Minc: puxão de orelhas e fritura em alta

deu em o globo

Lula convoca Minc e pede fim de 'algazarra'

Presidente critica briga pública entre ministros e se queixa do comportamento da 'meninada' quando está viajando

De Luiza Damé e Chico de Gois:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou incomodado com as críticas públicas do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a colegas, e o convocou para uma reunião amanhã, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde funciona provisoriamente o gabinete presidencial. Na semana passada, depois de se reunir com Lula, Minc disse que ministros combinavam um projeto com ele e depois iam ao Congresso com uma "machadinha" desfigurar leis em defesa do meio ambiente. Mais de uma vez, Lula deixou claro que não gosta de brigas entre ministros pela imprensa.

Embora tenha afirmado que não pretende repreender Minc, o presidente mandou recado:

- Tenho muitos filhos, e toda vez que o pai sai de casa a meninada faz algazarra mais do que deveria fazer - brincou, afirmando que o chamará quando voltar ao Brasil, amanhã.

Ao se reunir com Lula na última quinta-feira, Minc reclamou dos colegas que tentam protelar o cumprimento de exigências ambientais para liberar obras. No dia seguinte, criticou publicamente Alfredo Nascimento (Transportes) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos). Leia mais em O Globo

* O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, voltou a atacar ontem os ruralistas. Depois de afirmar que a pecuária é o principal vetor do desmatamento na Amazônia, Minc disse que os ruralistas estão "desesperados" e que querem tirá-lo do governo. Ressaltou que quem governa o Brasil é o presidente Lula, e não os ruralistas. E afirmou que, se no lugar do presidente estivesse um ruralista no poder, haveria o "Bolsa Latifundiário" em substituição ao Bolsa Família.

- O fato de os ruralistas estarem preocupados com a minha permanência no ministério me faz achar que estou no caminho certo, que estou enfrentando aqueles que acham que podem destruir impunemente os biomas brasileiros com monocultura, queimadas e agrotóxicos. Que me conste, o Brasil é comandado pelo presidente Lula, e não pelos ruralistas - afirmou.

Minc disse que procuraria a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), para retribuir um presente que ganhara dela, uma peça de artesanato de comunidades extrativistas da Amazônia. Antes de a senadora criticar Minc em plenário, ele afirmou que tentaria fechar um acordo com a senadora, que chamou de "agradável e hábil".

- Não queremos discriminar ninguém. Queremos que todos os agricultores, pequenos, médios e grandes, possam trabalhar respeitando o meio ambiente e os ecossistemas. Leia mais em O Globo

* A presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), chamou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de alienado, incompetente e "ecoxiita". O forte discurso, feito da tribuna do plenário do Senado, é uma resposta às recentes declarações do ministro, que classificou os ruralistas de "vigaristas". A senadora disse que o Brasil não sentirá a falta de Minc:

- Esses brasileiros que trabalham pelo Brasil, que o Carlos Minc, este senhor, denomina de vigaristas, para esse alienado ministro Carlos Minc, quero dizer que esses vigaristas são responsáveis por um terço do emprego dos brasileiros. Quero dizer a esse ecoxiita profissional, alienado da economia nacional, que o Brasil e o governo podem viver sem o senhor, ministro.

Ontem, a CNA protocolou denúncia na Comissão de Ética Pública do governo federal pedindo a demissão do ministro. Também pediu que a Procuradoria Geral da República o denuncie por crime de responsabilidade. O ministro terá de explicar suas afirmações, durante a marcha Grito da Terra, à Comissão de Agricultura da Câmara, que aprovou ontem sua convocação.

Kátia Abreu disse que Minc não trabalhou o suficiente para conquistar cargos eletivos. Insinuou que ele beneficiou o frigorífico Bertin, cuja multa com o Ibama ficou parada por nove meses, porque a empresa teria comprado "bois-piratas" apreendidos em uma operação. Leia mais em O Globo

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