Lula convoca PMDB para reunião secreta
No entanto, a reunião acontece justamente a uma crise entre governo e oposição no Senado, em torno do comando da CPI Mista dos Cartões Corporativos. O PMDB está no centro dessa crise, porque pelas regras regimentais é à legenda que cabe a presidência da CPI, reivindicada pela oposição (DEM e PSDB). Mas o impasse foi agravado, porque o PT, setores do Planalto e o próprio presidente Lula resistem a partilhar o comando do inquérito com os seus adversários no Congresso.
Embora o ministro das Relações Institucionais, Múcio Monteiro, tenha dito ontem, no Rio, que o governo concluiria hoje as negociações de uma dezena de cargos no setor elétrico, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que a definição será só amanhã. Lobão obteve do presidente Lula a delegação para resolver a questão, mas depende ainda de um julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU), que examina um recurso contra o ex-presidente da Eletronorte, José Antonio Munir Lopes, indicado para presidir a Eletrobrás.
A segunda pendência da lista de indicações do PMDB é a presidência da Eletronorte, para a qual o deputado Jader Barbalho (PA) indicou Lívio Rodrigues de Assis. Investigação preliminar da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontou a existência de processos contra Assis na Justiça Federal e na Fazenda Nacional. Segundo o ministro Lobão, no entanto, o afilhado de Barbalho já deu ao governo todas as explicações e disse que depende disso para fechar as indicações. "Não estou pedindo para liberar a indicação de quem quer que seja. Peço apenas para que digam sim ou não. Se ele estiver habilitado, as nomeações podem sair amanhã", explicou o ministro. Informações da Agencia Estado - Christiane Samarco
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PDT em Rede Nacional
Nesta quinta-feira 28/02/2008, às 20h30min, será exibido o programa nacional do PDT, em cadeia nacional de televisão.
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Apenas 106 fazendas poderão exportar para a União Européia
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Se não é intervenção é o que?
- Se não é intervenção no Pará o que o governo federal está fazendo no Pará. O que é então?
Queiroz lembrou o caso dos ataques de bandos criminosos no Rio de Janeiro em que o governo estadual fluminense recusou ajuda da força nacional de segurança. Recusou porque é prerrogativa do Estado recusar, senão é intervenção branca, comparou.
O deputado não soube informar se a ação da Força Nacional foi requisitada pela governadora Ana Júlia Carepa. "Se não foi é intervenção. Aliás, esse governo está acostumado a intervir de forma policialesca sempre que acontece algum fato de repercussão internacional, como o assassinato da irmã Dorothy. Mas, política efetiva para resolver os problemas da região, tudo está no papel e trancado dentro de uma gavêta".
Onde estão os Distritos Florestais Sustentáveis, as ações de regularização fundiárias, o investimento em infra-estrutura para os projetos de assentamento, a garantia de preço mínimo da safra, a liberação de planos de manejo sustentável, a titulação de propriedades, o asfaltamento da Transamazônica, as eclusas de Tucuruí, a hidrovia Araguaia-Tocantins, a compensação mineral justa no setor social das empresas que atuam na região, Cadê? Pergunta o deputado?
Na avaliação do parlamentar, o superintendente fez uma defesa à presenvação dos empregos formais . "São 3 mil empregos formais que serão fulminados com essa ação. É sempre assim: o governo federal está sempre ausente e, quando se faz presente é com força policial, prendendo, desempregando e engessando o setor produtivo na Amazônia, por falta de um projeto de desenvolvimento sustentável que não existe", criticou.
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PT vai presidir três comissões da Câmara
O anúncio foi feito após reunião dos partidos que compunham o bloco PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC e PTdoB. Segundo Rands, o PMDB presidirá quatro comissões, uma a mais do que o inicialmente divulgado. Serão destinadas ao PMDB as comissões de Defesa do Consumidor; de Constituição e Justiça e de Cidadania; Educação e Cultura; e Desenvolvimento Urbano. Já o PTB indicará o presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público.
O deputado afirmou que a Comissão de Legislação Participativa deverá ficar com o PSC. Ele disse, no entanto, que ainda pode haver troca de comissões entre partidos, inclusive entre os blocos. (Com Ag. Câmara)
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PSDB presidirá duas comissões; DEM ficará com três
Na reunião, também foi decidido que o DEM presidirá três comissões: Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Fiscalização Financeira e Controle; e Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Já o PPS ficará com a presidência da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
Critério de escolha
Aníbal afirmou que o PSDB discordou do critério utilizado para distribuição das comissões, que foi o da proporcionalidade dos blocos no início da atual legislatura. O deputado disse que a intenção do partido era fazer valer o acordo firmado no ano passado para a eleição da Mesa Diretora, no qual o PSDB era o quarto na ordem de escolha. Ele afirmou, no entanto, que o PT considerou esse acordo válido apenas para aquela ocasião. (Com AG. Câmara)
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Deputados movimentam-se e definem trabalho em novas comissões
Já os partidos menores, chamados "nanicos" (com menos de 5 deputados) já têm seu funcionamento parlamentar restrito. Por exemplo: não têm direito a líder e participam de comissões temporárias na forma de rodízio.
Em reuniões desde a terça-feira, 27, os partidos conversam internamente e depois em bloco - se form o caso - para o acolhimento de cada um de seus membros na Comissões.
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Bloquinho define pesidências em Comissões Permanenetes na Câmara dos Deputados
O líder do PCdoB, deputado Renildo Calheiros (PE), disse que poderá haver, ainda nesta tarde, a troca da Comissão de Direitos Humanos pela de Defesa do Consumidor, que está com o PMDB. As eleições para as mesas das comissões serão realizadas amanhã.
Fortalecimento do bloco
Renildo Calheiros disse que o seu partido decidiu não reivindicar a presidência de nenhuma comissão para fortalecer o bloco. Ele lembrou que há um acordo de alternância entre PSB e PCdoB na Comissão da Amazônia e que o PSB tem uma bancada maior (30 deputados, contra 13 do PCdoB).
No início da legislatura, o bloco era formado por PSB, PDT, PCdoB, PMN e PAN. Atualmente, não existe mais o PAN e foi incluído o PRB. (AG. Câmara)
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Permanece o impasse sobre o Orçamento
O texto poderá ser votado diretamente pelo Plenário ameaçou o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia. "Se não votar, [o projeto] será trazido para o Plenário. Há um espaço de mediação, mas todos sabem que esse espaço não é infinito", disse.
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O jogo sujo de Hillary
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O Pará não pode ser o bode expiatório do desmatamento
Outra preocupação do governo paraense é a criação de alternativas econômicas para a população das cidades que hoje vivem da extração da madeira. Carepa diz que pretende levar a esses municípios ações sociais de capacitação profissional, incentivo à agricultura familiar e cursos de formação de fiscais ambientais. A idéia é apresentar às pessoas uma alternativa à ilegalidade.
Carepa sabe que a estratégia é fundamental para que o combate ao desmatamento seja bem sucedido. Dependente do trabalho da extração, a população pode ser facilmente manipulada. “A reação das pessoas em Tailândia (terça-feira passada) foi incentivada por madeireiros inescrupulosos. Foi distribuída cachaça na cidade. Tratou-se de uma tentativa de intimidar o Estado, mas não vamos nos deixar intimidar. É questão de honra”, avisa. (Correio Braziliense)
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'Não é justo que só nós paguemos'
Governadora do Pará diz que conta do combate ao desmatamento ilegal precisa ser dividida
A senhora pretende pedir ajuda do governo federal no combate ao desmatamento?
ANA JULIA CAREPA: Terei reunião com a ministra Marina (Silva) para apresentar o custo do combate ao desmatamento, porque a atividade madeireira ilegal representa R$2 bilhões ao ano, 7% do PIB do Pará. A conta não é pequena. O Brasil precisa conhecer o tamanho da conta. Temos que fazer valer a floresta em pé mais do que vale a floresta derrubada. Propostas de incentivo fiscal federal, o ICMS verde, precisam ser levadas a sério com urgência. A conta não pode ficar só com o povo do Pará porque o benefício é para o Brasil e o mundo. Não é justo que só nós paguemos a conta.
Quanto custa?
ANA JULIA: Só as ações de fiscalização e retirada de madeira, iguais a esta que estamos fazendo em Tailândia, são uns R$50 milhões por ano. Além disso, há custo para a economia. Não posso perder R$2 bilhões (o orçamento do estado para 2008 é de R$9 bilhões). Não queremos destruir a economia do estado. Sou a governadora. Imagine se quero destruir a economia do meu estado! Alguém tem que pagar a conta. Assim como o Brasil cobra do mundo (na questão da emissão de gases), o país tem que entender que é preciso ajudar a pagar a conta do combate ao desmatamento ilegal.
A senhora vai pedir ajuda da Força Nacional de Segurança?
ANA JULIA: Todo mundo sabe que o governo federal está preparando uma ação. Se necessário, vamos pedir ajuda. Há quatro meses solicitei ao ministro Tarso Genro que estudasse a possibilidade de a Força Nacional ajudar a combater o desmatamento ilegal. Ele disse que iria estudar. Por enquanto, avaliamos que este reforço que virá nas operações do governo federal é suficiente.
Como atenuar o impacto para a população?
ANA JULIA: Não queremos causar impacto econômico. Vamos entrar lá com ações sociais, com mecanismos como a criação de fiscais ambientais que poderão receber até R$250, fazer cursos de capacitação profissional e incentivar a agricultura familiar. Não queremos custo para a população, mas sabemos que deve haver uma transição.
Como será esta transição?
ANA JULIA:A transição é para pessoas que querem vir para a legalidade. Tem uma uma parte que quer isso e outra que não quer. As que não querem se legalizar não vão sobreviver. Estamos dando chance para quem quer vir para a legalidade.
É suficiente para aliviar o impacto de perder R$2 bilhões?
ANA JULIA: Precisamos valorizar as atividades legais, fazer com que tenham valor econômico no mundo todo. Precisa haver outra atividade econômica, senão as pessoas vão fazer o que é mais fácil. Existe o instinto de sobrevivência. A maioria das pessoas são trabalhadores que querem viver com dignidade.
Os madeireiros criticam a demora na liberação dos planos de manejo da floresta.
ANA JULIA: A partir de segunda-feira, entram mais funcionários. Estamos avaliando os projetos de forma criteriosa. Mas mesmo com este mutirão não há como (aliviar a situação em curto prazo). Esbarramos na questão fundiária, pois boa parte das terras é pública, e só no final do ano poderemos fazer licitações para a exploração delas.
A senhora esperava a reação da população em Tailândia?
ANA JULIA: Esta reação foi incentivada pelos madeireiros inescrupulosos. Foi distribuída cachaça em Tailândia. Foi uma tentativa de intimidar o Estado, mas não vamos nos deixar intimidar. É questão de honra. Vou tirar aquela madeira nem que demore 20, 30, 50 dias. (O Globo)
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Flamengo derrota Botafogo de virada e é Bi-campeão da Taça Guanabara

Para ficar com a taça, rubro-negros derrotaram de virada os alvinegros rompendo o equilíbrio que marca a história recente dos confrontos. Nos últimos cinco jogos, só deu empate.
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Não há gás para atender a demanda
Elementar: não houve acordo proque não há gás para atender a demanda.
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Saia justa da propaganda fácil
Ex-superintendente da SR-27 do Incra. Bernadete ten Caten foi eleita com uma votação que a credenciou para vôos de águia. A amável deputada está colecionando um portfólio respeitável na Justiça. Nada recomendável, diga-se.
Junta-se à coleção, uma condenação em primeira instância, e agora mais uma ação, desta feita por crime eleitoral.
Sem querer querendo, a deputada, repleta de boas intenções, armou uma armadilha que a governadora cairia como patinha se não fosse a providencial interferência de um assessor.
Ver detalhes no blog do Hiroshi.
A propaganda fácil atingiu outro estrelado deputado de Marabá.
Revelação da necessária renovação política de quadros afeitos à pecanomizades extravagâncias da carne, do desejo incontrolável e da volúpia desmedida pelo poder. JS capitulou e soltou uma série de out-doors para promoção pessoal extemporânea e isso é crime.
João Salame (PPS) não conteve-se e seguiu na mesma linha da propaganda pessoal antecipadade sua colega Bernadete , aproveitando-se da data de seu aniversário. Sempre um aniversário atravessa o decoro dos parlamentares de matizes as mais diversas. Impressionante.
JS não precisa disso. É um deputado da melhor qualidade. Portador do melhor preparo entre seus pares e forjado nas lutas contra o império da má imprensa. Será? Fica a questão.
Sou aluno de João Salame. Tenho-o como um jornalista acima da média, mas, assim não dá.
Pelo visto faltou avaliação de danos ao cair de maneira, mesmo que brejeira, no maior dos pecados que hoje cercam os poderosos: a falta de uma boa assessoria.
Assessor de verdade. Que diz na lata: não publique por isso e por aquilo!
Espero e torço que esses deslizes amadores não perdurem. É vital uma bancada expressiva, atuante e compromotida com a região para o baldrame do Carajás. Seja a bancada constituída pelo partido que for. Essa decisão é sobretudo, soberana do povo que vai às urnas.
Marabá e região forjam com muito suor e luta o sonho da criação do Estado. Não há espaço para vale-votos.
Acredito que Bernadete e seu principal aliado politico, deputado federal Zé Geraldo não tenham qualquer compromisso com a criação do novo Estado. É uma questão do quintal do Pê Tê. E a retórica da deputada está jogada na descrença facilmente revelada.
Quanto ao seu parceiro na empreitada. As urnas dirão.
Fora disso, o deputado estadual João Salame é reconhecido como um dos ícones na defesa e trabalhador incansável para a criação do novo Estado, como homem de visão de longo alcance que tem e sempre demonstrou.
- Deputado João Salame. Deputada Bernadete ten Caten. O espaço está aberto para o debate.
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O fenômeno de Harvard
Transposição da AlOPRA, seus derivativos e muita cara-de-pau de um autêntico cabra de pêia.
Republicando
Após retornar do cursinho de seis meses em Harvard – à moda Ciro Gomes de se mostrar --, Geraldo Alckmin deve voltar tentando evitar o sotaque bostoniano que acabou fazendo algum sucesso nos meios políticos do Brasil graças as proezas e malabarismos do professor harvardiano Mangabeira Unger, uma mistura de mestre de Direito, politicólogo e financista disfarçado.
Como se sabe, Mr. Mangabeira acaba de dar um salto mortal triplo, sem rede de proteção, tentando passar de empregado do Daniel Dantas a ministro do governo Lula. Espatifou-se antes de assumir. Ou melhor, antes de subir.
Por falar em Harvard, uma das maiores frustrações das pessoas inteligentes brasileiras é não poder freqüentar essa tradicional instituição.
Não que exista algum obstáculo, digamos, preconceituoso que impeça as pessoas inteligentes brasileiras de chegarem lá.
É apenas uma questão de distância.
Harvard, mesmo fiel aos princípios aristocráticos da velha Boston, sempre abriu suas portas para pessoas inteligentes do mundo todo.
É famosa em Harvard a história de Caleb Cheeshahteaumuck, um
pele-vermelha que entrou para a universidade em 1660 (sim, 1660) e bacharelou-se em 1665.
Quando voltou para sua tribo, Caleb impressionou as jovens índias não só pelo seu sotaque marcadamente bostoniano como pelas suas gravatas e os paletós de veludo verde, tão comuns na época entre os garotões de Harvard.
Caleb colocou na sua tenda um cartaz com um dos 'slogans' da universidade: “Nós produzimos os melhores frutos da Nova Inglaterra”.
Durante anos Caleb funcionou como formulador de projetos políticos alternativos para a tribo.
Essas reminiscências sobre o velho e bom Caleb sempre nos vêm à memória a propósito do interesse das pessoas inteligentes do Brasil pela tradicional escola.
Lembro-me, como se tivesse acontecido ontem, da reunião das mais proeminentes cabeças do antigo MDB com o então recém-chegado de Harvard, o professor, jurista e sociólogo Roberto Mangabeira Unger, um dos responsáveis pela popularização da universidade nos meios políticos tupiniquins.
As eminências do velho MDB convidaram Mr. Unger para que ele ajudasse o partido.
O velho MDB necesitava urgente de encontrar propostas objetivas para o exercício de uma oposição mais eficaz pois estava sentindo que era chegado o momento da transição do regime autoritário para um regime semi-autoritário.
Quando eu cruzei com o professor Mangabeira nos saguões do Hotel Nacional, percebi logo que ali estava um dos melhores frutos da Nova Inglaterra.
O professor não usava paletó de veludo verde (devia ter caído de moda em Harvard), mas o sotaque era impecável.
Isso sem falar na pasta de couro que o professor arrastava pelo saguão. Devia pesar uns 20 ou 30 quilos. “É o peso da sabedoria de Harvard”, conjecturei.
À noite, ainda meio vergado pelo peso da pasta e dos seus profundos conhecimentos, o professor Mangabeira apareceu na casa do senador Roberto Saturnino para uma palestra a um seleto lote de oposicionistas das mais variadas tendências.
O auditório estava ávido para ouvir o que de mais moderno existe em matéria de projeto político alternativo (as teses do índio Caleb também haviam caído de moda, creio).
E, convenhamos, o professor, como acontecia com Caleb, foi um sucesso.
Segundo ele, o MDB, naquele momento crucial da sua existência, teria três possibilidades:
1) continuar sendo o mesmo MDB velho de guerra que a gente conhecia fazia tempo;
2) o MDB podia reciclar-se, tentando aproximar-se intimamente da classe trabalhadora;
3) o MDB podia acabar.
Quando alguém do auditório perguntou qual das três hipóteses ele
achava a mais indicada, o professor foi de uma objetividade digna dos melhores homens que passaram por Harvard: “I came to hear”, disse.
Muitos não captaram, no primeiro momento, toda a sabedoria embutida nessa assertiva.
Até que um dos senadores emedebistas presentes – parece que foi o senador Leite Chaves – venceu a timidez que a figura imponente do professor impunha aos ouvintes e traduziu para que os demais compreendessem: “Ele está dizendo que veio para ouvir”.
Houve um instante de perplexidade, até que espocassem palmas discretas, palmas de jogo de tênis no Country Club.
Naquele final de semana, a frase do professor Mangabeira correu de boca em boca nos gabinetes emedebistas do Congresso.
As melhores cabeças do partido explicavam para as piores cabeças o significado da expressão “eu vim para ouvir”.
Como Caleb Cheeshahteaumuck, Mangabeira Unger impressionara
vivamente o auditório.
Muitos emedebistas não hesitavam mesmo em definir a noitada na casa do senador Saturnino como o momento mais importante vivido pelas oposições brasileiras nos últimos anos.
De fato, não se podia esperar menos de uma aproximação Harvard-MDB. Nem se poderia duvidar da capacidade profissional do professor.
Afinal Mangabeira Unger, entre tantos títulos, tinha um realmente insuperável: ele era o único 'brazilianist' brasileiro.
Agora, o tempo passou, tudo mudou, caimos na mais deslavada democracia e Mangabeira Unger acabaria sendo convidado por Lula para o cargo de ministro da nova Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo, com o sugestivo nome de SEALOPRA.
No entanto, parece que o presidente, depois do convite, quando pôs a cabeça no travesseiro pensou melhor.
Antes de embarcar para a India (com conexões),onde deve permanecer nove longos dias, mandou um recado via ministro Mares Guia para que Mangabeira recusasse o convite.
O presidente pode ser até generoso com alguns amigos. Dizem que quem pediu por Mr. Mangabeira Unger foi o vice-presidente José Alencar, a quem Lula sempre foi muito grato.
Agora, botar para dentro do governo um personagem que goza do respeito e admiração (além de polpuda remuneração) do controvertido banqueiro sem banco Daniel Dantas era como alimentar uma cobra venenosa dentro do quarto de dormir.
Se o problema é não melindrar Harvard e o harvardianos, o melhor é convidar logo para o cargo o Geraldo Alckmin.
Além de estar desempregado, pelo menos combina com a infeliz sigla escolhida para designar a nova secretaria: SEALOPRA.
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Nem um centavo do Pará para o Memorial da Guerrilha do Araguaia
O Pê Tê paraense, sinalisa que não tem nada com isso.
Guerrilha? Araguaia? Tocantins? Afinal o que diabos é isso? Deve pensar algum dos doutos dirigentes que ora comandam os desígnios dos paraenses, que preferem, claro, insistir de maneira histriônica e dramática que o "goveno da mudança" não reconhece como processo lícito a criação do Estado do Carajás - parte do palco dos acontecimentos da guerilha e movimento natural criado após sentir o gôsto amargo da mão pesada dos milicos.
Belém nem sabe o que é isso. No entanto, os belemenses recrutados para a guerra sabem muito bem o que se passou.
Os belemenses, salvo raras e cada vez mais raras exceções não sabem nem o que é Carajás, Tapajós, Araguia, Tocantins ou Amazonas. Dirá Guerrilha.
Mudou quase nada de lá prá cá.
Continua a região como terra segregada.
Não se retorna nem um terço da arrecadação de 40 municípios que veêm como salvação de seus destinos a separação, e fica tudo por isso mesmo.
Pilantras de todos os matizes chegam a pé, de ônibus, de barco, de trem, de carro próprio, de avião, e lá percebem que o negócio que vale a pena é ser dar bem e as leis que danem-se.
A região é campeã para cima e para baixo em quesitos de arrepiar os mais recônditos pêlos.
O Memorial do Araguaia, no município de Xambioá (TO), projeto oferecido aos mandatários do "governo da mudança", está mais próximo de se tornar realidade no outro lado do Araguaia, no Tocantins. Afinal, o Pará não tem nada a ver com isso.
Já foi publicado, no Diário Oficial da União, a aprovação do projeto pelo Ministério da Cultura, no valor de R$ 2.194.164,25. Os dirigentes do Instituto de Apoio aos Povos do Araguaia (IAPA) comemoram a aprovação.
Além do atrativo de uma região belíssima. Há na área, inscrições ruprestes de civilizações que a milhares de anos desapareceram como por encanto, assim como apareceram.
Nas margensa direita e esquerda do Araguaia, na plotagem onde se deu o conflito armado, há sítios arqueológicos e vestígio da existência de uma civilização avançadíssima e cultora de naves espacias, baste olhar os registros nas pedras, por hora, ainda preservadas.
Houve dificuldades para a captação de recursos pela Lei Rouanet. Até agora não saiu um centavo do governo Lula, o inpirador de plantão do "governo da mudança".
A Lei Rouanet permite que os projetos aprovados pelo Ministério da Cultura recebam patrocínios e doações de pessoas, que poderão abater os benefícios concedidos no Imposto de Renda devido.
O presidente da entidade, Micheas Gomes de Ameida, Zezinho do Araguaia; e a tesoureira, Neuza Rodrigues Lins, primeira camponesa anistiada naquela região, comemoram a aprovação do projeto, mas sabem que ainda tem muita luta pela frente.
Eles são representantes da comunidade que lutam desde 2001 pela construção do memorial. A data coincide com o início das exumações dos guerrilheiros mortos pelos militares na época do regime militar, quando desenvolveram uma resistência armada à ditadura na região do rio Araguaia.
História da guerrilha
O Memorial do Araguaia, que pretende se transformar no cartão postal da cidade, tem por objetivo resgatar o acontecimento histórico brasileiro da Guerrilha do Araguaia, com um espaço adequado para a guarda do acervo histórico, tornando possível o acesso de estudantes, professores, pesquisadores e comunidade em geral a documentos que contam a história da Guerrilha.
O obelisco é de autoria de Oscar Niemeyer e o projeto arquitetônico é de Osvaldo Iamauti.
O projeto inclui também a construção de equipamentos para o desenvolvimento de atividades culturais e educativas para comunidade de Xambioá e cidades vizinhas, mostrando as riquezas da região. ''Será um centro cultural vivo, onde a população vai trabalhar a arte, cultura, ciência e tecnologia'', explica Zezinho, acrescentando que ''Xambioá significa, na língua indígena, pássaro preto veloz''. Segundo ele, existe uma curiosidade grande das pessoas com relação ao nome do município.
As obras, que estavam previstas para início de julho há dois anos atrás e conclusão em fevereiro de 2007, não poderam ser iniciada por falta de recursos. Zezinho garante que ''assim que o dinheiro estiver na conta do Instituto, o cronograma do projeto será cumprido''.
Para manutenção e funcionamento do Memorial, o Instituto pretende assinar convênios com as três esferas do poder público - município, estado e União (o governo do Pará está na pauta, mas nunca demonstrou qualquer interesse de apoio. Ana Júlia, na certa, nunca ouviu falar disso! Será?). O dirigente do IAPA lembra ainda que o memorial terá recursos próprios, advindo dos equipamentos culturais como cinema, teatro, venda de livros etc.
Ajuda no exterior
Para garantir os recursos para construção do Memorial, os integrantes do IAPA, que têm uma história de cinco anos de luta pela construção da obra, estão dispostos a buscar ajuda no exterior. ''Já temos em vistas contatos com o governo italiano, diz Zezinho, considerando a participação do italiano Gian Carlo Castiglia, o Joca, que participou da guerrilha e foi morto pelos militares na região. O italiano faz parte dos heróis da Guerrilha do Araguaia, que será homenageados pelo memorial.
Outro contato previsto é com o governo japonês, que, segundo Zezinho, tem concessão de exploração de minério da Serra de Carajás, região da guerrilha. Leia-se Mitsui, uma das acionistas da Vale. A concessão pelo prazo de 30 anos foi feita no governo José Sarney, na gestão de Shigeaki Ueki como Ministro das Minas e Energia.
Cinco anos de luta
'Quando foram iniciadas as exumações dos corpos dos guerrilheiros mortos no Araguaia, em 2001, a comunidade iniciou uma discussão sobre o desejo de construir um símbolo à vida que eles levavam antes dos militares chegarem na região', conta Zezinho. Ele lembra que foi realizada uma audiência pública na Câmara dos Vereadores de Xambioá, quando foi aprovada a construção do Memorial do Araguaia, que engloba todos os desejos da comunidade da região.
A partir de então, foi criada comissão para formar a entidade jurídica que levaria adiante a idéia. Em janeiro de 2004, foi instituído o IAPA. Antes disso, porém, a comissão encaminhou ao Presidente Lula, por meio do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), no dia 17 de janeiro de 2003, o pedido de construção do Memorial.
Nesses sete anos, Zezinho -- um dos sobreviventes da guerilha --, destaca que, em meio as questões burocráticas e políticas, a comunidade, por meio da comissão, conseguiu evitar a inundação de 14 municípios, inluindo Xambioá, para construção de uma hidrelétrica na região.
Em seguida, conseguiram a promessa de doação do terreno, pelo prefeito da cidade, Júnior Leite, em 2001. Zezinho lembra que, na época da morte do João Amazonas, as cinzas do líder comunista foram espalhadas nesse local.
No entanto, o memorial não pode ser construído no terreno doado pelo prefeito por que está em litígio. Para não perder o espaço privilegiado, na entrada da cidade, o povo reuniu-se, escolheu outro terreno e o IAPA comprou com recursos particulares do próprio dirigente da entidade.
E o Pará ó! Tá nem aí.
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Nós já sabíamos. Cadê Gian Carlo Castiglia?
O que diferencia-nos de outros grupos é a discrição que a matéria requer.
Essa história publicada abaixo pelo repórter Alan Rodrigues, da IstoÉ, não tem qualquer novidade.
O grupo em questão, sabe dessas informações há anos.
O governo não lhes provém qualquer sinal de boa vontade para esclarecer o assunto, pautado há décadas na Comissão de Direitos Humandos da OEA e da ONU.
A safadeza é de tal monta que a minista Chefa da Cada Civil, torturada nos anos de chumbo, ajoêlha-se ao mandarinato off-line da Caserna, sob a justificativa do manto da Lei de Anistia.
Covardia pura.
O presidente nem se fala.
O Brasil não quer resgatar o seu passado.
Os dirigentes do Brasil acovardam-se ao lembrar da mão pesada de militares de facções ultranacionalistas bancadas pela Cia americana no ópio da luta contra o comunismo.
Argentina, Chile e Uruguai abrem os livros e passam a limpo o pantanoso passado recente dessa tragédia.
Foto: Paulo Amorim/AE

O Brasil brinca de Amarelinha. E premia a impunidade dos algozes de seus insepúlcros cidadãos. Um deles de dupla nacionalidade, Gian Carlo Castigliao, o Joca, cidadão italiano, que pensamos ser este aqui, ao lado, em soberba foto de Paulo Amorim.
Afinal, quem usava ceroulas em 72 no Bico do Papaguaio?
As ossadas estão guardadas para o môfo do IML do Distrito Federal. Num resgate mais para golpe de publicidade do ex-deputado federal, Luis Eduardo Grennhalg, à época presidente da Comissão de Direito Humanos da Câmara dos Deputados, assumindo a vaga como suplente.
Era FHC.
Era Lula e Guerrilha: Vergonha.
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A genuína traição
O publicitário careca é conto de fadas?
O major te acusa de traidor. Vai ficar assim?
Tú não sabia de nada?
Pegaram na tua mão para assinar o papel?
Deputado mentiroso é o fim. Covarde é uma vergonha.
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Curió ensaia abrir o bico sobre a Guerrilha do Araguaia
Apesar de ter muito o que cantar. Desenrola um pouco a língua para a IstoÉ e enrola um ênredo que todos já sabemos, como jornalistas de viés investigativo da área.
Curió está tinindo como novo membro da Assembléia de Deus.
O pássaro foi batizado e recebido com louros e alpiste na Congregação.
A Assembléia, afinal, preconiza leis bíblicas do perdão.
Perfeito?
Não.
O perdão só terá valôr se aflorar do coração. O que parece não ser o caso de Curió, que bateu asas a avoou quando soube por seus caríssimos advogados, que o oficial de justiça da Comarca estava a sua procura para intimá-lo a responder sobre uma bronca de assassinato ocorrido em sua Chácara nas cercanias de Brasília.
O pássaro não jogou conversa fora. Matou um adolescente sem qualquer chance de defesa. Fora treinado pelo Estado para isso?
Com a palavra um outro pássaro que sentou praça no Pará que atende pelo nome de Passarinho. Avoado lá das bandas do Acre.
Coisas distantes das lendas românticas de pescadores embriagados de cachaça.
Há um assédio descarado de jornalistas para tentar granjear a confiança do pássaro. Todos da chamada grande imprensa.
Tenho conhecimento de propostas tão ou mais indecentes como a missão ao pássaro confiada. O que os iguala na lama.
Nossa imprensa vai de mal a pior. Mas, não tem nada não. Haverá uma oferta maior para a troca.
Este homem sabe onde estão os cadáveres do Araguaia
O militar que preparou o ataque final à Guerrilha do PCdoB rompe um silêncio de 35 anos, revela segredos do combate e indica o local de um suposto cemitério clandestino
Por ALAN RODRIGUES - Pará
Aos 73 anos, ele é vaidoso. Não sai de casa antes de fazer sessões de levantamento de peso, se lambuzar de fartas porções de protetor solar 60, mexer e remexer os cabelos tingidos de loiro. Ao chegar ao portão, ele empluma o corpo, despede-se da mulher, uma jovem de 26 anos, e do filho de cinco, dá meia dúzia de ordens, em tom de confidência, e sai para a caminhada com dois seguranças armados.Sebastião Rodrigues de Moura é mineiro de São Sebastião do Paraíso, mas é popularmente conhecido como “Curió” – um pássaro brigador. Qualquer desinformado que cruze o caminho deste senhor de olhar triste e passos cadenciados pelas ruas da cidade que leva seu próprio nome, Curionópolis, e da qual ele é prefeito pelo terceiro mandato, não saberá jamais que este homem é uma espécie de lenda na Amazônia. Curió virou mito encarnado no codinome “Dr. Luchini”, o mais temido militar brasileiro que se embrenhou na selva amazônica no início dos anos 70 para pôr fim a um movimento de jovens idealistas que buscavam convencer colonos a transformar o País numa pátria socialista. Conhecida como Guerrilha do Araguaia (1972/1975), foi a maior ação militar do País depois da Segunda Guerra Mundial. O combate colocou de um lado quatro mil soldados das forças de segurança contra cerca de 70 insurgentes. Quase todos os guerrilheiros foram mortos – mas apenas um corpo foi encontrado até hoje. A batalha aconteceu às margens dos rios Araguaia e Tocantins, na fronteira dos Estados do Pará e Tocantins, e deixou um rastro de barbárie, sangue e terror.
REVELAÇÕES
“Eu não tenho o direito de levar para a sepultura os dados que tenho e que sei”

Curió virou mito para muitos, justamente porque foi ele e sua tropa que aniquilaram os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) depois de duas derrotas vexatórias impostas a duas expedições militares em 1972. Ao final da Guerrilha do Araguaia, havia 59 guerrilheiros, dez posseiros e três militares mortos. Dezenas de pessoas foram torturadas. Como os militares protegem como segredo de Estado tudo o que se refere ao Araguaia, a história desse confronto segue repleta de perguntas sem respostas. Onde estão as ossadas dos guerrilheiros? Os corpos foram decapitados? Os cadáveres, incinerados? Eles estão em valas comuns? Um militar chegou a dizer que participou de uma Operação Limpeza, na qual os guerrilheiros mortos foram jogados, um a um, de helicóptero, pela imensidão da Floresta Amazônica. Essa informação é correta? O homem na fotografia ao lado tem as respostas. Curió era major do Centro de Inteligência do Exército (CIE) e foi o autor do mais completo dossiê de arapongagem sobre a guerrilha. Chamado de relatório 01 da Operação Sucuri, ele precedeu o combate que exterminou a guerrilha.
No domingo 10 de fevereiro, embalado por duas latas de Coca Zero, depois de traçar uma galinhada, Curió deu as primeiras pistas para perguntas que se transformaram em mistério. Após 35 anos, sua versão lança a oportunidade de esclarecer os destinos de mortos e desaparecidos da Guerrilha do Araguaia. Outros detalhes irão fazer parte de um documentário e um livro que sairão em breve (promessa, aliás, que já conta 20 anos). “Tenho 73 anos de idade cronológica, 45 de idade física e psicológica e 32 de idade mental”, disse ele à ISTOÉ. “Eu não tenho o direito de levar para a sepultura os dados que tenho e que eu sei.”
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Curió começa sua imersão no passado revelando que, com o cerco dos militares, os guerrilheiros foram empurrados para um recuo no Castanhal dos Ferreira. De lá, eles se dirigiram para a região da Palestina (ver mapa). Neste local, no Natal de 1973, iniciou-se a fase final do combate na qual as forças do governo mataram mais de 20 guerrilheiros antes do Réveillon. “O pessoal dos direitos humanos fica procurando corpos em Xambioá (base militar), mas muitos corpos estão enterrados na Palestina, que na época era uma vila com uma rua de terra”, revela. Contra essa declaração, existe o fato de que sua comprovação custaria caro. Daquela vila, a 286 quilômetros de Belém, nasceu uma cidade que hoje conta com 7.500 habitantes. E para revirar o solo seria preciso demolir casas e esburacar ruas.O segredo contado por Curió, contudo, ganha força graças a uma revelação feita na semana passada à ISTOÉ pela ex-guerrilheira Criméia Almeida. Segundo ela, foi justamente nessa região que, em 2001, a comissão dos familiares dos mortos e desaparecidos políticos tentou investigar a existência do que seria o cemitério clandestino da Guerrilha do Araguaia. Mas não se conseguiu porque o grupo recebeu ameaças de morte. “Estivemos na região rural dessa cidade, onde moravam alguns guerrilheiros, mas não pudemos pesquisar porque, além de ser muito difícil o acesso, fomos ameaçados pelos moradores”, diz Criméia, uma das poucas sobreviventes e parente de um dos mortos. Há sete anos, a comissão não levou o caso ao Ministério Público por dois motivos: primeiro, foi à Palestina informalmente. Depois, não conseguiu nenhuma evidência – um caso que muda completamente a partir de agora com o depoimento de Curió à ISTOÉ. “O Estado tem de dar uma resposta a isso”, cobra a ex-guerrilheira.
Um fato surpreendente na história contada por Curió e que, de acordo com ele, causa urticária entre seus pares de farda é o reconhecimento que ele faz da bravura de alguns militantes. “Queria ter enterrado a guerrilheira Sônia com honras militares”, conta. “Ela foi a melhor combatente dos comunistas. Aliás, as mulheres eram muito melhores do que os homens”. Sônia era o codinome de Lúcia Maria de Souza, morta pela tropa de Curió com uma saraivada de balas espalhadas pelo corpo. Antes de tombar, Sônia – que estava ferida com um tiro na perna – manteve o seguinte diálogo, segundo revela agora Curió:
– Qual o seu nome?– Guerrilheira não tem nome, tem causa.
Logo em seguida, o corpo de Sônia foi metralhado e abandonado no Igapó do Taboão, como era conhecida a área. “Deixei o corpo dela para trás porque eu estava ferido, ela tinha me acertado com um tiro no braço e atingido o rosto do Lício (comandante da tropa). Tínhamos que buscar socorro”, lembra. Além do corpo de Sônia, que ele admite ter deixado para trás, Curió revela que muitos outros guerrilheiros tiveram seus corpos dilacerados pelos animais da selva. “Muitos dos combates aconteceram à noite. Quando chegávamos de manhã, alguns corpos estavam comidos, às vezes não tinham nem mais cabeça”, conta.
Curió revela que a traição de militantes foi fundamental para acabar com a guerrilha. Ele aponta o dedo para o ex-presidente do PT e deputado federal José Genoino (SP). “Ele traiu seus companheiros. Genoino foi preso como um mensageiro dos guerrilheiros e, sem ninguém encostar nele, contou tudo: quem era quem no comando, revelou sobre os três destacamentos de guerrilheiros (chamados de unidades de combate pelo PCdoB).” E mais: “abriu” os codinomes e as armas que usavam seus 20 companheiros e suas funções, deu detalhes do relacionamento da guerrilha com a população e entregou os depósitos de mantimentos construídos na mata. “Tudo está anotado numa folha de papel. Quero ver ele falar que a letra não é dele”, desafia. Procurado em quatro ocasiões por ISTOÉ, Genoino não respondeu aos recados e telefonemas. Segundo Curió, foram as informações dele que municiaram a Operação Sucuri, a fase do extermínio da guerrilha.
VAIDADE Aos 73, casado com Vera Aguiar, 26 anos
Ex-lutador de boxe, filho de barbeiro, Sebastião Curió resolveu vestir farda depois de assistir a um primo ser carregado como herói pelas ruas de sua cidade natal assim que chegou da Segunda Guerra, na qual serviu na Força Expedicionária Brasileira (FEB). Curió agora acredita que seus depoimentos mudarão a história do Araguaia. “Muitas pessoas ficarão surpresas com os documentos que apresentarei mostrando os erros que ocorreram dos dois lados, tanto do Exército quanto dos guerrilheiros”, antecipa. Ele pode não estar blefando. Ao afirmar que possui documentos reveladores sobre a guerrilha, Curió põe em xeque a versão oficial do Alto Comando das Forças Armadas que afirma que toda a papelada foi queimada e que não existe nenhum arquivo sobre o período. “Não duvido que ele tenha esses documentos. Muitos militares privatizaram essas informações”, acredita Nilmário Miranda, ex-secretário nacional dos Direitos Humanos.Quando imerge nos erros da tropa, que perderam dois combates, Curió admite que os militares só conseguiram sucesso na terceira etapa da guerra, a Operação Sucuri, porque os guerrilheiros tinham um poder de fogo muito aquém do dos militares. Ele avalia que o erro estratégico dos inimigos foi acreditar na vitória no segundo recuo das tropas militares. “Eles conheciam a floresta e a tropa militar colecionava muitos erros, como movimentar 300 homens ao mesmo tempo, roupas inadequadas, combatentes não adestrados e falta de rádios de comunicação. Até homens da guarda palaciana, que nem sabiam o que era selva, estavam lá”, conta Curió. As revelações do ex-militar acontecem depois de a Justiça ter ordenado ao governo a abertura dos arquivos da guerrilha. Como até o momento o Ministério da Defesa insiste em ignorar o despacho legal, aos parentes dos desaparecidos da ditadura militar o depoimento de Curió parece ser a única esperança para se encontrar, finalmente, a verdade.
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O Estado do Pará, minha terra, é receptáculo de incríveis atrações.
No que poderia ser uma ação positiva. Prá lá voam pássaros de mal agouro de toda ordem, inclusive, de plumagem nativa.
Um Passarinho, outro Curió. E a Cotovia? Insiste em não cantar, só dança.
Pobre Pará. Um paraíso rico, punjante, que desperta fortes sensações.
Entregue na mão de caçadores(as) de pesadêlos.
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De Juca para Juca
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Nada que é humano dura para sempre
Tony Scott é irmão do também diretor Ridley Scott (Blade Runner, lembram?), -- aposto minhas fichas como melhor filme (Gangster) para o Oscar desse ano.Tony dirigiu The Hunger, aqui, no cartaz: Fome de Viver.
Susan Sarandon interpreta Sarah, uma mortal que se envolve em um triângulo amoroso com um casal de vampiros vividos por David Bowie e Catherine Deneuve. Os dois vivem a frenética e desesperada rotina de suas condições, sempre a procura de sangue novo para sobreviver.
O filme conta com um visual aterrorizante e uma trilha sonora que mistura Iggy Pop com Bach e Schubert.
Leitura videoclipesca do vampirismo, uma bela história de amor com fotografia primorosa e cenografia estilizada.
A cena de sexo entre Susan Sarandon e Catherine Deneuve é capaz de despertar zumbis e outros tipos de mortos-vivos. Dizem! Veja o filme e comprove.
E aqui temos Bach, novamente.
Nesta cena, lá pela metade do filme, o espectador já está totalmente perturbado e hipnotizado pelo enrêdo.
Tony dá uma trégua e relaxa o público, colocando Bowie para executar Bach.
O disfarce do vampiro é o de um professor de Cello. Amante de Deneuve -- uma deusa-vampira-egípcia imortal, o filme prosegue em edição de videoclipe -- sensacional.
O filme tem início com frames cortados sem pudor e leva o espectador à uma boate onde o Bauhaus executa Bela Lugosi's Dead
É apenas o início da caça pelo sangue da vida. O casal mira na ruiva que será a fonte da fome de viver do casal.
--Cena alucinante.
Tenho a versão completa de Bela Lugosi's Dead do Bauhaus comprado no Soho, em New York.
Interessados mandem mensagem para valmutran@gmail.com
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O notável Bach
Gosto não se discute e o meu está consolidado. Johann Sebastian Bach é o maior de todos os tempos.O conjunto da obra monumental de Bach (pronuncia-se Bár) é mais conhecido pelas composições para órgão, sentença que não passa de um grande engano de definição de seus detratores.
Músicos avançados prestam-lhe homenagens seguidas à medida que defrontam-se com a maestria por ele proposto na maneira de compor.
Bach virou, literalmente, de ponto à cabeça a lógica de composição de sua época ao estabelecer um sem número de caminhos e possibilidades para uma das mais intrincadas artes técnicas de execução musical: a fuga.
Ao dominar a fuga, demonstrando que o até então arremedo de improvisação podia e deveria ter uma lógica sonora, como depois ficou comprovado, Bach sobrepou-se aos contemporâneos postando-se anos-luz à frente. É moderno até hoje. Arrisco-me que o visionário sempre o será.
Se o leitor gosta de samba e reconhece na Bateria da Escola de Samba Padre Miguel a melhor de todas ao assombrar o mundo há sete anos atrás introduzindo uma virada rítmica caindo para o funk; não fique assustado, isso não é nada além do talento de mestre de Bateria que bebeu em Bach.
O genial contrapontista inspirado. Monstro sagrado que revolucionou o canto coral e desconstruiu o dogma que imperava no início dos anos 1700, em pleno início do século 18, reconstruindo os pilares da forma e método de compor, felizmente tem sua obra praticamente toda gravada.
Segue Bach...
Aqui os amigos (as) poderão ouvir uma aula de fuga (Suite No 3, BWV 1009 in C maior - VI Gigue, para Cello). Ouçam.
Mas o que comove nesse homem que perdeu a mãe aos 9 anos e o pai um ano depois, é a inarredável decisão pela música, que revelou-nos um espírito inspirado e transgressor da ordem de então.
O blog recomenda a audição, digamos, de um tira-gosto nesse sabadão: o (Prelúdio da Suite No 1, BWV 1007 in G maior, para Cello). Uma aula de contraponto.
Aos interessados, basta enviar um e-mail para valmutran@gmail.com que disponibilizarei aos amigos o divino CD "Bach J.S. - 3 suites for cello solo BWV 1007-1009", obra completa, de modo à iniciarmos um resgate à obra do gênio, simplesmente outrora e eternamente conhecido como: Bach.
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Boa pauta
Vindo de Manaus, num périplo pela estrutura da Zona Franca. Luppi fez questão de ver in loco, as estruturas que oxigenam a economia do Amazonas e da locomotiva mineral Pará.
Sua presença em Belém, no entanto, atende convite do partido em nome do deputado federal Giovanni Queiroz, presidente da legenda no Pará.
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Ministro confirma presença em seminário do PDT em Belém (PA)
O evento será prestigiado pelo ministro do Trabalho e Emprego Carlos Luppi, Secretário Geral do PDT, Manoel Dias, presidente Regional do PDT, deputado federal Giovanni Queiroz e lideranças trabalhistas de todo o Estado. Confira a programação:
PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO
Local: Câmara Municipal de Belém – Pará
Data: 23 de Fevereiro de 2007
Início: Ás 08h00min horas e encerramento ás 17h00
Tema: Trabalho e Trabalhismo
Realização: Direção Estadual do PDT – PA.
Coordenação Geral: Dep. Federal Giovanni Queiroz.
Convidados de Honra: Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Luppi e Secretário Geral do PDT Manoel Dias
1. Às 08h00 – Credenciamento.
2. Às 09h00 – Abertura Oficial.
3. Às 09h30 – Composição da 1ª Mesa
Bloco de Esquerda na esfera estadual – participação dos presidentes estaduais dos partidos: PDT- PSB- PCdoB- PMN- PHS- PRB.
4. Às 10h30 – Composição da 2ª Mesa Oficial
Lideranças Nacionais e Estaduais participantes do Seminário Estadual.
5. Às 11h00 – Apresentação I - Grupo de Trabalho:
Subtema: “O trabalho como fonte de bens e riquezas”.
6. Às 11h40 – Apresentação II - Grupo de Trabalho:
Subtema: “A distribuição da renda nacional”.
7. Às 12h20 – Apresentação III - Grupo de Trabalho:
Subtema: “A desocupação, o desemprego e a qualificação
profissional”.
8. Às 13h00 – Intervalo para o almoço.
9. Às 14h00 – Apresentação VI - Grupo de Trabalho:
Subtema: “Os direitos inalienáveis dos trabalhadores”.
10. Às 14h40 – Apresentação V - Grupo de Trabalho:
Subtema:“As relações do PDT com os movimentos e as organizações de trabalhadores”.
11. Às 15h20 – Apresentação dos Pré-candidatos a Prefeitos:
Eleições Municipais de 2008.
12. Às 17h00 – Encerramento:
Apresentações de danças folclóricas e capoeiras.
Observação: Todos os temas serão apresentados por palestrantes integrantes de cada grupo respectivo, contando ainda a mesa com a participação de debatedores.
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Vale inicia engenharia financeira para comprar Xstrata
A primeira oferta informal, de US$ 76 bilhões, ou 40 libras por ação, foi rejeitada pelos acionistas da Xstrata.
Segundo uma fonte próxima da operação, a Vale aumentou em 17% a proposta, após a Glencore -maior acionista da Xstrata, com 35%- pedir até 48 libras por ação.
A Vale já teria fechado financiamento com Santander, HSBC, BNP Paribas, Lehman Brothers, Credit Suisse, Citigroup, Calyon e Royal Bank of Scotland. Sete deles entrariam com US$ 6,7 bilhões cada um, e um, com US$ 3 bilhões.
Eles estariam procurando crédito de mais US$ 2,5 bilhões.
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Senador Tapioca e Zolhudo se estranham

Dois senadores transformaram ontem o Plenário do Senado num ringue de lavadeiras *
As divergências entre governo e oposição levaram os senadores Gilvam Borges (PMDB-AP), conhecido como zolhudo e Mário Couto (PSDB-PA) -- o senador tapioca -- a trocar empurrões e ofensas ontem no plenário do Senado.
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) entrou no no meio dos dois para evitar a briga. "Olhei para os lados, não vi nenhum homem, fui eu", disse, ao avisar que sua atitude não foi excesso de coragem.
Couto não gostou de o colega peemedebista ter mandado a oposição se calar nas críticas ao governo por causa dos gastos com os cartões corporativos e foi tomar satisfação depois de usar a tribuna.
Com o dedo na cara de Gilvam, disse que a oposição não era irresponsável. Daí para frente, começaram as ofensas: "Vossa Excelência é um safado", acusou o tucano. "Seu vagabundo.
Amanhã a sua máscara vai cair e essa palhaçada vai acabar", respondeu Gilvam.
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) também ajudou a apartar a briga quando o clima esquentou e segurou Couto pela cintura.
"Pensa num homem com os olhos vermelhos vindo para cima do outro. Não pode, gente. Bater é quebra de decoro", disse Kátia Abreu.
O embate promete continuar hoje. "Ele tem que entender que ninguém pode calar a boca de ninguém", disse Couto. Gilvam promete novo discurso. "Ele não gosta de mim porque eu uso sandália. Ele está doente, desequilibrado. Amanhã [hoje] vou voltar à tribuna para dizer realmente quem ele é." Informa reportagem da Folha de S. Paulo de hoje.
Alguns senadores analisam se houve quebra de decoro parlamentar.
A baixaria não tem diferença alguma de briga de lavadeiras, * com todo o respeito às lavadeiras.
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O governo e a síndrome do meia-sola
Seria ótimo se o governo não fosse vítima da síndrome da meia-sola, a mania de fazer as coisas sempre pela metade e não raro, mal feito.
Fala-se em simplificação na cobrança de impostos, mas nada se fala sobre a redução da carga tributária.
Com uma das maiores cargas tributárias do mundo e com baixo índice de desenvolvimento, o Brasil insiste em penalizar a população com aumentos sistemáticos de impostos. O fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) havia sido uma vitória para todos os brasileiros. Cientes do papel cumprido em relação a esse assunto, parte do Congresso Nacional foi pega de surpresa com o anúncio, no início do ano, do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) paga pelas instituições financeiras.
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STF suspende entulhos da Lei de Imprensa
A decisão suspende, por exemplo, as penas de prisão para jornalistas por calúnia, injúria ou difamação. O Código Penal já prevê punição para estes delitos. Outro trecho suspenso é o que prevê censura para “espetáculos e diversões públicas”.
A liminar foi concedida pelo ministro Carlos Ayres Britto em resposta a uma ação do PDT e será válida até o julgamento final da ação, sem data prevista, pelo plenário do STF. “Imprensa e democracia, na vigente ordem constitucional brasileira, são irmãs siamesas. Em nosso país, a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade, porquanto o que quer que seja pode ser dito por quem quer que seja”, ressaltou o ministro.
Segue...
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Confira o nível dos vestibulandos na prova de Redação da UFMG
'A TV FORMA, INFORMA OU DEFORMA?'
A seleção foi feita pelo professor José Roberto Mathias e foi enviada pela amiga escritora e jornalista Taís Moraes, já de volta de uma temporada na Bélgica.
'A TV possui um grau elevadíssimo de informações que nos enriquece de uma maneira pobre, pois se tornamos uns viciados deste veículo de comunicação'. (pode?)
'A TV no entanto é um consumo que devemos consumir para nossa formação, informação e deformação'. (fantástica!)
'A TV se estiver ligada pode formar uma série de imagens, já desligada não...' (ah, sobrenatural... )
'A TV deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo intertida como também as vista' (sem comentários).
'A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas e com isso fabrica muitas cabeças' (é mesmo?)
'Sempre ou quase sempre a TV está mais perto denosco (?) , fazendo com que o telespectador solte o seu lado obscuro' (imbatível; flatulência?)
'A TV deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral' (que tortura!)
'A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer de locomoção' (genial!)
'A TV é o oxigênio que forma nossas idéias' (ah, sem ela esse indivíduo não pode viver...)
'...por isso é que podemos dizer que esse meio de transporte é capaz de informar e deformar os homens' (nunca imaginei pilotar uma TV)
'A TV ezerce (puxa!) poder, levando informações diárias e porque não dizer horárias' (esse é humorista)
'E nós estamos nos diluindo a cada dia e não se pode dizer que a TV não tem nada a ver com isso' (alguém me explica isso?)
'A televisão leva fatos a trilhares de pessoas' (é muita gente isso, hein?)
'A TV acomoda aos teles inspectadores' (socorro!)
'A informação fornecida pela TV é pacífica de falhas' (extraordinário!)
'A televisão pode ser definida como uma faca de trezgumes. Ela tanto pode formar, como informar, como deformar' (de onde essa criatura tirou essa faca?)
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Giovanni aprova corte para construção de Palácios
O lobby é grande para a recomposição dos recursos, considerados superfaturados e fora fora da realidade de mercado.
É por essas e outras que não sobra dinheiro público para enfrentar a bandidagem com ou sem colarinho deste país, e cada vez mais os ricos ficam mais ricos, enquanto os pobres... Quem se importa?
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PDT tem novo líder na Câmara dos Deputados
Procurador de Justiça, o novo líder pedetista foi também radialista e está em seu primeiro mandato como deputado federal. Antes, cumpriu quatro mandatos como deputado estadual e dois como vereador de Porto Alegre, sempre pelo PDT - partido ao qual está filiado desde 1981.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte XII: PERFIL / RAÚL CASTRO - Pragmático, boa-praça e linha-dura
Raúl Castro é um boa-praça, que gosta de jogar conversa fora com os amigos, fumar cigarros fortes (Marlboro, na intimidade, Populares, nas ruas), beber muitos drinques à base de rum e de falar sobre as façanhas dos filhos e netos.
Essas são duas das muitas facetas que o irmão de Fidel apresenta. Ele também é definido como um grande administrador, um chefe que prefere a dura realidade dos fatos e não se deixa engabelar por relatórios otimistas (e falsos) de seus subordinados. A bem da verdade, Cuba, hoje, é em boa parte produto do seu trabalho. Fidel era a ideologia. Raúl transformava em prática o sonho socialista. O paralelo mais próximo seria a dupla chinesa Mao Tse tung e Deng Xiaoping: um mental, outro pragmático.
O carisma de Fidel deixou o irmão na sombra, o que não diminui sua importância histórica. Foi, junto com Cienfuegos e Che Guevara, um dos comandantes da Revolução Cubana. Ele assumiu o controle das forças armadas e se aproximou da União Soviética, para obter armas e instrutores militares. Em pouco mais de um ano, conseguiu rechaçar, em abril de 1961, a invasão da Baía dos Porcos, ataque patrocinado pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) e executado por exilados cubanos treinados e equipados por agentes norte-americanos.
Mísseis cubanos
A invasão marcou uma virada. Até aquele momento, Fidel se recusava a assumir o marxismo-leninismo, defendido, desde o início da revolução, ainda em Sierra Maestra por Raúl e por Guevara. O ataque foi o elo que faltava para forjar uma aliança com o regime soviético. Mais uma vez, o irmão mais novo do líder cubano teve um papel primordial. Coube a ele fechar o acordo que permitiu a Moscou montar bases de mísseis balísticos de alcance médio (IRBM) na ilha.
Em outubro de 1962, aviões de espionagem U-2 fotografaram a instalação desses artefatos, que quebravam a vantagem norte-americana na Guerra Fria. Até então, Washington tinha uma vantagem: os mísseis soviéticos necessitavam de 20 minutos para atingir seus alvos. A força aérea e a marinha dos Estados Unidos, que possuíam armas na Europa, na Turquia e em submarinos nucleares, precisavam de apenas quatro minutos. Com os IRBM em Cuba, o placar da destruição virava a favor de Moscou.
O presidente dos EUA, John F. Kennedy, decretou um bloqueio à ilha e o mundo esteve próximo de uma guerra nuclear. No final, chegou-se a um compromisso: os norte-americanos retiravam seus mísseis da Europa em troca do desmantelamento das bases de IRBM. Também ficou acertado que jamais atacariam Cuba.
Raúl também esteve presente na política africana durante as décadas de 1970 e 1980. Graças a ele, o governo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) conseguiu se manter no poder, rechaçando, com a ajuda de soldados cubanos, duas frentes de invasão a partir do Congo (pela Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA, de Holden Roberto) e da Namíbia (pela União para a Independência Total de Angola, Unita, de Jonas Savimbi).
Hoje, depois da desintegração da União Soviética, Raúl é o principal defensor de um alinhamento com a República Popular da China, que usa como exemplo das reformas que pretende implementar em seu país. Vários programas entre os dois países estão em curso, inclusive a reestruturação completa das ferrovias, dos portos e dos transportes públicos urbanos.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte XI: Começa luta pelo poder
O sucessor de Fidel Castro à frente do Estado cubano será designado no próximo domingo pelos 614 deputados da Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento) — eleitos em 20 de janeiro —, em uma sessão histórica que abrirá um novo mandato presidencial de cinco anos. Raúl Castro, 76 anos, irmão mais novo de Fidel, surge como o candidato favorito. Número dois do regime, ministro das Forças Armadas desde 1959, desempenhou interinamente o cargo de presidente do Conselho de Estado (Executivo) desde 31 de julho de 2006. Mas não está sozinho na disputa.
Até lá, brotam especulações sobre quem será o futuro comandante da ilha. Nos circuitos diplomáticos em Cuba e entre líderes militares e civis do exílio cubano em Miami (Flórida), surgem comentários sobre uma luta pelo poder no seio do Partido Comunista Cubano (PCC). Nas últimas reuniões do secretariado do partido, haveria a convicção de que o poder não deve ser herdado e que mesmo Raúl só permaneceria na presidência depois de uma eleição interna. Entre os mais cotados nessa "bolsa de apostas" está o atual vice-presidente e secretário do Conselho de Ministros, Carlos Lage, um médico de 57 anos.
Integrante da geração sucessora, foi ele o homem de frente de Raúl Castro na execução das pequenas, mas importantes, reformas econômicas da década 90, logo depois do colapso da União Soviética. O chanceler Felipe Pérez Roque, 41 anos, também tem chances. Apesar de jovem, é famoso por defender a linha dura do regime. Quando Fidel desmaiou durante um discurso em junho de 2001, foi Pérez Roque quem tomou o microfone e gritou: "Viva Fidel! Viva Raúl!". Outro na "corrida presidencial" é o atual presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, 69 anos, um antigo colaborador do líder cubano e o maior especialista em EUA na ilha.
Conselho de Estado
Também são considerados, com menor força, nomes como o de José Ramón Machado, chefe do cerimonial do PCC; José Ramón Balaguer, antigo ideólogo do partido e ministro da Saúde; e Francisco Soberón, presidente do Banco Central Cubano. A Assembléia Nacional convocada para domingo às 10h (12h de Brasília), composta por deputados membros do PCC, se reúne tradicionalmente a portas fechadas sob a direção de seu presidente, Ricardo Alarcón, depois de um breve discurso de abertura na presença da imprensa.
Após eleger o presidente, o vice-presidente e o secretário para os próximos cinco anos, a Assembléia designará os 31 membros do Conselho de Estado e seu presidente, cujo cargo será o de chefe de Estado e governo, assim como "chefe supremo" das instituições armadas. Criado em 1976, o Conselho de Estado é composto também por um primeiro vice-presidente, atual cargo de Raúl, e cinco vice-presidentes. Segundo a Constituição, o primeiro vice-presidente substitui o presidente em caso de "ausência, doença ou falecimento", sem precisar a duração máxima de sua permanência no poder.
Dos membros do Conselho de Estado eleitos em 2003, 27 continuam no cargo — os demais foram destituídos ou morreram. Desses, 11 são membros do Bureau Político do Partido. Em seus 32 anos de existência, os cubanos viram o Conselho de Estado reunido publicamente apenas uma vez, quando a pedido de Fidel cada um de seus membros confirmou diante das câmeras de televisão a sentença de morte para o general Arnaldo Ochoa, acusado de tráfico de drogas e fuzilado em julho de 1989.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte X: Transformação silenciosa
Quando tornou-se presidente, Cuba era praticamente um balneário dos Estados Unidos. Tinha a economia restrita à produção açucareira e aos cassinos. "Fidel pôs os cubanos em um lugar digno, com direito à educação e à seguridade social", diz o historiador Pedro Cosme Baños, diretor do Museu do Memorial Lenin, da cidade de Regla. Ao longo dos anos, no entanto, a tarefa de levar desenvolvimento à ilha foi se tornando árdua demais.
A tábua de salvação do país foi a entrada, em 1972, para o Conselho de Ajuda Econômica Mútua (Caem), órgão de integração dos países do bloco socialista. Em 1985, as relações com o Caem correspondiam a 83,2% do comércio exterior cubano. Diante desse cenário de dependência, a queda do regime soviético não poderia ter deixado de provocar o desastre que causou à economia de Cuba. Em 1993, o Produto Interno Bruto (PIB) da ilha já era 35% menor do que o registrado quatro anos antes. Naquele ano, o sinal vermelho acendeu.
A resposta de Fidel chegou em julho, quando estabeleceu um regime de dupla moeda, que perdura até hoje. A introdução do CUC (peso conversível) na economia, que antes era restrita ao peso cubano, permitiu a entrada de divisas estrangeiras no país. Com isso, em 1995, 50% das receitas vinham do turismo. Mas a solução cambial, que permitiu que a crise econômica fosse controlada, hoje é geradora de novas contradições. Um CUC vale 24 vezes o valor de um peso cubano. Por esta última moeda, a população é remunerada e é possível comprar apenas os itens básicos. Os produtos importados, cotados em CUC, enchem os olhos dos cubanos. Todos buscam meios de obter a moeda dos turistas. Esta é a nova revolução silenciosa que Cuba tem de enfrentar — desta vez, sem Fidel.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte IX: Abertura econômica deve levar cinco anos
A renúncia de Fidel Castro à presidência de Cuba não significará uma rápida abertura econômica daquele país. O processo de integração será lento e acontecerá aos poucos, devendo levar de três a cinco anos. É esse o consenso entre especialistas que se debruçam sobre os indicadores da economia latino-americana. "Por mais poder que Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel venha a ter, não haverá mudanças a curto prazo. A economia cubana permanecerá fechada por um bom período. A transição exigirá a construção de instituições sérias e confiáveis, que sigam preceitos importantes para que o capital veja Cuba como uma economia de mercado Entre esses preceitos está o direito à propriedade privada", diz Ítalo Lombardi, chefe do Departamento de Pesquisas para a América Latina da consultoria IDEAGlobal, com sede em Nova York.
A tendência, segundo Vitória Saddi, economista da consultoria RGE Monitor, também com sede em Nova York, é de que se repita, em Cuba, o movimento registrado na Rússia logo depois do fim da Guerra Fria, que resultou no desmembramento da União Soviética. "Foram necessários cinco anos para que o Estado começasse a reduzir seu tamanho na economia e o capital privado ocupasse seu espaço. Mas o importante é avançar na abertura econômica, reduzindo a burocracia e a corrupção, mesmo que lentamente, pois os ganhos no futuro serão enormes", afirma.
Vitória lembra que, em 1997, Raúl Castro tentou promover mudanças na economia de seu país. Mas foi cerceado pelo irmão presidente. Raúl voltou a adotar o discurso mais pró-mercado, com Fidel afastado do poder devido a graves problemas de saúde. Para aumentar a eficiência da economia, ele prometeu promover reformas graduais nos sistemas fiscal, cambial e monetário. Também destacou a importância de se atrair investimentos estrangeiros para projetos que vão além do turismo, da energia (exploração e refino de petróleo), da mineração e do transporte portuário, nos quais o capital externo já se faz presente.
Estatísticas mostram que os estrangeiros já participam de 362 empreendimentos em Cuba, sendo 237 empresas de capital misto (com controle acionário do Estado) e 125 arranjos contratuais. Juntos, movimentaram, em 2007, quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) cubano, próximo de US$ 50 bilhões. Os maiores investidores são a Espanha e o Canadá, seguidos pelos Estados Unidos — a despeito do embargo comercial a Cuba — e por Israel. "Quando o capital estrangeiro se sentir mais seguro, aquele será o país de maior crescimento mundial, devido às oportunidades de negócios e à mão-de-obra qualificada", avalia Ricardo Amorim, chefe do Departamento de Pesquisas do banco alemão WestLB.
Para o presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alessandro Teixeira, o Brasil pode ser beneficiado. "Temos um amplo mercado a explorar nos setores de alimentos, de máquinas e de bens de consumo", frisa. Desde a posse de Lula, em 2003, o comércio entre o Brasil e Cuba cresceu 348%, de US$ 91,9 milhões para US$ 412,6 milhões.
"Jamais me aposentarei da política, da revolução ou das idéias que tenho. O poder é uma escravidão e sou seu escravo"
Setembro de 1991
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte VIII: Lula elogia ditador e condena ingerências
Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao gasoduto Sudeste-Nordeste, na cidade capixaba de Serra
O governo brasileiro reagiu de forma cautelosa à renúncia do ditador cubano, Fidel Castro. Durante visita ao estado do Espírito Santo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que, até então, temia pela sucessão na ilha. O medo era de que "numa situação adversa, acontecesse um sistema turbulento". Lula desfiou um curto rosário de elogios ao ex-líder guerrilheiro. "Fidel é o único mito vivo na história da humanidade, e acho que ele construiu isso à custa de muita competência, muito caráter, de muita força de vontade e também de muita divergência, de muita polêmica", declarou, segundo despacho divulgado pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto.
O presidente evitou qualquer opinião conceitual sobre o futuro de Cuba sem Castro à frente do governo. Preferiu uma espécie de discurso preventivo nesse campo. "Respeito muito que cada povo decida seu regime político — esse negócio de a gente ficar aqui no Brasil dizendo que bom é assim, bom é assado. Vamos deixar que os cubanos cuidem do que eles querem na política." Dada a deixa, ele foi em frente: "Os cubanos têm maturidade para resolver todos os seus problemas sem precisar de ingerências, nem brasileiras nem americanas".
Próximos desde 1985, Lula e Fidel se entrevistaram pela última vez em janeiro passado. O brasileiro esteve em Cuba para uma visita oficial e assinou 10 acordos bilaterais nas áreas de energia, saúde, comércio, agricultura e informação digital. Foi submetido a uma espera de horas, antes de finalmente encontrar Castro — o que deixou clara uma certa insatisfação do regime castrista com o Brasil. Dias depois, o próprio ditador revelou, em artigos publicados na imprensa oficial, o motivo da arenga: a promoção dos biocombustíveis, produto que aproximou Lula do presidente norte-americano, George W. Bush, e que, segundo Fidel, aumentará o preço dos alimentos no mundo num futuro próximo.
À saída daquele encontro, o presidente brasileiro não quis revelar o teor tenso da conversa. Aos jornalistas brasileiros que o acompanhavam, Lula disse que encontrou Castro "com uma saúde impecável". "A impressão que eu tenho é que Fidel está muito bem de saúde, está com uma lucidez como nos melhores momentos. E eu penso que Fidel está pronto para assumir o papel político que ele tem em Cuba e assumir o papel político que ele tem na história do mundo globalizado e da humanidade." Mas a saúde do ditador não só não estava boa, como piorou desde então.
No Itamaraty, a renúncia também foi recebida com muita cautela. O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, se limitou a dizer que reconhece a importância da figura de Fidel Castro na política internacional. E, meio que ratificando os acordos bilaterais, comentou que mantém a expectativa de intensificar as relações econômicas e comerciais com Cuba. Amorim afirmou que o Brasil manterá a atitude de engajamento e de bom relacionamento político com o governo caribenho.
Embora o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, não tenha feito nenhuma declaração — está em viagem à França e chegaria nesta madrugada ao Brasil —, o ministro da Justiça, Tarso Genro, veio a público comentar a troca de poder em Cuba. Segundo ele, a decisão de Fidel Castro foi "madura". "Não só porque suas condições de saúde apontam para a necessidade de sua retirada, mas também porque tudo indica que está em curso em Cuba um processo de renovação política, de renovação institucional e de rediscussão do processo de revolução".
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte VII: EUA mantêm embargo
A renúncia de Fidel Castro ao cargo de presidente do Conselho de Estado e de comandante-em-chefe das forças armadas do país, anunciada ontem, não vai suspender o embargo econômico imposto à ilha pelos Estados Unidos desde 1962, ano da consolidação da revolução socialista em Cuba. Em visita a Ruanda, o presidente dos EUA, George W. Bush, declarou que a saída de Fidel "deveria constituir o início de uma transição democrática para o povo cubano". Washington tinha prometido suspender o isolamento somente em caso de realização de eleições livres para todos os cargos públicos em Cuba.
Bush sugeriu que, após o afastamento de Castro, o governo cubano deveria dar o "primeiro passo para a democracia e libertar os prisioneiros políticos. O presidente americano pediu à comunidade internacional que contribua para instalar instituições democráticas em Cuba. "Os Estados Unidos vão ajudar o povo cubano a construir uma democracia", afirmou Bush, repetindo o argumento que utilizou para invadir o Iraque. "Finalmente haverá um debate interessante. Alguns vão sugerir a promoção da estabilidade. Claro que, enquanto isso, os prisioneiros políticos seguirão apodrecendo em suas celas, e a condição humana continuará patética em muitos casos", comentou o presidente dos EUA.
O segundo homem no Departamento de Estado dos EUA, John Negroponte, descartou a suspensão imediata do embargo imposto à ilha comunista. "Não posso imaginar que isso aconteça num futuro próximo", declarou.
Durante seus dois mandatos como presidente, Bush destinou muitos recursos para pressionar Cuba. Em 2003, ele criou uma comissão para tentar derrubar o regime marxista cubano e reforçou o embargo no ano seguinte. Em 2006, quando Fidel Castro já estava gravemente doente, a Casa Branca rejeitou a idéia de utilizar a doença para alimentar uma crise em Cuba, limitando-se a reiterar suas exigências de eleições livres e mudanças democráticas.
Europa
Dirigentes da União Européia reiteraram a oferta de diálogo político com Cuba para um progresso pacífico de transição para uma democracia pluralista. "Reiteramos nossa predisposição para ter um diálogo político construtivo com Cuba e alcançar os objetivos da posição comum da União Européia em suas relações com a ilha", declarou, em Bruxelas, John Clancy, porta-voz do comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel. O Reino Unido saudou a renúncia de Fidel como uma "oportunidade para avançar para uma democracia pluralista", declarou um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown.
França e Espanha acreditam que Cuba passará por um processo de mudanças, com mais democracia. "A França espera que a decisão de Fidel Castro de renunciar à presidência abra um novo caminho e que exista mais democracia no país. O castrismo tem sido o símbolo do totalitarismo", afirmou o secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet. A Anistia Internacional afirmou que a renúncia de Fidel deve ser aproveitada pela "nova liderança cubana" para introduzir "as reformas necessárias que garantam a proteção dos direitos humanos na ilha".
Aliados
O presidente da Venezuela, Hugo Chaves, um dos mais próximos aliados do regime cubano, afirmou que Fidel Castro e Cuba "demonstraram ao mundo e principalmente aos Estados Unidos que a revolução marxista na ilha não depende de uma pessoa". Chavez não considerou a atitude de Fidel uma renúncia: "Renúncia, que renúncia?", ironizou. Outro afilhado de Fidel, o presidente da Bolívia, Evo Morales, chamou de dolorosa a renúncia do presidente de Cuba. "Para mim, é doloroso que o presidente, o comandante Fidel, peça à Assembléia Nacional para deixar a presidência. Sinto muito, aprendi muito com ele, trabalhando pela unidade e pela solidariedade", declarou.
O governo da China, que sempre manteve boa relações com Cuba, saudou o "dirigente revolucionário e velho amigo" Fidel e manifestou o desejo de que ambos os países comunistas mantenham as boas relações. "O presidente Castro é um dirigente revolucionário profundamente amado pelo povo cubano e também um velho amigo do povo chinês", indicou o Ministério das Relações Exteriores chinês.
O Vietnã, outro fiel aliado de Cuba, expressou sua convicção de que Fidel continuará "consagrando sua inteligência e força à causa revolucionária cubana", esteja onde estiver. Na Rússia, o líder do Partido Comunista, Guennadi Ziuganov, afirmou que Fidel renunciou à presidência de Cuba como um "político genial", guiado pelos interesses do país.
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Cuba: Especial Correio Braziliense - Parte VI: Transição será lenta
Com a possível nomeação de Raúl Castro como presidente de Cuba no próximo domingo, o regime ganha fôlego para os próximos cinco anos. Até lá precisará resolver, ou pelo menos minimizar, o déficit de emprego e a escassez de alimentos na ilha caribenha, além de problemas crônicos, como a dupla monetarização. O "boom" do turismo, na década de 1990, deixou um rastro de mazelas, inclusive a desigualdade social. Especialistas consultados pelo Correio foram cautelosos em prever uma abertura política a curto prazo. Para uns, Raúl comandará uma transição lenta, focada na oferta controlada de novos negócios para os investidores estrangeiros. Para outros, é preciso que a comunidade internacional mantenha pressão no regime.
"Este é o começo do fim da ditadura de Castro", disse à reportagem o embaixador Roger Noriega, ex-subsecretário de Estado norte-americano para Assuntos Latino-Americanos e inimigo declarado de Fidel. Pouco otimista sobre o futuro da ilha, ele garante que "a política do Estado permanece intacta". "Raúl provou ser incapaz de promover uma mudança democrática real em qualquer sentido. Ele não tem futuro", avalia. Para Noriega, "a comunidade internacional deve continuar buscando reformas políticas e econômicas reais para que os cubanos construam seu próprio futuro".
A tutela de cinco décadas minou a capacidade de mobilização popular em Cuba. Em países como Síria e Coréia do Norte, dinastias ditatoriais empreenderam a sucessão de seus líderes sem maiores constrangimentos. O norte-americano Mark Falcoff, do conservador American Enterprise Institute (AEI), aponta particularidades no caso cubano. "A transferência de poder de um irmão para outro revela um processo mais complexo e interessante", observa. Autor do livro Cuba, a manhã seguinte: confrontando o legado de Castro, Falcoff acha que a transição em Cuba começou há cinco anos. "Ela ocorre em câmera lenta e sem incidentes". Raúl se antecipou à aposentadoria do irmão e remanejou pessoas de sua inteira confiança para agências e ministérios estratégicos.
"Raúl também esteve no comando das Forças Armadas Revolucionárias, que desde o fim da aliança com a União Soviética se transformaram em fator de poder mais importante que o Partido Comunista", alerta. O especialista destaca que Raúl ocupava o cargo de ministro do Interior, com controle da polícia, do exército e do sistema prisional. "O sucessor de Fidel tem uma vantagem adicional. Está perfeitamente ciente de suas próprias limitações. Ele não é seu irmão e sabe disso", completa Falcoff. Caso Raúl suspenda certas restrições ao comércio e à produção, poderá se tornar rapidamente bastante popular em Cuba. No entanto, há dúvidas sobre se uma abertura econômica flexibilizaria a face política do regime.
Clima favorável
Hélio Doyle, estudioso do governo cubano e professor da UnB, concorda. "Mudanças são inevitáveis, porque o regime tem sempre que se adaptar às novas situações. A questão é saber se isso será o fim do regime ou se darão continuidade a ele", alerta. Doyle lembra que, com o fim da União Soviética, a ilha teve de atrair investimentos e conseguiu novo fôlego por mais 17 anos. Agora, Cuba se vê enfrentada por um mundo globalizado, com a crescente rede de comunicação. "Há um clima favorável para mudanças, mas não acho que haverá nada radical", ressalta. Para ele, Raúl é um líder respeitado e preparado. "É um dos sobreviventes do primeiro núcleo do ataque ao Quartel Moncada. Ele já era da Juventude Comunista quando o Fidel ainda estava ligado à centro-esquerda", sintentiza.
Nelson Cunningham, que foi assessor do ex-presidente Bill Clinton para a América Latina, acredita que Raúl será um líder passageiro, por causa de sua avançada idade — 76 anos. "Não lhe restarão muitos anos. Isso iniciará um processo de transição real", afirmou. Para o especialista Jaime Suchlicki, do Instituto de Estudos Cubanos da Universidade de Miami, a substituição do comando do regime cubano é "uma sucessão de fato", mas não deve trazer mudanças estruturais. "Raúl não é um reformista". "A lição de Fidel é que as mudanças econômicas na Europa do Leste levaram à queda do comunismo. Raúl será cuidadoso nisso", estima. Ele lembra que "os militares controlam até 60% das grandes empresas em Cuba. Não vão querer abrir mão desse poder econômico facilmente".
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