Rádios piratas na alça de mira

Contra as ondas piratas

Procuradores federais, senadores e deputados federais têm encontro marcado para o próximo sábado, em Fortaleza. Será no hotel Gran Marquise, na Beira-Mar. Na pauta, o combate às rádios piratas. Os advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, César Asfor Rocha, e os presidentes do Tribunal de Contas da União, Ubiratan Aguiar, e da frente parlamentar que analisa o assunto, deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP), já confirmaram presença. A questão é grave. Em 2008, foram autuadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) 1.252 rádios piratas no Brasil, entre as quais estavam 26 que operavam no Ceará. Este ano, até abril passado, já haviam sido efetuadas 225 autuações no País, sendo quatro no Ceará. Pesam contra as piratas acusações que vão dos prejuízos a rádios que trabalham legalmente à interferência no controle do tráfego aéreo. A reunião será no Hotel Gran Marquise, na Avenida Beira-Mar.

Corrida ao TCE-PA


AL abre inscrição para deputados que disputam vaga para o TCE

A Assembleia Legislativa abriu ontem o prazo de inscrições de candidaturas para o Tribunal de Contas do Estado. Os deputados têm até o dia 5 de junho para pleitear oficialmente a vaga que pertenceu ao conselheiro Coutinho Jorge. A rápida abertura do prazo pegou de surpresa os parlamentares.

A indicação à vaga de Coutinho Jorge é de escolha privativa do Legislativo, que de costume tem indicado parlamentares em exercício de mandato. A Casa tem hoje seis pré-candidatos em potencial: Luis Cunha (PDT), Manoel Pioneiro (PSDB), André Dias (PSDB), Adamor Aires (PR), Martinho Carmona (PMDB) e Joaquim Passarinho (PTB).

E apesar do Executivo, pelo menos teoricamente, não ter ingerência nesse processo, é inegável também que a indicação da governadora Ana Júlia Carepa ganhe um peso a mais na disputa, pois direciona os votos dos aliados.
De acordo com a líder da bancada petista, Regina Barata, o governo não deve indicar ninguém do partido para esta eleição, e sim tentar resgatar compromissos firmados anteriormente com partidos aliados. Desta forma, o voto da bancada deve ficar ou com Luis Cunha (PDT) ou Joaquim Passarinho (PTB).

Cunha foi indicado pelo Executivo na última disputa para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), mas perdeu por um voto para o candidato da oposição Cezar Colares (PSDB) por conta da instabilidade da base. Desta vez, espera ter melhor sorte. 'Foi uma surpresa para todos esta abertura de prazo tão repentina, mas era algo que deveria ter sido feito pelo presidente. Então, não me resta outra alternativa a não ser correr atrás do apoio dos meu pares', afirmou Cunha.

Ele diz que hoje mesmo deve tentar marcar uma reunião com a governadora Ana Júlia para definir a questão. 'Eu espero que o compromisso seja resgatado. Para isso, espero contar também com o apoio do G-8', afirmou Cunha.

Já Joaquim Passarinho, que também acumula uma promessa de uma vaga futura por ter declinado da disputa anterior, afirma que só vai definir se mantém seu nome na disputa no último dia. 'Ainda tem muito tempo para fechar alianças', disse.

O mesmo discurso foi adotado pelo deputado Adamor Aires. Ele rechaçou, porém, que sua candidatura esteja descartada. 'O meu grupo indicou meu nome e não temos outro candidato', afirmou o deputado, desmentindo os rumores de que sua candidatura seja apenas de fachada.

Mas eles não estão sozinhos na disputa. Pelo PMDB, desponta como pré-candidato o deputado Martinho Carmona (PMDB) e pelo PSDB, os nomes de André Dias e Manoel Pioneiro. 'E temos certeza de que, assim como elegemos o Zeca Araujo e em seguida o Colares, vamos emplacar mais um conselheiro', afirmou o líder José Megale, ressaltando que a bancada vai se reunir na próxima semana para decidir o assunto.

A matemática para o Senado

O Globo

Vagas para Senado serão negociadas

Segundo o PMDB, a situação com o PT só é pacifica em seis estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Amazonas, Goiás e Espírito Santo. Para assustar o governo, o PMDB passou a utilizar a matemática da convenção nacional do partido, com cerca de 800 votos. Dando a garantia de que, por enquanto, iriam com Dilma, avisa que são necessários pelo menos 500 votos de segurança. Mas aí vêm os problemas, dizem: a crise no Rio pode representar 80 votos a menos; a de Minas, uma baixa de 70 votos; a do Pará, 40 votos; e a de Mato Grosso do Sul outros 40 votos de convencionais.

Em Minas, o partido lembra pesquisas que apontam o ministro das Comunicações, Hélio Costa, como favorito ao governo. Mas o PT se divide entre o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social). Em Mato Grosso do Sul, o PMDB exige que o ex-governador Zeca do PT apoie a reeleição do governador André Puccinelli (PMDB). No Rio, quer a retirada definitiva da candidatura do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, em favor da reeleição de Sérgio Cabral (PMDB). No Pará, a tentativa é recompor a relação entre os dois partidos para que a governadora Ana Júlia (PT) apoie a candidatura do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) ao Senado.

Chimbinha para deputado federal

Na reunião da bancada dos Democratas, ontem, o líder Ronaldo Caiado (GO) revelou preocupação com a falta de quadros no partido e de bons nomes para concorrer para a Câmara em 2010. Citou como exemplo a possível candidatura de Chimbinha, líder da banda Calypso, à Câmara, pelo Pará. Disse que o quadro em Goiás, sua base eleitoral, é o mesmo. Foi provocado por ACM Neto (BA): "Convida o Delúbio", o ex-petista em busca de legenda.

Fonte: O Globo.

Governo apura fraude para legalizar toras

Pará

Ao menos 50 mil m3 de madeira retirada ilegalmente da Amazônia foram "esquentados" por fraudes no sistema eletrônico que regula os créditos florestais no Pará, segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Estado.
O volume representa cerca de 2.000 caminhões de toras, e vale em torno de R$ 15 milhões. Ministério Público Federal e PF devem apurar o caso. Todos os servidores da Gesflora (Gerência de Sistema, Comercialização e Transporte de Produtos Florestais) foram afastados. Segundo nota do governo do Pará, "os indícios são de que a alteração foi feita internamente".

Funasa do Tocantins investigada pela PF

Agentes vasculham secretaria dirigida pelo pai do governador do Tocantins
Procurador afirma que não há indícios do envolvimento do pai de Marcelo Miranda (PMDB) nas irregularidades; Funasa afasta coordenador
A Polícia Federal prendeu ontem dois engenheiros da Funasa (Fundação Nacional de Saúde). Os agentes também apreenderam documentos e vasculharam computadores nas sedes do órgão em Brasília e em Palmas, em sete prefeituras do Tocantins e na Secretaria Estadual de Infraestrutura, cujo titular é José Edmar Brito Miranda, pai do governador Marcelo Miranda (PMDB-TO).

A Operação Covil faz parte de investigação da PF, em parceria com a Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal, sobre suposto esquema que desviou R$ 3,8 milhões da Funasa destinados a obras de saneamento no Tocantins.

A CGU apontou indícios de fraudes em licitações. Segundo a PF, servidores da Funasa recebiam propinas e usavam firmas de fachada para mascarar sua participação em obras.

Os convênios eram celebrados pela Funasa com o governo estadual e as prefeituras. O procurador Rodrigo Luiz Bernardo Santos diz que não há indícios da participação de Brito Miranda ou de outros gestores da secretaria, mas que as irregularidades sugerem "anuência ou conivência ou ainda total descontrole de seus funcionários" pelos responsáveis pela pasta.

Os agentes da PF cumpriram 37 mandados de busca. Acusado de participar do esquema, o coordenador regional da Funasa no Tocantins, João dos Reis Ribeiro Barros, foi afastado por determinação da 2ª Vara Federal do Estado, e Francisco de Paula Vítor Moreira e Lázaro Harley Assis foram presos. O Ministério Público denunciou à Justiça outras 12 pessoas.

O governo do Tocantins diz esperar "que os fatos sejam esclarecidos" e, "havendo a comprovação de quaisquer irregularidades", que "todas as medidas cabíveis serão tomadas". A Funasa diz que afastou seu coordenador regional, suspendeu os repasses e bloqueou os saldos das contas dos convênios. A Folha não localizou ontem os advogados dos presos.

Fonte: Folha de S. Paulo.

Artigo: O Brasil como ele é

BRASÍLIA - A derrota do governo Lula e de Ellen Gracie na disputa para obter uma vaga no Órgão de Apelação da OMC (Organização Mundial do Comércio) é uma aula de Brasil. Um retrato do atraso institucional em vigor no país.
O episódio também abriu uma fenda no suposto inabalável prestígio internacional de Lula. Já o Supremo Tribunal Federal aprovou tacitamente um novo código de conduta: os ministros podem prospectar novos empregos à vontade, inclusive quando faltam às sessões de trabalho da Corte.
O governo tenta despolitizar o fracasso. Ellen Gracie perdeu por não ser especialista em comércio internacional. Balela. Não havia segredo sobre o currículo da ministra. Nem sobre a intenção de Lula em emplacar sua oitava nomeação para o STF com a vaga que seria aberta. Misturou-se política interna com externa. Deu tudo errado.
Esse caso põe em perspectiva o falatório palaciano sobre redesenhar a "geografia econômica internacional". O presidente viaja o mundo. Festeja ser chamado de "o cara" por Barack Obama. Tomado pelo valor de face, Lula poderia nomear o próximo secretário-geral da ONU. Na prática, vê-se outra realidade. Os aliados EUA e a China votaram contra Ellen Gracie. No Supremo há outras coisas fora do lugar. É legítimo a ministra Ellen Gracie ambicionar outra ocupação.
Poderia então se aposentar. Neste ano, ela já faltou a 12 das 28 sessões plenárias do STF. A derrota desta semana é a sua segunda tentativa de trocar de emprego. No passado, já se frustrara ao buscar uma vaga na Corte de Haia.
Tudo somado, o governo queria uma vaga nova no STF. Uma ministra do Supremo desejava morar no exterior. Não deu certo desta vez. Mas eles são brasileiros. Não desistem nunca, diria Lula. Até porque, no Brasil, os padrões institucionais são elásticos o suficiente para permitir estripulias dessa ordem.

Fonte: Folha de S. Paulo.

Pedetista condena uso indevido da Câmara de Redenção (PA)

O vereador Ernesto Stédile Júnior, que representa o PDT na Câmara Municipal de Redenção (PA), emitiu nota manifestando-se decepcionado com as imagens negativas do Legislativo expostas em redes de televisão, para todo o país, com o plenário sendo usado indevidamente por um grupo de pessoas que produziu espetáculo indigesto para a opinião pública e condenável sob todos os aspectos. "Não houve qualquer ato da mesa diretora autorizando este tipo de encenação, ao contrário, o Poder Legislativo deve ser o espelho da sociedade e esta exige respeito de seus representantes. O desrespeito à instituição ficou evidenciado nessas imagens, é preciso apurar responsabilidades e coibir para que isto não se repita", disse o vereador pedetista, que pretende protocolar requerimento em plenário pedindo esclarecimento dos fatos.

OAB vai apurar evento que transformou Câmara de Redenção em “Clube das Mulheres”

Bandarra

Festa aconteceu na cidade de Redenção, no sul do estado sob o disfarce de um evento de cabeleleiros.

Veja o vídeo.

R$ 110 milhões para o combate à mortalidade infantil no Norte e Nordeste

Contra a mortalidade infantil

Nordeste e Amazônia Legal terão R$ 110 milhões para reduzir em 5% o número de mortes de recém-nascidos

Brasília. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou ontem um investimento de R$ 110 milhões, em 2009, nas ações para a redução da mortalidade infantil na Amazônia Legal e no Nordeste. Ele esteve no Maranhão e no Piauí, estados que receberão, R$ 10,2 milhões e R$ 8,3 milhões, respectivamente.

A viagem tem o objetivo de reforçar a importância do pacto pela redução da mortalidade infantil (menores de um ano de idade), que foi firmado com os gestores locais. O objetivo da ação é reduzir, no mínimo, em 5% o número de mortes de crianças menores de um ano de idade. ‘‘Queremos, com esse pacto, chamar os prefeitos para que assumam a responsabilidade e engajamento neste grande desafio: a redução da mortalidade infantil na Amazônia Legal e no Nordeste’’, disse Temporão. Segundo ele, a meta é possível de ser atingidas, mas demanda um trabalho conjunto entre os governos federal, estadual e municipais. ‘‘Estamos tratando aqui do maior patrimônio de qualquer país: a relação mãe e bebê’’, disse.

O pacto prevê ações em um total de 250 municípios. Entre 2000 e 2007, no Brasil, morreram 443.946 crianças menores de um ano de idade. No Nordeste, foram 144.003 e na Amazônia Legal (incluindo o Maranhão), 76.916. Nas duas regiões, o número de óbitos somou 220.919 ou quase 50% do total nacional. Assim, a Amazônia Legal e o Nordeste estão entre as prioridades do governo, decidido a diminuir as desigualdades regionais até 2010.

A taxa de mortalidade infantil no Brasil, desde 1990, mantém tendência contínua de queda. Passou de 47,1 óbitos por cada mil nascidos vivos para 19,3, em 2007, o que significou uma redução média de 59,7%. A Amazônia Legal e o Nordeste também seguiram a mesma tendência.

Em 2007, o Nordeste registrou 27,2 mortes contra 75,8 por cada mil crianças nascidas vivas, em 1990. No Norte, em 2007, a taxa foi de 21,7 contra 45,9, em 1990. Mas ambas as regiões estão longe da média nacional e mais distantes ainda das taxas alcançadas no Sul e Sudeste, que superaram a meta número 4 estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, para ser alcançada em 2015, de 14,4 óbitos por cada mil nascidos vivos. O Sul fechou 2007 com uma taxa de 12,9 e o Sudeste em 13,8.

No Nordeste, capitais como Salvador, Fortaleza, Recife, Maceió, São Luís, Teresina, Natal e Aracaju estão no topo do lista dos 154 municípios eleitos prioritários na região pelo governo federal devido ao elevado número de óbitos infantis. O critério de seleção dos municípios levou em conta o total de óbitos em número absolutos em cada um deles.

Amazônia e a regularizalção fundiária

Editorial - A medida das coisas

Medidas recentes tomadas pelo governo e pelo Congresso podem piorar o já precário quadro ambiental brasileiro. Sob o motivo, justo e necessário, de regularização fundiária da Amazônia, hoje uma verdadeira terra de ninguém, o governo editou a MP 458, que transferirá aos atuais ocupantes a posse definitiva de glebas que pertencem à União. A MP sofreu péssimas emendas na Câmara - elas escancaram a possibilidade de concessão de terras a grileiros. A bancada ruralista continua pressionando por alterações no Código Florestal, em que o alvo é reduzir a dimensão de área de proteção de rios, nascentes e a reserva legal na Amazônia. Por último, o governo entrou no vácuo legal criado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a contribuição ambiental e tornou o que antes era um piso, 0,5% do valor total do empreendimento (derrubado pelo STF), em teto. As leis ambientais não são cumpridas e os infratores ignoram as sanções, quando elas são aplicadas. Uma das funções da ofensiva legal nesta área é a de reduzir até mesmo a fiscalização, ao jogar para dentro da lei o que já era produto de transgressões e sinalizar para novas concessões.

Os congressistas agem como se não percebessem que, com a discussão de um novo acordo para conter o aquecimento global em curso, medidas levianas e potencialmente destrutivas em relação à Amazônia podem desmoralizar o governo nos fóruns internacionais. É com base no interesse mais imediatista, para pressupor apenas intenções confessáveis, que a Câmara derrubou um item que proibia pessoas que já tinham outros imóveis no país de requerer a posse de pedaços de terra na Amazônia ("O Estado de S. Paulo", 24 de maio). Pela emenda, poderão fazê-lo para estabelecimentos de até 1.500 hectares. As mudanças são coerentes com a intenção de facilitar a concentração de terra e venda rápida de bens que pertencem à União.

Uma legislação já polêmica tornar-se-á desfigurada se as alterações forem mantidas. Pelo que a Câmara aprovou, não será preciso morar ou trabalhar na terra objeto de pedido de posse para que se possa comprá-la. As terras obtidas podem ser vendidas após três anos. Pode-se avaliar o alto interesse em seguir os preceitos ambientais de proprietários que já tem outras propriedades, não moram no local e ainda podem vender as terras em tão pouco tempo. E, em algo que beira o escárnio, os deputados estabeleceram que quem buscar legalizar posses de até 400 hectares não deverá sofrer fiscalização para se constatar que a própria posse foi pacífica.

Não há dúvida de que a regularização fundiária tornaria a responsabilidade pelo desmatamento identificável e permitiria aos que vivem na Amazônia a obtenção de crédito para a exploração da terra. Mas para isso seria necessário, antes ou simultaneamente, que uma ampla política integrada de ocupação da floresta, alicerçada por zoneamento ecológico, estivesse claramente delineada. Da forma como está, a legislação abre a possibilidade de grileiros obterem crédito legal para continuar devastando florestas. Parece irrefutável o argumento da ex-ministra e senadora Marina Lima. Para ceder terras da União a particulares, diz ela, "há dois requisitos constitucionais: quando se trata de altíssima relevância social e quando cumpre com a função social da terra". As brechas abertas passam por cima deles.

Da mesma forma, a ofensiva contra as áreas de preservação visa levar mais longe o espírito predador que caracterizou boa parte da agricultura brasileira. A intenção de reduzir a área de reserva legal de 80% para 50%, sem que se exija igualmente um zoneamento, visa pura e simplesmente aumentar o desmatamento. Por outro lado, a iniciativa do governo de transformar 0,5% do valor das obras de piso em teto (com exclusão de alguns itens de custo) carece de lógica. O mesmo argumento com o qual o STF derrubou um piso serve como uma luva para invalidar a fixação de um teto. A compensação ambiental deve ser feita caso a caso, enquanto que o governo procurou acabar com seu próprio arbítrio na fixação da compensação, mas parece ter ido longe demais. A ampla aliança governista é necessária para que o presidente Lula sagre seu sucessor. Nesta barganha política, muita coisa ruim para o ambiente pode vir a acontecer.

Fonte: Valor.

O jogo de empurra do PAC

Dnit culpa Ibama por atrasos em obras do PAC

Às vésperas da votação da polêmica MP 452, que incluiu emenda isentando de licenciamento prévio obras em rodovias federais já existentes, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) criticou duramente o Ibama e culpou a suposta demora no processo de análise ambiental pelo atraso em sete projetos que integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em três estradas, segundo o Dnit, os estudos ambientais necessários para avançar nos trâmites de licenciamento estão parados por falta de autorização para a coleta de fauna.

Dois casos considerados graves pelo diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, são a pavimentação da BR-163 (Cuiabá-Santarém) e o trecho catarinense da BR-101. Ele reclama que há partes da BR-163 com autorização para obras, mas elas não começam sem que o Ibama licencie outros trechos. Na BR-101, Pagot afirma que a análise do Ibama obrigou o Dnit a rever o projeto original de duplicação da rodovia, acrescentando dois túneis e uma ponte para evitar impactos socioambientais. O problema não é o encarecimento da obra, segundo Pagot, mas o fato de o Ibama ter exigido que o pedido de licenciamento voltasse à estaca zero depois das adaptações.

"Não queremos fugir de nenhuma responsabilidade ambiental", diz o responsável pelas obras rodoviárias do PAC, "mas os licenciadores não têm prazo para trabalhar". Ele afirma que a duplicação da BR-222 (Ceará) espera há dois anos a licença de instalação do Ibama e a Transamazônica (BR-230) tem intervenções que aguardam posição da área ambiental há três anos.

O presidente do Ibama, Roberto Messias, contesta as queixas do Dnit e devolve a responsabilidade pelo atraso. "Hoje temos uma preocupação enorme, por determinação do presidente Lula e do ministro Minc, de fazer tudo com a maior presteza possível", assegura Messias. "É difícil analisar projetos de engenharia que sequer foram apresentados e continuar o processo de licenciamento sem o envio de coletas de fauna que o próprio empreendedor se comprometeu a fazer", diz ele. No caso da BR-163, Messias explica que o Ibama aguarda manifestações da Funai e do Iphan, já que a rodovia afeta áreas indígenas.

Pagot e Messias colidem frontalmente na avaliação da MP 452, que recebeu emendas para flexibilizar as regras de análise ambiental. A grande mudança com a medida, que deve ser votada nesta semana pelo Senado, é a dispensa de licença prévia para obras de "pavimentação, ampliação de capacidade e duplicação" nas faixas de domínio das rodovias federais. Além de passar direto para a licença de instalação, segundo passo do licenciamento e que autoriza o início das obras, cria-se um prazo de até 90 dias para a emissão desta licença.

"É uma imprudência", protesta o presidente do Ibama. Para ele, há incoerência em relativizar o impacto da MP, porque ela atinge só obras em rodovias existentes. Messias lembra que a esmagadora maioria das estradas foi construída antes da introdução do licenciamento ambiental e da lei 6.938/1981, que criou o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). "Em alguns casos, a duplicação ou o asfaltamento significa pouca coisa. Mas, na maioria das vezes, e principalmente no caso da Amazônia, são obras que significam a multiplicação do impacto ambiental", afirma Messias, citando problemas como inchaço populacional, especulação fundiária e aumento de atividades ilegais.

Para a senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, as emendas à MP 452 têm endereço certo: a recuperação e o asfaltamento da BR-319, que ligará Porto Velho a Manaus. "Estamos diante de um grave retrocesso", diz Marina, com esperanças de derrubar as emendas no plenário. Se isso não for possível, ela pede ao presidente Lula que vete as emendas da MP, que trata originalmente do Fundo Soberano. De acordo com a senadora, a abertura de estradas não-asfaltadas aumenta em 30% o potencial de desmatamento na área de influência direta da rodovia. Quando ela é pavimentada, o risco de desflorestamento sobe para 70%, assegura a ex-ministra.

Pagot minimiza o reflexo da MP, costurada entre Congresso e Ministério dos Transportes, que tem o Dnit como braço executivo. Diz que as obras sem licenciamento prévio ficarão restritas à faixa de domínio, que ocupa de 20 a 200 metros da pista, e tenta tranquilizar os ativistas ambientais. Segundo ele, não haverá impactos da MP para nenhuma obra da Amazônia Legal, pois as duplicações ou pavimentações planejadas estão com licenciamento em curso e o processo continuará normalmente.

Estariam nesse caso a BR-319 (audiências públicas marcadas), a BR-163 e a Transamazônica (com licença prévia e aguardando licença de instalação) e a BR-317, no Amazonas (com EIA-Rima pronto e esperando avaliação do Ibama). "Não queremos dispensar o cuidado ambiental, nem se pode confundir procedimentos simplificados com a dispensa de todo o licenciamento", diz Pagot.

Fonte: Valor.

Governo ganha tempo e adia mais uma vez decisão para aposentados

Pressão e adiamento

Aposentados ocupam plenário da Câmara, mas decisão sobre aumento fica para julho

BRASÍLIA. Para pressionar os parlamentares a votarem projetos de interesse da categoria, cerca de 800 aposentados e pensionistas ocuparam ontem o plenário da Câmara e conseguiram até derrubar a sessão plenária de debates.
Mas só conquistaram a promessa de inclusão na pauta de votações da Câmara, em junho, do projeto que estende, em definitivo, o mesmo reajuste do salário mínimo a todos os aposentados do INSS — proposta que o governo não aceita por causa do forte impacto financeiro.
No caso do veto presidencial à emenda que estendia a todos os aposentados o reajuste de 16,67% dado em 2006 ao salário mínimo, o acordo feito ontem mudou o prazo que fora anunciado pelo senador Paulo Paim (PT-RS) semana passada. No dia 13, quando o governo tirou o veto da pauta da sessão do Congresso, Paim, para acalmar os aposentados, disse que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), prometera colocálo em votação hoje. Na negociação de ontem, a votação passou para 8 de julho.
— O presidente Sarney se comprometeu a colocar o veto de 2006 em votação no dia 8 de julho. É o acordo possível.
Não há clima para votar. É melhor deixar para 8 de julho, porque o veto vai funcionar como uma guilhotina para negociar o projeto que estende a política do mínimo a todos os aposentados — justificou Paulo Paim.
Os manifestantes saíram de vários estados, a maioria de ônibus, para participar de sessão solene em homenagem ao Dia do Aposentado. A sessão terminou por volta de 13h30m, mas eles permaneceram sentados. Muitos levaram quentinhas e comeram ali mesmo. Outros tocaram violão. O deputado Mauro Benevides (PMDB-CE) pediu que eles deixassem o plenário, sem sucesso.
A sessão ordinária acabou caindo, porque não havia o quorum mínimo de 51 deputados na Casa. Os manifestantes avisaram que fariam uma vigília para pressionar pela votação do veto. No fim da tarde, com o acordo, muitos foram embora, mas alguns ficaram nas galerias, onde pretendiam dormir, antes de voltar aos estados.

Fonte: O Globo.

Sarney promete pauta para veto a aposentados em 8 de julho

Grupo pede para colocar em votação veto do presidente Lula contra reajuste de 16,67%

Brasília, DF – Reunidos em uma vigília no plenário da Câmara, um grupo de aposentados e pensionistas conseguiu ontem o compromisso do presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), de colocar em votação no dia 8 de julho o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um projeto que estendeu aos aposentados e pensionistas o mesmo reajuste de 16,67% concedido ao salário mínimo em 2006.

Sarney afirmou que a data foi definida após um entendimento com os líderes do movimento. Para que a proposta seja analisada, é preciso marcar sessão conjunta do Senado e da Câmara. “Eu estava disposto a fazer a sessão amanhã [hoje] ou depois de amanhã [hoje], com certo empecilho regimental de convocação de 48 horas. Eles, no entanto, acharam que era melhor pra eles uma nova data”, disse.

Governo teme derrubada do veto que iguala o reajuste das aposentadorias ao do salário-mínimo

Correio Braziliense

Denise Rothenburg com Guilherme Queiroz

Temporada de tensões
A CPI da Petrobras é fichinha. O que tira o sono do governo hoje é a possibilidade de o Congresso em breve derrubar o veto que iguala o reajuste das aposentadorias ao do salário-mínimo. Ontem, o presidente Lula teve a certeza de que, se for votado, o veto cai. Prova disso foi a sucessão de parlamentares governistas que se revezaram na tribuna na sessão de homenagem ao aposentado, ontem na Câmara. Nunca se viu uma segunda-feira de plenário tão cheio e de governo tão preocupado. Por enquanto, o veto saiu da pauta. Mas nem mesmo o fato de a votação ser secreta dá tranquilidade à turma do Planalto. Mais dia, menos dia, a derrota virá. E quanto mais perto da eleição, mais votos os aposentados vão angariar.

Aposentados ocupam plenário e pedem reajuste de benefícios

Foto: Rodolfo Stuckert














Os aposentados e pensionista querem reajuste da aposentadoria igual ao do salário mínimo.

















Mais de 800 aposentados e pensionistas ocuparam nesta segunda-feira o plenário e as galerias da Câmara durante a sessão solene em homenagem à categoria. Em vigília, eles esperam a votação dos vetos presidenciais em sessão do Congresso que estava prevista para hoje. Os ocupantes querem derrubar o veto do presidente da República a uma emenda que deu o mesmo reajuste do salário mínimo em 2006 (16,67%) às aposentadorias.

Além do veto, os aposentados querem que a Câmara coloque em pauta dois projetos. O Projeto de Lei 1/07, que recebeu emenda do Senado equiparando o reajuste de todos os benefícios da Previdência Social ao do salário mínimo. E o projeto de lei 3299/08, que extingue o fator previdenciário.

Inclusão na pauta


















O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que propôs a homenagem pelo dia que marca a sanção da primeira legislação previdênciária brasileira, defendeu a aprovação das propostas. "Não queremos nada do passado, queremos garantir aposentadorias dignas para o futuro, e o fim do fator beneficia somente os trabalhadores da ativa", disse.

Faria de Sá e os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e Cleber Verde (PRB-MA), juntamente com o senador Paulo Paim (PT-RS), tentaram desocupar o plenário, e negociaram durante toda a manhã.

A sessão desta segunda-feira acabou não ocorrendo por falta de quorum, e os aposentados devem se reunir com os presidentes da Câmara e do Senado para negociar a inclusão em pauta de suas reivindicações.

Durante as homenagens da sessão solene, também falaram os deputados Ricardo Berzoini (PT-SP), Mauro Benevides (PMDB-CE), Acélio Casagrande (PMDB-SC), Laerte Bessa (PMDB-DF), Jofran Frejat (PR-DF), Paulo Roberto (PTB-RS), Uldorico Pinto (PMN-BA), Rodrigo Rollenberg (PSB-DF), Paes de Lira (PTC-SP), e o senador José Nery (PSol-PA).

Fonte: Agência Câmara.

Deputado Arnaldo Faria de Sá encerra sessão solene em homenagem aos aposentados e pensionistas

Foto: Luiz Alves
















O
SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) Agradeço a presença às várias entidades que se deslocaram de seus Estados para virem a Brasília, muitas das quais citamos aqui; ao Senador José Nery; ao Senador Paulo Paim, que neste momento está conversando com o Senador José Sarney para decidirem sobre a votação do veto amanhã; ao Deputado Cleber Verde; ao Clodomil Antonio Orsi; ao Edison Guilherme Haubert; ao Jacy Afonso de Melo; à Maria Aparecida Romeiro.

Foto: Rodolfo Stuckert
















Na verdade, essa nossa luta é difícil. Sabemos que muito do que foi conseguido na época da Constituinte decorreu da pressão de várias entidades, capitaneadas pela COBAP, o que nos permitiu escrever um capítulo inteiro sobre previdência e assistência social na Constituição.

Por 2 vezes, governos sucessivos tentaram desmontar o art. 195 da Constituição, mas a luta das entidades sociais, também capitaneadas pela COBAP, impediu que isso acontecesse.

Tenho certeza de que agora a COBAP, coordenando todas as federações de aposentados nos Estados, estará presente nessa luta de pressão para que possamos votar o PL nº 1, o projeto de recuperação das perdas e possamos acabar com o fator previdenciário. Há também aquele projeto que derruba os vetos.

Conseguiu alguma novidade, Senador Paulo Paim? (Pausa.)
O Senador José Sarney pediu que fôssemos em comissão conversar com S.Exa. Estou combinando com o Senador Paulo Paim para tomarmos essa providência.
Cumprimento todos vocês, que deveriam estar descansando, deveriam estar no seu lazer, na sua atividade natural com a família. Muitos se deslocaram a Brasília sem condições financeiras, muitos de vocês, não tendo nem condições para comprar remédio e alimentação, estão aqui.

Neste momento, lembro uma frase que é extremamente importante, da música de Geraldo Vandré: Quem sabe faz a hora não espera acontecer.
Vamos à luta, aposentados e pensionistas! (Palmas.)

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a sessão.

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Está encerrada a sessão.

(Encerra-se a sessão às 13 horas e 22 minutos.)

Aposentado canta música de protesto em defesa da categoria

Foto: Rodolfo Stuckert
















O
SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Chamo o Marcelino Sertanejo para apresentar uma música a todos os aposentados e pensionistas. (Palmas.)

O SR. MARCELINO SERTANEJO - Boa tarde, Srs. Deputados. Deixo o meu abraço e o meu carinho a essa plateia maravilhosa.

















Sou da Zona da Mata, em Minas Gerais, e moro no Vale do Paraíba. Também sou aposentado com 1 salário mínimo, tenho esposa e 3 filhos e sou um artista. Estou muito orgulhoso de estar aqui.

Vou cantar uma música intitulada Meu Presente, que escrevi em homenagem às mães ela vale também para os homens, porque eles também são mães juntamente com as mulheres deste Brasil.

(É executada a música Meu Presente..)


O SR. MARCELINO SERTANEJO - Alô, Brasil! Alô, São José dos Campos! Alô,Minas Gerais! Alô, São Paulo! Alô, Brasília!

COBAP vai aguardar audiência com presidentes da Câmara e do Senado

Fotos: Ag. Câmara
















O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Para encerrar a sessão, concedo a palavra ao Presidente da COBAP, Warley Martins. (Palmas.)
























O SR. WARLEY MARTINS GONÇALLES - Eu queria agradecer ao Senador Paulo Paim, ao nosso Deputado Arnaldo Faria de Sá, ao Cleber e a toda a Mesa.

















Queria agradecer aos nossos parceiros que estão nesse movimento conosco, ao meu amigo José Augusto, da Confederação Nacional, ao tesoureiro da CUT e a todo o pessoal — não me lembro o nome de todos — , porque isso é muito importante para nós.

















Queria dizer ao nobre Deputado que falou agora que nós não vamos a lugar nenhum, nós vamos esperar que eles venham aqui atender a gente. Essa é a nossa meta. (Palmas.) Vamos estar aqui. Vamos esperar que eles venham conversar com a gente — os dois, o Presidente do Senado e o Presidente da Câmara.

















Nós, aposentados e pensionistas — e falo em nome de todos os aposentados e pensionistas — , nosso querido Senador, nosso querido Arnaldo Faria de Sá, Cleber Verde, vamos ficar aqui. Nós nem vamos sair para comer, porque já trouxemos a nossa quentinha. Vamos ficar aqui, aguardando que os Deputados venham atender aos aposentados e pensionistas. É isso o que nós vamos fazer.

















Queremos que a Senadora venha nos atender. Não importa que S.Exa. esteja lá em Santa Catarina, nós esperaremos porque não temos pressa.

















Aguardaremos até que S.Exa. venha aqui, falar com os aposentados.

Essa é a luta dos aposentados e pensionistas. Estamos aqui, hoje, aguardando uma resposta, pois queremos que seja votado amanhã. E queremos ver a cara daqueles Deputados que votarão contra nós. Vamos aguardar.

















Então, peço aos nossos queridos aposentados que saíram e esvaziaram o plenário que voltem, não fiquem lá fora. Estou vendo que há pessoas lá fora, por isso peço-lhes que voltem porque, daqui a pouco, quem saiu não mais entrará porque eles não deixarão.

Temos o Deputado Arnaldo Faria de Sá, que é o nosso Deputado, temos o nosso Senador, temos o Deputado Cleber Verde, que já prometeu ficar conosco. Vamos ficar aqui e temos o apoio de várias centrais e entidades.

Anteriormente, já comunicamos que ficaremos até amanhã, às 18h, se ninguém nos receber. (Muito bem. Palmas.) Vamos ficar aqui dentro.
Muito obrigado e vamos ficar aqui, aguardando.
Até mais tarde.

Serventuários criticam política do governo em desfavor dos aposentados

Fotos: AG. Câmara.
















O
SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Concedo a palavra a Clodomil Antonio Orsi, representando os serventuários da Justiça do Brasil.

O SR. CLODOMIL ANTONIO ORSI - Sr. Presidente Arnaldo Faria de Sá, Senador Paim, companheiras e companheiros aposentados, como eu, que desde 1988 busco, como vocês, dentro do serviço público, a dignidade para nós, aposentados.

Tenho vergonha de dizer que, já há 21 anos aposentado, continuo contribuindo com 11% do meu salário para o Governo do Estado. O nosso lema dentro da nossa entidade é um só: acreditar sempre e nunca, nunca desistir.


















Graças a Arnaldo Faria de Sá, que nos tem atendido, que nos tem compreendido, temos batido de frente com o Presidente da Casa da Justiça de São Paulo, um Poder que deveria ser independente, mas não o é, quando é para atender a eles, que têm os cargos de Estado. Nós, funcionários, somos exatamente como vocês, operários do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Vim de São Paulo, estou aqui com vocês, aceitando o convite de Arnaldo, para batalhar e continuar batalhando por todos os aposentados. Tenho meus filhos que trabalham; uma que não se aposenta, a mais velha, por causa da insalubridade, e outros 2 que estão a caminho da aposentadoria também. É por isso que luto por todos vocês, por mim e por minha categoria.

Parabéns a vocês pela luta, por essa união que estou vendo neste plenário.
Muito obrigado, Arnaldo. Muito obrigado a todos. (Palmas.)

Senador José Nery defende reajuste de 16% para todos os aposentados

Foto: Ag. Senado.























O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Concedo a palavra ao Senador José Nery. S.Exa. dispõe de 5 minutos.

Ao final, teremos a apresentação do Marcelino Sertanejo, que cantará em homenagem a todos os aposentados.

O SR. JOSÉ NERY - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Senador Paulo Paim, representantes das diversas organizações de aposentados brasileiros aqui presentes, um abraço especial a todos os aposentados, pensionistas e sindicalistas que vieram do Brasil inteiro para participar desta sessão especial da Câmara dos Deputados, agora transformada em Comissão Geral, para que também nós da Casa co-irmã, por iniciativa do Deputado Arnaldo Faria de Sá, e os convidados desta sessão especial possamos aqui falar.

Quero, em primeiro lugar, em nome do Partido Socialismo e Liberdade, manifestar a nossa solidariedade e o nosso apoio à luta, à causa dos aposentados e pensionistas brasileiros.

Vocês sabem que essa questão é muito polêmica e muito grave, porque foi o debate sobre a reforma da Previdência, em 2003, que levou à expulsão do Partido dos Trabalhadores da ex-Senadora Heloísa Helena, hoje Vereadora em Maceió, porque S.Exa. se manteve fiel à história e ao compromisso inarredável da defesa dos interesses dos trabalhadores, em especial do direito à aposentadoria digna para todos os trabalhadores brasileiros. (Palmas.)

Por isso, a nossa luta no Partido Socialismo e Liberdade, junto com todos os outros partidos, que estão abarcando, com o coração, com a alma, o compromisso de não permitir que o Parlamento sepulte o sonho, o desejo, a vontade de cada umae de cada um por este Brasil inteiro. São quase 25 milhões de aposentados e pensionistas que não podem ficar esperando os acordos de quem quer que seja para, no Plenário do Congresso Nacional, derrubar o veto do Presidente da República e garantir o reajuste a todos os aposentados do nosso País. (Palmas.)

Foto: Rodolfo Stuckert
















Eu queria ver, se estivesse em discussão aqui um veto relacionado à prorrogação ou negociação de setores que têm peso na economia nacional, como o setor dos ruralistas, se estariam criando a dificuldade que estão criando para que amanhã, dia 26, como foi o compromisso expresso na semana passada, no dia 13, em sessão do Congresso Nacional, seja apreciado pelo Plenário do Congresso o veto do Presidente ao reajuste de 16% para todos os aposentados. Eu queria ver se estariam engendrando as manobras que estão aí para tentar adiar a votação que deve acontecer no dia de amanhã.

Por isso, quero lamentar e dizer que o requerimento aprovado no Plenário do Senado, que pede o adiamento da sessão que apreciará o veto amanhã, respeitando a iniciativa, não pode ser considerado, porque foi do Congresso Nacional a decisão de fazer, amanhã, a votação e, possivelmente, com o apoio dos Srs. Parlamentares, derrubar o veto.

Não foi decisão nem da Câmara nem do Senado, isoladamente. Portanto, só o Plenário do Congresso poderia apreciar um veto sugerindo o adiamento da votação.

Não procede, portanto, a orientação daquele requerimento aprovado no plenário do Senado Federal.

É lamentável que essa votação, que esperamos que seja amanhã, ainda se dê sob a forma do voto secreto. E o Senador Paulo Paim não é apenas o autor das leis para garantir a recomposição do salário mínimo, mas é, entre nós, o mais destacado; é um Parlamentar brasileiro, como costumo dizer a S.Exa., que orgulha não só o Rio Grande do Sul, mas todos os brasileiros, por sua coerência, sua ética, sua vontade. (Palmas.) Em um momento como este, S.Exa. é também autor do projeto de lei para acabar com a votação secreta, a fim de que nenhum de nós possa se esconder atrás do voto secreto, muitas vezes para votar contra o direito dos trabalhadores. (Muito bem! Palmas.)

É preciso não só acabar com o voto secreto. É preciso aprovar a recomposição dos salários dos aposentados e pensionistas; aprovar, como o Senado já fez, o fim do fator previdenciário, essa regra perversa, que retira e confisca pelo menos 40% do salário dos trabalhadores na hora de se aposentarem; aprovar a recomposição dos salários tendo como patamar os salários mínimos no período em que eles foram concedidos.

Por isso, Deputado Arnaldo Faria de Sá, temos essa obrigação, se os aposentados assim decidirem. E, como convocou o Senador Paulo Paim, estamos prontos, como estivemos nas outras vigílias em defesa dos aposentados, no plenário do Senado, a noite inteira, e na semana passada, em defesa da Amazônia. Estaremos aqui com vocês até o dia amanhecer, até as 9 horas da manhã, na sessão do Congresso, para derrubar o veto e aprovar o direito dos aposentados brasileiros.

Viva a luta, a vitória e a organização de todos os brasileiros, das aposentadas e dos aposentados! Um grande abraço a todos. (Palmas.)

CUT apóia mobilização em defesa dos aposentados e pensionistas

Foto: Ag. Câmara.















O
SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Concedo a palavra ao Sr. Jacy Afonso, representante da CUT, por 2 minutos. (Palmas.)

O SR. JACY AFONSO DE MELO - Presidente, Deputado Arnaldo Faria de Sá, companheiro e amigo; Varlei Martins, Presidente da Confederação dos Aposentados e Pensionistas de Catanduva, em nome de quem cumprimento todos os aposentados, pensionistas, militantes, trabalhadores da ativa, sindicalistas, Senador Paulo Paim, fundador da Central Única dos Trabalhadores, que, quando eleito Deputado Constituinte pelo Rio Grande do Sul, exercia o cargo de Secretário Geral da CUT.

O Senador Paulo Paim foi sempre um grande batalhador na luta pelo salário mínimo que hoje é uma conquista para os trabalhadores. Todas as centrais sindicais, a partir de 2004, promovem uma marcha no mês de dezembro. Estamos negociando com o Governo e esperamos que....

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Há orador na tribuna.

O SR. JACY AFONSO DE MELO - ...o Congresso aprove, além da PEC do Senador Paulo Paim, uma política permanente para o salário mínimo, neste País, de modo que a situação não mude a cada ano.

Isso é importante, porque, neste ano, o PIB vai serábem menor e, se essa lei não for aprovada, em 1º de janeiro, quando será feito o reajuste do salário mínimo, como consequência da crise financeira e do PIB menor, o valor do salário mínimo será prejudicado, pois, de acordo com a lei, a base é o PIB de 2008 e não o PIB de 2009. É importante que esse projeto seja aprovado.

A Central Única dos Trabalhadores, por meio de seus dirigentes, — estão aqui presentes Luiz Epaminondas, Presidente do SINTAP, e representantes de outras centrais sindicais, Luiz Cláudio Marcolino, Presidente do Sindicato dos Bancários, solidários ao movimento dos aposentados, estaremos aqui em vigília, se assim os companheiros decidirem.

A Central Única dos Trabalhadores, aqui no Distrito Federal, nasceu junto com o companheiro Adelino Cassis, que foi o fundador da CUT e um dos baluartes da Luta dos 147%, que o Fernando Collor tentou confiscar dos aposentados.
Sr. Presidente, eu não podia deixar de registrar a brava e heróica luta do companheiro Adelino Cassis, a favor dos demais aposentados do País.
Muito obrigado. (Palmas.)

APAMPESP manifesta apoio aos aposentados e pensionistas

Foto: Ag. Câmara.
























O
SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Concedo a palavra, por 2 minutos, à Sra. Maria Aparecida Romeiro Leal, representante da APAMPESP, que falará em nome de todas as mulheres presentes.

A SRA. MARIA APARECIDA ROMEIRO LEAL - Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, aposentados de todo o Brasil, do INSS e do serviço público.
Na qualidade de professora aposentada do magistério público do Estado de São Paulo, represento a Associação dos Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo, APAMPESP.

Nesta oportunidade dirijo-me a todos vocês para, primeiramente, agradecer em especial ao Deputado Arnaldo Faria de Sá, que requereu a realização desta linda festa, e pelo trabalho ininterrupto e eficaz que realiza em favor dos aposentados.

Quero falar da também difícil situação do professor aposentado no Estado de São Paulo. Nossos governantes, ao longo dos anos, vêm concedendo gratificações e bônus que não são repassados para os professores aposentados e, com isso, os salários vão sendo cada vez mais achatados. Alguns colegas não podem mais pagar plano de saúde, porque o salário não dá. E, não temos nenhum aceno do Governo. Digo sempre aos colegas que os nossos governantes querem que os aposentados morram, para poderem zerar a Previdência.

Conto com vocês. Agradeço a todos a oportunidade, ao Deputado Arnaldo Faria de Sá e trago, da nossa Associação, o nosso agradecimento por tudo o que tem feito por nós, por todos os aposentados do INSS e do serviço público. Muito agradecida. (Palmas.)

MOZAP se pronuncia sobre o Dia Nacional dos Aposentados

Foto: Ag. Câmara.
















O
SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Com a palavra o Sr. Edson Haubert, Presidente do MOZAP, por 2 minutos.

Informo que faltam 12 oradores para concluirmos a sessão. Depois ela será encerrada.

O SR. EDSON GUILHERME HAUBERT - Sr. Presidente desta sessão solene, Deputado Arnaldo Faria de Sá, Sr. Senador Paulo Paim, Sr. Senador José Nery, demais autoridades, senhoras e senhores aposentados e pensionistas, nós, aposentados e pensionistas, do serviço público brasileiro, e também servidores ativos, estamos aqui para declarar nossa inteira solidariedade e concordância com essa luta de vocês, que também é nossa.

Quero declarar que participaremos da vigília, lembrando que nós servidores aposentados e pensionistas do serviço público brasileiro temos também as nossas questões na Casa. Há a PEC nº 555, que revoga a famigerada contribuição para aposentados e pensionistas, impingida pela Reforma da Previdência; há uma denúncia na OEA, também fazendo a mesma reclamação e solicitando reparação.

Solicito a todos os servidores públicos aposentados e pensionistas que estejamos irmanados nessa luta, que também é nossa, porque temos pais, mães e irmãos que dependem do salário pago pela Previdência Social.
Portanto a nossa solidariedade a todos vocês.
Nossos agradecimentos à Mesa Diretora e à Presidência da Câmara.
Estejamos irmanados porque unidos jamais seremos vencidos.
Muito obrigado. (Palmas.)

Sessão vira Comissão Geral

















O
SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - A partir de agora, transformo esta sessão em Comissão Geral.


O deputado transformou a sessão solene em homenagem aos Dias Nacional dos Aposentados e Pensionistas em Comissão Geral com o objetivo de poder franquear a palabvra aos senadores presentes à sessão, de acordo com o que determina o Regimento Interno da Câmara dos Deputados

Deputado Paes de Lira defende aposentadorias dos PM´s

Foto: Ag. Câmara.

















O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Tem a palavra o Deputado Paes de Lira, pelo PTC.

O SR. PAES DE LIRA (Bloco/PTC-SP. Sem revisão do orador.) - Exmo. Sr. Deputado Arnaldo Faria de Sá, Presidente desta sessão solene, Exmo. Sr. Senador Paulo Paim, paladino dos aposentados, Exmo. Sr. Warley Martins Gonçalles, Presidente da COBAP, em cuja pessoa eu cumprimento todos os lutadores aposentados, homens e mulheres, dignos trabalhadores do Brasil, aqui presentes para lutar pelos seus direitos e pressionar legitimamente esta Câmara dos Deputados e o Senado da República.

Amigos, o que nós vemos acontecer com os aposentados e pensionistas do Brasil é muito parecido com o que eu testemunhei na Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Lá pelos idos de 1988, após várias conquistas salariais, especialmente devidas à compreensão do Governador Franco Montoro, os patamares salariais da Polícia Militar atingiram uma certa dignidade, a tal ponto que era possível aos sargentos aspirar chegar ao tempo de passarem para a inatividade, ou para a reforma, com vencimentos próximos aos dos oficiais, dos tenentes; e aos cabos e soldados, com vencimentos próximos aos dos sargentos antigos. Os oficiais tinham um patamar razoável.

















Mas o que fez o Governo do Estado de São Paulo a partir da sucessão de Franco Montoro? Não queria mais manter essa folha salarial. Outros projetos pareciam ao Governo politicamente muito mais importantes, e eles demandavam o dinheiro dos vencimentos dos policiais militares, ativos e inativos, bem como dos servidores públicos em geral.

Começaram então a aprovar leis complementares que obrigavam o pessoal ativo e inativo a optar pela nova norma, caso não quisesse ficar a pão e água, no molde antigo. Todos, para evitar esse perigo, cederam à pressão.

Perderam muito, ano após ano. E esse processo foi se repetindo.
Quando as leis complementares não foram mais suficientes, o Governo idealizou emendas constitucionais, que fez aprovar na Assembléia Legislativa de São Paulo, prejudicando ainda mais aqueles que estavam um pouquinho mais bem aquinhoados salarialmente. Achataram a escala salarial. Reduziram-na a tal ponto, que, em 8 anos aproximadamente, o patamar salarial dos policiais militares caiu aos níveis de antes do Governo Franco Montoro. Isso foi conseguido metódica e maquiavelicamente, num processo que idealizou um verdadeiro furor legislativo contra os trabalhadores, no caso específico os da Polícia Militar.

Com os aposentados o que foi que aconteceu? Primeiro, a extinção da aposentadoria integral, com adoção da média do último período de trabalho. Depois, o aumento do tempo de contribuição, que continua mudando, porque cada vez mais se idealizam modos diferentes de aumentá-lo. Em seguida, a elevação da idade mínima, primeiro neste patamar, depois naquele, subindo sabe-se lá até quando. Depois o famoso fator previdenciário e aquelas fórmulas maravilhosas que nunca ajudam, só prejudicam o interesse dos aposentados. E, finalmente, o reajuste dos vencimentos sistematicamente em percentuais inferiores aos do salário mínimo.

Qual é o propósito disso? Ora, como disse o Deputado Arnaldo Faria de Sá, o propósito é que todos os benefícios sejam achatados, até chegarem ao patamar do salário mínimo. O propósito do Governo e nessa questão não há diferença entre este Governo e o Governo passado é reduzir os vencimentos dos aposentados até o nível do salário mínimo.

















Vale a pena lutar contra isso. Vale a pena lutar contra essa injustiça. Onde vão parar? Qual será o próximo passo do Governo? O Governo fala na saúde financeira da previdência, fala na saúde atuarial da previdência belo termo!, mas ninguém se lembra da saúde do aposentado, que precisa de remédios nessa fase da vida. (Palmas.)

Alegam que os trabalhadores ativos não aguentam mais o ônus de sustentar o aposentado. Como assim, se o aposentado foi quem até agora produziu a riqueza nacional, se é graças ao aposentado que hoje há empregos para os que estão na ativa? O aposentado chegou a este momento da vida por mérito, por ter trabalhado mais de 35 anos.

Recentemente, emenda apresentada a uma medida provisória foi votada e rejeitada nesta Casa em votação simbólica das Lideranças. Às vezes o discurso que se faz na tribuna não se traduz no momento da votação.

Especialmente quando a votação é simbólica, os partidos acabam votando contra o interesse dos aposentados.

Declarei meu voto naquela ocasião, um voto contra a orientação do meu bloco e em favor dos aposentados. Espero que quando votarmos a derrubada do veto à Medida Provisória nº 288, de 2006, embora a votação seja secreta, todos os Deputados se sintam na obrigação de mostrar o seu voto para a câmera (palmas), todos se sintam na obrigação de pegar a cédula eleitoral e exibir seu voto para as câmeras da TV Câmara, porque, ampliando-se a imagem, é perfeitamente possível verificar como foi o voto dele. Esse é o desafio. Eu o farei. Assim como declarei o meu voto, eu o farei, e espero que todos os Parlamentares desta Casa façam o mesmo.

Em essência, essa é uma luta do País, não só das senhoras e dos senhores, mas dos seus filhos e pelo respeito e pela dignidade dos futuros aposentados, porque os que trabalham hoje são os aposentados de amanhã.
Deus proteja a todos. (Palmas.)

Deputado Acélio Casagranse adere em defesa dos aposentados

Foto: Ag. Câmara.















O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - O último orador inscrito é o Coronel Deputado Paes de Lira.

Enquanto S.Exa. se dirige à tribuna, concedo a palavra ao Deputado Acélio Casagrande, por 1 minuto.

O SR. ACÉLIO CASAGRANDE (Bloco/PMDB-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srs. Senadores, Srs. Deputados, todos os Deputados Federais e Senadores deveriam levar para casa a foto daquela senhora que entrou hoje na igreja no horário da missa a que assistimos, às 9h da manhã, aquela senhora de 92 anos que entregou a Constituição Federal no ofertório.

Quero que o rosto dessa senhora entre nos lares dos nossos colegas Parlamentares, Deputados Federais e Senadores. Temos de ter compromisso com a Nação quando nos elegemos para ser representantes desse povo que precisa do nosso apoio, da nossa dedicação. Nós nos elegemos para representá-los. (Palmas.)

Acho importante a vigília, mas a maior vigília que temos de fazer deve atingir os Deputados e Senadores que, depois de eleitos, agora podem trancar a pauta, ou mesmo não querer votar amanhã o veto, como está previsto.

Venho lá de Santa Catarina, da cidade de Criciúma, dizer nesta segunda-feira que nós temos de ter compromisso com os que tanto suaram a camisa, e que hoje precisam comprar seus medicamentos, para sobreviver com um pouquinho de dignidade.

Meus amigos aposentados e pensionistas, contem conosco nessa luta. Vamos nos aliar ao nosso Deputado Arnaldo Faria de Sá e ao Senador Paulo Paim nessa causa justa que é de todos.
Obrigado. (Palmas.)

Deputado Cleber Verde em defesa dos aposentados e pensionistas

Fotos: Ag. Câmara.
















O
SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Como penúltimo orador inscrito, concedo a palavra ao Deputado Cleber Verde, pelo PRB, que tem feito um trabalho muito grande em parceria conosco no sentido de valorizar a situação de aposentados e pensionistas. A Frente Parlamentar tem feito um trabalho muito bom coordenado por S.Exa.

















O SR. CLEBER VERDE (Bloco/PRB-MA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Deputado Arnaldo Faria de Sá, Sr. Senador Paulo Paim, Presidente Warley, na pessoa de quem cumprimento os demais membros da Mesa e todos os representantes de Federação, Associação em defesa dos aposentados em nosso País, meus cumprimentos.

Sr. Presidente, inicialmente, parabenizo V.Exa. pela iniciativa desta sessão solene. Venho do Estado do Maranhão com a consciência voltada para o entendimento do que dizia Rui Barbosa de que não hánada mais relevante para a vida social do que a formação do sentimento de justiça. E, nesse sentido, ao chegar a esta Casa, no exercício do meu primeiro mandato, fiz questão de, primeiro, junto com V.Exa., com o Senador Paulo Paim, com o Deputado Júlio Delgado, e centenas de outros Deputados, organizar a Frente Parlamentar em Defesa dos Aposentados e Pensionistas do nosso País.

Imbuído da minha missão aqui nesta Casa, representante do Parlamento brasileiro, aproveitei para apresentar centenas de projetos de lei complementares para corrigir distorções e, obviamente, suprir a lacuna de leis que, por ventura, não venham a atender os interesses da sociedade brasileira.
Nesse sentido, dos mais de 300 projetos que protocolei, quero aqui, citar, por exemplo, um requerimento de indicação com um anteprojeto que foi encaminhado ao Presidente da República e que jáse encontra, inclusive, no gabinete da Ministra Dilma Rousseff. Este anteprojeto propõe a aposentadoria especial para servidores públicos que trabalham expostos a fatores de risco.

Não apresentei projeto, encaminhei requerimento de indicação com o anteprojeto porque é matéria exclusiva da Presidência da República.
Os servidores públicos, para obterem esse direito, buscam o mandado de injunção, que é exatamente um instrumento legal, o remédio jurídico para, na ausência de lei, ingressarem na Justiça para buscar a garantia desse direito.

Portanto, os servidores públicos, mais do que nunca, merecem que a Presidência da República encaminhe para apreciação desta Casa o projeto que vai garantir aposentadoria especial aos servidores públicos do nosso País.
Com autorização da Presidência, concedo um aparte ao eminente Deputado Rodrigo Rollemberg, do Distrito Federal. (Palmas.)

O Sr. Rodrigo Rollemberg - Presidente Arnaldo Faria de Sá, Senador Paulo Paim, na pessoa de quem cumprimento os membros da Mesa, Deputado Cleber Verde, cumprimento também os companheiras e companheiros aposentados, que nos honram com sua presença nesta Casa. Como é bonito ver, em uma segunda-feira pela manhã, este plenário completamente lotado por cidadãos brasileiros que vêm aqui reivindicar os seus direitos. A Liderança do PSB já teve oportunidade de se pronunciar através do Deputado Júlio Delgado. Nós temos muito claro que a aposentadoria digna é uma forma de promover a distribuição de renda e a justiça social. Portanto, nós do Partido Socialista Brasileiro, estamos solidários com essa luta. Queremos também apoiar que se coloque em votação o veto relativo aos aposentados na próxima sessão para que possamos apreciá-lo. O fato é que o Congresso não pode ficar tanto tempo sem apreciar os vetos do Presidente da República. É importante que o Congresso possa se decidir sobre isso. Portanto, Presidente Deputado Arnaldo Faria de Sá, Deputado Cleber Verde, deixo aqui a minha solidariedade, a solidariedade da bancada do Partido Socialista Brasileiro à luta de todas aposentadas e aposentados brasileiros. Muito obrigado. (Palmas.)

O SR. CLEBER VERDE - Muito obrigado, Deputado. Faço questão de incorporar vosso pronunciamento ao nosso discurso.

Da mesma forma, Presidente, encaminhei indicação através de requerimento, considerando que também é matéria exclusiva da Presidência, para a aposentadoria especial aos servidores públicos deficientes físicos.
E foi retirado dos garimpeiros a aposentadoria a que faziam jus. Esses homens e mulheres que trabalharam no garimpo se aposentavam como lavradores e pescadores, sem contribuir, apenas comprovando atividade.

Estamos retornando essa discussão ao emendar o Estatuto do Garimpeiro.

Da mesma maneira, há um projeto de nossa autoria, que tramita e está bem avançado, para atender os interesses de milhões de brasileiros que se aposentaram de forma proporcional ou mesmo integral, mas que, por conta de uma renda reduzida, voltam ao mercado de trabalho.

Eu me refiro, Sr. Presidente, ao instituto da desaposentação, isto é,que seja permitido ao trabalhador aposentado que continua trabalhando e que paga seus tributos — são milhares de casos País afora — , com a aprovação e sanção deste projeto, renunciar a sua aposentadoria proporcional e acrescentar esse benefício, o tempo trabalhado, após a jubilação, após a aposentadoria.

Acho que isso é justiça social, na medida em que se trata de dar garantias a homens e mulheres que continuam trabalhando, que não têm mais o pecúlio ou qualquer outro benefício, que continuam pagando ao INSS, devolvendo ao Governo seus tributos. Esperamos, portanto, que o Governo possa permitir a esses homens e mulheres renunciar a sua aposentadoria, seja ela proporcional, seja ela integral, e complementá-la com o tempo trabalhado após sua aposentadoria.

Sr. Presidente, quero, neste ponto, abordar o que entendo ser hoje a agenda positiva em favor dos aposentados, que já está praticamente pronta para ser votada. Vou me referir a 2 temas, um dos quais é o fator previdenciário.

O fator previdenciário, por nós tão bem conhecido, em seu cálculo pontua o tempo de contribuição e a expectativa de vida. A alíquota chamada de A, de 0,31%, empregada no cálculo do fator, corresponde aos 11% da contribuição do trabalhador somados aos 20% do empregador. Esse percentual de 0,31% é decisivo para a redução do benefício, por exemplo, no ato de aposentadoria por tempo de contribuição. No caso do homem, o benefício, no ato de sua concessão, ao se aplicar o fator previdenciário, sofre uma redução, aproximadamente, de 30% de seu benefício.

Por que não dar um benefício maior a ele? Em vez de 0,31, por que não aplicarmos o fator 0,41? Assim estaremos dando um ganho real a esse trabalhador. Se querem manter o fator previdenciário, é muito simples, basta aumentar alíquota, de 0,31 para 0,41. Vou sugerir isso como proposta ao Deputado Pepe Vargas, em nome da Frente, para que ele a incorpore ao seu relatório.

Sr. Presidente, poderíamos, por exemplo, apreciar o Projeto de Lei nº 1 de 2007, que estápronto para votação e corrige o salário mínimo. Emenda do Senador Paulo Paim garante o mesmo índice de reajuste para aposentadorias e pensões. Só este ano, os aposentados que ganham acima do mínimo sofreram uma defasagem de aproximadamente 7%.

Vou dar como exemplo o caso da mãe do Deputado Pedro Fernandes. Ontem eu conversei com sua irmã, que me pediu que citasse o exemplo. Aquela senhora hoje deveria ganhar 3 mil reais, no entanto seu salário não passa de 1 mil reais. Por quê? Porque a correção não acompanha o índice aplicado sobre o salário mínimo. Essa disparidade vem prejudicando muito o poder de compra dos nossos aposentados.

Sr. Presidente, como muito bem disse o Deputado que me antecedeu, os aposentados precisam ser respeitados, precisam merecer o respeito desta Casa. Mas o que se vê éque os projetos de interesse dos aposentados são sistematicamente retirados de pauta, não sendo apreciados com a mesma importância das demais matérias.

Presidente Warley, Deputado Arnaldo Faria de Sá, Senador Paulo Paim, Deputados e Senadores, conscientes de que somente a pressão que vem de fora faz as coisas acontecerem nesta Casa, vamos ouvir a manifestação do povo brasileiro. (Palmas.) Em nome dessa pressão, eu queria convidá-los a fazer essa vigília, por uma tarde, por 1 dia, por 2 dias. Quem vai decidir isso é a direção desta Casa, em negociação com os dirigentes de entidades representativas dos aposentados. Que a vigília seja feita até que a Mesa decida colocar em votação o fator previdenciário e também o Projeto de Lei nº 1, que está pronto.

É chegada a hora! A hora é esta! Vamos aproveitar que os senhores e as senhoras já estão aqui e vamos permanecer em vigília, buscando uma negociação até que possamos, de uma vez por todas, obter a resposta que o povo brasileiro tanto anseia.

Quero me associar a essa causa e me unir aos senhores.

Deputado Júlio Delgado, V.Exa. é o Presidente da Comissão que aprovou o Projeto de Lei nº 1 de 2007, com emenda do Senador Paulo Paim.

Eu me recordo de que vieram aqui representantes do Governo tentar acabar com a votação que V.Exa. fez cumprir na Comissão. Quiseram acabar com uma votação já realizada, justa e correta. Mas não conseguiram, porque ela foi feita dentro da legalidade.

Convido V.Exa., os Deputados, os Senadores, as entidades representadas nesta solenidade a permanecermos aqui num ato de vigília até que sejam decididos os projetos de interesse dos aposentados brasileiros.

Aqui me despeço, Sr. Presidente, agradecendo a oportunidade e felicitando os aposentados brasileiros. Na manhã de hoje, esta Casa faz justiça ao realizar uma sessão solene em homenagem ahomens e mulheres que deram tudo de si para o nosso País. Este País precisa agora devolver minimamente aos aposentados um pouco de respeito.

Muito obrigado. Que Deus nos abençoe. Um abraço a todos. (Palmas.)

Deputado Laerte Bessa propõe vigília dos aposentados

Fotos: Ag. Câmara.










O
SR. LAERTE BESSA - Sr. Presidente, peço permissão ao Deputado Cleber Verde, próximo orador, para usar da palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Tem V.Exa. a palavra.

O SR. LAERTE BESSA (Bloco/PMDB-DF. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, sabemos que aqui se encontram aposentados de todos os Estados brasileiros e, como disse anteriormente, alguns estão propensos a dormir no Distrito Federal em vigília.

















Então, Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que determine a segurança da Câmara para que, no momento em que eles saírem para o almoço, possam retornar para cá, porque eles querem permanecer nas galerias. (Palmas.)(Ovação.)

Outra questão seria de honestidade para com o povo brasileiro no sentido de que, antes de encerrar esta sessão, a Senadora Ideli Salvatti pudesse manifestar-se com respeito a essa pretensão de adiar a votação dos vetos, que está marcada para amanhã, dia 26. (Palmas.)

Uldurico Pinto é contra adiamento da votação que derruba o veto presidencial que prejudica aposentados e pensionistas

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Com a palavra o Deputado Uldurico Pinto.

O SR. ULDURICO PINTO (Bloco/PMN-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Deputado Arnaldo Faria de Sá, meu colega da Assembleia Nacional Constituinte, que desenvolve um trabalho reconhecidamente profundo em defesa dos aposentados e pensionistas do Brasil; Senador Paulo Paim, que considero um herói brasileiro, defensor aguerrido de todos os aposentados e pensionistas do nosso País; Sr. Warley Martins Gonçalles, Presidente da Confederação Brasileira dos Aposentados, a COBAP, em nome de quem cumprimento todos os aposentados; senhores e senhoras internautas; telespectadores da TV Câmara; Sras. e Srs. aposentados, venho aqui, em nome do meu partido, o PMN, do qual sou Líder, neste Parlamento, expressar solidariedade a todos os aposentados e pensionistas brasileiros.
Eu deveria estar hoje em Salvador, para marcar presença junto ao Presidente Lula. Na realidade, deixei de estar lá com o Presidente da República, que foi ao meu Estado para tratar de assunto importantíssimo e que diz respeito à minha região, para estar aqui ao lado dos aposentados e pensionistas do nosso País neste dia tão importante. (Palmas.)

Estamos escrevendo hoje, nesta sessão, uma página da história. Apesar da presença de poucos Parlamentares, todas as entidades de classe de aposentados e pensionistas estão aqui representadas.

Quero deixar um forte abraço aos senhores e senhoras que aqui estão, que gastaram para vir até aqui, pois alguns são de Brasília, mas a maioria é de outros Estados. Ao se fazerem presentes, ao darem seu testemunho, ao emprestarem sua força, exercem os aposentados o seu legítimo direito de pressionar o Parlamento brasileiro a cumprir sua obrigação.

Devo dizer que a suspensão da votação marcada para amanhã seria um imenso desrespeito aos aposentados e pensionistas de nosso País, principalmente aos senhores que vieram de tão longe, com tanta dificuldade e a tanto custo para estar presentes nessa votação, em razão de acordo já conversado e acertado.

Senador Paulo Paim, eu queria que V.Exa. articulasse para que não fosse adiada a votação de amanhã, em respeito aos aposentados que aqui estão. (Palmas.)

Senhoras e senhores, quero fazer uma homenagem especial aos aposentados brasileiros, aqueles que já completaram seu tempo de serviço, e também aos que estão prestes a encerrar sua jornada de trabalho.

Reconhecer a dívida que temos com os aposentados e pensionistas é imprescindível se quisermos fazer justiça social neste País. O lema do Governo é Brasil, um País de todos. Isso quer dizer que temos como meta criar oportunidades de educação, trabalho e renda para todos os cidadãos. Concordamos com isso, mas se queremos mesmo caminhar na direção da justiça social não podemos jamais deixar de fora os aposentados e pensionistas. (Palmas.)

Não podemos deixá-los de lado porque eles são parte da memória coletiva da Nação. Desrespeitar os aposentados e pensionistas significa ignorar o nosso passado e implica, ao mesmo tempo, enterrar o futuro que queremos construir.

Essa é uma situação antiga no Brasil. Todos os anos debatemos maneiras de impedir que os aposentados tenham seus rendimentos dilapidados por mecanismos e fórmulas cujo resultado final é sempre prejudicial a quem recebe benefícios da Previdência Social.

Mas acredito que agora daremos um passo à frente para restabelecer, de uma vez por todas, os direitos de aposentados e pensionistas. Há um clamor social nesse sentido. Todos os cidadãos que ainda estão na ativa têm pais ou avós que sofrem com o achatamento de suas aposentadorias. Cada um de nós convive com essa injustiça e compartilha a dor daqueles que nem ao menos possuem recursos para comprar os medicamentos necessários para melhorar as condições de vida na velhice.

Essa situação, Sr. Presidente, é inaceitável e é produzida de forma ainda mais intensa no interior do País, pois, em algumas outras cidades, os rendimentos da aposentadoria garantem o sustento de famílias inteiras.

Se a política de recuperação do valor do salário mínimo é um mecanismo de justiça social, então, é fundamental aplicar a todos os benefícios da Previdência. Da mesma forma que o salário mínimo ficou defasado, também as aposentadorias perderam muito de seu valor ao longo dos anos, o que foi consequência de uma série de planos e intervenções monetárias que, assim, procuraram ajustar a economia transferindo aos aposentados boa parte das contas a pagar. Era uma solução fácil, porque os efeitos permaneciam ocultos num primeiro momento, e não havia ainda condições políticas para que os aposentados reagissem.

Agora, a situação é bem outra. Por um lado, a estabilidade da moeda tem a vantagem de tornar as contas mais transparentes, relevando o quanto as aposentadorias perderam. Por outro lado, os aposentados estão mais organizados e a democracia os transformou num contingente significativo e influente de eleitores. Nesse novo contexto, estou certo de que o Congresso Nacional saberá encontrar alternativas viáveis para a recuperação do poder de compra dos aposentados.

Quero dar os parabéns aos aposentados e pensionistas brasileiros! Parabéns ao Senador Paulo Paim, que considero um herói brasileiro! E quero dizer a esta Casa e ao meu País que os tambores dos aposentados estão tocando; precisaremos de medidas mais fortes para poder recuperar o valor do salário dos aposentados e pensionistas e fazer com que todas as gerações futuras recebam o que é justo.

Parabéns aos aposentados brasileiros! Viva os aposentados deste País! (Palmas.)
Muito obrigado.

Sessão solene vira Comissão Geral

Fotos: Ag. Câmara.















O
SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Apenas gostaria de dar uma orientação aos senhores presentes.

Há mais 3 Deputados inscritos. Em seguida, transformarei esta sessão em Comissão Geral, a fim de dar oportunidade ao nosso Senador Paulo Paim, que falará a todos vocês, e também ao Warley Martins Gonçalles, em nome da COBAP.

Logo depois dos 3 Deputados, transformaremos esta sessão em Comissão Geral para permitir a fala dos não Deputados. Logicamente, estamos muito alegres e satisfeitos com a presença do Senador Paulo Paim.

















Antes de conceder a palavra ao Deputado Uldurico Pinto, registro as presenças de Isaltino Carlos Almeida, Presidente das Associações dos Aposentados de Mato Grosso — SINOP; Luís Amaro de Lima, Diretor do Sindicato dos Mineiros de Nova Lima; Sandra Lôbo de Aquino, Presidenta da Associação dos Policiais Civis Aposentados do Distrito Federal; Carlos Luís, Presidente dos Aposentados da CEB, Distrito Federal; Raimundo Carvalho, Vice-Presidente da Federação dos Aposentados de Brasília;Octaviano Pereira dos Santos, Administrador da UAPO, de Osasco, São Paulo; Hermélio Soares Campos, ex-Presidente da COBAP, e atual Diretor da FAP; Maria Almeida Silva, Presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas do setor de Vestuários de Belo Horizonte; Almir Silvério Nunes, Presidente da Associação de Aposentados de Nova Lima; Darcy Maria Gasparetto, Analista Legislativo; Benedito Marcílio, Presidente da Associação de Aposentados do ABC, ex-Deputado Federal, ex-Presidente da COBAP; Epitácio Luiz Epaminondas, o Luizão, Presidente do SINTAP/CUT; José Prates, Presidente da Associação de Catanduva; Lupércio Luiz, Vice-Presidente da ARAP, de Rio Preto; Emídio Luiz de Santana, da Federação de Aposentados do Rio de Janeiro; Adelfina Barbosa, Presidente da Federação de Mato Grosso; Pastor Laurindo, Secretário-Geral da Frente Parlamentar Brasil/Israel; Aldira Brandão, Diretora de Previdência do Sindicato dos Trabalhadores noComércio e Distribuição e Derivados de Petróleo do Rio de Janeiro.

Deputado Paulo Roberto: queda das aposentadorias é golpe contra o país

O SR. PRESIDENTE (Cleber Verde) - Dando continuidade a esta sessão solene, quero, antes de passar a palavra ao próximo orador, registrar a presença do Senador José Nery, do PSOL, do Pará, que certamente deverá usar a palavra logo depois que os Deputados se manifestarem.

Logo após conceder a palavra ao Deputado Paulo Roberto, quero convidar o Deputado Arnaldo Faria de Sá para reassumir os trabalhos nesta manhã de hoje.

Com a palavra, representando o PTB, o ilustre Deputado Paulo Roberto.
O SR. PAULO ROBERTO (PTB-RS. Sem revisão do orador.) - Muito obrigado, Sr. Presidente Cleber Verde. Quero parabenizar não só V.Exa. pela condução da presente sessão, mas também o autor do requerimento, meu companheiro do PTB Arnaldo Faria de Sá, Deputado que se tem destacado na luta dos aposentados do nosso País. Quero cumprimentar também todos os representantes de associações, federações, confederações, dos aposentados e todas as senhoras e os senhores que estão nesta sessão na qual tenho o prazer de discursar pelo PTB, partido que tem contribuído bastante pelo trabalhismo no nosso País.

Os aposentados do Brasil vivem um momento dramático, infelizmente. Ano após ano, o poder aquisitivo dos seus proventos vem caindo — isso não é novidade para ninguém. A política econômica do Sr. Presidente Lula para o salário mínimo vem priorizando aumentos reais apenas para o salário mínimo, em detrimento dos aposentados que ganham acima de 1 salário mínimo.

Hoje, o nosso salário mínimo ultrapassa 200 dólares. Lembro-me de que, há pouco tempo, a luta para que o nosso salário mínimo fosse de 100 dólares era muito grande. E hoje, graças a Deus, graças à política econômica, chegamos a esse patamar. Mas, enquanto isso, os proventos dos nossos aposentados vêm caindo sensivelmente, infelizmente, o que configura, na verdade, um golpe contra os aposentados do nosso País.

Sr. Presidente, Sr. Senador Paulo Paim, do nosso Estado — que muito nos orgulha por vê-lo lutar por esta causa e pelo fato de ser também do Rio Grande do Sul — , há determinadas causas que nos fazem embargar a voz, em função da situação de muitos aposentados.

Tenho um exemplo dentro da minha própria família: meu pai, que acaba de completar 80 anos e ainda tem que se submeter ao trabalho, em função da queda de seus proventos. Há 23 ou 24 anos aproximadamente, ele se aposentou com 17 salários mínimos. Era uma boa aposentadoria para um senhor que contribuiu tanto para a Previdência Social. E hoje ele amarga uma decepção toda vez que chega ao caixa para receber seu salário, pois retira apenas 4 salários mínimos.

Quantos de nós Deputados não temos esse exemplo dentro da nossa própria casa e que podem também empunhar essa bandeira do trabalhismo, a bandeira do Senador Paulo Paim, a bandeira do nosso Deputado, companheiro do PTB, Arnaldo Faria de Sá, para fazer mudar essa situação? Trata-se de um golpe que, ano após ano, vem sendo dado sobre os aposentados do nosso País.
Eu iria me ater apenas a ler o meu pequeno discurso, mas a emoção aqui infelizmente — ou felizmente — está falando mais alto. A emoção começa a tomar conta do nosso coração não sópelo fato de eu ter um aposentado na família, mas em função de todos aqueles rostos com que nos deparamos todas as vezes em que estamos em algum lugar, em algum evento. Neste final de semana, por exemplo, estive no Rio Grande do Sul, em duas cidades importantes, Carazinho e Santa Maria Santa Maria que fica no coração do Rio Grande — , onde pessoas chegaram a mim, emocionadas e eu me emociono com elas agora , para pedir que alguma coisa fosse feita para que esse processo de perda de renda, de perda de salários, cessasse, pelo menos parasse.

Por essas pessoas que têm chegado até nós, que têm procurado nosso apoio, resta-nos, Sras. e Srs. Deputados e Senadores, empunhar essa bandeira: enquanto não votarmos o veto, não sossegaremos. Enquanto o veto não for apreciado, não sossegaremos. (Palmas.)

Empunharemos essa bandeira até que o trabalhismo no Brasil tome um rumo decente, o rumo da democracia que há hoje neste País.

Agradeço a V.Exa., Sr. Presidente, Deputado Arnaldo Faria de Sá, nosso companheiro, amigo, irmão, que tem nos ensinado muitas coisas dentro desta Casa, e uma delas é ter essa fibra de defensor dos aposentados brasileiros.
Parabéns, Deputado Arnaldo Faria de Sá! Parabéns, Presidentes de associações, de federações e de confederações! Parabéns, Sras. e Srs. Deputados! Parabéns, senhoras e senhores aposentados deste País, por esta sessão.

Muito obrigado. (Palmas.)

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