Noblat e a cabroeira no costado de José Sarney

Sai, Sarney!

Ricardo Noblat

De Brasília, em O GLobo

“Perto do que fizeram com a Petrobras, o mensalão foi bateção de carteira em estação de trem.” (Senador Arthur Virgílio)

Vez por outra lemos que um político japonês se matou depois de ser acusado de corrupção. O mais recente deles foi Toshikatsu Matsouka, ministro da Agricultura, em maio de 2007. Ele aceitou suborno de um empresário e pediu reembolso de despesas que sempre foram cobertas por seu gabinete. A ser processado e talvez preso, preferiu se enforcar.

O próximo domingo será um dia tristemente histórico para a Inglaterra. Pela segunda vez, um presidente da Câmara dos Comuns, o equivalente à nossa Câmara dos Deputados, renunciará ao cargo, acusado de má conduta. O primeiro a renunciar foi Sir Jonh Trevor em 1695. Seu crime? Ter embolsado grana de um comerciante em troca de apoio à aprovação de uma lei. Michael Martin, 63 anos, presidente da Câmara dos Comuns há quase dez, não se vendeu a ninguém, nem tirou vantagens ilícitas do cargo. Mas foi conivente com os colegas que tiraram.

Aqui já assistimos à renúncia de presidentes da Câmara e do Senado enrolados em denúncias de quebra de decoro. Foi o caso de Severino Cavalcanti, presidente da Câmara. E de Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães e Renan Calheiros, presidente do Senado. Ao contrário de Trevor no passado, e agora de Martin, eles não abandonaram os cargos premidos pelo sentimento de vergonha. Renunciaram para não ser cassados. Foi um ato de sem vergonha. Assim puderam preservar os direitos políticos e voltar ao Congresso reeleitos.

José Sarney está no olho do furacão que varre o Senado desde que ele se elegeu, em fevereiro último, para presidi-lo pela terceira vez. A primeira foi em 1995. O que existe de podre no Senado não é obra exclusiva dele. Um presidente do Senado não pode tudo, muito menos sozinho. Mas é um escárnio Sarney continuar fingindo que nada tem a ver com a crise mais grave da história do Senado. Não apenas tem a ver. Sarney é o principal responsável por ela. A semente da crise foi plantada no primeiro mandato dele como presidente do Senado.

“Eu só tenho a agradecer ao Dr. Agaciel Maia pelos relevantes serviços que ele prestou”, disse Sarney ao se despedir do ex-diretor-geral do Senado removido da fundação devido à crise. Agaciel foi nomeado por Sarney. Ao longo de 14 anos, acumulou poderes e cometeu toda a sorte de abusos com a concordância explícita ou velada de Sarney e dos que o sucederam no comando. Na semana passada, ao som da música do filme “O Poderoso Chefão”, Agaciel casou a filha Mayanna sob as bênçãos de Sarney, Renan Calheiros e de dois outros ex-presidentes do Senado – Garibaldi Alves e Edison Lobão.

Para lá do inchaço do quadro de funcionários do Senado, do pagamento de horas extras não trabalhadas, da criação de diretorias fantasmas, da homologação de licitações suspeitas e da assinatura de decretos secretos, há fatos que dizem respeito diretamente a Sarney e que o deixam mal na foto. Dono de imóvel em Brasília e inquilino da mansão destinada ao presidente do Senado, Sarney recebeu durante mais de um ano auxílio-moradia de R$ 3.800,00 mensais reservada a senadores sem teto. Flagrado, primeiro negou que recebesse. Depois se apropriou do mote de Lula e disse que não sabia.
Um neto de 22 anos de Sarney assessorou durante mais de um ano o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Foi a maneira que Cafeteira encontrou, segundo admitiu, de agradecer ao pai do rapaz por tê-lo reaproximado de Sarney. Há uma sobrinha de Sarney lotada no ex-gabinete da filha dele no Senado, atual governadora do Maranhão. E há outra empregada no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MTS) em Campo Grande. É possível acreditar que o pai da crise esteja de fato empenhado em resolvê-la? Ou que seja capaz disso? Quem disse que seus pares estão interessados em refundar o Senado?
A essa altura, uma só coisa depende de Sarney: a renúncia à presidência do Senado para atenuar as nódoas recentes em sua biografia.

2 comentários:

Boanerges Guedes disse...

Até quando esses abútres vão escarnecer do povo?, LADRÕES! com todas as letras maiúsculas.
Cambada do LULABABÀ E OS QUARENTA, todos do PMDB "partido das meretrizes do Brasil" que se vendem a qualquer preço.

flamengo disse...

Essas aves de rapina nunca vão sair do poder, por conta de tantas faucatruas que fazem, e seus pares devendo favores e empregando seus familiares com salarios absurdos só para pagar o favor que o fez fazendo faucatruas para favorece-lo, que vergonha de ser brasileiro e ter politicos tão ladrões.