Mau exemplo político

ARTIGO

* Val-André Mutran

A casa revisora das Leis do Brasil já teve dias melhores. Hoje, é a pior representação da história republicana do país.

Carregada de privilégios incompatíveis com as dificuldades pelas quais o país passa, a elite política brasileira deveria ser a voz temperada do equilíbrio, experiência e retidão. Apontando caminhos, discutindo soluções aos graves problemas que batem-lhe a porta.

Não é o que acontece há alguns anos na cúpula virada ao Céu, projetada por Oscar Niemayer.
Encarregada de aperfeiçoar as leis e atuar em prol do interesses superiores do povo brasileiro. A atual legislatura da Câmara Alta virou um esporte do brasileiro médio: atacá-lo, algumas vezes, sem direito à defesa.

A fúria é proporcional às iniquidades praticadas pelos respeitáveis senhores e senhoras que por lá têm assento segundo a vontade soberana do povo nas urnas. Certo? Errado.

Apenas uma parte dos senadores foram eleitos de forma direta. Nada menos que 17 senadores são suplentes nessa legislatura. Veja a lista completa aqui.

A origem dessa excrescência sem precedentes tem origem nas regras aprovadas sob medida no próprio parlamento.

A forma como são substituídos os senadores que se licenciam, renunciam ou morrem é a origem do descalabro. Nessas hipóteses quem assume são seus respectivos suplentes. O alvo de críticas são suplentes alvo de denúncias graves.

Diferentemente do que ocorre com pretendentes a quaisquer outros cargos legislativos, que participam de uma competição pelas vagas disponíveis, elegendo-se ou se tornando suplentes na ordem da votação de suas legendas, no caso dos senadores dois terços dos postulantes sequer têm seus nomes nas urnas. É uma espécie de "litigância de má fé", para recorrer a um termo jurídico. Com isso, quando os titulares deixam o Senado, assumem em seu lugar figuras desconhecidas do eleitor, pessoas que não receberam um voto sequer e elementos com uma longa folha corrida. Alguns assumem sem qualquer experiência legislativa. Mal sabem falar em público. Uma comédia de mal gosto a infernizar a vida do cidadão.

Certa vez meu pai disse-me: não há lugar onde um ato vergonhoso não o ache. Seja no Céu ou no Inferno.

Acima dela. A vergonha. Os interesses pessoais e subterrâneos de grande parte de seus membros da chamada grande política nacional; revelam um senado repleto de infiltrações que recalcam a consolidação de nossa, ainda frágil democracia.

Até quando a paciência do brasileiro vai aturar tamanho desrespeito?

* O autor é jornalista e blogueiro.

6 comentários:

Anônimo disse...

Será que o título correto não seria " Mau exemplo político " ?

Val-André Mutran disse...

Claro! Obrigado pela contribuição na minha falta de atenção anônimo.
Muito obrigado mesmo.

Anônimo disse...

DESGRAÇADOS, FILHOS DE UMA ÉGUA, LAZARENTOS, MORRAM FILHOS DA PUTA.

Anônimo disse...

Quando digo que a Constituição de 1988 foi feita exclusivamente para proteger aqueles que estão nos representandoé mal, sei o que estou dizendo.
Creiam, deveriamos cercar o Congresso, trancar os portões e torná-lo uma penitenciária de segurança ultramáxima! Omissão e conivencia é um perigo!
Acabo de ver ao lado Estado de Carajás? Mais bocas sedentas por ocupar vagas de deputados e senadores. Cuidado, o governo fala o que queremos ouvir e faz o que bem entende... a cumplicidade e a dissimulação são as irmãs da hipocrisia!

Val-André Mutran disse...

Anônimo das 5:16.
A luta pela criação do Estado do Carajás é legítima.
As cumplicidades as quais você se refere, não se encaixam em nossa cruzada. Cruzada, diga-se, sem armas.
Abs e muito obrigado pela sua visita.

Anônimo disse...

Sou favorável a criação do estado de Carajás e outros por aí, mas só depois de conseguirmos autonomia tributária, política legislativa e administrativa nos municípios e estados www.federalista.org.br