Haja fígado!

Foto: Antonio Cruz/ABr


«A imprensa brasileira tem um comportamento histórico em relação a mim», respondeu Lula da Silva na entrevista concedida em Dezembro de 2008, ao dizer que os grandes órgãos de comunicação social nunca lhe facilitaram a vida.

A reportagem intitulada Azia, ou o dia da caça, do jornalista Mario Sergio Conti, destaca que o Presidente não lê blogues ou sites na Internet e que tão pouco faz parte da sua rotina ler jornais ou revistas.

«E não é por falta de tempo», complementa a reportagem, «simplesmente não quer ler». Lula da Silva justifica-se ao dizer que tem um «problema de azia».

No seu quotidiano, segundo a revista, o Presidente brasileiro diz que se informa em conversas com o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

«Quando sai alguma coisa importante, a Clara [Clara Ant, assessora especial do Presidente] ou o Franklin me trazem o artigo, ou mesmo o vídeo de uma reportagem de televisão», disse.

Mesmo sem o contacto com a imprensa, a revista destaca que Lula da Silva se considera bem informado.

«Um homem que conversa com o tanto de pessoas que eu converso por dia deve ter uns trinta jornais na cabeça todo santo dia. Não há hipótese de eu estar desinformado», afirmou.

Apesar de ser alvo de críticas por parte da imprensa, Lula da Silva reconhece que «a sua ascensão à presidência é produto directo da liberdade de imprensa».

No entanto, criticou as notícias equivocadas ou distorcidas que obedecem a critérios de mercado e «não abrem espaço para o debate político».

Segundo a revista, este foi um dos motivos que o levou a criar a TV Pública, em 2008.

«Queremos que ela informe e promova debates sobre temas que a televisão privada não tem interesse. Ela não pode ser chapa branca», disse.

A entrevista à Piauí foi a 176ª concedida pelo Presidente brasileiro no ano passado, segundo a revista, que destaca que em 2008, a imprensa bateu recordes de «horas-Lula».

Enquanto no primeiro mandato, Lula da Silva falou menos de 50 vezes à imprensa por ano, em 2008, concedeu 57 entrevistas apenas para órgãos da imprensa estrangeira. No total, foram mais de três entrevistas por semana.

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