
Entrevista com Giovanni Queiroz
FdS - Em primeiro lugar, parabéns pela vitória, que é sua e de todo o Estado do Pará, provando o excelente trabalho que o senhor vem fazendo no Congresso, na defesa dos nossos melhores interesses e demonstra também que o povo acertou ao reconduzí-lo a esta casa, honrando a confiança que lhe foi depositada
GQ: Primeiramente, eu gostaria de agradecer a oportunidade de falar ao povo paraense e em especial, neste caso, ao Sul e Sudeste do Estado e agradecer a todos pela confiança em mim depositada. Parauapebas foi muito importante nesta minha recondução à Câmara Federal.
FdS - A primeira pergunta que nos vem a cabeça, depois da euforia com a aprovação do plebiscito é como se dará este plebiscito e quem votará nele. O Pará inteiro ou apenas as partes diretamente atingidas?
GQ: O nosso sonho será realizado, se Deus quiser. O prazo de 6 meses, é o que está previsto no nosso decreto legislativo aprovado. quanto à definição de qual a área a ser consultada, eu tenho dito que, se for todo o Estado, nós vamos ganhar também esse plebiscito. Mas o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo ainda deverão se pronunciar sobre essa matéria, pois no entendimento de muitos, a Constituição diz que a população a ser consultada, é a população diretamente interessada e sob esse aspecto, a leitura que se faz e que o Supremo já decidiu é que "população diretamente interessada" é a população da área emancipanda, da área a ser desmembrada. No entanto, tem uma lei, 9.709, no seu artigo 7º, que diz que tem que no caso de criação de Estados, a população de todo o Estado deve ser consultada. Como a Constituição está acima da lei, espero que prevaleça o princípio constitucional. Vamos aguardar as decisões dos tribunais.
FdS - E já existe hoje, algum plano de fazer uma campanha educativa, no objetivo de melhor esclarecer a população, sobretudo a metropolitana? Afinal, acredita-se que também seja melhor para o Pará, pois as distâncias continentais de nosso Estado, sempre limitaram a ação do governo.
GQ: já tivemos vários debates em universidades em Belém e eu tenho certeza que hoje, já teríamos lá, pelo menos 20% da população ao nosso lado e se for decidido que a consulta se dará em todo o Estado, logicamente, teremos de traçar um plano de marketing , um plano de debates, para o conhecimento de todos, que esse processo é bom para todos, inclusive para o Estado do Pará. No entanto, é importante aguardarmos as decisões do Supremo e do Tribunal Superior Eleitoral, para podermos, a partir daí, traçarmos nosso plano de campanha. Já sentamos com uma bancada de advogados para discutir uma forma de buscar o mais rápido possível essa definição.
FdS - Aproveitando essa oportunidade, gostaríamos que o senhor nos explicasse e aos nossos leitores, o porque é tão importante a emancipação e não apenas para a parte que se emancipará.
GQ: Na verdade, para nós é importante, para termos uma gestão mais próxima. Da mesma forma, é importante para o Estado-mãe, ter uma gestão mais próxima. O exemplo exitoso de outros países também nos indicam nesse sentido. Os Estados Unidos, por exemplo, são 50 Estados, que foram traçados a régua. Por que? Porque havia um entendimento de que deveria haver mais Estados, para descentralizar a gestão.Esse é um princípio de boa gestão. é descentralizar. A Inglaterra tem 130 mil km², ou seja, é menor que o nosso município de Altamira. No entanto, tem 49 condados. O condado lá, são como Estados aqui. A França, que cabe 2 vezes e meia no nosso Estado, tem 100 Estados numa área de 547 mil km², ou seja, menos que a metade do Pará. Isso quer dizer que a descentralização é um ganho para todos. Para nós, para o Tapajós. Por outro lado, o Pará vai manter 80% das indústrias do Estados, 78% da receita do ICMS. Vai manter lá, todo um parque hoteleiro, universitário, muito superior a tudo o que possuímos no restante do Estado. além do aeroporto internacional. Tem uma região de pescado muito grande, tem a ALBRAS, a ALUNORTE, tem a Bauxita, de Paragominas, enfim, tem riquezas extraordinárias ao seu lado. No setor de agronegócio além de 4 milhões de cabeças de gado, vão ter lá o dendê. O Dendê, por si só, numa área de 200 mil hectares, supera em muito 2 milhões de hectares de bovinos. Então, todos nós ganharemos com a criação do novo Estado.
Fonte: Jornal do Sudeste.


















Que existe interesse político nisso, não resta à menor dúvida. Porém existem significados e significantes que necessitam de reflexão. Pontos a ponderar que precisam ser pensados e esclarecidos.
O Estado do Pará é imenso. Governar, administrar e distribuir benefícios para todos os seus recantos é uma obra imensa. Ponto positivo então para a proposta de reduzir esses espaços.
A distância da Capital e a dificuldade de encontrar decisões e ações rápidas justificam essa dita separação. Mais um ponto positivo.
Observar o que aconteceu com outros estados que foram criados após a divisão. Um exemplo próximo é o Tocantins. Hoje com estradas confiáveis, com um progresso pujante, com uma capital moderna e com uma bancada congressista invejável e poderosa. Lá a educação tanto fundamental como acadêmica tem feito uma grande diferença e será um referencial para o futuro. Uma constatação indiscutível. E aquele setor era o mais pobre de Goiás.
Por sua vez o Sul do Pará, continua no esquecimento nacional. Sem Internet confiável, saúde e sanitarismo quase inexistente, condições físicas e estruturais decadentes, estradas e rodovias em total abandono e lembrado apenas nas campanhas eleitorais. Mendigando favorecimentos governamentais (universidades, saúde, justiça e segurança), mas sendo o centro de uma das regiões mais ricas do mundo em minério. Criando um dos maiores rebanhos bovinos do país e explodindo numa crescente colonização vinda de todas as partes do Brasil e até do exterior. Condenada por enquanto em produzir divisas e dividi-las com quem nem se importa que ele exista.
O que era apenas um sonho de um grupo de pessoas passou a ser uma complexidade oficial. O plebiscito futuro vai evidenciar esse fato. Momento de refletir seriamente sobre os pontos favoráveis e desfavoráveis.
Os pontos positivos são esmagadores, mas existem os negativos. Por exemplo, vai haver menos espaço para os sem proposta, para os menos competentes e para todos os que costumam viver à margem da lei. Sem falar dos políticos locais que precisam urgentemente rever seus valores. Tudo de repente pode ficar ao alcance da mão. E com conseqüências e atitudes bem mais rápidas.
Não basta dizer Sim ou Não. É preciso encarar os fatos e as probabilidades. Teremos uma fiscalização tributária mais atuante. Um PROCON “agilizado” e presente. Uma competividade cada vez mais acirrada. Uma Caixa Econômica que vai funcionar, ora se vai. Um atendimento bancário que prima pelo respeito ao cidadão. Segurança atuante e operante. Coisas assim...
E o que existe de mais simbólico ainda é que modificaremos a Bandeira Nacional. Teremos a representação de uma nova estrela. A estrela do CARAJAS, brilhando no Pendão Brasileiro.
Se isso for pouco, não será necessário pensar nos prós e nos contras. Vamos entrar para História, mostrar ou Brasil que existimos e que nosso potencial produtivo não pode ser mais ignorado ou creditado para os que até agora nos esqueceram.
E o sonho vai ainda mais longe. Imaginem o Águia do Carajás trazendo alegrias, emoções e levando o peso de uma bandeira que se ainda não criamos, precisamos criar. Essas e outras tantas coisas que antes eram apenas divagações.
Fora os interesses políticos, o Sul do Pará adquiriu maioridade. Cresceu e sofre as conseqüências dos anseios que se chocam num muro de eternas desculpas. O povo do Sul do Pará quer liberdade para voar com suas próprias asas.
Futuros cidadãos do promissor Estado do Carajás, a postos! O futuro depende do seu voto consciente.
Guto de Paula
Acadêmico de Letras e Pedagogia pela UFBA- Campus IX
Radialista e Jornalista do Oeste da Bahia – RB 790 – FM Líder e Jornal do Oeste