Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte IV: Brasileiras relatam clima na ilha

Era para ser um "matutino" rotineiro, ritual no qual estudantes da Universidade Orlando Gutiérrez, em Nueva Gerona — capital da Isla de La Juventud —, perfilam-se diante da bandeira e cantam o hino de Cuba. No entanto, a paulistana Estela Maria Mota Oleiro, de 23 anos, percebeu que havia algo de diferente. "Nossa diretora leu a carta de Fidel, em que ele prometia ser um homem de palavras a partir de agora. Ela ficou muito emocionada e colegas cubanos também ficaram muito tristes", relatou. Segundo a caloura da Faculdade de Medicina, o clima no país é muito tenso. "O povo daqui trata Fidel como se fosse Deus, é como se ele tivesse morrido", disse.

A publicitária goiana Claudia Melissa Neves dos Santos, de 28 anos, tinha um objetivo: conhecer a Cuba de Fidel antes que ele morresse e tudo mudasse. Depois de 17 dias na ilha e de muitas conversas com cubanos, ela retornou ao Brasil na sexta-feira passada. "Vejo que a situação na ilha não vai sofrer alterações. Fidel abriu mão do governo para garantir a continuidade do regime e evitar que um louco tome o poder a qualquer custo", opinou. Claudia fez questão de perguntar o que os moradores da ilha pensavam sobre o ex-presidente. Segundo ela, muitos ficaram assustados com a pergunta, falaram bem sobre o socialismo, mas admitiam que queriam ter mais dinheiro e liberdade. "No entanto, as pessoas não estão insatisfeitas, não querem pular no mar para chegar aos Estados Unidos", completou.

Pela manhã de ontem, a catarinense Juliana Secchi, de 22 anos, caminhou pelos becos de Havana com o jornal Granma às mãos. Falou com várias pessoas, não observou comemoração ou pesar e presenciou o tema da renúncia em grupos pequenos de cubanos. "Até as 11h muitas pessoas não sabiam da notícia. Aquelas com quem falei acreditam que tudo continuará como está, pois a Revolução vai muito além de Fidel", afirmou. (RC)

Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte III: Tristeza em Cuba, alegria em Miami

Moradores da ilha caribenha destacam inteligência do líder. Exilados celebram "fim do reinado de terror"

O técnico em informática Brandys Roberto Cabrera Graverán nasceu em 1959, quando Fidel Castro e Camilo Cienfuegos forçaram a fuga do ditador Fulgêncio Batista e decretaram o início da Revolução Cubana. Talvez por isso esse morador de Havana de 49 anos demonstre serenidade ao falar do afastamento do Comandante. "Nós recebemos a notícia com naturalidade e senso comum", afirmou ao Correio. Na opinião dele, os últimos 50 anos têm sido de mudanças na ilha caribenha. "Fidel cometeu erros e acertos, mas sempre contava com o apoio da maioria da população", acrescentou. Ao ser questionado se o ex-presidente era um ditador, esse cidadão cubano adota a cautela. "Penso que Fidel é um homem de seu tempo, de uma grande visão revolucionária, um líder que cometeu erros que não destoaram de seus princípios", comentou. Para Graverán, o maior erro de Cuba foi ter copiado o sistema socialista europeu.

Em Sanctí Spiritus, cidade situada na região central da ilha, Oscar Alfonso Sosa também encarava a renúncia de Fidel com tranqüilidade. Aos 40 anos, o repórter do jornal Escambray Digital considerou "muito sábia" a decisão do político e lembrou que Cuba "marcha" bem. "Agora vamos desfrutar de sábias reflexões, de uma conferência magistral de sabedoria política", comemorou. Sosa ressaltou que Fidel não opina sozinho sobre os rumos da ilha, mas faz parte de um conjunto de "companheiros" responsáveis pelas decisões nacionais. "Não creio que ninguém se submeta a prescindir de tanta sabedoria e experiência", alertou. O jornalista acredita ser muito prematuro falar em fim da era Fidel e também rejeita a pecha de ditador para o ex-chefe de Estado. "Não creio que alguém que tenha dedicado sua vida à frente de um país e pelo bem-estar dos cidadãos seja um ditador", justificou-se, admitindo que a história enalteceu poucos personagens como Fidel.

Omar López Montenegro, de 53 anos, contou à reportagem ter provado os dissabores da ditadura castrista. "Fui preso pela última vez em 19 de abril de 1992 e sofri torturas na Via Marista, quartel-general do exército de Cuba", disse o fundador do Movimento Pró-Direitos Humanos em Cuba, há 16 anos exilado em Miami (Estados Unidos). "Levei tapas, fiquei em uma cela sem janelas, me privaram de sol, banho e sono. Os interrogatórios ocorriam a qualquer hora. Quando saí de lá, estava com atrofia muscular e não conseguia caminhar por 20 metros", lembrou. Para o ativista da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), a renúncia de Fidel encerra um "capítulo obscuro" na história de Cuba, um "reinado de terror" de quase 50 anos.

De acordo com Montenegro, a saída do presidente cubano representa uma oportunidade histórica para o início de uma guinada pela democracia no país. Ele sustenta que o momento é ideal para a oposição interna promover sua agenda política, sem medo de perseguição. O exilado comentou que a pobreza é a primeira base da discriminação econômica produzida pelo regime. "As pessoas que trabalham não têm permissão para obter bens, não podem pagar com pesos cubanos. Como a marginalização era determinada pela vontade do governo de Fidel, o povo estava condenado à miséria", opinou.

Comemoração
Parte dos 750 mil cubanos saiu às ruas de Miami para uma comemoração tímida. No fim de semana passado, milhares fincaram no gramado de um parque da cidade cerca de 100 mil cruzes brancas, um monumento ao êxodo de Cuba. O químico José Miguel Hernández, de 53 anos, fugiu da ilha em 1993, graças a uma argentina-sueca. O governo sueco condedeu-lhe asilo político e, 11 meses depois, ele pôde retirar as filhas e a mulher da ilha. Em 2003, trocou a Europa pela Flórida. "Estão fazendo um show por causa da renúncia de Fidel, que já não tinha poder. Algumas pessoas estão nas ruas, com cartazes, e os meios de comunicação dão mais atenção ao fato do que às eleições presidenciais nos Estados Unidos", observou.

Hernández duvida que a notícia represente uma abertura política. "Os regimes totalitários têm um sistema muito compacto de proteção", disse. O químico exilado lembrará de Fidel como um títere, um homem que distorceu as leis do marxismo, empobreceu a população, desenvolveu um sistema stalinista de repressão, copiou as teorias mais funestas do governo totalitário e destruiu a cultura cubana. "Cuba vai necessitar de muitos anos para levar seu povo pelos caminhos da tolerância e da democracia", concluiu.

Quando esta guerra acabar, começará para mim uma guerra muito maior e mais longa: a guerra que vou lançar com eles. Me dou conta de que esse vai ser meu destino verdadeiro
5 de junho de 1958, de uma carta escrita em Sierra Maestra

Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte II: Carta emociona Oscar Niemeyer

O arquiteto Oscar Niemeyer (foto) emocionou-se ontem com a carta de renúncia do amigo Fidel Castro. Primeiro, por ter sido citado no trecho em que Fidel diz: "Penso como Niemeyer, que é preciso ser conseqüente até o final". Depois, porque um dos seus cinco netos, Carlos Eduardo, que está em Cuba há um mês, telefonou para dar a notícia de manhã cedo e contou detalhes da repercussão em Havana. "Meu neto ficou profundamente emocionado vendo a tristeza que cobre o povo cubano. Mas, ao mesmo tempo, disse que os cubanos permanecem unidos, de mãos dadas, prontos para enfrentar o grande inimigo, os Estados Unidos", relatou.

Aos 100 anos, comunista desde a juventude, Niemeyer disse que Fidel Castro é um grande líder e continuará "orientando o povo cubano". "Ele foi generoso em me citar. Concordo com a frase. O ser humano é tão insignificante. É preciso ser coerente até o final da vida", observou.

Niemeyer nunca foi a Cuba. Morre de medo de avião. Mas o próprio Fidel já visitou o escritório do arquiteto na Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Numa dessas visitas, pediu que Niemeyer fizesse uma escultura para ficar em Havana. Niemeyer fez. Depois, pediu o projeto de uma praça para colocar a escultura. Ele fez. Por último, pediu que desenhasse um teatro para a praça. Niemeyer fez de novo. Tudo de graça.

Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte I: Fidel sai de cena

Ditador cubano renuncia à presidência depois de 49 anos no poder, alegando que não tem condições físicas

A renúncia de Fidel Castro chegou ontem como o despertar de um sono leve. Cidadãos cubanos na ilha ou no exílio, lideranças mundiais e observadores em vários países já esperavam, mas não deixaram de se surpreender com o anúncio melancólico — feito em carta publicada no jornal Granma e no tablóide Juventud Rebelde, ambos órgãos oficiais do regime. Ao abrir mão do discurso público ou de declaração televisionada em rede nacional, o líder da Revolução Cubana comprovou as suspeitas de que seu estado de saúde sofre degradação acelerada. O último sinal emitido pelo próprio Fidel, de 81 anos, foi na recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fontes do Planalto confirmaram ao Correio que a viagem de Lula a Havana, há mais de um mês, teve como objetivo "o último encontro com Fidel ainda presidente", entrevendo a renúncia como certa. Frágil, apesar de lúcido, o mandatário cubano confidenciou ao colega brasileiro que "estava pronto para assumir seu lugar na história". No texto de ontem (leia na página 21), escrito de próprio punho, o ditador formalizou a decisão: "Não aspirarei nem aceitarei — repito —, não aspirarei nem aceitarei o cargo de presidente do Conselho de Estado e comandante-em-chefe".
Datado de 18 de fevereiro, às 17h30 (hora local), o texto foi escrito para ficar na posteridade. Na prática, Fidel renunciou ao poder que já havia delegado interinamente ao irmão Raúl (76 anos), 18 meses antes, após ser internado às pressas por causa de uma grave hemorragia no intestino. Sua última viagem ao estrangeiro foi em julho de 2006, quando participou da Cúpula do Mercosul em Córdoba (Argentina). Em 26 de julho, visitou as províncias de Bayamo e Holguín, no leste de Cuba, para as comemorações pelo 53º aniversário do assalto ao Quartel Moncada, que marcou o início da Revolução Cubana. A intensa agenda teria provocado uma "crise intestinal aguda", segundo fontes oficiais. Mas a presença de um cirurgião oncologista em Havana meses depois alimentou as especulações de que Fidel teria câncer de cólon.

O fato é que ele nunca mais foi visto em público, apenas em fotos, gravações oficiais e publicando artigos sobre várias questões internacionais. "Meu desejo sempre foi cumprir minhas tarefas até o meu último suspiro. No entanto, seria uma traição à minha consciência assumir uma responsabilidade que exige mobilidade e dedicação que não estou em condições físicas de cumprir", explicou no texto. Ao fim de sua mensagem, o líder cubano se refere ao processo político, e diz que conta "com a autoridade e a experiência para garantir plenamente a sua substituição".

Saúde sob sigilo
A renúncia abre caminho, de fato, para que Raúl implemente reformas no país. Mas o plano de transição segue calcado no sigilo absoluto sobre a saúde de Fidel e em lentas mudanças administrativas. Até agora, todos os passos são dados para impedir qualquer vácuo de poder. Apesar de garantir, na carta, que não participará da reunião da Assembléia Nacional para escolher os 31 membros do Conselho de Estado (Poder Executivo), neste domingo, Fidel deve continuar como membro do Parlamento. A nova Assembléia Nacional, eleita no final de janeiro, tem até 45 dias para escolher o chefe do governo do país.

Desde 1976, Fidel vinha sendo eleito e ratificado em todas as eleições, que se realizam a cada cinco anos. Em mensagens que escreveu em dezembro, o ditador afirmou que não se apega ao poder, não obstrui as novas gerações e expressou constante apoio a Raúl. O irmão caçula desperta esperanças de mudanças econômicas que melhorem o cotidiano dos cubanos, e analistas dizem que a transferência formal do cargo lhe daria força para implementar tais reformas. Fidel assumiu o poder em Cuba em 1959, e transformou o país em um Estado comunista.

Durante os 49 anos no poder, ele apoiou movimentos armados de perfil comunista em toda a América Latina, inclusive no Brasil, na Ásia e na África. Mas todas as tentativas de exportar sua revolução fracassaram. Conseguiu resistir a 10 governos norte-americanos e seguidas tentativas de golpe planejadas pela Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA). A ação mais famosa foi a invasão frustrada da Baía dos Porcos, em 1961. Naquele ano, Fidel optou pelo socialismo, se alinhando com a extinta União Soviética (URSS). Os EUA embargaram a economia de Cuba, e a inteligência americana planejou matá-lo.

Fidel sempre foi alvo do amor incondicional de partidários mundo afora, mas também do ódio irrepreensível dos críticos, especialmente pelo cerceamento das liberdades civis e a execução sumária de opositores e desertores do regime. Agora, sem a imunidade que seu cargo lhe outorgava, pode até enfrentar a Justiça. O advogado Manuel Ollé, presidente da Associação Pró-Direitos Humanos da Espanha — que atua na acusação popular aberta na Audiência Nacional de Madri contra as ditaduras do Chile e Argentina —, comparou a situação do cubano à do chileno Augusto Pinochet. Segundo ele, Fidel poderá ser processado por crimes contra a humanidade, torturas e terrorismo.

Condenem-me, não importa, a história me absolverá
Fidel Castro, em outubro de 1953, durante julgamento depois do frustrado ataque ao Quartel de Moncada

Em nota Fenaj repudia Universal

A Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj, despachou nota em que repudia a ação de intimidação contra jornalistas que publicaram matérias onde revelam à população o extraordinário crescimento do patrimônio gerido pela Igreja Universal do Reino de Deus, do polêmico e auto-intitulado "bispo" Edir Macêdo e seus liderados.

Jornalistas repudiam intimidação da Universal

A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos do país filiados à FENAJ repudiam, com veemência, a atitude da direção da Igreja Universal do Reino de Deus, que desencadeia campanha de intimidação contra jornalistas no exercício da profissão.

Também apelam aos Tribunais e ao Superior Tribunal de Justiça no sentido de alertá-los para ações que se multiplicam a fim de inibir o trabalho de jornalistas em todo o país. O acesso e a divulgação da informação garantem o sistema democrático, são direitos do cidadão, e o cerceamento de ambos constitui violação dos direitos humanos.

A TV Record, controlada pela Universal, chegou ao extremo, inadmissível, de estampar no domingo, em cadeia nacional, a foto da jornalista Elvira Lobato, autora de uma matéria sobre a evolução patrimonial da Igreja, publicada na Folha de S.Paulo. Por esse motivo, Elvira responde a dezenas de ações propostas por fiéis e bispos em vários estados brasileiros.

Trata-se de uma clara incitação à intolerância e do uso de um meio de comunicação social de modo frontalmente contrário aos princípios democráticos, ao debate civilizado e construtivo entre posições divergentes.

O fato de expor a imagem da profissional em rede nacional de televisão, apontando-a como vilã no relacionamento com os fiéis, transfere para a Igreja a responsabilidade pela garantia da integridade moral e física da jornalista.

A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos exigem que os responsáveis pela Igreja Universal intervenham para impedir qualquer tipo de manifestação de intolerância contra a jornalista.

O episódio nos remete à perseguição religiosa, absurda e violenta, praticada por extremistas contra o escritor Salman Rushdie, autor de Versos Satânicos, e as charges de Maomé publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten.

O jornalista Bruno Thys do jornal carioca Extra também é processado pela Universal em cinco cidades do Estado do Rio de Janeiro. O repórter Valmar Hupsel Filho, na capital baiana, já responde a pelo menos 36 ações ajuizadas em vários estados do Brasil, nenhuma delas em Salvador, sede do jornal A Tarde, onde trabalha.

Há evidência de que essas ações, com termos idênticos, estão sendo elaboradas de forma centralizada, distribuídas e depois impetradas em locais distantes, para dificultar e prejudicar a defesa, além de aumentar o custo com as viagens dos jornalistas ou seus representantes.

Encaminhados à Justiça com o nítido objetivo de intimidar jornalistas, em particular, e a imprensa, em geral, esses processos intranqüilizam e desestabilizam emocionalmente a vida dos profissionais e de seus familiares. Ao mesmo tempo, atentam claramente contra os princípios básicos da liberdade de expressão e manifestação do pensamento.

Em um ambiente democrático e laico, é preciso compreender e aceitar posições antagônicas e, mais ainda, absorver as críticas contundentes, sem estimular reações de revanche ou mesmo de pura perseguição.

Este episódio repete, com suas consideráveis diferenças, outras situações em que os meios de comunicação exorbitaram os fins para os quais foram criados. A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos sustentam que a imprensa não pode se confundir com partidos políticos, crenças religiosas ou visões particulares de mundo.
Brasília, 20 de fevereiro de 2008.

Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas
Diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro
Diretoria Sindicato dos Jornalistas da Bahia

Tensão no Pará

Madeireiros reagem
Cerca de 10 mil pessoas da região de Tailândia, no sul do estado, se postaram à frente de serrarias para impedir a remoção de 15 mil metros cúbicos de madeira ilegal. PF decide adiar operação na Amazônia

A reação de madeireiros do município de Tailândia, no sul do Pará, à remoção de 15 mil metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente e confiscada na semana passada levou ontem a Polícia Federal a adiar o lançamento da Operação Arco do Fogo, que seria desencadeada amanhã em 11 regiões da Amazônia Legal. A ação foi concebida para combater o desmatamento e a extração ilegal de madeira. No final da tarde, o setor de inteligência da PF detectou um movimento iniciado pela manhã pelos proprietários de serrarias da região, que poderia ter reflexos sociais, como a ameaça de demissão de 15 mil trabalhadores em madeireiras da região de Tailândia.

Além disso, uma torre de telefonia celular foi derrubada e parte de uma estrada bloqueada pelos manifestantes. A intenção do movimento é pressionar os governos paraense e federal a terminar as ações contra o desmatamento, que começaram na semana passada com a apreensão da madeira ilegal — a quantidade daria para encher cerca de 500 caminhões.

"Estamos postergando a operação, mas ela irá acontecer", garantiu o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, que foi informado dos acontecimentos por um grupo de inteligência policial que já está atuando em vários estados da Amazônia. Segundo ele, os recursos estão garantidos e serão repassados no momento que a ação for desencadeada. Serão movimentados cerca de 800 homens, entre integrantes da própria instituição, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança Pública. O governo pretende fechar parte da Amazônia, principalmente onde foram detectados os principais focos de desmatamento, como no Pará.

Ameaças
"Tivemos que deixar Tailândia só com a roupa do corpo", contou ontem, à Agência Globo, a fiscal da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema) Deuza Aquino, que ficou em cárcere privado por duas horas, com outros quatro colegas, dentro da serraria Tailaminas Plac Ltda., pertencente a Flávio Sufredini, onde foram apreendidos 822 metros cúbicos de madeira em tora. Os fiscais somente foram resgatados após a chegada do batalhão de choque da Polícia Militar e levados sob escolta policial para o município de Goianésia.

Os madeireiros ameaçavam tocar fogo nos caminhões enviados ao município de Tailândia pelo governo do Pará para transportar a madeira até a capital do estado. Insufladas por empresários, cerca de 10 mil pessoas impediram o transporte da madeira, ocupando as portarias das serrarias do município e fazendo ameaças aos fiscais que comandavam a operação de retirada das toras cortadas ilegalmente, segundo constataram o Ibama e a Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema) na primeira etapa da operação Guardiões da Amazônia — ação do governo paraense que antecederia a deflagração do movimento da PF.

Populares chegaram a tocar fogo em pneus jogados sobre uma das pontes da rodovia PA-150, que corta Tailândia ao meio, para impedir que 15 caminhões contratados pelo governo do estado transportassem as toras de madeira apreendidas que estão guardadas nos pátios das próprias madeireiras.

Também foram fechados todos os acessos aos pátios das madeireiras Taiplac, Primavera e G.M Sufredini Industrial, as que sofreram as maiores baixas na operação Guardiões da Amazônia. Na madeireira Taiplac, os fiscais do Ibama encontraram mais de 5 mil metros cúbicos de toras armazenadas, todas cortadas ilegalmente.

Em operações anteriores, o Ibama apreendia a madeira, mas a deixava nos pátios das serrarias, com o próprio madeireiro como fiel depositário. Na maioria das vezes, a madeira era extraviada e muitas vezes retirada de forma legal graças a liminares obtidas na Justiça. (Correio Braziliense)

Ana Júlia vai enfrentar madeireiros

Publicado hoje no jornal Correio Braziliense, o protesto em Tailândia (PA) é encarado pelo jornal como um desafio da governadora.

Reagindo à pressão dos madeireiros da região de Tailândia, no sul do Pará, a governadora do estado, Ana Júlia Carepa, endureceu o discurso e afirmou que não recuará na decisão de retirar das empresas a madeira extraída ilegalmente e apreendida na quarta-feira da semana passada. “Não cederemos às pressões dos madeireiros. O compromisso do nosso governo é com todo o estado do Pará e não com aqueles que usam nosso solo apenas para extrair riqueza e depois abandoná-lo”, atacou Ana Júlia.

No último dia 13, uma megaoperação conjunta do governo do Pará e do Instituto Nacional dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) resultou na apreensão de 10 mil metros cúbicos de madeira ilegal. Os madeireiros bloquearam a rodovia PA-150 com o objetivo de impedir a saída da madeira. Localizado a 240km da capital, Belém, o município de Tailândia é apontado como uma das 10 cidades mais violentas do Brasil e reúne grande número de serrarias e fornos para a produção de carvão.

Para tentar conter os ânimos e liberar a rodovia PA-150 em Tailândia, o comando da Polícia Militar destacou para o município uma guarnição aquartelada no município de Goianésia e, até o fechamento desta edição, ainda aguardava instruções da governadora para, se necessário, enviar um batalhão de choque da capital.

Análise de vetos do Executivo examina registro de jornalistas

LEGISLATIVO
Projeto que define regras para a imprensa é um dos 13 vetos em votação hoje. Ainda restam 885 na pauta, alguns há mais de dez anos

O Congresso pretende analisar hoje o veto presidencial ao projeto que transfere do Ministério do Trabalho à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) a atribuição de conceder registro profissional aos jornalistas. A proposta, do ex-senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), foi aprovada pelos parlamentares em 1999, mas vetada no mesmo ano pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

No veto, cuja mensagem foi enviada ao Senado em 20 de julho de 99, FHC argumenta que o projeto é inconstitucional. Ontem, os líderes partidários no Senado concordaram em incluí-lo na pauta de13 vetos selecionados entre 885 para serem votados hoje. Todos se concentram no governo de FHC e no do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora haja um acordo para manter as decisões presidenciais, nenhum senador explicou por que o projeto sobre jornalistas será apreciado. É, inclusive, o primeiro item da cédula de votação, que será secreta e contará com a participação dos senadores e deputados. Para um veto ser derrubado, é necessária a maioria absoluta de cada Casa. Ou seja, 257 deputados e 41 senadores.

A assessoria do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), informou que ele escolheu as propostas "menos polêmicas" e que todas foram aceitas pelos líderes. "A sinalização que temos é para manter todos os vetos", afirmou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). "Vou votar no sentido de manter o veto", disse o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que era o ministro do Trabalho na época do veto de FHC.

Uma sessão do Congresso foi convocada para hoje, a partir de 11h, somente para analisar vetos. O objetivo é limpar a enxurrada de decisões desse tipo que descansam no parlamento. Além do projeto relacionado ao exercício do jornalismo, o Congresso pretende apreciar temas ligados ao sistema nacional de habitação, código penal, atribuições das Forças Armadas, entre outras coisas.
(Correio Braziliense)

Executiva elege amanhã novo líder do PDT na Câmara

Reunião da Executiva Nacional do PDT reúne a bancada do partido amanhã às 19:00 na sede nacional da legenda em Brasília para eleger o novo líder do Partido na Câmara dos Deputados para o ano de 2008.

O deputado Miro Teixeira (RJ) pode ser reeleito.

Relator corta R$ 13 bi do OGU

A maior parte do orçamento dos Três Poderes será na rubrica de custeio com pessoal.

O relator-geral do Orçamento, deputado José Pimentel (PT-CE), fez cortes de R$ 12,4 bilhões no parecer final do Orçamento para compensar as perdas de arrecadação com o fim da CPMF. O relatório, que já foi distribuído à imprensa, será apresentado em instantes, em entrevista coletiva no plenário 2. Do total dos cortes, R$ 3,56 bilhões serão em despesas com pessoal; R$ 6,84 bilhões em custeio e R$ 2 bilhões em investimentos.

O Executivo, que detém 91% do Orçamento, será responsável pelo maior esforço na redução das despesas, com corte de R$ 11,35 bilhões. Os cortes atingem R$ 310 milhões do orçamento do Legislativo; R$ 740 milhões do Judiciário e R$ 70 milhões do Ministério Público. Na semana passada, o relator havia anunciado um corte de R$ 12,26 bilhões, ou seja, houve um aumento na previsão de quase R$ 150 milhões.

Reforma Tributária na pauta

Está previsto para esta quinta-feira (21), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresente ao Conselho Político, formado por presidentes e líderes dos partidos da base aliada, a proposta de reforma tributária que será encaminhada ao Congresso no final de fevereiro.

Amanhã, o ministro da Fazendo, Guido Mantega apresenta a proposta ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse esperar que o Governo consiga aprovar parte da reforma. Ele reconheceu, entretanto, que não será uma tarefa fácil.

Em ano eleitoral é pouco provável que o Governo consiga mobilizar sua base em Brasília para votar uma matéria tão polêmica; não só por sua complexidade, mas, sobretudo, deputados e senadores não ficarão em Brasília para debater essa matéria com a disputa eleitoral municipal a pleno vapor.

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