Intervenção no Estado impede presença de homenageado do Pará

Solenidade hoje no Congresso Nacional entregaria a Medalha Mérito Legislativo 2009 ao presidente Federação da Agricultura e Pecuária do Pará - FAEPA, associada à Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil, a CNA, Carlos Xavier (na foto).

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Xavier não pode comparecer a importante homenagem por estar acompanhando a sessão do Tribunal de Justiça que acatou o pedido de intervenção federal do Pará por não cumprimento de mandatos de reintegração de posse de dezenas de fazendas invadidas por movimentos sociais em várias regiões do Estado do Pará (veja post abaixo).

A solenidade ocorre no Salão Negro do Congresso Nacional.

(Veja os indicados)

Aprovado pedido de intervenção federal no Pará

Foto: Agência Brasil


A decisão contraria o executivo estadual e cai nas mãos do STF

O Tribunal de Justiça do Estado aprovou agora há pouco a intervenção federal no Pará por conta do não cumprimento das reintegrações de posse de fazendas invadidas no Estado. Foram 21 votos a favor e apenas um contra. Agora a decisão segue para o Supremo Tribunal Federal (STF), depois para o presidente Lula.

São de oito pedidos de intervenção no Pará e todos foram julgados em bloco, de uma vez só. Os pedidos foram postos no Pleno pelo desembargador presidente do TJE-PA, Rômulo Nunes. E diante do exposto, os desembargadores visualizaram que o direito de reclamar a intervenção é válido, por isso decretaram a "admissibilidade" da intervenção.

Todos os pedidos impetrados por produtores rurais que tiveram propriedades ocupadas, foram à Justiça, conseguiram decisões que obrigam o Estado a fazer as reintegrações de posses, mas estas ainda não foram cumpridas. Os processos foram iniciados em abril deste ano.

>> O ataque do MST à fazenda Maria Bonita, em Xinguara, pode ter contribuído para a decisão dos desembargadores paraenses. Na foto, imagens das casas destruídas pelos sem terra

Na prática, os desembargadores analisaram se há motivos para que as ações prossigam. Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) aprove o pedido, a decisão será encaminhada ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva que terá que nomear um interventor para vir ao Pará com a missão de cumprir os mandados. “Estamos num Estado democrático de direito onde deve prevalecer a lei”, defende o advogado da Faepa, Carlos Platilha que fará hoje a defesa da intervenção.

Além de assinados individualmente pelos proprietários rurais, os pedidos de intervenção têm como litsconsorte (parte na ação) os sindicatos rurais dos municípios onde ficam as fazendas ocupadas, além da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Há pedidos assinados pela presidente da Confederação, senadora Kátia Abreu (DEM/TO). “Esperamos que o judiciário não protele mais essa decisão. Ninguém aqui está querendo o afastamento da governadora. Queremos que os mandados sejam cumpridos”, diz o presidente da Faepa, Carlos Xavier.
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Atualizada às 15:03

Polícia prende três líderes do MST em Xinguara
Uma operação das Polícias Civil e Militar resultou na prisão de três dos seis acusados de líderes dos ataques à fazenda Maria Bonita, em Xinguara, que resultaram em um prejuízo se mais de R$ 3 milhões em imóveis e veículos depredados. Mais informações em instantes.
(Diário Online)

Justiça acolhe cinco pedidos de intervenção federal no Estado

O Tribunal de Justiça do Pará já acolheu, em sessão ocorrida na manhã desta quarta-feira (11), cinco pedidos de requisição de intervenção federal no Estado. Os pedidos foram feitos por produtores rurais que tiveram propriedades invadidas e mandados de reintegração de posse não cumpridos no Pará. Os mandados são antigos, alguns do ano de 2005 e que não foram executados até hoje.

Leia também: Três sem terra já foram presos por vandalismo

Do total de sete pedidos de  intervenção federal impetrados na Justiça paraense, dois foram julgados como prejudicados. Perderam o sentido porque os mandados de reintegração foram cumpridos antes do julgamento do caso.

Com o acolhimento do pedido, o Tribunal de Justiça vai encaminhar o caso para o Supremo Tribunal Federal, que vai julgar o mérito da questão e decidir se aceita ou não o pedido de intervenção federal.

Redação Portal ORM

Amazônia debate projeto que restringe plantio de cana-de-açúcar

A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional realiza hoje audiência pública para discutir o Projeto de Lei 6077/09, do Poder Executivo, que regulamenta o Zoneamento Agroecológico Nacional da Cana-de-Açúcar.

O projeto também proíbe a expansão do plantio de cana-de-açúcar na Amazônia, no Pantanal e na bacia do Alto Paraguai, e veda a supressão, em todo o território nacional, de vegetação nativa para expandir esse cultivo.
O debate foi proposto pelos deputados Silas Câmara (PSC-AM) e Antonio Feijão (PSDB-AP).

Segundo Silas Câmara e Antonio Feijão, as regras determinadas pela proposta atingem 81,5% do território brasileiro. Ele destaca que, na última safra, foram produzidos 27 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul, volume colhido em uma área 16% maior do que a plantada na safra anterior.

"São mais de 320 mil hectares de canaviais, e a previsão é que até 2015 seja 1 milhão de hectares no estado", afirma. No entanto, o avanço da produção encontra obstáculos por causa das restrições que o governo pretende impor ao cultivo, ressalta Antonio Feijão.

O projeto do Executivo tramita apensado ao PL 3680/08, do deputado Pedro Eugênio (PT-PE), que limita o plantio da cana-de-açúcar às propriedades localizadas em áreas com zoneamento agroecológico que assegurem espaço para a produção de alimentos.

Foram convidados:
- o diretor do Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia da Secretaria de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Alexandre Betinardi Strapasson;
- o diretor de Zoneamento Territorial do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Vizentin;
- o secretário-executivo do Fórum Nacional Sucroenergético da Únião da Indústria da Cana-de-açúcar, Pedro Luciano;
- o consultor de agronegócio da Maity Bioenergia e do Polo de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, Alexander Estermann.

Entrevista Shimon Peres

“O Bra­sil che­gou à eli­te mun­di­al”
O pre­si­den­te de Is­ra­el disse ao Jor­nal Op­ção que apoia o Bra­sil co­mo in­te­gran­te do Con­se­lho de Se­gu­ran­ça da ONU “sem pré-con­di­ções”, que vai co­nhe­cer o Ma­ra­ca­nã e fa­la de paz e amor

HER­BERT MO­RA­ES - De Je­ru­sa­lém, Is­ra­el

Swit­zer­land

Shi­mon Pe­res: “Até a paz é fria. Que­ria que hou­ves­se mais amor en­tre as na­ções”

Na ter­ça-fei­ra, 9, o pre­si­den­te de Is­ra­el, o prê­mio No­bel da Paz Shi­mon Pe­res, do Kadima, de­sem­bar­ca no Bra­sil pa­ra uma vi­si­ta de seis di­as. É a pri­mei­ra vi­si­ta de um pre­si­den­te is­ra­e­len­se nos úl­ti­mos 40 anos. Shi­mon Pe­res vai pas­sar por Bra­sí­lia, São Pau­lo e Rio de Ja­nei­ro. A vi­si­ta tem a ver com o re­co­nhe­ci­men­to, por par­te do go­ver­no de Is­ra­el, de que o Bra­sil é uma po­tên­cia eco­nô­mi­ca e que es­tá se tor­nan­do, ao mes­mo tem­po, uma po­tên­cia po­lí­ti­ca no con­tex­to in­ter­na­ci­o­nal. Os ju­deus que­rem o Bra­sil mais pró­xi­mo de Is­ra­el e mais dis­tan­te do pre­si­den­te do Irã, Mahmoud Ahma­di­ne­jad, uma es­pé­cie de Hu­go Chá­vez do Ori­en­te. O cor­res­pon­den­te da TV Re­cord em Is­ra­el e edi­tor da co­lu­na Di­re­to do Ori­en­te, do Jor­nal Op­ção, Her­bert Mo­ra­es, en­tre­vis­tou o his­tó­ri­co lí­der de 86 anos com ex­clu­si­vi­da­de. Shi­mon Pe­res é, se­gu­ra­men­te, a prin­ci­pal fi­gu­ra po­lí­ti­ca vi­va do Es­ta­do ju­deu.
Um dos mais aten­tos re­pór­te­res do Pa­ís, Her­bert es­pe­ra­va um Shi­mon Pe­res cir­cun­spec­to. Des­co­briu um pre­si­den­te ri­so­nho, fa­lan­do de fu­te­bol, aber­to ao di­á­lo­go e que até dis­cor­re so­bre o amor.

O que o sr. es­pe­ra des­sa vi­a­gem ao Bra­sil?
No mun­do glo­ba­li­za­do vo­cê tem de es­tar em con­ta­to com to­dos os paí­ses. Prin­ci­pal­men­te os paí­ses que for­mam o no­vo mun­do, co­mo o Bric — Bra­sil, Rús­sia, Ín­dia e Chi­na. E o Bra­sil vem se des­ta­can­do ca­da vez mais co­mo lí­der mun­di­al. Há mui­to o que fa­zer e apren­der por lá. Nos­sa re­la­ção com o Bra­sil é lon­ga e mui­to boa. Mas es­te é o no­vo Bra­sil. Vo­cês fi­ze­ram uma re­for­ma eco­nô­mi­ca e atin­gi­ram a eli­te da eco­no­mia mun­di­al, com um lí­der de des­ta­que [Lula]. Que­re­mos apre­sen­tar nos­sa po­si­ção à li­de­ran­ça bra­si­lei­ra. E há tam­bém os as­pec­tos de co­o­pe­ra­ção. Não se me­de um pa­ís pe­lo ta­ma­nho, mas pe­lo de­sen­vol­vi­men­to. E há um cam­po fér­til pa­ra co­o­pe­ra­ção en­tre Is­ra­el e o Bra­sil.
Eu ou­vi que o sr. vai vi­si­tar o Ma­ra­ca­nã, o mai­or es­tá­dio de fu­te­bol do mun­do. É fã de fu­te­bol?
Sou fã do pon­to de vis­ta po­lí­ti­co. O fu­te­bol é uma boa via pa­ra se en­si­nar as cri­an­ças o ca­mi­nho pa­ra a paz. Fu­te­bol é uma guer­ra sem ví­ti­mas. É uma com­pe­ti­ção em que se po­de per­der uma vez, mas não to­das. É uma es­co­la, uma lin­gua­gem co­nhe­ci­da pe­las cri­an­ças. Nós te­mos em Israel mui­tos jo­ga­do­res, in­clu­si­ve do Bra­sil, e to­dos fa­lam a lin­gua­gem da paz — que é a lín­gua que as cri­an­ças gos­tam. Os olhos de­las bri­lham quan­do es­tão jo­gan­do. Fu­te­bol é uma men­sa­gem. Eu pre­fi­ro que os paí­ses jo­guem fu­te­bol do que se pre­o­cu­pem com o en­ri­que­ci­men­to de urâ­nio. Te­mos de co­me­çar a pen­sar na paz edu­can­do as cri­an­ças.

Nos úl­ti­mos se­te anos, o Bra­sil sem­pre vo­tou con­tra Is­ra­el na ONU. O sr. acre­di­ta que é pos­sí­vel mu­dar a po­si­ção bra­si­lei­ra nas Na­ções Uni­das. E o sr. apo­i­a­ria o Bra­sil pa­ra uma ca­dei­ra per­ma­nen­te no Con­se­lho de Se­gu­ran­ça da ONU?
Eu apoio o Bra­sil co­mo integrante do Con­se­lho de Se­gu­ran­ça da ONU sem pré-con­di­ções. O Bra­sil é uma po­tên­cia im­por­tan­te do nos­so tem­po e po­de li­de­rar ne­go­ci­a­ções de paz. La­men­to que o Bra­sil ain­da não te­nha ti­do es­ta opor­tu­ni­da­de. Se exis­te um pa­ís que es­tá lu­tan­do pe­la paz e pe­la de­mo­cra­cia é Is­ra­el. E nós nun­ca pe­di­mos pa­ra que lu­tas­sem por nós. Nem por nos­sa de­mo­cra­cia, mui­to me­nos pe­la nos­sa se­gu­ran­ça. Já ti­ve­mos no­ve guer­ras e ven­ce­mos to­das. E mes­mo as­sim não abri­mos mão da paz. De­vol­ve­mos to­dos os ter­ri­tó­rios que con­quis­ta­mos — do Egi­to, da Jor­dâ­nia, do Lí­ba­no — e va­mos de­vol­ver as ter­ras dos pa­les­ti­nos. Já dei­xa­mos Ga­za. Por­tan­to, acho que não se po­de igua­lar ter­ro­ris­mo e de­mo­cra­cia. Se não di­fe­ren­ci­ar­mos os paí­ses que fa­zem op­ção pe­la de­mo­cra­cia ou pe­lo ter­ro­ris­mo, en­tão não há co­mo dis­tin­guir o que é cer­to do que é er­ra­do.

O sr. de­ve es­tar in­for­ma­do que o pre­si­den­te Lu­la da Sil­va já es­te­ve três ve­zes no Ori­en­te Mé­dio, mas nun­ca es­te­ve em Is­ra­el. O sr. pre­ten­de re­i­te­rar um con­vi­te pa­ra que ele vi­si­te o seu pa­ís?
Vou con­vi­dar Lu­la pa­ra vi­si­tar Is­ra­el não só co­mo pre­si­den­te do Bra­sil mas co­mo lí­der mun­di­al. Nós te­mos um pas­sa­do so­ci­a­lis­ta em co­mum e co­nhe­ço suas po­si­ções. Acho que ele de­ve­ria nos vi­si­tar. So­bre a ONU há um pro­ble­ma: exis­te uma mai­o­ria que é con­tra Is­ra­el. E não tem na­da a ver com jus­ti­ça nem com po­lí­ti­ca. Se vo­cê jun­tar o blo­co ára­be e o blo­co mu­çul­ma­no, além dos afi­li­a­dos, há uma mai­o­ria que sem­pre vai vo­tar con­tra nós. En­tão, Is­ra­el não tem a mí­ni­ma chan­ce de ter mai­o­ria em qual­quer as­sun­to que se­ja vo­ta­do por lá. E, com to­do o res­pei­to, não acre­di­to que o sr. Ahma­di­ne­jad ou o sr. Muam­mar Ka­da­fi [lí­der da Lí­bia] po­dem nos jul­gar com re­la­ção a di­rei­tos hu­ma­nos. Eles não são os mai­o­res de­fen­so­res dos di­rei­tos hu­ma­nos no mun­do. Mas têm a mai­o­ria. Eles não in­ves­ti­ga­ri­am, por­tan­to, ou­tros even­tos co­mo a Che­chê­nia, o Ira­que, o Afe­ga­nis­tão. O úni­co lu­gar que que­rem in­ves­ti­gar é Is­ra­el. Até mes­mo no Irã, on­de en­for­cam pes­so­as, não há in­ves­ti­ga­ção ne­nhu­ma. Em Is­ra­el não há dis­cri­mi­na­ção con­tra as mu­lhe­res. En­tão, na ONU há uma con­tra­di­ção en­tre a Car­ta das Na­ções Uni­das e a po­lí­ti­ca que se so­bre­põe a es­ta Car­ta. Por exem­plo: exis­te um co­mi­tê de Di­rei­tos Hu­ma­nos. Se têm dez de­ba­tes, os dez se­rão so­bre Is­ra­el. É in­jus­to, não é ra­zo­á­vel. E quem são os ju­í­zes? Que eles te­nham di­rei­tos hu­ma­nos em su­as pró­pri­as ca­sas. Em pri­mei­ro lu­gar, li­ber­tem as mu­lhe­res. Até os es­cra­vos de ho­je têm uma cer­ta li­ber­da­de. Se há es­cra­vi­dão no mun­do, é a es­cra­vi­dão das mu­lhe­res. Em al­guns paí­ses são es­cor­ra­ça­das pe­los ma­ri­dos e es­cra­vas de­les. E on­de es­tão os di­rei­tos hu­ma­nos? Se al­guém quer nos ma­tar, é nos­so di­rei­to nos de­fen­der­mos.

O lí­der ira­nia­no Mahmoud Ahma­di­ne­jad con­fir­mou uma vi­si­ta ao Bra­sil tam­bém nes­te mês. Po­de-se di­zer que a sua vi­si­ta ao Bra­sil e à Ar­gen­ti­na é es­tra­té­gi­ca pa­ra a po­lí­ti­ca ex­ter­na is­ra­e­len­se?
Não acho. A mi­nha vi­si­ta tem co­mo ob­je­ti­vo e te­ma prin­ci­pal a re­la­ção en­tre Bra­sil e Is­ra­el. Não vou con­du­zir de­ba­tes com o sr. Ahma­di­ne­jad no Bra­sil. Is­so, nós po­de­mos fa­zer no Ori­en­te Mé­dio.

O fa­to de a Ve­ne­zu­e­la ter si­do apro­va­da co­mo um dos in­te­gran­tes do Mer­co­sul e de apo­i­ar o Irã co­lo­ca em pe­ri­go a re­la­ção de Is­ra­el com o blo­co, já que Is­ra­el é o mai­or par­cei­ro do Ori­en­te Mé­dio pa­ra o Mer­co­sul?
O pro­ble­ma é da Amé­ri­ca La­ti­na— não é nos­so. Se as­su­mir o co­man­do do Mer­co­sul, um líder extremista po­de mu­dar a Amé­ri­ca La­ti­na, que já al­can­çou mais ou me­nos um sta­tus de­mo­crá­ti­co e uma de­mo­cra­cia eco­nô­mi­ca. Ago­ra tem de se tor­nar uma de­mo­cra­cia po­lí­ti­ca. Mas é um problema se a eco­no­mia pas­sa a ser go­ver­na­da pe­la po­lí­ti­ca pa­ra ser­vir aos ide­ais do sr. Hu­go Chá­vez [presidente da Venezuela]. A pro­pó­si­to, há coi­sas que Chávez diz com as qua­is eu sim­pa­ti­zo, co­mo evi­tar can­tar no chu­vei­ro. É uma óti­ma idéia [ri­sos]. Mui­to me­nos nu­ma Ja­cuz­zi [ri­sos]. Ele diz que is­to é an­tis­so­ci­a­lis­mo e eu con­cor­do. Não sou con­tra tu­do o que diz, mas sou contrário a idéi­as mi­ra­bo­lan­tes de co­mo go­ver­nar o mun­do.

O sr. tem um pas­sa­do so­ci­a­lis­ta. É fun­da­dor do Avo­dá, o Par­ti­do Tra­ba­lhis­ta de Is­ra­el. O que acha des­ta on­da so­ci­a­lis­ta que varre a Amé­ri­ca do Sul?
Não acre­di­to que a Amé­ri­ca do Sul vá se tor­nar so­ci­a­lis­ta. A Amé­ri­ca do Sul é to­le­ran­te. Há tolerância entre bran­cos e ne­gros, entre po­bres e ri­cos e entre so­ci­e­da­des de­sen­vol­vi­das e não de­sen­vol­vi­das. Tu­do is­so vai ser jo­ga­do fo­ra em no­me de uma di­ta­du­ra? Te­mos de dis­tin­guir o que é so­ci­a­lis­mo e o que é di­ta­du­ra. Há mui­tos lí­de­res que se di­zem so­ci­a­lis­tas mas, na ver­da­de, são di­ta­do­res. A Amé­ri­ca do Sul já so­freu com a di­ta­du­ra. Não acre­di­to que as pes­so­as que­rem is­so de vol­ta. Além do que não há co­mo com­pe­tir com o res­to do mun­do sob uma di­ta­du­ra. Se vo­cê não ti­ver uma eco­no­mia li­vre não vai des­fru­tar de um mer­ca­do li­vre. A for­ça da Ve­ne­zu­e­la é o pe­tró­leo. Mas o pe­tró­leo tem su­as li­mi­ta­ções e co­lo­ca em pe­ri­go o pen­sa­men­to dos po­vos que o pos­su­em. Além de po­lu­ir o mun­do, tor­na a eco­no­mia ins­tá­vel. O bar­ril de pe­tró­leo custa em tor­no de 140 dó­la­res. Pa­ra quem vai es­se di­nhei­ro? Pa­ra os po­bres da Áfri­ca? O pe­tró­leo não é pro­du­zi­do — é des­co­ber­to. Es­sa ri­que­za mun­di­al é usa­da pa­ra fins po­lí­ti­cos. O Bra­sil, por exem­plo, pos­sui al­ter­na­ti­vas não po­lu­en­tes. O pe­tró­leo não é o fu­tu­ro, e sim o pas­sa­do. Há ou­tras ener­gi­as al­ter­na­ti­vas. Is­ra­el não tem pe­tró­leo, não te­mos água, não te­mos ter­ras. O Ori­en­te Mé­dio es­tá di­vi­di­do em dois ti­pos de paí­ses: os que têm pe­tró­leo e os que são sa­gra­dos. Nós so­mos do gru­po dos sa­gra­dos. Mes­mo sem pe­tró­leo, nos­sa eco­no­mia es­tá num ní­vel mui­to mais al­to do que os que pos­su­em. Há mui­tos ju­deus que di­zem: “Por que Deus não nos le­vou pa­ra um lu­gar que ti­ves­se pe­tró­leo? Por que não nos le­vou pa­ra on­de é a Ará­bia Sa­u­di­ta e sim pa­ra um lu­gar on­de não há na­da?” Eu di­go: gra­ças a Deus. Por­que o pe­tró­leo mi­na, es­tra­ga as pes­so­as. Pa­ra nós, é me­lhor pen­sar e tra­ba­lhar. E des­fru­tar­mos de nos­sas con­quis­tas e ta­len­tos.

O sr. tem uma vi­si­ta agen­da­da na Pe­tro­brás. Pre­ten­de ne­go­ci­ar o pe­tró­leo bra­si­lei­ro?
Com re­la­ção ao pe­tró­leo bra­si­lei­ro te­mos de ver co­mo o Bra­sil vai se com­por­tar. Se o Bra­sil usar o pe­tró­leo co­mo o Irã ou a Ve­ne­zu­e­la, com o in­tui­to de con­quis­tar ou­tras na­ções, vai es­tar er­ra­do. Se aju­dar a com­ba­ter a po­bre­za de ou­tros paí­ses e sua pró­pria de­si­gual­da­de, estará agindo com justiça. Se Lu­la bus­car eli­mi­nar a po­bre­za e a ig­no­rân­cia com a for­ça do pe­tró­leo, o pré-sal te­rá si­do uma bên­ção. O pe­tró­leo não faz po­lí­ti­ca. Po­vos que têm pe­tró­leo fa­zem po­lí­ti­ca. E se mes­mo as­sim o Bra­sil con­ti­nu­ar na lu­ta con­tra a po­lu­i­ção do meio am­bi­en­te, en­tão o acha­do é uma dá­di­va.

Pre­si­den­te diz que Is­ra­el “não” vai ata­car o Irã
O Irã in­sis­te em não ne­go­ci­ar o seu pro­je­to nu­cle­ar. O sr. ain­da acre­di­ta num acor­do di­plo­má­ti­co? Se não hou­ver, Is­ra­el ata­ca­ria o Irã so­zi­nho?
Is­ra­el não vai ata­car nin­guém. Há ou­tras so­lu­ções e, en­quan­to exis­ti­rem, se­rão pre­fe­ri­das. As op­ções di­plo­má­ti­cas, po­lí­ti­cas e eco­nô­mi­cas são as que es­tão va­len­do nes­se mo­men­to. Não acre­di­to que quan­do há uma si­tu­a­ção de pe­ri­go a so­lu­ção é pe­gar uma pis­to­la e sa­ir ati­ran­do.
O pre­si­den­te da Au­to­ri­da­de Pa­les­ti­na, Mahmoud Ab­bas, diz que não vai ne­go­ci­ar com Is­ra­el en­quan­to a ex­pan­são dos as­sen­ta­men­tos ju­dai­cos na Cis­jor­dâ­nia não for in­ter­rom­pi­da. Is­ra­el tam­bém já dis­se que não ne­go­cia com pré-con­di­ções. Co­mo avan­çar em di­re­ção a um acor­do de paz en­tre is­ra­len­ses e pa­les­ti­nos? Ain­da há chan­ces pa­ra a paz?
Acre­di­to 100% nu­ma so­lu­ção de paz com os pa­les­ti­nos. Te­nho cer­te­za de que is­so vai acon­te­cer em bre­ve. Não acre­di­to que se­rá re­sol­vi­do em dois anos, co­mo es­pe­ra a ad­mi­nis­tra­ção ame­ri­ca­na, mas es­se pra­zo po­de ser um co­me­ço. Tal­vez se­ja va­ga­ro­so ou até mes­mo mais rá­pi­do. Mas te­mos de co­me­çar de al­gu­ma ma­nei­ra. E o me­lhor é ne­go­ci­ar do que ame­a­çar um ao ou­tro. As ne­go­ci­a­ções vão co­me­çar em bre­ve.

Co­mo o sr. vê a atu­a­ção de Binya­min Ne­tanya­hu co­mo pri­mei­ro-mi­nis­tro e o go­ver­no de di­rei­ta na po­lí­ti­ca is­ra­e­len­se?
O blo­co de di­rei­ta con­ti­nua sen­do de di­rei­ta, mas sem o blo­co [ri­sos]. No mo­men­to em que o pri­mei­ro-mi­nis­tro acei­tou a so­lu­ção pa­ra dois Es­ta­dos foi o fim da di­rei­ta. Por­que o ver­da­dei­ro de­ba­te en­tre a di­rei­ta e a es­quer­da is­ra­e­len­se era jus­ta­men­te a so­lu­ção pa­ra dois Es­ta­dos. A di­vi­são das ter­ras com os pa­les­ti­nos. No mo­men­to em que a di­rei­ta aban­do­nou a idéia do “Gran­de Is­ra­el” e acei­tou a so­lu­ção de dois Es­ta­dos, o ma­pa mu­dou. Ne­tanya­hu já dei­xou is­so cla­ro em dis­cur­so. Acre­di­to que ele quer a paz. Nós so­mos bons ami­gos e con­ver­sa­mos on­tem à noi­te so­bre is­so. Ele é mui­to sé­rio.

O sr. acre­di­ta que Ba­rack Oba­ma po­de fa­zer a di­fe­ren­ça no Ori­en­te Mé­dio? Co­mo ga­nha­dor do Prê­mio No­bel da Paz, co­mo re­ce­beu a no­tí­cia de que ele tam­bém ga­nhou o mes­mo prê­mio? Acha que me­re­ceu?
Não há mui­to e não há pou­co. Os no­vos ven­tos não po­dem ser me­di­dos por pou­co ou mui­to. Ele ini­ciou um pro­ces­so cu­jo no­me é es­pe­ran­ça e boa von­ta­de. E num cur­to es­pa­ço de tem­po, de ma­nei­ra im­pres­sio­nan­te. Ele deu um no­vo tom. Ele me­re­ceu o prê­mio. Ele é jo­vem, bri­lhan­te, veio do na­da, não tem tra­di­ção po­lí­ti­ca, nem ex­pe­riên­cia e mes­mo as­sim con­quis­tou o mun­do. E de uma for­ma cor­re­ta. Por exem­plo, ele não tem as mes­mas am­bi­ções do sr. Chá­vez. Por­que o sr. Chá­vez quer de­ter­mi­nar quem es­tá cer­to e quem es­tá er­ra­do no mun­do e tor­nar-se um ju­iz su­pre­mo. Ba­rack Oba­ma dis­se: “To­dos nós es­ta­mos cer­tos”. Mes­mo com os que es­tão er­ra­dos, ele quer sen­tar e dis­cu­tir de uma for­ma jus­ta. Num mun­do tão con­fu­so e cheio de ten­são, sus­pei­tas e ar­mas ter­rí­veis, on­de as pes­so­as mal es­cu­tam umas as ou­tras, on­de pre­va­le­cem as guer­ras, con­fron­tos e ame­a­ças, o que es­tá fa­zen­do é um co­me­ço. De­ve ser en­ten­di­do co­mo co­ra­gem. Um no­vo co­me­ço. Não acre­di­to que vá re­sol­ver to­dos os pro­ble­mas do mun­do, mas po­de ame­ni­zar. Au­men­tar a es­pe­ran­ça. As pes­so­as são mais emo­ti­vas do que ra­ci­o­nais. E as emo­ções e im­pres­sões têm uma gran­de in­flu­ên­cia nos no­vos tem­pos. A mí­dia tem tan­ta for­ça que pode até mes­mo cri­ar si­tu­a­ções. As ações de Obama são po­si­ti­vas. Se vo­cê quer ter a paz, é pre­ci­so com­pro­mis­so. E te­mos de en­ten­der que não há quem es­te­ja to­tal­men­te cer­to ou er­ra­do. É pre­ci­so o de­ba­te. A paz é co­mo o amor: não se po­de ter ne­nhum dos dois sem fe­char um pou­co os olhos. Dei­xe a ima­gi­na­ção par­ti­ci­par. Es­tou aqui des­de o co­me­ço des­te pa­ís [Israel foi criado em 1948]. Nós pas­sa­mos por mo­men­tos ex­tre­ma­men­te di­fí­ceis. Qua­se per­de­mos guer­ras. Eu dis­se ao sr. Oba­ma: vo­cês são tão gran­des que po­dem co­me­ter qual­quer er­ro e vão con­ti­nu­ar gran­des. Nós so­mos tão pe­que­nos que, se co­me­ter­mos um er­ro, po­de­rá afe­tar to­da a nos­sa vi­da. Não que­re­mos co­me­ter er­ros — até mes­mo o de per­der uma guer­ra. Se co­me­ter­mos es­se er­ro, en­tão es­ta­mos fo­ra do jo­go. Te­mos de acre­di­tar num mun­do sem me­do, sem ar­mas de des­tru­i­ção em mas­sa e evi­tar que elas cai­am nas mãos de fa­ná­ti­cos.
De­pois de 15 anos do acor­do de paz en­tre Is­ra­el e Jor­dâ­nia, os dois paí­ses ain­da vi­vem uma re­la­ção fria. Há uma fal­ta de pers­pec­ti­va de paz com os paí­ses ára­bes. O sr. ain­da acre­di­ta na sua vi­são pa­ra “o no­vo Ori­en­te Mé­dio”?
Acre­di­to 100% na mi­nha vi­são de um “no­vo Ori­en­te Mé­dio”. Não há amor nos di­as de ho­je. Eu gos­ta­ria que hou­ves­se pe­lo me­nos amor en­tre as na­ções. Até mes­mo na Amé­ri­ca La­ti­na. A paz não é ro­mân­ti­ca. A paz não é per­fei­ta. Mes­mo as­sim, pre­fi­ro uma paz sem ro­man­tis­mo do que uma guer­ra ro­mân­ti­ca. Pre­fi­ro uma paz im­per­fei­ta do que uma guer­ra per­fei­ta. O mun­do ára­be, emo­cio­nal­men­te, é con­tra Is­ra­el, mas de uma for­ma prag­má­ti­ca sa­be que tem de fa­zer a paz com Is­ra­el. Eles têm de acei­tar es­sa ofer­ta prag­má­ti­ca, mes­mo que não ha­ja amor. To­das as guer­ras acon­te­ce­ram por cau­sa de ter­ras. São his­tó­ri­as es­cri­tas com san­gue, até mes­mo na Amé­ri­ca La­ti­na. Ho­je, as pes­so­as en­ten­de­ram que a ci­ên­cia e a tec­no­lo­gia são mais im­por­tan­tes do que a guer­ra. Exér­ci­tos não con­quis­tam sa­be­do­ria e não po­dem de­ter a dis­se­mi­na­ção do co­nhe­ci­men­to. Ve­jo is­so tam­bém en­tre os ára­bes. São se­res hu­ma­nos co­mo nós­, que não po­dem de­ter o avan­ço do co­nhe­ci­men­to e não po­dem se man­ter ex­cluí­dos da no­va era. Mui­tos jo­vens me per­gun­tam o que vai acon­te­cer nos pró­xi­mos 100 anos? Em 100 anos, vai ha­ver um no­vo mun­do ára­be e nin­guém po­de de­ter is­so. Em Is­ra­el, há 1,2 mi­lhão de ára­bes. A mai­o­ria era de agri­cul­to­res e ago­ra há pe­lo men­os 60 mil aca­dê­mi­cos. Não há hos­pi­tais em Is­ra­el que não te­nham mé­di­cos e pa­ci­en­tes ára­bes. E o hos­pi­tal con­ti­nua o mes­mo. To­dos os pro­ble­mas co­me­çam fo­ra dos hos­pi­tais. Quan­do es­ta­mos do­en­tes, vi­ve­mos em paz. Por ­que não po­de­mos vi­ver em paz quan­do es­ta­mos sa­u­dá­veis? Te­nho cer­te­za de que a paz com os ára­bes vai acon­te­cer.

O sr. es­tá com 86 anos e em óti­ma for­ma. Vi­veu e par­ti­ci­pou de to­da a his­tó­ria de Is­ra­el. Ain­da es­pe­ra ver a paz no seu tem­po de vi­da? Qua­is são os seus pla­nos pa­ra o fu­tu­ro?
Acre­di­to que vou ver a paz ain­da em vi­da, até por­que não pre­ten­do mor­rer tão ce­do [ri­sos].Ve­jo mu­dan­ças pro­fun­das no fu­tu­ro. Edu­ca­ção é a cha­ve da lu­ta con­tra as tre­vas. Nos­sos an­te­pas­sa­dos não eram idi­o­tas. Mas não ti­nham nos­sa tec­no­lo­gia. Mas, mes­mo com to­do o nos­so avan­ço, os mai­o­res de­sa­fi­os da hu­ma­ni­da­de ain­da são um mis­té­rio. Ain­da não sa­be­mos co­mo o nos­so cé­re­bro fun­cio­na, por­que o nos­so cor­po mu­da o tem­po to­do, nos­sas cé­lu­las são re­no­va­das a ca­da du­as se­ma­nas. Quem ga­ran­te que, quan­do as nos­sas cé­lu­las se mo­di­fi­cam, a tra­di­ção per­ma­ne­ce? Ain­da não co­nhe­ce­mos o nos­so cé­re­bro por­que ele é tão de­li­ca­do e ain­da não te­mos ins­tru­men­tos ca­pa­zes de es­tu­dá-lo de fa­to. Ago­ra, com a na­no­tec­no­lo­gia, te­re­mos es­sa ca­pa­ci­da­de. Nos pró­xi­mos 50 anos, nós va­mos en­ten­der o nos­so cé­re­bro e al­can­ça­re­mos um co­nhe­ci­men­to que ja­mais ima­gi­na­mos. Gos­ta­ria de es­tar aqui pa­ra ver tu­do is­so e mui­to mais acon­te­cer. O mun­do e o ser hu­ma­no são fas­ci­nan­tes.

Jornal Opção.

Governo tem pavor dos velinhos


O lobby dos aposentados pela derrubada do “fator previdenciário” e pelo reajuste das aposentadorias com base no salário mínimo é o assunto que mais preocupa a bancada governista. Muito mais do que a polêmica sobre a partilha do petróleo da camada pré-sal entre a União, estados produtores e estados não produtores. Há amplo entendimento na Câmara de que a aprovação das duas propostas pode quebrar a Previdência, como teme o governo, mas poucos querem colocar a cara na reta para “votar contra os velhinhos”.

Nove entre cada 10 caciques do PT acusam o senador Paulo Paim (PT-RS), autor dos dois projetos aprovados no Senado, de estar mais preocupado com a própria reeleição. “Esse Paim vive criando problemas para o governo, a proposta não tem cabimento”, reclama o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e amigo do presidente Lula. O senador petista não se faz de rogado. Na tribuna do Senado, um dia sim outro também, discursa pressionando os colegas da Câmara a aprovar suas propostas. Não dá bola às críticas: “Não tem uma cidade no Brasil, hoje, que não esteja debatendo a questão dos idosos, aposentados e pensionistas”, argumenta. (CB)

Trabalhadores da Saúde querem jornada de 30 horas

Está sendo divulgado em todos os gabinete do Congresso Nacional um manifesto em que os trabalhadores da Saúde pleiteiam a redução da jornada de trabalho para a categoria para 30 horas para todos os(as) trabalhadores(as) do setor. Algumas categorias profissionais do ramo da seguridade social já conquistaram essa jornada máxima.

Segundo a nota, o trabalho na saúde vai muito além da qualificação técnica. Exige do trabalhador envolvimento emocional. Nenhum outro ramo de atividade reúne tais especificidades: exposição a ambientes insalubres, lida com a fragilidade do outro e de sua família, lida com a vida do outro num momento de maior vulnerabilidade que o ser humano se encontra e muitas vezes lida com a morte do outro. E além disso, somos uma categoria formada majoritariamente por mulheres com dupla ou tripla jornada de trabalho.

"Ressaltamos ainda que o controle social através de suas instâncias também defende que a jornada na saúde não deve ultrapassar às 30 horas por entender que qualifica o serviço recebido por ele", diz a nota.

Por isso, que estamos engajados na fixação da Jornada de 30 horas, que vai proporcionar serviços com mais qualidade, profissionais menos desgastados em suas atividades e consequentemente com redução importante do índice de absenteismo. Estudos apontam que jornada na saúde maior de 6 horas diária coloca em risco a saúde do trabalhador, aumentando risco de acidente no trabalho e mais ainda coloca em risco a vida do usuário por ele assistido.

Como serviço público essencial, a saúde necessita de profissionais qualificados(as) e em permanente busca por eficiência e eficácia. Os trabalhadores(as) da saúde também terão mais tempo para capacitar-se, para o lazer, o convívio familiar, social e cultural fundamentais para a sua construção enquanto trabalhador e cidadão.

A natureza de desgaste no trabalho da saúde é evidente e começa pelo contato direto ou mesmo indireto com a população que procura os serviços em situações de vulnerabilidade e complexidade.

Enfim, não faltam motivos para se considerá-la, mais que justa. Uma medida de racionalidade administrativa a regulamentação da jornada para toda a enfermagem em 30h semanais, trará, alem da valorização do trabalho da enfermagem, proteção a saúde do trabalhador e principalmente a do usuário da saúde, como também abertura de novos postos de trabalho combatendo assim o desemprego no País.

Somos 1.300.000 trabalhadores da enfermagem (enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem) estamos solicitando que os Srs(as) Deputados(as) que defendam que o projeto de Lei 2295/2000 entre em votação em plenário ainda neste ano e votem favorável a ele. O PL esta para completar 10 anos na Câmara Federal e a enfermagem não pode mais esperar.

Governo tenta ganhar tempo com aposentados

Ministros da Previdência e das Relações Institucionais apresentam hoje a Lula plano para acalmar associações de aposentados

Padilha, das Relações Institucionais: estudo de fórmula alternativa ao fator previdenciário

O governo quer empurrar com a barriga a solução para o impasse com os aposentados. Além de estudar um aumento abaixo do salário mínimo para 2010, ele quer deixar somente para o ano que vem a política de reajuste da categoria. Os ministros da Previdência, José Pimentel, e das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, apresentam hoje para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a proposta de reajustar em 6,19% os vencimentos dos pensionistas por meio da edição de uma medida provisória. Esse percentual é bem abaixo do concedido para o salário mínimo de 8,81% para 2010.

O governo mantém a proposta que está na mesa de negociações há mais de dois meses e descarta conceder uma política permanente de reajuste aos 8 milhões de aposentados que ganham acima do mínimo. A categoria reivindica a aprovação de projeto de lei que vincula o aumento deles com o dado no mínimo.

A estratégia do governo é colocar a votação da proposta que cria o aumento permanente, incluída no PL 1, somente para o ano que vem, mas não se comprometer com um cronograma.

O ministro das Relações Institucionais reafirmou a proposta do governo e disse ainda que é estudada uma fórmula alternativa ao fator previdenciário. Está descartado acabar com o mecanismo criado em 1999 pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) que reduz o beneficio à média dos últimos cinco anos de contribuição do trabalhador.

“A proposta é a que garante a todos a inflação mais 50% do PIB e uma fórmula para mudar o fator”, afirmou Alexandre Padilha. O governo não quer acabar com o cálculo redutor da aposentadoria nem atrelar o aumento dos aposentados ao do salário mínimo para não aumentar o rombo na Previdência.

Apesar de não querer lidar com uma medida impopular na véspera de um ano eleitoral, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, buscou desvincular a eleição do pedido da categoria. Questionada se ela não estaria preocupada em perder votos se não desse o que os aposentados gostariam, ela respondeu. “Não é questão de eleitorado, é uma parcela significativa da população que temos de levar em conta”, disse. Ela, no entanto, não quis assumir nenhum compromisso com o aumento.

A proposta do governo em três partes segue para chancela do presidente. Lula cancelou duas vezes o debate com os ministros e parlamentares da base aliada alegando outros compromissos. Ontem, ele preferiu discutir com governadores uma saída para a questão dos royalties do pré-sal. Na última sexta-feira, alegou estar cansado por conta de uma viagem a Londres para desmarcar o encontro. Na agenda de Lula de hoje, está previsto um encontro com as centrais sindicais para discutir a proposta de três partes: alternativa ao fator previdenciário, MP do reajuste acima da inflação e a proposta que cria uma política permanente de reajuste de salário mínimo até 2023. “A votação do projeto de lei deve ficar só para o ano que vem”, disse o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP).

"A proposta é a que garante a todos (aposentados) a inflação, mais 50% do PIB e uma fórmula para mudar o fator"

Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais

Fonte: Correio Braziliense.

CCJ aprova proposta que exige diploma para jornalistas

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou há pouco a PEC 386/09, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que restabelece a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. A CCJ aprovou a PEC quanto à admissibilidade, segundo o parecer favorável do relator, deputado Maurício Rands (PT-PE).

A PEC seguirá agora para uma comissão especial, que será criada para analisá-la. Posteriormente, a proposta precisará ser votada em dois turnos pelo Plenário.

Mesmo aprovada a PEC o STF já julgou que a exigência do diploma é inconstitucional.

Essa é uma jogada da Federação e dos Sindicatos de Jornalista para mostrar serviço.

Trabalhadores querem redução de jornada sem perda salarial
























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Uma relação complicada

Rio - uma guerra contra a sociedade

ARTIGO

* Ricardo Vélez Rodríguez

Poucos se lembram da propaganda de uma marca de vodca que era exibida na TV no decorrer dos anos 80 do século passado. Um sujeito bem vestido e com cara de quem está com tudo em cima olha para o espelho antes de sair da farra e se enxerga com cara de anteontem: olheiras enormes, semblante lastimável. Pergunta à imagem do espelho quem é e ela responde: "Eu sou você, amanhã." Desde essa época afirmo, em palestras e aulas pelo Brasil afora, que a Colômbia é, hoje, o Brasil de amanhã. As cenas da guerra carioca a que assistimos pela TV ao longo das últimas semanas e que vemos estampadas nos jornais já foram vistas, 20 e tantos anos atrás, nas ruas de Medellín e Bogotá. Era a guerra do narcotráfico nas cidades colombianas, que estudioso francês caracterizava como "uma guerra contra a sociedade".

Ora, o que está acontecendo no Rio de Janeiro é exatamente isso: uma guerra contra a sociedade. De um dos lados está o banditismo dos narcotraficantes e milicianos, que mantém refém boa parcela da população. Esse banditismo, nos surtos habituais de violência que acompanham o narcovarejo dos morros, já afeta todos os cariocas. De outro lado está a polícia, que, mesmo tendo em seus quadros oficiais, delegados, praças e funcionários do bem, ainda não foi depurada da banda podre, que deixa morrer na calçada, por exemplo, um cidadão, assaltado no centro da cidade, como aconteceu recentemente com o fundador do AfroReggae. No meio desse tiroteio está a cada vez mais indefesa e apavorada massa dos cidadãos e dos turistas, que não são poupados nem por bandidos nem por maus policiais.

O drama que se vive no Rio é o que sofrem hoje, com intensidade cada vez maior, as cidades brasileiras. O combustível que alimenta toda essa barbárie é um só: o narcotráfico. O Brasil, atualmente, não é apenas rota de processamento e exportação de narcóticos. É também consumidor. A espiral da violência urbana não será desmontada enquanto não for removida a causa que a alimenta: o narcotráfico e o consumo de entorpecentes.

Como pano de fundo de toda essa barbárie temos um Estado gerido, nas suas instâncias federal, estadual e municipal, com critérios clientelistas, que configuram a cultura do patrimonialismo. É claro que há pontos de racionalidade administrativa. Mas convenhamos que, ao longo dos últimos anos, a coisa piorou bastante. Instalou-se no País uma forma mafiosa de gestão da coisa pública, exacerbando o princípio que já fazia parte do folclore político: aos amigos, os cargos; aos inimigos, a lei. Figuras que pareciam pertencer apenas aos tratados de sociologia, como a do "juiz nosso" e a do "delegado nosso", tão bem retratados por Oliveira Vianna, voltam à cena com magistrados concedendo discutíveis liminares favoráveis a clãs familiares e contrárias à liberdade de imprensa. O populismo em ascensão não tem hoje limites e reivindica não ser fiscalizado por ninguém. Tribunais de Contas e leis de responsabilidade fiscal que sejam postos à margem! Só o que interessa é o PAC do líder carismático e a aprovação das massas nos palanques.

Movimentos ditos sociais obtêm carta-branca para se apropriarem de patrimônio público e privado, apenas porque são "sociais", ou seja, dizem agir em nome dos despossuídos contra as odiadas elites.

Com essas premissas, um Estado gerido como bem de família para favorecer amigos e apaniguados e um mercado de tóxicos cada vez mais agressivo, vamos, certamente, assistir a mais cenas de violência dessa guerra contra a sociedade. É possível fazer alguma coisa? Sim, com certeza. Mas as soluções são prementes e difíceis. É necessário, antes de tudo, resgatar o princípio da preservação do bem comum, e não apenas o dos amigos ou do partido, como norma das ações de governo. E partir para uma estratégia de cunho nacional, não apenas local.

Torna-se imperioso estruturar um sistema de segurança que garanta o controle do Estado sobre o que entra pelas nossas fronteiras. Não há policiamento efetivo na enorme fronteira seca do nosso país com os vizinhos.

Nem há controle sobre os contêineres que entram pelos portos. Nem vigilância suficiente sobre as cargas que entram pelos aeroportos. Diante desse sistema de vigilância falido, fica muito fácil para os traficantes adquirirem no exterior os sofisticados armamentos com que derrubam helicópteros policiais. O governo federal só se mobiliza quando os interesses de popularidade do presidente podem ser afetados. Ora, a segurança no Rio fica distante do teflon presidencial e os repasses de verbas para que a polícia local possa funcionar simplesmente não são realizados. Isso é um crime de omissão, diante da gravidade da situação por que passa a outrora Cidade Maravilhosa.

As prisões de segurança máxima são uma piada. Beira-Mar e outros megatraficantes administram de dentro deles os seus negócios e ordenam os crimes praticados por suas gangues. Vários diretores de importantes presídios, especialmente cariocas, têm sido assassinados a mando dos chefões. Seria bom que as autoridades visitassem o presídio de segurança máxima de Cómbita, na Colômbia, para observarem como funciona. Se o país vizinho pode, no Brasil não são feitas as coisas por simples desleixo.

A Copa do Mundo de 2014 está já agendada no Brasil e a Olimpíada de 2016 será realizada no Rio de Janeiro. Se o patriotismo não mobiliza os atuais governantes, pelo menos que façam o dever de casa por simples conveniência. Vai pegar muito mal, na folha de todos eles, um Brasil mergulhado em sangue que não consegue cumprir os seus compromissos.

Ricardo Vélez Rodríguez é coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

7,72% em 2010 de aumento para os aposentados

Se proposta vingar, projeto prevendo reajuste igual ao mínimo será enterrado
O governo acenou com um aumento para os aposentados de até 7,72% para o ano que vem. O objetivo é garantir que a emenda ao projeto de lei nº 1/ 2007, que concede para as aposentadorias o mesmo reajuste do salário mínimo, seja definitivamente enterrada. O reajuste pode sair por meio de uma medida provisória.

Segundo o "Agora" apurou com fontes das negociações, a proposta, que deve ser apresentada às centrais sindicais amanhã, prevê aumento acima da inflação deste ano, que deve ser de 3,64%, entre 60% e 80% do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2008 para quem ganha mais que o mínimo. O índice depende de estudos do governo.

Pela proposta, o aumento deve ser de 6,7% a 7,72%. Pelas regras atuais, quem ganha mais que o mínimo teria aumento de 3,64% (a inflação prevista entre fevereiro e dezembro deste ano). Já para o piso a previsão é de 8,74% (inflação mais o PIB de 2008).

A proposta anterior, acordada em agosto entre o governo e a Força e a CUT, previa aumento real para os benefícios acima do mínimo de 50% do PIB, garantindo reajuste de 6,19%.

Essa proposta, dentro de um pacote de medidas elaboradas pelo deputado Pepe Vargas (PT-RS), não foi adiante devido à falta de consenso entre os aposentados.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, disse que, por enquanto, ainda não recebeu uma proposta diferente. O ministro, porém, afirmou que não é o único interlocutor do governo que está discutindo uma proposta de reajuste.

A Cobap (confederação de aposentados) e a UGT (União Geral dos Trabalhadores) não concordaram com o índice proposto -as entidades exigiam que o aumento dos benefícios fosse igual ao do salário mínimo. O governo, por sua vez, afirma que não há como bancar esse aumento.

De acordo com cálculos do Ministério da Previdência, esse reajuste causaria aumento de R$ 6 bilhões nos gastos do INSS em 2010 e aumentaria nos anos seguintes.

O presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que ainda não viu novas propostas do governo, mas disse que o aumento de até 7,7% é um avanço na negociação.

Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, disse que o ideal é sair da negociação com uma MP, para garantir o aumento para o próximo ano. (CB)

Fichas-sujas livres para concorrer até depois de 2010

Ficha Limpa não avança na Câmara

Falta de vontade política impedirá a aprovação neste ano da proposta de iniciativa popular que veta candidaturas de políticos condenados em primeira instância. Regra fica para depois de 2010

Souto: “São coisas que desacreditam a Câmara e deixam os políticos mal”
O projeto de lei complementar 518/09, que impede a candidatura de políticos com pendências na Justiça, conhecido como Ficha Limpa, corre o risco de não ser votado este ano pela Câmara. A proposta de iniciativa popular disputa espaço na pauta com matérias relacionadas a assuntos considerados prioritários pelo governo, como o pré-sal, e — apesar de ter sido apensada a outro texto para que pudesse pular a tramitação pelas comissões da Casa — está emperrada. Como o prazo médio de apreciação em cada comissão é de 15 dias e a Câmara entra em recesso em pouco mais de um mês, em 17 de dezembro, o mais provável é que o Ficha Limpa não atinja seu objetivo de valer nas próximas eleições, em 2010.

Segundo o secretário-geral da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, Mozart Vianna, “a matéria não é fácil”, porque levanta polêmicas. Muitos parlamentares questionam o fato de uma condenação em primeira instância ser o suficiente para barrar uma candidatura, já que a decisão pode ser revertida na segunda instância, enquanto a oportunidade nas eleições não pode ser revista. Outra alegação dos deputados é o fato de os candidatos serem alvo fácil de processos no jogo político. Tudo isso estaria causando uma “falta de vontade política” para votar o projeto.

De acordo com Vianna, um exemplo disso foi a reunião promovida na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), dia 13, para discutir a agenda de votações até o fim do ano. Na ocasião, as lideranças deveriam apresentar suas prioridades na pauta, e o Ficha Limpa mais uma vez ficou de fora. “Não adianta colocar em pauta sem vontade política sendo que há 5 mil projetos na fila”, afirma Vianna. “Além disso, é muito difícil que o projeto não receba emendas exatamente pela polêmica que tem causado na Casa.”

Para o deputado federal Humberto Souto (PPS-MG), coautor do projeto, o Ficha Limpa está recebendo o mesmo tratamento de um projeto de lei comum. “São essas coisas que desacreditam a Câmara e deixam os políticos mal.” Questionado sobre a falta de vontade política para votar o texto, Souto confirma a situação. “Não há vontade majoritária e espontânea para votar, mas nada lá surge espontaneamente. Tudo é obrigado. Por isso, a pressão de fora é fundamental.”

Mesmo com tantos elementos correndo contra o Ficha Limpa, Carlos Moura, diretor do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral e diretor executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem expectativa de que o projeto seja votado logo. “Fazemos um apelo para que incluam nossa proposta na pauta para que seja discuta o mais breve possível. Ela representa a vontade de 1,3 milhão de eleitores, no sentido de aprimorar o processo democrático e o processo da representação política.”

Fonte: Correio Braziliense.

O custo dos suplentes de senadores à democracia

Votos jogados na lata de lixo


Nada menos que 19 senadores deram lugar a suplentes que assumiram o mandato sem ter tido um único voto nas urnas. Em alguns casos, os beneficiados financiaram a campanha dos titulares que depois abriram a vaga no Senado

Mais de 24 milhões de votos jogados no lixo. O eleitorado que escolheu os 19 senadores que se afastaram do cargo dando lugar a suplentes soma exatos 24.564.126 brasileiros. Equivale ao total de eleitores dos estados de Minas (14.117.973), Pernambuco (6.088.893) e Santa Catarina (4.382.708) juntos. Sem passar pelo crivo das urnas, os substitutos já representam 23,5% do total de 81 cadeiras na casa parlamentar mais importante do país. Treze deles ganharam de presente o mandato definitivamente devido à morte ou à renúncia do titular. Quando a causa do afastamento é a posse em cargos de confiança, como ministérios, o suplente assume apenas provisoriamente, como acontece também nos casos de licença para tratamento de saúde ou para tratar de interesses particulares.

Dos atuais suplentes, o que ficará mais tempo no cargo é Gim Argello (PTB-DF). O ex-deputado distrital assumiu em julho de 2007, no lugar do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), que exerceu o mandato por pouco mais de cinco meses, renunciando para escapar da cassação. Argello ficará sete anos e meio no Senado. O tucano Flexa Ribeiro (PA) também ganhou de presente um longo mandato: seis anos. Dono de construtora e presidente do PSDB do Pará por duas vezes, Flexa Ribeiro chegou a se candidatar ao Senado em 1994, mas não foi eleito. Pouco mais de 10 anos depois, em janeiro de 2005, assumiu a vaga do senador Dulciomar Costa (PTB-PA), que tomou posse como prefeito de Belém (PA), e pode ficar no cargo até janeiro de 2011.

Mesmo em casos de afastamento provisório, alguns suplentes acabam exercendo a maior parte do mandato para o qual não foram eleitos. Na atual legislatura, 14 suplentes deixaram o Senado devido ao retorno do titular. Destes, o que ocupou a cadeira de senador por mais tempo foi Sibá Machado (PT-AC), que por seis anos e meio substituiu Marina Silva (PV-AC), afastada para assumir o Ministério do Meio Ambiente.

A existência da bancada dos sem voto está prevista na Constituição. O artigo 46 determina que a eleição para o Senado é majoritária e que cada senador é eleito com dois suplentes. O princípio é o mesmo que rege a escolha de outros cargos majoritários, como prefeito, governador e presidente, que também são eleitos com seus vices. Mas há uma grande diferença, já que os vices se tornam conhecidos do eleitor desde a campanha. Até a última eleição, os suplentes de candidato ao Senado nem nas urnas apareciam.

Parentes
O quase anonimato da indicação permite que os partidos e os candidatos escolham como suplente o que for mais conveniente, já que as negociações são feitas longe dos olhos do eleitor. Não são raros os casos em que o suplente é um financiador de campanha, como acontece com João Tenório (PSDB-AL) — cuja empresa foi a responsável pela maior doação (R$ 290 mil) para a campanha do titular, Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL), em 2002 — e Adelmir Santana (DEM-DF), que doou R$ 110 mil para a campanha do senador Paulo Octávio (DEM-AL), a quem substituiu em janeiro de 2007.

Outros senadores preferem beneficiar um parente e até a mulher, como é o caso de Mão Santa (PSC-PI), que tem como primeiro-suplente a esposa, Adalgisa Carvalho, que ainda não teve oportunidade de assumir. No Maranhão, Lobão Filho (PMDB) tomou posse em janeiro de 2008, quando o pai, Edison Lobão (PMDB), virou ministro das Minas e Energia. Na Bahia, é a segunda legislatura em que ACM Júnior assume no lugar do pai. Além da posse definitiva, em agosto de 2007, depois da morte de ACM, o filho já havia sido senador por dois anos, na legislatura passada, quando o pai renunciou ao cargo para escapar da cassação pela violação do painel do Senado, em maio de 2001.

Pedreiro
Alguns suplentes que viraram senadores foram indicados por acaso. O país que tem um ex-metalúrgico na Presidência da República já teve um pedreiro no Senado. Em 1990, o ex-governador de Roraima, Hélio Campos (PMN), abandonado por aliados políticos que se recusaram a engrossar o caixa de sua campanha, na hora de registrar a candidatura levou consigo duas pessoas que trabalham numa obra em sua casa: o pedreiro João França e o marceneiro Claudomiro Pinheiro. Hélio Campos morreu dois meses depois da posse, em abril de 1991, dando ao pedreiro João França o privilégio de ser senador por quase um mandato inteiro de oito anos.

Em Minas, o caso mais pitoresco foi o da ex-secretária do PTB, Regina Assumpção, que assumiu o cargo de senadora por dois anos, em abril de 1996, quando o titular, Arlindo Porto (na época filiado ao PTB), virou ministro da Agricultura. Como Porto só decidiu se candidatar na última hora, incentivado pelo ex-governador Hélio Garcia, acabou colocando a secretária do partido como suplente apenas provisoriamente. Depois, esqueceu-se de substituí-la. O segundo suplente era o office-boy do escritório do PTB, em Belo Horizonte.


A Constituição

O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário.

§ 1º – Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos.

§ 2º – A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços.

§ 3º – Cada Senador será eleito com dois suplentes.

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Sem vontade para mudar regra

Nada menos que 17 propostas tramitam na Câmara com mudanças, mas os deputados nunca chegam a um consenso para votá-las

Na Câmara dos Deputados, há 17 propostas para tentar tornar mais representativa a forma de substituição dos senadores que se afastam do cargo. Boa parte delas prevê que serão considerados suplentes os candidatos mais votados depois dos eleitos, repetindo o que acontece na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. A mais antiga é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 142, apresentada em 1995 pelo deputado federal Domingos Dutra (PT-MA).

A falta de acordo prejudica a tramitação das matérias. Em dezembro do ano passado, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) foi relator na Comissão de Constituição e Justiça de mais de uma dezena de propostas que se assemelhavam a uma ampla reforma política. A maioria dos projetos que acabam com a farra das suplências no Senado estava entre elas e foi admitida. Daí para a frente, teriam que ser analisadas por comissão especial, o que não aconteceu.

O deputado federal Maurício Rands (PT-PE), autor da PEC 67, que tramita em conjunto com a PEC 142 e, além de prever eleição para suplente de senador, reduz o mandato deles de oito para quatro anos, acredita que é preciso insistir para acabar com a figura do suplente que não recebe votos. “Não podemos é ficar parados. Temos de envolver a sociedade no debate para criar um clima que force a instalação de uma comissão especial. Se a Câmara não aprovar a matéria, não será o Senado que irá fazê-lo”, diz.

No Senado, onde a resistência às mudanças é naturalmente maior, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) relatou sete propostas que tratam do assunto no ano passado. Depois de muitas negociações, modificou o primeiro relatório que previa a eleição para suplente e a proibição de que o senador se afastasse para assumir cargos no Executivo, como ministérios. Acabou propondo um substitutivo aos projetos permitindo que o senador fosse eleito com um suplente (hoje são dois), vedando a escolha de parente ou cônjuge dele e determinando que, no caso de afastamento do titular, o suplente só poderá assumir até a eleição mais próxima, mesmo que seja municipal. Objeto de acordo, o texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça em abril do ano passado e está pronto para o plenário, mas não foi colocado em pauta até hoje.

Visibilidade
Se os projetos não vingam, pelo menos haverá uma mudança na próxima eleição: acabou o anonimato dos suplentes. Resolução baixada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em dezembro de 2008 determina que, no ano que vem, os nomes e as fotos dos suplentes de senador apareçam na tela da urna eletrônica, assim como as imagens dos candidatos aos cargos de vice-governador e vice-presidente da República.

A inovação foi incluída pelo relator, ministro Carlos Ayres Brito. “Com isso, acabamos com as candidaturas clandestinas no nosso país. Tudo agora será de pleno conhecimento do eleitor, que tem todo o direito de saber em quem está votando, seja para titular, seja para vice, seja para suplente”, justificou ele, em seu voto.

O cientista político Bruno Reis aplaude a iniciativa, mas considera que o eleitor só ficará mais informado sobre os suplentes se a visibilidade começar já na campanha. “O brasileiro não liga muito para a eleição de senador, é um dos últimos votos a ser definido, por isso, nem presta atenção aos nomes dos suplentes”, diz.

A conta milionária da cassação

Enquanto direção do Congresso protela cumprimento de decisões judiciais, cofres públicos pagam salários a políticos que perderam mandato no Tribunal Superior Eleitoral

A resistência dos presidentes da Câmara e do Senado em declarar a perda do mandato de parlamentares cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem impacto direto nos cofres públicos. Desde 2004, as seis cassações decretadas pela última instância da Justiça Eleitoral resultaram em uma conta de

R$ 791,2 mil. Levantamento feito pelo Correio levou em consideração apenas os salários de parlamentares cujas condutas foram consideradas incompatíveis para continuar nos cargos para os quais foram eleitos. Na prática, enquanto as Mesas Diretoras do Congresso apelam para o corporativismo e protelam o cumprimento de decisões judiciais, políticos cassados recebem os salários normalmente e ainda usufruem dos penduricalhos concedidos aos parlamentares em exercício, como verba de gabinete e passagens áreas.

A maior conta salarial feita por deputado cassado entre os casos apurados foi a da deputada Janete Capiberibe (PSB-AP). Em abril de 2004, a parlamentar e o marido, o ex-senador João Capiberibe, perderam os mandatos por decisão do TSE, acusados de comprar votos nas eleições de 2002. A Câmara, no entanto, oficializou a situação da deputada apenas em janeiro de 2006. Enquanto isso, ela continuou recorrendo e recebendo salário mensal de R$ 12.847, valor da época. A soma do período entre a decisão do TSE e a efetiva saída do cargo fez a deputada receber mais de R$ 269 mil de vencimentos. Janete é deputada atualmente, depois de ser eleita novamente em 2006.

Com João Capiberibe a situação não foi diferente. Cassado no mesmo dia da esposa, o Senado oficializou a perda do seu mandato apenas em outubro de 2005. Durante esse período, conseguiu engordar a conta bancária em mais de R$ 256 mil. Capiberibe vai tentar voltar ao Senado na eleição do próximo ano.

Quem também permaneceu no cargo depois de cassado foi o ex-deputado Ronivon Santiago (PP). O Tribunal Regional Eleitoral do Acre o condenou em julho de 2004 no processo em que respondia por compra de votos. O TSE cassou os recursos em setembro de 2005, mas a Mesa Diretora da Câmara resistiu a cumprir a decisão e somente deu posse ao suplente em dezembro, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a decisão do TSE. Durante o período em que ocupou o cargo mesmo depois de ter sido cassado, Santiago recebeu salários que somam R$ 38,5 mil.

A conta dos casos de protelação das cassações no último ano também não é barata. No final de 2008, a resistência do então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para cumprir a decisão do TSE e declarar a perda do mandato do ex-deputado Walter Britto Neto por infidelidade partidária rendeu ao cassado R$ 143 mil somente em vencimentos.

Este ano, duas cassações renderam boas quantias financeiras para os ocupantes de cargos eletivos. Na Câmara, Juvenil Alves passou 12 dias no cargo depois de ter o último recurso negado pelo TSE. Nesse período, recebeu R$ 6.391. No Senado, a inércia do presidente José Sarney (PMDB-AP) em determinar a perda do mandato do ex-senador Expedito Júnior (PSDB-RO) por abuso de poder rendeu ao tucano R$ 75.955 apenas de salários. Ele foi cassado pelo TSE em junho, e somente na última quinta-feira perdeu efetivamente o cargo.

Regalia protegida

Os políticos que recebem salários mesmo depois de cassados pela Justiça Eleitoral ganharam no mês passado a proteção de um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU). Ao responder a uma consulta formulada em 2008 pelo então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a Corte afirmou que os parlamentares que perdem os mandatos por decisão judicial e mesmo assim continuam ocupando suas funções eletivas porque as Mesas Diretoras não dão posse aos suplentes não devem ressarcir o erário.

De acordo com o TCU, os parlamentares que permanecem nos cargos porque os presidentes da Câmara e do Senado não cumpriram a decisão da Justiça Eleitoral aguardando o julgamento de recursos estavam, teoricamente, cumprindo suas funções normalmente. O que lhes daria o direito de receber salários e usufruir também das verbas extras. Ou seja, na opinião do relator da consulta, ministro Benjamin Zymle, é possível supor que os cassados agiram de boa-fé ao receber os vencimentos, visto que, em tese, permaneceram trabalhando.

“Se não houve culpa, exclusiva ou parcial, do parlamentar cassado em sua permanência no mandato mesmo após a decretação da Justiça Eleitoral, não há como se falar em o mesmo restituir ao erário os valores recebidos de boa-fé, até porque, em tese, permaneceu em suas atividades institucionais, o que afastaria o dever de ressarcir os subsídios recebidos enquanto a Câmara não declarasse a perda do mandato”, diz o voto do ministro.

Suplentes
O parecer do TCU encaminhado à presidência da Câmara dos Deputados em outubro também faz referências aos direitos dos suplentes desses políticos cassados. De acordo com o ministro Zymle, os substitutos de parlamentares cujos mandatos foram retirados pela Justiça devem começar a receber seus vencimentos a partir da posse, a não ser nos casos em que órgãos judiciais determinem outra data para a contagem do prazo, como a partir da diplomação, por exemplo.

A referência a uma possível decisão judicial para conceder aos suplentes o direito de receber os salários pelo tempo em que esperaram a confirmação das cassações animou alguns dos políticos que esperaram por meses para assumir os cargos. É o caso, por exemplo, de Chicão Brígido, (PMDB-AC). Suplente do deputado cassado Ronivon Santiago (PP-AC), ele precisou esperar mais de um ano entre a data em que foi diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre e o dia em que foi efetivamente empossado pela Câmara. Chicão chegou a se acorrentar numa cadeira do plenário pedindo que fosse marcada sua posse. Há anos ele pede o ressarcimento dos salários não recebidos por conta da resistência da Mesa em declarar a perda do mandato de Ronivon, mesmo depois da decisão do TSE.

Foi o pedido de Brígido que levou Chinaglia a questionar o TCU sobre os direitos de suplentes e a garantia de que os políticos cassados podem embolsar vencimentos recebidos entre o dia da cassação pelo TSE e a saída do cargo. (IT)

Críticas

Janete e João Capiberibe: mesmo cassado, casal recebeu mais de R$ 500 mil de salários

A morosidade das Mesas Diretoras para cumprir as decisões do TSE tem irritado até os ministros do STF. Em diversas ocasiões, os integrantes da Corte ressaltam a independência da Justiça Eleitoral. No final da sessão da última quinta-feira, os ministros disseram ter estranhado a ameaça de Expedito de entrar com um recurso administrativo no Senado para tentar permanecer no cargo, mesmo depois de o próprio STF ter confirmado a cassação.
Para o ministro Marco Aurélio, a demora do Senado em cumprir a decisão foi desnecessária, por ter gerado um clima de instabilidade institucional sem uma justificativa plausível. “Que tomemos esse incidente como exemplar para avançarmos culturalmente e para que isso não se repita. É preciso respeitar as decisões da Justiça”, destacou.

Os custos de cada um

Confira alguns exemplos de gastos com salários de parlamentares cassados:

Parlamentar
Expedito Júnior

Período entre a
cassação do TSE
e a saída do cargo
17/06/2009
a 05/11/2009
Despesa
R$ 75.955

Parlamentar
Juvenil Alves

Período entre a
cassação do TSE
e a saída do cargo
19/03/2009
a 31/03/2009
Despesa
R$ 6.931

Parlamentar
Walter Britto Neto

Período entre a
cassação do TSE
e a saída do cargo
27/03/2008
a 18/12/2008

Despesa
R$ 143.104

Parlamentar
Ronivon Santiago

Período entre a
cassação do TSE
e a saída do cargo
06/09/2005 a 17/12/ 2005

Despesa
R$ 38.541

Parlamentar
João Capiberibe

Período entre a
cassação do TSE
e a saída do cargo
28/04/2004
a 25/10/2005
Despesa
R$ 256.940

Parlamentar
Janete Capiberibe

Período entre a
cassação do TSE
e a saída do cargo
28/04/2004
a 28/01/2006

Despesa
R$ 269.787

Destruições do MST devem agilizar CPI

Novas invasões de sem-terra a propriedades levam parlamentares a iniciarem guerra por comando da comissão

A mais recente ofensiva dos sem-terra no país — a invasão de duas fazendas no interior do Pará, na madrugada de quarta-feira — ressuscitou a briga pela indicação dos nomes que vão comandar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A oposição e a ala ruralista do PMDB vão forçar a definição da composição da chapa para a próxima terça-feira, sob a ameaça de trancar a pauta de votações no Congresso. A estratégia bate de frente com as intenções do governo de ver aprovados os projetos que tratam do pré-sal.

“Ninguém vota nada sem avanço nesse assunto. Não é possível assistir a novos episódios e ficarmos parados como se nada pudesse ser feito”, critica o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC). “Estão querendo desmoralizar a CPI e, se o governo resistir a essa situação, tomaremos outras atitudes. O que não aceitamos é esse atrelamento às conveniências de um governo que já se acomodou com um quadro de vandalismo no campo”, protesta o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

A polêmica que deu fôlego ao tema no Congresso ocorreu quando cerca de 100 integrantes do MST invadiram as fazendas Maria Bonita e Rio Vermelho, localizadas no sul e sudeste do Pará — uma delas, do ex-banqueiro Daniel Dantas — e deixaram um rastro de destruição. Os manifestantes quebraram as instalações dos funcionários, maquinários e destruíram sacas de sementes, deixando um prejuízo calculado em R$ 3 milhões, segundo os proprietários. Os sem-terra ainda bloquearam uma rodovia em protesto pelo atraso da reforma agrária no estado.

Ontem, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), concedeu uma entrevista coletiva ao lado do procurador-geral do estado, Ibrahim Rocha, do secretário de Segurança Pública em exercício, José Salles, e do coronel Luiz Dário Teixeira, comandante da Polícia Militar. A petista rechaçou o ato dos sem-terra e pediu a prisão dos responsáveis pela invasão às fazendas no interior do estado. O movimento não quis se pronunciar sobre o assunto.

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), também desaprova a ação, mas afirma que o episódio não deve servir de exemplo a ser levado para uma eventual investigação na CPI. “Uma coisa é a movimentação deles (MST), a outra é querer fazer disso um embate político como quer a oposição. Não podemos confundir e criminalizá-los, apesar de esse ato ser condenável”, defende.

A oposição discorda e quer usar o fato para reforçar a fiscalização do destino do dinheiro público nas ações do movimento. “Esse é só um dos exemplos de como o dinheiro do povo é usado indevidamente para financiar o terrorismo. Isso tem que acabar com uma varredura séria e comprometida”, endossa o deputado Waldemir Moka (PMDB-MS).
"Não é possível assistir a novos episódios e ficarmos parados como se nada pudesse ser feito”
Valdir Colatto, deputado do PMDB-SC
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Memória
Vaivém no Congresso
O confronto entre a oposição e o governo levou cerca de um mês entre acusações de ambos os lados até que fosse criada a CPI mista do MST. Depois de os ruralistas conseguirem emplacar a comissão, o embate maior ficou em torno da briga pelos nomes que comandarão os trabalhos. O governo defende uma fiscalização comedida, focada apenas nos repasses feitos às quatro cooperativas ligadas aos sem-terra. Mas a oposição quer investigar também as ações de reforma agrária da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Se a investida der certo, a base aliada já tem uma estratégia de contra-ataque: investigar o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), ambos ligados a entidades do agronegócio. Um estudo da Frente Parlamentar da Terra, presidida pelo deputado petista Dr. Rosinha (PR) aponta que essas duas entidades receberam R$ 1,1 bilhão do governo entre 2000 e 2006 e não comprovaram o destino da aplicação de todo o dinheiro. (DS)

Manobras políticas

Dezessete dias se passaram desde a leitura do requerimento de criação da CPI do MST e até agora os partidos que têm direito aos principais cargos — a presidência e a relatoria — da comissão, PT e PMDB, não entraram em acordo.
Eles ainda tentam negociar nomes entre si para minimizar desgastes políticos diante das discussões sobre as alianças regionais para as eleições de 2010.

Entre as apostas que circulam nos bastidores, estão os deputados petistas Anselmo de Jesus (RO), Assis do Couto (PR) e Eduardo Valverde (RO) para titulares. Já o PMDB trabalha com nome de ruralistas, como Valdir Colatto (SC) e Asdrúbal Bentes (PA).

Apesar de os líderes das duas legendas negarem um acordo com essa finalidade, os peemedebistas ligados ao setor do agronegócio já se articulam para brecar qualquer acordo que prejudique os trabalhos de investigação sobre os sem-terra. Eles já se mobilizam para fazer campanha contrária às alianças nos estados com medo de perder parte do eleitorado. “O partido não pode ficar atrelado a um governo que é permissivo no que diz respeito às invasões de terra. Por mais que haja interesses pré-eleitorais, não podemos ficar à mercê dessa posição contrária aos nossos princípios”, diz o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR).

O parlamentar é autor de uma Proposta de Fiscalização e Controle (PFC) aprovada esta semana na Comissão de Agricultura da Câmara com objetivo de fiscalizar a atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nos assentamentos. O documento será, segundo ele, uma espécie de “mini-CPI” e contribuirá para dar sustentação à CPI do MST com o levantamento de casos de superfaturamento, irregularidades administrativas, arrendamentos irregulares, entre outros.

Em outubro, a ação dos sem-terra na Fazenda Santo Henrique, há 300 km de São Paulo, motivou os parlamentares a investigarem os atos do movimento e de onde vinha o financiamento para as invasões. Naquela ocasião, os manifestantes derrubaram pés de laranja e destruíram maquinários, gerando um prejuízo de cerca de R$ 1,2 milhão.

Fonte: Correio Braziliense.

Mudanças no pagamento de precatórios

Boletim da Consultoria Legislativa da Câmara analisa texto da PEC aprovada na última quarta-feira

A Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados divulga nesta quinta-feira (5) Boletim de Análise de Conjuntura sobre as mudanças nas regras de pagamento dos precatórios (PEC 351/09), aprovadas ontem em primeiro turno pelo Plenário.

A análise considera que, apesar das críticas de submeter as decisões judiciais a leilões, a PEC traz avanços ao estimular o pagamento de dívidas de entes federativos atualmente não destinam nenhum recurso para os precatórios; permitir a compensação de créditos; manter a ordem cronológica em pelo menos 50% dos recursos, respeitada a preferência de precatórios alimentícios. "Em resumo, a Emenda Constitucional fará a fila andar. Nesse sentido, é eficaz", observa o texto.

O boletim aponta no entanto para a possibilidade de a constitucionalidade do texto aprovado pela Câmara ser questionado futuramente no Supremo Tribunal Federal. Esses questionamentos devem ter como base o respeito à coisa julgada e ao direito adquirido, dentro do princípio da segurança jurídica ou ainda da dignidade da pessoa humana. "A dívida astronômica exige uma solução criativa e, provavelmente, heterodoxa, mas é inegavelmente constrangedor escrever na Constituição Federal de um País a limitação quantitativa do pagamento de débitos pelo Estado."

Aqui você confere a íntegra do estudo.

PEC dos Cartórios volta à pauta

Manobra tenta ressuscitar a PEC dos Cartórios, aquela que efetiva tabeliães sem concurso

Em mais uma tentativa de aprovar a polêmica PEC dos Cartórios, o relator da matéria na Câmara, João Matos (PMDB-SC), pretende reformular o texto para tentar diminuir as resistências à proposta e ressuscitar as chances de o tema ser colocado em votação. “Vou me reunir com o deputado João Campos(1), que é o autor, para estudarmos como fazer as mudanças de modo a evitar críticas de inconstitucionalidade em torno do teor da matéria. Vou elaborar o texto de forma a não haver questionamentos”, conta o relator.

O plano de reformar o texto para tentar emplacar a PEC é resultado do anúncio do presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), de que não irá colocar em votação um projeto sobre o qual o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) já reagiu mal. Gilmar Mendes afirmou que a proposta fere a regra de contratação por concurso público e disse que se chegar à Corte qualquer questionamento contra ela os ministros tendem a declarar sua inconstitucionalidade. Sem querer sofrer o desgaste de comandar a votação de uma proposta anulada judicialmente, Temer suspendeu os planos de colocar o tema na pauta.

Para o relator da matéria na Câmara, a posição do presidente do STF significou uma interferência no Legislativo e uma antecipação de voto, que deveria ser evitada pelo órgão mais importante do Judiciário. “Vou elaborar o novo texto com base no que acredito ser constitucional. Não pretendo consultar o Judiciário porque a prerrogativa de elaborar leis é nossa. Confesso que ainda não entendi o motivo de o ministro ter antecipado sua opinião. Vou seguir minhas convicções”, comenta João Matos.

“Trem da alegria”
Para estudar uma forma de minimizar as críticas à PEC dos que apelidaram a proposta de “trem da alegria dos cartórios” e criticam a efetivação de servidores sem concurso público, o relator da matéria também quer discutir as mudanças no texto com o presidente da comissão especial, Sandro Mabel (PR-GO), que é um defensor da ideia, e com a assessoria jurídica da Câmara.

Apesar do esforço, as chances de a matéria ser votada no próximo ano são consideradas remotas pelos líderes partidários. Por conta da polêmica que agrega, os parlamentares não estão dispostos a aprovar uma proposta impopular às vésperas de uma eleição.

Outros projetos
A falta de acordo e consenso para votar a PEC dos cartórios é somente um dos casos cuja polêmica empurrou a votação para um futuro incerto. Para este ano, empresários do setor de bingos também trabalhavam nos bastidores pela aprovação da matéria que libera os jogos de azar no país. Percorreram corredores e gabinetes por semanas, mas as divergências em torno da matéria também levaram o presidente da Câmara a adiar o debate e evitar desgastes. Agora, a votação que por dias esteve prestes a acontecer não tem mais previsão para ser apreciada. Até dezembro, a pauta da Câmara deve ser tomada pelas votações apenas de temas referentes ao pré-sal.

Sobre a dificuldade de votar as propostas mais polêmicas, apesar da atuação dos lobistas, o presidente da Câmara é direto: “Tenho sempre explicado a quem me procura que tudo nesta Casa acontece em decorrência de acordos.

Oriento os interessados nessa matéria que procurem as lideranças e peçam o empenho delas para a entrada das matérias na pauta. Sem esse acordo as coisas não vão acontecer”, disse.

1- Pressão
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 471/2005 foi apresentada pelo deputado João Campos (PSDB-GO). O texto determina a efetivação, sem concurso público, de substitutos e responsáveis por cartórios designados até 1994. A proposta tem movimentado a Câmara desde o início do ano.

Interessados na efetivação doa atuais ocupantes dos cargos e defensores da realização de concursos públicos para essas vagas circulam diariamente pelos corredores do Congresso. Um lobby que ocupa as agendas dos parlamentares, mas que até agora tem surtido pouco efeito.

Fonte: Correio Braziliense.

Recorde de acessos

Aos leitores, o meu muito obrigado!

Não sei como, mas me esforçarei para uma melhor interação.

Milhares de acesso do mundo.

Vários leêm o blog.

- Muito feliz fiquei!

É um espaço coletivo. Sem dúvida.

A desmoralização das CPI´s

Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara e no Senado ou seja, no Congresso Nacional, virou sinônimo de troca de favores, jogo de cena, "mini mensalinhos" através de liberação de emendas individuais aos parlamentares que mudarem de opinão em benefício dos interesses (a maioria das ocasiões) nada republicanos.

Não vou perder mais o meu tempo listando a safadeza desse que seria um importante instrumento constitucional inserido nos Regimentos das duas Casas para passar os pecados do regime democrático a limpo.

Efetivamente o que nós, cidadãos comuns vemos é a desmoralização explícita através de atores canastrões da política nacional a favorecer interesses escusos e, em última análise, interessados em não desarmar o histórico da "Lei de Gerson" que trava esse país.

O sistema republicano nos termos colocados e praticados no Brasil é a mais descara vergonha para nós todos.

E nada de falar mais em Reforma Política. Houve um hiato! Um esquecimento repentino. Há as elições no ano que vem para reeleger parte dessa corja de sanguessugas do brio nacional.

- Isso é o Brasil.

Aos Sem-Terras, dinheiro. Aos aposentados, cemitério. Aos trabalhadores:

- Vá com Deus meu (minha) filho (filha).

Vergonhoso.

Lula tem razão em parte ao cobrar "ação" da Vale












Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe em audiência no Palácio do Planalto o presidente da Mittal Steel Company, Lakshmi Mittal e o presidente da Vale, Roger Agnelli: José Cruz/ABr


ARTIGO

* Val-André Mutran

Ameaçada por estúpidas organizações que querem a sua reestatização acusando a contaminação febril de ventos venezuelanos de um socialismo imoral, sob medida para o recrudescimento de uma guerra fria que não mais existe. A direção da megamineradora brasileira provou ao presidente Luis Inácio Lula da Silva que o mundo dos negócios - defininitivamente - não é o mesmo mundo da política.

Acompanho com interesse profissional os desdobramentos desta empresa desde que foi privatizada na era FHC.

Não há qualquer dúvida de minha parte que sua privatização fez bem ao Brasil, tornando-a, posteriormente, a potencial empresa pole posicion do setor no Planeta.

Evidentemente o encontro entre Lula - o Cara; Lakshmi Mittal (Grupo ArcellorMittal) - o maior produtor de aço do mundo; e Roger Agnelli - eleito o melhor executivo da Terra, não foi para inglês e brasileiro ver.

As negociações da Vale com o gigante anglo-indiano são intermitentes e por pressões acusadas nas últimas semanas, Agnelli combinou com a aquiescência de Mittal, mesmo correndo o risco de um anúncio precipitado, a provável associação no valor de R$ 8,8 bilhões (cotação do dólar a R$, 1,76) para a construção no Estado do Espírito Santo de uma nova planta industrial para produção de aço.

É a gestação de um novo gigante da siderurgia mundial.

- Lula adorou.

O presidente não aceita que a Vale fique restrita à exportação de matéria-prima para o exterior. O gênio da raça quer agregação de valor aos nossos minérios, num surto que remete à letra de uma famosa banda de rock paraense cujo sugestivo nome é: Mosaico de Ravena, autora de um hino de minha geração quando residia no Pará, onde criticava a busca irracional pelo desenvolvimento a qualquer preço em desfavor da preservação de sua cultura; citando que a então estatal Companhia Vale do Rio levava "os nossos minérios", deixando aos paraenses brasileiros apenas o buraco e muita pobreza ao redor.

A "birra" de Lula tem seus motivos, os quais concordo em parte. Ele está correto em cobrar da mineradora maior preocupação com sua atividade fim, apontando a necessidade de sua diversificação em busca da verticalização de tal riqueza mineral - finita - diga-se.

O que o presidente está equivocado é achar que pode "puxar a orelha" de um executivo do porte de Agnelli, como que tomando-o por um garoto que está a praticar danações.

Jovem, arrojado e discípulo de Lázaro Brandão, por sua vez discípulo e sucessor de Amador Aguiar, fundador do Banco Brasileiro de Descontos S.A (Bradesco), Roger Agnelli aprendeu que no mundo dos negócios um anúncio precipitado pulveriza a construção de uma intricada e complexa negociação como o é, a Vale tornar-se, do dia para a noite, concorrente de seus próprios clientes no negócio da siderurgia.

Isso resulta em aborto. Inviabiliza-o. E Lula precipitou as coisas nesse caso.

Aguardemos a reação dos concorrentes.

Não tem ninguém na assessoria de Lula para passar-lhe essa lição? Ou os assessores "querem a cabeça" de Roger Agnelli em mais uma "jogada" de aparelhamento?

Não nos esqueçamos que o Governo Federal é detentor de porcentagem das ações que auferem o seu controle.

Resumindo: Lula presta um desserviço à Nação quando opera publicamente esse tipo de interferência à la Chávez e joga gasolina no chamado "Risco Brasil", o foco que seu cargo não deve deixar de combater um único segundo.

* O autor é jornalista.

Lembram do RO Nº 771, contra a Coligação de Simão Jatene?

O processo teve movimentação no Tribunal Superior Eleitoral.

Para quem não se lembra o processo corre contra:

a) Almir José de Oliveira Gabriel;
b) Simão Robson Oliveira Jatene;
c) Valéria Vinagre Pires Franco;
d) Duciomar Costa; e
e) Coligação União pelo Pará (PSDB, PRP, PPB, PTdoB, PSD, PV, PST, PFL, PRTB, PRONA e PSDC). Em ação movida pela Coligação "Frente Trabalhista" (PTB/PDT/PPS/PTN).

A ação foi movida pela Coligação em razão de abuso da utilização da máquina pública em ação vedada à agentes públicos transgredindo as regras eleitorais.

Quero ver agora Simão Jatene, Mário Couto, Almir Gabriel ou quem quer que seja do partido da pavulagem ganhar as eleições 2010 sem a utilização indecente da máquina pública. Quero ver sim.

Pesquisador derruba mito sobre influência da floresta sobre clima

A Floresta Amazônica e a presença do Homem

*Artigo publicado na revista “O Agronômico”, Campinas, 57(1), 2005.

Ângelo Paes de Camargo
- Pesquisador Científico aposentado do Instituto Agronômico de Campinas – IAC (In memoriam, falecido em 2006).

Ao realizar a fotossíntese pela folhagem das plantas, sob a ação da energia da radiação solar, forma-se o hidrato de carbono, seja o açúcar e a celulose, pela combinação do gás carbônico com a água da atmosfera. Esse processo libera o oxigênio para a atmosfera. Assim, formou-se, através de milhões de anos o elevado teor de oxigênio na composição da atmosfera da Terra, cerca de 21%.

O nitrogênio, um gás inerte, ocupa quase todo o volume da atmosfera, em torno de 78% e o gás carbônico, apenas 0,03 %.

O oxigênio presente na atmosfera terrestre foi originado pela fotossíntese realizada pelos vegetais da superfície. Os organismos, plantas e animais, presentes nas florestas da Terra não mais contribuem para alterar a composição da atmosfera. Quando vivas, as plantas realizam a fotossíntese, produzindo e liberando o oxigênio, ao mesmo tempo em que formam a matéria orgânica e consomem o gás carbônico. Quando morrem e se decompõem, fazem o contrário, consomem o oxigênio, numa combustão lenta e lançam em seu lugar gás carbônico na atmosfera. Por isso os teores de gás carbônico e de oxigênio na atmosfera mantêm-se constantes.

Serapilheira
Toda floresta adulta, em clímax, apresenta sobre o solo uma camada de matéria orgânica oriunda da folhagem senescente que cai da copa das arvores e que apresenta na parte inferior em contato com o solo uma camada em decomposição. É a serapilheira.

Essa serapilheira, ao mesmo tempo em que recebe material na superfície, vai se decompondo e desaparecendo na parte inferior. Dessa forma, a serapilheira fica sempre com a mesma altura. Se não houvesse essa decomposição, a camada de serapilheira iria aumentando de espessura continuamente e chegaria a muitos metros da altura. O que nunca acontece. A floresta virgem, ao mesmo tempo em que produz oxigênio pela fotossíntese, produz também o gás carbônico, pela decomposição da matéria orgânica quando morrem. Assim, não alteram a oxigenação da atmosfera.

Superfície aquosa
Uma vegetação natural ocorre também em superfícies aquosas como de lagos e oceanos. São principalmente as algas, muito abundantes, que fazem a fotossíntese. Absorvem o gás carbônico (CO2) e liberam o oxigênio. Mas, as algas também respiram e se decompõem quando morrem, produzindo o gás carbônico na mesma proporção que produziu o oxigênio.

A superfície do globo terrestre apresenta três quartas partes cobertas por oceanos e apenas uma quarta parte por terra. Dessa forma, a influência dos continentes, e assim da Floresta Amazônica, nas condições físicas, térmicas e hídricas do clima do globo é mínima em comparação com a dos oceanos.

Se a Floresta Amazônica fosse substituída por outra cobertura vegetal, como a pastagem ou uma cultura agrícola arbustiva ou arbórea, o efeito na composição da atmosfera terrestre seria desprezível, principalmente se comparada com o efeito da abundante vegetação dos oceanos, que ocupa quase toda a superfície do planeta. Os teores de oxigênio e de gás carbônico da atmosfera sobre os oceanos e sobre os continentes são iguais e continuam sendo sempre os mesmos.

Ocupação humana da floresta
A floresta natural na ausência do homem civilizado mantém-se virgem em equilíbrio, com todos os seus componentes inclusive o homem em estado selvagem. Quando o homem civilizado vem e ocupa uma região florestada altera em algumas dezenas de anos, seu equilíbrio e transforma o ambiente numa condição favorável à sua sociedade. A floresta não será mais virgem, mas uma floresta antrópica, vegetação resultante de ação do homem sobre a vegetação natural. Como por exemplo pastos, plantações frutíferas, canaviais, etc, como aconteceu com a Mata Atlântica brasileira. São também florestas antrópicas as coberturas atuais da Europa, dos Estados Unidos, da China, do Japão etc.

No início do século vinte, quase todo o território do Estado de São Paulo estava coberto pela Mata Atlântica, cerca de 90%, Com o decorrer dos anos a cobertura florestal foi sendo reduzida sistematicamente. Por volta de 1950, na metade do século vinte, já tinha caído para menos de 15%. Com essa enorme redução na área florestada não se verificou alteração sensível nas suas condições climáticas. Elas continuaram favoráveis à vida humana e ao cultivo das mesmas culturas, como anteriormente.

O papel da floresta no clima
A floresta não tem papel significativo na temperatura da atmosfera terrestre. Certamente, um terreno de solo desnudo, desprotegido, pode apresentar grande variação de temperaturas no seu ambiente microclimático. Mas é um efeito local e não climático. Os fatores que afetam decisivamente a temperatura da superfície terrestre e da atmosfera são a radiação solar e as suas condições geográficas como: latitude, altitude, continentalidade, as massas de ar etc.

A floresta não influi na distribuição da precipitação pluvial da região. O regime pluvial é um efeito das condições geográficas e topográficas da região e não da cobertura do terreno. As grandes precipitações da região amazônica são efeito da sua posição geográfica. A foz do Rio Amazonas fica a oeste da região equatorial quente do Oceano Atlântico e pela circulação geral da atmosfera essa faixa latitudinal é caracterizada pelos ventos alísios, que sopram de leste. Assim, depois de passar sobre as águas quentes equatoriais do oceano Atlântico, a atmosfera aquece-se e umedece-se consideravelmente.
Dessa forma, penetra pela foz e vale planos do rio Amazonas, subindo seus afluentes, seguindo o curso do rio até as encostas da Cordilheira dos Andes.

Nesse percurso as altitudes vão se elevando, as temperaturas caindo, a umidade atmosférica se condensando e as nuvens formando-se e precipitando-se em forma de chuva, independentemente da cobertura do solo, que pode ser de floresta ou não.

A floresta que cobre o solo é efeito das condições favoráveis do terreno e do clima. Se houver deficiência de nutrientes no solo, como carência de potássio, de fósforo, de cálcio, de zinco, etc. a vegetação natural será o cerrado. Se houver falta de chuva e carência de água, a vegetação natural será a caatinga.

Na grande região central brasileira, os solos são oriundos de rocha sedimentar muito velha, sujeita há milhões de anos à lavagem pluvial. Foi muito lixiviada e empobrecida. Os solos resultantes são igualmente muito pobres. Não suportam uma floresta ou uma cultura agrícola. Sua vegetação natural será raquitizada. É o cerrado. Quando seu solo empobrecido for convenientemente fertilizado pela adubação pode se tornar uma terra de cultura e ser utilizada sem problema para culturas agrícolas, pastagens e mesmo para reflorescimento.

No Nordeste brasileiro, onde as chuvas são escassas e irregulares, o balanço hídrico climático pode acusar severas deficiências de água no solo e a vegetação natural não pode ser uma floresta natural, mas sim a vegetação raquitizada. É a conhecida caatinga.

Reconhecimento da Amazônia
A Amazônia é conhecida pelas margens dos rios, por onde circulam as embarcações. As margens, quando arenosas e muito lavadas pelas enchentes, apresentam terras excessivamente pobres em nutrientes e imprestáveis para a agricultura.

Isso dá idéia de que os solos amazônicos em geral são também demasiados pobres e impróprios para a agricultura. Hoje, com novas rodovias, passando pelas terras altas e bem drenadas dos interflúvios, verifica-se que muitos solos são bastante férteis, cobertos de florestas vigorosas, indicativas de solo e clima excelentes para agricultura e pecuária.

Considerações finais
Uma floresta adulta, vigorosa, em estado de clímax, não é fonte de oxigênio para a atmosfera. Todo o oxigênio que produz pela fotossíntese é consumido pela respiração e pela vegetação senescente em decomposição.

Mesmo que produzisse um saldo de oxigênio, ele seria insignificante em face do produzido pela imensa vegetação da superfície oceânica, que cobre mais de dois terços da superfície do globo terrestre.

A floresta amazônica é diminuta comparada à enorme cobertura oceânica do Globo, e praticamente não influi no clima geral da Terra.

A cobertura vegetal natural de um solo é conseqüência das condições do seu meio. Se forem todas favoráveis, a cobertura natural será a floresta. Se um fator não for favorável, não ocorrerá a floresta. Poderá ser o cerrado, o campo limpo, a caatinga, o solo nu etc.

Se houver influência da ocupação humana civilizada, a cobertura do solo não será a natural. Será uma cobertura antrópica, que poderá ter áreas florestadas ou não, segundo as conveniências do homem.

O destino de uma Floresta Amazônica antrópica será o mesmo da Mata Atlântica atual. Ficará equilibrada, e em harmonia com a presença do homem. Quem viver, verá!

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Senhores ambientalista. Por favor, o blog aguarda um estudo e não “achismos” para contestar o Dr. Ângelo Paes de Camargo.

Líder do PT "armou" contra aposentados

Veja a indignação dos aposentados que acorreram à Galeria e chegaram a virar as costas - em forma de protesto - ao líder do PT na Câmara, deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP), energicamente vaiado pelos aposentados.
Confira.

Pedido prisão de líder do MST que autorizou atos terroristas no PA

A Polícia Civil do Pará pediu a prisão preventiva de Charles Trocate, coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Estado. Ele é suspeito de ter ordenado atos de vandalismo em duas fazendas no sul do Estado na madrugada de quarta-feira.

O anúncio foi feito ontem pela governadora Ana Júlia Carepa (PT). Ela não deixou claro o motivo do pedido de prisão, que não tinha sido concedido pela Justiça até a tarde de ontem. A governadora disse somente que “há indícios fortes” de que Trocate é o responsável pelos crimes, mesmo sem sua presença física na região.

Três líderes do acampamento do MST Dalcídio Jurandir -que fica na fazenda Maria Bonita, um dos alvos da depredação- também foram identificados nas investigações.

Segundo as denúncias, um grupo de cem pessoas armadas invadiu as fazendas Maria Bonita, em Eldorado do Carajás, e Rio Vermelho, em Sapucaia, destruindo casas, equipamentos e tratores, agredindo funcionários e matando animais.

A primeira fazenda é controlada pela Agropecuária Santa Bárbara -que tem como sócio o banqueiro Daniel Dantas. O governo do Pará disputa na Justiça a propriedade da área.

Após a depredação, a governadora enviou 200 policiais para a região e determinou o cumprimento de ordens de reintegração de posse -em março deste ano, havia pelo menos 60 mandados não cumpridos.

Segundo Ana Júlia, “o MST declarou inclusive que perdeu o controle, portanto confessa que participou dos atos”.

Em nota, a Agropecuária Santa Bárbara atribuiu ao MST novos ataques.

Ontem, diz a empresa, sem-terra obrigaram funcionários de uma fazenda a deixarem as suas casas. No dia anterior, um carro da fazenda teria sido alvejado por tiros.

O movimento voltou a negar a autoria dos atos de destruição nas duas fazendas no Pará.

Maria Raimunda César, da coordenação nacional do movimento, disse não haver provas da participação dos sem-terra e insistiu na possibilidade de que os próprios fazendeiros tenham feito a depredação para culpar o MST. Aqui.

Fernando Coruja desmascara manobra contra aposentados na Câmara dos Deputados

Como o blog havia prometido, segue a publicação de "quem é quem" na batalha para dar um pouco mais de dignidade aos aposentados brasileiros.

Arnaldo Faria de Sá cobra votação de projetos dos aposentados

DEM diz que vai obstruir a favor dos aposentados e pede providências contra MST

Confira a agenda da Câmara na próxima semana

Detalhes aqui.

Veja como foi a sessão solene em Homenagem à Nossa Senhora de Nazaré 2024, na Câmara dos Deputados

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