Senado investiga Agaciel e tenta barrar aposentadoria de Zoghbi

Brasília - A corregedoria do Senado pediu ajuda ao Banco Central para investigar o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, suspeito de comandar um esquema de desvio de dinheiro em contratos com financeiras autorizadas a fornecer crédito consignado aos funcionários da Casa. O Senado quer impedir a aposentadoria do servidor, artifício utilizado por Zoghbi para escapar da demissão.

O Banco Central (BC) foi acionado para abrir auditoria que apure a movimentação financeira de bancos que ofereceram empréstimos consignados aos servidores da Casa durante a gestão do ex-diretor João Carlos Zoghbi.

De acordo com o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), o BC vai examinar se financiamentos feitos a servidores durante a gestão de Zoghbi ultrapassaram o percentual limite de 30% do salário, como estipula o regimento interno da Casa. Segundo a assessoria de Tuma, o ofício enviado ao BC partiu de ordem do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), na quarta-feira (29).

Pressionado, Zoghbi recorreu à imprensa para dar um recado ao Senado: denunciou o ex-diretor-geral Agaciel Maia de ser sócio oculto em várias empresas que têm contrato com o Senado e também apontou os senadores Romeu Tuma (PTB-SP) e Efraim Moraes (DEM-PB) como beneficiários do esquema.

Segundo o site ABC Político, ao mesmo tempo que busca ajuda do Banco Central para verificar possíveis movimentações financeiras de Zoghbi, o Senado abre outra frente de investigação. Ontem, a Polícia Legislativa do Senado abriu uma ocorrência para investigar as novas denúncias feitas por Zoghbi. Ele acusa o ex-diretor-geral da Casa Agaciel Maia e senadores de participarem de um esquema de fraudes em contratos do Prodasen (Sistema de Processamento de Dados), na comunicação social e no serviço de taquigrafia do Senado.

O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), se reuniu com o diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, e o diretor-geral, Alexandre Gazineo, para avaliar as denúncias. Heráclito considerou as acusações graves, mas destacou que elas precisam ser confirmadas para serem oficialmente investigadas.

Laranjas
Se Zoghbi conseguir comprovar o suposto esquema de desvio de recursos públicos, as denúncias serão incluídas no inquérito que foi aberto pelo comando do Senado na semana passada para apurar as denúncias de que ele desviava recursos do Senado para empresas de fachada registradas em nomes de laranjas.

"Decidimos abrir uma ocorrência para apurar as denúncias. Dependendo do resultado, podemos abrir uma sindicância. O fundamental é apurarmos a existência dos fatos denunciados. Precisamos saber se eles existem ou se apenas fazem parte de uma tática para desviar os fatos. Se confirmar, vamos apurar", disse o primeiro-secretário.

Em entrevista à revista Época, Zoghbi afirma que os senadores Romeu Tuma (PTB-SP) e Efraim Moraes (DEM-PI), ex-primeiros-secretários da Casa, estariam envolvidos no esquema de corrupção comandado por Agaciel. Heráclito disse as denúncias não são suficientes para colocar sob suspeita o trabalho de Tuma à frente da Corregedoria do Senado.

"Não acredito que o senador Tuma dificulte as investigações. Agora, é estranho que ele tenha convivido todos esses anos com esses senadores e não tenha feito nenhuma acusação. Agora que sua situação evoluiu ele arrisca. Todo acusado começa a atirar pedra nos outros", afirmou Heráclito.

O primeiro-secretário descartou acionar a Polícia Federal para entrar no caso. Heráclito disse ter confiança no trabalho da Polícia do Senado. O senador lembrou que as investigações serão monitoradas pelo Ministério Público, que ao final das investigações terá que se posicionar. "O Ministério Público vai avaliar o caso e dizer se aceita ou não a denúncia", disse.

O diretor-geral do Senado considera as denúncias de Zoghbi sem fundamento. "São denúncias vagas, mas estamos tomando as providências. São acusações sem detalhes que de certa forma vão até prejudicar a investigação", afirmou Gazineo.
*Com agências

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