Piloto pousou além do ponto e tentou arremeter




Geralda Doca

Autoridades suspeitam de falha humana. Comissão especial terá 90 dias para apontar as causas do acidente

BRASÍLIA. O acidente com o Airbus 320 da TAM pode ter sido causado por falha humana. Segundo fontes do governo federal, com base em depoimento de testemunhas, as investigações preliminares indicam que o piloto foi além do chamado ponto de toque na pista, não conseguiu parar e tentou arremeter, quando o avião já estava no chão. A aeronave, segundo essa fonte, bateu com a cauda no chão.

Segundo relatos enviados à Infraero, o piloto do avião tentou falar com a torre, mas os controladores não entenderam. E, quando a torre tentou um novo contato, o avião já estava se chocando no prédio da TAM Express próximo ao Aeroporto de Congonhas.

Equipes do Seripa já começaram a investigação

Equipes do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa ) já começaram a coletar dados no Aeroporto de Congonhas para determinar as causas da tragédia. A comissão especial de investigação terá um prazo inicial de 90 dias para apresentar um relatório sobre as possíveis causas do desastre. O prazo pode ser renovado por quanto tempo os investigadores considerarem necessário para apontar as falhas que levaram ao acidente e indicar medidas preventivas para evitar a repetição da tragédia.

O local do acidente deverá ser isolado, logo depois da retirada das vítimas. A partir daí, o objetivo prioritário da investigação será localizar a caixa-preta do avião. A partir de diálogos e ruídos registrados na máquina, os militares poderão descobrir se houve falhas mecânicas ou se o acidente foi provocado por falha humana, como suspeitam oficiais da Aeronáutica.

A investigação das causas deste acidente deve ser mais curta e simples que a apuração da queda do Boeing da Gol Linhas Aéreas, em setembro do ano passado, no Parque Nacional do Xingu, no Norte do Mato Grosso. O avião da Gol caiu numa área de mata densa e afastada de grandes centros urbanos. Os destroços do Boeing se espalharam por um raio de aproximadamente 700 metros da floresta.

Ontem, poucos minutos depois do acidente, sargentos e praças reforçaram a segurança na entrada do edifício do Comando da Aeronáutica, na Esplanada dos Ministérios. Funcionários do Comando se reuniam a portas fechadas nos andares superiores do edifício. Oficiais da Divisão de Comunicação Social da Aeronáutica orientaram os jornalistas a buscar maiores informações com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Mas, na sede do órgão, a poucos metros do Aeroporto Internacional de Brasília, funcionários informavam que só o Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, subordinado ao comando da Força, estaria autorizado a comentar o caso. Procurada novamente pelo GLOBO, a Aeronáutica disse que só daria mais informações sobre o caso hoje.

A partir dos dados da caixa-preta, os investigadores da Aeronáutica poderão reconstituir todos os dados do avião. Será possível determinar velocidade no pouso, momento em que freios foram acionados, retomada de potência nas turbinas em caso de tentativa de arremetida do avião.

O representante da Airbus no Brasil, Mario Sampaio, informou que a empresa enviou ontem mesmo uma equipe técnica ao Brasil para ajudar nas investigações sobre a causa do acidente.

COLABORARAM: Bernardo Mello Franco e Jailton de Carvalho

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