Vejam só o que alguns dos vestibulandos foram capazes de escrever na prova de redação da Universidade Federal de Minas Gerais, tendo como o tema:
'A TV FORMA, INFORMA OU DEFORMA?'
A seleção foi feita pelo professor José Roberto Mathias e foi enviada pela amiga escritora e jornalista Taís Moraes, já de volta de uma temporada na Bélgica.
'A TV possui um grau elevadíssimo de informações que nos enriquece de uma maneira pobre, pois se tornamos uns viciados deste veículo de comunicação'. (pode?)
'A TV no entanto é um consumo que devemos consumir para nossa formação, informação e deformação'. (fantástica!)
'A TV se estiver ligada pode formar uma série de imagens, já desligada não...' (ah, sobrenatural... )
'A TV deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo intertida como também as vista' (sem comentários).
'A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas e com isso fabrica muitas cabeças' (é mesmo?)
'Sempre ou quase sempre a TV está mais perto denosco (?) , fazendo com que o telespectador solte o seu lado obscuro' (imbatível; flatulência?)
'A TV deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral' (que tortura!)
'A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer de locomoção' (genial!)
'A TV é o oxigênio que forma nossas idéias' (ah, sem ela esse indivíduo não pode viver...)
'...por isso é que podemos dizer que esse meio de transporte é capaz de informar e deformar os homens' (nunca imaginei pilotar uma TV)
'A TV ezerce (puxa!) poder, levando informações diárias e porque não dizer horárias' (esse é humorista)
'E nós estamos nos diluindo a cada dia e não se pode dizer que a TV não tem nada a ver com isso' (alguém me explica isso?)
'A televisão leva fatos a trilhares de pessoas' (é muita gente isso, hein?)
'A TV acomoda aos teles inspectadores' (socorro!)
'A informação fornecida pela TV é pacífica de falhas' (extraordinário!)
'A televisão pode ser definida como uma faca de trezgumes. Ela tanto pode formar, como informar, como deformar' (de onde essa criatura tirou essa faca?)
Confira o nível dos vestibulandos na prova de Redação da UFMG
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Ensino Superior
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Giovanni aprova corte para construção de Palácios
Todos os destaques do deputado federal Giovanni Queiroz (PDT-PA) reduzindo pela metade os recursos que seriam drenados para a construção dos novos "Palácios da Justiça" em via de construção no "Vale dos Tribunais" em plena Capital do Brasil foram aprovados na Comissão de Mista do Orçamento do Congresso Nacional.
O lobby é grande para a recomposição dos recursos, considerados superfaturados e fora fora da realidade de mercado.
É por essas e outras que não sobra dinheiro público para enfrentar a bandidagem com ou sem colarinho deste país, e cada vez mais os ricos ficam mais ricos, enquanto os pobres... Quem se importa?
O lobby é grande para a recomposição dos recursos, considerados superfaturados e fora fora da realidade de mercado.
É por essas e outras que não sobra dinheiro público para enfrentar a bandidagem com ou sem colarinho deste país, e cada vez mais os ricos ficam mais ricos, enquanto os pobres... Quem se importa?
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Orçamento Geral da União
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PDT tem novo líder na Câmara dos Deputados
A bancada do PDT acaba de escolher o deputado Vieira da Cunha (RS) como seu novo líder na Câmara dos Deputados. Por acordo da bancada, o deputado Mário Heringer (PDT-MG) será o líder do bloquinho. Cunha substituirá o deputado Miro Teixeira (RJ).
Procurador de Justiça, o novo líder pedetista foi também radialista e está em seu primeiro mandato como deputado federal. Antes, cumpriu quatro mandatos como deputado estadual e dois como vereador de Porto Alegre, sempre pelo PDT - partido ao qual está filiado desde 1981.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte XII: PERFIL / RAÚL CASTRO - Pragmático, boa-praça e linha-dura
Raúl Castro é um linha-dura. Um comunista empedernido, que organizou e manteve a solidez ideológica revolucionária nas forças armadas de Cuba.
Raúl Castro é um boa-praça, que gosta de jogar conversa fora com os amigos, fumar cigarros fortes (Marlboro, na intimidade, Populares, nas ruas), beber muitos drinques à base de rum e de falar sobre as façanhas dos filhos e netos.
Essas são duas das muitas facetas que o irmão de Fidel apresenta. Ele também é definido como um grande administrador, um chefe que prefere a dura realidade dos fatos e não se deixa engabelar por relatórios otimistas (e falsos) de seus subordinados. A bem da verdade, Cuba, hoje, é em boa parte produto do seu trabalho. Fidel era a ideologia. Raúl transformava em prática o sonho socialista. O paralelo mais próximo seria a dupla chinesa Mao Tse tung e Deng Xiaoping: um mental, outro pragmático.
O carisma de Fidel deixou o irmão na sombra, o que não diminui sua importância histórica. Foi, junto com Cienfuegos e Che Guevara, um dos comandantes da Revolução Cubana. Ele assumiu o controle das forças armadas e se aproximou da União Soviética, para obter armas e instrutores militares. Em pouco mais de um ano, conseguiu rechaçar, em abril de 1961, a invasão da Baía dos Porcos, ataque patrocinado pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) e executado por exilados cubanos treinados e equipados por agentes norte-americanos.
Mísseis cubanos
A invasão marcou uma virada. Até aquele momento, Fidel se recusava a assumir o marxismo-leninismo, defendido, desde o início da revolução, ainda em Sierra Maestra por Raúl e por Guevara. O ataque foi o elo que faltava para forjar uma aliança com o regime soviético. Mais uma vez, o irmão mais novo do líder cubano teve um papel primordial. Coube a ele fechar o acordo que permitiu a Moscou montar bases de mísseis balísticos de alcance médio (IRBM) na ilha.
Em outubro de 1962, aviões de espionagem U-2 fotografaram a instalação desses artefatos, que quebravam a vantagem norte-americana na Guerra Fria. Até então, Washington tinha uma vantagem: os mísseis soviéticos necessitavam de 20 minutos para atingir seus alvos. A força aérea e a marinha dos Estados Unidos, que possuíam armas na Europa, na Turquia e em submarinos nucleares, precisavam de apenas quatro minutos. Com os IRBM em Cuba, o placar da destruição virava a favor de Moscou.
O presidente dos EUA, John F. Kennedy, decretou um bloqueio à ilha e o mundo esteve próximo de uma guerra nuclear. No final, chegou-se a um compromisso: os norte-americanos retiravam seus mísseis da Europa em troca do desmantelamento das bases de IRBM. Também ficou acertado que jamais atacariam Cuba.
Raúl também esteve presente na política africana durante as décadas de 1970 e 1980. Graças a ele, o governo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) conseguiu se manter no poder, rechaçando, com a ajuda de soldados cubanos, duas frentes de invasão a partir do Congo (pela Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA, de Holden Roberto) e da Namíbia (pela União para a Independência Total de Angola, Unita, de Jonas Savimbi).
Hoje, depois da desintegração da União Soviética, Raúl é o principal defensor de um alinhamento com a República Popular da China, que usa como exemplo das reformas que pretende implementar em seu país. Vários programas entre os dois países estão em curso, inclusive a reestruturação completa das ferrovias, dos portos e dos transportes públicos urbanos.
Raúl Castro é um boa-praça, que gosta de jogar conversa fora com os amigos, fumar cigarros fortes (Marlboro, na intimidade, Populares, nas ruas), beber muitos drinques à base de rum e de falar sobre as façanhas dos filhos e netos.
Essas são duas das muitas facetas que o irmão de Fidel apresenta. Ele também é definido como um grande administrador, um chefe que prefere a dura realidade dos fatos e não se deixa engabelar por relatórios otimistas (e falsos) de seus subordinados. A bem da verdade, Cuba, hoje, é em boa parte produto do seu trabalho. Fidel era a ideologia. Raúl transformava em prática o sonho socialista. O paralelo mais próximo seria a dupla chinesa Mao Tse tung e Deng Xiaoping: um mental, outro pragmático.
O carisma de Fidel deixou o irmão na sombra, o que não diminui sua importância histórica. Foi, junto com Cienfuegos e Che Guevara, um dos comandantes da Revolução Cubana. Ele assumiu o controle das forças armadas e se aproximou da União Soviética, para obter armas e instrutores militares. Em pouco mais de um ano, conseguiu rechaçar, em abril de 1961, a invasão da Baía dos Porcos, ataque patrocinado pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) e executado por exilados cubanos treinados e equipados por agentes norte-americanos.
Mísseis cubanos
A invasão marcou uma virada. Até aquele momento, Fidel se recusava a assumir o marxismo-leninismo, defendido, desde o início da revolução, ainda em Sierra Maestra por Raúl e por Guevara. O ataque foi o elo que faltava para forjar uma aliança com o regime soviético. Mais uma vez, o irmão mais novo do líder cubano teve um papel primordial. Coube a ele fechar o acordo que permitiu a Moscou montar bases de mísseis balísticos de alcance médio (IRBM) na ilha.
Em outubro de 1962, aviões de espionagem U-2 fotografaram a instalação desses artefatos, que quebravam a vantagem norte-americana na Guerra Fria. Até então, Washington tinha uma vantagem: os mísseis soviéticos necessitavam de 20 minutos para atingir seus alvos. A força aérea e a marinha dos Estados Unidos, que possuíam armas na Europa, na Turquia e em submarinos nucleares, precisavam de apenas quatro minutos. Com os IRBM em Cuba, o placar da destruição virava a favor de Moscou.
O presidente dos EUA, John F. Kennedy, decretou um bloqueio à ilha e o mundo esteve próximo de uma guerra nuclear. No final, chegou-se a um compromisso: os norte-americanos retiravam seus mísseis da Europa em troca do desmantelamento das bases de IRBM. Também ficou acertado que jamais atacariam Cuba.
Raúl também esteve presente na política africana durante as décadas de 1970 e 1980. Graças a ele, o governo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) conseguiu se manter no poder, rechaçando, com a ajuda de soldados cubanos, duas frentes de invasão a partir do Congo (pela Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA, de Holden Roberto) e da Namíbia (pela União para a Independência Total de Angola, Unita, de Jonas Savimbi).
Hoje, depois da desintegração da União Soviética, Raúl é o principal defensor de um alinhamento com a República Popular da China, que usa como exemplo das reformas que pretende implementar em seu país. Vários programas entre os dois países estão em curso, inclusive a reestruturação completa das ferrovias, dos portos e dos transportes públicos urbanos.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte XI: Começa luta pelo poder
Parlamento escolhe novo presidente no próximo domingo. Irmão de Fidel não está sozinho na disputa
O sucessor de Fidel Castro à frente do Estado cubano será designado no próximo domingo pelos 614 deputados da Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento) — eleitos em 20 de janeiro —, em uma sessão histórica que abrirá um novo mandato presidencial de cinco anos. Raúl Castro, 76 anos, irmão mais novo de Fidel, surge como o candidato favorito. Número dois do regime, ministro das Forças Armadas desde 1959, desempenhou interinamente o cargo de presidente do Conselho de Estado (Executivo) desde 31 de julho de 2006. Mas não está sozinho na disputa.
Até lá, brotam especulações sobre quem será o futuro comandante da ilha. Nos circuitos diplomáticos em Cuba e entre líderes militares e civis do exílio cubano em Miami (Flórida), surgem comentários sobre uma luta pelo poder no seio do Partido Comunista Cubano (PCC). Nas últimas reuniões do secretariado do partido, haveria a convicção de que o poder não deve ser herdado e que mesmo Raúl só permaneceria na presidência depois de uma eleição interna. Entre os mais cotados nessa "bolsa de apostas" está o atual vice-presidente e secretário do Conselho de Ministros, Carlos Lage, um médico de 57 anos.
Integrante da geração sucessora, foi ele o homem de frente de Raúl Castro na execução das pequenas, mas importantes, reformas econômicas da década 90, logo depois do colapso da União Soviética. O chanceler Felipe Pérez Roque, 41 anos, também tem chances. Apesar de jovem, é famoso por defender a linha dura do regime. Quando Fidel desmaiou durante um discurso em junho de 2001, foi Pérez Roque quem tomou o microfone e gritou: "Viva Fidel! Viva Raúl!". Outro na "corrida presidencial" é o atual presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, 69 anos, um antigo colaborador do líder cubano e o maior especialista em EUA na ilha.
Conselho de Estado
Também são considerados, com menor força, nomes como o de José Ramón Machado, chefe do cerimonial do PCC; José Ramón Balaguer, antigo ideólogo do partido e ministro da Saúde; e Francisco Soberón, presidente do Banco Central Cubano. A Assembléia Nacional convocada para domingo às 10h (12h de Brasília), composta por deputados membros do PCC, se reúne tradicionalmente a portas fechadas sob a direção de seu presidente, Ricardo Alarcón, depois de um breve discurso de abertura na presença da imprensa.
Após eleger o presidente, o vice-presidente e o secretário para os próximos cinco anos, a Assembléia designará os 31 membros do Conselho de Estado e seu presidente, cujo cargo será o de chefe de Estado e governo, assim como "chefe supremo" das instituições armadas. Criado em 1976, o Conselho de Estado é composto também por um primeiro vice-presidente, atual cargo de Raúl, e cinco vice-presidentes. Segundo a Constituição, o primeiro vice-presidente substitui o presidente em caso de "ausência, doença ou falecimento", sem precisar a duração máxima de sua permanência no poder.
Dos membros do Conselho de Estado eleitos em 2003, 27 continuam no cargo — os demais foram destituídos ou morreram. Desses, 11 são membros do Bureau Político do Partido. Em seus 32 anos de existência, os cubanos viram o Conselho de Estado reunido publicamente apenas uma vez, quando a pedido de Fidel cada um de seus membros confirmou diante das câmeras de televisão a sentença de morte para o general Arnaldo Ochoa, acusado de tráfico de drogas e fuzilado em julho de 1989.
O sucessor de Fidel Castro à frente do Estado cubano será designado no próximo domingo pelos 614 deputados da Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento) — eleitos em 20 de janeiro —, em uma sessão histórica que abrirá um novo mandato presidencial de cinco anos. Raúl Castro, 76 anos, irmão mais novo de Fidel, surge como o candidato favorito. Número dois do regime, ministro das Forças Armadas desde 1959, desempenhou interinamente o cargo de presidente do Conselho de Estado (Executivo) desde 31 de julho de 2006. Mas não está sozinho na disputa.
Até lá, brotam especulações sobre quem será o futuro comandante da ilha. Nos circuitos diplomáticos em Cuba e entre líderes militares e civis do exílio cubano em Miami (Flórida), surgem comentários sobre uma luta pelo poder no seio do Partido Comunista Cubano (PCC). Nas últimas reuniões do secretariado do partido, haveria a convicção de que o poder não deve ser herdado e que mesmo Raúl só permaneceria na presidência depois de uma eleição interna. Entre os mais cotados nessa "bolsa de apostas" está o atual vice-presidente e secretário do Conselho de Ministros, Carlos Lage, um médico de 57 anos.
Integrante da geração sucessora, foi ele o homem de frente de Raúl Castro na execução das pequenas, mas importantes, reformas econômicas da década 90, logo depois do colapso da União Soviética. O chanceler Felipe Pérez Roque, 41 anos, também tem chances. Apesar de jovem, é famoso por defender a linha dura do regime. Quando Fidel desmaiou durante um discurso em junho de 2001, foi Pérez Roque quem tomou o microfone e gritou: "Viva Fidel! Viva Raúl!". Outro na "corrida presidencial" é o atual presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, 69 anos, um antigo colaborador do líder cubano e o maior especialista em EUA na ilha.
Conselho de Estado
Também são considerados, com menor força, nomes como o de José Ramón Machado, chefe do cerimonial do PCC; José Ramón Balaguer, antigo ideólogo do partido e ministro da Saúde; e Francisco Soberón, presidente do Banco Central Cubano. A Assembléia Nacional convocada para domingo às 10h (12h de Brasília), composta por deputados membros do PCC, se reúne tradicionalmente a portas fechadas sob a direção de seu presidente, Ricardo Alarcón, depois de um breve discurso de abertura na presença da imprensa.
Após eleger o presidente, o vice-presidente e o secretário para os próximos cinco anos, a Assembléia designará os 31 membros do Conselho de Estado e seu presidente, cujo cargo será o de chefe de Estado e governo, assim como "chefe supremo" das instituições armadas. Criado em 1976, o Conselho de Estado é composto também por um primeiro vice-presidente, atual cargo de Raúl, e cinco vice-presidentes. Segundo a Constituição, o primeiro vice-presidente substitui o presidente em caso de "ausência, doença ou falecimento", sem precisar a duração máxima de sua permanência no poder.
Dos membros do Conselho de Estado eleitos em 2003, 27 continuam no cargo — os demais foram destituídos ou morreram. Desses, 11 são membros do Bureau Político do Partido. Em seus 32 anos de existência, os cubanos viram o Conselho de Estado reunido publicamente apenas uma vez, quando a pedido de Fidel cada um de seus membros confirmou diante das câmeras de televisão a sentença de morte para o general Arnaldo Ochoa, acusado de tráfico de drogas e fuzilado em julho de 1989.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte X: Transformação silenciosa
Ao protagonizar o movimento que levou à queda da ditadura de Fulgêncio Batista em 1º de janeiro de 1959, Fidel Castro assumiu a liderança do país não apenas em uma, mas em várias revoluções que marcaram os cubanos ao longo dos 49 anos em que governou. Encontrou uma Cuba cheia de desigualdades sociais, as reduziu e agora deixa outras contradições para serem resolvidas por seu sucessor.
Quando tornou-se presidente, Cuba era praticamente um balneário dos Estados Unidos. Tinha a economia restrita à produção açucareira e aos cassinos. "Fidel pôs os cubanos em um lugar digno, com direito à educação e à seguridade social", diz o historiador Pedro Cosme Baños, diretor do Museu do Memorial Lenin, da cidade de Regla. Ao longo dos anos, no entanto, a tarefa de levar desenvolvimento à ilha foi se tornando árdua demais.
A tábua de salvação do país foi a entrada, em 1972, para o Conselho de Ajuda Econômica Mútua (Caem), órgão de integração dos países do bloco socialista. Em 1985, as relações com o Caem correspondiam a 83,2% do comércio exterior cubano. Diante desse cenário de dependência, a queda do regime soviético não poderia ter deixado de provocar o desastre que causou à economia de Cuba. Em 1993, o Produto Interno Bruto (PIB) da ilha já era 35% menor do que o registrado quatro anos antes. Naquele ano, o sinal vermelho acendeu.
A resposta de Fidel chegou em julho, quando estabeleceu um regime de dupla moeda, que perdura até hoje. A introdução do CUC (peso conversível) na economia, que antes era restrita ao peso cubano, permitiu a entrada de divisas estrangeiras no país. Com isso, em 1995, 50% das receitas vinham do turismo. Mas a solução cambial, que permitiu que a crise econômica fosse controlada, hoje é geradora de novas contradições. Um CUC vale 24 vezes o valor de um peso cubano. Por esta última moeda, a população é remunerada e é possível comprar apenas os itens básicos. Os produtos importados, cotados em CUC, enchem os olhos dos cubanos. Todos buscam meios de obter a moeda dos turistas. Esta é a nova revolução silenciosa que Cuba tem de enfrentar — desta vez, sem Fidel.
Quando tornou-se presidente, Cuba era praticamente um balneário dos Estados Unidos. Tinha a economia restrita à produção açucareira e aos cassinos. "Fidel pôs os cubanos em um lugar digno, com direito à educação e à seguridade social", diz o historiador Pedro Cosme Baños, diretor do Museu do Memorial Lenin, da cidade de Regla. Ao longo dos anos, no entanto, a tarefa de levar desenvolvimento à ilha foi se tornando árdua demais.
A tábua de salvação do país foi a entrada, em 1972, para o Conselho de Ajuda Econômica Mútua (Caem), órgão de integração dos países do bloco socialista. Em 1985, as relações com o Caem correspondiam a 83,2% do comércio exterior cubano. Diante desse cenário de dependência, a queda do regime soviético não poderia ter deixado de provocar o desastre que causou à economia de Cuba. Em 1993, o Produto Interno Bruto (PIB) da ilha já era 35% menor do que o registrado quatro anos antes. Naquele ano, o sinal vermelho acendeu.
A resposta de Fidel chegou em julho, quando estabeleceu um regime de dupla moeda, que perdura até hoje. A introdução do CUC (peso conversível) na economia, que antes era restrita ao peso cubano, permitiu a entrada de divisas estrangeiras no país. Com isso, em 1995, 50% das receitas vinham do turismo. Mas a solução cambial, que permitiu que a crise econômica fosse controlada, hoje é geradora de novas contradições. Um CUC vale 24 vezes o valor de um peso cubano. Por esta última moeda, a população é remunerada e é possível comprar apenas os itens básicos. Os produtos importados, cotados em CUC, enchem os olhos dos cubanos. Todos buscam meios de obter a moeda dos turistas. Esta é a nova revolução silenciosa que Cuba tem de enfrentar — desta vez, sem Fidel.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte IX: Abertura econômica deve levar cinco anos
Avanço do capital privado e investimentos serão cruciais
A renúncia de Fidel Castro à presidência de Cuba não significará uma rápida abertura econômica daquele país. O processo de integração será lento e acontecerá aos poucos, devendo levar de três a cinco anos. É esse o consenso entre especialistas que se debruçam sobre os indicadores da economia latino-americana. "Por mais poder que Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel venha a ter, não haverá mudanças a curto prazo. A economia cubana permanecerá fechada por um bom período. A transição exigirá a construção de instituições sérias e confiáveis, que sigam preceitos importantes para que o capital veja Cuba como uma economia de mercado Entre esses preceitos está o direito à propriedade privada", diz Ítalo Lombardi, chefe do Departamento de Pesquisas para a América Latina da consultoria IDEAGlobal, com sede em Nova York.
A tendência, segundo Vitória Saddi, economista da consultoria RGE Monitor, também com sede em Nova York, é de que se repita, em Cuba, o movimento registrado na Rússia logo depois do fim da Guerra Fria, que resultou no desmembramento da União Soviética. "Foram necessários cinco anos para que o Estado começasse a reduzir seu tamanho na economia e o capital privado ocupasse seu espaço. Mas o importante é avançar na abertura econômica, reduzindo a burocracia e a corrupção, mesmo que lentamente, pois os ganhos no futuro serão enormes", afirma.
Vitória lembra que, em 1997, Raúl Castro tentou promover mudanças na economia de seu país. Mas foi cerceado pelo irmão presidente. Raúl voltou a adotar o discurso mais pró-mercado, com Fidel afastado do poder devido a graves problemas de saúde. Para aumentar a eficiência da economia, ele prometeu promover reformas graduais nos sistemas fiscal, cambial e monetário. Também destacou a importância de se atrair investimentos estrangeiros para projetos que vão além do turismo, da energia (exploração e refino de petróleo), da mineração e do transporte portuário, nos quais o capital externo já se faz presente.
Estatísticas mostram que os estrangeiros já participam de 362 empreendimentos em Cuba, sendo 237 empresas de capital misto (com controle acionário do Estado) e 125 arranjos contratuais. Juntos, movimentaram, em 2007, quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) cubano, próximo de US$ 50 bilhões. Os maiores investidores são a Espanha e o Canadá, seguidos pelos Estados Unidos — a despeito do embargo comercial a Cuba — e por Israel. "Quando o capital estrangeiro se sentir mais seguro, aquele será o país de maior crescimento mundial, devido às oportunidades de negócios e à mão-de-obra qualificada", avalia Ricardo Amorim, chefe do Departamento de Pesquisas do banco alemão WestLB.
Para o presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alessandro Teixeira, o Brasil pode ser beneficiado. "Temos um amplo mercado a explorar nos setores de alimentos, de máquinas e de bens de consumo", frisa. Desde a posse de Lula, em 2003, o comércio entre o Brasil e Cuba cresceu 348%, de US$ 91,9 milhões para US$ 412,6 milhões.
"Jamais me aposentarei da política, da revolução ou das idéias que tenho. O poder é uma escravidão e sou seu escravo"
Setembro de 1991
A renúncia de Fidel Castro à presidência de Cuba não significará uma rápida abertura econômica daquele país. O processo de integração será lento e acontecerá aos poucos, devendo levar de três a cinco anos. É esse o consenso entre especialistas que se debruçam sobre os indicadores da economia latino-americana. "Por mais poder que Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel venha a ter, não haverá mudanças a curto prazo. A economia cubana permanecerá fechada por um bom período. A transição exigirá a construção de instituições sérias e confiáveis, que sigam preceitos importantes para que o capital veja Cuba como uma economia de mercado Entre esses preceitos está o direito à propriedade privada", diz Ítalo Lombardi, chefe do Departamento de Pesquisas para a América Latina da consultoria IDEAGlobal, com sede em Nova York.
A tendência, segundo Vitória Saddi, economista da consultoria RGE Monitor, também com sede em Nova York, é de que se repita, em Cuba, o movimento registrado na Rússia logo depois do fim da Guerra Fria, que resultou no desmembramento da União Soviética. "Foram necessários cinco anos para que o Estado começasse a reduzir seu tamanho na economia e o capital privado ocupasse seu espaço. Mas o importante é avançar na abertura econômica, reduzindo a burocracia e a corrupção, mesmo que lentamente, pois os ganhos no futuro serão enormes", afirma.
Vitória lembra que, em 1997, Raúl Castro tentou promover mudanças na economia de seu país. Mas foi cerceado pelo irmão presidente. Raúl voltou a adotar o discurso mais pró-mercado, com Fidel afastado do poder devido a graves problemas de saúde. Para aumentar a eficiência da economia, ele prometeu promover reformas graduais nos sistemas fiscal, cambial e monetário. Também destacou a importância de se atrair investimentos estrangeiros para projetos que vão além do turismo, da energia (exploração e refino de petróleo), da mineração e do transporte portuário, nos quais o capital externo já se faz presente.
Estatísticas mostram que os estrangeiros já participam de 362 empreendimentos em Cuba, sendo 237 empresas de capital misto (com controle acionário do Estado) e 125 arranjos contratuais. Juntos, movimentaram, em 2007, quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) cubano, próximo de US$ 50 bilhões. Os maiores investidores são a Espanha e o Canadá, seguidos pelos Estados Unidos — a despeito do embargo comercial a Cuba — e por Israel. "Quando o capital estrangeiro se sentir mais seguro, aquele será o país de maior crescimento mundial, devido às oportunidades de negócios e à mão-de-obra qualificada", avalia Ricardo Amorim, chefe do Departamento de Pesquisas do banco alemão WestLB.
Para o presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alessandro Teixeira, o Brasil pode ser beneficiado. "Temos um amplo mercado a explorar nos setores de alimentos, de máquinas e de bens de consumo", frisa. Desde a posse de Lula, em 2003, o comércio entre o Brasil e Cuba cresceu 348%, de US$ 91,9 milhões para US$ 412,6 milhões.
"Jamais me aposentarei da política, da revolução ou das idéias que tenho. O poder é uma escravidão e sou seu escravo"
Setembro de 1991
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte VIII: Lula elogia ditador e condena ingerências
``Fidel é o único mito vivo na história da humanidade, e acho que ele construiu isso à custa de muita competência, muito caráter, de muita força de vontade e também de muita divergência, de muita polêmica´´
Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao gasoduto Sudeste-Nordeste, na cidade capixaba de Serra
O governo brasileiro reagiu de forma cautelosa à renúncia do ditador cubano, Fidel Castro. Durante visita ao estado do Espírito Santo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que, até então, temia pela sucessão na ilha. O medo era de que "numa situação adversa, acontecesse um sistema turbulento". Lula desfiou um curto rosário de elogios ao ex-líder guerrilheiro. "Fidel é o único mito vivo na história da humanidade, e acho que ele construiu isso à custa de muita competência, muito caráter, de muita força de vontade e também de muita divergência, de muita polêmica", declarou, segundo despacho divulgado pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto.
O presidente evitou qualquer opinião conceitual sobre o futuro de Cuba sem Castro à frente do governo. Preferiu uma espécie de discurso preventivo nesse campo. "Respeito muito que cada povo decida seu regime político — esse negócio de a gente ficar aqui no Brasil dizendo que bom é assim, bom é assado. Vamos deixar que os cubanos cuidem do que eles querem na política." Dada a deixa, ele foi em frente: "Os cubanos têm maturidade para resolver todos os seus problemas sem precisar de ingerências, nem brasileiras nem americanas".
Próximos desde 1985, Lula e Fidel se entrevistaram pela última vez em janeiro passado. O brasileiro esteve em Cuba para uma visita oficial e assinou 10 acordos bilaterais nas áreas de energia, saúde, comércio, agricultura e informação digital. Foi submetido a uma espera de horas, antes de finalmente encontrar Castro — o que deixou clara uma certa insatisfação do regime castrista com o Brasil. Dias depois, o próprio ditador revelou, em artigos publicados na imprensa oficial, o motivo da arenga: a promoção dos biocombustíveis, produto que aproximou Lula do presidente norte-americano, George W. Bush, e que, segundo Fidel, aumentará o preço dos alimentos no mundo num futuro próximo.
À saída daquele encontro, o presidente brasileiro não quis revelar o teor tenso da conversa. Aos jornalistas brasileiros que o acompanhavam, Lula disse que encontrou Castro "com uma saúde impecável". "A impressão que eu tenho é que Fidel está muito bem de saúde, está com uma lucidez como nos melhores momentos. E eu penso que Fidel está pronto para assumir o papel político que ele tem em Cuba e assumir o papel político que ele tem na história do mundo globalizado e da humanidade." Mas a saúde do ditador não só não estava boa, como piorou desde então.
No Itamaraty, a renúncia também foi recebida com muita cautela. O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, se limitou a dizer que reconhece a importância da figura de Fidel Castro na política internacional. E, meio que ratificando os acordos bilaterais, comentou que mantém a expectativa de intensificar as relações econômicas e comerciais com Cuba. Amorim afirmou que o Brasil manterá a atitude de engajamento e de bom relacionamento político com o governo caribenho.
Embora o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, não tenha feito nenhuma declaração — está em viagem à França e chegaria nesta madrugada ao Brasil —, o ministro da Justiça, Tarso Genro, veio a público comentar a troca de poder em Cuba. Segundo ele, a decisão de Fidel Castro foi "madura". "Não só porque suas condições de saúde apontam para a necessidade de sua retirada, mas também porque tudo indica que está em curso em Cuba um processo de renovação política, de renovação institucional e de rediscussão do processo de revolução".
Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao gasoduto Sudeste-Nordeste, na cidade capixaba de Serra
O governo brasileiro reagiu de forma cautelosa à renúncia do ditador cubano, Fidel Castro. Durante visita ao estado do Espírito Santo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que, até então, temia pela sucessão na ilha. O medo era de que "numa situação adversa, acontecesse um sistema turbulento". Lula desfiou um curto rosário de elogios ao ex-líder guerrilheiro. "Fidel é o único mito vivo na história da humanidade, e acho que ele construiu isso à custa de muita competência, muito caráter, de muita força de vontade e também de muita divergência, de muita polêmica", declarou, segundo despacho divulgado pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto.
O presidente evitou qualquer opinião conceitual sobre o futuro de Cuba sem Castro à frente do governo. Preferiu uma espécie de discurso preventivo nesse campo. "Respeito muito que cada povo decida seu regime político — esse negócio de a gente ficar aqui no Brasil dizendo que bom é assim, bom é assado. Vamos deixar que os cubanos cuidem do que eles querem na política." Dada a deixa, ele foi em frente: "Os cubanos têm maturidade para resolver todos os seus problemas sem precisar de ingerências, nem brasileiras nem americanas".
Próximos desde 1985, Lula e Fidel se entrevistaram pela última vez em janeiro passado. O brasileiro esteve em Cuba para uma visita oficial e assinou 10 acordos bilaterais nas áreas de energia, saúde, comércio, agricultura e informação digital. Foi submetido a uma espera de horas, antes de finalmente encontrar Castro — o que deixou clara uma certa insatisfação do regime castrista com o Brasil. Dias depois, o próprio ditador revelou, em artigos publicados na imprensa oficial, o motivo da arenga: a promoção dos biocombustíveis, produto que aproximou Lula do presidente norte-americano, George W. Bush, e que, segundo Fidel, aumentará o preço dos alimentos no mundo num futuro próximo.
À saída daquele encontro, o presidente brasileiro não quis revelar o teor tenso da conversa. Aos jornalistas brasileiros que o acompanhavam, Lula disse que encontrou Castro "com uma saúde impecável". "A impressão que eu tenho é que Fidel está muito bem de saúde, está com uma lucidez como nos melhores momentos. E eu penso que Fidel está pronto para assumir o papel político que ele tem em Cuba e assumir o papel político que ele tem na história do mundo globalizado e da humanidade." Mas a saúde do ditador não só não estava boa, como piorou desde então.
No Itamaraty, a renúncia também foi recebida com muita cautela. O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, se limitou a dizer que reconhece a importância da figura de Fidel Castro na política internacional. E, meio que ratificando os acordos bilaterais, comentou que mantém a expectativa de intensificar as relações econômicas e comerciais com Cuba. Amorim afirmou que o Brasil manterá a atitude de engajamento e de bom relacionamento político com o governo caribenho.
Embora o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, não tenha feito nenhuma declaração — está em viagem à França e chegaria nesta madrugada ao Brasil —, o ministro da Justiça, Tarso Genro, veio a público comentar a troca de poder em Cuba. Segundo ele, a decisão de Fidel Castro foi "madura". "Não só porque suas condições de saúde apontam para a necessidade de sua retirada, mas também porque tudo indica que está em curso em Cuba um processo de renovação política, de renovação institucional e de rediscussão do processo de revolução".
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte VII: EUA mantêm embargo
Retirada do bloqueio econômico é condicionada a eleições livres e libertação de presos políticos
A renúncia de Fidel Castro ao cargo de presidente do Conselho de Estado e de comandante-em-chefe das forças armadas do país, anunciada ontem, não vai suspender o embargo econômico imposto à ilha pelos Estados Unidos desde 1962, ano da consolidação da revolução socialista em Cuba. Em visita a Ruanda, o presidente dos EUA, George W. Bush, declarou que a saída de Fidel "deveria constituir o início de uma transição democrática para o povo cubano". Washington tinha prometido suspender o isolamento somente em caso de realização de eleições livres para todos os cargos públicos em Cuba.
Bush sugeriu que, após o afastamento de Castro, o governo cubano deveria dar o "primeiro passo para a democracia e libertar os prisioneiros políticos. O presidente americano pediu à comunidade internacional que contribua para instalar instituições democráticas em Cuba. "Os Estados Unidos vão ajudar o povo cubano a construir uma democracia", afirmou Bush, repetindo o argumento que utilizou para invadir o Iraque. "Finalmente haverá um debate interessante. Alguns vão sugerir a promoção da estabilidade. Claro que, enquanto isso, os prisioneiros políticos seguirão apodrecendo em suas celas, e a condição humana continuará patética em muitos casos", comentou o presidente dos EUA.
O segundo homem no Departamento de Estado dos EUA, John Negroponte, descartou a suspensão imediata do embargo imposto à ilha comunista. "Não posso imaginar que isso aconteça num futuro próximo", declarou.
Durante seus dois mandatos como presidente, Bush destinou muitos recursos para pressionar Cuba. Em 2003, ele criou uma comissão para tentar derrubar o regime marxista cubano e reforçou o embargo no ano seguinte. Em 2006, quando Fidel Castro já estava gravemente doente, a Casa Branca rejeitou a idéia de utilizar a doença para alimentar uma crise em Cuba, limitando-se a reiterar suas exigências de eleições livres e mudanças democráticas.
Europa
Dirigentes da União Européia reiteraram a oferta de diálogo político com Cuba para um progresso pacífico de transição para uma democracia pluralista. "Reiteramos nossa predisposição para ter um diálogo político construtivo com Cuba e alcançar os objetivos da posição comum da União Européia em suas relações com a ilha", declarou, em Bruxelas, John Clancy, porta-voz do comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel. O Reino Unido saudou a renúncia de Fidel como uma "oportunidade para avançar para uma democracia pluralista", declarou um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown.
França e Espanha acreditam que Cuba passará por um processo de mudanças, com mais democracia. "A França espera que a decisão de Fidel Castro de renunciar à presidência abra um novo caminho e que exista mais democracia no país. O castrismo tem sido o símbolo do totalitarismo", afirmou o secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet. A Anistia Internacional afirmou que a renúncia de Fidel deve ser aproveitada pela "nova liderança cubana" para introduzir "as reformas necessárias que garantam a proteção dos direitos humanos na ilha".
Aliados
O presidente da Venezuela, Hugo Chaves, um dos mais próximos aliados do regime cubano, afirmou que Fidel Castro e Cuba "demonstraram ao mundo e principalmente aos Estados Unidos que a revolução marxista na ilha não depende de uma pessoa". Chavez não considerou a atitude de Fidel uma renúncia: "Renúncia, que renúncia?", ironizou. Outro afilhado de Fidel, o presidente da Bolívia, Evo Morales, chamou de dolorosa a renúncia do presidente de Cuba. "Para mim, é doloroso que o presidente, o comandante Fidel, peça à Assembléia Nacional para deixar a presidência. Sinto muito, aprendi muito com ele, trabalhando pela unidade e pela solidariedade", declarou.
O governo da China, que sempre manteve boa relações com Cuba, saudou o "dirigente revolucionário e velho amigo" Fidel e manifestou o desejo de que ambos os países comunistas mantenham as boas relações. "O presidente Castro é um dirigente revolucionário profundamente amado pelo povo cubano e também um velho amigo do povo chinês", indicou o Ministério das Relações Exteriores chinês.
O Vietnã, outro fiel aliado de Cuba, expressou sua convicção de que Fidel continuará "consagrando sua inteligência e força à causa revolucionária cubana", esteja onde estiver. Na Rússia, o líder do Partido Comunista, Guennadi Ziuganov, afirmou que Fidel renunciou à presidência de Cuba como um "político genial", guiado pelos interesses do país.
A renúncia de Fidel Castro ao cargo de presidente do Conselho de Estado e de comandante-em-chefe das forças armadas do país, anunciada ontem, não vai suspender o embargo econômico imposto à ilha pelos Estados Unidos desde 1962, ano da consolidação da revolução socialista em Cuba. Em visita a Ruanda, o presidente dos EUA, George W. Bush, declarou que a saída de Fidel "deveria constituir o início de uma transição democrática para o povo cubano". Washington tinha prometido suspender o isolamento somente em caso de realização de eleições livres para todos os cargos públicos em Cuba.
Bush sugeriu que, após o afastamento de Castro, o governo cubano deveria dar o "primeiro passo para a democracia e libertar os prisioneiros políticos. O presidente americano pediu à comunidade internacional que contribua para instalar instituições democráticas em Cuba. "Os Estados Unidos vão ajudar o povo cubano a construir uma democracia", afirmou Bush, repetindo o argumento que utilizou para invadir o Iraque. "Finalmente haverá um debate interessante. Alguns vão sugerir a promoção da estabilidade. Claro que, enquanto isso, os prisioneiros políticos seguirão apodrecendo em suas celas, e a condição humana continuará patética em muitos casos", comentou o presidente dos EUA.
O segundo homem no Departamento de Estado dos EUA, John Negroponte, descartou a suspensão imediata do embargo imposto à ilha comunista. "Não posso imaginar que isso aconteça num futuro próximo", declarou.
Durante seus dois mandatos como presidente, Bush destinou muitos recursos para pressionar Cuba. Em 2003, ele criou uma comissão para tentar derrubar o regime marxista cubano e reforçou o embargo no ano seguinte. Em 2006, quando Fidel Castro já estava gravemente doente, a Casa Branca rejeitou a idéia de utilizar a doença para alimentar uma crise em Cuba, limitando-se a reiterar suas exigências de eleições livres e mudanças democráticas.
Europa
Dirigentes da União Européia reiteraram a oferta de diálogo político com Cuba para um progresso pacífico de transição para uma democracia pluralista. "Reiteramos nossa predisposição para ter um diálogo político construtivo com Cuba e alcançar os objetivos da posição comum da União Européia em suas relações com a ilha", declarou, em Bruxelas, John Clancy, porta-voz do comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel. O Reino Unido saudou a renúncia de Fidel como uma "oportunidade para avançar para uma democracia pluralista", declarou um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown.
França e Espanha acreditam que Cuba passará por um processo de mudanças, com mais democracia. "A França espera que a decisão de Fidel Castro de renunciar à presidência abra um novo caminho e que exista mais democracia no país. O castrismo tem sido o símbolo do totalitarismo", afirmou o secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet. A Anistia Internacional afirmou que a renúncia de Fidel deve ser aproveitada pela "nova liderança cubana" para introduzir "as reformas necessárias que garantam a proteção dos direitos humanos na ilha".
Aliados
O presidente da Venezuela, Hugo Chaves, um dos mais próximos aliados do regime cubano, afirmou que Fidel Castro e Cuba "demonstraram ao mundo e principalmente aos Estados Unidos que a revolução marxista na ilha não depende de uma pessoa". Chavez não considerou a atitude de Fidel uma renúncia: "Renúncia, que renúncia?", ironizou. Outro afilhado de Fidel, o presidente da Bolívia, Evo Morales, chamou de dolorosa a renúncia do presidente de Cuba. "Para mim, é doloroso que o presidente, o comandante Fidel, peça à Assembléia Nacional para deixar a presidência. Sinto muito, aprendi muito com ele, trabalhando pela unidade e pela solidariedade", declarou.
O governo da China, que sempre manteve boa relações com Cuba, saudou o "dirigente revolucionário e velho amigo" Fidel e manifestou o desejo de que ambos os países comunistas mantenham as boas relações. "O presidente Castro é um dirigente revolucionário profundamente amado pelo povo cubano e também um velho amigo do povo chinês", indicou o Ministério das Relações Exteriores chinês.
O Vietnã, outro fiel aliado de Cuba, expressou sua convicção de que Fidel continuará "consagrando sua inteligência e força à causa revolucionária cubana", esteja onde estiver. Na Rússia, o líder do Partido Comunista, Guennadi Ziuganov, afirmou que Fidel renunciou à presidência de Cuba como um "político genial", guiado pelos interesses do país.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte VI: Transição será lenta
Para especialistas, reforma econômica de Raúl Castro deve adiar abertura política por meia década
Com a possível nomeação de Raúl Castro como presidente de Cuba no próximo domingo, o regime ganha fôlego para os próximos cinco anos. Até lá precisará resolver, ou pelo menos minimizar, o déficit de emprego e a escassez de alimentos na ilha caribenha, além de problemas crônicos, como a dupla monetarização. O "boom" do turismo, na década de 1990, deixou um rastro de mazelas, inclusive a desigualdade social. Especialistas consultados pelo Correio foram cautelosos em prever uma abertura política a curto prazo. Para uns, Raúl comandará uma transição lenta, focada na oferta controlada de novos negócios para os investidores estrangeiros. Para outros, é preciso que a comunidade internacional mantenha pressão no regime.
"Este é o começo do fim da ditadura de Castro", disse à reportagem o embaixador Roger Noriega, ex-subsecretário de Estado norte-americano para Assuntos Latino-Americanos e inimigo declarado de Fidel. Pouco otimista sobre o futuro da ilha, ele garante que "a política do Estado permanece intacta". "Raúl provou ser incapaz de promover uma mudança democrática real em qualquer sentido. Ele não tem futuro", avalia. Para Noriega, "a comunidade internacional deve continuar buscando reformas políticas e econômicas reais para que os cubanos construam seu próprio futuro".
A tutela de cinco décadas minou a capacidade de mobilização popular em Cuba. Em países como Síria e Coréia do Norte, dinastias ditatoriais empreenderam a sucessão de seus líderes sem maiores constrangimentos. O norte-americano Mark Falcoff, do conservador American Enterprise Institute (AEI), aponta particularidades no caso cubano. "A transferência de poder de um irmão para outro revela um processo mais complexo e interessante", observa. Autor do livro Cuba, a manhã seguinte: confrontando o legado de Castro, Falcoff acha que a transição em Cuba começou há cinco anos. "Ela ocorre em câmera lenta e sem incidentes". Raúl se antecipou à aposentadoria do irmão e remanejou pessoas de sua inteira confiança para agências e ministérios estratégicos.
"Raúl também esteve no comando das Forças Armadas Revolucionárias, que desde o fim da aliança com a União Soviética se transformaram em fator de poder mais importante que o Partido Comunista", alerta. O especialista destaca que Raúl ocupava o cargo de ministro do Interior, com controle da polícia, do exército e do sistema prisional. "O sucessor de Fidel tem uma vantagem adicional. Está perfeitamente ciente de suas próprias limitações. Ele não é seu irmão e sabe disso", completa Falcoff. Caso Raúl suspenda certas restrições ao comércio e à produção, poderá se tornar rapidamente bastante popular em Cuba. No entanto, há dúvidas sobre se uma abertura econômica flexibilizaria a face política do regime.
Clima favorável
Hélio Doyle, estudioso do governo cubano e professor da UnB, concorda. "Mudanças são inevitáveis, porque o regime tem sempre que se adaptar às novas situações. A questão é saber se isso será o fim do regime ou se darão continuidade a ele", alerta. Doyle lembra que, com o fim da União Soviética, a ilha teve de atrair investimentos e conseguiu novo fôlego por mais 17 anos. Agora, Cuba se vê enfrentada por um mundo globalizado, com a crescente rede de comunicação. "Há um clima favorável para mudanças, mas não acho que haverá nada radical", ressalta. Para ele, Raúl é um líder respeitado e preparado. "É um dos sobreviventes do primeiro núcleo do ataque ao Quartel Moncada. Ele já era da Juventude Comunista quando o Fidel ainda estava ligado à centro-esquerda", sintentiza.
Nelson Cunningham, que foi assessor do ex-presidente Bill Clinton para a América Latina, acredita que Raúl será um líder passageiro, por causa de sua avançada idade — 76 anos. "Não lhe restarão muitos anos. Isso iniciará um processo de transição real", afirmou. Para o especialista Jaime Suchlicki, do Instituto de Estudos Cubanos da Universidade de Miami, a substituição do comando do regime cubano é "uma sucessão de fato", mas não deve trazer mudanças estruturais. "Raúl não é um reformista". "A lição de Fidel é que as mudanças econômicas na Europa do Leste levaram à queda do comunismo. Raúl será cuidadoso nisso", estima. Ele lembra que "os militares controlam até 60% das grandes empresas em Cuba. Não vão querer abrir mão desse poder econômico facilmente".
Com a possível nomeação de Raúl Castro como presidente de Cuba no próximo domingo, o regime ganha fôlego para os próximos cinco anos. Até lá precisará resolver, ou pelo menos minimizar, o déficit de emprego e a escassez de alimentos na ilha caribenha, além de problemas crônicos, como a dupla monetarização. O "boom" do turismo, na década de 1990, deixou um rastro de mazelas, inclusive a desigualdade social. Especialistas consultados pelo Correio foram cautelosos em prever uma abertura política a curto prazo. Para uns, Raúl comandará uma transição lenta, focada na oferta controlada de novos negócios para os investidores estrangeiros. Para outros, é preciso que a comunidade internacional mantenha pressão no regime.
"Este é o começo do fim da ditadura de Castro", disse à reportagem o embaixador Roger Noriega, ex-subsecretário de Estado norte-americano para Assuntos Latino-Americanos e inimigo declarado de Fidel. Pouco otimista sobre o futuro da ilha, ele garante que "a política do Estado permanece intacta". "Raúl provou ser incapaz de promover uma mudança democrática real em qualquer sentido. Ele não tem futuro", avalia. Para Noriega, "a comunidade internacional deve continuar buscando reformas políticas e econômicas reais para que os cubanos construam seu próprio futuro".
A tutela de cinco décadas minou a capacidade de mobilização popular em Cuba. Em países como Síria e Coréia do Norte, dinastias ditatoriais empreenderam a sucessão de seus líderes sem maiores constrangimentos. O norte-americano Mark Falcoff, do conservador American Enterprise Institute (AEI), aponta particularidades no caso cubano. "A transferência de poder de um irmão para outro revela um processo mais complexo e interessante", observa. Autor do livro Cuba, a manhã seguinte: confrontando o legado de Castro, Falcoff acha que a transição em Cuba começou há cinco anos. "Ela ocorre em câmera lenta e sem incidentes". Raúl se antecipou à aposentadoria do irmão e remanejou pessoas de sua inteira confiança para agências e ministérios estratégicos.
"Raúl também esteve no comando das Forças Armadas Revolucionárias, que desde o fim da aliança com a União Soviética se transformaram em fator de poder mais importante que o Partido Comunista", alerta. O especialista destaca que Raúl ocupava o cargo de ministro do Interior, com controle da polícia, do exército e do sistema prisional. "O sucessor de Fidel tem uma vantagem adicional. Está perfeitamente ciente de suas próprias limitações. Ele não é seu irmão e sabe disso", completa Falcoff. Caso Raúl suspenda certas restrições ao comércio e à produção, poderá se tornar rapidamente bastante popular em Cuba. No entanto, há dúvidas sobre se uma abertura econômica flexibilizaria a face política do regime.
Clima favorável
Hélio Doyle, estudioso do governo cubano e professor da UnB, concorda. "Mudanças são inevitáveis, porque o regime tem sempre que se adaptar às novas situações. A questão é saber se isso será o fim do regime ou se darão continuidade a ele", alerta. Doyle lembra que, com o fim da União Soviética, a ilha teve de atrair investimentos e conseguiu novo fôlego por mais 17 anos. Agora, Cuba se vê enfrentada por um mundo globalizado, com a crescente rede de comunicação. "Há um clima favorável para mudanças, mas não acho que haverá nada radical", ressalta. Para ele, Raúl é um líder respeitado e preparado. "É um dos sobreviventes do primeiro núcleo do ataque ao Quartel Moncada. Ele já era da Juventude Comunista quando o Fidel ainda estava ligado à centro-esquerda", sintentiza.
Nelson Cunningham, que foi assessor do ex-presidente Bill Clinton para a América Latina, acredita que Raúl será um líder passageiro, por causa de sua avançada idade — 76 anos. "Não lhe restarão muitos anos. Isso iniciará um processo de transição real", afirmou. Para o especialista Jaime Suchlicki, do Instituto de Estudos Cubanos da Universidade de Miami, a substituição do comando do regime cubano é "uma sucessão de fato", mas não deve trazer mudanças estruturais. "Raúl não é um reformista". "A lição de Fidel é que as mudanças econômicas na Europa do Leste levaram à queda do comunismo. Raúl será cuidadoso nisso", estima. Ele lembra que "os militares controlam até 60% das grandes empresas em Cuba. Não vão querer abrir mão desse poder econômico facilmente".
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte V: Cubanos no DF não crêem em mudanças
Os cubanos que vivem em Brasília celebraram a renúncia de Fidel Castro com entusiasmo tão fugaz quanto uma brisa. A sensação de que nada mudará é mais forte. "Esse fato poderia ser o início de uma transição e isso é positivo. Mas não me iludo que, com a renúncia de Fidel, amanhã tenhamos eleições e liberdade", comentou o médico José Blanco Herrea, 58 anos. Ele e a mulher, a bioquímica Ileana Zorrilla, 55, vivem no Brasil há 15 anos.
O casal veio ao país a trabalho, a convite da Federação Amazonense de Natação. Quando eles decidiram continuar no Brasil, os três filhos foram impedidos de sair de Cuba por dois anos. Para ele, a grande mudança na ilha ocorrerá quando houver liberdade de expressão, de ir e vir e o pluripartidarismo. "Com a renúncia, a pressão internacional pode acelerar essas mudanças. Mas ainda não dá para festejar", acredita Ileana. O médico Carlos Rafael Jorge Jiminez, de 58 anos, concorda. "Não vai acontecer nada por enquanto. Enquanto não tiver liberdade, eu não volto."
O gerente de projetos Julio de La Guardia, 34, acredita que Fidel continuará a influenciar nas decisões políticas. "Não estou vendo muita diferença com a saída dele. A situação do país só vai mudar quando Fidel morrer", disse. Ainda assim, o gerente é menos duro quando o assunto é o fim do castrismo. "Acho que o irmão de Fidel (Raúl Castro) poderá mudar algumas coisas. Ele é menos utópico que Fidel."
Para o empresário e refugiado político Rennier Lopez, de 28 anos, a saída do ditador é uma oportunidade para novos dirigentes — mesmo que aliados de Fidel — participarem mais das decisões do país. "O Judiciário tem de ser independente. Pelo menos 60 presos políticos têm de ser libertados e o governo tem de reconhecer outros partidos políticos. Isso iria me entusiasmar", defende Lopez que, em Cuba, foi expulso da faculdade e do emprego porque era de um grupo dissidente do governo.
O casal veio ao país a trabalho, a convite da Federação Amazonense de Natação. Quando eles decidiram continuar no Brasil, os três filhos foram impedidos de sair de Cuba por dois anos. Para ele, a grande mudança na ilha ocorrerá quando houver liberdade de expressão, de ir e vir e o pluripartidarismo. "Com a renúncia, a pressão internacional pode acelerar essas mudanças. Mas ainda não dá para festejar", acredita Ileana. O médico Carlos Rafael Jorge Jiminez, de 58 anos, concorda. "Não vai acontecer nada por enquanto. Enquanto não tiver liberdade, eu não volto."
O gerente de projetos Julio de La Guardia, 34, acredita que Fidel continuará a influenciar nas decisões políticas. "Não estou vendo muita diferença com a saída dele. A situação do país só vai mudar quando Fidel morrer", disse. Ainda assim, o gerente é menos duro quando o assunto é o fim do castrismo. "Acho que o irmão de Fidel (Raúl Castro) poderá mudar algumas coisas. Ele é menos utópico que Fidel."
Para o empresário e refugiado político Rennier Lopez, de 28 anos, a saída do ditador é uma oportunidade para novos dirigentes — mesmo que aliados de Fidel — participarem mais das decisões do país. "O Judiciário tem de ser independente. Pelo menos 60 presos políticos têm de ser libertados e o governo tem de reconhecer outros partidos políticos. Isso iria me entusiasmar", defende Lopez que, em Cuba, foi expulso da faculdade e do emprego porque era de um grupo dissidente do governo.
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