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ONGs criticam plano brasileiro de mudanças climáticas
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Pense como Odorico

| O BEM-AMADO |
| Autoria: Dias Gomes Supervisão: Daniel Filho Direção: Régis Cardoso Período de exibição: 24/01/1973 – 09/10/1973 Horário: 22h Nº de capítulos: 178 |
| Trama/ Personagens Leia mais aqui. |
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Foi manchete nos blog´s do Pará
Leiam dos destaques da semana.
> Conselheiro Colares - no 5.a Emenda
> Enfim, com o iPhone - no Flanar
> Riquezas – Nossas ou deles? - no Jornal Pessoal
> Campanha aérea - no blog do Hiroshi Bogea
> Uma paixão amazônica- novo blog da Cristina Moreno
> Ex-coordenador de Cultura pede expulsão da Duetto do Sairé - no blog do Jeso
> O desfile sem a governadora. Mas com “palhaços” - no blog Página Crítica
> A realidade pede passagem - no blog Espaço Aberto
> MINI-CONTO ERÓTICO! - no blog Crisblogando
> ANALISANDO AS PESQUISAS DO IBOPE - no blog do estreante Zé Dudu
Todos os indicados são a fina-flôr da blogosfera paraense.
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Comendo migalhas
Construção da história
O jornal Folha de S.Paulo afirma que, a pedido de Gilmar Mendes, o juiz Fausto De Sanctis foi intimado anteontem pela Corregedoria do TRF a se explicar sobre o motivo que o levou a decretar a prisão do banqueiro Daniel Dantas. Se for verdadeiro o pedido, o mundo virou de ponta cabeça. Antigamente, pelo menos era assim, a decisão era fundamentada. E não cabia a outro juiz pedir embargos de declaração. Se a lei mudou, favor deixar na portaria de nosso suntuoso edifício sede o novo livrinho de regras, para que possamos ter ciência. E durma-se com um barulho desses.
"É constrangedor"...
... foi o que disse De Sanctis, ontem, às 10h, ao depor no inquérito policial 964/08, que investiga suposto grampo contra o ministro Gilmar Mendes. Durante três horas e dez minutos, foi ouvido pelo delegado Willian Marcel Murad, da PF. Uma procuradora acompanhou a audiência. O magistrado negou ter ordenado ou mesmo concordado com a interceptação de "pessoas com prerrogativa de foro". Também negou ter comentado com a desembargadora Suzana Camargo que Gilmar Mendes estivesse sob monitoramento.
Bloqueio
A Justiça da Inglaterra anunciou o bloqueio de US$ 46 milhões - o equivalente a R$ 83,7 milhões, de acordo com o câmbio de ontem - de envolvidos na Operação Satiagraha. Segundo a Secretaria Nacional de Justiça, o dinheiro é referente a investimentos do banco Opportunity naquele país.
Lei do Estágio
Foi publicada hoje a Lei do Estágio. A partir de agora, de acordo com a lei 11.788, os estagiários, entre outras novidades, que tenham contrato com duração igual ou superior a um ano têm direito a 30 dias de recesso, preferencialmente durante as férias escolares. (Clique aqui)
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Bush anuncia consenso para aprovar plano de ajuda financeira à papéis podres
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De férias para refletir
Mas na realidade o ministro, senador licenciado aceitou na hora concorrer à presidência do Senado em esquema montado pelos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL) que têm horror a Tião Viana (AC), o candidato do PT, segundo a Folha de S. Paulo de hoje.
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Ambiente de conflito
Celeuma no governo sobre obras na Amazônia pode contaminar plano de modernização fundiária já em exame
O DESCONCERTO entre a banda desenvolvimentista e a ambiental no governo Lula não corre risco de extinção. Saiu Marina Silva do Meio Ambiente, entrou Carlos Minc, e o conflito prossegue. Agora, em torno da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho).
A estrada, parte da malha projetada pelos militares para integrar a Amazônia, existe há três décadas. A pavimentação e a recuperação de 711 km de seus 859 km foram incluídas no PAC, com dotação de R$ 697 milhões.
Minc suspendeu o licenciamento do projeto por dois meses. Apreensivo talvez com a divulgação próxima da nova taxa de desmatamento, que deverá apontar reversão nas quedas dos três últimos anos, pode ter julgado oportuno antecipar-se com alguma medida de repercussão.
Há, de todo modo, razões para temer pelo impacto ambiental da obra. Rodovias amazônicas induzem desmatamento de uma faixa de até 30 km em ambas as margens. No trajeto da BR-319 está uma das maiores concentrações de biodiversidade da Amazônia brasileira. O governador do Amazonas, Eduardo Braga, já defendeu que se construa ali uma ferrovia, menos agressiva.
Se o dano potencial é tão óbvio, por que a obra foi incluída nas prioridades do PAC? Por conta da péssima articulação entre as pastas no governo federal.
Não se trata de optar entre desenvolvimento ou ambiente, uma dicotomia ultrapassada, mas de conciliá-los. A liderança de tal esforço cabe ao presidente da República, mas Lula costuma deixar que ministros se engalfinhem e se desgastem.
O desgaste poderá, doravante, abranger também outros ministérios, com incipiente envolvimento na solução dos impasses regionais. Entre eles já foi identificado como mais grave e urgente a regularização fundiária.
Se Lula não mudar o estilo, correrá risco de soçobrar no tiroteio palaciano a proposta, em estudo, de criar um rito sumário para titular pequenas posses em terras da União. A idéia é dispensar a regularização de áreas entre 200 e 400 hectares da vistoria e do pagamento do valor de mercado hoje previstos em lei.
Seguindo o rito legal de hoje, tal processo consumiria décadas. Simplificá-lo abreviaria a insegurança jurídica de 284 mil pequenos posseiros amazônicos, cujas terras cobrem, em média, meros 74 hectares. Não faltará, no governo e fora dele, quem enxergue só o custo aparente desse projeto de benefício social -ou, pior, quem defenda que a benevolência se estenda a posses maiores, e sem licitação.
Regularizar em rito sumário a posse fundiária de milhares de famílias é o preço a pagar para dar fim a um dos maiores entraves ao desenvolvimento equilibrado da Amazônia.
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Cúpula da Justiça defende atitude imediata
Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, colocou todos os recursos à disposição do TJDF para combater a violação dos direitos da infância na capital. Ele disse estar preocupado com a exploração sexual de crianças, que considera "lamentável e deplorável"
A cúpula do Judiciário vai acompanhar a apuração das denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes na Rodoviária do Plano Piloto. O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conversou ontem com presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), desembargador Nívio Geraldo Gonçalves, e também pediu aos conselheiros do CNJ que entrem em contato com a Vara da Infância e da Juventude. O objetivo é colocar todos os recursos à disposição do sistema jurídico do DF para agir no combate à violação de direitos de meninos e meninas no centro do poder.
Ele afirmou que a situação de crianças que sofrem exploração sexual na capital do Brasil é “um fato lamentável e deplorável”. A realidade dessas crianças foi revelada pelo Correio na quarta-feira, quando o jornal mostrou que o sexo com meninas de menos de 10 anos é vendido a R$ 3. “O fato é triste principalmente pela manifestação de desapreço pela infância aqui na capital do Brasil, na frente de todos nós”, avaliou o presidente do STF.
Para o ministro, é um caso extremamente sério e serve de advertência para que se trabalhe com intensidade o tema da infância e da juventude. “Nós do CNJ estamos lançando campanhas, e vamos levar ao conhecimento de todos o trabalho que está sendo realizado aqui no Distrito Federal quanto aos menores infratores e vamos nos debruçar sobre isso, estamos preocupados”, afirmou.
Políticas
A preocupação com a preservação dos direitos da infância também dominou o debate no Fórum Distrital de Discussão do Plano de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que terminou ontem na Universidade Católica de Brasília, sede da Asa Norte. O governador José Roberto Arruda, que compareceu ao encontro, garantiu que o plano deverá ser aplicado pelo Governo do Distrito Federal a partir do próximo ano. Ele pediu ajuda a representantes de entidades e organizações não-governamentais.
Os especialistas presentes foram unânimes em afirmar que o governo precisa investir mais para reverter o quadro encontrado na Rodoviária de Brasília. “A exploração sexual é a ponta do iceberg. Existe toda uma violação de direitos que leva a criança para a rua. A violência familiar, a escola que não atrai, a falta de política habitacional, o abuso sexual dentro de casa... A rua se torna a única opção”, avalia Thaís Moreira, representante do Fórum de Defesa dos Direitos Da Criança e do Adolescente. “Os conselhos tutelares e vários outros órgãos de apoio estão carentes. Essa questão tem que ser tratada como prioridade”, complementa Perla Ribeiro, coordenadora do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca).
Os presentes ouviram do governador a promessa de mais recursos no próximo ano. “O problema é mais grave do que até hoje se imaginou. Estou disposto, inclusive, a liberar, por decreto, ainda neste trimestre, recursos para ações emergenciais necessárias”, garantiu, atribuindo à dívida herdada no início de sua gestão como razão para a falta de atenção até agora. “Esse plano, se executado, não irá erradicar os abusos, mas vai diminuir muito. Não serão vistas tantas crianças na rua passando por essa situação inaceitável. É um trabalho que precisa ser continuado, sempre em busca da cidadania perdida”, comenta Maria do Socorro Gomes Leitão, representante do Conselho da Criança e do Adolescente.
As diretrizes de trabalho estão traçadas em cinco pontos centrais: diagnosticar o problema, garantir o atendimento especializado às crianças e aos adolescentes, promover ações de prevenção, fortalecer o sistema de defesa e de responsabilização e assegurar o protagonismo infanto-juvenil.
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A situação do entorno da Rodovária de Brasília é calamitosa
Drogas, o combustível do abuso
Erika klingl (texto) e Iano Andrade (fotos)
Em terceira reportagem, o Correio revela hoje que é direta a relação entre a exploração sexual de crianças e o uso de entorpecentes. Há meninas que utilizam crack e ecstasy para agüentar os programas em que ganham R$ 3. Outras, já viciadas, fazem sexo para financiar a compra de alucinógenos
O consumo de drogas é tão banalizado que ocorre durante o dia e ao lado dos passageiros
Meninos se juntam nos arredores do terminal para “matar a fome” e espantar o frio cheirando solvente e bebendo cachaça
Rafaela, de 15 anos, está constantemente drogada. Fuma crack antes de ir para o viaduto localizado ao lado do Conic. Lá, é abordada por homens interessados em sexo. O pouco dinheiro que recebe é todo usado no sustento do vício e acaba nas mãos de traficantes que fazem ponto na própria rodoviária. É o mesmo dinheiro que alimenta o vício de meninos e meninas de rua no centro da capital do país. O consumo de drogas ocorre à luz do dia. Na última segunda-feira, quando a reportagem do Correio esteve na rodoviária, adolescentes estavam reunidos do lado norte da plataforma inferior para cheirar cola. O relógio marcava 17h.
Como boa parte dos meninos de rua, assim que recebe os trocados da madrugada, Rafaela compra mais droga. Por isso, está sempre com fome e com a mesma muda de roupa. “Só vou para a pista noiada. Se não for assim, não dá para transar com ninguém”, resume a adolescente. Estar noiada é o mesmo que transtornada pelo uso da droga. Essa alucinação voluntária é fundamental para que a adolescente agüente a tortura que é a exploração sexual. “Tem menina que diz que gosta do programa às vezes. Eu nunca gostei.”
Nas duas vezes em que falou com a reportagem do Correio, uma delas no fim da manhã de segunda-feira, ela havia consumido crack. Em vários momentos, as palavras se perdiam no meio do relato, indicando falta de concentração. Mas o que mais chamava a atenção eram as marcas do uso do crack na menina. O rosto frágil estava cheio de queimaduras, principalmente ao redor dos lábios já inchados devido à quantidade de machucados provocados pelo cachimbo feito de latinha de refrigerante.
O crack é apenas uma das drogas usadas por Rafaela, que veio de Tocantins há menos de um ano e desde então mora na rodoviária e é vítima de exploração sexual. Assim como os parceiros de rua, ela consome o que aparecer. Mas faz questão de ressaltar que existem preferências. Se um abusador oferece ecstasy ou cocaína durante o programa, ela e boa parte das adolescentes nem cobram pelo sexo. “Eles dão ecstasy para a gente porque aí eles conseguem qualquer coisa e a gente nem se lembra”, resume Rafaela.
Solvente e álcool
No caso dos meninos, além do crack, o que mais faz a cabeça são o solvente e o álcool. Iuri, também de 15 anos, entra nos carros dos exploradores que oferecem cachaça. O menino bebe todos os dias e está quase sempre alcoolizado e “noiado” pelo crack. “Gosto de usar essas coisas porque não sinto frio e nem medo”, comenta. Iuri é de Santo Antônio do Descoberto (GO) e está ameaçado de morte pelos traficantes que fazem ponto no Setor Bancário Sul. O menino, que vive à margem das leis de proteção da infância, sabe que a regra das ruas é cumprida ao pé da letra. “Recebo 10 pedras dos caras. São nove para vender e uma para mim”, conta. O problema é que, em um dia sem movimento, o menino não resistiu e acabou usando a cota do traficante. “Saio com os homens para arranjar dinheiro. Ou eu pago ou eu apanho até... sei lá.”
A relação das drogas com a rua é cruel. “Já fui para a pista obrigada por traficantes que escolheram até o carro em que eu devia entrar”, diz Tatiana, de 16 anos. Nesse dia, o explorador percebeu que a garota entrou obrigada e pagou ainda menos. Em vez dos R$ 15, ela recebeu R$ 5. A adolescente tem medo de uma traficante que já foi como ela. O medo impediu, inclusive, que ela falasse o nome da mulher que, antes de vender drogas, foi abusada e explorada sexualmente. “Melhor ficar quieta porque já rolou sujeira demais.”
Tatiana é explorada sexualmente na rodoviária desde abril. Antes morava com a mãe e o padrasto em Águas Lindas (GO). Nunca tinha usado drogas e freqüentava a escola todos os dias. Depois de sofrer com a violência doméstica, fugiu e não voltou. “Minha mãe já desistiu de mim porque gosta mais do marido dela”, conta. A violência sexual na família ou nas proximidades de casa é um dos motivos para que as meninas e meninos fujam rumo à rodoviária em busca de uma falsa liberdade. Há dois dias, o Correio denuncia histórias como a de Tatiana, Iuri e Rafaela. São meninos e meninas que sofrem na mão de pedófilos no coração de Brasília por R$ 3 ou R$ 10.
Na primeira reportagem, o jornal contou a violência praticada contra crianças com menos de 10 anos. As meninas vendem balas e chicletes e acabam fazendo sexo oral em homens que trabalham no local ou usam a rodoviária diariamente. Na segunda matéria, o Correio contou o sofrimento de meninos com idades entre 14 e 17 anos que sofrem com o abuso e a exploração sexual em troca de comida, roupas ou poucos reais.
*O nome de todos os personagens foi trocado em respeito à proteção dos direitos das crianças e adolescentes
“Só vou para a pista noiada. Se for diferente, não dá para transar com ninguém
Eles dão ecstasy para a gente porque aí eles conseguem qualquer coisa e a gente nem lembra
Gosto de usar essas coisas (drogas) porque não sinto frio e nem medo
Saio com os homens para arranjar o dinheiro dos traficantes. Ou eu pago ou eu apanho muito
Melhor eu ficar quieta porque já rolou sujeira demais”
Fonte: Correio Braziliense.
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A denúncia arranhou a imagem do único governador do DEM
Lúcio Costi (textos) e José Varella (fotos)
Após as reportagens do Correio, governo local cria subadministração com a missão de tomar conta da área central da cidade. Titular será o coronel Pedro Paulo Teixeira. Secretarias de Desenvolvimento Social e de Segurança Pública vão trabalhar integradas no prédio do Touring
Na manhã de ontem, antes da chegada dos representantes do estado, era fácil encontrar pessoas sob efeito de drogas na plataforma inferior
O Governo do DF resolveu ocupar a Rodoviária do Plano Piloto. O governador José Roberto Arruda anunciou a criação de uma subadministração com a missão específica de cuidar da área central da cidade. A nova pasta ficará sob o comando do coronel Pedro Paulo Teixeira, que deixa a coordenação do programa Cidade Limpa. Arruda extingüiu a administração da rodoviária e demitiu o até então titular, Ivaldo Diniz. Neste fim de semana, o GDF começa a veicular a Campanha de Cidadania, que terá anúncios em jornais e emissoras de rádio e TV contra a exploração sexual e o trabalho de crianças.
Além disso, as duas plataformas passarão por reformas estruturais e haverá ações integradas das secretarias de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) e de Segurança Pública. As medidas emergenciais foram anunciadas depois que o Correio começou a publicar uma série de reportagens que mostra a exploração sexual de crianças e adolescentes na rodoviária. A central de comando dessa força governamental será o prédio do Touring Club.
No mesmo local ficarão os agentes da Sedest, os fiscais da Agência de Fiscalização do DF responsáveis pela região, a 7ª Companhia de Policiamento Militar Independente e a 5ª Delegacia de Polícia, que atualmente funciona em salas alugadas no Setor Bancário Norte (SBN).
Ontem de manhã, durante evento na Novacap para a entrega de 208 medalhas a personalidades consideradas relevantes para o progresso do DF, José Roberto Arruda citou as reportagens do Correio. “O poder público tem que estar presente não só com polícia, mas atuando nas causas.” O governador também se mostrou preocupado com a presença de carros de luxo alimentando o mercado da prostituição. “A degradação não é apenas nas camadas inferiores. Há também degradação em certa camada social que tem recursos. Aquele carro flagrado em atitude suspeita pelo jornal, nós temos que ir atrás do condutor, pois não existe prostituição sem prostituidor”, sentenciou, em referência ao Mercedes prateado fotografado pelo Correio abrindo as portas a um menino de rua. A foto foi publicada na edição de ontem.
O poder público tem de estar presente não só com polícia, mas atuando nas causas
José Roberto Arruda, Governador do DF
Colaboraram Raphael Veleda e Lívia Nascimento para o Correio Braziliense.
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O poço tem fundo
CRISE AMERICANA
Mérito do fundo de socorro à banca nos EUA é dar valor aos papéis ilíquidos que ameaçam a economia
Agora vai? Para a depressão econômica nos EUA, com desdobramento global, com quase certeza não mais. Recessão localizada, com muito sangue ainda rolando entre os bancos, é o mais provável. Tudo por arte do suado acordo nos EUA entre o governo Bush, republicano e em melancólico fim de mandato, e o Congresso de maioria democrata.
As resistências ao fundo de US$ 700 bilhões, idéia do secretário do Tesouro, Henry Paulson, e do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, para resgatar parte dos títulos de alto risco encostados como lixo nos balanços da banca, cessaram depois que o presidente George W. Bush foi à TV declarar, com voz pausada, grave, que “sem ação imediata do Congresso” os EUA afundam em “pânico profundo”.
Bush entregou a pá de coveiro da economia ao Congresso, que não a aceitou, obviamente. Consciente de sua baixa credibilidade entre os americanos e da percepção de que o fundo salvador só serve para doar dinheiro bom do contribuinte a banqueiros falidos, convidou à Casa Branca os candidatos Barack Obama e John McCain e os líderes democratas e republicanos, na Câmara e no Senado, para avalizar a proposta. Seu legado de crises não o habilita a decidir mais nada.
O acordo surge com atraso de pelo menos uma década para estender a normalidade ao sistema financeiro crescido à margem dos bancos clássicos, que aceitam depósitos do público ao contrário do resto, capitalizado com empréstimos, depois de um ano de patética omissão do Federal Reserve e Tesouro sobre a lambança geral.
O que virá não será capaz de refundar os alicerces do dólar, mas pode sustar a crise. A qualidade do resgate é ruim. Mudou pouco na mão dos políticos, mais preocupados em inserir no projeto medidas para torná-lo menos antipático ao eleitor-contribuinte. Está longe de resolver os graves problemas da economia americana, deixados à nova administração, depois de novembro. Só que não apareceu nada melhor para resolver o problema, nem mesmo parcialmente.
O medo da depressão
“Nossas lideranças dizem: ‘Confiem em nós’”, analisa o presidente da Cumberland, uma firma de consultoria, David Kotok. “Deveríamos confiar? A resposta é não. Deveríamos aprovar os US$ 700 bilhões? A resposta é sim.” Suas premissas: a recuperação dos papéis seja zero ao Tesouro dos EUA. O custo médio de carregamento seja de 5% ao ano e nunca seja pago. Para o PIB de US$ 14 trilhões dos EUA, implicaria uma carga anual de juros de US$ 35 bilhões ao longo de trinta anos, quando seria absorvido pelo crescimento da economia.
“Parece-me que US$ 35 bilhões ao ano seja um preço muito baixo a pagar, se a depressão puder ser evitada”, diz Kotok, como também repercutiu o economista Rich Karlgaard, prestigiado colunista da revista Forbes, segundo o qual o fundo de US$ 700 bilhões equivale a 3% da capitalização de mercado total das empresas americanas. Um grão de areia comparado ao potencial de perda da riqueza dos EUA.
Ajuda será bem maior
A avaliação segura da capacidade do plano Paulson-Bernanke só vai ser possível quando se conhecer sua operacionalidade. A que preço os títulos ilíquidos serão absorvidos pelo Tesouro? Paulson queria ao par, o que representa um prêmio à banca. Tais papéis estão sem preço. O Tesouro recebê-los com desconto ou em troca de ações dos bancos socorridos implica em qualquer caso um deságio. De quanto? Não se sabe. Hoje valem zero. O mérito do fundo é dar valor a tais papéis, sendo esta a sua dimensão mais relevante, não a dotação.
Se o valor for descontado, os balanços da banca sofrerão deságio, o que Paulson quer evitar, para não sobrecarregar a necessidade de recapitalização do sistema. Sem deságio implica premiar o fracasso alcançado pela especulação. Em regra, acha-se que a US$ 0,20 seria uma troca mais justa. Nesse valor, a dotação de US$ 700 bilhões do fundo equivaleria, na prática, a US$ 3,5 trilhões. Dinheiro mais que suficiente, que se adiciona ao US$ 1 trilhão já desembolsado.
Respingos no Brasil
Os desdobramentos da crise financeira não são o único aspecto da crise americana a considerar ao se pôr o Brasil em perspectiva. O que o pacote deve tirar da frente é a ameaça da ruptura financeira global. O risco de recessão brava continua. Outros atos aprovados pelo Congresso também sugerem intervenções que terão repercussões aqui. Caiu, por exemplo, o veto à exploração de petróleo no mar, o que aumentará a disputa por equipamentos escassos para o pré-sal.
Plataformas de exploração são alugadas, não compradas. Há poucas disponíveis no mundo, razão pela qual o aumento das atividades no mar tornou este negócio mais rentável que o próprio petróleo. Elas custavam US$ 125 mil/dia quatro anos atrás. A Petrobras as aluga hoje por até US$ 650 mil/dia. A fase inicial do pré-sal exigirá 40 desses equipamentos. Doze estão contratados. Com os EUA também na disputa, faltará plataforma, o custo vai multiplicar-se, sem falar que o sucesso lá e aqui tenderá a baixar o preço do petróleo.
A volta do dirigismo aos EUA à custa do liberalismo vem merecendo comentários irônicos de expoentes da esquerda. Curioso. Se pegarem as rédeas da economia, os EUA se tornarão um competidor poderoso. Pegue-se outra decisão do Congresso: emprestar US$ 25 bilhões com juros subsidiados às combalidas GM, Ford e Chrysler. É capitalismo em sua versão mais bruta. E profissional. Amadores são os outros.
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