O boi no brejo

Torquato Guadêncio, cientista político e jornalista, colunista dominical no jornal O Estado de S. Paulo.





Quarta-feira, 27 de junho de 2007 - Migalhas nº 1.683.

COITADA DA BEZERRA

Marcos Valério, o publicitário careca, para justificar contas astronômicas valeu-se do gado. Disse que eram recursos oriundos da venda de bovinos. O senador Renan Calheiros seguiu a trilha do curral e, da mesma forma, inflacionou a arroba da carne bovina. Alagoas é campeão nacional do gado de primeira. O senador Roriz também foi buscar no pasto o argumento para cobrir um cheque de R$ 2,2 milhões que recebeu de Nenê Constantino, dono da empresa aérea Gol. Ou seja, na ausência de uma boa prova, chama-se a bezerra.

A IMAGEM DO PECUARISTA NO BREJO

A cada novo escândalo envolvendo boi no pasto ou bezerra premiada, o maior perdedor é o bom pecuarista, aquele que cumpre as normas, tem Declaração do Nascimento do Gado (DNG) e Guia de Transporte Animal (GTA). E a imagem do bom pecuarista se atola no brejo.

Artigo sobre Reforma Política

O deputado federal Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), enviou para o blog artigo político que publico abaixo.

Melhorar a qualidade da representação política

Antonio Carlos de Mendes Thame*

O atual sistema de eleição de deputados federais e estaduais apresenta dois graves inconvenientes: o elevado custo das campanhas eleitorais e a diluição da representatividade, em decorrência da dispersão geográfica e da diversidade de reivindicações e demandas políticas daí advindas. Em virtude desse afastamento, o acompanhamento e a cobrança das atividades dos deputados eleitos praticamente inexiste.

Tomemos o Estado de São Paulo, como exemplo. Um candidato a deputado estadual ou federal deve comunicar que é candidato para quase 30 milhões de eleitores. Só para isso, só para contar que é candidato, o custo já é extremamente alto. Fazer campanha em todo o Estado é desumano. Caro e desumano. Candidatos por isso perdem grande parte do tempo procurando empresas para financiar sua campanha. Tempo que seria mais bem empregado para apresentar propostas e manter contatos diretos com os eleitores. Além disso, poder ser votado em regiões distantes do seu domicílio eleitoral contribui para piorar a qualidade da representação política, pois permite o voto em quem não se conhece. Alguns deputados acusados de receber mensalão ou de serem "sanguessugas" tiveram pequena votação no seu domicílio eleitoral, mas foram reeleitos em 2006, porque tiveram votos espalhados por todo o Estado. Como isso foi possível? Realizando campanhas caríssimas, contratando " cabos-eleitorais" em todo estado para obter votos junto a eleitores com os quais não tem identidade. Se só pudessem ser votados no distrito em que moram, dificilmente seriam eleitos.

Por outro lado, há ampla polêmica quanto ao novo modelo a ser adotado. Pelo menos duas alternativas vêm sendo discutidas nos últimos dias. Uma delas é a lista fechada. O eleitor passaria a votar em listas elaboradas pelos partidos. Essa proposta permitiria o financiamento público das campanhas, já que só os partidos receberiam recursos. Fortalece os partidos, mas tira do eleitor a possibilidade de escolher o seu deputado. Coloca nas mãos da burocracia partidária toda a força para indicar os que serão eleitos. Os primeiros nomes da lista deverão ser os mais conhecidos, servindo para "puxar" votos. O terceiro, o quarto, o quinto nome, porém, poderão ser fruto de barganhas espúrias, trazendo para dentro do partido um processo de degradação e corrupção. Além disso, invariavelmente, dificultaria muito a renovação e o surgimento de novas lideranças.

A alternativa apresentada é a do voto distrital. Com o voto distrital puro, dividindo o Estado de São Paulo, cuja bancada federal é de 70 deputados, em 70 distritos, cada distrito elegeria um deputado pelo sistema majoritário. Tem inegáveis vantagens: aproxima o eleitor dos eleitos, dimunui o custo das campanhas e facilita o acompanhamento e fiscalização dos trabalhos dos eleitos. O inconveniente, porém, é que isso exige uma emenda à Constituição Federal, com aprovação pelos votos de três quintos da Câmara e do Senado, em duas votações.

Outra hipótese é a do voto distrital misto: uma parte, digamos 80% das cadeiras, seriam disputadas nos distritos e 20% seriam preenchidas por lista fechada dos partidos.

Assim como no caso do distrital puro, a mudança para distrital misto também exige mudança na Constituição Federal.

Para contornar esta dificuldade, apresentei o projeto de lei 7537/06, instituindo o voto proporcional distrital. A proposta mantém o sistema proporcional, sendo que cada estado Definirá o número de distritos. Teríamos, no mínimo, dois eleitos em cada distrito e, no máximo, o correspondente à metade das cadeiras disputadas. Por exemplo: São Paulo, com 70 deputados federais, poderá ter no mínimo dois ou no máximo 35 distritos, de tal forma que em nenhum distrito haja a disputa de apenas uma cadeira. Se tivéssemos, por exemplo, sete distritos, cada um elegeria 10 deputados federais. Tal modelo não impede a eleição de candidatos temáticos que, sem identificação com temas locais, teriam maior dificuldade de serem eleitos em uma eleição distrital pura. Combina-se a possibilidade de eleger candidatos de fato próximos a uma dada base eleitoral, conhecido por seus eleitores até pessoalmente, com a possibilidade de preservar a candidatura de quem fizesse sua campanha em base a temas que empolgassem o eleitorado, pois se houvesse mais de um bom candidato na circunscrição, os mais bem votados seriam eleitos, e não apenas um único mais bem votado de todos.

Dessa forma, poderão ser diminuídos imensamente os custos das campanhas. Com sete distritos, em São Paulo, estaríamos diminuindo em 85% estes custos. Com 10 distritos, diminuindo em 90%! O voto proporcional distrital agregaria três expressivas vantagens: a proximidade do eleitor com os candidatos, a maior fiscalização da atuação dos eleitos e a redução dos custos de campanha.

Esse é um projeto factível, por não exigir emenda constitucional. Pode ser aprovado por lei ordinária. O projeto não contraria o sistema proporcional determinado pela Constituição da República, apenas modifica o critério para delimitar as circunscrição eleitorais, razão pela qual sua aprovação implica a revogação do artigo 86, da Lei n.º 4.747, de 15 de julho de 1965. É um projeto que só tem vantagens. Há quem alegue dificuldades para definir o tamanho dos distritos, inconveniente que também teria que ser enfrentado no caso do voto distrital puro ou misto.

A proposta é de grande simplicidade, resumindo-se, na prática, à redução da abrangência do Colégio eleitoral, que hoje são os estados, para circunscrições, distritos eleitorais menores em que os e estados se subdividirão.

Por último, há críticos que reconhecem a vantagem do voto proporcional distrital, porém acham necessária uma reforma mais radical. Nossa contestação é que o importante é mudar para melhor. Mesmo que não se corrijam todos os problemas , enquanto o voto em lista é um " tiro no escuro", contendo incógnitas que podem transformá-lo em brutal retrocesso, o voto proporcional distrital significa um concreto avanço, com vantagens inegáveis.

Antonio Carlos de Mendes Thame é deputado federal (PSDB/SP) e professor (licenciado) do Departamento de Economia da ESALQ/USP.

e-mail: dep.mendesthame@terra.com.br

Ainda temos uma pequena reserva moral

VERGONHA NACIONAL CONTINUA!!!!!
Jefferson Peres: "A Casa está desmoronando"

Quarta, 27 de junho de 2007, 09h43

Raphael Prado

Marcello Casal Jr./Agência Brasil


















Jefferson Peres (PDT-AM), desanimado com os últimos acontecimentos no Senado, diz que não quer mais continuar na Casa
- A Casa está desmoronando.
É com essa visão fatalista (e realista) que o senador Jefferson Peres (PDT-AM) inicia a entrevista a Terra Magazine. Ele se mostra completamente desiludido com o Senado Federal, com os últimos acontecimentos no Conselho de Ética - e o mais recente foi a renúncia do presidente, Sibá Machado (PT-AC).

Peres está desanimado com "a farsa" montada no caso do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que vem refutando a idéia de renunciar à presidência da Casa enquanto é investigado. Tão desanimado que anuncia o fim da carreira pública federal:
- Podem pensar o que quiserem, que é fuga, mas eu não quero voltar para o Senado Federal. Não quero. Encerro aqui. Posso até ser vereador em Manaus, mas senador eu não quero mais.
Jefferson sentencia:
- O Senado está no chão.
O senador não tem esperanças que algo vá mudar com a renúncia de Sibá Machado. Acha que o processo vai ser arquivado e tudo continua como está. Diz que os senadores realmente indignados são "4 ou 5".

Leia a entrevista exclusiva do senador a Terra Magazine:

Terra Magazine - O que é que está acontecendo nesta Casa, senador?
Jefferson Peres - A Casa está desmoronando, desmoronando... o nível todo do Senado caiu muito. Do Parlamento em geral... São pessoas que não têm espírito público, que querem apenas usufruir o poder e a qualquer custo. Desculpe o meu diagnóstico pessimista.
Desde que começou o processo contra o senador Renan, a sociedade nota que tudo parece uma grande farsa: a imprensa finge que está fazendo um trabalho de cobertura, os senadores fingem que estão trabalhando...
É um jogo de faz-de-conta, é uma farsa tudo isso. Como é que a imprensa toda não cobra, principalmente em editoriais, que refletem a opinião dos jornais, que ele, o Renan, não pode ficar na presidência do Senado sendo investigado, interferindo nas decisões do Conselho de Ética? Isso é um escândalo e não parece ser um escândalo! Ontem, afinal, o Democratas saiu do muro e definiu, assim mesmo com pressão de deputados, pedir a saída dele (de Renan Calheiros da presidência).
E como fica agora para alguns parlamentares sensatos - e felizmente ainda temos alguns - cobrarem que o processo seja mantido?
Nós, senadores que nos indignamos com isso... os realmente indignados, somos 4 ou 5. Ficamos muito isolados, eu me sinto cada fez mais solitário e desconfortável na Casa. Podem pensar o que quiserem, que é fuga, mas eu não quero voltar para o Senado Federal. Não quero. Encerro aqui. Posso até ser vereador em Manaus, mas senador eu não quero mais. O Senado está no chão.

Dá um sentimento de impotência até?
Impotência, impotência. Porque você vê que é geral. O Renan é presidente do Congresso Nacional e poucos deputados também reagem contra isso. Enfim, é um abastardamento dos costumes políticos impressionante.

O senhor vê perspectiva de mudança nos próximos dias?
Não, nos próximos dias não. Eu não acredito. Eu acho que eles vão encerrar o processo, arquivar e tudo continua como está. Mas eu vou defender hoje que o vice-presidente do Conselho de Ética (senador Adelmir Santana, do DEM-DF) assuma a presidência. Ele é presidente para todos os efeitos, até ser eleito o novo.

Ele é do Democratas, que defendeu a renúncia de Renan Calheiros à presidência da Casa. Diante disso, alguma coisa pode melhorar?
Talvez, se ele se dispuser e exercer as funções. Eu tenho medo que ele fuja também. É preciso imprensá-lo. Ele tem que responder pela presidência e praticar todos os atos. Se ele não fizer isso, é um omisso.

Tadinha dela
























Paris' Post-Prison Runway Walk
Detail´s here>>

O bloger acha essa capetinha linda!

http://www.tmz.com/2007/06/26/paris-post-prison-runway-walk/

Os empresários brasileiros contra Chávez

Foto: Francesco Spotorno/Reuters











Os dois principais diários americanos, The New York Times e Wall Street Journal, dão destaque à decisão das companhias petrolíferas Conoco Phillips e Exxon Mobil de deixarem a Venezuela por discordarem da nova lei de concessões.

Hora perfeita, mostra o Valor para que a Confederação Nacional da Indústria envie cartas aos senadores pedindo o veto a entrada da Venezuela no Mercosul. Os empresários dizem temer que as posições políticas do presidente Chávez atrapalhem o bloco nas negociações com grandes mercados, como União Européia e EUA. É pretexto. Na verdade, essa é uma discussão política. Hoje, a indústria brasileira hoje tem mais lucro vendendo para a Venezuela do que para a Índia.

Tão atual!

MONARCAS DE BRASÍLIA

(Junho, 2007)

“É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe”.

(Epíteto)

És a glória talvez! Talvez a morte!...

O diálogo mais repisado em Brasília:

Lobista - Preciso falar contigo.

Monarca - Boas mensagens?

Lobista - Espero-o às 20 horas no lugar de sempre.

Monarca - Você reserve e certifique-se que não seremos vistos.

Lobista - Este lugar sempre nos serviu bem. Temos dois candidatos interessados na construção das usinas.

Monarca - Ruim, , muita concorrência.

Lobista - O edital fala de duas usinas.

Monarca - Ah! Que bom. E já se acertaram?

Lobista - Claro! Só que nós resolvemos que haverá um sobre-prêço, adicional “mixuruco, para garantir a seguinte divisão: Monarca 20 %, Partido do monarca 10 %, Para você, Patrono das obras 10 % e para os Eventuais (congresso, outros monarcas, jornalistas) 10 %.

Monarca - Fechadíssimo.

Ao se despedirem, o lobista aconselhou o interlocutor a manter sigilo porque estas mesmas usinas, do outro lado do oceano, são construídas apenas com uma terça parte dos recursos que orçamos para estas duas.

O monarca estrelado, totalmente blindado, apenas sem coroa, muito amigo do coroado Gautama Buda, pensa sem dizer nenhuma palavra: todos sabem ser o empreiteiro mais pobre de todos os que disputam obras públicas, ele só está na parada de pequenas construções. Buda espiritualizado ou não, é peixe pequeno que está aflito porque não conseguiu blindar a sua empresa; as posses não permitiram fazer grandes “doações”.

As grandes empreiteiras, hoje são até banqueiros, exatamente aquelas que doam milhões para os fundos partidários, conhecidos como sobra de campanha; estão sempre misturados com o poder, eles e os poderes subservientes, para quem não os conhece, vendo-os em seus relacionamentos seria lógico pensar que se aquecem no mesmo cobertor.

Quanto mais o cobertor aquecia, mais exigências de verba e maior carga tributária, pouco importa o empobrecimento do povo e a conseqüente falta de crescimento. Único aquecimento que acontecia era nos cofres das empreiteiras e dos corpos sob o mesmo cobertor. Os controles de qualidade das obras eram subservientes e pagos para calar.

“Quem és tu? Quem és tu? És minha sorte!

É’

És talvez o ideal que est’alma espera!

És a glória talvez! Talvez a morte!... (Castro Alves)

Se a poesia estivesse sendo escrita no momento, em que tantos monarcas tomam conta de Brasília, o poeta, com certeza, declararia: Vossas mãos estão cheias de dinheiro público, cheias de dinheiro roubado, cheias de sangue dos mortos, vocês são a própria morte;. Vocês mentiram, estenderam uma casca de cebola, deram-lhe o nome de asfalto e produziram muitas placas: BR-buraco, BR-roubo, BR-caixinha, BR-vitória eleitoral, BR-prédio de Miami, BR- garanti o meu, os outros que se fodam.

ARISTÓTELES escreveu em 360 a.C: “A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las”.

Do mesmo autor: “Critique menos, trabalhe mais. E, não se esqueça nunca de agradecer.

Atenção! Aristóteles não viveu no Brasil e nunca imaginou os desmandos que aconteceriam de 1986 até hoje.

Ah! Que inferno.

Walter Marquart

Cx. Postal, 45

Águas de São Pedro - SP

PS

JK, um “peixe vivo, percebeu que para vencer a olimpíada da corrupção teria que seguir rumos diferentes dos exemplos europeus.

Parafraseando Quércia: QUEBROU O PAÍS, mas o monstro está lá, chama-se Brasília.

Os japoneses, “povo retardado”, não pensaram como JK. No lugar de sonhar, modernizaram a sua Capital, dotaram-na do necessário transporte de massas. No lugar de acabar com as suas ferrovias, planejaram, construíram e inauguraram o trem bala.

Nossa Capital de então, para o mundo e para nós uma cidade maravilhosa, degradou, degradou... O luxo de Brasília pode, e deve ser culpado de termos ordenado que a cidade maravilhosa se tornasse um inferno. é!

Os ratos do orçamento público e os Monarcas não toleram a idéia de que o Brasil deixe de lhes proporcionar bem-estar, luxo, conforto e licença para desenvolver o perdularismo.

As moças querem Renan

O povo de Brasília é notabilizado por um excelente humor. Veja.

Itamaraty apóia pleito contra pretensões da Cool Earth

Os Deputados da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional
estiveram reunidos ontem no Palácio do Itamaraty com o secretário-geral das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, para tratar da veiculação, na mídia, de anúncios de compra de áreas na Amazônia por organizações não governamentais (ONG) estrangeiras. "A Amazônia é alvo freqüente de denúncias. Desta vez soubemos do projeto de uma agência americana que diz querer preservar a Bacia Amazônica angariando fundos de doadores. Vamos fazer o que for possível para impedir esse tipo de ajuda", explica a presidente da comissão, deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Trata-se da ONG Cool Earth que vem veiculando internacionalmente um projeto que propõe que os doadores patrocinem por 35 libras - cerca de R$ 140 - meio acre de terras, o que eqüivale a 2 mil metros quadrados de mata. Para os parlamentares essa ação é muito grave.

O secretário Samuel Pinheiro Guimarães, ao ser questionado sobre as ações do ministério, disse desconhecer o fato. Ele também negou que exista algum acordo internacional firmado pelo governo brasileiro sobre o tema.

"Para a nossa surpresa, o Itamaraty não tinha essas informações, mas já se prontificou a nos ajudar", disse Grazziotin.

Ficou acordado que deputados e representantes do Ministério das Relações Exteriores e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vão se reunir para buscar soluções. A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) explicou que os deputados estão atentos às propostas de internacionalização da Amazônia. "Temos que ser vigilantes e alertar o Itamaraty. Queremos punição para esse pessoal", acrescentou.

Redação do Blog e Ag. Câmara

Não há futuro com esses números

O senador Cristovam Buarque mantém informações atualizadas sobre Educação em seu blog. Vale a pena conhecê-lo, clique aqui>>

São 9,5 milhões de jovens sem escola e sem emprego
Os jovens brasileiros vão pouco à escola, recebem ensino de baixa qualidade e têm mais dificuldades do que em qualquer país da América Latina para conquistar o primeiro emprego.

Por isso, matam e morrem mais, estão perto das drogas e iniciam a vida sexual cada vez mais cedo. Essas são algumas das conclusões do relatório "Jovens em situação de risco no Brasil", divulgado ontem pelo Banco Mundial, em Brasília.

O documento diz que os investimentos brasileiros em políticas públicas para esse grupo não são suficientes.

Embora não arrisque dizer quantos brasileiros entre 15 e 24 anos estão nessa situação, o documento traz cálculo inédito: segundo os pesquisadores, o custo de ter uma geração em situação de risco será de até R$320 bilhões, ou cerca de 20% do PIB brasileiro.

Clique aqui para ler a íntegra da matéria do jornal O Globo.

A cobiça pentecostal

Eles apresentam-se como guardiães da moral, da família e da sociedade. Quem não reza em sua bíblia é impuro, macumbeiro e não merece o Reino dos Céus.

Dois dos representantes dessa linha-seita religiosa, dois deputados federais eleitos por seus seguidores em Minas Gerais, ganharam as páginas principais de todos os jornais do Brasil e do Mundo.

Uma história sórdida de pistolagem, cobiça e muito, muito dinheiro. Leia os detalhes aqui>>

Caso Renangate

Novidades de hoje sobre o caso Renangate aqui>> no Press Brasília.

A máscara do MST




Modo de emprego (pág A2, 25/06)

Denis Lerrer Rosenfield, é professor


Não se iluda. O suposto rompimento do MST com o governo Lula é mero jogo de cena. Se não fosse, o financiamento dessa organização política seria cortado, a lei relativa à não-desapropriação das terras invadidas seria cumprida e o Incra e a Funai seriam desaparelhados. Enquanto isso não ocorrer, trata-se apenas de desavenças internas, próprias de um casamento cujos cônjuges têm uma visão diferente no que diz respeito à radicalização do processo político. Nada que conduza a um divórcio.

Há um modo único de operação nas ações de MST, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Fundação Palmares e PT, coordenados com o Incra e a Funai. De um lado, temos os ditos "movimentos sociais", apoiados pelo PT, e, de outro, os órgãos do Estado, aparelhados pelo próprio PT e por esses mesmos "movimentos". Estabelece-se uma sincronia de atividades que responde a uma mesma agenda política. Sob esta ótica, o Incra e a Funai funcionariam, dentro do mesmo Estado, como respondendo a uma "causa", consistente em voltar-se contra a iniciativa privada, a economia de mercado e o Estado de Direito.

O Estado deu um exemplo de como opera esse esquema. Na página A10 de 10/6, foi anunciado que o congresso do MST, "o maior de sua história", teria como preocupação central "como o capital estrangeiro, por meio de associação com empresas brasileiras, está comprando terras no Brasil", no dizer de João Pedro Stédile. "Achávamos que isso era coisa do período colonial, mas a sanha deles é insaciável." O objetivo é claro: as empresas estrangeiras, tanto individualmente quanto em sociedade com empresas nacionais. Na página A11 foi dada a notícia de que o Incra "quer rever as leis que regulam a compra de terras por estrangeiros". Já estaria quase pronta uma "portaria" e seria constituído um grupo de trabalho com o intuito de analisar o assunto e apresentar uma proposta ao Congresso Nacional. Na verdade, os estudos estariam bem adiantados, com toda uma discussão jurídica envolvendo o conceito de empresa nacional. Observe-se:

A suposta coincidência entre ambas as iniciativas, em que um estudo do Incra, sobre o "capital estrangeiro" no agronegócio, aparece simultaneamente a um "encontro" do MST;

coincidências desse tipo ocorrem normalmente entre "estudos" e "portarias" do Incra (poderia ser a Funai) e ações dos movimentos ditos sociais;

o mesmo tema orienta tanto os "estudos" e a "portaria" quanto a ação do MST, prelúdio de novas invasões.

Esquema análogo opera em outros órgãos de Estado ou no mesmo em diferentes momentos. Já há "vazamentos" de que os "índices de produtividade" deverão ser revistos, conforme uma promessa feita por Lula. O presidente não estaria cumprindo a sua "promessa", de modo que novas invasões serão provavelmente feitas segundo os novos critérios. Anuncia-se, ao mesmo tempo, que o Incra já possui estudos que atualizam os índices de produtividade, estabelecendo regiões prioritárias para assentamentos. O mesmo ocorre com a Funai, onde os "estudos" antropológicos realizados são concomitantes às invasões e às propostas de "portarias". Os "índios" invadem as propriedades, com o apoio do Cimi e do MST, criando o problema, que é, então, apresentado à mídia como uma luta entre uma grande empresa, apenas preocupada com o seu "lucro", e os pobres injustiçados por uma exploração de 500 anos. Exemplos do mesmo tipo poderiam ser apresentados no que diz respeito aos quilombolas, à Fundação Palmares, ao Incra e às invasões.

Há um mesmo roteiro. Vejamos os seus passos:

O primeiro consiste na determinação do alvo a ser atingido, segundo uma decisão que envolve o PT, as pastorais da Igreja (CPT e Cimi), o MST, setores da CUT e órgãos do Estado (Incra e Funai);

o segundo consiste em que tal decisão só pode ser possível por envolver pessoas que defendem a mesma causa. Ocorre o aparelhamento do Estado pelo PT e por esses movimentos sociais, sem o que não poderia haver tal sincronia;

o terceiro se desdobra em dois: o do estudo, de um lado, e o das invasões e dos congressos, do outro, de tal maneira que esses dois lados da mesma moeda apareçam para a opinião pública como se fossem distintos;

o quarto reside em notícias que são plantadas ou vazadas para os jornais, segundo as quais há estudos em andamento que mostram a injustiça vigente numa determinada área tanto geográfica quanto social, racial, indígena ou de meio ambiente. Simultaneamente a essas notícias começam as invasões que comprovariam a veracidade dos estudos;

o quinto é o da apresentação da "questão social" assim criada, que captura adesões na opinião pública, de modo que se crie uma legitimidade tanto para a publicação da "portaria", que regulariza tal problema em nome da justiça social, quanto para as invasões;

o sexto se traduz pelo começo de três relativizações da propriedade privada: as funções social, racial e indígena. A propriedade privada é, então, relativizada em razão dos problemas sociais, raciais e indígenas do campo e das cidades. O seu resultado reside nos processos de desapropriações, dependendo do caso, com ou sem indenizações;

o sétimo é o do comparecimento do Estado como instância capaz de equacionar os problemas sociais, cumprindo, assim, sua finalidade distributiva. Intervém o imaginário do resgate de uma "dívida histórica", o que tende a ser bem aceito pela população, já capturada por essas idéias;

o oitavo consiste no fortalecimento dos movimentos ditos sociais, que ganham para si uma parte desse financiamento, continuando com suas atividades. Cabe salientar que essas organizações políticas se legitimam para novas invasões e novos financiamentos, fortalecendo-se, enquanto organizações, num círculo vicioso que se repete indefinidamente.

---------------------------

Já no Fórum dos Leitores (Estadão, A3, 25/06), o Sr. Igor Santos, assessor de imprensa do MST, esclarece reportagem sobre desmatamentos. Eu, como contribuinte, gostaria que o assessor esclarecesse como pode um movimento, que não existe como pessoa jurídica, ter assessoria de imprensa, coordenadores regionais, diretoria, ser subsidiado com dinheiro público e não prestar conta alguma à sociedade, bem como funcionam os infindáveis assentamentos que não são auto-sustentáveis. Alguém pode me responder?

Ex-ministro defende divisão de pasta de Minas e Energia

O ex-ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, defendeu nesta quarta-feira (20.6), em Brasília, a divisão do ministério de Minas e Energia em duas pastas e a criação de uma Agência para regulamentar a atividade mineradora. Durante encontro com deputados realizado pela comissão temática da Câmara destinada a discutir a exploração de recursos minerais, o também ex-senador afirmou que todo o sistema precisa passar por uma grande reformulação.

“Defendo a divisão do Ministério em Petrobras e Energia de um lado e Minas de outro. Isso proporcionará avanços significativos para o setor da mineração no país. Além disso, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) precisa ser transformado em uma Agência Reguladora com autonomia para a área de minas”, afirmou.


De acordo com Tourinho, a questão da licença ambiental é um problema tanto para a área de energia quanto de mineração. “Creio é que o governo precisa ter um entendimento muito claro com relação ao que o País precisa para que haja crescimento econômico sem que haja agressão ao meio ambiente nas duas áreas”, comentou.


Para o vice-presidente da Comissão, deputado federal Vitor Penido (Democratas-MG), “o encontro com o ex-ministro contribuiu para que os deputados tivessem mais subsídios e informações sobre o setor de Minas e Energia”, informou.


Vinícius Tavares
Ascom Dep. Vitor Penido

Mentiras, mentiras...e mais mentiras. Isso é a Isto É dessa semana

A revista semanal Isto É, bem que poderia dizer aos seus leitores quanto custou a matéria paga que publicou esta semana, para dizer que o prefeito Duciomar Costa (PTB) - pior prefeito da história de Belém - tem 70% de elogios dos belemenses.

Até as pedras do Ver-o-Peso, um dos cartões postais da capital paraense e que se encontra imundo como nunca, sabem que esse cidadão é a maior fraude eleitoral jamais vista na terra dos cabanos.

Metrópole da Amazônia

Prefeito planeja trazer de volta a Belém o esplendor da Belle Époque e é elogiado por 70% da população

PORTA DE ENTRADA Casarões coloniais, ruas e praças foram restaurados, de olho no turismo da Amazônia
Os número de Belém

O Frommer’s Travel Guide, um dos mais conceituados guias de turismo internacional, acaba de contabilizar que o Estado do Pará foi o terceiro entre os dez destinos mais procurados do mundo por turistas em 2006. No ranking realizado pelos norte-americanos – que classificou ainda em sua publicação a exuberante ilha da Tasmânia, na Austrália, e o paraíso de Goa, na Índia – a Amazônia ganhou tal preferência apoiada no tripé beleza natural, gastronomia exótica e a eficiência na infra-estrutura. Essa tríade, que impulsionou o turismo na região em 2006, tem como ponto-chave do sucesso a parada obrigatória de todo viajante que deseja desvendar os segredos e os mistérios da floresta: a cidade de Belém, capital do Pará, o portal da Amazônia.

Em janeiro de 2005, quando tomou posse na prefeitura de Belém, o senador Duciomar Costa (PTB) assegurou a seus munícipes que a cidade, em sua administração, iria resgatar a condição de “Metrópole da Amazônia” que ostentava outrora. Mas Belém não chama a atenção apenas dos estrangeiros. Pesquisa Databrain revela que a população local tem aprovado a atual gestão. Na enquete que entrevistou 800 pessoas, entre os dias 14 e 15 de junho de 2007, concluiu- se que 70% da população reconheceu positivamente o bom desempenho do governo municipal. Os números garantem que os habitantes de Belém acreditam que a imagem da cidade, de fato, voltou a ser inserida no cenário nacional e internacional.

DESTAQUES A paisagem da “cidade das mangueiras” é destaque em guias internacionais de turismo

A cidade viveu seu apogeu durante a Belle Époque, entre o final do século XIX e início da 1ª Guerra Mundial (1914), quando a região viveu o ápice do ciclo da borracha. Foi uma época da exuberância, inovações e de efervescência cultural. Naquele tempo, Belém era considerada pelos empresários, políticos e turistas um dos municípios mais desenvolvidos do Brasil e uma das capitais mais prósperas do mundo. Justamente para resgatar essa notoriedade, a prefeitura local tem se desdobrado em ações de todos os tipos. A base do desenvolvimento da cidade é o projeto batizado de “Ama Belém”, no qual várias iniciativas de desenvolvimento e geração de empregos estão sendo gestadas.

Segundo a pesquisa Databrain, 84,8% dos moradores da cidade acreditam que os administradores do município vêm cumprindo as promessas feitas nos palanques e só 8% dos entrevistados dizem que o prefeito não cumpre nada do que prometeu. Outros 7% não souberam ou não quiseram responder a pesquisa. Um bom exemplo de que compromisso assumido, na gestão municipal, é trabalho realizado, pode ser aferido nas ruas da “cidades das mangueiras”, como carinhosamente é chamada Belém, em alusão à grande quantidade dessas árvores nas vias do município. Mais da metade de seus 2,4 mil quilômetros de ruas esburacadas foram transformadas em ruas pavimentadas, outras estão sendo reformadas e dezenas de praças foram arborizadas. Quando consultados sobre a pavimentação e conservação das praças, trinta em cada 100 belenenses dão nota dez para Duciomar Costa.

DINAMISMO A administração do prefeito Duciomar Costa é avaliada positivamente por 7 em cada 10 belenenses

Belém, que já foi a cidade de Santa Maria do Grão- Pará, tornou-se a capital do Estado do Maranhão e do Grão-Pará, em 1751, quando era responsável por todo o extremo norte do Brasil. Tempos depois, passou a se chamar Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Hoje, a cidade tem cerca de 1,2 milhão de habitantes. Nos últimos anos, a cidade tinha sido praticamente abandonada por seus administradores. Por isso, a equipe do prefeito resolveu em primeiro lugar resgatar a auto-estima da população. Como auto-estima e educação caminham juntos, a prefeitura construiu várias escolas, reformou outras 52, dotou 48 delas com equipamentos de informática. Ainda na Educação, a secretaria da pasta ergueu oito salas multifuncionais para crianças com necessidades especiais. Para garantir a tranqüilidade no município, na área de segurança pública, 800 pessoas foram integradas a guarda municipal.

Na capital do Pará, há de tudo que existe de bom no Estado para ser mostrado e aproveitado. A cidade realiza a maior manifestação religiosa do País: são mais de dois milhões de pessoas que transitam pela metrópole na festa do Círio de Nazaré, que acontece no mês de outubro. Além da beleza do artesanato, o turista que chega a Belém desfruta de um clima tropical que faz os termômetros baterem a máxima de 38 graus e mínimas de vinte – o mês de julho é o ideal para desfrutar o “verão” da região, que conta com um invejável potencial hidrográfico. Mas o visitante e o morador de Belém têm mais a apreciar na cidade: a beleza da arquitetura secular das construções restauradas, assim como as igrejas imponentes que contracenam com os prédios modernos. Na culinária exótica, a forte influência indígena está presente à mesa em pratos como o pato no tucupi, o tacacá, a maniçoba e outras delícias como o açaí. No conjunto, cidade bem cuidada, gastronomia exuberante e cultura efervescente dão à capital do Pará um toque de cidade cosmopolita. A pesquisa Databrain captou que 51,5% da população local avaliou que Belém progrediu no atual mandato. É, de fato, um retorno à Belle-Époque.

Bel Mesquita fala sobre Simpósio Pró-Criação do Estado do Carajás

Foto: Sônia Baiocchi
Em pronunciamento esta tarde na Tribuna da Câmara dos Deputados, a deputada federal Bel Mesquita (PMDB-PA), descreveu suas impressões do 1.º Simpósio Pró-Criação dos Estados de Carajás e Tapajós, realizado pela Câmara Municipal de Marabá. "Foi um encontro de pessoas envolvidas com o único ideal: transformar a região onde vivem em um lugar seu."
Participaram do evento autoridades do sul, do sudeste e do oeste do Pará, e do sul do Maranhão e de Tocantins.

De acordo com a parlamentar, o debate sobre a reestruturação do território brasileiro não é nenhuma novidade. Desde a proclamação da República este tema provoca polêmicas acirradas. Mesquita, porém, acredita que, "se quisermos obter êxito na nossa jornada, o caminho é este: persistência e diálogo.
Quero deixar claro que nós, participantes do referido evento, amamos o Pará assim como um filho ama os pais. Mas todos nós sabemos que chega um momento em que o filho toma consciência da sua capacidade de se auto-sustentar e de se desenvolver e decide sair de casa." É isso o que acontece no Carajás, comparou a peemedebista.

"O nosso desejo de emancipação vem do sentimento de que somos capazes de autodeterminar o nosso desenvolvimento", disse Bel Mesquita.

A deputada acredita que a redivisão territorial expressaria maior democratização das forças regionais. O Pará é um Estado de dimensões gigantescas. Sua área territorial é de aproximadamente 1.247.700 quilômetros quadrados, cerca de 15% do território brasileiro. Só para se ter uma idéia de como é grande o Pará, dentro dele cabem quase 5 Inglaterras e mais de 41 Bélgicas. A área do Carajás se situa a 670 quilômetros de distância de Belém, e o município de Conceição do Araguaia dista mais de 1.100 quilômetros da capital do Pará.

Mesquita explicou que com a criação de novos Estados haverá melhoria na segurança territorial, na comunicação entre municípios e Estado e, principalmente, melhoria na qualidade de vida da população.

Propostas - Atualmente tramitam nas duas Casas do Congresso Nacional 16 propostas de criação de novos Estados e Territórios no País. A criação de novos Estados é um ideal, o reflexo do desejo de uma gente que acredita que pode fazer a diferença. A deputada Bel Mesquita ressaltou que "como membros do Legislativo, este é o nosso dever: ouvir os anseios da população e, a partir daí, elaborar projetos, acompanhá-los e votá-los. Devemos lutar por ideais, mas nunca nos omitindo da nossa responsabilidade para a qual fomos eleitos".

Ex-prefeita do Município de Parauapebas - umdos mais importantes do Pará-, Mesquita destacou que sua experiência no Poder Executivo lhe permitiu ter a consciência da importância do Legislativo, completando que: "Agora que sou uma Parlamentar reconheço a responsabilidade que tenho nas mãos. Além de criar novas leis e de fiscalizar o Executivo, nos cabe a missão de conscientizar as pessoas de todo o Estado e de todo o Brasil das vantagens que a nova configuração da divisão territorial trará a todos nós."

Bel MEsquita disse ainda ao deputado que presidia a sessão que: "Esse é o nosso grande desafio, que sabe a responsabilidade e tem um pezinho no Pará também, como o senhor sempre diz, na cidade de Benevides, está aqui um grande desafio.

(PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO GABINETE)
A SRA. BEL MESQUITA (Bloco/PMDB-PA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no dia 15 de junho, participei do 1º Simpósio pró-criação dos Estados de Carajás e Tapajós, evento realizado pela Câmara Municipal de Marabá. Foi um encontro de pessoas envolvidas com um único ideal: transformar a região onde vivem em um lugar seu. Participaram do evento autoridades do Sul, Sudeste e Oeste do Paráe do Sul do Maranhão.
Presidente, é sabido que o debate sobre a reestruturação do território brasileiro não é nenhuma novidade. Desde a proclamação da República este tema provoca polêmicas acirradas. Mas acredito que, se quisermos obter êxito na nossa jornada, o caminho é esse: persistência e diálogo.
Quero deixar claro que nós, participantes do referido evento, amamos o Pará assim como um filho ama os pais. Mas todos nós sabemos que chega um momento em que o filho toma consciência da sua capacidade de se auto-sustentar e de se desenvolver e aí ele decide sair de casa. É isso o que acontece no Carajás. O nosso desejo de emancipação vem do sentimento de que somos capazes de autodeterminar o nosso desenvolvimento.

Acredito, nobres colegas, que a redivisão territorial expressaria maior democratização das forças regionais. O Pará é um Estado de dimensões gigantescas. Sua área territorial é de aproximadamente 1.247.700 km² (um milhão duzentos e quarenta e sete mil e setecentos quilômetros quadrados). É cerca de 15% do território brasileiro. Só para se ter uma idéia dentro do Pará cabem quase cinco Inglaterras e mais de 41 Bélgicas. Quero informar-lhes, nobres colegas, que a área do Carajás se situa a 670 quilômetros de distância de Belém, a capital do Pará. Creio que com a criação de novos Estados haverá melhoria na segurança territorial, na comunicação entre municípios e Estado e, principalmente, melhoria na qualidade de vida da população.

Atualmente tramitam nas duas casas do Congresso Nacional 16 propostas de criação de novos Estados e Territórios no País. A criação de novos Estados é um ideal, éo reflexo do desejo de uma gente que acredita que pode fazer a diferença. Como membros do Legislativo esse é o nosso dever: ouvir os anseios da população e, a partir daí, elaborar projetos, acompanhá-los e votá-los. Devemos lutar por ideais, sim, mas nunca nos omitindo da nossa responsabilidade para a qual fomos eleitos.

Eu, que já fiz parte do Poder Executivo, conheço a importância do Legislativo. Agora que sou uma parlamentar reconheço a responsabilidade que tenho nas mãos. Além de criar novas leis e de fiscalizar o Executivo, nos cabe a missão de conscientizar as pessoas de todo o Estado e de todo o Brasil das vantagens que a nova configuração da divisão territorial trará. Esse é o nosso desafio.

Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. Agradeço a oportunidade e solicito a divulgação nos órgãos de comunicação da Casa e na Voz do Brasil.

Repúdio ao projeto da Usaid

Vários parlamentares que compõem a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, terão, daqui a pouco, audiência com o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Secretário-Geral das Relações Exteriores do Itamaraty.
A Comissão da Amazônia solicitou esta audiência para debater uma série de questões relativas a alguns problemas em curso na Amazônia.

Um dos temas a serem discutidos com o secretário-geral, é sobre matéria publicada no jornal Correio Braziliense, em maio próximo passado, dando conta de que a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional — USAID, "estaria desenvolvendo e financiando projeto para preservar a Amazônia, cujo valor inicial seria da ordem de 130 milhões de dólares, e em parceira com aproximadamente 26 entidades, entre elas instituições universitárias brasileiras, estrangeiras e entidades não-governamentais", explicou a deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), agora a pouco no pequeno expediente da Câmara.

O objetivo desse projeto, segundo a deputada, é denominado de Conservação da Bacia Amazônica e teria como objetivo o de monitorar e vigiar a nossa região, sobretudo, o de fazer acompanhamentos próximos e permanentes dos grandes projetos previstos para a região, as duas hidrelétricas do rio Madeira, a construção da estrada que liga o Brasil ao Peru, o asfaltamento da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, o gasoduto Urucum-Porto Velho e tantas outras obras.

Além do mais, de acordo com a matéria publicada no jornal, o Governo brasileiro, por intermédio do Itamaraty e do Ministério da Defesa, teria barrado o referido projeto que chegou de forma equivocada: um organismo norte-americano define área no Brasil que deve ser preservada, a metodologia e a forma como isso deve ser feito.

Ainda de acordo com a parlamentar, teria sido formada uma Comissão Interministerial para tratar desse assunto e que o assunto será tema do encontro com o embaixador Samuel Pinheiro. Mas mais do que isso, será tratado também do problema fundiário na região amazônica, especialmente do acesso dos estrangeiros à propriedade de terra no Brasil, mas sobretudo na Amazônia. "Temos em nosso País uma lei específica que trata do acesso dos estrangeiros a propriedades", disse Grazziotin.

"O próprio INCRA diz que formou uma Comissão para que ela estabeleça novas diretrizes uma vez que não há limites. Quero dizer que temos lei e que ela determina, sim, limites para o acesso de estrangeiros a terras no Brasil, repito, sobretudo na Amazônia. Isso deve ser respeitado", cobrou a deputada.

Outro assunto a ser discutido com o embaixador diz respeito a vários cidadãos brasileiros, nordestinos, nortistas, que se encontram presos na Venezuela. Pessoas que foram trabalhar, não de uma forma legal, mas que encontram-se detidos no país vizinho, país amigo e vizinho, vivendo em condições subumanas. Então, a Comissão deverá tratar desses tópicos com o embaixador Samuel Pinheiro e espera-se que em breve tenha-se notícias a respeito desses assuntos tão importantes, não só para a região, mas para o exercício da soberania e da nossa autonomia, complementou a deputada.

Encrenca peemedebista no Senado

Duas matérias publicadas hoje no jornal F. de São Paulo expõe a situação em que se encontram os dois senadores do PMDB envolvidos em suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.

As repórteres Renata Giraldi e Silvana de Freitas, contam que a três semanas do início do recesso do Congresso, os aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), iniciam, nos próximos dias, a estratégia para adiar a votação do processo de quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética, apostando que o tempo contará a seu favor.

Na quarta-feira, em reunião do conselho, o vice-líder do PMDB, senador Wellington Salgado (MG), um dos fiéis integrantes da tropa de choque de Renan, vai apresentar um requerimento contestando ponto a ponto todos os procedimentos adotados até agora nesse processo disciplinar.

"A representação do PSOL [pela abertura da investigação no conselho] teve um objetivo específico e o que se percebe agora é que as denúncias geram outros questionamentos", disse Salgado, alegando um suposto desvirtuamento do alvo. Os questionamentos têm o objetivo de atrasar outras medidas que poderiam ser definidas pelo Conselho.

Em outra matéria assinada pela dupla de repórteres, diz que a Corregedoria do Senado vai analisar suspeitas sobre Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal e atualmente exercendo mandato de senador.

Assessores do senador, suspeito de ter negociado partilha de dinheiro de origem ignorada, afirmam que o assunto já foi explicado

Alvo de gravações telefônicas que o colocaram sob suspeita de negociar partilha de dinheiro de origem ignorada, o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) terá o processo analisado pela Corregedoria do Senado.

O corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), decidiu pedir ao Ministério Público e à Polícia Civil do Distrito Federal cópia da investigação e das gravações. Tuma pode arquivar o caso ou remetê-lo ao Conselho de Ética, que poderá iniciar uma investigação.

Conversas gravadas em 13 de março, com autorização judicial, registraram Roriz supostamente combinando partilha de dinheiro com o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Tarcísio Franklin de Moura.

As gravações foram realizadas pela Polícia Civil do DF, na Operação Aquarela, que resultou na prisão de 19 pessoas em Brasília e em São Paulo, inclusive Moura, por suspeita de desvio de R$ 50 milhões do BRB.

Alguns parlamentares defendem que Roriz vá à tribuna hoje mesmo. "Vamos esperar que ele ocupe a tribuna e preste os devidos esclarecimentos", disse Jefferson Péres (PDT-AM). Demóstenes Torres (DEM-GO) disse considerar o caso "aparentemente grave".

Mais investimentos para ciência e tecnologia na Amazônia

Até 2010 não haverá contingenciamento de recurso para ciência, garante diretor do MCT

Mais investimentos para ciência e tecnologia na Amazônia e zero contingenciamento de recursos para essa área na região. Essas solicitações foram feitas por parlamentares da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional (CAINDR), na manhã de hoje (21/5), durante audiência pública que tratou das dificuldades enfrentadas pelos setores de educação, técnico e científico na região. O evento atendeu a requerimentos da presidente da Comissão, deputada Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM) e do deputado Henrique Afonso (PT-AC).

O Diretor do Departamento de Ações Regionais do Ministério de Ciência e Tecnologia, Leonardo Hamur, disse que o Ministério tem desenvolvido um trabalho junto com os Comitês gestores dos Fundos Setoriais e os próprios setores de pesquisa do País para que haja o descontigenciamento desses recursos.

“Desde o ano passado já há uma liberação gradual desses recursos. Está sendo executada uma diminuição no volume reservado para contingência. Trabalhamos para que que até 2010 não haja mais nenhum tipo de contingenciamento”, destacou Hamur.

O contigenciamento de recursos para a área de ciência e tecnologia da Amazônia foi apontado, pelos parlamentares, como um dos principais entraves para o desenvolvimento da região. E também a causa da desigualdade no desenvolvimento da área científica existente hoje entre os Estados da Amazônia e os do Centro Sul do País.

Porém, Leonardo Hamur disse que o Governo hoje trabalha com atendimento a demandas. “Queremos ouvir as demandas da Amazônia. É um quebra de paradigmas adotada pelo atual Governo”. Ele avalia que a “culpa” pela pouca quantidade de recursos destinada a pesquisa na Amazônia não deve ser imputada só ao Governo.

“Há necessidade de que o setor de pesquisa também entenda o que é demandado pelo setor produtivo estabelecido na região como as populações ribeirinhas, das áreas de várzea, índios, setor produtivo da floresta, da zona urbana e outros. Eles precisam estabelecer o que querem como demanda tecnológica e a Academia precisa voltar seus estudos para atender a esse anseio do setor produtivo. E aí sim, o Governo Federal pode estabelecer políticas para atender a esse entendimento”, defendeu Leonardo Hamur.

Hamur disse ainda que hoje, devido aos poucos recursos, existe necessidade de extrema otimização. “Somos reféns de uma pesquisa voltada para resultados. Também não podemos, aqui de Brasília, direcionar recursos para a Amazônia sem que os setores que buscam essa inovação tecnológica possam fazer uso do resultado dessa pesquisa. A pesquisa pela pesquisa é um produto extremamente caro. A pesquisa precisa ser orientada para resultados que possam ser assimilados, absorvidos pelo setor produtivo”, ressaltou.

Emídio Cantídio de Oliveira Filho, diretor de Programas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior da CAPES, destacou que os recursos são destinados para onde existe recurso humano desenvolvendo pesquisa. “A Amazônia, por suas características históricas, é uma região de baixíssima densidade demográfica. Temos um numero bastante pequeno se comparados com o de outras regiões do País. E aí, propocionalmente, os recursos disponibilizados, são poucos”, esclareceu.

O professor Spartakus Astolfi, da Universidade Federal do Amazonas, ressaltou que as atuais ações do Governo têm melhorado o ensino de base. Para ele uma das melhores formas de evitar o uso insustentável da floresta é educar o povo. Com relação formação superior e a pesquisa, ele disse que é necessário infra-estrutura para manter e fixar os pesquisadores na região. “Se não, eles se formam e vão embora”, alertou.

O presidente da Fundação Tecnológica do Acre (Funtac), João César Dotto, lembrou que além das desigualdades regionais dos investimentos em ciência e tecnologia, existem também diferenças de investimentos realizados pelos Estados da região Amazônica. “No Amazonas, por exemplo, são investidos 200 milhões e no Acre apenas R$ 20 milhões”, informou.

Dotto disse que o Acre passa por grandes dificuldades na área de infra-estrutura para pesquisa como laboratórios desatualizados, inconstância na qualificação dos pesquisadores, dificuldades de acesso aos editais, entre outras. Ele classificou como positiva a política de Governo exposta por Leonardo Hamur. “As decisões dos projetos da Amazônia têm que acontecer na Amazônia e não em Brasília”, disse.

Assessoria de Imprensa

Acesso aéreo na Amazônia será tema de audiência pública

A Comissão da Amazõnia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional aprovou hoje requerimento da deputada Fátima Pelaes (PMDB/AP) que pede a realização de audiência pública na Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (CAINDR) em conjunto com a Comissão de Turismo e Desporto com o objetivo de debater o acesso aéreo na Amazônia.

Fátima Pelaes explica que para o desenvolvimento da região, é necessário debater sobre o acesso aéreo na Amazônia, criando um ambiente propício para viabilizar o ingresso na região, tanto pelo lado oriental, como ocidental, assim como, melhorar o transporte aéreo regional, sob pena de não conseguir o isolamento com as demais regiões do País e não promover a integração com os Estados da Região Norte.

“Esta preocupação também nos foi passada por representantes da Suframa, quando estivemos visitando a Zona Franca de Manaus, bem por representantes do Fórum de Secretários de Turismo”, diz citando a importância do requerimento.

A presidente da Comissão, deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), subscreveu o requerimento. “Precisamos discutir não só o acesso a Amazônia, mas os acessos regionais, que são muto difíceis também. A tarifa aérea desses deslocamentos é mais cara que de do deslocamento de um estado da região para São Paulo, por exemplo”. Disse Grazziotin.

Diovana Miziara

Assessoria de Imprensa

Deputados da CAINDR reagem à manobra da Coll Earth

Em nota enviada pela jornalista Bety Rita Ramos, da Assessoria de Imprensa da CAINDR (Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional) reage a tentativa de internacionalização da região.

A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional aprovou em em sessão no dia 20/6, em reunião ordinária, requerimento das deputadas Vanessa Grazziotin (PCdoB), presidente da CAINDR, e Perpétua Almeida (PcdoB-AC), solicitando, por parte dos órgãos responsáveis, investigação das ações da Organização Não Governamental Coll Earth. A ONG está divulgando na mídia nacional e internacional projeto de arrecadação de recursos para compra de áreas da floresta Amazônica.

O projeto da entidade propõe que os doadores patrocinem por 35 libras – cerca de R$ 140,00 – meio acre de terras, o que equivale a dois mil metros quadrados de mata. De acordo com a justificativa das duas deputadas, essa ação está mobilizando o Parlamento Europeu. Foi divulgado na mídia internacional que só na primeira semana vinte mil pessoas contribuíram com recursos financeiros.

As parlamentares consideram essa ação muito grave. Além delas, os deputados Carlos Souza (PP-AM), Urzeni Rocha (PSDB-RR), Maria Helena (PSB-RR), Zequinha Marinho (PMDB-PA), Sebastião Bala (PDT-AP) e Asdrubal Bentes (PMDB-PA) se manifestaram contra a ação da ONG e outras que visam a internacionalização da Amazônia.

Grupo de Trabalho - Foi aprovado, por sugestão do deputado Asdrubal Bentes, a formação de um Grupo de Trabalho que deverá encaminhar este assunto. Dentro das ações, propostas pelas duas deputadas, já está agendado para a próxima segunda-feira, às 16h, audiência com o Secretário do Ministério de Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro.

Turismo - As duas parlamentares assinaram também, conjuntamente, requerimento, aprovado por unanimidade, que solicita a realização de audiência pública com a Ministra do Turismo, Marta Suplicy.

O evento visa debater os desdobramentos das Medidas Provisórias do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) referentes aos recursos destinados á instalação de infra-estrutura turística na Amazônia.

“O PAC é uma ferramenta para viabilizar as obras estratégicas do País. E o eco turismo é uma grande possibilidade de desenvolvimento da Amazônia. Porém, não se faz sem infra-estrutura”, disse Vanessa Grazziotin.

Cana-de-Açúcar - A deputada Perpétua Almeida obteve aprovação de mais três requerimentos, além dos citados acima. Dois deles tratam da regulamentação do plantio, cultivo e colheita da cana-de açúcar nos Estados da Amazônia. Eles requerem envio de indicação aos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Meio ambiente para que seja publicada Portaria regulamentando essa questão.

“É correta a preocupação de se buscar novas formas de energia, mas quando se trata da Amazônia temos que ser mais criteriosos. Sou favorável ao cultivo de cana-de-açúcar na região, mas temos que ter regras rígidas”, destacou Perpétua.

Ações Ambientais - Outro requerimento aprovado, de Perpétua Almeida, solicita a realização de audiência pública com o Governador do Estado do Amazonas, Eduardo Braga, para debater as ações ambientais daquele Estado. “O governador criou o Bolsa Floresta, projeto que precisamos conhecer mais e estudar a possibilidade de implantá-lo em outros Estados” justificou a parlamentar.

A ética pediu licença e sumiu!

Hora de partir

Sem conseguir provar nada do que afirma, nem mesmo a venda de gado, o senador vira um constrangimento para o Senado – e a superação da crise exige sua renúncia

Otávio Cabral
VEJA TAMBÉM
Nesta reportagem
• Quadro: "Antes de terminar, mentirás seis vezes"

O senador Renan Calheiros, na sua batalha para provar que o lobista da empreiteira Mendes Júnior não pagou suas despesas pessoais, começou a semana passada disposto a desmoralizar seus acusadores, arquivar as investigações e voltar a presidir o Senado sem atropelos. Terminou a semana errando em todos os alvos. Suas explicações sobre negociações de gado, que justificariam o tamanho de seu patrimônio, acabaram desmoralizadas por uma perícia da Polícia Federal, as investigações serão estendidas por no mínimo trinta dias – e a cadeira de presidente do Senado ocupada por Renan já começou a ser negociada pelos senadores. O presidente Lula, como sempre faz nos momentos em que um aliado começa a cair em desgraça, passou a tomar distância técnica de Renan, a quem vinha prestando solidariedade diária. Entre os principais partidos no Senado, todos querem a cadeira, mas é difícil tomá-la sem negociar com os demais. Há quem acredite que Renan só se mantém presidente da Casa porque ainda não houve acordo sobre o sucessor. Percebendo o clima hostil, Renan partiu para um recurso de desespero, que lembra os momentos de agonia de outro político alagoano, Fernando Collor: começou a assoprar ameaças e chantagens contra colegas de Parlamento.

Desde que o escândalo estourou, há um mês, é a primeira vez que o Senado parece perceber que as estripulias do senador estão afundando a própria instituição. É cedo para dizer que o Senado, finalmente, vai reagir, mas começam a aparecer os primeiros sinais nesse sentido. Com tudo o que já veio à tona – sobre suas relações promíscuas com o lobista, sobre as mentiras que contou aos senadores, sobre sua defesa, que requer sempre um complemento – Renan Calheiros perdeu as condições de manter-se na presidência do Senado. Ou Renan deixa o comando da Casa. Ou a Casa afunda com Renan. Os pedidos para que se afaste começaram com o senador Pedro Simon, do PMDB gaúcho. "Eu acho que este é o momento em que sua excelência, por conta própria, deveria renunciar ao seu mandato de presidente do Senado." Outros três senadores defenderam o mesmo. Renan não lhes deu ouvidos. Disse que renúncia é uma palavra que não existe no seu dicionário.
Fotos Lula Marques/Folha Imagem e Cristina Gallo/Bg Press

Reunião do Conselho de Ética, que vinha dando um show de sabotagem contra a investigação, e dois soldados da tropa de Renan: Romero Jucá (no alto, à dir.), que faz tudo para limitar a apuração, e Sibá Machado (à dir.), presidente do Conselho, que começa a dar sinais de alguma independência em relação a Renan
Paradoxalmente, o próprio Renan deu o impulso que faltava para que o Senado recuperasse um pouco de lucidez com sua defesa tão inconsistente. O senador entregou um pacote com extratos bancários, declarações de renda, notas fiscais, recibos e guias de transporte animal, as GTAs, que autorizam o trânsito de animais vivos. Sua idéia era provar que, entre 2003 e 2006, teve rendimentos de 1,9 milhão de reais com a venda de gado. Com isso, provaria que tinha recursos para bancar a pensão de 12.000 reais que pagava à jornalista Mônica Veloso, mãe de sua filha, sem recorrer aos favores financeiros do lobista da Mendes Júnior. Deu tudo errado.

Em apenas dois dias úteis de trabalho, a perícia da PF examinou os papéis e descobriu flagrantes inconsistências. Com as notas fiscais, o senador tentou provar a venda de 2.213 cabeças de gado, que supostamente lhe renderam 1,9 milhão de reais. Ocorre que as GTAs registram a venda de 1.702 cabeças de gado – das quais, para piorar, 549 nem pertenciam ao senador, mas a seus parentes. Resultado: o senador reuniu papéis que informam a venda de 1.153 animais, o que lhe renderia cerca de 1 milhão de reais. De onde vieram os outros 900.000 reais? Quando se confrontam as notas fiscais e GTAs com as declarações de imposto de renda do senador o resultado é dramático. É tal o volume de contradições que é custoso acreditar que Renan tenha apresentado esses papéis como peça de defesa. O conjunto mais parece obra de inimigos dispostos a desmascará-lo, porque nada bate com nada.

Os exemplos aparecem aos borbotões. Em 2005, para ficar só num caso, as notas fiscais informam que o senador vendeu 1.292 cabeças de gado. Mas, segundo as GTAs daquele ano, foram só 1.078. E, pela declaração de renda, foram 536. Uma simples perícia documental trouxe tantas incongruências à tona. Dá para imaginar o que pode aparecer numa perícia contábil para descobrir se os negócios foram efetivamente realizados. O Conselho de Ética, ao decidir aprofundar um pouco as investigações, pediu à Polícia Federal que fizesse uma perícia contábil. A questão inicial a que o Conselho terá de responder é a seguinte: os negócios de Renan, para que sejam considerados reais, e não meras fantasmagorias contábeis, deverão estar em sintonia com que papéis? Com as notas fiscais? Com as GTAs? Com as declarações de renda?
O primeiro sintoma do desmoronamento da defesa do senador foi a perda do controle que exercia sobre o Conselho de Ética. Até então, em sua maioria, os membros do Conselho protagonizavam um espetáculo lamentável em que simulavam o desejo de investigar, mas manobravam para sepultar as investigações. O senador Romero Jucá, líder do governo, empenhou-se sempre em limitar o alcance das investigações. O presidente do Conselho, o senador Sibá Machado, marcou e desmarcou sessões segundo a conveniência de Renan. Mais tarde, mostrou-se mais independente ao interpretar que já há processo de cassação instalado contra o senador. Isso significa que sua eventual renúncia não preserva mais seus direitos políticos. O outro sinal de perda de maioria política do senador apareceu na tática desesperada de espalhar ameaças, chantagens e baixarias.

Na quarta-feira, o senador Efraim Morais, do DEM da Paraíba, chegou ofegante à reunião de cúpula de seu partido e suplicou: "É melhor a gente acabar logo com isso ou a turma deles vai lançar dossiê contra todo mundo". Efraim, parlamentar próximo de Renan, não explicou quais eram as ameaças, mas logo a tropa espalhou dois casos. O primeiro caso informava que um senador devia 50 milhões de reais ao Banco do Nordeste. O devedor apareceu. Era o senador José Agripino, que explicou serenamente a dívida, de 11 milhões de reais, e frisou que a existência de uma dívida não desabona ninguém. O outro caso dizia que um senador viajara para os Estados Unidos na companhia da amante com verbas do Senado. O suposto chantageado também apareceu. Era o senador Demostenes Torres, que explicou o caso com serenidade. "Lamentavelmente, a assessora não é minha amante, porque ela é linda", tripudiou Torres. Ele usou verbas do Senado para viajar com a assessora para a Assembléia da ONU em Nova York, o que é permitido pelo regulamento da Casa. Se tudo isso não é suficiente para mostrar que Renan Calheiros perdeu por completo as condições – políticas, morais – de presidir o Senado, o que mais é preciso?

Caras de pau

Veja desta semana expõe o comportamento de quem deveria fiscalizar meio ambiente no Pará. Mais um escândalo envolvendo o Ibama paraense. Leiam.

Assim não dá

Na era da superexposição da imagem
não basta ser competente: é preciso
projetar uma convincente marca pessoal


Leonardo Coutinho

Paulo Santos/Interfoto
Desmatamento em Altamira, no Pará: os fiscais do governo são piores que cupins

Tão rica quanto a biodiversidade da Amazônia é a variedade dos golpes aplicados para saquear os seus recursos naturais. Prova disso é o sistema de controle de extração de madeira implantado pelo governo em setembro do ano passado. Na ocasião, ele foi apresentado como um mecanismo à prova de fraudes. No novo sistema, o governo acompanha, por meio de um documento de origem florestal (DOF) emitido eletronicamente, todo o processo de extração e comercialização de madeira, desde a derrubada das árvores até o ponto de venda final. Pois bem: uma investigação da Polícia Federal mostrou que a invulnerabilidade do DOF só durou dois meses. Em novembro último, três funcionários do Ibama montaram um guichê paralelo de emissão de DOFs no Pará. Com isso, em apenas cinco dias, aplicaram um dos maiores golpes ambientais da história. Em troca de propina, despacharam documentos frios para a venda de 760.000 metros cúbicos de madeira cortada ilegalmente, o equivalente a 100.000 árvores ou 700 milhões de reais.

Os DOFs frios foram emitidos em nome de 65 madeireiras. Uma delas, a J.O. Lima, ficou com 80% dos documentos. Ao que tudo indica, a J.O. Lima não passa de uma empresa laranja. Em seu endereço, na cidade de Itaituba, no oeste do Pará, há apenas uma sala comercial abandonada. Além disso, a J.O. Lima não ficou com os DOFs frios, mas os repassou a outras 98 madeireiras do Pará, de Rondônia e de Mato Grosso. Por determinação judicial, todas estão com os bens bloqueados e não podem mais receber autorizações de exploração de madeira. A Polícia Federal descobriu que mais da metade das madeireiras que receberam os DOFs da J.O. Lima já usaram os papéis para liberar carregamentos de madeira extraída ilegalmente. "Não resta dúvida de que o sistema recém-implantado pelo governo é vulnerável", afirma o juiz Rubens Rollo, responsável pelo caso.

Sede do Ibama, no Pará: um documento frio
a cada sete segundos

Um golpe dessa magnitude só foi possível porque as madeireiras conseguiram cooptar justamente os três funcionários do Ibama do Pará que emitem os DOFs. Seus nomes são mantidos em sigilo pelo juiz Rollo, que decidiu que o processo correrá em segredo de Justiça. Sabe-se que, ao todo, o trio de corruptos jogou no mercado 19.000 DOFs fajutos. Para chegar a tanto, teve de emitir um documento a cada sete segundos nos dias em que a fraude foi cometida. Uma funcionária do Ibama que tomou conhecimento do esquema disse a VEJA que os malandros cobravam 20 reais por metro cúbico de madeira liberado ilegalmente. A propina superou, portanto, 15 milhões de reais. Um golpe como esse mostra que nada é mais letal para a floresta do que o conluio dos fiscais do Ibama com madeireiros inescrupulosos.

Veja como foi a sessão solene em Homenagem à Nossa Senhora de Nazaré 2024, na Câmara dos Deputados

  Veja como foi a sessão solene em Homenagem à Nossa Senhora de Nazaré 2024, na Câmara dos Deputados A imagem peregrina da padroeira dos par...