Gargalo do atraso



























Senadora Kátia Abreu (DEM-TO).
Fotógrafo: Roosewelt Pinheiro - Agência Senado


Reportagem: Val-André Mutran


Brasília - A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), criticou a política de investimentos em infra-estrutura do governo federal que dissocia a construção de hidrelétricas às respectivas eclusas.
"Tomei posse no dia 1º de fevereiro e, de lá para cá, nesses poucos meses, tenho insistido constantemente em falar a respeito de um dos problemas mais graves do País para o desenvolvimento da nossa economia. É de vital importância que estejamos atentos à questão da logística no nosso País."

A parlamentar destacou reportagem publicada na revista Veja de domingo passado que mostrou aos brasileiros a situação das rodovias, das ferrovias, dos portos, dos aeroportos e da energia. Mesmo parabenizando em carta a revista, lembrou que o quesito hidrovia/eclusas havia ficado de fora daquela importante matéria.

Kátia Abreu elogiou o Governo que resolveu demitir o Diretor de Infra-Estrutura Aquaviária, do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), vinculado ao Ministério dos Transportes, Martinho Cândido Velloso dos Santos, que, apesar de diretor da pasta, era contrário à construção de eclusas para viabilizar as hidrovias neste País. "Espero que o próximo cidadão a tomar posse nessa diretoria – e não o conheço – possa desempenhar o seu papel na íntegra, ou seja, como diretor aquaviário, defender hidrovia – e defender hidrovia é defender a construção de eclusas."

O Banco Mundial publicou um estudo cujo tema é “Infra-estrutura na América Latina e Caribe: tendências recentes e principais desafios”. Nesse estudo, o Banco Mundial conclui que “a infra-estrutura está-se convertendo em um obstáculo ao crescimento, à competitividade e à redução da pobreza na América Latina e Caribe”. A senadora do Tocantins destacou alguns pontos essenciais do estudo que atingem, em geral, os países da América Latina, do Caribe e, em especial, o Brasil.

Uma das conclusões do estudo é que a América Latina e o Caribe precisam investir mais em infra-estrutura. A região gasta menos de 2% do PIB em infra-estrutura. São necessários investimentos da ordem de 4% a 6% do PIB para que os países da América Latina e do Caribe possam alcançar o nível de infra-estrutura da Coréia e da China.

A falta de investimentos em infra-estrutura está impedindo o crescimento econômico e o combate à pobreza. Caso fossem investidos de 4% a 6% do PIB em infra-estrutura, o PIB per capita cresceria entre 1,4% e 1,8% ao ano e reduziria a desigualdade da distribuição de renda na faixa de 10% a 20%.

A senadora Kátia abreu lembrou ao presidente Lula que o estudo mostra que, enquanto 55% dos empresários reclamam que a deficiência de infra-estrutura é um problema sério na América Latina e no Caribe, no leste asiático esse índice cai para 18%. "A baixa qualidade da infra-estrutura está afetando a competitividade internacional e afugentando os investimentos privados na América Latina", destacou.

Escassez de investimentos - Os investimentos públicos em infra-estrutura, num período de 10 anos – de 1988 a 1998 – caíram de 3% do PIB para apenas 1,6%. O Brasil, segundo o estudo, é o caso mais flagrante em termos de redução dos investimentos, pois aumentou as despesas correntes cortando investimentos, especialmente em infra-estrutura.

A queda dos investimentos públicos em infra-estrutura não foi compensada com investimentos privados. Ao contrário, os investimentos privados que, em 1998, chegaram a US$71 bilhões na América Latina e no Caribe, caíram para cerca de US$16 bilhões nos últimos anos.

As razões que motivaram essa drástica redução dos investimentos privados foram o baixo retorno financeiro dos investimentos e a falta de maturidade do arcabouço regulatório e das instituições reguladoras na concessão dos serviços de infra-estrutura.

"O Governo conhece esse estudo e ainda insiste em alterar a legislação das nossas agências reguladoras, enfraquecendo-as e tirando sua independência", alertou Abreu.

Lamentando que a falta de infra-estrutura esteja afugentando os investimentos do País. A senadora chamou a atenção para o que está ocorrendo nos portos do Brasil e no sistema de transporte hidroviário.

Paranaguá - A senadora não poupou críticas à administração do Porto do Porto de Paranaguá, no Estado do Paraná, dirigido pelo irmão do Governador Roberto Requião. "No Estado do Paraná, os navios Panamax, fretados com capacidade para 60 mil toneladas, só podem transportar 50 mil toneladas, porque não houve investimento em dragagem no Porto", denunciou. "E quem paga essa conta?", perguntou.

"No caso das exportações de produtos agropecuários, são os produtores rurais do Brasil, que têm deduzido do preço recebidos os custos da ineficiência, da incompetência da administração do Porto de Paranaguá, que é do Governo do Paraná", acusou a senadora. O custo de transporte por saca de soja corresponde a R$1,70. "Computando-se a quantidade de soja que será exportada por Paranaguá, o prejuízo aos produtores de soja do Brasil pode atingir R$141,7 milhões, apenas pela incompetência na administração do Porto de Paranaguá, no Paraná."
Apontando como sendo uma das causas do endividamento rural.

A falta de infra-estrutura logística e de transportes reduz a competitividade do setor agropecuário, sobretudo da Região Centro-Oeste e do meu Estado, Tocantins, reclamou Kátia Abreu.

O Atlas do transporte hidroviário, editado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), informa que o Brasil utiliza, de fato, durante todo o ano, apenas dez mil, dos mais de quarenta mil quilômetros de vias potencialmente navegáveis do País.

Em aprte o senador Expedito Júnior (Bloco/PR – RO) aproveitou o pronunciamento da colega para fazer um apelo: para que se inclua também no Estado de Rondônia a construção das eclusas do rio Madeira, para que continue navegável. "Sei que essa obra vai ajudar muito o Brasil, porque vamos resolver o problema energético do País. Parabenizo V. Exª pelo seu pronunciamento."

"Tenho certeza de que V. Exª, que é do Partido que indicou o Ministro dos Transportes, será de grande importância no engajamento dessa importante luta para seu Estado", replicou Abreu.

Redução de custo - Como é do conhecimento de todos, o custo do frete marítimo corresponde a 60% do custo do frete rodoviário, o que permite uma redução no custo do frete de 40%. Os produtores rurais das Regiões Norte e Centro-Oeste poderiam economizar cerca de R$2,7 bilhões por ano, caso pudessem utilizar o sistema hidroviário na sua plenitude para escoar a safra de grãos do Brasil Central.

Enquanto os Estados Unidos têm o Mississipi, que é idolatrado pelo mundo afora, o Brasil tem potencial para cinco Mississipis, somando os sistemas hidroviários Tocantins-Araguaia, no meu Estado; Tapajós-Teles Pires, na divisa de Mato Grosso, Pará e Amazonas; Madeira; Paraguai-Paraná e o rio Paraná. Esses trechos, com investimentos em portos, dragagem e construção de eclusas, podem se transformar em legítimos corredores para escoar a produção brasileira para os mercados internacionais.

A água não deve ser utilizada apenas para o consumo e para a produção de energia, mas principalmente para integrar o processo de desenvolvimento sustentável por meio das hidrovias.

O desenvolvimento da agricultura no cerrado possibilitou a criação de um potencial produtivo que apenas o Brasil possui. São mais de 140 milhões de hectares possíveis de agregar na produção agropecuária sem comprometer o meio ambiente com o desmatamento. Os Estados de Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, o meu Tocantins e os cerrados da Bahia, do Piauí e do Maranhão demandam uma nova estrutura portuária para o escoamento da produção. Esses Estados cultivam uma área de 17,2 milhões de hectares, produzindo 48,5 milhões de toneladas de grãos e obtendo uma receita bruta anual de R$22,2 bilhões.

Os investimentos no corredor Centro-Norte, em São Luís, em Belém e em Santarém possibilitam economizar distâncias até os centros consumidores internacionais, se compararmos com os portos tradicionais das Regiões Sul e Sudeste do País. Enquanto uma viagem de navio de Paranaguá, no Paraná, para Rotterdam, na Holanda, leva de 15 a 19 dias, um navio que sai de Macapá gasta apenas 11 dias até Rotterdam.

Essa economia de tempo se reflete em economia de divisas e em aumento da competitividade dos setores exportadores. A redução de quatro dias em frete internacional possibilita uma economia de US$160 mil por navio, que, somados aos milhares de navios que conduzem a nossa exportação, proporcionam uma economia de milhões de dólares.

Com esses argumentos, Kátia Abreu fez a defesa da necessidade de o Brasil adotar uma sistema de transporte hidroviário, que contribua com o aumento da competitividade dos produtores e dos exportadores, com economia de divisas e com menor impacto ambiental.

Com a racionalidade econômica que exige o transporte hidroviário, não podemos admitir que sejam realizadas obras de hidrelétricas sem a construção simultânea de eclusas, advertiu a senadora Tocantinense. Com essa finalidade, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet) ingressaram na Justiça Federal, em Palmas, capital do Tocantins, no dia 13 de junho, com uma ação civil pública, pedindo a suspensão imediata das obras da hidrelétrica de Estreito, pelo Consórcio Ceste de Energia. A ação, com pedido liminar, pede a suspensão das obras até que seja definida a construção da eclusa concomitantemente à construção da usina.

Tucuruí - Criticando que o governo, apesar da dificuldade de obter recursos para grandes obras, quando as têm, ainda as gasta mal. Na questão da hidrelétrica de Estreito, o Governo Federal está cometendo os mesmos erros cometidos na hidrelétrica de Tucuruí, pois caso a eclusa daquela usina tivesse sido construída simultaneamente com a hidrelétrica, a economia de recursos seria da ordem de R$200 milhões. Em Lajeado, no rio Tocantins, no meu Estado, se a eclusa tivesse sido construída ao mesmo tempo em que era erguida a hidrelétrica, seu custo teria sido de R$380 milhões.

Hoje, depois da usina concluída e em funcionamento, a construção da eclusa custa R$624 milhões. São R$244 milhões a mais saindo dos cofres públicos, por falta de planejamento.

A partir da eclusa, utilizando o sistema de transporte hidroviário, economizam-se recursos, tanto no custo do frete, como no investimento necessário, para viabilizar a hidrovia. O valor do investimento para realização de mil quilômetros de rodovia é de cerca de US$53 milhões, contra US$250 milhões para um quilômetro de rodovia e US$909 milhões para ferrovia.

Outro tema que abordou e que foi tratado no estudo do Banco Mundial é a questão do marco regulatório. Recentemente, o Governo editou a Medida Provisória nº369, criando a Secretaria Especial dos Portos, que tem como Relator o Senador Valdir Raupp, de Rondônia, e dividindo as atribuições de portos e de navegação, criando, dessa forma, uma multiplicidade de comandos inadequados para os segmentos portuários e de navegação.

O Deputado Eduardo Sciarra aprovou, na Câmara dos Deputados, como destaque do Democratas, uma emenda de minha autoria e que peço ao Senador Valdir Raupp que a acate em seu relatório. Assim, a Secretaria Especial dos Portos, criada pelo Governo para cumprir o acordo com o Partido político, que possa englobar todos os portos do País, os marítimos, os hidroviários e também as nossas hidrovias.

Apresentamos outras emendas para racionalizar a gestão pública dos portos, que transfere à Secretaria de Portos as atribuições e competências em relação a portos marítimos e portos de vias interiores.

Por fim, Sr. Presidente – estou encurtando meu pronunciamento, para atender a sua paciência –, Srªs e Srs. Senadores, caso o Poder Executivo esteja surdo em relação aos nossos apelos, que, pelo menos, siga a recomendação do Banco Mundial de aumentar os investimentos em infra-estrutura para 6% do PIB nos próximos 20 anos. Só dessa forma, o Brasil poderá alcançar a condição de infra-estrutura que têm os países do leste asiático, possibilitando aumento da renda per capita e redução das desigualdades sociais.

Quero ainda pedir aos Líderes da Base do Governo que, se o Presidente Lula prometeu ao Presidente da Nicarágua investimento da ordem de US$150 milhões para uma hidrelétrica naquele país, cuidemos, primeiro, do que é nosso, Sr. Presidente. Há empresários bons neste País, que querem investir em eclusa, em transporte hidroviário. Vamos fazer as nossas eclusas e cumprir com a obrigação, primeiro, do nosso País, o Brasil, e não a Nicarágua.

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Você acredita que a Governadora Ana Júlia Carepa deterá o movimento que quer criar novos Estados no Pará?

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Em cima do muro















O presidente da AMAT e prefeito de Parauapebas Darci Lermen (PT-PA), em entrevista concedida à Markus Mutran, no Programa “Carajás, O Sonho de Um Povo”, exibido todas as terças feiras pela TV Eldorado-SBT de Marabá, afirmou que a governadora Ana Júlia Carepa não pode assumir posição, nem contra nem a favor da criação do Carajás. Confira o que disse Lermen neste trecho:

Pergunta: Prefeito, com relação ao pessoal de Belém e suas adjacências, que neste processo chamamos de área remanescente, serem naturalmente contra, até pela questão de desinformação, pois bem, sabermos que esse é o problema deles... No programa da semana passada em que o vereador Miguel Gomes Filho, o nosso “Miguelito”, presidente da Câmara Municipal de Marabá declarou aqui que governadora Ana Julia não é contra o movimento pró-criação de Carajás, até porque se ela se posicionar mesmo contra, terá que arranjar imediatamente 1 bilhão de reais prá despejar agora, ainda nesse mês, para cobrir o déficit do Estado com a nossa região. O Senhor, que é do mesmo partido da governadora poderia nos informar, afinal, qual é a posição dela sobre a criação do Carajás?

Resposta: Esse Miguelito é mesmo uma figura!!! (risos)... É importante dizer o seguinte: primeiro a governadora Ana Julia que nós apoiamos, que nós acreditamos, ela governa para todo Estado do Pará; ela tem essa tarefa, importante de governar hoje do jeito que está hoje prá todo o Eestado, então jamais ela vai aparecer publicamente em qualquer lugar e dizer: olha eu sou a favor da divisão do Estado! Não pode! Não tá correto, e também acho que ela pessoalmente não vai aparecer dizendo que é contra a criação. Primeiro por entendermos que somos de um partido democrático popular e de massas, e principalmente por sermos um partido democrático que a governadora com certeza deixa a gente mais livre para isso. Você saber muito bem que em governos anteriores os prefeitos eram pressionados à “calar a boca”, a não se pronunciarem, e nós não! Nós temos essa liberdade, nós temos posição, há democracia... Então se o Governo do Estado ou a governadora se manifestar a favor ou contra isso, claro, gera impacto no Estado, gera impacto nas pessoas, mas ao mesmo tempo nós temos a tranqüilidade de dizer que ela não vem pressionando os prefeitos, nem pressionando as lideranças pra ficarem quietas e não fazerem nada, pelo contrario, ela sempre tem achado importante quando os prefeito do nosso partido ou dos partidos aliados participam de eventos que possam ajudar a melhorar as condições de vida do nosso povo seja ele povo paraense, carajaense, tapajoense... Tanto faz... O importante é mesmo o povo; nós somos mesmo o povo e estamos trabalhando agora pra melhorar as condições de vida deste povo. No nosso entender, prá melhorar as condições de vida desse povo é preciso que a gente tenha três estados que vão ter um peso maior a nível nacional em termos de representação política mas também, e principalmente porque o governo vai estar bem mais próximo do seu povo.

Deputado contesta tese de professor

A respeito do post Requentando: Como sempre que reproduz matéria publicada no último domingo em O Liberal que entrevistou um Geógrafo da USP. O Deputado Estadual Parsifal Pontes (PMDB-PA) rebate em artigo. Leia abaixo.

Acidente geográfico

Artigo

* Parsifal Pontes

Mapa do Brasil colônia, mostrando as Capitanias Hereditárias.



A grande interrogação da acuidade silogística do Professor Martin em discorrer sobre a tez federativa é a afirmação desfocada que faz ao dizer que o Brasil tem estados demais: talvez para ele o ideal fosse ainda o mapa das capitanias hereditárias, que tiveram entre um dos motivos do fracasso administrativo, além da característica feudal da medida, exatamente a enorme extensão territorial das mesmas.


Em entrevista a “O Liberal”, o professor do Departamento de Geografia Política da Universidade de São Paulo, André Roberto Martin, procura desconstruir a viabilidade da redivisão do Pará.

Os argumentos? Os mesmos já editados por aqueles que se contrapõem à hipótese: são simplesmente contra.

Desfila os pontos negativos, não coteja com os positivos e omite as alternativas.

Mostra desconhecimento de causa ao afirmar que o movimento separatista é artificial: faz coro ao dito de que a saga da divisão tem origem na ganância política das elites caipiras.

Repisa no custo com os quais a implantação de novos estados encarrega a União, colocando-os, capciosamente, de forma absoluta, sem cotejá-los com o que isto representa percentualmente no orçamento geral, e sem rebatê-los no que representariam na redistribuição da renda federativa.

Ao ser instado sobre o porquê de se terem viabilizado outras redivisões territoriais no Brasil, alega um sofisma: ontem deu certo, hoje não mais daria.

Um argumento desbotado para um entrevistado do jaez de um mestre: as mesmas condições político administrativas, guardadas as peculiaridades geográficas, que tinham as regiões de Goiás e Mato Grosso que se emanciparam, têm hoje as regiões Sul e Oeste do Pará.

Por conseguinte, em sendo o mesmo o diagnóstico, recomenda-se o mesmo tratamento, na ausência de outro mais eficaz.

O outro elixir têm sido as promessas debalde e recorrentes de todos os que se sentaram ao trono, desde o Lauro Sodré, até o Palácio dos Despachos: integrar os pólos.

Destila inverdades ao dizer que os separatistas afirmam que a vida nos novos estados irá melhorar 100%.

Nunca ouvi isto de nenhum deles, pois seria uma irresponsabilidade tal assertiva: a divisão é um meio de alavancar desenvolvimento e melhores oportunidades de serviços e investimentos e não a pedra filosofal do bem estar econômico e social.

Afirma, no ponto do custo, que a União tem que cortar gastos o que é verdadeiro. E, por isto, não pode financiar novos estados, o que é falso.

O contraponto é que exige o ponto: a União tem que cortar gastos pois precisa financiar a criação de novos estados no Brasil, como forma de tornar a federação mais eficaz na prestação dos serviços que a nação demanda.

A grande interrogação da acuidade silogística do Professor Martin em discorrer sobre a tez federativa é a afirmação desfocada que faz ao dizer que o Brasil tem estados demais: talvez para ele o ideal fosse ainda o mapa das capitanias hereditárias, que tiveram entre um dos motivos do fracasso administrativo, além da característica feudal da medida, exatamente a enorme extensão territorial das mesmas.

Toda a história do globo, no que tange à forma como o ser humano se tem colocado geograficamente nele, conduz à pulverização da organização geopolítica.

Países, seja qual for o regime ou o sistema político, seja qual for a forma como o estado se constrói federativa ou confederativamente, dividem à exaustão as autonomias político administrativas.

Não precisa lembrar o repisado argumento de países inteiros que cabem no território paraense, que possuem 100 vezes mais o número de departamentos político administrativos.

O que precisa ser discutido neste item, não é o engessamento da federação por conta do alto custo da gerência, e sim o benefício deste custo e o que ele representa em relação ao PIB nacional.

Se concluída a sua ineficácia, deve-se procurar meios de reformar o sistema para aperfeiçoá-lo.

Se a conclusão é que é cara a manutenção representativa do país. Se for fato que os três poderes são financeiramente pesados à nação, não se pode usar este argumento para diminuir o número de estados ou impedir o surgimento de outros.

O que deve ser feito, neste caso, é invocar uma reforma política conseqüente, no sentido de que a federação precisa ser mais ágil e estar mais próxima do cidadão. Para isto ser efetivo, não há outra forma: deve-se levar o estado a ele.

Aqueles que sempre argumentaram contra a repactuação federativa através da redivisão territorial, não têm conseguido mostrar que têm razão, por um simples fato: as regiões continuam aguardando a implementação das políticas públicas capazes de reverter o quadro de desorganização sócio político administrativas em que vivem.

Se a desculpa é não ter recursos, a divisão, se não resolve o dilema, arrefece o drama: as novas entidades federativas teriam mais recursos do que aquilo que lhes é depositado hoje.

A lógica continua ainda aquela da concentração de recursos e ações na capital e adjacências.

Se esta é a lógica do sistema, o cidadão se deve proteger com outra lógica que a ratifica: multiplicar as capitais, criando pólos de desenvolvimento mais recorrentes dentro da mesma área e, por razões federativas, em território autônomos.

Os países desenvolvidos se elaboram em torno de áreas metropolitanas, pois estas, embora sejam incubadoras de problemas são também gestoras de desenvolvimento e, afinal, a inteligência do habitat moderno está muito mais dirigida a equacionar as questões urbanas do que a prover os vazios demográficos.

Negar, portanto, dois novos pólos de desenvolvimento, com a criação de dois novos estados a partir do Pará, é negar o rumo geopolítico que tomaram gestões similares em outras partes do mundo e que deram certo.

Querer gerir o Pará a partir somente de Belém, é inconseqüente e ineficaz.

Ainda, os estudos já feitos, apontam exatamente, como não poderia deixar de ser, a região metropolitana de Belém, como a área que mais poderá alavancar viabilidade de desenvolvimento em um novo mapa do Pará.

Afinal, no contra ponto do Professor Martin, e com maior autoridade que ele, noutra entrevista, no mesmo jornal e dia, o Professor Roberto Santos, economista de fina estampa, um dos criadores do extinto IDESP, mesmo sendo, por razões sentimentais, pessoalmente contra a divisão do Pará, não lhe nega a viabilidade.

Afirma na entrevista, do alto da sua autoridade, o Professor Santos: “Não há dúvida de que essa tese do separatismo está posta e que determinados segmentos da população lutam dentro das frentes para que a redivisão territorial se concretize. Do ponto de vista econômico acredito que há viabilidade para a criação de novos estados. Pessoalmente, porém, eu não desejo que isso aconteça. Acho que sentirei saudades do Pará como ele era”.

Para parafrasear o jornal entrevistador, “Viva o Professor Santos!”


* Parsifal Pontes é advogado e Deputado Estadual (PMDB-PA)

Solicitei entrevista com o Vice-Governador Odair Corrêa

Acabo de solicitar entrevista com o Vice-Governador Odair Corrêa. Gostaria que ele me respondesse quatro perguntas.

Aguardo resposta.

Punição tem que ser exemplar

'A compra do voto fere a dignidade do eleitor, do homem'


O Estado de S. Paulo
13/8/2007

Para o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, as cassações contabilizadas desde 2004 geram um número “assustador”, que evidencia o fato de parte da classe política ainda se apoderar da coisa pública. Ele admite que liminares permitindo a permanência desses mandatários no cargo até o julgamento em última instância beneficiam autores de irregularidades. Ainda assim, ele insiste que se trata de assegurar o direito dos que não cometeram falhas. “Na maioria das vezes, beneficia o que não errou. Essa é a premissa”, diz o ministro.

Como o sr. avalia o número de prefeitos cassados?

É assustador. É triste constatar que tantos erraram na arte de proceder com a coisa pública. Há o lado negativo, mas a balança da vida tem dois pratos. O que vejo de positivo é a sinalização de dias melhores. O sentimento de impunidade pouco a pouco vai sendo alcançado e minimizado. Mas eu preferiria não ter esse número

O fato de cassações decorrerem de crimes como compra de voto piora ainda mais esse quadro?

O homem público precisa saber que quando ele alcança um cargo é para servir e não se servir da coisa pública. A coisa pública não pertence ao detentor do cargo, mas à sociedade. É um problema cultural, em que precisamos avançar. E avançaremos punindo de forma exemplar.

Quais desses crimes mais resultam em cassações?

A compra de voto merece excomunhão maior, no momento em que fere a dignidade do eleitor, do homem, do cidadão. Vemos que a compra, pela Lei 9.504, mesmo sendo de um único voto, leva à cassação. O abuso do poder econômico, político, dos meios de comunicação são apreciados caso a caso e se cogita a denominada potencialidade de influência no resultado do escrutínio.

Por que o TSE concede liminares para que políticos condenados fiquem no cargo, apesar de instâncias regionais pedirem cassação?

Geralmente, nós só afastamos depois de exercer crivo. Há a possibilidade de uma primeira decisão, geralmente do Tribunal de Justiça, não ser tão harmônica. O normal é aguardar o pronunciamento do TSE. E depois disso se afasta o prefeito, isso porque a passagem do tempo implica término do mandato e aí perderia concretude a decisão.

Mas isso não beneficia os autores de irregularidades?

Pode beneficiar. Mas na maioria das vezes beneficia o que não errou. Essa é a premissa.

Mas há casos em que a decisão só sai depois do fim do mandato.

Aí é que precisamos prestar maior celeridade à tramitação desses processos.

Em média quanto dura um processo como esse?

Começando no TSE, podemos tomar exemplos da eleição do ano passado em que estamos com processo aparelhado em julgamento. Talvez pudesse ser julgado até em tempo menor. Mas é preciso dar o direito de defesa. Vindo do regional, às vezes a coisa se complica.

Esse quadro aponta a necessidade de mudar a lei eleitoral para inibir esses casos?

O aperfeiçoamento é sempre bem vindo, mas precisamos é ter homens públicos que respeitem a legislação existente.


Nova enquete

Você acredita que a Governadora Ana Júlia Carepa deterá o movimento que quer criar novos Estados no Pará?

Vote ai ao lado.

Resultado da enquete

O quê Lula deve fazer para resolver o "apagão aéreo"?

Demitir toda a equipe responsável pelo setor
51,52%
Promover o Marco Aurélio Garcia
(nenhum voto)
Anunciar que Marta Suplicy não mais relaxará e gozará
12,12%
Chorar e rezar
12,12%
Pôrra nenhuma
24,24%


O resultado da enquete prevaleceu na opinião dos eleitores. Em parte, foram demitidos os líderes responsáveis pelo controle da aviação comercial no país. Mudaram o Ministro e o presidente da Infraero. É pouco.

Hoje é o Dia do Economista

O Deputado federfal Jurandil Juarez (PMDB-AP) homenageou hoje na Tribuna da Câmara dos Deputados, todos os economistas pelo transcurso de seu dia comemorativo. Leiam.

Hoje é o Dia do Economista, uma das mais importantes das nossas categorias profissionais. A fixação desta data tem correspondência com a assinatura da Lei nº 1.411, de 13 de agosto de 1951, pelo Presidente Getúlio Vargas, que regulamenta a profissão de economista.

Nesses 56 anos de profissão regular tem sido de grande significação para a sociedade brasileira a contribuição do papel do economista. Deve-se especialmente à evolução do pensamento econômico produzido nas universidades, nos centros de estudo e na experiência prática, a compreensão do salto que deu a economia brasileira, transformando-se de um acanhado modelo agrário-exportador para a economia multifacetária, moderna e competitiva de hoje.

Os economistas têm uma característica que muito valoriza a profissão: a diversidade democrática de pensamento. É possível encontrar no mesmo governo profissionais que seguem as mais diferentes correntes de pensamento e ideologias, sem que isso represente obstáculo para o bom desempenho de suas atividades.

São conhecidas as divergências no passado recente entre os chamados economistas de esquerda e de direita, mas ninguém pode negar a contribuição de expoentes dessas correntes como Celso Furtado e Roberto Campos. Da mesma forma são comuns hoje as contendas entre monetaristas e desenvolvimentistas, cada segmento propondo alternativas para aumentar o ritmo do crescimento da economia.

Isso enriquece o debate, fortalece os fundamentos democráticos da economia e aponta novos caminhos para o seu desenvolvimento.

Foi a rápida evolução do pensamento econômico brasileiro que permitiu a compreensão do fenômeno da globalização, da necessidade da economia brasileira interagir em escala mundial e quais as suas vantagens e desvantagens.

Com conhecimentos cada vez mais consistentes, a economia do País vem podendo responder de forma cada vez mais adequada as crises que periodicamente assolam a economia mundial, de tal sorte que os seus efeitos sejam cada vez menos sentidos.

A crise de agora é um exemplo. Mesmo sendo ainda cedo para se saber a extensão dela, percebe-se com clareza que o impacto está sendo muito bem absorvido. Isso demonstra maturidade e a solidez dos fundamentos da nossa economia.

É preciso admitir, no entanto, que, apesar de tantos avanços, o pensamento econômico ainda não deu saída para o nosso maior problema, que são as nossas desigualdades sociais.

Somos uma dos maiores economias do planeta, mas temos também uma das mais vergonhosas concentrações de renda e de riqueza.

O abismo que separa ricos e pobres é um escândalo que desafia não só economistas, mas principalmente economistas.

Os milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza são a demonstração gritante de que nem tudo vai bem na economia. Os vultosos recursos que os governos têm de despender em programas sociais, em detrimento dos investimentos produtivos, representam o preço que temos que pagar para diminuir a distância entre os que têm muito e os que nada têm.

Um modelo de crescimento que distribua melhor os ganhos da economia é a grande dívida da categoria profissional dos economistas para com a sociedade brasileira. Isso precisa ser dito no dia de hoje.

Louve-se, por uma questão de justiça, as iniciativas das instituições que organizam a profissão para aproximarem-se das populações mais pobres e de seus problemas. Por todo o País, os Conselhos Regionais, as associações, os sindicatos e federações promovem atividades que familiarizam o trabalho do economista com o dia-a-dia das comunidades.

Por exemplo, aqui no DF, o Conselho Regional está realizando um serviço volante de atendimento à população, prestando consultoria gratuita nas ruas da cidade, orientando sobre vários temas, tais como organizar as finanças domésticas, quitar dívidas, fugir dos juros escorchantes, fazer poupança, etc.

Essa mudança de comportamento é altamente saudável, promove cidadania, resgata um pouco dos compromissos que a categoria tem para com a sociedade e nos faz felizes por sermos economistas brasileiros.

Por isso tudo, Sr. Presidente, hoje é um dia muito importante para o Brasil. Parabéns, economistas brasileiros! Parabéns, economistas do meu Estado do Amapá!
Muito obrigado.

ANTT: Brasil perde ferrovias por falta de conservação

Ag. Câmara

O diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Gregório de Souza Rabelo Neto, explicou ontem, em audiência pública, que o País perdeu 13 mil km de ferrovias nos últimos anos por falta de conservação.

Como a construção de um quilômetro dessas estradas custa entre 900 mil e 1,2 milhão de dólares (o equivalente a cerca de R$ 1,7 milhão e R$ 2,3 milhões) o prejuízo é considerável. "O Brasil já teve 35 mil km de ferrovias, e hoje conta apenas com 22 mil por pura incompetência de nossos governantes", afirmou Rabelo.

A audiência foi realizada pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional para discutir o Projeto Estratégico de Transportes Brasil Central, a pedido do deputado Zequinha Marinho (PMDB-PA). Criada pela ANTT em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a proposta se estrutura em dois eixos ferroviários principais. No sentido norte-sul, a malha ligaria as cidades de Belém (PA) a Anápolis (GO). No sentido leste-oeste, conectaria a cidade de Lucas do Rio Verde (MT) a Eliseu Martins (PI).

Essa estrutura ferroviária seria interligada ao sistema rodoviário e a hidrovias. O objetivo principal da iniciativa é facilitar o transporte de grãos produzidos no Brasil para seus principais mercados consumidores - Estados Unidos, Europa, Ásia e Argentina.

Necessidade

Conforme explicou a professora da UFSC Úrsula Beatriz Vieira, o projeto cobre 11 estados, atingindo quase 2 mil municípios, área responsável pela produção de 60% dos grãos do País. Gregório Rebelo acrescentou que, atualmente, os produtos agrícolas de Mato Grosso, por exemplo, precisam percorrer 2,6 mil km de rodovias até o porto de Paranaguá (PR). Com isso, o transporte representa um custo de 50% do valor da produção.

O diretor da ANTT considera ainda que, por ter sua economia baseada na produção de commodities, o Brasil necessita de ferrovias. Para atender a necessidade de escoamento da produção, disse, seria necessária a construção de 3 mil ou 4 mil km de ferrovias por ano. No entanto, assegurou que há mais de 20 anos o governo não elaborava nenhum projeto de transporte para o País.
Inclusão

O deputado Zequinha Marinho disse que o objetivo da bancada da região centro-norte é incluir o projeto Brasil Central no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em sua opinião, caso isso não ocorra "o discurso do crescimento vai ficar apenas no papel".

Gregório Rabelo concorda com essa posição. Para ele, as regiões Sul e Sudeste já saturaram suas possibilidades de crescimento, o que torna indispensáveis os investimentos na regiões ao norte do País. "Sem esses investimentos, o Brasil não pode crescer 5% ao ano", declarou.

Justiça social

Zequinha Marinho lembrou ainda que praticamente tudo o que se consome no Norte e no Nordeste é industrializado no centro-sul do País. "Isso encarece esses produtos em uma região que já conta com uma população empobrecida", acrescentou. Além disso, o deputado afirmou que praticamente toda a produção das regiões Norte e Centro-Oeste é exportada para longe, o que, nas condições atuais das rodovias brasileiras, ocasiona grandes perdas para os produtores dessas regiões.

O deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA) acrescentou que o projeto também representa a possibilidade de geração de empregos e renda para região Norte. Segundo ele, em 20 anos de Câmara esta é a primeira vez que ouve falar na integração das hidrovias à malha viária brasileira, conforme prevê a proposta. "É o meio de transporte [as hidrovias] mais barato porque não precisa ser construído", destacou.

Compra de terras na Amazônia é investigada

O deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), vice-presidente da Comissão da Amazônia, anunciou nesta sexta feira, 10, que a subcomissão especial destinada a tratar de questões fundiárias e agrárias na Região Amazônica, presidida pelo deputado Asdrubal Bentes (PMDB/PA) está investigando a compra de terras em vários estados da Amazônia, inclusive no Amapá, por organizações não governamentais - ONG´s estrangeiras. O primeiro passo foi dado quando os parlamentares da subcomissão ouviram o diretor substituto de ordenamento da estrutura fundiário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra, Edaldo Gomes.

O diretor explicou aos parlamentares que os brasileiros não possuem nenhuma restrição quanto à compra de terras. Mas, no entanto, empresas ditas brasileiras se aproveitam desta brecha que a própria legislação dá. "Empresas brasileiras, mas controladas por estrangeiros podem comprar terras. Não existe nada que diga que estão fazendo uma operação ilegal. A própria lei ajuda", frisa.

O presidente da subcomissão alertou que a legislação precisa inibir a compra de terras por estrangeiros evitando que, principalmente a Amazônia, não caia na mão de outros países. "Vamos fazer uma parceria com o Incra e investigar estas ONG’s que estão propondo, inclusive na internet, a compra de terras", diz.

Edaldo comprometeu-se a pedir os registros de terras da Amazônia nos cartórios para tentar constatar alguma operação ilegal. "Se não estão registradas em cartório é um ato criminoso e deve ser punido", informa.

O chefe da divisão de meio ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Fernando Coimbra, também esteve participando da reunião e se dispôs a apoiar caso algum estrangeiro que tenha comprado terras ilegais na Amazônia seja encontrado.

The White Stripes: 300 M.P.H. Torrential Outpour Blues

Encerro os trabalhos de hoje aqui.

Carajás: Vamos ouvir

Tentei infrutíferamente um contato com o vice-governador Odair Corrêa.

Independente da tentativa. Amanhã, segunga-feira, 13, vou perguntar ao vice-governador se ele é um "pelego"?

Amanhã eu digo a resposta dele.

O Pará e sua divisão territorial

Antenado como sempre. Juvêncio de Arruda, do 5.a Emenda afina o Auditório e solta mais uma rodada de debates.

A Febre e os Febres sobre

Do blogue do Colunão, de Walter Rodrigues

Deu no Estado do Maranhão:

Inspirado na propaganda do “Maranhão do Sul”, o ex-deputado Paulo Marinho (PL-MA) lança a idéia de um “Maranhão do Leste”, capital Caxias.

Nada contra. Em qualquer desses Maranhões ele continua inelegível até 2010, conforme os termos da sentença que o condenou por improbidade administrativa, cassou-lhe o mandato de deputado federal e suspendeu-lhe os direitos políticos.



E no blog do Jeso

Amazonas coleta 50 mil assinaturas em favor do Estado do Tapajós
O deputado estadual santareno Sinésio Campos, líder do governo no Amazonas, entregou ao coordenador do Movimento Pró-Criação do Novo Estado, Edvaldo Bernardo, um abaixo-assinado com 50 mil assinaturas coletadas em Manaus em favor do plebiscito para criação do Estado do Tapajós.
A entrega foi feita no início da audiência pública, realizada ontem na capital baré, que debateu a redivisão territorial do Pará.
O vice-governador Odair Corrêa participou do evento. E voltou a defender a criação do Tapajós, como faz há mais de 20 anos.
Também apareceram por lá o deputado Lira Maia, o vereador Reginaldo Campos e o secretário municipal Evandro Éleres (Turismo), que representou a prefeita Maria do Carmo.


(Grifos do Quinta)

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Localizei o Deputado Federal Giovanni Queiroz, no sentido de saber o que ele pensa sobre o fato e coloquei toda a questão.

A jornalista Cristina Moreno acusou uma observação que está lá na caixa de comentários do 5.a.

O texto abaixo, está devidamente corrigido, pois o original contém falhas de digitação em razão da quase simultâneidade com a conversa que tive com Queiroz o que o poster pede escusas.

Mas vamos ao que interessa.

Localizado pelo telefone em Tucumã (PA), e em respeito aos leitores do 5.a Emenda, com a permissão do editor. Esclareço:

O Deputado Federal Giovanni Queiroz acabou de autorizar o pedido de publicação dos seguintes posicionamentos do Comitê Pró-Criação do Estado do Carajás, em razão dos acontecimentos havidos na Audiência Pública realizada na Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas, motivo do post acima publicado:

1- O descolacamento do Vice-Governador Odair Corrêa e do Secretário Municipal de Turismo de Santarém, Evandro Éleres, é absolutamente dentro da Lei.
Ambos representaram o Estado e o município, respectivamente, num compromisso Oficial, atendendo convite do Poder Legislativo do Estado do Amazonas.

O Deputado Giovanni ressalta que: "Os projetos de criação do Estado do Carajás e do Tapajós, são projetos de interesse nacional, cuja tramitação obedece o prevista na Constituição Federal, portanto, obedecendo os ritos democráticos brasileiros.
Se a Assembléia Legislativa de qualquer Estado brasileiro vier a formular convite de igual natureza, o de formalizar a entrega de um documento dos paraenses que residem em qualquer outro Estado da Nação, apoiando o projeto de criação desses dois novos Estados. Pergunto: O que que é que tem de errado nisso?

2- O povo paraense que migrou para Manaus foi em busca do que não encontrou em sua terra natal. Não necessariamente dessa forma, pois, acredito que muitos para lá foram em busca de uma oportunidade melhor para suas vidas, em se tratando de profissionais, muitos em cargo executivo e de reconhecida competência que, no vizinho Estado do Amazonas, ajudam com o seu trabalho e espertise a construir o maior ente federado do país em área territorial.
Não podemos desmerecer de maneira alguma esses paraesnses e brasileiros.

3- O patrulhamento em torno da questão é fruto do desconhecimento da maioria do conjunto da sociedade brasileira em relação a real motivação que organiza mais de 2,5 milhões de pessoas a procurar uma alternativa factível em busca de uma mudança para seus destinos e de seus familiares.

Gostaria de encerrar, parabenizando o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, o vice-governador do Pará, a Prefeita de Santarém e o meu colega Deputado Federal Lira Maia, e, da mesma forma, o Secretário de Turismo de Santarem.

Deputado Federal Giovanni Queiroz

Um frágil "Castelo de Papel" em Rondônia

É do conhecimento do eleitor brasileiro que algo podre, permeia o processo de escolha dos representantes desses mesmos eleitores.

Pois bem. Este blog nunca se propôs a ser um guardião da moralidade que, por definição, deixo para quem ganha prá isso.

Mas a turminha abaixo quer se dar bem com o dinheiro do Estado e isso o blog jamais vai aceitar de quem é quer seja o homem público ou a legenda a qual ele esteja ligado. Ponto.

Cadeia na corja!

Governador Ivo Cassol e senador Expedito Júnior são denunciados por compra de votos

Eduardo Paschoal

Do Site Amazônia.org

O governador de Rondônia Ivo Cassol (PPS- RO) e o senador Expedito Júnior (PR-RO) foram denunciados, nesta quarta-feira, ao STF (Supremo Tribunal Federal) por compra de votos na última campanha eleitoral e formação de quadrilha.

A denúncia partiu do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, e inclui outras 11 pessoas, como a esposa do senador, Val Ferreira, dois delegados e dois agentes da Polícia Civil.

Segundo a denúncia do procurador-geral, na campanha eleitoral de outubro de 2006, Expedito Júnior organizou o pagamento de R$100 a quase mil eleitores, todos funcionários da empresa Rocha Segurança e Vigilância Ltda, que pertence a Irineu Gonçalves Ferreira, irmão do então candidato.

Souza relata que o dinheiro destinado ao pagamento dos eleitores havia sido doado por Ivo Cassol, através do Comitê Financeiro de sua campanha. Depois de feita a lista dos colaboradores, dois funcionários se encarregaram de depositar o dinheiro em suas contas bancárias.

Além da compra ilegal de votos, houve também a coação das testemunhas, depois de a operação ser denunciada na Polícia Civil de Rondônia. A investigação estadual, segundo a denúncia, foi forjada e manipulada: "toda a farsa foi executada a mando do governador Ivo Cassol, que se utilizou do aparato de segurança do Estado de Rondônia para tentar desqualificar a investigação dos crimes eleitorais imputados a ele e a seu grupo político", salientou Souza no relatório de denúncia.

O procurador-geral da República aponta, ainda outras formas de pressão às vítimas. Segundo ele, alguns policiais civis "passaram, também, a fazer rondas próximo às residências das testemunhas e a tentar corrompê-las com promessas de cargos públicos e outras vantagens", relata.

Presente do blog para o Dia dos Pais

Técnica e genialidade. Fiquem com Jody Fisher. Meu presente para todos os Pais.

Requentando: Como sempre.

O apelo recorrente do jornal que foi desmascarado em sua própria propaganda, subsiste agora de expedientes como o da matéria abaixo.

Já viveu dias melhores como Tribuna de discussão esse jornal, que, ao contrário de sua mais nova "potoca", poderia bem, em vez de se apresentar assim: "O melhor jornal do Norte, Nordeste". Assim ó: "O dono da verdade na República de Duciomar e Ana Júlia. Comprem. Tem tudo lá!"

Talvez assim venderia um pouco mais para os que o compravam com o mote: "O maior jornal do Norte Nordeste".


Edição:Ano LXI - Nº 31.839 Belém, Domingo, 12/08/2007

Novos Estados vão sangrar cofre público

Separatismo

Geógrafo da USP estima em R$ 2 bi custos de criação de cada nova unidade

BRASÍLIA

Da Sucursal

A criação de novos Estados como Carajás e Tapajós - que nasceriam a partir do retalhamento do território paraense, conforme propostas em tramitação no Congresso - representa uma sangria dos cofres públicos, que soferão um rombo para viabilizar toda a estrutura de poder das novas unidades federativas. É o que afirma o professor do Departamento de Geografia Política da Universidade de São Paulo (USP), André Roberto Martin. Ele estima que, em valores atuais, a criação de um novo Estado custaria cerca de R$ 2 bilhões. Só as despesas individuais dos representantes dos novos Estados na Câmara e no Senado chegariam a R$ 100 milhões por ano. O custo médio das assembléias legislativas ficaria em torno de R$ 110 milhões ao ano, calcula Martin. O principal argumento dos separatistas é a necessidade de desenvolver as regiões mais pobres e remotas do Estado, assim como aconteceu com as regiões que deram origem aos Estados do Tocantins e do Mato Grosso do Sul. Porém, em nenhum dos projetos se fala dos investimentos iniciais e dos custos permanentes da máquina administrativa estadual. Em cada novo Estado seria necessário implantar uma nova sede de governo, com secretarias estaduais e órgãos de prestação de serviços públicos, além da construção, instalação e manutenção do funcionamento da Assembléia Legislativa, do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas e de várias outras unidades do Poder Judiciário. A representação política nacional teria um acréscimo de mais seis senadores e de, no mínimo, 16 deputados federais. Em entrevista ao repórter Thiago Vilarins, o professor André Martin critica a onda separatista que voltou nessa legislatura. Ele ressalta que as intenções de criar novos Estados bate de frente com a necessidade que a União tem de cortar gastos. Alerta que, se ocorrer a divisão do território paraense, possivelmente somente um dos três novos Estados terá condições de se manter. A seguir, a entrevista.

O movimento separatista no Congresso se intensificou, mas pouco se fala nas demandas financeiras decorrentes da criação de um nova unidade federativa. Nenhum dos separatistas fala sobre os custos de um novo Estado. Qual o valor estimado dos investimentos iniciais e os custos permanentes de um novo Estado?

É uma coisa que pode variar um pouco, mas certamente a implantação de toda uma máquina administrativa estadual que envolve uma nova representação de mais três senadores e, no mínimo, mais oito deputados, além de uma série de secretarias, órgãos de prestação de serviços públicos, sede de governo, Assembléia e unidades do Poder Judiciário, terá um custo alto: cerca de US$ 1 bilhão, ou seja, R$ 2 bilhões que deverão ser reservados para implantar a máquina estadual. Esse valor vai recair direto no Tesouro Nacional. Além disso, há os custos com as despesas individuais dos novos parlamentares. Pesquisa econômica aponta que metade dos Estados brasileiros são inadimplentes do ponto de vista fiscal. Dependem de repasses federais para gerir suas máquinas estaduais. Então, não estou sendo leviano ao dizer que temos Estados demais no Brasil, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista político. Mas a pergunta é: a sociedade acha que este é um gasto bom? O que ocorreu é que justamente quando se falou que a União tinha que cortar gastos, já em 1988, houve uma enxurrada de propostas de novos municípios e novos Estados. E agora mais uma nova onda. Algo está errado. Fazemos um discurso para um lado e uma prática para outro lado.

Os parlamentares favoráveis ao retalhamento do Estado usam como exemplo o Tocantins, devido ao crescimento econômico verificado na região emancipada. Tocantins, criado a partir da elaboração da Constituição, serve de comparativo para as novas divisões propostas?

O momento histórico é diferente. Naquela época, havia uma demanda reprimida do período militar. Então pareceu que, juntamente com as republicações pela democracia, fazia parte a de novos Estados. A conjuntura hoje não é essa. Do ponto de vista político, o que aconteceu especificamente com Tocantins foi uma manobra regional. Rondônia, Mato Grosso apoiaram e Goiás não perdeu deputados. Hoje, seria uma representação totalmente nova. Outra coisa nesse comparativo: a identidade regional é muito discutível. Em Tocantins, havia um histórico de movimentos, mas essas propostas para a criação de Carajás e Tapajós no Congresso, eu acho que são uma coisa muito artificial.

É uma questão mais regional do que um problema nacional?

Esse é o ponto central. Não pode ser visto só como um problema regional. Tem sido assim historicamente no Brasil. Acenam dizendo que haverá investimentos, que a divisão atrairá empresas, empregos, dizem que a vida melhorará 100%. Como a população não apoiará essa proposta? Eu não conheço situação concreta que tenha revertido a população em ser do contra, principalmente em municípios. Com relação a Estado, é mais complicado, tem o caso do Triângulo Mineiro, que reivindicou a separação e perdeu. Nesse caso, prevaleceu a unidade, porque a elite mineira reconheceu a necessidade de estar unida no plano nacional. Agora, no Pará, está pipocando isso. Quero crer que a intelectualidade paraense está repudiando essa proposta.

O principal argumento dos separatistas é a necessidade de desenvolver as regiões mais pobres e remotas do Estado, o que só seria possível, acham eles, a partir da divisão. Depois de divididas, essas regiões terão condições de sobrevivência?

Por exemplo, na questão do Estado do Carajás, onde você tem uma mina na mão e vai receber em impostos estaduais. É claro que, sob esse ponto de vista, vai ser uma empresa que vai dar lucro, digamos assim. Sob este ponto de vista, sim. Mas o que prejudica é o conjunto. Você concentra ali um pólo, esvazia o resto, cria um problema para a região, para a Nação. As coisas não podem só ser vistas dessa maneira, senão vamos transformar todos os distritos regionais em Estados. Não há como dividir o Estado e nenhuma das partes serem prejudicadas. Há dois tipos de movimentos seccionistas para a criação dos Estados: o dos pobres e o dos ricos. O dos ricos: 'Aqui nós pagamos muito impostos, a riqueza toda está aqui'. No caso dos pobres: 'A capital está muito longe e nós estamos abandonados. E já que somos miseráveis e ninguém olha para a gente, vamos viver por conta própria'. Estes dois argumentos me parecem meias verdades. Mas tem que se olhar melhor o conjunto. Estamos vivendo com uma Nação federativa complicada. Não podemos açodadamente criar mais Estados e municípios. É claro que alguns critérios deveriam ser observados, como um certo mínimo de arrecadação interna. Até hoje, temos Estados criados que enfrentam dificuldades para arrecadar impostos estaduais. Uma coisa, por exemplo, que poderia mudar, que seria um teste para ver se isso passa no Congresso é o Imposto Territorial Rural se tornar um imposto estadual. Porque aí você desafoga os Estados, dando mais dinheiro e mais responsabilidade às novas unidades. Universidades, por exemplo, têm que ser estaduais.

O Estado-mãe é sempre o mais prejudicado na divisão?

Tem se verificado que sim. Só no caso Mato Grosso é que observamos o contrário. Esperava-se que o Mato Grosso do Sul se desenvolvesse mais, por estar mais encostado na região Centro-Sul, mais desenvolvida, enquanto o norte do Mato Grosso ficaria abandonado. Caso estranho, porque os mais beneficiados pela divisão foram os que eram contra, na região norte.

Qual a sua opinião sobre a proposta de que o Estado remanescente receba por um longo período um percentual de tudo o que for produzido pelos novos Estados?

Ainda não havia ouvido esse tipo de proposta. É um dado novo. Para mim, é esquisito. Reforça aquela idéia de que se trata mais de uma empresa do que propriamente de um novo Estado. Quer dizer: quem fez a proposta está querendo provar que a empresa vai dar lucro e pode pagar royalties. Esse raciocínio está equivocado para se analisar uma solicitação de criação de uma nova unidade federativa. É como se quem propôs já fez as contas e já calculou os repasses federais e entendeu que assim vale a pena retalhar o Estado. Não se pode olhar desse jeito.

E a questão de defesa do território amazônico? Dividida, a floresta não estará mais protegida?

Esse é mais um argumento furado. Nesse caso, devemos fortalecer as Forças Armadas, que são federais. Sou favorável a que haja uma presença forte e firme delas em toda a fronteira e, claro, a fronteira amazônica é a menos protegida. Então, é lá que o exército tem que estar hoje mesmo. Já que argumentam tanto isso, então que se crie na zona fronteiriça mais problemática um território federal. E aí as contas já vão ser pagas pela União mesmo, como foi em 1943 e 1946, territórios federais por segurança, que podem retornar aos Estados. Diga-se que a previsão, em 1946, era devolver aos Estados-mãe os territórios criados por segurança. Mas como no Brasil é complicado, nunca se volta para trás. Criaram-se mais Estados. Eu acho que enfraquece o Estado. Roraima, por exemplo, deveria fortalecer o Amazonas. Em um Estado, sempre é bom ter uma cidade que rivalize um pouco, tenha uma capital regional. Agora, Santarém cresceu e vai virar capital do Tapajós. Enfim, o Brasil é complexo.

Who Next!

Baba O'Riley foi uma das músicas que mudaram a vida de muita gente, inclusive a desse que vos escreve.

Era o auge do movimento Hippie.

Os sem vergonha da Nação

Frágil como papel

Revista Veja

A Justiça brasileira é incapaz de manter presos assassinos
confessos e corruptos pegos em flagrante. Na origem da
impunidade está a própria lei


Marcelo Carneiro




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Quadro: Muitas operações, poucos resultados
Quadro: A boa vida dos mensaleiros
Quadro: Os nós que emperram a Justiça
Exclusivo on-line
Os escândalos do governo Lula

O episódio do mensalão não foi apenas o mais grave escândalo ocorrido no governo Lula – foi também o mais impudente. A título de lembrança, apenas algumas das cenas de corrupção explícita que ele revelou: empresário carequinha que com uma mão recebia rios de dinheiro do governo e com a outra distribuía bolos de notas a aliados desse mesmo governo; deputados saindo de bancos com malas recheadas de reais ou entrando furtivamente em quartos de hotel para repartir o butim; marqueteiro confessando em rede nacional que recebeu pagamento do PT proveniente de caixa dois e o depositou em conta no exterior... Pois bem: esse escândalo – definido pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, como resultado da ação de uma "organização criminosa" chefiada pelo ex-ministro José Dirceu – acaba de completar seu segundo aniversário sem que haja um único punido.

Do ponto de vista legal, seus quarenta implicados quase não foram incomodados: a denúncia apresentada contra eles pelo Ministério Público ao Supremo Tribunal Federal não foi sequer apreciada. Do ponto de vista prático, a vida dos mensaleiros também pouco mudou. Quer dizer, em alguns casos mudou, sim – mas para melhor. Marcos Valério, por exemplo, o lobista carequinha, ganhou cabelos, e seus tentáculos agora estão no campo. Hoje, vende gado à Europa, arrenda uma fazenda que abriga seus cavalos de raça e continua morando na casa que ocupa meio quarteirão em Belo Horizonte e foi reformada no capricho. José Dirceu, o "chefe do organograma delituoso", na definição do procurador Antonio Fernando, virou "consultor de empresas" e chega a embolsar 150.000 reais por mês com as "consultas" que dá. Perdeu o cargo, mas não os hábitos do poder: só circula em carro com motorista e freqüenta restaurantes caros, onde é visto sempre com um charuto cubano na mão. Para completar, acha que pode dar lição de moral. Outros, como o deputado federal José Janene – ex-líder do PP e sacador de 4,1 milhões de reais das contas de Marcos Valério –, não perderam nem mesmo as funções nas quais foram flagrados com a mão na botija do valerioduto. Aposentado pela Câmara com um salário integral de 12.800 reais, Janene foi reeleito em abril primeiro-tesoureiro do PP. Isso mesmo. O homem que, em nome de seu partido, recebeu milhões de reais não declarados à Justiça Eleitoral continua dirigindo a legenda – e no cargo de gestor de finanças.

Os mensaleiros – que a ex-deputada Angela Guadagnin "homenageou" com sua tristemente famosa dança da pizza – são apenas a face mais gritante de um mal que, no Brasil, já se tornou endêmico: a impunidade – produto resultante da soma de um trabalho policial precário com um código processual anacrônico e um sistema judiciário labiríntico. Para ilustrar o fenômeno, VEJA investigou o desfecho de dez operações deflagradas pela Polícia Federal entre outubro de 2003 e dezembro de 2004. Além do fato de terem ocorrido há um mínimo de dois anos e meio, todas as ações selecionadas envolveram a prisão de políticos, empresários ou funcionários públicos por acusação de corrupção ou desvio de dinheiro. Juntas, elas produziram 245 prisões. Decorridos três anos, em média, o que a reportagem apurou sobre o resultado dessas operações é desalentador. Em apenas três delas o inquérito resultou em julgamento, mesmo assim só em primeira instância. Nos julgamentos, 64 pessoas foram condenadas, mas apenas duas permanecem hoje na cadeia: o juiz João Carlos da Rocha Mattos e sua ex-mulher, Norma Regina Cunha, ambos pegos na Operação Anaconda.

Robson Fernandes/AE
Pimenta Neves: assassino confesso da ex-namorada, mesmo tendo fugido e sido condenado, ele conseguiu habeas corpus que lhe garante a liberdade até o julgamento definitivo


Ressalte-se que, embora a PF tenha cometido diversas falhas em inquéritos (o que, algumas vezes, comprometeu seriamente o andamento do processo, como o que teve origem na Operação Vampiro), no que se refere às dez operações analisadas por VEJA, ela é a que menos culpa tem pela situação. O fato de parte dos detidos ter sido liberada logo em seguida à prisão não significa necessariamente ineficiência policial. Muitas dessas prisões são temporárias – duram apenas cinco dias, prorrogáveis por mais cinco – e têm por finalidade ajudar a investigação, evitando que o suspeito prejudique a coleta de provas ou intimide testemunhas, por exemplo. O pífio resultado das operações da Polícia Federal está diretamente ligado a outro problema, este da esfera judicial.

Como grande parte das ações da PF produz indiciados com direito a foro privilegiado – caso de políticos e altos servidores públicos –, os processos em que eles estão envolvidos seguem diretamente para os tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça ou o Supremo Tribunal Federal. Ocorre que os ministros desses tribunais só costumam julgar recursos – não estão habituados a comandar a instrução do processo, que inclui a audiência de testemunhas e a produção de provas. A necessidade de fazê-lo, somada à quantidade extraordinária de trabalho que se acumula nas mesas dos ministros, faz com que toda ação que chega a esses tribunais acabe mofando por anos nas gavetas. Isso explica por que, passados dezessete meses, a denúncia do mensalão não foi nem sequer apreciada. Na semana passada, o STF anunciou que isso finalmente deve ocorrer no próximo dia 22.

Roberto Montenegro
Edemar Cid Ferreira: por meio de um batalhão de advogados, o ex-banqueiro abarrota a Justiça de requerimentos inúteis com o objetivo de retardar seu julgamento


Em relação ao trabalho da polícia, é sobretudo nos crimes violentos que ela mostra seu mais alto grau de ineficiência. Em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, menos de 2% dos casos de homicídio apurados resultam na condenação do assassino. Em países como Japão e Inglaterra, esse índice chega a 90%. Uma pesquisa ainda inédita, realizada pelo Núcleo de Estudos da Violência, ligado à Universidade de São Paulo, examinou 345.000 boletins de ocorrência registrados em delegacias paulistas. De acordo com os resultados, apenas 22 000 desses boletins (6%) viraram inquérito. Ou seja, resultaram em algum trabalho de investigação por parte da polícia. O restante, presume-se, teve como destino o arquivo morto das delegacias. "Isso mostra que boa parte da impunidade se produz a partir do trabalho da própria polícia", diz o sociólogo Sérgio Adorno, coordenador da pesquisa.

A lógica da impunidade, no Brasil, independe da natureza do crime em questão. Tanto nos delitos de corrupção quanto nos chamados crimes do colarinho-branco e ainda nos que implicam violência contra a pessoa, como o homicídio, ela segue o mesmo roteiro: começa com a precariedade da investigação policial e continua na fase processual – quando entram em cena advogados contratados a peso de ouro não para atestar a inocência dos clientes, mas para protelar a todo custo seu julgamento (veja quadro). É o que ocorre com a ação envolvendo Edemar Cid Ferreira, o dono do Banco Santos, que teve a falência decretada em 2005. Denunciado por lavagem de dinheiro, desvio de recursos e evasão de divisas, Edemar – ou melhor, seu batalhão de advogados – fez de tudo para tumultuar o processo. E conseguiu. Numa ação em que ele e seu filho são réus, por exemplo, a defesa chegou a enviar pelo menos 32 requerimentos à Justiça, a maioria sem a menor relevância para o processo. Como o juiz deve dar um parecer sobre cada um dos pedidos, que incluem oitiva de testemunhas e novas perícias, o vai-e-vem burocrático dessas intervenções é altamente eficiente para atrasar o julgamento da ação.

Beto Barata/AE
A deputada não reeleita Angela Guadagnin e sua coreografia no plenário da Câmara, tristemente conhecida como a "dança da pizza": celebração da impunidade

Em dezembro do ano passado, Edemar foi condenado em primeira instância, mas seus defensores conseguiram um habeas corpus junto ao STF. Esse costuma ser o grand finale da impunidade: mesmo condenados, os criminosos continuam soltos, graças à infinidade de recursos a que têm direito. No Brasil, até assassinos confessos podem recorrer de uma sentença em liberdade. O caso mais conhecido é o do jornalista Antonio Pimenta Neves, que, em agosto de 2000, matou a tiros sua ex-namorada Sandra Gomide. Mesmo depois de ser condenado e fugir, obteve um habeas corpus que lhe permite ficar em liberdade até o seu julgamento no STF. Pimenta Neves levou seis anos para ser julgado em primeira instância e não deve receber uma sentença definitiva antes de 2011. Enquanto isso, o assassino confesso e condenado continuará livre. E o Brasil seguirá sendo o país da impunidade.

ELES NÃO SAEM DE CENA

Não adianta denunciar, processar e condenar. Os políticos brasileiros sempre dão um jeito de voltar ao poder

Marcio Fernandes/AE
ORESTES QUÉRCIA
Responde pelo desvio de 2,8 bilhões de dólares do Banespa e pela contratação de funcionários-fantasma. Em 2000, foi condenado, em segunda instância, a devolver 140 000 reais, por desvio de
verba pública. Em 2006, foi reeleito presidente do PMDB paulista
Dida Sampaio/AE
FERNANDO COLLOR
Acusado de se beneficiar do esquema de corrupção montado pelo empresário PC Farias, renunciou ao mandato de presidente da República e teve os direitos políticos cassados por oito anos. Em 2006, elegeu-se senador por Alagoas
Sebastião Moreira/AE
PAULO MALUF
Responde a processos na Justiça por envio ilegal de dinheiro ao exterior, formação de quadrilha e desvio de recursos de obras públicas durante sua gestão como prefeito de São Paulo (1993-1996). No ano passado, foi eleito como o deputado federal mais votado de São Paulo
Agencia Brasil
JADER BARBALHO
Está sendo processado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, crime contra a administração pública e desvio de recursos da Sudam e do Banco do Estado do Pará. Foi campeão de votos no Pará nas eleições para deputado federal em 2006

Com reportagem de José Edward, de Belo Horizonte, Juliana Linhares,
Camila Pereira, Wanderley Preite Sobrinho e Guilherme Fogaça

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