Endividamento e fraudes atormentam aposentados

Crescimento de 155% entre aposentados

BRASÍLIA. Aposentados e pensionistas do INSS têm usado e abusado do crédito consignado nos últimos 12 meses. As operações de crédito para estas pessoas cresceram nada menos que 155,4% de janeiro a novembro de 2009 em relação a 2008 - contra uma alta de 34,5% no número de consignados fechados pelos servidores públicos. Mas a avidez pelo crédito acabou levando muitas delas a se endividar ou a cair em uma série de golpes.

Mesmo assim, especialistas alertam para uma nova explosão deste tipo de transação. Isso porque quase 45% dos aposentados e pensionistas ainda não usaram esta modalidade de crédito. É um universo de 9,4 milhões de segurados, de um total de 21 milhões.

Levantamento da Previdência Social mostra que o montante emprestado saiu de R$8 bilhões em novembro de 2008 para R$20,4 bilhões no mesmo mês do ano passado. O número de operações cresceu 168,32%.

- O crescimento foi significativo, a tendência é de expansão - disse o presidente do INSS, Valdir Simão.

Desde 2006, quando essa modalidade de crédito passou a existir, já foram realizadas 20,5 milhões de operações, incluindo financiamento tradicional e cartão de crédito. Atualmente, existem 16,1 milhões de operações ativas.

Mas o êxito do consignado para a categoria levou ao endividamento e a fraudes. Para evitar esses problemas, o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) - formado por representantes de governo, trabalhadores e empregadores - decidiu, em janeiro de 2008, reduzir a margem de comprometimento mensal dos benefícios para 20% no empréstimo tradicional e 10% para cartão de crédito.

Para combater as fraudes, o Conselho também adotou algumas regras, como, por exemplo, a proibição da concessão de empréstimos por telefone. Agora, é exigida a presença do tomador, para assinar o contrato. Segundo Simão, das 11.702 reclamações à ouvidoria do INSS, 2.217 são caracterizadas como fraude.

Os empréstimos para os aposentados têm teto de juros de 2,3% ao mês e prazo de até 60 meses. (O Globo)

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