de trabalho no estado francês, mas reclama da invasão de cidadãos tupiniquins sem autorização. “Os que já estão aqui não podemos expulsar, mas não podemos aceitar os que estão entrando ilegalmente”, salienta. A prefeita denuncia que muitos brasileiros têm trazido crianças e falsificado a certidão de nascimento para assegurar a cidadania francesa aos próprios filhos e até mesmo filhos de amigos e parentes. Observa ainda que mulheres, muitas menores de idade, atravessam a fronteira para trocarem sexo por euros. “Estamos investigando”, diz, se recusando a dar mais detalhes.

O barqueiro Rosenildo Conceição, de 27 anos, explica que muitos brasileiros fazem filhos do outro lado da fronteira. Ele mesmo tem um garoto de 3 anos. “Meu filho é fran…

Oiapoque ― Onde começa o país

Oiapoque, no Amapá, é uma cidade brasileira de olho nos euros e oportunidades que existem na Guiana Francesa. Com poder de polícia, Exército tenta combater crimes como garimpos ilegais e tráfico de drogas

Oiapoque (AP)— A cidade onde começa o Brasil fica no Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa. Oiapoque é terra de garimpeiro e de brasileiro de olho no outro lado da margem do rio, repleta de ouro e euro. É também lugar de garimpos ilegais, transporte irregular de mantimentos e combustível, prostituição, denúncias de tráfico de crianças e de drogas, índios com pouca assistência e intolerância crescente a brasileiros. No extremo norte do país, sobram problemas. “Parece terra de bangue-bangue”, observa o general Jeannot Jansen da Silva Filho, comandante da 8ª Região Militar da Amazônia.

O Exército mantém cerca de 250 homens na região sob o comando de um capitão de 28 anos, Marcelo Flávio Sartori Aguiar, que divide o tempo administrando a vila militar — onde também vivem civis — e trein…