Entrevista - Flávio Arns - ''O partido mudou''

Ag. Senado
















O senador Flávio Arns (PT-PR) comunicou ontem oficialmente ao líder Aloizio Mercadante (PT-SP) que se desligará do partido. “Queríamos uma coisa simples: esclareça-se, investigue-se. O Senado não pode simplesmente não investigar. Lula, com tanta popularidade, poderia fazer isso com pé nas costas. Pedir justiça e transparência”, disse. Confira os principais trechos da entrevista:

A decisão de sair é irrevogável?
É, vou sair. Pedi para os advogados me ajudarem. Gostaria que houvesse uma decisão judicial porque hoje só se diz que o parlamentar perde o mandato. Só se fala da fidelidade do parlamentar ao partido. E a fidelidade do partido aos seus ideais. Acho que essa discussão deve ser feita. Estou saindo porque o PT mudou completamente.

Como o senhor vê as ações do presidente Lula em defesa de Sarney, a defesa de Henrique Meirelles como candidato em Goiás?

No caso do Sarney, isso desarticula, desautoriza a bancada. A bancada foi eleita e tem que ter um compromisso com a consciência, com o eleitor e com o partido, nessa ordem. A nota do (Ricardo) Berzoini (presidente do PT) não foi discutida, assim como a candidatura de Meirelles, não houve debate.
E Marina Silva? O senhor acha que muitos petistas podem migrar com ela? O senhor vai para o PV?

As bases do PT não concordam com o que vem sendo orientado no Congresso. Não existe sintonia. O PT aceitou que o presidente Lula coordenasse a escolha do candidato. Mas muita gente pode migrar agora. Como ocorreu na saída de Heloísa Helena para o PSol, sem dúvida ocorrerá com a ida de Marina para o PV. Ela é sensata, correta e com credibilidade. Ainda não defini meu destino.
O senhor acha que a crise acabou com o arquivamento das representações contra Sarney?

O problema não é o Sarney. Somos nós mesmos. Vimos um trator vir para cima. Fomos eleitos para aguentar pressões, mas a atitude foi errada, em desacordo com os princípios e o clamor da sociedade. O que queríamos? Que se investigasse. O Lula tem tanta popularidade que poderia fazer isso com um pé nas costas. Ah, mas isso pode interferir no apoio do PMDB ao PT. Mas o partido precisa saber que mais importante que apoios é a sociedade ter instituições boas. É o que eu acredito.

2 comentários:

Anônimo disse...

steO Senador ARNS está cheio de razão,pois o Lula com seu PT,lutou
contra a ditadura,contra todo tipo
de autoritarismo do passado, e agora quer se sustentar no poder
chegando ao ponto de
atingir aos próprios Colegas como
Mercadante,Arns,Marina,Suplicy, Paim,pessoas tão importantes
que deram seus esforços para que se
chegasse ao Poder,esquecendo que o
partido fica,a instituições ficam,
mas agente passa, ainda mais estes
poderiam realmente ser seu candidato a Presidente,pois foram
os criadores do PT , agora PT se igualou a qualquer outro partido.
Tornou um partido sem ética e moral
e sem respeito aos VALORES FUNDAMENTAIS necessários as agremiações partidarias.

Quaresma disse...

É simplesmente ridícula a declaração do Lula, referindo-se à saída do senador Flávio Arns das fileiras petistas. Acusou o senador de não ter força política e que era calouro na casa do tapete azul. Já com a marina, o tom foi mais preocupante. E o Mercadante amarelou. O importante é que as perdas foram consideradas irreparáveis na quantidade petista no senado federal e que, certamente, pesará bastante nas próximas eleições. Sinto que haverá mais debandada no ninho petista, assim que se apromimar mais o pleito 2010 e sentirem que já não haverá nenhuma reversão para a fulminante derrota do PT, tanto para o Planalto, quanto para os governos estaduais pelo Brasil afora. Aqui no Pará tenho a certeza de que a governadora Ana Júlia não emplaca reeleição.