Após negociação católicos e evangélicos ficaram satisfeitos

Projeto de lei praticamente idêntico ao acordo firmado entre Brasil e Santa Sé estende benefícios concedidos a representantes do Vaticano também aos demais credos. Textos passaram pela Câmara e precisam de aprovação no Senado

Na cruzada contra o acordo (1)firmado entre o governo brasileiro e a Santa Sé(2), a bancada evangélica na Câmara dos Deputados perdeu a batalha. O tratado foi referendado pelo plenário da Casa na noite de quarta-feira. Na mesma sessão, porém, os deputados chancelaram um projeto de lei, (3)recente, de julho de 2009, que praticamente copia o que diz o acordo com o Vaticano, só que estendendo os benefícios a todas as religiões (leia o quadro). A aprovação dos dois textos — quase idênticos em alguns trechos — deixa a guerra entre os grupos empatada, pelo menos por enquanto. Os novos duelos serão travados, agora, no Senado, para onde foram remetidas as duas matérias.

Na avaliação do deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, a aprovação do projeto de lei atenuou as discriminações que outros credos poderiam vir a sofrer com o acordo entre Brasil e Santa Sé. “Agora, os benefícios que já existiam, mas em leis diversas e na Constituição, foram sistematizados para as todas as religiões”, ressalta. Apesar disso, Campos ainda sente desconforto com um artigo do acordo, segundo o qual ajustes podem ser incluídos entre as partes posteriormente. “Assim, fica uma brecha para novas disposições sem a participação do Legislativo.” Para Eduardo Cunha (PMDB-RJ), relator do projeto de lei, a questão merece ser levada ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Acho que é uma boa discussão, pois a Constituição veda um tratado com uma única religião”, afirma.

A despeito das críticas, Cunha reconhece que o acordo contribuiu para uma tramitação ligeira do projeto de lei que trata de todas as religiões. Para se ter ideia, a matéria foi apresentada em 8 de julho de 2009. Em 26 de agosto, última quarta-feira, instalou-se uma comissão especial para analisá-la. No mesmo dia, o relator apresentou o parecer pela aprovação, a discussão foi aberta e encerrada, e o projeto votado e levado ao plenário, onde também recebeu a chancela dos deputados. “Foi um andamento recorde, é verdade. Mas houve um acordo político, com a concordância da Casa, para que aprovássemos a matéria, uma vez que o plenário iria aprovar também o acordo assinado pelo presidente com a Santa Sé”, explica.

Mudanças

As últimas mudanças foram feitas na hora da votação em plenário. Tanto é que a redação final do projeto de lei ainda não está pronta, devido aos trâmites burocráticos. O ponto de discordância maior dizia respeito ao parágrafo único do artigo 14, que estabelecia imunidade tributária para pessoas jurídicas ligadas às instituições religiosas. O termos “ligadas” despertou desconfiança dos deputados, que solicitaram outra redação, idêntica à do acordo no que se refere ao mesmo tema, para a cláusula. “Repetimos na íntegra”, diz Cunha.

Para Miguel Martini (PHS-MG), que integra o grupo católico na Câmara, é preciso ter cuidado na redação de matérias dessa natureza para não estimular ilegalidades. “Sou favorável a um tratamento igualitário para católicos e seguidores de outras religiões. Mas não podemos esquecer que há espertalhões querendo tirar proveito de tudo. Hoje, qual o critério para se abrir uma igreja evangélica? Nenhum”, acredita Martini.


1 - Polêmica
Em novembro do ano passado, o Brasil assinou um acordo com o Vaticano, que é considerado, do ponto de vista jurídico, um Estado. O documento versa sobre itens que vão desde imunidade fiscal ao ensino religioso nas escolas públicas. A matéria controversa ainda precisa passar pelo crivo da Câmara dos Deputados e, depois, do Senado Federal, para posteriormente ser ratificada pelo presidente da República.


2 - Santa Sé e Vaticano
Embora utilizado como sinônimo, muitas vezes Santa Sé é o sujeito de direito internacional. Por isso, as relações diplomáticas e eventuais acordos com outros estados soberanos, como é o caso do Brasil, são fechados com ela, não com o Vaticano — que é um território no qual a Santa Sé tem soberania.


3 - PL nº 5598/2009
Apresentado em julho pelo deputado George Hilton (PP-MG), o projeto de lei da bancada evangélica foi uma resposta ao acordo Brasil-Santa Sé. Hilton praticamente copiou o texto do acordo. Por isso mesmo, o relator, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teve de modificar alguns termos específicos de tratados internacionais, na forma de um substitutivo.

5 comentários:

Anônimo disse...

ESSE NEGÓCIO DE MINISTRAÇÃO RELIGIOSA NAS ESCOLAS PÚBLICAS NÃO PODERIA SER LIBERADO, UMA VEZ QUE TODAS AS RELIGIÕES TERIAM O MESMO DIREITO. OCORRERIA UMA BALBÚRDIA NO PAÍS, FERINDO O PRINCÍPIO DE ISONOMIA. ALÉM DISSO, QUAL A RELIGIÃO VERDADEIRAMENTE COMPROMETIDA COM DEUS, PARA ENSINAR SOMENTE A SÃ DOUTRINA CONTINA NA BÍBLIA SAGRADA?

Anônimo disse...

Estado ecumênico não é estado LAICO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Nenhuma religião deveria ter privilégios, estado laico é estado neutro. Não confundam estado laico com estado ateu, pois estado ateu é contra as religiões, o estado laico não, ele só não se envolve nessas questões.

O Brasil é um país ridículo, tenho vergonha de ter nascido nele. Assim que acabar meu doutorado vou embora.

Anônimo disse...

Não ao Estado ecumênico (o dizer que todas as religiões levam a Deus é uma mentira descabida do Diabo - na verdade é uma preparação para a implantação da nova ordem, onde tudo se fará para a apresentação de um Deus que presumivelmente representará o interesse de todas as religiões - para que o Anticristo possa exigir a sua adoração como representante deste deus e proibir a adoração ao verdadeiro DEUS. Com a proibição os que teimarem em continuar com as suas convições religiosas serão perseguidos e até mortos por isso).
Já o Estado Laico... o que o governo não se mete em religião, indiretamente será a mesma coisa do Estado ecumênico. Se não se mete em religião, então qualquer coisa serve. Deus não aceita isto. "Ou somos" ou "não somos". Não podemos servir a dois senhores. Não podemos ficar em cima do muro. Não podemos ser neutros em questões religiosas. Quem puder entender, entenda! Quem acha que pode e não entende, não fale de coisas que não sabe.
A Honra, a Glória e o Poder ao Deus Trino todo Poderoso. Amém.

NONO disse...

SOMOS UM PAIS CRISTÃO, NÃO DA PRA ABRIR ESPAÇO PRA RELIGIÕES! JÁ PENSARAM O ISLAMISMO COM SEUS RADICAIS E HOMENS BOMBAS? GENTE DEUS PAI-FILHO E ESPÍRITO SANTO NÃO É RELIGIÃO É UM SÓ DEUS,UMA SÓ FÉ.... O QUE QUE O ESTADO ESTÁ FAZENDO ACORDO E LEGISLANDO COM IGREJA GENTE ME FALAA?!!! ESTADO LAICO É NEUTRO, NÃO INTERFERE... ORAS!JÁ SOMOS ABARROTADOS DE LEIS QUE NEM SÃO CUMPRIDAS. SEJAM MAIS LEAIS E DIGAM AO MUNDO QUE AQUI TODOS VIVEMOS EM PAZ VENCENDO PRECOCEITOS, AMPARANDO ESTRANGEIROS DIVERSOS, PORQUE TEMOS UMA SÓ FÉ, UM SÓ DEUS! NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PRONTO É ISSO QUE SE TEM DE PREGAR COM RESPEITO E SERIEDADE E TEMOS CERTEZA QUE MESMO OS QUE SÃO DE FORA VÃO AMAR ESSE DEUS, ESSE POVO BRASILEIRO GENTIL,GUERREIRO E NUMA VERDADEIRA FÉ!
NONO

Quaresma disse...

Não se pode honrar a Deus e a mamon. País laico somente no livro, pois há muito que a religião católica é divulgada e propagada a quatro cantos do Brasil e, a evangélica só leva pau.
"Somente por meu intermédio vc chegará ao Pai". Os evangélicos crescem assustadoramente no Brasil e já cortam 39% da fatia religiosa do País. Como disse o colega, tenho vergonha sim de dizer que sou brasileiro. Morei dois anos nos USA e me arrependo de ter voltado.