PSDB é contra a PMV
Val-André Mutran (Brasília) — O líder da Minoria na Câmara dos Deputados, Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), disse há pouco, que o seu partido dará entrada no Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade contra lei do Governo do Estado do Pará, aprovada na Assembléia Legislativa, de iniciativa da Governadora, do PT, que criou uma milícia estadual, com o apelido de Polícia Militar Voluntária (PMV), e abriu 4 mil vagas, sem concurso público, para que militantes políticos sejam empregados na guarda de quartéis, de prédio públicos estaduais, armados e sem concurso público.
Coutinho especulou, ainda, quais seriam os motivos da visita do presidente da Venezuela, Hugo Chávez na capital do Pará, previsto para a próxima quinta-feira, 27.
Segundo o parlamentar, em muitos Estados se criou a figura do voluntário nas polícias, mas para trabalho eminentemente burocrático, exatamente para retirar de dentro dos estabelecimentos públicos aqueles policiais que estavam cumprindo apenas funções burocráticas e administrativas, levando-os para a rua, onde o combate ao crime necessita de pessoas qualificadas.
"Essa foi uma idéia adotada por muitos Estados e está sendo desvirtuada no Pará", reclamou Coutinho.
"Querem contratar, insisto, sem concurso público, quatro mil homens. Até me surpreendi em relação à Governadora: mesmo com a criação dessa lei, as mulheres são discriminadas, no meu entendimento, outra eiva de inconstitucionalidade. Quer dizer, as mulheres não poderão ser voluntárias, apenas os homens?", questionou o tucano.
"Eles vão ser selecionados pelos critérios do Governo. Obviamente, critérios políticos. Imaginem espalhar pelo Pará 4 mil homens selecionados apenas por um Governo, sem critério objetivo, para serem empregados, armados, nos quartéis! E ainda mais: com definição de hierarquia."
Coutinho disse que: "Esses militares voluntários contratados, apadrinhados e afilhados terão hierarquia dentro do quartel. Vão ser considerados soldados. Soldados sem concurso, sem as prerrogativas e os requisitos necessários de que todos aqueles que ingressam na polícia Militar precisam."
Inconstitucional
Para o deputado, "em primeiro lugar a Lei fere a Constituição ao estabelecer como regra aquilo que deveria ser a exceção da exceção, o contrato temporário. Segundo, utilizam-se critérios nada claros na própria lei: de que maneira vai haver o recrutamento desse pessoal? Terceiro, concede-se-lhes armamento para ser utilizado na guarda de quartéis e próprios públicos estaduais. Quarto, discriminam-se as mulheres", acusou.
Para Zenaldo Coutinho é uma lei absurdamente inconstitucional e agressiva à democracia e aos primados da própria administração pública. Por essa razão, o PSDB ingressará amanhã, às 15h, com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, na expectativa de ver, de imediato, essa lei ter suspensos os seus efeitos e, em conseqüência, declarada inconstitucional.
"Nosso entendimento é que também isso é uma agressão à própria corporação militar. Ora, todos os policiais militares, desde o soldado até o coronel, tiveram que se submeter a concurso público e a concursos para ascensão funcional, promoção, mudança de classe e de cargos dentro da corporação e, de repente, são surpreendidos com esses policiais militares, chamados voluntários, remunerados com dois salários mínimos o que também é uma discriminação, porque receberão menos do que o policial em início de carreira. Ou seja, terão hierarquia definida por essa lei; receberão soldo com apelido de remuneração indenizatória, para fugir aos encargos trabalhistas e deixar de pagar os direitos legítimos ao trabalhador que será contratado", esbravejou o líder.
Hugo Chávez só leval o mal onde passa
Na opinião do parlamentar paraense a lei que criou a PVM é tão absurda que sua expectativa é que o Supremo Tribunal rapidamente a declare inconstitucional, no sentido de não seja oficializada uma milícia armada, política, dentro do Estado, que virá distorcer ainda mais o que chamou de "tão grave insegurança pública dentro do Estado do Pará, que se espraia pelo Brasil inteiro."
Em referência a visita oficial de um dioado presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Coutinho disse que a oficialização da Lei é para coincidir com a visita do líder que se autoproclamou criador da nova revolução bolivariana. "Ao mesmo tempo em que essa lei começa a entrar em execução, a Governadora receberá, na quinta-feira, o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no Estado do Pará.
Não sei que interesse o Presidente Hugo Chávez tem para levar ao Estado do Pará. Certamente não é coisa boa, porque ele não tem conseguido levar coisa boa para lugar algum, porque tem sempre se utilizado dos holofotes para tentar levar sua revolução bolivariana — que ninguém sabe o que é isso — para a América do Sul. "Por rechaçarmos as iniciativas desse ditadorzinho da América do Sul, também enfatizamos nossa indignação por essa visita desnecessária, absurda, sem nenhum compromisso com o Estado do Pará ou com o seu desenvolvimento. Trata-se de uma visita apenas para fazer proselitismo político. De outro lado também quero rechaçar essa lei absoluta e absurdamente inconstitucional lá apresentada", criticou.
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PSDB ingressa no STF contra a Lei que cria a Polícia Militar Voluntária do Pará
No próximo post o áudio e o texto na íntegra do líder da Minoria, Zenaldo Coutinho (PSDB-PA).
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Tem guerrilha no Brasil

O título acima é a chamada da manchete da revista Isto É sobre o domínio em uma área de aproximadamente 500 mil hectares apenas no Estado de Rondônia, e bases em Minas Gerais e Pará da Liga dos Camponeses Pobres.
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Águas de março, problemas antigos
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Um ladrãozinho real

Duli Yang Teramat Mulia Paduka Seri Pengiran Digadong Sahibul Mal Pengiran Muda Haji Jefri Bolkiah, é o nome do mais novo dos três irmãos do sultão de Brunnei.
Este é o pequeno iate de 60 metros do príncipe.
Jefri Bolkiah é um ladrãozinho. É acusado pelo irmão – o sultão – de surrupiar dos cofres públicos US$14,8 bilhões.
Agora, um das principais dores de cabeça do príncipe deverá ser o sustento dos 18 filhos, as três esposas e as duas ex-mulheres.
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Sem urgência nem relevância
A oposição promete obstrução da pauta.
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Câmara de joelhos: 14 MPs trancam a pauta
O presidente parece não está nem um pouco preocupado com o abuso de edição de Medidas Provisórias. Em seu o governo a média é 6,5 MPs, mais do que o dôbro da era FHC.
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Jazz: a eterna paixão dos franceses

Jazz: o elogio da diversidade
Foi na França, sob os dedos do guitarrista de origem cigana Django Reinhardt, que nasceu, nos anos 30, a idéia de um jazz original, libertado do modelo americano.
Sete décadas depois, o jazz continua em plena forma na França e seu único problema é a diversidade e a extensão de sua oferta estética.
Julien LourauEspecialidades: Acreditávamos estar acabada a época em que o jazz francês resumia-se à guitarra manouche (cigana) e ao acordeão swing. Eis que eles estão de novo nos palcos. Nas mãos de gerações que cresceram na tradição, porém expostas à diversidade do mundo moderno refletida na obra polimórfica de Bireli Lagrène: a guitarra manouche tirou proveito das afinidades com a canção francesa (Sanseverino) e da irrupção, ao seu lado, de um acordeão totalmente descomplexado para reivindicar sua herança popular, com o estilo New Musette de Richard Galliano. Este último mostrou a seus numerosos discípulos o caminho para um acordeão cosmopolita, trilhando de novo as estradas que percorreu o instrumento, no inicio do século XX, quando se dispôs a conquistar o mundo, do Brasil aos Bálcãs.
Mestiçagens: Paris é o lugar onde todos os caminhos se cruzam. Vem gente dos quatro cantos da Europa e dos Estados Unidos para recrutar baixistas, bateristas e percussionistas africanos, antilheses ou magrebinos, enquanto outros vêm confrontar suas raízes com outros ritmos (como o guitarrista Nguyen Lê, de origem vietnamita, com seu conjunto Maghreb & Friends). É nessa capital musical acolhedora que se encontram o italiano Paolo Fresu, o húngaro Gabor Gado, o belga Davide Linx ou o pianista bósnio Bojan Z (de Zulfikarpasic), que iniciou nos ritmos balcânicos o saxofonista Julien Lourau. Este último acaba de lançar, em 2007, Vs Rumbiaberta, um disco de rumba cubana gravado com músicos latinos que se encontraram na capital francesa.
Padrinhos: Entre os veteranos que mantêm contato com as novas gerações, encontramos um italiano (Ricardo del Fra) e um suíço (Daniel Humair). O primeiro, ex-baixista de Chet Baker e atual diretor do curso de jazz do Conservatório Nacional Superior de Paris, reuniu, no âmbito do Jazzoo Project, alguns dos mais brilhantes de seus ex-alunos. O segundo mergulha sua bateria na fonte da juventude de seu Baby Boom: o guitarrista Manu Codja , o contrabaixista Sébastien Boisseau, os saxofonistas Mathieu Donarier e Christophe Monniot são representantes de uma nova guarda que, seguindo o modelo do padrinho, privilegia a elegância do gesto e a exigência da forma, longe dos dogmas vanguardistas e da timidez dos tradicionalistas.
Capital: As casas noturnas parisienses são locais de confrontos e confraternização entre os herdeiros dos grandes modelos do jazz americano (Pierrick Pédron), liberados (irmãos Belmondo) e meio malucos (Le Sacre du Tympan). Recentemente, surgiram as mulheres, como maestrinas ou virtuoses de instrumentos de reputação viril como o trompete (Airelle Besson) ou a bateria (Anne Paceo). Numa noite, podemos descobrir ao acaso a saxofonista Géraldine Laurent tocando entre as mesas de um bar de bairro. No dia seguinte, seu nome corre de boca em boca. Em janeiro de 2007, ela partiu para Nova Iorque como representante da França em encontros internacionais e está no sumário do New York Times.

Géraldine Laurent
Regiões: Outros preferem manter-se distantes das pressões da capital com o objetivo de preservar sua independência. Foi na qualidade de filho da região de Gex (Jura, no leste da França) e de freqüentador da cena eletro-hip-hop de Lausanne que Erik Tuffaz criou, longe de Paris, o quarteto que se tornou uma das locomotivas do legendário selo Blue Note. Assim, da mesma forma foram criados cenários originais em Marselha, Lyon, Mâcon, Lille, etc. Nantes é um verdadeiro viveiro, que vem crescendo há dez anos em torno do saxofonista Alban Darche e das várias ramificações de seu conjunto, o Gros Cube. Em 2006, ele lançou, em trio, o CD Trickster, um dos discos mais tranquilamente groovy da temporada.
Franck Bergerot, redator-chefe adjunto da revista Jazzman
Onde ouvir jazz em Paris?
No coração de Paris, a rua dos Lombards é absolutamente inevitável. Vai-se do Duc des Lombards, o mais clássico, ao Baiser Salé , o mais mestiço, sem esquecer os Sunset e Sunside, os mais na moda. Seria um erro, no entanto, restringir-se a essas quatro casas: os futuros astros do Lombards apresentam-se freqüentemente no Franc Pinot (o mais be-bop), na Île Saint Louis, o 7 lézards (mais audacioso) no Marais ou o Autour de Minuit na rue Lepic (o mais clássico e ao mesmo tempo o mais eclético). Sempre em Paris – e para os que gostam de se arriscar – há o Voûtes, no bairro da Grande Biblioteca (Biblioteca Nacional da França, no 13o distrito), o Olympic, ao norte do Goutte d’Or o Zèbre em Belleville , ou o Atelier du Plateau, nas Buttes Chaumont. É possível aventurar-se até as portas de Paris – sempre perto de uma estação de metrô – no Jazz Club Lionel Hampton do Hotel Méridien da porte Maillot, no Trabendo do Parque de La Villette (onde está a orquestra residente Paris Jazz Big Band), no Triton da Porte des Lilas, (alternativa ao consenso da rua dos Lombards) ou então no Instants Chavirés (refúgio do radicalismo), em Montreuil.
Rádio
Hoje, graças a Internet, podemos ouvir, no mundo todo, as estações de rádio que colocam o jazz francês em evidência France Musique (http://www.radiofrance.fr/) permite ouvir suas transmissões em arquivo depois da transmissão ao vivo. Le Jazz probablement (programa temático), Jazz de pique jazz de cœur, (encontro semanal com um músico), À l’improviste (em torno da improvisação), Jazz Club ( transmissão ao vivo das casas noturnas parisienses), Jazz sur le vif (transmissão das apresentações de Radio France). Para ouvir transmissões ao vivo é bom não esquecer de TSF (http://www.tsfjazz.com/) que transmite jazz 24 horas por dia, todos os dias da semana.
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Um exemplo de simbiose entre o tradicional e o moderno é outra marca do cenário musical francês

em 2007, o César do melhor tema de filme do ano.”
A música popular francesa aproxima as gerações
Chamado na França de “Variétés”, esse gênero dito popular segue encantando. Os artistas da primeira e da segunda geração continuam a enriquecer seu repertório, enquanto surge uma nova geração extremamente promissora.
“ Musa dos anos 60, a elegante Françoise Hardy continua inspirando e atraindo para si os melhores talentos franceses de todas as gerações.”A “velha guarda”: união dos talentos
Em seu último álbum, Parenthèses (2006), Françoise Hardy, musa dos anos 60, reuniu doze estrelas que admira para interpretar, em duo, suas canções preferidas (de sua autoria e de outros). De Henri Salvador a Benjamin Biolay, passando por Alain Bashung e Maurane, o elenco mistura as gerações. Um disco elegante e intimista em que a ouvimos pela primeira vez cantar com os dois homens de sua vida: seu companheiro, o ator e cantor Jacques Dutronc, e o filho deles Thomas, também músico.
Michel Delpech, cantor de sucesso nos anos 70, cercou-se também de uma plêiade de artistas (Francis Cabrel, Julien Clerc, Laurent Voulzy, Cali, Bénabar, etc.) para regravar, em 2006, em seu CD Michel Delpech &, os maiores sucessos de sua carreira. Pour un flirt, Que Marianne était jolie, Wight is Wight são baladas que fazem parte do seleto time das músicas que nunca saem de moda.
Fugain e Jonasz: homenagem aos artistas
Para realizar seu disco Bravo et Merci (2007), Michel Fugain pediu aos grandes nomes da Música popular francesa uma letra para musicar. Doze autores-intérpretes, entre os quais Charles Aznavour, Serge Lama, Véronique Sanson e Claude Nougaro (que escreveu a letra algumas semanas antes de falecer), aceitaram o convite. São textos otimistas, melancólicos e engajados, acompanhados de melodias ritmadas do ex-líder do Big Bazar (grupo musical hippie dos anos 70).
Michel Jonasz, por sua vez, quis homenagear lendas da canção francesa. Seu último trabalho, Chanson Française (2007), é o primeiro de uma trilogia dedicada às canções que embalaram sua infância e juventude. Nosso mestre do swing interpreta com emoção Jacques Brel, Georges Brassens, Léo Ferré e Édith Piaf, ressuscitando suas canções em versões jazzísticas.
Segunda geração
Com Totem, gravado ao vivo e lançado em 2007, Zazie lança um disco mais intimista que os anteriores. Confessando suas desilusões amorosas e sua busca existencial, a cantora pop coloca a nu sua sensibilidade sempre à flor da pele. Esse CD com tendências rock e eletrônica traz também canções evanescentes e melancólicas. Uma obra cheia de sinceridade em que Zazie não deixa de, mais uma vez, lançar um olhar sensível sobre mundo.
O mundo sorri para Mathieu Chédid, de codinome M, que, com sua guitarra singular, é conhecido pela voz aérea e suas performances extravagantes. Premiado durante a cerimônia de entrega do prêmio César de cinema pelo tema original do filme de Guillaume Canet, Ne le dis à personne, ele também fez o papel de herói no conto musical, Le Soldat Rose (escrito por seu pai, Louis Chédid); premiado durante as Victoires de la Musique 2007, na categoria “Variété”. A cereja no bolo: M acaba de concluir a direção do álbum de Vanessa Paradis, acontecimento fonográfico do ano que vem.
Estimada pelos profissionais da área e querida pelo grande público, Zazie emprestou seu estilo versátil e inspirado nas letras a várias gerações de artistas franceses.
Inteligente, engraçado e tocante, Bénabar segue a tradição da canção realista. Ele foi eleito o melhor intérprete masculino do ano de 2006.A nova geração
Queridinho do novo cenário musical francês, Bénabar terminou 2006 como o quarto francês que mais vendeu discos. Esse cantor popular construiu sua identidade esmiuçando cenas da vida cotidiana com humor, simplicidade e um estilo musical apurado. Seu quinto álbum, Reprise des Négociations (2005), foi unanimidade de público e crítica. Bénabar foi eleito o artista-intérprete de 2006 durante as Victoires de la Musique.
Com sua cara de anjo, Raphaël é chamado com freqüência de “galã das domésticas” -- o similar pariense de Odair José -- melhorado, como percebe-se na foto do gajo. Seu terceiro CD, Caravane (2005), vendeu mais de um milhão de cópias e recebeu três prêmios durante as Victoires de la Musique, que consagraram seu talento. Com seu estilo entre a música popular francesa e o pop, Raphaël esboça um universo poético em que se pergunta sem parar sobre os ciclos da vida.Na categoria música romântica, Martin Rappeneau, filho do diretor Jean-Paul Rappeneau, quer ser o herdeiro de Michel Polnareff e de Michel Berger, assim como da influência funk de Sinclair que, aliás, participou de seu primeiro álbum em 2004. Para realizar L’Âge d’Or (2006), obra em parte autobiográfica, Rappeneau cercou-se de músicos renomados e utilizou-se da voz da cantora Camille, co-autora de uma das faixas.
Adrienne Pauly, vinte e seis anos, atriz de formação, é uma das revelações de 2006. Suas canções pop-rock descoladas, somadas a sua zombaria, classificam-na entre as cantoras exuberantes dos anos 80, como Catherine Ringer, do grupo Rita Mitsouko. Um talento e ser acompanhado.
Raphaël, com cara de anjo talentoso, dá continuidade à tradição que oscila entre a música popular francesa e o pop.
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Peculiaridade na maneira de transitar em praias além oceânicas
Mesclando rap, slam e jazz, com referência à canção francesa, Ab Al Malik é umas das revelações de 2006.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial a França, definitivamente linkou-se com os Estados Unidos da América. Os músicos de Jazz e Big Bandas americanas eram idolatrados pelos franceses.
Apesar do distanciamento francês como aliado da hora dos americanos determinado pela política externa contra a hegemonia ianque desde o governo do socialista François Mitterrand, e seus sucessores, marcou um certo afastamento dessa realação. Basta reler a postura dos dirigentes franceses contra o envio de tropas ao Iraque. E a França nunca foi vítima de uma tentado como o sofrido pelos espanhóis e ingleses nessa guerra contra o terrorismo.
Passando ao largo desse Epopéia, um segmento interessantíssimo de músicos franceses adoram o Hip-Hop e o Rap -- estilos -- nascidos nos guêtos das maiores cidades americanas em meio à miséria e violência de países do Terceiro Mundo, ou, no neologismo: Emergentes.
Nascido nos guetos negros americanos nos anos 70, o rap desembarcou nas ondas francesas em 1984. Mas foi só no final da década que um rap especificamente francês surgiu com as primeiras improvisações no rádio dos grupos NTM, Assassin e do cantor MC Solaar, cujas letras engajadas decodificavam os males da sociedade: racismo, precariedade e violência. Nos anos 90, o gênero cindiu-se em várias vertentes: o rap contrário ao sistema, com reivindicações por vezes violentas (NTM, Ministère Amer, etc.); um rap comercial e dançante (Alliance Ethnic, Ménélik, etc.), desprezado pelos puristas; enquanto um rap responsável e poético (MC Solaar, Iam, etc.) abria uma terceira via. A partir de 2000, o rap enriqueceu-se ainda mais com o surgimento de novos artistas e a democratização de estilos como o slam, poesia contemporânea declamada em cena.
Os bem-comportados
Graças a seu primeiro CD, que vendeu 400.000 exemplares, Grand Corps Malade transformou um gênero confidencial – o slam – em um fenômeno de grande público. No disco Midi 20 (2006), esse jovem de vinte e nove anos escande seus poemas urbanos à capella*, abordando os mais diversos temas, como a exclusão social, o amor e os testes a que a vida nos confronta. As palavras são contundentes, mas o humor não perde o otimismo. Uma sede de viver que Grand Corps Malade tira de sua história pessoal: paralisado durante dois anos em conseqüência de um acidente esportivo, ele conseguiu voltar a andar. Completamente conquistado por sua singularidade, o meio profissional deu a ele dois prêmios Victoires de la Musique: melhor artista e melhor álbum do ano de 2006 na categoria revelação.
Na mesma linha, Abd Al Malik faz papel de filósofo dos tempos modernos. Esse artista de origem congolesa, que pôs um ponto final em seu passado tumultuoso (na juventude, oscilou entre a delinqüência e o extremismo religioso) defende hoje um rap pacifista, que prega a tolerância e incita ao diálogo entre os homens. Seu estilo musical mescla rap, slam e jazz, com referências às figuras lendárias da canção francesa, como Jacques Brel. Seu segundo disco, Gibraltar, foi consagrado como “o melhor álbum de música urbana” de 2006, durante o último Victoires de la Musique.”
Menos presente na mídia, Rocé também defende um rap dito “consciente”. Símbolo vivo da mestiçagem cultural (tendo, ao mesmo tempo, origens argelina, russa, argentina, judaica e muçulmana), ele aborda com força, mas cuidadosamente, seus temas prediletos: passado colonial, imigração e identidade. No cruzamento entre hip-hop e jazz, seu último disco, Identité en Crescendo (2006), inova musicalmente.
Keny Arkana, Oxmo Puccino e a compilação Planète Rap
Os provocadores
Encabeçando a lista dos rappers franceses mais controversos, está Joey Starr. O grupo NTM, que formou com Kool Shen em 1989, é emblemático desse rap contrário ao sistema dos anos 90. Oito anos depois do fim do grupo, Joey lançou seu primeiro disco solo, Gare au Jaguar, em outubro de 2006. Apesar de seu discurso ser bastante virulento, ele desenvolveu uma consciência cidadã, convidando os jovens a votar.
Visto como “menino mau” na meio do rap francês, Booba é um dos maiores vendedores de discos da França. Seu terceiro álbum, Ouest Side (2006), vendeu mais de 200.000 cópias. Booba é freqüentemente associado ao estereótipo do “rapper bandido” à americana, fazendo apologia à violência e ao tráfico. Um discurso voluntariamente cínico, que acusa a sociedade de não oferecer, segundo ele, outra escolha aos excluídos do sistema.
O rap no feminino
Famosa desde o final dos anos 90, Diam’s contribui para a feminização dos temas do rap francês. Esta jovem de vinte e seis anos de origem cipriota conseguiu impor sua energia e sua escrita incisiva em um meio dominado por homens. Em Brut de Femmes (sucesso do ano de 2003), não temeu romper o tabu da violência conjugal e do sexismo da periferia. Em 2006, Diam’s engaja-se de novo, atacando o mal-estar social e acusando a extrema direita (Dans ma Bulle, melhor venda de álbuns de 2006, com 600.000 exemplares vendidos). Personalidade íntegra e generosa, Diam’s transcendeu as fronteiras do rap transformando-se em porta-voz de toda uma geração. Muitas vezes comparada a Diam’s por seu temperamento combativo, Keny Arkana, marselhesa de vinte e quatro anos, revelada em 2006, define-se como “uma contestatória que faz rap”. Em seu primeiro disco oficial, Entre Ciment et Belle Étoile, esta militante anti-globalização, “marcada a ferro quente” por uma infância difícil, expressa sua raiva. Ela denuncia as desigualdades em escala planetária, mas também volta seu olhar para a juventude dos bairros abandonados. Uma artista em carne viva, cujo talento promete.
O rap tem…
Versão jazz: Oxmo Puccino Figura de destaque do rap parisiense nos anos 90, conhecido por seus “freestyles” (ou improvisações) no rádio, Oxmo Puccino fez sua grande volta ao cenário musical em 2006, com o lançamento de Lipopette Bar. Esse disco jazzístico foi composto com a colaboração dos quatro músicos do grupo francês Jazzbastards. Desenhando um universo metafórico, Oxmo Puccino mergulha o ouvinte num ambiente noturno de cabaré. Cada título conta uma histórica que põe em cena personagens diretamente saídos de um filme policial em preto e branco.
Versão pop: TTC Depois de nove anos de existência, o grupo TTC continua a cultivar um estilo pop de “grande público”, muito distante dos discursos engajados. 3615 TTC, lançado no início de 2007, tem letras leves, impregnadas de um machismo que adere facilmente à pele do rap, acompanhadas por ritmos eletrônicos.
Versão tecno: DJ Mehdi Compositor hip-hop, autor de músicas de grandes nomes do rap, como Akhenaton ou MC Solaar, DJ Mehdi orientou-se para a música eletrônica. Lucky Boy, lançado em 2006, revela uma música na qual confluem funk e tecno.
Na Internet: sites oficiais dos artistas, nos quais há biografias, fotos, trechos de músicas, vídeos, fóruns, etc.
Abd Al Malik: www2.abdalmalik.fr
* Sem acompanhamento de instrumentos.
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Uma princesa desde o berço

Charlotte Gainsbourg
Charlotte Gainsbourg é uma perturbadora mistura de força e fragilidade
Vinte anos depois do álbum Charlotte For Ever, no qual cantava em duo com seu pai, a atriz Charlotte Gainsbourg retoma seus primeiros amores. Aos trinta e cinco anos, lança um álbum-evento, 5.55, cuja vendagem não pára de aumentar. Biografia de uma filha de estrelas.
Charlotte Gainsbourg nasceu em um universo de artistas. Seu pai, o genial Serge Gainsbourg, é um dos maiores autores-compositores-intérpretes do século XX, uma mistura de poeta e provocador. Sua mãe, Jane Birkin, é atriz e cantora de origem britânica, musa de Serge e ícone dos anos 1970.
Charlotte despontou no cenário musical e cinematográfico ainda na adolescência. Sua delicada voz foi ouvida pela primeira vez, em 1984, na faixa Lemon Incest, canção diabólica que interpreta com o pai. Dois anos depois, Serge Gainsbourg compôs o disco Charlotte For Ever para a filha, colocando-a, com apenas quinze anos de idade, entre as “grandes” estrelas.
Paralelamente, Charlotte inicia sua carreira no cinema, revelando-se em dois filmes do cineasta Claude Miller: L’Effrontée (A Descarada, de1985), em que interpreta uma adolescente rebelde e sonhadora e A Pequena Ladra (1988), com roteiro de François Truffaut, retrato de uma jovem ávida por liberdade. Os franceses foram conquistados pelo tímido charme e pela fragilidade da pequena Charlotte. A atriz também foi adotada pela “grande família” do cinema, que lhe concedeu, por sua atuação em L’Effrontée, o prêmio César de melhor atriz-revelação.

Nos anos seguintes, Charlotte Guainsbourg colaborou com cineastas de renome, como Patrice Chéreau, Bertrand Blier, Jacques Doillon… Mas a morte do pai, em 1991, fez com que mergulhasse em uma profunda tristeza. Voltando a atuar alguns anos depois, ela conquistou o público com a maturidade e a segurança da mulher que se tornou. Ela foi a alma do sucesso das comédias La Bûche (A Lenha), de Danielle Thompson, Ma Femme est une Actrice (Minha Mulher é Atriz)e Ils se Marièrent et Eurent Beaucoup d’Enfants (E Viveram Felizes para Sempre), de Yvan Attal, ator e diretor com o qual vive.
Desde então, é solicitada pelos mais originais talentos do cinema francês: de Dominik Moll (Harry, un Ami qui Vous Veut du Bien/ Harry – Um Amigo que Veio para Ajudar ), passando pelo thriller psicológico Lemming (Instinto Animal) em 2005, até Michel Gondry, no filme La Science des Rêves (A Ciência dos Sonhos), verdadeiro óvni cinematográfico lançado em agosto de 2006. Ela também é cortejada por diretores internacionais: atuou ao lado de Sean Penn em 21 Gramas (2004) do mexicano Alejandro Gonzales Irarritu, acaba de rodar, na Argentina, o filme de época The Golden Door do italiano Emmanuel Crialese e prepara-se para integrar o elenco do diretor americano Todd Haynes no I’m not there, que retraça a vida de Bob Dylan.
O grande “come back” musical
Mas foi em agosto de 2006 que Charlotte Gainsbourg virou notícia. Depois de ter abandonado o cenário musical por vinte anos, ela acaba de lançar um disco pop-rock, com inspiração inglesa, bastante esperado. Esse era um projeto no qual pensava há dez anos, mas foi o encontro decisivo com a banda francesa de música eletrônica Air, na saída de um show de Radiohead em 2003, que fez com que desse o passo definitivo.
Para a realização desse disco, grandes nomes do mundo da música não demoraram a integrar-se ao projeto: Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, a dupla do grupo Air, de Versalhes, autores das melodias, os letristas ingleses Jarvis Cocker (Pulp) e Neil Hannon (The Divine Comedy),o produtor Nigel Godrich (Radiohead, Paul MacCartney) e ainda os músicos Tony Allen na percussão e Davi Campbell, pai de Beck, nas cordas.
Esse time de primeira linha fechou-se em um estúdio de gravação parisiense durante um ano, trabalhando sem parar. Charlotte Gainsbourg decidiu interpretar suas canções na língua de Shakespeare (com exceção de uma), pois, como explica: “Cantar em francês me aproximava demais de meu pai. Demais e menos bem”.
Em 5.55, álbum deliciosamente melancólico, ela murmura melodias evanescentes, mergulhando o ouvinte no centro de seu universo. Um universo noturno, entre o sonho e o pesadelo, povoado por criaturas imaginárias e fantasmas do passado. Ao mesmo tempo torturada, apaixonada e sensual, Charlotte diz quem é. Sua voz ganhou mais segurança: emprestando os agudos da mãe, ela é, ao mesmo tempo, velada e intensa. Instrumentalmente, o disco deve sua qualidade às guitarras acústicas e ao piano. A influência musical paterna também é percebida: as linhas dos baixos e dos violinos são uma referência direta ao álbum “cult” Melody Nelson, composto em 1971 por Serge Gainsbourg.
Aclamado de maneira unânime pela crítica, 5.55 está no topo das vendas desde a primeira semana de lançamento, preparando-se para ganhar o mundo: depois da Europa, o álbum será lançado nos Estados Unidos e na Ásia. Charlotte Gainsbourg fará shows? A questão permanece em aberto, a perspectiva de subir em um palco ainda a assusta. Seu atual projeto é criar um museu na rua de Verneuil, em Paris, a última morada de seu pai, para que o público descubra essa casa, que manteve intacta. Um pai que teria hoje um enorme orgulho da filha.
Stéphanie Secqueville, jornalista
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