PEC dos Vereadores: só falta o Plenário

PEC dos vereadores aprovada

Comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou ontem a chamada PEC dos Vereadores, proposta de emenda constitucional que aumenta em 8 mil o número desses cargos no país: de 51,7 mil para 59,7 mil. Para a medida entrar em vigor, ela deverá ser votada pelo plenário em dois turnos. Como já foi aprovada pelos senadores, não precisa passar novamente pelo crivo do Senado. Com a aprovação da proposta, cerca de 8 mil suplentes tomarão posse nos legislativos municipais. Além da criação de vagas, os deputados aprovaram uma proposta de emenda que reduz os gastos da Câmaras Municipais. Se aprovada em dois turnos, a medida reduzirá de 5% para 4,5% o nível da receita transferida às Câmaras nos municípios com mais de 500 mil habitantes.

Medida também modifica o valor do repasse feito por prefeituras para vereadores; deputado diz que Câmaras estão "sub-representadas"

Na madrugada de ontem e por pressão de centenas de suplentes de vereadores, os deputados federais aprovaram em uma comissão especial a PEC (proposta de emenda constitucional) que aumenta em mais de 7.000 as vagas nas Câmaras Municipais de todo o país.

Ainda há dúvida se ele precisa de outra votação no Senado. A expectativa dos deputados é levar o assunto à pauta nas próximas semanas. O entendimento é que, após a promulgação, os suplentes tomariam posse nesta legislatura.

Segundo o relator da proposta, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), o país ganhará 7.343 vereadores. Em São Paulo, diz ele, serão cerca de mil novas vagas nos municípios. Já de acordo com a CMN (Confederação Nacional dos Municípios), serão 7.800 novas vagas.

A proposta aprovada ontem também modifica o valor do repasse das prefeituras para as Câmaras Municipais. Pelo texto, os valores poderão ir de 3,5% a 7% da receita da cidade, de acordo com a população. A regra atual é de 5% a 8%.

A primeira proposta aprovada pela Câmara reduzia os percentuais para 2% a 4,5%. Mas, em 2008, o Senado desmembrou a questão do repasse da do número de vagas, adotando os valores do texto atual. O então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), se recusou a promulgar a PEC de forma parcial e o texto voltou à análise.

O deputado Faria de Sá calcula que a redução do teto de gastos do que é permitido hoje pela Constituição para o repasse resultará em economia de R$ 1,4 bilhão por ano. Já o presidente da comissão especial, deputado Fernando Ferro (PT-PE), fala em R$ 800 milhões.

A polêmica sobre o número de vereadores no país teve início em 2004, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cortou cerca de 8.000 vagas, mantendo o valor dos repasses. Desde então, os congressistas lutam para reverter a decisão.

Para Faria de Sá, as Câmaras estão sub-representadas: "Os vereadores de hoje são os deputados e os prefeitos de amanhã". Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) critica o projeto: "Essa PEC não é mais democrática, é para dar mais emprego para vereadores".

Seguridade aprova aposentadoria especial e pensão para garimpeiro

Ag. Cãmara

Elcione Barbalho: atividade do garimpo é descontínua e não gera fluxo permanente de renda.

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou na quarta-feira (26) a criação de aposentadoria especial, no valor de um salário mínimo, e pensão vitalícia para os garimpeiros, como previsto no Projeto de Lei5227/09, do deputado Cleber Verde (PRB-MA).

Pela proposta, não serão necessárias contribuições para receber os benefícios, que serão custeados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O projeto altera o Estatuto do Garimpeiro (Lei 1685/08).

A relatora na comissão, deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), votou favoravelmente à proposta. Ela argumenta que o enquadramento dos garimpeiros no Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de "contribuinte individual", não garante que o garimpeiro vá manter o recolhimento de suas contribuições com a regularidade exigida pela legislação.

Atividade intermitente

"A atividade do garimpo é intermitente e não gera um fluxo permanente de renda. Por isso, o projeto, ao equiparar os garimpeiros aos segurados especiais, avança no sentido de assegurar-lhes os direitos previdenciários conferidos pela Constituição Federal", defendeu Elcione.

A proposta também cria uma pensão vitalícia de três salários mínimos para os garimpeiros e seus dependentes. O trabalhador receberá o benefício se tiver pelo menos 55 anos, se mulher, ou 60 anos, se homem, desde que não tenha renda igual ou superior a dois salários mínimos, nem receba outro benefício da Previdência Social.

O requisito de idade mínima será dispensado aos que trabalharam em Serra Pelada, no Pará, por pelo menos 60 meses. A relatora estendeu o benefício aos garimpeiros que tenham trabalhado "na região mineradora de Diamantina (MG) ou cidades adjacentes, continuamente ou em períodos alternados, por no mínimo sessenta meses", conforme emenda do deputado José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG).

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

- PL-5227/2009

Câmara e o resgate da injustiça contra os servidores inválidos

Invalidez: procuradores do Trabalho apoiam paridade de aposentados

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, Fabio Cardoso, defendeu nesta quarta-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 270/08, que concede aposentadoria integral, com paridade, aos servidores públicos que se aposentam por invalidez permanente.

"A posição da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho é de apoio integral à proposta. Ela corrige uma distorção que foi trazida pela Emenda Constitucional 41. A aposentadoria compulsória não é uma aposentadoria voluntária. É o contrário, o trabalhador é aposentado forçosamente e, em muitos casos, com proventos proporcionais ao tempo de serviço", disse.

Cardoso foi ouvido em audiência pública promovida pela comissão especial criada para analisar a PEC. Segundo ele, é justamente no momento em que o trabalhador precisa de recursos para custear o seu tratamento médico que ele sofre um corte nos seus vencimentos.

Injustiça
O representante do Movimento dos Servidores Aposentados e Pensionistas (Mosap) na audiência, Edson Haubert, disse que a proposta repara uma injustiça.

"A proposta vem reparar uma injustiça que se comete com servidores que, indenpendentemente da idade ou do tempo de serviço, vierem a ser acometidos de uma doença grave e por isso terem uma redução dos seus proventos. Como se, uma vez doente, ele não precisasse mais do dinheiro. É exatamente o contrário, porque aí que ele vai precisar de recursos, vai precisar também de um pouco de dignidade. Não é porque ele ficou doente que ele tenha que diminuir os seus recursos", disse.

Haubert concordou em separar a tramitação da PEC que trata da aposentadoria por invalidez da PEC que acaba com a contribuição previdenciária dos servidores públicos aposentados.

Parecer
O relator da PEC, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), disse que vai tentar apresentar seu parecer o mais rapidamente possível, a fim de que a proposta possa ser votada logo e encaminhada ao Senado.

A autora da proposta, deputada Andréia Zito (PSDB-RJ), acha que a aprovação da PEC é uma questão de justiça.

O presidente da Comissão Especial que examina a PEC, deputado Oswaldo Reis (PMDB-TO), disse que o parecer do relator deve ser votado brevemente.

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Ag. Câmara.

Palocci absolvido é a 2.a opção de Lula

Mais um componente do alto clero petista escapou de uma punição judicial que o colocaria no umbral político.

Por falta de provas, 5 dos 9 ministros do STF absolveram o todo poderoso Antonio Palocci da acusação de que teria quebrado sigilo de caseiro enquanto era minsitro da Fazenda.

A decisão enche de alegria o presidente Lula que, “coloca na manga” um coringa na estratégia de sua sucessão

Maioria entendeu que não há provas de que ele ordenou a quebra.
Ministros, no entanto, aceitaram denúncia contra Jorge Mattoso.

Diego Abreu e Robson Bonin Do G1, em Brasília

Foto: Celso Junior/AE

Foto: Celso Junior/AE
O caseiro Francenildo dos Santos Costa no STF, em Brasília,aguardando o julgamento da ação do MP contra o ex-ministro da Fazenda e atual deputado Antonio Palocci (PT-SP) (Foto: Celso Junior/AE)

O Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu nesta quinta-feira (27) o ex-ministro da Fazenda e atual deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) da acusação de que teria quebrado o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Por 5 votos a 4, os ministros rejeitaram a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que pedia a abertura de uma ação penal contra o petista. Os ministros entenderam que as evidências apresentadas pelo MPF contra o ex-ministro não comprovaram o seu envolvimento com a quebra do sigilo.

O Supremo, no entanto, aceitou a denúncia contra o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso, que teria entregado a Palocci o sigilo bancário do caseiro.

Foto: Janine Moraes/Agência Brasil

Foto: Janine Moraes/Agência Brasil
O deputado federal, Antônio Palocci (PT-SP), em novembro de 2008 (Foto: Janine Moraes/Agência Brasil)

Assim, Mattoso passa à condição de réu e responderá a ação cuja pena é de até quatro anos de cadeia. O processo contra ele, porém, será julgado em primeira instância, pois Mattoso não tem foro privilegiado. Ele no entanto, poderá optar ainda por trocar o processo por penas alternativas.
Quanto ao outro acusado no inquérito, o jornalista Marcelo Netto, então assessor de imprensa do Ministério da Fazenda, houve empate de 4 votos a 4. Os ministros então decidiram absolver Netto, aplicando o entendimento de que em caso de empate a decisão aplicada deve ser a que beneficia o denunciado. O empate se deu porque o ministro Cezar Peluso, apesar de ter votado pela absolvição de Palocci, preferiu não se pronunciar sobre Netto e Mattoso.
Primeiro a votar, o presidente do STF, Gilmar Mendes, relator do caso, defendeu o arquivamento do inquérito de Palocci. Seu voto foi acompanhado pelos ministros Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Cezar Peluso e Ellen Gracie. Votaram pela abertura da ação contra o ex-ministro Cármen Lúcia, Carlos Ayres Britto, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

Foto: U.Dettmar/STF

Foto: U.Dettmar/STF
O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, durante o julgamento da denúncia feita pelo MPF contra o ex-ministro da Fazenda o deputado federal Antonio Palocci (Foto: U.Dettmar/STF)

Relator

Gilmar Mendes considerou que não há provas de que Palocci tenha ordenado a quebra de sigilo. “A análise dos autos permite concluir que não há elementos mínimos que apontem para a uma iniciativa e menos ainda para uma ordem dele para que se fizesse uma consulta ou emissão e impressão de dados sobre a conta de Francenildo”, afirmou o ministro. Mendes também votou pela absolvição do jornalista Marcelo Netto, assessor de imprensa do Ministério da Fazenda à época dos fatos.
Quanto a Jorge Mattoso, Mendes entendeu que ele deveria ter repassado as informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coafi) do Ministério da Fazenda, e não a Palocci. “Ao constatar irregularidades em movimentações bancárias, a Caixa deverá comunicá-las ao Coafi. Nada indicava ou justificava o trânsito das informações sigilosas no âmbito do gabinete do ministro da Fazenda. O ministro não era a autoridade competente para ser informado da movimentação irregular da conta”, destacou.

O advogado Alberto Toron, que defende Mattoso, sustentou que o ex-presidente da Caixa não quebrou o sigilo, apesar de ter repassado o extrato de Francenildo ao ex-ministro. “O que está em causa é a utilização pessoal desses dados. Não há a menor dúvida de que o presidente da Caixa poderia passar a seu superior hierárquico”, disse o advogado.

Governo

O governo aguardava apenas o resultado desse processo. Palocci poderá agora assumir a pasta do ministro das Relações Institucionais, José Múcio, que será indicado para vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Mas segundo auxiliares diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Palocci “tem o desejo de se candidatar ao governo de São Paulo” .
O presidente Lula ainda tem preferência por uma candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao Palácio dos Bandeirantes. O governo avalia que o simples fato de Palocci ter ocupado a pasta da Fazenda não o credencia como candidato ao governo de São Paulo.
“Tudo vai depender do que vai acontecer com o Palocci no STF. No nosso ponto de vista, o melhor seria uma eleição plebiscitária [entre Dilma e um candidato do PSDB]”, explicou o auxiliar de Lula antes do julgamento desta quinta. Nesse caso, seria melhor que o deputado Ciro Gomes, que tem pretensão de disputar a presidência também, concorresse o governo de São Paulo.

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Acordo com Santa Sé vem em boa hora

* GEORGE AUGUSTO NIARADI

Paradoxalmente, o Brasil é o único Estado que não tem consolidada juridicamente sua relação com o Vaticano

OS BRASILEIROS contabilizam a maior população católica no mundo -em 2003, quase 130 milhões- e, paradoxalmente, o Brasil é o único Estado que não tem consolidada juridicamente sua relação com o Vaticano.

Ao adotar um único instrumento jurídico internacional que passe a regular as relações entre esses dois Estados, o Brasil fica em situação similar à de todos os demais países, permitindo-se a celebração de outros acordos com as demais religiões globais. Trata-se, portanto, de um acordo internacional que respeita os direitos fundamentais dos brasileiros e reforça a condição do Brasil de Estado laico.

A iminente aprovação pelo Congresso Nacional do acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé relativo ao estatuto jurídico da Igreja Católica no território nacional, assinado em 13/11/08 (projeto de decreto legislativo 1736/09), vem, portanto, em boa hora.

Em breve digressão histórico-normativa, as relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé, entidade dotada de personalidade jurídica internacional, foram iniciadas em 1826. Na disposição constitucional da época (1824), a religião católica era a do império do Brasil, permitindo-se o culto doméstico ou particular de todas as demais.

Em termos de tratados internacionais, aqueles que representam identidade com as Constituições brasileiras são os seguintes: o Acordo Administrativo para Troca de Correspondência Diplomática (1935) e o Acordo sobre o Estabelecimento do Ordinariado Militar e Nomeação de Capelães Militares (1989).

Ambos foram recepcionados, respectivamente, pelas Constituições brasileiras de 1934 e 1988. O Brasil passou a ter constitucionalmente representação diplomática na Santa Sé, e os brasileiros tiveram assegurada a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.

O recente acordo firmado entre o Brasil e a Santa Sé em 2008 representa uma evolução normativa, já que objetiva consolidar diversos aspectos do relacionamento e da presença da Igreja Católica no território nacional, amparados na Constituição.

A partir da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, passando por legislação nacional sobre a presença da Igreja Católica e a recepção na vigente Constituição brasileira, pode-se analisar o acordo entre Brasil e Santa Sé.

Nos termos do artigo 1º, as respectivas representações diplomáticas dos Estados pactuantes ficam regidas pela Convenção de Viena, tratado internacional já incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro, mediante o decreto nº 56.435/65.

Sumariando-se os artigos 2º até o 17 desse Acordo, atesta-se sua recepção às disposições constitucionais de inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício de qualquer culto religioso e a proteção aos seus locais e liturgias -novamente, o tratamento equitativo dos direitos e deveres das instituições religiosas legalmente estabelecidas no Brasil-, conforme o inciso VI do artigo 5º e o inciso I do artigo 19 da Constituição Federal.

Nos temas relacionados à educação, os artigos 9º, 10 e 11 dispõem que o reconhecimento recíproco de títulos e qualificações em nível de graduação e pós-graduação estará sujeito às respectivas legislações e normas dos Estados pactuantes.

E em respeito ao princípio do cooperativismo nas relações internacionais -conforme inciso IX do artigo 4º da Constituição-, a Igreja Católica continuará a colocar suas instituições de ensino, em todos os níveis, a serviço da sociedade e de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro.

Frise-se que, pelo acordo, o ensino religioso continua sendo de matrícula facultativa nas escolas públicas de ensino fundamental, sem discriminar as diferentes confissões religiosas praticadas no Brasil.

Por fim, a entrada em vigor desse instrumento internacional depende da troca das chamadas cartas de ratificação entre os Estados pactuantes, o que se dará após a aprovação do Congresso do PDC 1736/09 e consequente decreto presidencial.

A urgência do esclarecimento da sociedade se faz necessária no sentido de que o presente diploma legal com a Igreja Católica não exclui as demais religiões globais, mantendo-se o Brasil como Estado laico.

O país, mediante a aprovação desse acordo, atualiza-se no palco das relações internacionais.

* GEORGE AUGUSTO NIARADI , advogado, doutor em direito internacional pela USP e pós-doutor em direito pela Universitá della Santa Croce (Roma, Itália), é presidente da Comissão de Comércio Exterior e Relações Internacionais da OAB-SP.

PEC dos Vereadores é aprovada em comissão especial

Arnaldo Faria de Sá: substitutivo reúne textos sem alterar mérito.

A proposta que reduz os gastos com os legislativos municipais foi aprovada nesta madrugada na comissão especial que analisava o assunto. O texto também inclui o aumento do número de vereadores, que fazia parte da PEC 333/04, já aprovado pela Câmara no ano passado.

As mudanças faziam parte das propostas de emenda à Constituição 336/09 e 379/09. Elas foram aprovadas na forma do substitutivo do relator, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que recomendou a aprovação dos textos sem alterações. "Considero necessário manter intacto o texto de ambas as propostas, mesmo porque se os alterarmos serão devolvidos ao Senado Federal", explicou o parlamentar.

A PEC ainda precisa ser votada pelo plenário em dois turnos.

De acordo com o texto aprovado, o número de vereadores passa dos atuais 51.748 para até 59.791 e o percentual máximo das receitas tributárias e das transferências municipais para financiamento da Câmara de vereadores cai de 5% para 4,5% nas cidades com mais de 500 mil habitantes.

O aumento das vagas entrará em vigor assim que a PEC for promulgada, o que dará direito a cerca de 8 mil suplentes tomarem posse. Já a redução dos repasses passará a valer a partir do ano subsequente à promulgação da PEC.

Polêmica
Em 2008, a Câmara aprovou uma proposta que permitia o aumento do número de vereadores mas reduzia os repasses para os legislativos municipais. O Senado fatiou em duas a PEC aprovada pelos deputados. A parte que permitia o aumento do número de vereadores tornou-se a PEC 336/09. E as regras que reduziam as despesas foram incluídas na PEC 379/09, mas com percentuais de gastos mais altos.

O então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), recusou-se a promulgar apenas a PEC 336/09, como queriam os senadores, sob a alegação de que eles romperam o equilíbrio do texto aprovado pelos deputados.

A recusa levou o então presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, a entrar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) exigindo a promulgação parcial da PEC 333.

Em março deste ano, as novas mesas diretoras das duas Casas decidiram analisar a parte que trata da limitação de gastos em outra proposta. O Senado desistiu do mandado de segurança no STF.

Tramitação
Se as PECs aprovadas hoje pela comissão especial também forem aprovadas pelo Plenário da Câmara sem modificações, o texto não precisará voltar ao Senado e seguirá para promulgação das Mesas Diretoras das duas casas.

Saiba mais sobre a tramitação de PECs
* Matéria atualizada às 12h33
Íntegra da proposta:

- PEC-336/2009

- PEC-379/2009

Arns oficializa saída do PT

Flávio Arns entrega carta de desfiliação do PT em Curitiba

O senador Flávio Arns entregou nesta quinta-feira carta ao Diretório Municipal do PT em Curitiba em que comunica seu desligamento do partido. No documento, Arns aponta a orientação do presidente do PT, Ricardo Berzoini, para que a bancada do partido no Conselho de Ética votasse pelo arquivamento de representações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AM), como uma das razões para sua saída.

“A referida orientação ignorou o documento assinado por todos os senadores da bancada em que requeriam a apuração e investigação das denúncias”, destaca Arns. Com o apoio do PT, todas as representações contra Sarney foram arquivadas no Conselho de Ética. Na ocasião, Arns anunciou que deixaria o partido.

Na carta, o senador afirma ainda ter sido discriminado por membros do partido, incluindo o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em discurso na tribuna da Casa, Arns alega estar preparado para enfrentar a Justiça caso o partido recorra aos tribunais para reaver a vaga no Senado por infidelidade partidária. A saída de Arns deverá ser confirmada junto ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. O senador ainda não definiu a que partido pretende se filiar.

Fonte: Último Segundo.

Aerus: sozinha, mas fazendo a sua parte




















Cleia Carvalho é leitora assídua do blog. Uma mulher extraordinária em busca de seus direitos.


















Ficou no Aeroporto de Congonhas (SP) das 13:00 até as 21:00 h com faixas e cartazes de protestos chamando a atenção a tantos quanto passaram naquele logradouro sobre o problemão e embromação do governo em resolver a situação dos ex-funcionários da Varig.


















Parabéns pelo seu exemplo magnífico Cleia. Se todos aderissem ou adotassem o seu procedimento, certamente viveríamos num país muito melhor, visto que os políticos têm horror de passar vergonha publicamente.

Reajuste dos aposentados é acertado, mas índices não agradam

Previdência Social

BRASÍLIA - Os representantes do governo e das centrais sindicais acertaram ontem o reajuste para os aposentados e pensionistas que ganham mais de um salário mínimo, a partir de janeiro de 2010. Com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o aumento será calculado com base na inflação acumulada, usando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo ano anterior - mesmo sistema usado para o reajuste do salário mínimo. O projeto será encaminhado agora para apreciação do Congresso Nacional.

A expectativa é de que os aposentados tenham um ganho real de 6%. O impacto do reajuste nos cofres públicos deve chegar a cerca de R$ 3 bilhões no próximo ano, de acordo com o ministro da Previdência Social, José Pimentel.

A fórmula será usada também para calcular o aumento das aposentadorias e pensões acima do piso salarial, a partir de janeiro de 2011. Perguntado sobre a possibilidade do PIB deste ano ser nulo e assim não haver aumento em 2011, Pimentel respondeu "que todos os indicadores demonstram que haverá crescimento real em 2009".

De acordo com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, o presidente Lula avalizou o acordo e disse que os aposentados com benefício acima do mínimo ajudam a mover a economia. São mais de 8 milhões de pessoas atendidas.

Em contrapartida ao aumento acertado, as principais centrais sindicais se comprometeram a apoiar a apresentação de um substitutivo a diversos projetos de lei, que tramitam no Legislativo, sobre a recomposição salarial dos aposentados e uma política permanente de reajuste para a categoria.

Entre eles, o projeto que prevê a aplicação do fator previdenciário para o trabalhador que se aposentar mais cedo e, assim, receberá o benefício menor.
Já o trabalhador que quiser esperar mais tempo, o benefício será calculado com base na soma da idade do empregado mais o período de contribuição previdenciária. A troca dessa proposta pelo substitutivo não contou com a aprovação de todos os sindicalistas, como a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

O governo aceitou computar o período em que o trabalhador estiver recebendo o seguro-desemprego como tempo de contribuição para a futura aposentadoria e estipular uma regra para impedir a demissão dos trabalhadores que estiver a um ano da aposentadoria - propostas apresentadas um dia antes pelos sindicalistas.

"A contagem do tempo no seguro-desemprego favorece as pessoas mais afetadas pela alta rotatividade da mão de obra", afirmou Artur Henrique dos Santos, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Participaram da reunião as lideranças da CUT, Força Sindical, UGT e o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS).
(Agência Brasil)

Acordo não agrada aposentados e pensionistas

Aposentados criticam acordo para o reajuste

João Pedro Pitombo, do A TARDE

O acordo que definiu o reajuste para 2010 e 2011 dos aposentados que ganham acima de um salário mínimo,  fechado na madrugada de quarta-feira, 26, entre governo federal e centrais sindicais, não é consenso entre aposentados e entidades representativas da categoria. Com reajuste estimado em 6,2%, os aposentados deverão ter 2,5% de ganho real, referente à metade do Produto Interno Bruto do País em 2008. O acordo ainda depende da aprovação do Congresso Nacional e da sanção do presidente.

O valor da correção foi considerado insuficiente: “Do ponto de vista do ganho real, é um avanço. Mas ainda está muito longe da nossa real necessidade”, argumenta o aposentado Francisco Barros, de 82 anos. A Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas e o Sindicato Nacional dos Aposentados questionam alguns pontos do acordo.

A maior polêmica gira em torno da contrapartida exigida pelo governo, que prevê a retirada de mais de 20 projetos que tramitam no Congresso Nacional que preveem benefícios aos aposentados. “Já temos quatro projetos que foram aprovados na Câmara e estão sob análise do Senado. E vamos lutar pela aprovação deles. Não concordamos com os termos do acordo e continuaremos nossa luta até sermos vitoriosos”,  explica o presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas da Bahia, Gilson Costa. Segundo ele, a entidade prepara um protesto para hoje. Os aposentados se concentrarão na Praça Municipal e seguirão em passeata até a  agência do INSS na Praça da Sé.

O Sindicato Nacional dos Aposentados tem uma postura mais branda em relação ao acordo. Mas ressalta que ainda é preciso recuperar o poder de compra do aposentado. “O governo tem de levar em conta os frequentes reajustes no preço dos remédios e planos de saúde. Precisamos de correções maiores”, argumenta Nilson Bahia, representante do sindicato no Estado. O aposentado Osvaldino Domingos faz coro. Ele gasta pelo menos R$ 170 por mês somente em medicamentos e pensa que o reajuste dado não é satisfatório. “A cada ano que passa, temos perdas cada vez maiores. O benefício está defasado”, pontua.

Benefícios – Dentre os benefícios estabelecidos pelo acordo, está a obrigação das empresas em garantir o emprego do trabalhador que estiver a um ano de se aposentar. A companhia que não cumprir com a regra deverá arcar com o pagamento de indenização para o funcionário. Além disso, os períodos em que o trabalhador estiver em aviso prévio ou recebendo seguro-desemprego também contarão como tempo de serviço.

Demanda histórica da categoria, a extinção do fator previdenciário, que reduz em até 40% o benefício de que se aposenta mais cedo, foi avaliada positivamente pelas centrais sindicais. Em sua  substituição será implementado o fator 85/95. Esta nova fórmula refere-se à soma  do tempo de contribuição e da idade do trabalhador ao se aposentar. Para os homens são exigidos 95 anos, para as mulheres, 85 anos. Esta substituição irá reduzir a margem de perda do trabalhador que se aposentar antes de atingir o seu fator.

Incremento – O reajuste de 6,2% para os 8,2 milhões de aposentados que ganham acima do salário mínimo vai representar um gasto de cerca de R$ 3 bilhões para a Previdência. Segundo o economista e professor da Universidade Federal da Bahia Osmar Sepúlveda, o reajuste é benéfico e deverá incrementar a economia do País. “Com a melhoria da remuneração dos aposentados, a tendência é de uma maior desconcentração da renda”, afirma Sepúlveda. No entanto, o economista ressalta que o percentual de reajuste concedido não é significativo. 

Sobre a jornada de 40 horas semanais

“O deputado pode decidir ficar com quem paga a eleição, os empresários; ou ficar com quem vota, os trabalhadores”.

Presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP ) , em defesa da votação da redução da jornada de trabalho.

Por quê o embargo da carne no Pará?

O deputado federal Giovanni Queiroz (PDT-PA) explica.

Acordo veta dispensa antes de aposentadoria

Folha de S. Paulo

Governo e centrais fecham proposta que também prevê aumento real, em 2010 e em 2011, para benefícios acima do mínimo

Reajuste será de metade da variação do PIB de dois anos antes, mais a inflação; acordo também garantiu a criação do Fator 85/95


As empresas passarão a ser obrigadas a garantir o emprego do trabalhador que estiver a um ano da aposentadoria, ou, no caso de demissão nesse período, estarão sujeitas ao pagamento de indenização maior ao funcionário. A nova regra, que ainda precisará ser aprovada pelo Congresso, faz parte de um acordo fechado ontem entre governo e centrais sindicais.

O pacote anunciado inclui ainda aumento real em 2010 e em 2011 para as aposentadorias acima do salário mínimo. Conforme a Folha antecipou, o ganho real será equivalente a 50% do crescimento do PIB de dois anos antes.
O mecanismo deverá garantir em 2010 reajuste total (já incluída a inflação deste ano) de aproximadamente 6% para 8,2 milhões de aposentados.

A negociação também garantiu a criação do Fator 85/95, que passará a ser uma fórmula alternativa ao atual fator previdenciário. O novo fator requer que a soma do tempo de contribuição e da idade do trabalhador ao se aposentar seja igual a 85 anos, no caso de mulheres, e a 95 anos, no caso de homens.

O acordo fechado ontem não foi unânime entre as centrais sindicais e entidades de aposentados. A Nova Central Sindical, a CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e a Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas) não aceitaram os termos negociados. Apesar disso, o acordo não deverá enfrentar resistência no Congresso, já que as medidas têm forte apelo popular.

O ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) disse no início da noite que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou o acordo, considerando o pacote de mudanças o "esforço máximo" a ser feito pelo governo diante da queda da arrecadação neste ano.

O ministro da Previdência, José Pimentel, disse que o impacto das medidas nas contas públicas é absorvível. Segundo ele, o aumento real para os aposentados em 2010 custará ao governo R$ 3 bilhões.

As centrais comemoraram o acordo. A contrapartida dos sindicalistas será abrir mão de mais de 20 projetos que tramitam no Congresso propondo mudanças favoráveis aos aposentados. As entidades não concordaram em incluir no pacote apenas um projeto: o que vincula o valor do benefício ao número de salário mínimos na época de concessão. Houve o compromisso, entretanto, de não votar o projeto nem em 2010 nem em 2011.

"Agora vamos defender nas nossas instâncias o acordo que foi construído para melhorar a situação dos aposentados", declarou o presidente da CUT, Artur Henrique.

"O mais importante é que esse é um acordo histórico. Vamos dar ao trabalhador a garantia de emprego um ano antes de se aposentar. Não é estabilidade; se a empresa quiser demitir terá de pagar o salário de 12 meses, além das contribuições para a Previdência", declarou o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

Na negociação, os sindicalistas também conseguiram convencer o governo a computar o período em que o trabalhador estiver recebendo aviso prévio e seguro-desemprego como contagem de tempo para aposentadoria. O desempregado, no entanto, precisará contribuir para a Previdência.
A atual fórmula da cálculo da aposentadoria ainda foi alterada. No acordo, reduziu-se de 80% para 70% as maiores contribuições a serem consideradas no cálculo da média das contribuições do trabalhador.

Prefeito visitará Companhia Siderúrgica do Atlântico a convite da Vale

Foto: Markus – Secom/PMM
















Júlia Rosa, Maurino e Ítalo, momentos antes do embarque para o Rio de Janeiro.

Brasília (DF) - Acompanhado da presidente da Câmara Municipal, vereadora Júlia Rosa, secretário de Indústria, Comércio, Mineração, Ciência e Tecnologia (SICOM), Ítalo Ipojucan e do presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá (ACIM), Gilberto Leite, o prefeito Maurino Magalhães embarcou às 15h de ontem, 25, para o Rio de Janeiro, onde, a convite da Vale, estará visitando as instalações da Companhia Siderúrgica do Atlântico, que em breve inicia suas atividades de fabricação, de semi-acabados (placas), nos moldes da que será implantada no município, cujas obras estão previstas para iniciarem a partir de maio de 2010.

O projeto, realizado em parceria entre Vale e a alemã ThyssenKrupp CSA Cia., é um investimento superior a US$ 3 bilhões, que integra a estratégia de crescimento da Vale para reforçar a sua presença internacional, tem a previsão de iniciar sua produção integrada até dezembro de 2009 e deve consumir, ainda em sua primeira fase, cerca de 130 milhões de toneladas de minério de ferro no período de 15 anos.

Contando ainda com a presença da governadora Ana Júlia Carepa, que também participa do encontro, o grupo de Marabá terá a oportunidade de conhecer os principais mecanismos de funcionamento do mega-investimento que compreende: uma coqueria de 1,9 milhão de toneladas, uma sinterização (que aglomera minério de ferro) de 5,7 milhões e dois altos-fornos projetados para produzir 5,3 milhões toneladas por ano de gusa.

"É o maior contrato individual de minério firmado pela Vale com uma usina - 8,6 milhões de toneladas de finos e pelotas", observou James Pessoa, diretor da Vale e conselheiro da companhia siderúrgica.

Segundo o prefeito Maurino Magalhães, “a visita à empresa é de vital importância tanto para mim quanto para que os que estão me acompanhando, pois seremos nós os responsáveis por acompanhar a implantação da siderúrgica que será construída em Marabá e portanto precisamos ter o conhecimento e as informações necessárias para saber lidar responsavelmente com o processo”, explicou.

Texto: Markus Mutran/ Secom PMM.

Confederação de aposentados recusa proposta e sai de negociação

A Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas) não participou da reunião que decidiu o índice de reajuste dos benefícios do INSS. Hoje, os aposentados devem pressionar as lideranças dos partidos na Câmara para que os projetos que garantem a recomposição dos benefícios, o fim do fator previdenciário e o aumento igual ao do salário mínimo sejam votados.

De acordo com a entidade, a proposta de aumento real equivalente a 50% do crescimento do PIB, defendida pelas centrais sindicais, não foi aceita pelas federações que compõe a Cobap.

De acordo com Robson de Souza Bittencourt, presidente da FAP/MG (Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais), as entidades de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Paraíba se manifestaram contra o acordo e sugeriram a saída da Cobap das negociações. “O governo não apresentou nenhuma proposta concreta”, disse Bittencourt.

O presidente da Cobap, Warley Gonçalles Martins, disse que, pela internet, 95% dos cerca de 32 mil aposentados que responderam à enquete da entidade também pediram a saída da negociação. “Foi uma decisão amplamente apoiada pela categoria”, disse.

O deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmaram que vão apoiar os aposentados pela aprovação dos projetos –que já passaram pelo Senado. “O governo quer forçar uma situação, mas não vai ter jeito. Para o aposentado, é mais vantajosa a aprovação dos projetos”, disse Faria de Sá.

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse que, para os projetos entrarem na pauta de votação, será necessário o consenso entre os partidos. A reunião de líderes deve acontecer às 14h30.

Fonte: Jornal Agora.

Cartilha tira dúvidas de aposentados e pensionistas



A cartilha lançada em Brasília foi produzida pela Associação dos Juízes Federais, com apoio das Organizações Globo e traz informações sobre os benefícios pagos pela Previdência Social.

Com ilustrações e linguagem simples, explica que todos os brasileiros têm direito a esses benefícios e que podem recorrer aos defensores públicos para garanti-los.

Governo fecha acordo com centrais para reajuste de aposentadorias

Em 2010, benefícios acima de R$ 465 podem ter reajuste de mais de 6%.

O acordo ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional.

O governo fechou acordo na noite desta terça-feira (25) com as principais centrais sindicais para uma política de reajuste das aposentadorias com valor superior a um salário mínimo (R$ 465) em 2010 e 2011. O novo cálculo ainda terá que passar pelo Congresso Nacional.

Pelo acordo, os benefícios acima do salário mínimo serão reajustados a partir do ano que vem considerando o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), mais 50% do PIB de dois anos anteriores. Ou seja, em janeiro de 2010, se a proposta for aprovada ainda neste ano no Congresso, os aposentandos que ganham mais de R$ 465 podem receber um reajuste de mais de 6%.



















Clique na figura para ampliá-la

O percentual leva em conta a projeção do INPC para esse ano, de 3,49%, mais a previsão do crescimento do PIB em 2008, estimado em 5,5%. Segundo o ministro da Previdência, José Pimentel, o impacto para as contas da previdência em 2010 deve ser de aproximadamente R$ 3 bilhões.

Esse mesmo cálculo será aplicado em 2011, considerando os valores do PIB de 2009 e o INPC de 2010.

O acordo fechado pelo governo com as centrais prevê ainda que os trabalhadores poderão contar como tempo de contribuição o período em que estão desempregados, mas recebendo o seguro-desemprego. Para isso, terão que contribuir sobre a parcela do seguro para a Previdência Social. Não está definido ainda se essa contribuição para o INSS será compulsória ou não.

Os trabalhadores que estão a um ano de se aposentar terão o emprego garantido por lei. Segundo os sindicalistas, isso representa um avanço porque muitos empregados perdiam o emprego próximo de se aposentarem e não conseguiam o tempo mínimo de serviço para parar de trabalhar.

Segundo os sindicalistas, grande parte dos acordos trabalhistas já previa essa garantia de emprego e o governo está assumindo o compromisso de formalizar a situação para beneficiar todos os trabalhadores.

Outro ponto acordado entre as partes permite aos trabalhadores expurgar até 30% dos seus piores rendimentos ao longo dos anos trabalhados para fazer o cálculo do benefício de aposentadoria. Hoje, esse percentual é de 20%.
Segundo os sindicalistas, grande parte dos acordos trabalhistas já previa essa garantia de emprego e o governo está assumindo o compromisso de formalizar a situação para beneficiar todos os trabalhadores.

Apenas a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) ficou contra a proposta. Segundo o presidente da entidade, Wagner Gomes, não aceita as mudanças propostas para o fator previdenciário que consta do acordo fechado com o governo e prefere apoiar outros projetos no Congresso.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henriques, comemorou o acordo e disse “que é um passo muito importante para os aposentados do país” que sejam criadas as bases de uma política permanente de reajuste dos benefícios de quem ganha mais de um salário mínimo.

Antes do acordo ser anunciado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, consultou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que concordou com os pontos e disse que “era o que o governo podia fazer pelos aposentados”, considerando o momento de crise internacional. Segundo o ministro, cerca de 8,2 milhões de aposentados serão beneficiados com o acordo.

O deputado Pepe Vargas (PT-RS), que será o relator do projeto que tratará do acordo no Congresso, disse que pretende apresentar o substitutivo o mais rápido possível, mas que ainda não há data. “O mais importante é que temos um acordo. Agora vamos sentar e redigir as propostas que têm que ser aprovadas até o final do ano”, comentou.

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Morre o último Kennedy influente da política americana



O senador democrata americano Edward (Ted) Kennedy morreu aos 77 anos, em sua casa, em Hyannis Port, no estado de Massachusetts, vítima de câncer, informou por comunicado a família Kennedy, na noite de terça-feira (25), início da madrugada desta quarta (26) no Brasil.

O líder democrata foi um dos principais apoiadores da campanha vitoriosa de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos

STJ confirma condenação de policiais no Massacre de Eldorado do Carajás

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve hoje a condenação dos policiais militares envolvidos nas mortes de 19 trabalhadores sem-terra em 1996, em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará. A defesa pedia a anulação do julgamento, ocorrido em 2002, por questionar as perguntas sobre o crime feitas no dia do julgamento, mas a Quinta Turma do STJ negou o recurso e manteve a decisão imposta ao coronel Mário Colares Pantoja, condenado a 228 anos, e ao major José Maria Pereira de Oliveira, condenado a 158 anos e quatro meses.

Cabe recurso da decisão.

Relembrando
Os trabalhadores sem-terra foram mortos durante uma operação de desocupação da rodovia PA-150, no acesso à cidade de Marabá. À época o Governador era o tucano Almir Gabriel que ordenou a desocupação de qualquer jeito ao seu Secretário de Segurança Pública. Os manifestantes chegaram a bloquear a via por três dias. Eles protestavam contra a demora na desapropriação de terras para reforma agrária. Na época, o coronel Pantoja era o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar de Marabá e o major Oliveira era o comandante da Companhia de Policiamento Militar de Parauapebas (PA). Os condenados estão respondendo ao processo em liberdade por força de um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Fonte: Último Segundo.

Suplicy dá "cartãozaço" vermelho para Sarney

Observem o tamanho do cartão!

Não é um cartão e uma "cartolina encarnada" ou um "cartãozaço vermelho".

BRASÍLIA - O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) utilizou nesta terça-feira à noite em discurso no Plenário uma linguagem próxima à grande maioria do povo brasileiro: a do futebol. O parlamentar tirou do paletó e mostrou aos parlamentares um cartão vermelho para pedir a renúncia do presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP).

Suplicy e seu super cartão vermelho

“No meu entender, o arquivamento das representações não foram suficientemente esclarecidas. Para voltarmos à normalidade, o melhor caminho é que Sua Excelência renuncie ao cargo no Senado", pediu Suplicy.

Em defesa de Sarney, o senador democrata Heráclito Fortes (PI) fez uma série de intervenções durante o discurso do senador petista que, de forma inesperada, recebeu de Suplicy um cartão vermelho também.

O bate-boca entre os dois parlamentares se transformou em gritaria. O senador da oposição pedia ao petista que mostrasse o cartão vermelho ao Presidente Lula, que “deu cartão amarelo” ao líder do Partido no Senado, Aloizio Mercadante. “O Presidente Lula foi quem invadiu as dependências do Senado, ele é o responsável pela crise”, bradou Fortes. “Use a palavra e não o cartão”, pediu.

"Não estou afirmando que tenham relações, mas que cabe a investigação, no mínimo", voltou a defender Suplicy.

O senador Mão Santa (PMDB-PI), que presidia a mesa no momento da discussão, aproveitou o tom da conversa e soltou: “Quem está com o apito aqui sou eu?” e pediu que a discussão se encerrasse para dar continuidade aos discursos dos demais senadores inscritos.

Leia mais sobre: Conselho de Ética.

Blog do Vic publica pesquisa Ibope/ Eleições 2010 no Pará

O mais novo afiliado da blogosfera paraense fez sua avant-premiére ontem, ao início da noite.

Fiz uma crítica colaborativa na caixa de comentários no meu outro blog sobre a proposta capitaneada pelo Deputado Federal Vic Pires Franco (DEM-PA) em seu Blog do Vic.

Sob o ponto de vista de informação, o blog estréia alvissareiro, publicando uma pesquisa a pedido do DEM, entre os dias 13 e 17 deste mês.
Ouviu 700 pessoas, em todas as regiões do Pará.
A margem de erro, de 4%, dá uma visão precisa do atual cenário político paraense. Duvido que 700 entrevistados seja um número ao menos convincente para alguma análise, porém, não deixa de ser interessante o que a pesquisa apresenta.

E ao Ibope pelo partido ao qual o novo blogueiro é presidente estadual no Pará: o Democratas, vejam os números da pesquisa aqui para o Senado.

Confira a aprovação do Governo de Ana Júlia Carepa.

E eis os números apurados pelo Ibope para Presidente da República em Belém.

Seja bem-vindo ao cyberespaço deputado.

Em defesa dos aposentados: “é preciso quebrar é a cara de alguns que ficam falando bobagem por aí”

Todas as vezes que chegamos perto de encontrar uma solução para a questão dos aposentados, vem a mesma ladainha: a Previdência está com déficit. Eu quero deixar claro que se não pode fazer conta de caixa de Previdência. O que vale é seguridade social.

Na seguridade social, há recursos que compensam todo o tamanho desse déficit que estão vendendo. Vende-se a história do déficit, para depois não se dar o reajuste para o aposentado e pensionista.

É preciso acabar com essa ladainha de uma vez por todas. Eu escuto que a Previdência vai quebrar desde 1989, e até agora ela não quebrou. É preciso quebrar é a cara de alguns que ficam falando bobagem por aí. Essa éa grande verdade.Os aposentados têm de ter seu reajuste digno, decente e honrado.

Essa história de que a Previdência vai quebrar é insustentável, porque o orçamento da seguridade social garante o reajuste de todos os aposentados e pensionistas. Portanto, reafirmo que vamos defender essa questão. Já saiu a Marina Silva, já salvaram o Sarney, e cuidado com o que vai acontecer com vocês politicamente.

Arnaldo Farias de Sá (PTB-SP), agora há pouco na Câmara dos Deputados

Stephanes fala dos exageros da legislação ambiental

Pela flexibilização

por Theo Saad*

Ministro da Agricultura analisa os excessos do código florestal que penaliza produtores e defende que a legislação seja aplicada levando em conta a realidade

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, economista de formação, catarinense de Porto União, às vésperas de completar 70 anos (no dia 13 de agosto), tem a agricultura no sangue, como filho de pequenos produtores rurais.

Deles herdou a fala mansa, porém direta e que muitas vezes foge do convencional.

Foto: Anderson T. Ferreira
Reinhold Stephanes, Ministro da Agricultura: "A falta de infraestrutura dificulta da capacidade de competição e joga em cima do produto esse custo. É um limitador, então temos que nos preocupar com isso"

Deputado federal eleito pelo PMDB do Paraná, Stephanes assumiu a pasta da Agricultura em março de 2007 atirando contra a Rodada Doha de negociações internacionais e hoje, pouco mais de dois anos depois, acirrou ainda mais sua posição. Para ele, o setor agrícola brasileiro nada tem a ganhar perante organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC). O subsídio agrícola nos Estados Unidos e na União Europeia, na opinião dele, “não é um assunto para a diplomacia”.

Stephanes ataca ainda os ambientalistas, que, segundo ele, radicalizaram o código florestal brasileiro, análise que também fez quando esteve na Fiesp em debate sobre o tema organizado pelo Conselho Superior de Agronegócio, no dia 15 de junho. Na entrevista, cujos principais trechos podem ser lidos a seguir, o ministro defende mudanças na legislação atual, em defesa do pequeno e médio agricultor e do agronegócio brasileiro.

Revista da Indústria – O código florestal brasileiro é antigo e tem sido objeto de mudanças recentes e mais estão por vir. Como estão as negociações? O que o senhor acredita que tem de ser alterado. 

Reinhold Stephanes – A legislação ambiental que atinge, de uma forma ou de outra, o setor agrícola, vem sendo construída ao longo de 40 anos. Desde o código de 1964, mais de 80% dos itens já foram mudados, alguns até por cinco vezes. Decorrente do código, tivemos muitos decretos, portarias, resoluções de conselhos de meio ambiente, em esferas estadual e federal, e isso gerou um conjunto complexo de 16 mil itens. O que nos traz, como primeira consequência, a incapacidade de o agricultor compreender o que efetivamente está acontecendo, porque ele não lê o Diário Oficial. E até os advogados especialistas em meio ambiente não conseguem mais interpretar as várias questões.

RI – E o teor das alterações, faziam sentido?
RS – Na construção dessa legislação, conceitos foram mudando, até de forma muito radical. Outra questão importante é que essa legislação vem sendo construída apenas por ambientalistas, pessoas que defendem uma posição  e isso é elogiável –, mas que não necessariamente entendem de meio ambiente e muito menos entendem de produção. Quem entende de produção e de meio ambiente, que é a Embrapa, do Ministério da Agricultura, onde nós temos o maior número de doutorados em meio ambiente, não foi chamado a participar das mudanças. O próprio ministro da Agricultura historicamente toma conhecimento de legislações que atingem diretamente o seu setor por meio do Diário Oficial. Nesse contexto, é evidente que muitos erros e exageros foram praticados. Existem virtudes, sim. Mas existem muitos erros.

RI – O senhor pode citar alguns?
RE –
Como consequência da execução integral de todo esse conjunto de normas, nós teríamos 3 milhões de agricultores brasileiros (num universo de menos de 6 milhões em todo o Brasil) irregulares perante algum item. E um milhão de pequenos e médios agricultores tornarão suas atividades inviáveis se cumprirem efetivamente o que está sendo exigido. Esse é o impacto global. Temos impactos mais específicos. O pequeno e o médio agricultor estão no limite da produção. Eles têm renda média de R$ 1 mil, R$ 1,5 mil por mês e com isso estão vivendo no limite da condição. Em vez de aumentar, reduzo o ganho, obrigando a aplicar parte para recompor áreas. Então você os torna inviáveis economicamente.

RI – Essas mudanças dificultaram a aplicação do código florestal pelo produtor...
RS – Sim, porque não levaram em consideração a existência dele. No Brasil, se planta arroz em várzea há um século, e de repente você proíbe isso. O Brasil planta maçã em topos de morro e em encostas. E agora produtores de São Joaquim, capital mundial da maçã, estão sendo obrigados pelo Ministério Público a arrancar macieiras. Um só produtor está arrancando 4 mil macieiras. Assim como o café de Minas Gerais, que é plantado em encostas e em topos de morro... Ou seja, o código cometeu erros.

RI – Qual deve ser o caminho?
RS – O que estamos discutindo. Já que o Brasil tem, de uma forma ou de outra, 70% da sua área com restrições à produção, porque é reserva indígena ou estadual, não há porque não flexibilizar ou corrigir os erros de utilização nas áreas já consolidadas. Quando se trata de grãos, por exemplo, o Brasil produz essa enormidade, para seu sustento e para gerar divisas na exportação (é o segundo maior exportador mundial de produtos agrícolas), em apenas 7% do seu território. A soja, que demonizaram, é plantada em apenas 2,5% do território nacional. A cana-de-açúcar está em 0,9%. Eu prego que haja racionalidade, equilíbrio e fundamentação técnica nas discussões. A discussão não pode ser nem ideológica nem, muito menos, ser induzida de fora para dentro por meio das milhares de ONGs financiadas diretamente por países que têm interesses diversos, que não cuidaram e que não cuidam das suas questões, e financiadas também por empresas petrolíferas.

RI – O ministério já tem um arcabouço de sugestões para as alterações no código?
RS -- Já estudamos isso, com uma fundamentação técnica muito forte. O primeiro item é permitir que se continue produzindo em várzeas, topos de morros, encostas, onde já são consolidadas. Segundo, que a propriedade que recupere as beiras de rios e nascentes fique liberada da reserva legal. Até porque o Brasil é o único país do mundo que mantém grandes reservas estaduais e federais e a reserva legal na propriedade. Temos mais parques nacionais do que os Estados Unidos porque temos as reservas indígenas, que funcionam como verdadeiros parques nacionais. Só de reserva indígena, temos cinco parques do tamanho do estado do Paraná.

RI – Mas, como conceito, o ministério é contra a reserva legal?
RS –
Somos contra reserva legal em área consolidada. Você pega um estado como o Paraná, que é o maior produtor agrícola do País, consolidado há quase 50 anos, assim como São Paulo, onde não se derruba mais nada para agricultura, que tem um balanço positivo em relação ao efeito-estufa. Então, porque ele precisa pagar pelo efeito-estufa de outros países? Quando planto soja, já que ela é plantada de forma sustentável, uma vez que capta mais dióxido do que emite (o mesmo acontece com o milho), não há nenhuma razão para que eu crie uma reserva dentro de uma propriedade. Até porque uma reserva dentro de uma propriedade é estéril. Se ela não estiver na beira do rio, nem passarinho vai lá. Consideramos sagrado recuperar beira de rio e as nascentes, mas não manter uma reserva estéril.

RI – No código, a questão mais complexa é justamente a da reserva legal. O senhor vê chance de mudar isso?
RS –
Eu não vejo chance, vejo necessidade.

RI – O senhor vê um horizonte para essas questões estarem resolvidas?
RS –
Elas terão de estar resolvidas até 14 de dezembro. Porque, a partir daí, o decreto que estabelece as punições estará valendo em sua plenitude. Evidentemente, dali em diante, vamos passar a ter questões muito fortes. E o ano que vem é eleitoral. E essa questão vai ter impactos eleitorais, não tenho dúvida disso.

RI – Como o senhor está vendo o agronegócio hoje?
RS –
O movimento de industrialização do agronegócio continua, e é forte. A agroindústria desenvolveu-se extraordinariamente, tanto em relação à empresa privada quanto em relação às cooperativas. Na área de carnes, essa industrialização é muito forte. As tendências do mercado mundial para o setor são muito positivas. Mesmo durante a crise, o Brasil continuou exportando na área agrícola, o impacto foi mínimo na pauta de exportação. De janeiro a maio, dos oito produtos com saldo positivo na balança comercial, sete são agrícolas. Continuamos a exportar mais frango, mais suíno, mais do complexo soja... Em geral, o mercado se manteve muito positivo e as indicações são de que vai retornar mais forte assim que a crise diminuir.

RI – O agronegócio brasileiro está se expandindo também por causa da internacionalização de empresas brasileiras. Como o senhor vê isso? É um movimento que deve continuar?
RS –
Com certeza. E devemos incentivar e dar condições para outras que ainda não entraram no mercado chegarem lá. Você tem 21 frigoríficos que já estão no mercado externo, alguns estão crescendo e isso é muito bom. Mas você tem mais uns 50, de tamanho médio, que estão fora e querendo entrar.

RI – Como a infraestrutura de transportes afeta o setor? O que fazer para melhorar?
RS –
Uma das questões que nós havíamos pedido ao presidente Lula antes do lançamento do Plano de Safra era diminuir o custo do diesel, uma vez que o preço havia sido aumentado em determinado momento e não havia razão para se manter, já que o preço internacional havia caído. Isso foi importante. Mas temos um problema sério de estradas, principalmente no Centro-Oeste. Ali temos uma questão grave, que novamente bate no meio ambiente, porque há uma demora na liberação das licenças para as obras.

RI – Essa falta de infraestrutura vai impedir o crescimento do setor?
RS –
Ela dificulta a capacidade de competição e joga em cima do produtor esse custo. Se eu produzo milho no Paraná, consigo alcançar R$ 22 a saca, porque o transporte está fácil e está mais perto do mercado. Se produzo no Mato Grosso, essa saca cai para R$ 12. Ou seja, joguei o custo para o produtor. É um limitador, então temos de nos preocupar com isso.

RI – Quanto deveria ser investido em infraestrutura de transportes? As obras necessárias estão no PAC?
RS –
Nem todas estão. A tese que coloquei para o presidente é que, se hoje gasto R$ 1 bilhão para escoar a produção do Mato Grosso, com certeza, se investíssemos R$ 5 bilhões lá, não precisaríamos mais gastar R$ 1 bilhão por ano para escoar a safra. Ou seja, perco em cinco anos para escoar o que seria investimento suficiente para melhorar muito a infraestrutura de transportes para o agronegócio.

RI – Mudando de assunto. Como o senhor está vendo as disputas de países como a Irlanda e a Inglaterra na OMC sobre a carne?
RS –
São dois países que têm pressionado muito. E é evidente que pressionam porque têm uma impossibilidade de competir com a carne brasileira, cujo custo de produção é de um terço do custo da carne europeia. Aí entra a questão dos subsídios, de quanto os países ricos prejudicam os em desenvolvimento. Essa é uma briga econômica que, evidentemente, temos de saber enfrentar.

RI – O senhor vê um contencioso na OMC?
RS –
Não acredito muito em algumas questões, como na Rodada Doha. Desde que entrei no Ministério, sempre me pronunciei contra. E estou cada vez mais convencido disso. Acabei de vir de uma reunião na Rússia, em que estavam presentes todos os ministros da agricultura da União Europeia, e eles colocaram que teriam de manter o incentivo aos seus produtores, manter o preço, para que continuassem produzindo. Essa questão só mudará se um dia o mercado demandar. Caso contrário, eles não abrirão mão dos subsídios e das suas políticas. O Brasil tem uma boa capacidade de competição. Geneticamente a nossa carne é muito boa, porque é de pasto, uma carne verde. Não acredito em Doha, assim como não acredito na OMC. O Brasil ganhou um contencioso contra os Estados Unidos na OMC em relação ao algodão. Os Estados Unidos são membro da OMC e estavam agindo errado. Era um erro ético. O Brasil venceu, eles continuaram fazendo o mesmo. Recorreram para ganhar tempo. Agora o Brasil ganhou em caráter definitivo, mas eles continuam fazendo o mesmo.

RI – São Paulo é o maior produtor no setor da cana e derivados. Como o senhor vê o crescimento desse mercado, a briga com os Estados Unidos, vender mais para o Japão, vender tecnologia para países africanos etc.?
RS –
É claro que o Brasil tomou a dianteira no mundo, tanto em termos de tecnologia do processo industrial quanto da produção da matéria-prima. E continua num processo evolutivo. O Brasil, por razões climáticas, teve condições de usar aquela matéria-prima que, até o momento, é a melhor para se produzir álcool no mundo. E daqui a pouco até para produzir diesel, porque as pesquisas estão avançando. E vamos melhorar a capacidade de produção pela mudança do processo para hidrólise enzimática (por meio do bagaço). Estamos na liderança e devemos continuar a investir para aumentar essa liderança. Temos margens para crescer. É possível que, nos próximos dez ou 15 anos, não surjam tecnologias no mundo que possam substituir, de modo economicamente viável, essa energia limpa.
*Colaborador

Distrito Federal: O Faraó contra seu pupilo

En­tre o mo­der­no e o ar­cai­co

Mais uma vez, Jo­a­quim Ro­riz quer vol­tar ao go­ver­no do Dis­tri­to Fe­de­ral

AFON­SO LO­PES

Joaquim Roriz é o retrato de uma forma mumificada de fazer política

O go­ver­na­dor Jo­sé Ro­ber­to Ar­ru­da, do DEM, é fa­vo­ri­to à re­e­lei­ção pa­ra o Go­ver­no do Dis­tri­to Fe­de­ral. Mas sua si­tu­a­ção não é to­tal­men­te con­for­tá­vel. O ex-go­ver­na­dor e ex-se­na­dor Jo­a­quim Ro­riz quer vol­tar ao po­der. O pe­e­me­de­bis­ta não se can­sou da vi­da pa­la­cia­na. Há pro­ble­mas sé­rios na sua pre­ten­são: o PMDB, seu par­ti­do, ma­jo­ri­ta­ria­men­te pre­fe­re se ali­ar a Ar­ru­da, que tem re­a­li­za­do um go­ver­no bem es­tru­tu­ra­do, pla­ne­ja­do e que vem re­cu­pe­ran­do aos pou­cos o enor­me es­tra­go cau­sa­do pe­las po­pu­lis­tas ad­mi­nis­tra­ções de Ro­riz.
A bri­ga é feia. Jo­a­quim Ro­riz tem tra­ba­lha­do nos bas­ti­do­res pa­ra le­var a di­re­ção na­ci­o­nal do PMDB a in­ter­vir na fi­li­al do DF, ti­ran­do o de­pu­ta­do Ta­deu Fi­li­pel­li do co­man­do da si­gla. Os dois eram ali­a­dos an­ti­ga­men­te, mas ago­ra Fi­li­pel­li en­ten­de que Ar­ru­da de­ve con­ti­nu­ar no co­man­do do Pa­lá­cio das Águas Cla­ras. O pre­si­den­te do PMDB do DF de­vol­veu ao par­ti­do sua an­ti­ga im­por­tân­cia po­lí­ti­ca, e tal­vez se­ja is­so que in­co­mo­da tan­to os ro­ri­zis­tas.

Pres­tí­gio — Fi­li­pel­li é ar­ro­ja­do e tem cres­ci­do na Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos, on­de pre­si­de a CCJ, Co­mis­são de Cons­ti­tu­i­ção e Jus­ti­ça, a mais im­por­tan­te co­mis­são te­má­ti­ca do par­la­men­to. Além dis­so, tem li­vre trân­si­to jun­to ao co­man­do do PMDB, em ní­vel na­ci­o­nal, e com os de­mais par­ti­dos bem si­tu­a­dos no ta­bu­lei­ro bra­si­li­en­se, co­mo o DEM e o PT. Sua si­tu­a­ção é tão con­for­tá­vel que po­de­rá es­co­lher o car­go nu­ma even­tual co­li­ga­ção com Ar­ru­da, de vi­ce-go­ver­na­dor ou se­na­dor.

É es­sa tran­qui­li­da­de den­tro do PMDB que Ro­riz vem ame­a­çan­do ao ten­tar que­brar a apa­ren­te har­mo­nia exis­ten­te no ce­ná­rio prin­ci­pal da po­lí­ti­ca do DF. Sua ten­ta­ti­va de re­tor­no ao Pa­lá­cio, mes­mo con­tra as li­de­ran­ças pe­e­me­de­bis­tas, não tem gran­des sim­pa­ti­as fo­ra do seu pró­prio ei­xo de atu­a­ção. Por in­crí­vel que pos­sa pa­re­cer, Jo­a­quim Ro­riz pre­ci­sou do apoio do PMDB de Go­i­ás, que so­nha com o apoio de­le a Iris Re­zen­de na Re­gi­ão do En­tor­no nas elei­ções do ano que vem, até pa­ra pe­dir a in­ter­ven­ção na­ci­o­nal no PMDB do DF. Ou se­ja, Ro­riz vi­ve um iso­la­men­to qua­se to­tal in­ter­na­men­te.

De Go­i­ás, Adib Eli­as, pre­si­den­te em exer­cí­cio do PMDB re­gi­o­nal, aten­deu ao pe­di­do de Ro­riz, mas é pou­co pro­vá­vel que a di­re­ção na­ci­o­nal op­te pe­la in­ter­ven­ção e afas­ta­men­to de sua prin­ci­pal es­tre­la em as­cen­são, que é Fi­li­pel­li. O cli­ma en­tre as du­as fi­li­ais do PMDB, no en­tan­to, não an­da na­da bom.
Pa­ra Ar­ru­da e os de­mais par­ti­dos que lhe ga­ran­te go­ver­na­bi­li­da­de, o pe­di­do de in­ter­ven­ção re­pre­sen­ta tu­do aqui­lo que se ima­gi­na­va de­fi­ni­ti­va­men­te afas­ta­do da prá­ti­ca po­lí­ti­ca na ca­pi­tal do Bra­sil: o mo­de­lo an­ti­go e au­to­ri­tá­rio de agir po­li­ti­ca­men­te. E es­se é exa­ta­men­te o ris­co de se ter mais uma vez Jo­a­quim Ro­riz no co­man­do do GDF.

Nas ou­tras ve­zes em que co­man­dou o Pa­lá­cio, Jo­a­quim Ro­riz im­plan­tou o mai­or pó­lo de atra­ção de po­pu­la­ções mi­gran­tes do Bra­sil, do­an­do lo­tes ur­ba­nos aos mi­lha­res. O re­sul­ta­do des­sa po­lí­ti­ca é a que se ob­ser­va ho­je nas ci­da­des sa­té­li­tes de Bra­sí­lia e na re­gi­ão go­i­a­na do En­tor­no: po­pu­la­ções imen­sas, de­man­das in­con­tá­veis e in­ca­pa­ci­da­de de o Es­ta­do ban­car a fes­ta da mi­gra­ção des­con­tro­la­da pro­mo­vi­da pe­lo pe­e­me­de­bis­ta.

Já Ar­ru­da é uma das gran­des es­tre­las na­ci­o­nais do DEM pe­la for­ma ar­ro­ja­da e pla­ne­ja­da com que mon­tou sua equi­pe ad­mi­nis­tra­ti­va. O GDF, com ele, va­lo­ri­zou a mo­der­ni­za­ção das re­la­ções ins­ti­tu­ci­o­nais, ao con­trá­rio do que ocor­ria nos tem­pos de Ro­riz. Uma de su­as pri­mei­ras me­di­das, por exem­plo, foi ado­tar o am­bi­en­te co­le­ti­vo pa­ra as se­cre­ta­rias. An­tes, era ca­da um no seu ga­lho, sem qual­quer pos­si­bi­li­da­de de co­ne­xão ad­mi­nis­tra­ti­va.

Mas é exa­ta­men­te pe­la in­fle­xi­bi­li­da­de no cam­po do po­pu­lis­mo que tor­na a dis­pu­ta en­tre Ro­riz e Ar­ru­da tão aper­ta­da. O de­mo­cra­ta so­bra na dis­pu­ta con­tra o pe­e­me­de­bis­ta nas ci­da­des e no Pla­no Pi­lo­to, mas per­de quan­do o con­fron­to ocor­re nos bair­ros re­sul­tan­tes da mi­gra­ção dos anos 90, co­mo o Sa­mam­baia, ou nas ci­da­des go­i­a­nas do En­tor­no, on­de Ro­riz per­ma­ne­ce mui­to for­te por con­tro­lar to­dos os par­ti­dos de sua in­flu­ên­cia sob ré­de­as cur­tas.

Nem as inú­me­ras de­nún­cias con­tra Jo­a­quim Ro­riz afe­ta­ram sua po­pu­la­ri­da­de en­tre os mais ca­ren­tes. Pa­ra se ter uma idéia, Ro­riz de­ve ter si­do o se­na­dor da Re­pú­bli­ca de man­da­to mais cur­to de to­da a his­tó­ria, ao re­nun­ci­ar após de­nún­cias apu­ra­das atra­vés de gram­pos te­le­fô­ni­cos so­bre frau­des no BRB, o ban­co es­ta­tal do GDF, em ju­lho de 2007, pou­co mais de cin­co mes­es após to­mar pos­se no car­go. O pre­si­den­te do BRB du­ran­te oi­to anos de sua ad­mi­nis­tra­ção che­gou a ser pre­so.

En­quan­to as ad­mi­nis­tra­ções de Ro­riz fa­ve­li­za­ram o DF, Ar­ru­da cor­tou 22 Se­cre­ta­rias de Es­ta­do, de­mi­tiu 16 mil fun­cio­ná­rios co­mis­sio­na­dos e co­lo­cou as con­tas em dia. Des­de o pri­mei­ro ano de ad­mi­nis­tra­ção, Ar­ru­da es­ta­be­le­ceu al­gu­mas me­tas, co­mo a der­ru­ba­da de edi­fí­ci­os cons­tru­í­dos de for­ma ir­re­gu­lar, e o iní­cio da le­ga­li­za­ção de con­do­mí­nios.

As di­fe­ren­ças en­tre Ro­riz e Ar­ru­da são imen­sas. Am­bos re­nun­ci­a­ram a man­da­tos de se­na­dor. Ro­riz, por cau­sa de de­nún­cias de frau­des no BRB. Ar­ru­da, por ter vis­to uma lis­ta de vo­ta­ção de se­na­do­res. A mo­ti­va­ção da sa­í­da dos dois do Se­na­do foi to­tal­men­te di­fe­ren­te. Ro­riz re­nun­ciou e se ca­lou so­bre as de­nún­cias con­tra ele. Ar­ru­da não ape­nas ad­mi­tiu ter ti­do aces­so à lis­ta de vo­ta­ção co­mo re­co­nhe­ceu ter er­ra­do. Re­nun­ciou ao man­da­to, foi elei­to de­pu­ta­do fe­de­ral mais bem vo­ta­do de Bra­sí­lia dois anos de­pois, e dis­pu­tou o go­ver­no do DF em 2006, sen­do elei­to com mais de 50 por cen­to dos vo­tos.

Na po­lí­ti­ca de Bra­sí­lia, Jo­sé Ro­ber­to Ar­ru­da vem re­pre­sen­tan­do o no­vo, o mo­der­no. Jo­a­quim Ro­riz, ao con­trá­rio, não emi­te qual­quer de­mons­tra­ção de que se re­ci­clou po­li­ti­ca­men­te. O DF, por­tan­to, vi­ve pre­vi­a­men­te um dra­ma: man­ter o pla­ne­ja­men­to es­tra­té­gi­co do go­ver­no ou re­tor­nar ao mo­do im­pro­vi­sa­do de ad­mi­nis­trar so­bre ações po­pu­lis­tas. O pi­or nis­so tu­do é que o re­tor­no de Ro­riz im­pli­ca di­re­ta­men­te ris­cos de mais pro­ble­mas até pa­ra as ci­da­des go­i­a­nas do En­tor­no, vi­ti­mi­za­das ao lon­go dos três man­da­tos de­le pe­la cres­cen­te fa­ve­li­za­ção, que trans­for­mou a re­gi­ão num bar­ril lo­ta­do de pól­vo­ra so­ci­al pres­tes a ex­plo­dir de vez.

Fonte: Opção.

Larry Rother não mora mais no Brasil

O gringo colocou o dedo na ferida

Larry Rother, ex-correspondente do “New York Times”, foi embora, mas ainda é um dos mais argutos observadores das mazelas brasileiras

Bruno Veiga













Larry Rother, jornalista: "Não sinto falta da bagunça e das carteiradas"

O jor­na­lis­ta Larry Ro­ther vol­tou a vi­ver nos Es­ta­dos Uni­dos no ano pas­sa­do, de­pois de tem­po­ra­das no Bra­sil que so­mam qua­se du­as dé­ca­das. Co­mo cor­res­pon­den­te do “New York Ti­mes” se­di­a­do no Rio de Ja­nei­ro (des­de o fi­nal dos anos 70) e ca­sa­do com uma bra­si­lei­ra, Ro­ther vi­veu mo­men­tos im­por­tan­tes da his­tó­ria do pa­ís (co­mo a di­ta­du­ra mi­li­tar e a re­de­mo­cra­ti­za­ção), man­ten­do um ar­gu­to sen­so de ob­ser­va­ção dos even­tos e dos cos­tu­mes bra­zu­cas. A re­vis­ta “Po­der — Joyce Pas­cowitch” (re­vis­ta­po­der.uol.com.br) des­te mês traz uma en­tre­vis­ta in­te­res­san­te com o re­pór­ter grin­go. So­bre Ro­ther, a mí­dia lo­cal gos­ta de abrir man­che­tes com o ca­so de sua qua­se ex­pul­são, em 2004, quan­do es­cre­veu so­bre os há­bi­tos etí­li­cos do pre­si­den­te Lu­la da Sil­va. É uma bo­ba­gem.
O ame­ri­ca­no tem coi­sas mui­to mais re­le­van­tes a fa­lar so­bre es­se es­tra­nho mun­do ver­de-ama­re­lo.

Uma des­sas coi­sas in­te­res­san­tes vem lo­go no co­me­ço da en­tre­vis­ta (fei­ta por Dé­bo­ra Mam­ber e Ro­dri­go Le­vi­no, di­re­to de No­va York). Per­gun­tam do que ele sen­te fal­ta do Bra­sil, após um ano vi­ven­do na Big Ap­ple. Ro­ther não ti­tu­beia e ci­ta pra­ze­res sim­ples: quei­jo mi­nas, go­i­a­ba­da e água de co­co (do sa­bo­ne­te Phe­bo, diz que ain­da não sen­te fal­ta por­que le­vou um es­to­que). E do que dá gra­ças a Deus por ter se li­vra­do: “Não sin­to fal­ta da ba­gun­ça de mo­do ge­ral.
Es­pe­ci­fi­ca­men­te de pes­so­as que fu­ram fi­la, que é al­go im­pen­sá­vel nos Es­ta­dos Uni­dos. Tam­bém não sin­to fal­ta do ´sa­be com quem vo­cê es­tá fa­lan­do?´. Acho que a vi­da nos EUA é um pou­co mais de­mo­crá­ti­ca”. De le­ve e tal­vez sem que­rer, o grin­go foi na veia, re­vol­veu os mais pro­fun­dos pro­ble­mas na­ci­o­nais.
Qua­se tri­vi­al, co­mo se es­ti­ves­se co­men­tan­do so­bre o mo­vi­men­to do Cen­tral Park, Ro­ther ex­pli­cou o Bra­sil em pou­quís­si­mas pa­la­vras.

Pa­ra en­ten­der es­te pa­ís e seus gran­des di­le­mas, nem é pre­ci­so pros­se­guir na re­vis­ta e ler os dois tex­tos (de De­mé­trio Mag­no­li e Rai­mun­do Car­re­ro) acer­ca da cri­se Jo­sé Sar­ney, sen­do o pri­mei­ro um pe­tar­do qua­se de­mo­li­dor so­bre o pre­si­den­te do Se­na­do. Pa­re­ce, por exem­plo, que to­dos os even­tos po­lí­ti­cos re­le­van­tes da se­ma­na pas­sa­da es­tão con­ti­dos nes­sa aná­li­se fru­gal de Ro­ther: ba­gun­ça e fal­ta de de­mo­cra­cia. O Se­na­do (su­as ins­tân­cias se­cre­tas e nem tão se­cre­tas, co­mo o seu Con­se­lho de Éti­ca), o con­cla­ve es­pú­rio Lu­la-Sar­ney-Re­nan-Col­lor, fal­si­da­des da mi­nis­tra-can­di­da­ta, a cri­se no PT e o que mais sur­gir no meio do la­ma­çal. Tu­do po­de ser de­co­di­fi­ca­do pe­la his­tó­ri­ca ca­rên­cia de um mí­ni­mo de or­to­do­xia e re­pu­bli­ca­nis­mo nas re­la­ções de po­der. No meio des­sa zo­na, a im­pres­são é a de que na­da do es­pa­ço po­lí­ti­co no Bra­sil exis­te mes­mo en­quan­to coi­sa co­le­ti­va. É “de­les” e não do po­vo.

Fu­rar fi­las e dar car­tei­ra­das po­dem, in­fe­liz­men­te, ser fe­nô­me­nos tí­pi­cos do co­ti­dia­no do Pa­ís. No li­vro “A ca­be­ça do bra­si­lei­ro”, o so­ci­ó­lo­go Al­ber­to Car­los Al­mei­da ex­pli­ca (com pes­qui­sas) co­mo a cul­tu­ra da ma­lan­dra­gem e do jei­ti­nho es­tá en­fro­nha­da na so­ci­e­da­de bra­si­lei­ra (e co­mo is­so se re­fle­te no “efei­to te­flon”, que pro­te­ge a ima­gem de Lu­la dos es­cân­da­los de sua ad­mi­nis­tra­ção). Por es­se ra­ci­o­cí­nio, se­ria pos­sí­vel abra­çar aque­la des­gas­ta­da te­se de que a clas­se po­lí­ti­ca é ape­nas um re­fle­xo do que é a co­le­ti­vi­da­de. Mas não é is­so que se pro­põe aqui. Es­sa te­se ten­ta ape­nas jus­ti­fi­car ou ame­ni­zar a ação e a cul­pa­bi­li­da­de dos man­da­tá­rios. É ló­gi­co que exis­tem ex­ce­ções em to­das as es­fe­ras — e elas de­vem ser enal­te­ci­das, pois são a úni­ca es­pe­ran­ça de uma sa­í­da de­mo­crá­ti­ca pa­ra o pa­ís. Mas o que se quer di­zer aqui é que es­sas al­mas di­fe­ren­tes for­mam uma pe­que­na mi­no­ria.

A po­lí­ti­ca no Bra­sil (in­clu­in­do exe­cu­ti­vo e le­gis­la­ti­vo) dá mos­tras de es­tar qua­se in­tei­ra­men­te to­ma­da pe­lo re­gi­me do in­te­res­se pró­prio. Co­mo diz Ro­ther em ou­tro tre­cho da en­tre­vis­ta, fal­ta ao Bra­sil um pro­je­to de lon­go pra­zo. É is­so mes­mo e tem a ver com a ba­gun­ça e a fal­ta de de­mo­cra­cia. Os pro­je­tos po­lí­ti­cos pa­re­cem ser in­te­gral­men­te pes­so­ais: pro­je­tos de po­der, e não “pro­je­tos de pa­ís”. Mai­or pro­va des­se fe­nô­me­no é a re­la­ção de Lu­la com o seu PT. Al­guns ci­en­tis­tas po­lí­ti­cos já co­me­çam a clas­si­fi­car es­sa re­la­ção co­mo vam­pi­res­ca: o pre­si­den­te usa a le­gen­da (e a de de­mais ali­a­dos) a seu bel pra­zer (ig­no­ran­do ide­o­lo­gi­as e pro­gra­mas) pa­ra ga­ran­tir a exe­cu­ção de seu pro­je­to pes­so­al. Pro­je­to es­se que, no mo­men­to, é se per­pe­tu­ar no po­der, ele­gen­do uma can­di­da­ta que (sem a po­pu­la­ri­da­de de seu men­tor) não ga­nha­ria nem uma elei­ção de sín­di­co.

In­te­gri­da­de, co­e­rên­cia, dig­ni­da­de, bem co­mum, organização — con­cei­tos pu­e­ris de­mais pa­ra os an­tros nos qua­is a re­al po­lí­ti­ca vem sen­do ope­ra­da em Bra­sí­lia. Al­go pre­ci­sa ser fei­to e se al­guém pen­sar que es­sa mu­dan­ça só acon­te­ce­rá por meio do vo­to, é por­que os bra­si­lei­ros não apren­de­ram a prin­ci­pal das li­ções. Es­sa li­ção é tão sim­pló­ria quan­to a go­i­a­ba­da de Larry Ro­ther: a ori­gem de to­dos os ma­les é jus­ta­men­te o ob­scu­ran­tis­mo. É a fal­ta de de­mo­cra­cia. De­mo­cra­cia de ver­da­de.

Fonte: Opção.

Agricultura x ideologia

A moderna agropecuária brasileira é um caso inegável de sucesso. Apesar disso, há quem diga que nosso modelo está errado.

AS IDEIAS nascem com a finalidade de interpretar a nossa existência e guiar os nossos comportamentos. Com muita frequência na história humana, as condições de nossa existência mudam, mas ideias antigas, mesmo tendo perdido sua relação com o mundo real e se tornado imprestáveis para interpretá-lo e compreendê-lo, conseguem uma sobrevida na mente de algumas pessoas ou grupos sociais. Esse pensamento surge a propósito de alguns discursos políticos que, mesmo confinados a territórios ideológicos restritos, podem eventualmente produzir alguma confusão, apesar de serem irremediavelmente anacrônicos.

A moderna agropecuária brasileira é um caso inegável de sucesso. Parece impossível contestar seriamente esse fato se nos valermos exclusivamente dos dados da realidade.

Enquanto a economia brasileira nos últimos 40 anos experimentou muitos altos e baixos, passando longos períodos de baixo crescimento, a produção rural do Brasil cresceu forte e regularmente durante todo esse tempo.

Na realidade, a produção rural brasileira comportou-se dentro de nossa economia como um mundo à parte. Esse crescimento nos permitiu atender a praticamente toda a demanda interna de alimentos, mesmo com o aumento da população e da renda, e ainda gerar importantes excedentes para exportação, sem o que nossas contas externas teriam sofrido uma dramática inversão, com fortes deficits na balança comercial e as inevitáveis crises cambiais.

A produção agropecuária do Brasil obteve esse desempenho adotando as modernas formas de organização capitalista de produção, empregando as mais novas técnicas e fatores de produção e integrando-se aos mercados e ao processo de globalização.

Apesar disso, há quem continue proclamando que nosso modelo está errado e precisa ser totalmente reformado. Recentemente, por exemplo, o ministro do Desenvolvimento Agrário declarou, referindo-se aos produtores rurais: "(...) esses senhores feudais não podem dispor da terra como quiserem, sem levar em conta a questão da produção de alimentos".

Diante dessas palavras, alguém poderia imaginar que a agricultura brasileira não produz o suficiente para atender a demanda da população, quando a verdade é exatamente o contrário.

O Brasil produz muito mais alimentos do que consome. A prova disso é que os preços agrícolas têm caído sistematicamente em termos reais e ainda produzimos elevados excedentes para exportação. Somos de fato um dos maiores exportadores de alimento do mundo. Será que somos isso, senhores feudais? Essas críticas, na verdade, são fruto de um pensamento puramente ideológico, numa discussão em que o que vale não são os argumentos, mas as identidades políticas.

Essas críticas partem dos que não se conformam com a marcha do mundo, dos que não podem admitir que a agricultura seja principalmente uma atividade produtiva, sensível às leis da economia, orientada para o mercado, o lucro e o crescimento.

Por essa ideologia, com fortes traços de fundamentalismo e nostalgia de um mundo que nunca houve, a unidade natural na agricultura só pode ser a fazenda familiar, que produz segundo métodos tradicionais, sem tecnologia nem insumos modernos, numa escala reduzida que torne desnecessária a contratação de trabalho assalariado.

Seriam formas pré-capitalistas de produção, que trariam de volta as virtudes e as belezas de um passado feliz que o progresso e os mercados estão destruindo. Quem experimentou esse caminho viu-se em sérias dificuldades. A revolução agrária socialista de Mao Tsé-tung matou de fome e privação dezenas de milhões de pessoas, enquanto durou.

Em Cuba, onde estão fielmente cumpridas essas condições idílicas por que lutam certos movimentos agrários, sem propriedade privada da terra, sem insumos modernos, sem fertilizantes e defensivos agrícolas, sem agronegócio e sem capitalismo, 80% do consumo doméstico de alimentos é atendido com importações, e os alimentos mais nobres são racionados ou vendidos no mercado negro.

Será algo assim que devemos querer para nós ou trata-se de algo mais grave -a compulsão para o abismo, que já arrastou tanta gente e tantas nações para os caminhos da insensatez e do desastre?

O mundo e as coisas são como são, e não como os imaginamos em nossa cabeça. Só a economia de mercado pode proporcionar a cada um e a todos a segurança da propriedade e da riqueza adquirida legitimamente e um horizonte de progresso pessoal. As pessoas têm o direito de não ser pobres, inclusive no campo.

* KÁTIA ABREU, 47, psicóloga, é senadora pelo DEM-TO e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
** Artigo publicado no Jornal Folha de S. Paulo em 21/08/2009.

Governo e aposentados ainda discutem reajuste

Impasse para acordo é projeto, em tramitação na Câmara, do fim do fator previdenciário

Houve avanços dos dois lados, mas o impasse continua entre as centrais sindicais e o governo que tentam fechar um acordo para o aumento real dos 8 milhões de aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo.


Na reunião da semana passada, governo não formalizou índice para reajuste e condicionou aumento à retirada de projetos em tramitação no Congresso. Foto: Antonio Cruz/ABr

A pedra no caminho é o projeto de lei que extingue o fator previdenciário, aprovado pelo Senado, e que deve ser votado pela Câmara dos Deputados. Na reunião de ontem, em Brasília, o governo manteve a decisão de vetar a proposta. As centrais apresentaram um pacote de medidas alternativas para evitar perdas com a aplicação do redutor. Hoje, a partir das 18h, está marcada nova reunião entre as partes para bater o martelo das negociações.

Na reunião que durou mais de cinco horas, a Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap) apresentou ao secretário-geral da Presidência Luiz Dulce e ao ministro da Previdência José Pimentel, uma proposta de reajuste de 7% das aposentadorias e pensões em 2010 para os que ganham acima do saláriomínimo. A fórmula inclui a reposição da inflação anual acrescido de 50% do aumento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 e 2011. Os representantes do governo não se posicionaram sobre índice de reajuste.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) defendeu uma proposta de valorização e recuperação permanente das aposentadorias e pensões nos próximos dois anos. "A nossa proposta inclui uma cesta de benefícios que vai além da reposição das perdas. Inclui uma política de medicamentos, transportes e as garantias do Estatuto dos Idosos", defende o Secretário Geral da CUT, Quintino Severo. Segundo o sindicalista, o governo absorveu as sugestões das centrais.

Em relação ao projeto de lei nº 4.434, que trata da recomposição retroativa dos benefícios dos segurados que ganham acima do mínimo, o governo admite negociar a tramitação da proposta no Congresso. Quanto ao projeto nº 01 que prevê o mesmo índice de reajuste para todos os aposentados e pensionistas, a Cobap compreende que a proposta perde o sentido se houver ganho real a partir de 2010.

Na negociação do fim do fator previdenciário, as centrais encaminharam duas propostas ao governo. A primeira delas prevê a estabilidade no emprego por dois anos dos trabalhadores que estejam prestes a se aposentar com o pagamento das contribuições previdenciárias pelo empregador. A segunda garantiria ao empregado que cumpre aviso prévio ou esteja recebendo o seguro desemprego, o recolhimento do INSS custeado pelo empregador ou pelo governo. A expectativa é que hoje seja fechado o acordo.

Blog publica a cobertura nacional sobre as negociações entre governo e aposentados

Nas reportagens abaixo, os aposetnados podem conferir a cobertura da imprensa nacional sobre mais uma rodada de negoviações entre o governo e os representantes dos aposentados e pensionistas.

Na avaliação do blog, não houve avanço significativo e resta aos aposentados permanecer com a pressão para que a Câmara dos Deputados -- o Senado já votou e aprovou -- o PL 3.299/08 que extingue o fator previdenciário, criado no governo FHC para incentivar o adiamento da aposentadoria a partir da redução do benefício.

O PL 01/07, que cria uma política de valorização do salário mínimo até 2023. Uma emenda do Senado permite o mesmo reajuste a todos os beneficiários da Previdência Social.

E a derrubada do Veto presidencial a projeto que estendeu a aposentados e pensionistas o reajuste de 16,67% concedido ao salário mínimo em 2006.

Aposentado terá ganho real quando a economia crescer

Proposta do governo. Aumento seria inflação mais a alta do PIB

BRASÍLIA. O governo sinalizou ontem que poderá atrelar o aumento real para as aposentadorias acima do salário mínimo a uma parcela da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Segundo relatos de sindicalistas envolvidos na negociação, a tendência é que o ganho real seja equivalente a 50% do crescimento do PIB, e a regra, que precisará ser aprovada pelo Congresso Nacional, seja aplicada em 2010 e em 2011.

Um acordo entre governo, centrais sindicais e aposentados deverá ser fechado hoje. Se a proposta se confirmar, além de corrigir os benefícios pela variação da inflação, o governo garantirá aumento real de 2,55% às aposentadorias em 2010. Como haverá ainda a reposição da inflação, o reajuste total ficaria próximo de 6%.

A regra de reajuste é similar à já aplicada hoje ao salário mínimo. A diferença é que, no caso do piso salarial, a variação do PIB de dois anos antes é aplicada integralmente, ou seja, além da inflação, o mínimo tem aumento de 100% do PIB.

Ontem, governo e sindicalistas não chegaram a um consenso, mesmo depois de quase seis horas de negociação. Representantes dos trabalhadores e dos aposentados trouxeram novas propostas, e o governo pediu mais tempo. Os sindicalistas informaram aos ministros que comandam as negociações (José Pimentel, da Previdênciam e Luiz Dulci, Secretaria Geral da Presidência) que não aceitam a imposição do governo para que sejam retirados quatro projetos de interesse dos aposentados em discussão no Congresso.

Na semana passada, o governo avisou que só chegaria a um acordo se, de antemão, os sindicalistas abrissem mão dos projetos. Com a negativa das centrais sindicais, o governo voltou atrás e aceitou manter uma das propostas no Legislativo: o projeto que vincula o benefício previdenciário ao número de salários mínimos na época da concessão. Esse acerto, no entanto, depende de um compromisso dos líderes dos partidos de não votar a medida no ano que vem, quando haverá eleição presidencial.

Na reunião de ontem, trabalhadores e aposentados também foram enfáticos ao defender um aumento real para os benefícios acima do salário mínimo não apenas em 2010. "Queremos uma política de valorização das aposentadorias, assim como existe o projeto para o salário mínimo. Tem de ser em 2010 e em 2011’’, declarou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. "Poderá ser um percentual do PIB. É uma proposta que foi colocada por nós e pelo governo. Pode ser 50%, 70%’’, declarou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. O acordo deverá ser fechado em torno de 50% do PIB de dois anos antes.

Novo fator
Fator 85/95
Governo e centrais sindicais também querem um novo cálculo para o tempo da aposentadoria. O chamado Fator 85/95 será uma alternativa para o atual fator previdenciário. A nova fórmula permitirá que o trabalhador se aposente quando a soma de sua idade com o tempo de contribuição for igual a 85 anos, para mulheres, e 95 anos, para homens

Número
26,6 mi
é o total de aposentadorias pagas atualmente no Brasil

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